MOMENTO DA VITÓRIA LEMBRANÇAS DE MINHA VIDA Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Fatima Silvana Mateus, em 03-10-2008 09:28
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1º de março de 2007, duas e vinte da manhã, virei para o outro lado procurando me aconchegar nos lençóis quentes, fechei os olhos e tentei evitar os pensamentos. Ainda faltava muito tempo, precisava voltar a dormir.
Mudei novamente de posição e não pude evitar olhar novamente para o relógio. Duas e vinte dois. Ufa! Passou-se dois minutos, pensei. O calor da cama e a demora das horas se tornaram insuportável. As seis e quinze não pude mais agüentar. O quarto permanecia escuro e a pouca claridade que entrava pelo vão da janela mostrava que o dia estava preste a nascer. Levantei e o calafrio na espinha e o vazio do estômago me causavam certo mal estar. "Não posso continuar assim, preciso sair e acabar logo com isso, depois de tanta espera chegou o momento", pensei enquanto vestia uma calça jeans e uma blusa de lá preta, que eu mesma fiz usando meus dotes domésticos. Prendi os cabelos prendendo-os num coque, fiz uma maquiagem discreta, calcei botas de salto alto e sai.
O vento frio da manhã que bateu em meu rosto me fez sentir melhor. Atravessei a cidade numa velocidade moderada. Em dias habituais costumo pilotar de forma mais veloz, mas nesse dia tinha tempo de sobra, não estava atrasada e nem com pressa. O pouco movimento nas ruas me faziam lembrar que ainda era muito cedo, a cidade ainda continuava a dormir.
Estacionei a moto e senti o cheiro forte do café recém passado assim que abri o portão. Através do vidro da porta pude ver fiapos de cabelos brancos se aproximando, o som dos passos arrastados fizeram meu coração disparar. O sorriso amável de um rosto marcado pelo tempo me acalmou.
- Que faz aqui tão cedo? - perguntou minha avó depois de me abençoar.
- Não agüentava mais esperar. Não me sinto bem, um frio na espinha, tremores pelo corpo, e meu estomago dói parecendo ter um buraco. - despejei as palavras demonstrando desespero e inquietação.
- Vou fazer um chá e daqui a pouco vai se sentir melhor. - mais uma vez seu sorriso me acalmou. Aquela senhora rechonchuda de lindos olhos azuis tem o dom de me acalmar. Sempre foi assim, quando era pequena e ficava doente só me sentia melhor quando estava em sua companhia.
- Em fim chegou o grande dia, minha filha. Seu pai ficaria orgulhoso de você. - as palavras fizeram nascer um nó na minha garganta. Apenas sorri, incapaz de responder.
Meu pai, grande homem. Segundo minha avó ele chorou ao me ver nascer, fato que me deixa feliz até hoje. Homem trabalhador e honesto, desde de muito cedo apreendeu que o trabalho dignifica o homem. Quando adolescente trabalhou com seu irmão gêmeo na roça, depois de adulto a vida não mudou muito, sempre fez serviços braçais, com pouco estudo e sem condições financeiras as perspectivas de serviços não eram muitas.
Aos vinte e quatro anos casou-se com minha mãe, uma mulher baixinha e rochonchuda. A história de amor deles é bem engraçada. Minha mãe escreveu uma carta (na época era assim que as pessoas namoravam) para meu tio Pedro, irmão gêmeo de meu pai, marcando um encontro na praça da igreja. Quem pegou a carta foi meu pai, e foi ele também quem apareceu no encontro, a partir daí foi amor certo. Um ano mais tarde estavam casados e onze meses depois eu nasci.
Meu pai tinha verdadeira paixão pela minha mãe. Ele a amou todos os dias de sua vida. Não importava qual a aparência dela, se estava gorda, magra, bem vestida, mal vestida, ele a amava sempre de todas as formas. Desse amor nasceram doze filhos, dois morreram ainda bebês. Foi uma dor terrível. Na manhã depois de enterrar o último vi minha mãe chorar nos braços de meu pai e apesar de ser ainda uma criança pude compreender que haviam perdido algo muito importante, não importava quantos outros filhos tinham, a falta dos que foram seria eterna.
Na infância minha vida foi bem difícil, as dificuldades financeiras eram imensas. Por mais que meu pai trabalhasse o dinheiro não cobria as despesas. Minha mãe quase não podia trabalhar, pois a cada ano uma nova gravidez aparecia. Por mais que tente esquecer sempre que penso na minha infância lembro-me de ver minha mãe deixar de comer para deixar o que tinha para nós. Lembro dela fazendo mingau de maisena com água para dar aos mais novos. Ainda vejo a imagem de meu pai saindo para trabalhar nas manhãs frias de chinelo de dedo e com pouco agasalho. Essas com certeza não são as melhores lembranças de uma infância feliz, mas tinha o lado bom, por mais difícil que fosse o ano o papai Noel nunca nos esquecia no natal. Meu pai trabalhava dobrado nessa época e com grande dificuldade conseguia comprar um presentinho para cada um de nós, inclusive para minha mãe. Nunca tive grande perspectiva de ganhar um grande presente sabia que meus pais não tinham condições, me contentava e me comovia com os esforços deles.
Teve um ano que ganhei uma boneca chamada Alessandra, tinha os cabelos loiros e minha irmã Kau ganhou a mesma boneca só que de cabelos pretos, ficamos muito felizes. É importante dizer que a diferença de idade entre eu e minha irmã é de onze meses, acho que é essa diferença que nós faz tão unidas. Somos almas gêmeas, metade uma da outra, na verdade todos os meus irmãos são parte de mim, me sinto ferida se alguma coisa acontece com um deles. Mas voltando a história eu e minha irmã pegamos nossas bonecas e fomos mostrar a uma menina que morava perto de nossa casa. A menina que havia ganho um bebê caríssimo esnobou de nossas bonecas e voltamos para casa chateadas, não com o fato de termos ganhos bonecas simples, mas por existir pessoas maus, arrogantes e prepotentes.

Aos onze anos comecei a trabalhar como babá na casa de uma vizinha, ajudava nos serviços domésticos e cuidava de um bebê chamado Gladissom. Foi importante para minha formação profissional, aprendi a cumprir horários, e com minha patroa uma moça jovem e mãe solteira aprendi a me comportar de maneira educada. Foi como uma escola de boas maneiras.
Aos treze anos fui trabalhar na casa do meu professor de matemática, um homem educado e simples, diferente da esposa uma mulher esnobe. Fomos passar as férias no sítio deles no interior do Rio Grande, eu devia cuidar dos três filhos do casal, três meninos de dez, nove e dois anos. Foram minhas piores férias, quando o professor não estava em casa eu não recebia nenhum alimento, passava o dia inteiro sem comer e a ser maltratada. Cheguei a roubar um pedaço de pão de um dos meninos quando o mesmo brincava de se esconder. Quando voltamos para a cidade pedi que me levassem de volta para casa, fui recebida de braços abertos por minha mãe que chorou ao me ver.
- Isso mesmo nega, pode chorar. - disse meu pai que estava sentado na caixa de lenha atrás do fogão fumando seu cigarro de palha, ele mesmo tinha lágrimas nos olhos.
Com o dinheiro que ganhei comprei presentes para todos, mas esqueci da minha irmã mais nova, era tanta criança que acabei esquecendo.
Lentamente a vida foi melhorando, aos quatorze anos comecei a trabalhar como fotógrafa com minha tia. Os primeiros meses trabalhei como balconista numa filial da empresa, logo em seguida passei a trabalhar no laboratório fotográfico. Encantei-me pelo mundo fotográfico, pelo processo de revelação. Trabalhei durante quinze anos no mesmo estúdio e só sai quando uma nova era fotográfica nasceu, a era digital. Ganhou-se qualidade e rapidez, mas perdeu-se a veracidade da fotografia. A capacidade de mudar a imagem para uma imagem irreal não me agrada então deixei o estúdio.
Mesmo trabalhando as dificuldades financeiras continuavam e como toda adolescente rebelde conheci um rapaz e aos dezessete anos casei. Foi um casamento simples do qual não tenho muitas lembranças. Minha imaturidade não me permitiu um momento especial. O casamento durou seis anos e se me perguntassem há tempos atrás diria que tinha sido um grande erro, mas hoje não penso que foi. Durante esse tempo fomos felizes. Éramos jovens fugindo de casa, das dificuldades, das responsabilidades de irmãos mais velhos. Foi uma pena ter que crescer com a dor da separação. Marco era um bom homem, honesto, sem vícios e responsável, mas isso não foi o suficiente para nos tornarmos um casal, faltava cumplicidade, paixão, mesmos ideais.
Pouco antes da separação, no ano de 1997 meu irmão mais novo ficou doente. Em uma semana perdeu mais de dez quilos, minha mãe já não sabia o que fazer. No sábado ele amanheceu com dificuldades para respirar, minha mãe, minha irmã e meu marido o levaram para o hospital. Ao meio dia fui ter com eles, os médicos desconfiavam de diabetes. À uma hora da tarde fomos avisados de que ele havia entrado em coma. A notícia nós pegou desprevenidos e o desespero foi total.
Foi ai que percebi que tinha passado muito tempo afastada dos problemas da minha família, os seis anos de casamento haviam me afastado de meus irmão e agora estava ali, prestes a perder o meu menino preferido. Foram vinte e quatro horas de angustia e espera. A diabete estava confirmada e a equipe médica esperava uma reação do organismo as doses de insulina.
Meu pai estava trabalhando quando fui avisá-lo.
- Eu disse pra nega (era assim que se referia a minha mãe) que o menino não estava bem. - disse com a voz embargada, vi que suas mãos tremiam e não pude conter as lágrimas. Nos últimos tempos nos víamos pouco, as poucas vezes que visitava a casa de minha mãe ele estava trabalhando e quase nunca nos encontrávamos. Agora estamos ali frente a frente envoltos por uma nuvem negra de dor e tristeza. Um homem de quarenta anos com aparência de cinqüenta, culpa de uma vida dura e cruel.
O momento só não foi mais difícil do que quando o médico avisou que um de nós podia entrar para ver o menino. Foi meu pai quem entrou e minutos depois o vimos sair da sala de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com as mãos na cabeça chorando compulsivamente. O desespero era tanto que ele começou a bater com a cabeça na parede, ainda usava as roupas cirúrgicas, ficamos todos assustados, o desespero parecia não ter fim.
- Nosso filho está morrendo Nega, está morrendo! - triste ver um pai prestes a perder um filho. O médico veio até nós.
- Fiquem calmos, o menino não os reconhece porque está sedado, faz parte do tratamento. - sem resultado pediu que um de nós o acompanhasse, fomos eu e minha irmã.
Não foi por acaso que meu pai se assustou, a cena era deprimente. Meu irmão que na época tinha dez anos estava deitado num berço para crianças recém nascidas. Em poucas horas parecia ter perdido muitos quilos, a cor amarelada da pele, os olhos semi-abertos, e o soro derramado em volta de seu rosto, me causaram náuseas. A enfermeira se prontificou a limpar o seu rosto e lhe fechou os olhos. Sai da sala procurando não assustar ainda mais minha mãe que chorava desesperada.
- Então, como ele está. - perguntou assim que nos viu sair.
- Dormindo. - respondi em meia voz. - O médico disse que vai demorar a acordar precisamos rezar para que reaja ao tratamento, por enquanto o organismo está resistindo.
Passamos a noite sentados em frente ao hospital, na época não era permitido acompanhantes. Dormimos ali mesmo ao relento de uma noite fria. Às sete horas da manhã seguinte a enfermeira abriu a porta da recepção e com um grande sorriso avisou que meu irmão havia acordado. Choramos e até a enfermeira comovida participou do abraço da vitória. Era apenas a primeira, meu irmão havia vencido a morte e no momento pouco importava ter que passar o resto da vida preso a seringas e agulhas o importante é que ainda seriamos os dez Mateus.

Depois da separação muitas coisas melhoraram. Voltei para casa de meus pais, nossa situação financeira estava melhor. Eu, minha irmã e meu irmão estávamos trabalhando, dessa forma as coisas iam bem. Alugamos uma casa em outro bairro, era uma bela casa, grande de dois pisos, com vários quartos, sala, cozinha, banheiro e garagem, ficava próximo do centro. Bem diferente da que morávamos pequena com apenas dois quartos e distante
Nessa época não pensava em me apaixonar, queria curtir a vida de forma livre sem compromisso, mas o destino nos prega muitas peças. Descobri que um ditado é certo, o amor não escolhe hora nem lugar. Foi no ônibus que conheci meu grande amor.
Um homem alto, forte, com pouco mais de trinta anos, ternos olhos azuis, pele branca e lisa, e uma cabeça repleta de cabelos grisalhos cuidadosamente penteado. Ombros largos, físico impecável, com mais de um metro e oitenta realçado pela farda que usava.
Esperei durante seis meses até que ele me convidasse para sair. Já estava desistindo quando um dia me pediu o número do meu telefone. Achei que não ligaria e acabei esquecendo.
No dia seguinte uma ligação para o meu serviço me convidava para sair. Não acreditei, parecia mentira que um homem como aquele estivesse interessado em mim. Pensei em recusar e pedir para que marcássemos para outro dia, mas tive medo que isso não acontecesse então aceitei.
Eu usava uma jardineira jeans, camisa de listas coloridas, tênis e para ajudar boné, parecia um moleque. Desejei poder passar em casa para trocar de roupa, mas não tinha tempo. Constrangia-me o fato de estar tão mal vestida para um encontro, mas ele pareceu nem reparar no que eu usava.
Foi um encontro estranho, fomos direto para um motel, e a idéia de ir para cama no primeiro encontro me confundia. Pensei em dizer algo, mas a voz não saiu, à vontade de estar com aquele homem era maior. Por fim pensei: vai ser só uma vez mesmo, que mal pode ter se nunca mais vamos nos ver. Ah, como estava enganada! Aquela foi a primeira vez de muitas outras. Eu o amei desde o primeiro momento e antes mesmo de voltar para casa já desejava estar novamente com ele. Dias depois descobri que ele também pensava assim, desejávamos nos ver mesmo que fosse só mais uma vez.
O segundo encontro foi ainda melhor. Dessa vez caprichei no visual, usei uma calça Jeans justa, uma blusa da mesma cor e sapatos de salto alto. A lingerie era nova. Um conjunto de algodão, sutiãn e calcinha bege com desenhos de gatinhos. Não usei maquiagem apenas um batom rosa claro. Os cabelos estavam presos formalmente. Ele estava lindo como sempre, usando a farda da Policia Militar muito bem passada, o cabelo bem penteado, coberto pelo quep.
O encontro foi marcado por magia e sedução, começou com beijos suaves e ternos, descendo devagar pelo meu corpo. Gentilmente fui deitada na cama macia, suas mãos graciosas e ágeis acariciaram meus seis, me despindo lentamente. Em poucos minutos senti a maciez de sua pele aveludada de encontro com a minha. O único som que se ouvia era o farfalhar dos lençóis e os gemidos de prazer.
Nossa paixão foi crescendo a cada dia. Nesses onze anos que estamos juntos me apaixonei várias vezes por ele. Ainda hoje quando ouço o barulho da moto estacionando, minhas pernas tremem e meu coração dispara.
Já passamos por momentos muito difíceis, na maioria das vezes culpa do seu ciúme doentio, outras culpa da minha ingenuidade de achar que podia viver sem ele. A verdade é que nascemos um para o outro e não importa o tamanho do obstáculo, vamos ultrapassando. Não sei se esse amor é uma benção ou uma praga, o que sei é que não podemos viver longe um do outro.
Já vivemos momentos de pura magia e encanto, mas também de rigoroso inferno. Acho que é esse o equilíbrio de um bom relacionamento. Claro que preferia que a vida fosse sempre um mar de rosas, mas isso não é possível.
Tudo ia muito bem, eu, minha irmã Kau e meu irmão Juca estávamos apaixonados, bem empregados e felizes assim como os demais. Era sábado à tarde meus irmãos estavam empavonados com montagem do jogo de quarto novo da Kau quando o Chevette velho do meu pai estacionou em frente à casa. Meu pai saiu do carro chorando o que assustou a todos.
- Paizinho, o que aconteceu? - perguntou Kau. Ela era a filha preferida dele. Não que ele fizesse discriminação entre os filhos, apenas por afinidades. A mesma afinidade que me une a minha avó.
- Não sei. Estou sentindo uma dor forte no peito, fiquei com medo de morrer antes de chegar em casa. - as palavras assustaram ainda mais. A casa que antes se encontrava em clima de festa tornou-se sombria e triste.
Minha irmã e minha mãe o levaram até o pronto socorro, onde foi medicado e liberado minutos depois. Quando cheguei em casa às seis horas da tarde encontrei minha avó na porta, a quietude do ambiente e a presença da minha avó confirmavam que alguma coisa estava errada.
- Não fique nervosa, ele já está bem. - disse minha avó assim que me viu abrir o portão.
- Bem! Quem? - estava trabalhando e não tinha a menor idéia do que ela estava falando. Minha primeira idéia foi meu irmão Diogo, o caçula.
Sem esperar a resposta fui entrando a passos largos, a cada movimento sentia meu coração acelerar mais forte, minhas pernas começavam a tremer incontrolavelmente. Deitado na cama estava ele, o meu paizinho. Com seu rosto cheio de rugas e pálido tentou esboçar um sorriso amarelo ao me ver. Minha mãe estava sentada na beira da cama e minha irmã deitada ao seu lado. Quis pergunta algo, mas a voz não saiu, o rosto amarelado e as olheiras escuras me respondiam perguntas que preferia não saber a resposta.
Três meses se passaram desde aquele fatídico sábado até o dia que ele não mais agüentou. Durante esse período meu pai foi internado duas vezes e nunca mais voltou a andar, a principio os médicos diziam que era trombose, depois reumatismo, e por fim leucemia. Uma doença triste que vai matando dia-a-dia. O homem forte e trabalhador passou seus últimos dias numa cama, dependente de outras pessoas, convivendo com uma dor terrível, nem os remédios mais forte conseguiam diminuí-la. Chorei quase todos dias, por não poder fazer nada para aliviar sua dor, pelo tempo que não passamos juntos, pelo pouco tempo que sentia que tínhamos, por perceber que estávamos próximo da separação.
O martírio acabou numa noite quente de segunda-feira, por erronia do destino ou porque simplesmente ele não queria que estivéssemos presentes, meu pai morreu no momento que eu e minha irmã tínhamos saído de casa. Não sei se consigo descrever com palavras o que foi aquele momento. Senti-me como uma criança preste a dar os primeiros passos, mas dessa vez não havia quem me levantasse se caísse, nem quem me incentivasse a tentar de novo. O meu herói, o meu grande herói havia morrido e não havia nada que pudesse mudar aquilo. Aos cinqüenta anos o melhor homem que conheci, deixou esse mundo, para viver na eternidade de nossos corações.
- O chá vai esfriar. Filha, o chá!
- Desculpa. Estava distraída.
- Está chorando? - perguntou minha avó sentando ao meu lado.
- Estava lembrando do meu pai e tudo que passei pra chegar até aqui.
- Foi muita coisa. - fez-se silêncio. - Lembra do casamento deles como ele estava feliz?
- Ah vó, foi muito legal mesmo. Todo mundo estava feliz naquele dia.
As bodas de prata, vinte e cinco anos de união. Foi uma cerimônia simples realizada na paróquia São Cristóvão, no dia 09 de maio de 1999. Naquele ano dia das mães, por esse motivo à igreja estava lotada. No meio da cerimônia o padre lembrou do casal e na frente de todas as pessoas os parabênlizou pelos tantos anos de união e os lembrou de não fazerem mais dez filhos nos próximos vinte e cinco anos, todos riram. A recepção foi no salão de festa da empresa onde meu trabalhava e onde hoje trabalho. Bolo, salgadinhos, refrigerantes e boa música tornaram o dia inesquecível.
Às vezes me perguntava como meu pai podia se sentir feliz se passou à vida inteira tendo que trabalhar duro, agüentando desaforo e humilhação e por fim morreu de forma tão dolorosa. Conheci a resposta através de uma tia que nos visitou dias depois de sua morte. Chorando ao rever as fotos disse que meu pai havia sido muito feliz, que a cada nascimento uma felicidade maior nascia em seu coração. Ele podia ter tido todas as riquezas materiais do mundo, mas sua felicidade só estaria completa se tivesse ao seu lado os dez filhos. Era um homem que baseava sua felicidade no amor a seus filhos.
- Seu pai foi muito feliz antes de morrer. Vocês fizeram o que podiam por ele.
- Será? Acho que fizemos o que podíamos mesmo, mas fico triste que ele tenha partido tão cedo. Agora que podia dar a ele uma vida melhor, roupas quentinhas, comidinha boa, poderia levá-lo pra conhecer o mar que tanto queria. Queria dividir esse momento com ele.
- Tenho certeza que ele estará do seu lado hoje. Se pensar nele de coração vai poder senti-lo. - o abraço quente fez com que lágrimas corressem pelo meu rosto. - agora chega de tristeza. O comercio já está quase abrindo e é melhor você correr se não é capaz de não encontrar a sandália.
- A senhora tem razão. Estou com medo que já tenham vendido. Imagine ter que ir descalço. - rimos tomando o chá que já estava frio.
Era verdade que havia muitos motivos para estar feliz a final foi um longo caminho. Aos vinte e cinco anos nem imagina fazer faculdade. Assim que casei parei de estudar, e foi quando conheci o Douglas, meu grande amor que pensei em voltar. Foi ele quem me incentivou e até me matriculou num desses supletivos aonde vamos à escola somente para fazer as provas. Foi assim que conclui o segundo grau. Engana-se quem pensa que esse tipo de supletivo é fácil, foi bem difícil ter que estudar em casa e sem explicação. Mas apesar de difícil adorei, sempre gostei de estudar, adoro ler e escrever e isso facilitou um pouco as coisas.
Depois de concluído o segundo grau, resolvi prestar vestibular, não pensava em ir para faculdade, mas queria saber como andavam meus conhecimentos. Sempre incentivada pelo Douglas é claro, prestei vestibular para Ciências da Computação, na mesma época ele prestou vestibular para Direito. Passamos os dois, ele foi para faculdade naquele ano, eu um ano depois.
Mesmo tendo passado no vestibular, não conseguia me imaginar pagando uma faculdade, com o que ganhava era quase impossível. No entanto um ano depois do primeiro vestibular resolvi fazer outro, dessa vez para Jornalismo. Foi o Douglas quem foi ver o resultado, me ligou dizendo que eu não tinha passado, não havia encontrado meu nome na lista. Não acreditei, corri até a faculdade e meu nome estava lá. Acontece que toda a minha família inclusive o Douglas me chamam pelo meu segundo nome, e foi por esse nome que ele procurou na lista não encontrando claro.
Dessa vez estava empolgada com a idéia de ir para faculdade o problema estava em arrumar dinheiro para matricula, foi preciso receber um adiantamento de férias e décimo terceiro. No ultimo dia de matricula estava aguardando ser chamada quando fui invadida por um medo terrível, abandonei o local e fui me encontrar com o Douglas.
- Já fez a matricula minha futura jornalista?
- Não. Não devemos foi loucura pensar que poderíamos, imagine como vamos conseguir pagar, a mensalidade é mais alta do que meu salário. - as palavras fizeram com que lágrimas escorressem pelo meu rosto.
- Meu amor, você volta lá e faz a matricula, depois vamos começar a se preocupar com as mensalidades. - ainda insegura voltei e me matriculei.
O primeiro dia de aula foi constrangedor me senti perdida num mundo que não era o meu, rodeada por filhinhas de papais e play-boys. Não fosse o fascínio das aulas teria mesmo desistido. Mas o mundo jornalístico me envolveu completamente, a ponto de enfrentar qualquer obstáculo para concluir o curso.
Não foi fácil, as mensalidades atrasadas iam aumentando e mesmo com bolsa de estudo estava difícil pagar. Com meu salário pagava a faculdade, minhas despesas pessoais e ajudava minha mãe.
Depois que meu pai morreu as coisas ficaram muito ruins, minha mãe e meus irmãos tiveram que voltar para antiga casa. Minha mãe é literalmente a melhor mãe que alguém pode ter, aceita tudo, sempre passa a mão na cabeça dos filhos mesmo que estejam errados. Deve ser por isso que a casa virou uma bagunça, sem limites. O pouco de regra que existe é imposta por mim e pela minha irmã Kau. Algumas de minhas irmãs mais novas engravidaram cedo e tiveram que aprender com a dureza da vida. O mais velho dos meus irmãos casou alguns meses depois, assim como a Kau. Eu comprei minha própria casa e fui morar sozinha.
Adoro minha mãe, mas temos pensamentos completamente diferentes. Não costumo discutir, ainda sou do tipo que devemos respeitar pai e mãe, jamais levantaria a voz para ela mesmo que esteja errada, o melhor foi sair de casa, sem brigas e discussões. Também tinha o Douglas e não gostaria de levar homem para dentro da casa de minha mãe, isso seria contra meus princípios e modernidade demais para minha cabeça.
Meses antes de começar a faculdade comprei uma moto CG Titan ano 99, vermelha, semi-nova. Foi uma conquista entanto. Facilitou muito minha vida acadêmica e profissional. Adoro a velocidade, a liberdade e em cima da moto tenho as duas coisas. À parte que não me agrada foram os vários tombos que caí. As cicatrizes que tenho nos joelhos não me permitem esquecer. Mas não foram o suficiente para me fazer parar de pilotar, mesmo porque sempre tive plena consciência da responsabilidade da direção.
Nos dois primeiros anos de faculdade continuei trabalhando no estúdio fotográfico, mas o clima começou a ficar pesado e o ambiente passou a me fazer mal. Pensei diversas vezes em sair, mas o medo do desemprego me assombrava. Sempre dependi do meu salário e ainda tinha minha mãe que contava com minha ajuda, como poderia ficar desempregada? Chegou o momento que não agüentei mais a pressão, em mais uma discussão com meu chefe peguei minhas coisas e fui embora. Foram quinze anos trabalhando no mesmo local e o mundo novo me deixava completamente assustada.
Uma semana depois fui chamada para uma entrevista numa fábrica de portas. O serviço oferecido era na produção da fábrica, na seção de laminas. Parte da minha família e amigos achavam que não devia aceitar que devia esperar uma oportunidade melhor, mas o medo de ficar desempregada não me permitiram rejeitar o emprego.
Os três primeiros meses foram bem difíceis, o trabalho era pesado e cansativo. Foi o semestre que mais faltei na aula, no final da noite me faltava disposição. O corpo todo doía, especialmente os braços, as mãos ficavam cheias de farpas, que eram tão pequenas que só conseguia tirar depois de inflamadas, os pés inchavam. Uma tortura. Chorei muitas vezes de cansaço e revolta, por mim e por minhas colegas de trabalho. Sabia que para muitas delas não havia perspectivas de uma vida melhor.
Foram cinco longos meses trabalhando na fábrica até conseguir ser transferida para recepção da empresa como telefonista. Foi como ir do inferno para o céu, o serviço era ótimo e combinava com minha personalidade comunicativa e alegre. Recebi muitos elogios, costumavam dizer que nunca tinham visto uma telefonista tão alegre. Sou assim mesmo, por mais problema que tenha não consigo ficar de mau humor por mais de quinze minutos. Penso que as pessoas não têm culpa do que nos acontece, a final somos livres para fazer nossas próprias escolhas e tudo que acontece são fruto dessas escolhas.
Mais uma vez as coisas voltaram a melhorar financeiramente o problema agora era com o Douglas. Nosso relacionamento estava passando uma das maiores crises, cheguei a achar que dessa vez a separação seria a única solução. É incrível o que o amor pode fazer com as pessoas. Ficamos tão abatidos com a situação que chegamos a nos prejudicar profissionalmente, houve momentos que não consegui separar a vida profissional da pessoal. A depressão e o desanimo pareciam me dominar. Durante um ano vivemos um verdadeiro inferno. Mas como depois da tempestade vem a bonança nosso amor mais uma vez superou o desafio. Foi uma pena ter deixado cicatrizes tão dolorosas.

As mensalidades da faculdade continuavam atrasadas, mas isso já não me preocupava muito, estava sempre em renegociação. Nos quatro anos de faculdade pensei em desistir muitas vezes, mas agora tão perto do fim já não pensava mais nisso. Para conseguir fazer a última rematrícula precisei vender meu computador, o que foi uma pena. Conformava-me saber que era última que em poucos meses estaria formada. Também foi difícil arrumar o dinheiro para participar da cerimônia de formatura. Mas valia a pena o sacrifício a final essa era a recompensa.
Seis meses, seis longos meses, contei os dias e as horas para o grande dia. Nem dormi durante a noite, passei a contar os minutos até não agüentar mais e ir para casa de minha avó.
- Quantas vezes você pensou em ter que desistir. Parece mentira que chegou o dia.
- Parece mesmo, vózinha. Nem acredito. Quando penso me dá uma dor de barriga, fico com medo que alguma coisa ainda aconteça, tenho medo que na hora não chamem meu nome ou que alguém apareça e diga que não posso me formar.
- Bobagem. - sorriu. - Claro que seu nome vai ser chamado. Você era uma boa aluna porque não chamariam. Você está parecendo uma noiva à espera do marido. - rimos. Olhei para o relógio eram oito horas. O comércio estava preste a abrir. Com um abraço carinhoso me despedi.
Precisava comprar uma sandália para formatura que aconteceria as cinco e trinta da tarde. A mais de um mês tinha visto a sandália na vitrine de uma loja, mas sem dinheiro não pude comprá-la. Pensava em achar outra, mas para minha sorte a sandália ainda não havia sido vendida, fiquei tão feliz que não me importei de esperar mais de uma hora até a vendedora encontrar o outro pé da sandália. Era preta de salto alto com uma fina tira de strass em cima. Sai da loja radiante de felicidade. Estava tudo dando certo, tinha encontrado o vestido e a sandália dos sonhos.
Voltei para casa perto do meio dia. Mesmo cansada da noite mal dormida não consegui relaxar, mais uma vez as horas passaram a me torturar.
Às duas horas minha amiga passaria me pegar para irmos ao salão de beleza. Ela acabou se atrasando chegando somente as três e meia, já estava em cólicas.
Silviane é minha melhor amiga, entre tantas que tenho é claro. É uma menina especial, doze anos mais jovem que eu é super responsável, amiga e verdadeira. Aliás, ser super verdadeira nem sempre é bom, às vezes ela fala verdades que nem todo mundo gosta de ouvir o que causa certos constrangimentos. É uma jovem de boa índole, mais madura que a maioria das moças da sua idade. Essa sua característica é que aumenta minha admiração por ela.
Nos meses antecedentes a formatura ficamos muito próximas uma da outra. Durante dois meses fizemos caminhadas todos os dias para entrar em forma. Escolhemos o salão de beleza, o penteado, os vestidos e todos os detalhes para o grande dia.
Quando a vi chegar meu coração disparou, estávamos agora muito próximo do momento. Pelo menos não teria mais tempo para ficar sem ter o que fazer. Minha ansiedade e empolgação envolveram todos no salão. Realmente estávamos em clima de festa e era só o começo. O baile da formatura seria somente no outro dia o que significava que teria mais uma noite mal dormida e muitas, muitas horas de espera.
Foi uma pena não ter gostado da maquiagem, mas não fez grande diferença, minha preocupação era saber se meu nome estava na lista dos formandos. Ainda continuava preocupada com isso. Depois do salão fui para a casa de minha avó trocar de roupa e pegar a toga. Nesse momento estava tão nervosa que não conseguia assimilar as coisas. Corria de um lado para outro completamente atrapalhada, o que em meu estado normal é já costume.
Às cinco horas e trinta minutos estava na porta do teatro Marajoara, onde aconteceria à colação de grau. Usava uma toga preta com faixa azul, era larga e comprida, mas me senti como se usasse uma White Wardrob, um vestido usado pela rainha Elisabeth numa visita oficial a França. Meu cabelo estava preso com poucos fios soltos, e claro a maquiagem muito escura para minha pele branca.
Pessoas chegavam a todo o momento, mas ainda não havia ninguém da minha família. Os primeiros a chegarem foram meus tios, o irmão gêmeo de meu pai, minha tia e meu primo. Em seguida chegou minha irmã Kau, minha tia Iná, minha prima Bruna e meu ex-chefe Edgar. Bem próximo do início da cerimônia chegou minha mãe e meus outros irmão. O último a chegar foi o Douglas, minutos antes de começarem a chamar os formandos. A chegada deles completou minha felicidade, a final era por eles que estava ali.
Assim que os primeiros nomes foram chamados fui invadida por pânico, minhas pernas tremeram, meus olhos escureceram, precisei respirar fundo para continuar em pé. Nem escutei ser chamada, quando dei por mim caminhava em direção ao palco, ouvi aplausos e gritos de alegria, senti meus lábios tremerem incontroláveis até senti a mão quente do coordenador do curso me ajudando a subir os degraus do palco.
A cerimônia foi maravilhosa, curti cada minuto, cada gesto, cada palavra. Minha única reação era sorrir, sorrir sem parar. O auge foi o momento da colação quando meu nome foi chamado e completado com o nome de meus pais. Nesse momento desejei de coração que meu pai estivesse presente e como magia senti sua presença. Visualizei sua imagem simples e humilde a sorrir. Outro momento mágico foi a homenagem aos pais, quando desci e pude abraçar minha família.
- Perdoe-me se não pude te ajudar a pagar a faculdade. - as palavras de minha mãe me fizeram chorar.
- Você me ajudou muito. Muitas vezes pensei em desistir e foi olhando pra você e vendo que acreditava em mim que segui em frente. De nada adiantaria o dinheiro se não tivesse seu apoio. - o abraço carinhoso marcou aquele momento de forma especial. Assim como o abraço carinhoso de meus irmãos.
No final da cerimônia foram soltos balões coloridos, todos se abraçaram e pularam, acabei perdendo um pé da minha sandália no meio da confusão, enquanto todos se abraçavam eu procurava o sapato. Fato que marca minha personalidade atrapalhada.

Mais uma noite mal dormida, horas de espera para em fim a grande comemoração. Nesse dia trabalhei até o meio dia. À tarde fui até a loja buscar o vestido do baile, e às sete horas fui com minha amiga Silviane para o salão de beleza.
Sergio Beauty é o salão de beleza mais chique da cidade, o mais caro também. Pensei muito antes de marcar um horário, mas por fim achei que merecia um mimo num dia especial. É bem verdade que foi um mimo caríssimo, mas valeu a pena. Um tratamento de rainha para um dia todo especial. Encostada numa cadeira confortável e macia aguardava que terminassem minha maquiagem. Quando fui avisada que estava pronta levantei e lentamente abri os olhos. A imagem refletida no espelho era perfeita. A pele branca e uniforme estava realçada por uma sombra clara combinado com o batom rosa. O cabelo vermelho escuro e em cachos combinavam perfeitamente com a coroa de strass e o vestido longo preto de frente única, com decote que realçavam meus seios. Para completar o visual usei um colar com brincos de strass, presente que ganhei da Kau.
Depois do salão voltei para casa de minha avó onde me encontrei com o Douglas que estava muito elegante em seu terno preto, camisa mostarda e gravata preta. Também estavam presentes meus padrinhos Rolme e Emilia, minha tia e minha prima. Os demais já se deslocavam para o salão do baile.
O baile foi no Clube Serrano um dos mais importantes da cidade. O ambiente estava decorado nas cores lilás e preto com detalhes jornalísticos, a música era tocada pela banda Sevem. Não estava tão nervosa quanto na colação, sentia meu coração disparado, mas dessa vez estava mais relaxada. Tinha certeza que chamariam meu nome, como de fato aconteceu minutos depois que cheguei no salão.
Primeiro foi o brinde com a turma o que regado à boa música encheu o ambiente de alegria. Em seguida foi solicitado que procurássemos nossos pares para a valsa dos pais. Dessa vez não me entristeci por meu pai não estar presente, pois sentia sua presença espiritual. Dancei com meu padrinho que ficou enobrecido por ser o escolhido. A próxima valsa foi a dos pares, dancei embalada nos braços do meu amor. Na verdade esse diploma devia ser divido entre nós dois, a final foi ele quem me matriculou para conclusão do ensino médio, depois não permitiu que eu desistisse da faculdade.
O resto da noite foi de euforia total, as sandálias que suei tanto para comprar foram abandonadas em baixo da mesa e de pés no chão dancei a noite toda. Só deixei o salão às sete horas da manhã, quando os garçons já estavam se retirando. Como havia prometido fui uma das últimas pessoas a deixar o local.

Este foi um marco na minha história. Não importa a formação profissional que conquistei o que realmente importa é o crescimento pessoal que adquiri. Pela primeira vez senti orgulho de mim. Descobri que não preciso abaixar a cabeça quando alguém fala comigo, que sou capaz de chegar a qualquer lugar. Sou igual a todas as pessoas, nem mais nem menos, igual. Tenho os mesmos direitos, assim como os mesmos deveres.
Para o futuro tenho muitos planos, vou terminar minha pós, publicar meus livros, e quem sabe fazer outra faculdade, dessa vez de letras. Sei que não vai ser fácil, mas penso que se fosse não teria o mesmo sabor de vitória.
É engraçado pensar que aquela menina magrinha, filha de pessoas tão humildes, que não tinha material para ir para escola, seja hoje uma jornalista e num futuro bem próximo uma escritora.


Publicado em : Diversos, Biografias
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