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EPÍLOGOS (fragmento) Que falta nesta cidade? ... Verdade. Que mais por sua desonra? ... Honra. Falta mais que se lhe ponha? ... Vergonha. O Demo a viver se exponha Por mais que a fama a exalta, Numa cidade onde falta Verdade, honra, vergonha. Quem são seus doces objetivos? ... Pretos. Tem outros bens mais maciços? ... Mestiços. Quais destes lhe são mais gratos? ... Mulatos. (...) ... E que justiça a resguarda? ... Bastarda. É grátis distribuída? ... Vendida. Que tem, que todos assusta? ... Injusta. ... E nos frades há mangueiras? ... Freiras. Em que ocupam os serões? ... Sermões. Não se ocupam em disputas? ... Putas. Com palavras dissolutas Me incluís na verdade, Que lidas todas de um frade São freiras, serões, e putas. (Gregório de Matos) Testamento O que não tenho e desejo É que melhor me enriquece. Tive uns dinheiros — perdi-os... Tive amores — esqueci-os. Mas no maior desespero Rezei: ganhei essa prece. Vi terras da minha terra. Por outras terras andei. Mas o que ficou marcado No meu olhar fatigado, Foram terras que inventei. Gosto muito de crianças: Não tive um filho de meu. Um filho!... Não foi de jeito... Mas trago dentro do peito Meu filho que não nasceu. Criou-me, desde eu menino Para arquiteto meu pai. Foi-se-me um dia a saúde... Fiz-me arquiteto? Não pude! Sou poeta menor, perdoai! Não faço versos de guerra. Não faço porque não sei. Mas num torpedo-suicida Darei de bom grado a vida Na luta em que não lutei! (Manoel Bandeira)
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