| Um Amor Além de Qualquer Distância |
|
|
|
Tinham os mesmos nomes. Cresceram juntos, à sombra do amor materno. Ele era órfão, e a mãe dela, que o amava como se ela fora seu filho, tomou-a para si, e reuniu os dois debaixo do mesmo olhar e dentro do mesmo coração. Era quase irmãos, e sê-lo iam sempre completamente, se a diferença dos sexos não viesse, um dia, dizer-lhes que um laço mais íntimo podia uni-los.
Um dia, quando ambos já tinham dezenove anos, olharam-se profundamente um nos olhos do outro até se encontrarem, disseram juntos: - Marcelo! – Marcela! Naquele mesmo instante perceberam que já se amavam há tempos, mas tinham ignorado o amor. Eles se abraçaram, sorriram, não havia palavras, mas também não precisavam delas, eram inúteis e sem sentido. Tudo que havia a ser dito estava naquele ‘ar’ entre eles e então se beijaram. Ao menor toque dos lábios sentiram um sobe e desce de emoções que nunca haviam sentido tão fortemente com outras pessoas. Foram as melhores sensações que haviam presenciado em toda a vida. Eles estavam passando as férias numa ilha e, nesse instante estavam no farol, esperando o pôr-do-sol, os dois se amaram, entregaram-se de corpo e alma ali mesmo, sem medos, movidos ao mais puro AMOR! Quando voltaram a casa onde estavam, a mãe deles, Marieta, percebeu que enfim tinham se rendidos aos sentimentos um pelo outro, percebia e sentia aquele ar de felicidade, harmonia, amor. Havia um porém, era o último dia das férias de cada um e no dia seguinte tinham que estar voltando as suas cidades, havia períodos novos nas faculdades os esperando. A despedida foi dolorosa para ambos, Marcela dizia: - Entrarei em contato contigo todos os dias. Prometa não me esquecer, Marcelo! - É impossível, minha vida! É impossível esquecer o amor da minha vida! Entrarei em contato sempre também. Saiba que podemos estar a mais de 1600 km distantes, mas nunca estaremos distantes em coração! Com o tempo, as saudades aumentavam, junto delas o amor um do outro, eram telefonemas, cartas e quando tinha um tempo de sobra ‘Messenger’. Foi quando Marcela já sentia-se enjoada há mais de dois meses e meio que decidiu consultar um médico. Não imaginava que fosse gravidez, pois sua menstruação vinha regular sempre, mas o médico disse a ela que estava grávida e que havia casos de gravidez com menstruação. Não irei lhes dizer que Marieta adorou a idéia logo de cara, até porque Marcela teria que trancar o curso em pouco tempo, mas Marcelo se deslumbrou desde o momento que soube, poderia não ser a melhor hora, mas queria esse bebê do mesmo jeito. Marcela levava uma vida normal e tranqüila, mas no sétimo para o oitavo mês começou a ter complicação demais e foi submetida a uma cesariana, onde contou com a sorte de Marcelo estar na sua cidade nesse dia e ter ficado todos os instantes com ela, sem abandoná-la em nenhum momento, mas assim que conseguiram extrair a criança do ventre dela, Marcela não agüentou, sua pressão elevou-se muito e ela veio a falecer. Marcelo não se conformava e Marieta apesar de toda a dor que sentia, foi a que mais incentivou Marcelo a melhorar. Ela o ajudou a cuidar daquela menininha linda, que ele a nomeou como Aziza, que significa ‘aquela que é querida’. Muitas vezes via-se Marcelo contando a Aziza sobre Marcela, mesmo que ela não entendesse nada ainda e foi com ela que ele resgatou o vigor de viver novamente e seguir em frente! PS.: O primeiro parágrafo faz parte do conto de Machado de Assis 'Fernando e Fernanda', onde esse texto foi uma proposta de redação de português para continuá-lo e como foi elogiado eu quis publicá-lo aqui!
|
Nenhum comentário
| < Anterior | Próximo > |
|---|