| *488: Não chore. |
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De múltiplos olhares, múltiplas dores, multifacetadas e, encaradas no rosto erguido, num estalo... forte: - Pá!!! De um tapa, a vida se faz realidade... de reflexos, de luzes e sons: acordo... - Dia? apenas ao meu susto, meu sussurro ao meu ouvido... - Respiração... é meio de madrugada, estou eu no chão - Não? ao meu lado, estirado, encontra-se um caixão, e uma senhora resignada...- Meio... grisalha que chora, fede à tiazinha... - Faxineira... que chora pela morte do filho. Raspo o olhar...- Céu? estou eu no inferno, rodeado de velas, e apenas uma senhora, de calos nas mãos, e cabelo despenteado, triste e sozinha... apenas, só pela morte do filho, em prantos se derrama, lava-se de sua agonia. Eu me viro e, entre a linha da madeira do mofado caixão vejo-a chorar em soluços, percebo o sangue correr dos olhos... me olha tonta, o sofrimento da velha senhora me comove... e eu, me entristeço, apenas consigo dizer uma frase ao me libertar do imenso nó, que se atracou na minha garganta... e com um olhar pesado... ao vê-la me olhar... exclamei: - Não chore minha mãe!
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