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| DUAS HISTORIAS ESQUISITAS |
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I
Eu tenho um amigo, não sei o nome dele, mas todos o chamam de Julinho-Imita-Fácil. Chamamo-lo assim, pois, toda vez que ele encontra uma pessoa com alguma particularidade ele começa a imitá-lo, dando ênfase a essa particularidade, até encontrar outra pessoa, com uma outra particularidade, passando, então, a imitar essa última. Ele faz isso desde que nasceu. Quando era bebezinho os médicos diziam que era síndrome da célula espelho, mas à medida que crescia, ia imitando na mesma proporção. Hoje ninguém lembra mais com era o Julinho original. II Certa vez, após um longo e cansativo dia de trabalho, peguei um ônibus LOTADO e FEDORENTO, contudo dei sorte, tinha um lugarzinho para sentar la na parte da frente (lugar destinado a idosos e deficientes). Sentei. Em um dado momento um cidadão vira-se para o meu lado e começa a gesticular, encarando-me (ele era surdo mudo). Como não entendia a linguagem de sinais, fiz sinal para ele, colocando o dedo na altura da fonte e girando a mão no próprio eixo, como quem diz: NÃO ENTENDO! Contudo o cidadão continuou a gesticular, e repetia os gestos, acima identificados, incessantemente. Depois de algum tempo de repetição dessa cena comecei a ficar irritado, como o rapaz não parava e fazia umas caras esquisitas, cismei que ele estava caçoando de mim. Não deu outra, levantei e enchi de porrada o mudinho. Quando me virei para voltar ao meu lugar, vi outro cidadão de pé assustado, gesticulando - apontava para os olhos, ficando vesgos, e apontava com a outra mão para si - como quem diz: ele é vesgo, surdo e mudo e estava falando comigo. Perplexo e envergonhado, não pensei: enchi de porrada o outro também, dei sinal e saltei. No outro dia me matriculei para aprender a língua dos sinais. Ps.: o meu professor era o primeiro mudinho que dei porrada, e o segundo aluno dele.
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