Sentou-se muda diante de mim. Olhei seu rosto, crispado de dor, daquela dor de não existir, aquela de desistir. Nervosa no olhar, sem a irriquietude de quem não sabe ficar, parada, fria, morta. Apenas sua alma gritava presa em seu corpo, pedindo saída. Dizem que os olhos são a janela da alma, mentirinha boba para quem não entende da vida. Os olhos nos pertencem, nossos olhares, a nossas almas. E aquela alma pedia, suplicava. Nada dizia, apenas sofria. Olhava-me enamorada de minha alma que, à sua, a mão estendia. Ela me fissuplicava e eu sentia no peito aquela angústia que era dela, ardia. Não lhe fiz as perguntas habituais, aquelas que, para fugir da dor que a consumia, procurava. Apertei sua mão que a minha emudecia. Fechei meus olhos para ela supor que eu não existia e pedi.
- Chore.
Minutos depois, enxugou o rosto sem se preocupar com a máscara que se desmanchara. Levantou-se, leve, sorriu, agradeceu, me encomendou a Deus, e saiu.
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