Para Castlereagh Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Isabel Maria Figueiredo, em 22-09-2008 17:51
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Epitáfio (Para Castlereagh)
Andei pensando em ti, cavaleiro idiota no sentido dostoievskiano, e pensei em surrupiar de Byron, a ironia dolorida de seu epitáfio. Não há patriota que não mereça que lhe urinem nas cinzas, não há causa que valha o sangue nem fogo que confirme a imortalidade. Procurei teu sentido, à notícia da morte de Cato, seguiu-se tua morte em vida. Fui então visitar tua lápide, procurar tua letra firme e encontrei um cidadão bêbedo urinando em tua cova, recitando um cordel de impropérios. Talvez tenha me sentido ofendida, talvez quisesse um refúgio sem odor de urina, só sei que arrebentei-lhe o crânio na pedra do teu exílio e agora, tudo se transforma numa imensa fedentina regada à sangue coalhado e vermes obesos.
Desculpe meu caro, não pude conter o impulso. Mandarei que limpem os destroços, que se encham cântaros de almíscar e se espalhem pétalas de mortas rosas ao redor das gárgulas sorridentes. Não há porém como conter o odor pútrido das tuas chagas que não apodrecem. Eu sei que todos os dias, tu sangras, mesmo morto e enterrado, ainda te dói o látego, ainda sentes que te cortam o peito em dois. E todos os dias, eu mato à pauladas o boêmio que te perturba o sacrifício. E ainda te amo. Como um abutre, à carniça.
Isa


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