*488: Não chore. Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Hiago Rodrigues Reis de Queirós, em 27-09-2008 21:32
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De múltiplos olhares,
múltiplas dores,
multifacetadas e,
encaradas no rosto
erguido, num estalo...
forte: - Pá!!! De um tapa,
a vida se faz realidade...

de reflexos,
de luzes e sons:
acordo... - Dia?
apenas ao meu susto,
meu sussurro
ao meu ouvido... - Respiração...
é meio de madrugada,
estou eu no chão - Não?
ao meu lado, estirado,
encontra-se um caixão,
e uma senhora resignada...- Meio...
grisalha que chora,
fede à tiazinha... - Faxineira...
que chora pela morte do filho.

Raspo o olhar...- Céu?
estou eu no inferno,
rodeado de velas,
e apenas uma senhora,
de calos nas mãos,
e cabelo despenteado,
triste e sozinha... apenas, só
pela morte do filho,
em prantos se derrama,
lava-se de sua agonia.

Eu me viro e, entre a linha da madeira
do mofado caixão
vejo-a chorar em soluços,
percebo o sangue correr dos olhos...
me olha tonta, o sofrimento
da velha senhora me comove...
e eu, me entristeço, apenas consigo
dizer uma frase ao me libertar
do imenso nó, que se atracou
na minha garganta...
e com um olhar pesado...
ao vê-la me olhar... exclamei:
- Não chore minha mãe!

Publicado em : Literatura, Poesias
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