| Como nunca tive identidade |
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Como foi normal, não posso dizer que o parto foi torto, e nem deu muito trabalho, mas, conforto em pau-de-arara não dá pra ter não que o saculejo é farto e não pára um segundo, todavia, e não é gracejo nem despudor, a bolsa d'água foi um estouro!, molhou o couro de meio mundo e quebrou o galho do radiador do caminhão, antes do parto era Zé ou Zia, depois, virei José dos Santos, o sexto filho vivo de Maria dos Santos, e denominação assim, sem cinismo, não que seja chinfrim ou não tenha brilho, mas, não carece de certidão passada em cartório que é besteira achar que há maneira de não dar confusão, faltei ao batismo que no território não havia igreja, e não fui à crisma nem à comunhão por igual motivo, vi cartilha um dia, mas, tão de pressa, que tenho essa cisma, a cobra chamada cedilha que manobra e dá picada e fica agarrada no fundilho do tal de cê, e nunca mais deu pra ver, depois, a panela vazia e aquela barriga que faz a alegria de verme e lombriga, e coice de todos os lados, e foice, enxada e tanto calo que cada dedo de tão inchado parece até um pilão, e tenho medo quando coloco a mão e toco e acarinho que ralo e esfolo, quando dou colo, sufoco o tadinho que me asfixia a aflição, e, de sobra, uma tosse danada que não passa com simpatia que remédio não dá pra comprar, e germe, anemia, epiderme desbotada, crendice e velhice precoce, e cachaça pra tratar do tédio, e acho que tenho pouca idade, acho, como não tenho identidade, convicção não tenho não!
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