Parafraseando Bertold Brecht; o alfabeto dos políticos Imprimir Enviar para um amigo
Avaliação desta obra: / 2
RuimÓtimo 
 
Escrito por Bruno Resende Ramos, em 05-10-2008 00:01
Avaliação média    (0 voto)
Visitas 2000    
Favoritos Nenhum

A política da exclusão.

O dia capital para a reforma da sociedade é o dia da eleição; aliás, seria, se, pelo menos, ao olharmos num ponto de vista mais atento, não adotássemos a viseira do interesse pessoal e do individualismo que sempre marcaram a trajetória histórica do pensamento humano nas vias do pleito eleitoral.
Eis aí a política da exclusão. E pensar que já poderíamos ter aprendido alguma lição com o passado, mas o vexame permanente tem o endosso dos mais velhos, dos pais e dos avós. O momento de exercer um direito e dever cívico é também o de negociar a sua honestidade, os seus princípios, enfim, a sua alma.
O alfabeto da política e do fazer política ,meu caro amigo, é aprendido em casa.

Para Berthold:

"Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis."

São, por isso, imprescindíveis, nestes dias, a reflexão e a tomada de decisão. Votar é um ato de devoção na pessoa pública e na sua instituição. Se não cremos em seus objetivos em vão votamos. Onde estarão esses homens (aqui menção não ao gênero) bons, ou melhor, os imprescindíveis. Sim, aqueles que sofrem prisões, torturas e até a morte por seu ideal e causa?

Não há como não se escandalizar quando nos deparamos com a "Sodoma" eleitoral, a Gomorra corporativista, a venda da alma pela urna, o abandono do ideal pelo confortável estabelecimento sobre o poder. A criança verá seu pai mudar sua convicção e verdade a preços bem módicos e nós veremos a família destinar mais esperança a cabides de empregos do que na formação de competências através da educação. E o político, meu povo, sai do seio das famílias brasileiras. A corrupção, entendam, nasce e brota em casa. Governo vem, governo vai e o que se vê é o chamado "desgoverno". A culpa, por incrível que pareça, é muito menos do político e muito mais de cada um de nós. "Ocê tem que ser esperto!" substitui o "Você deve ser honesto!". No Brasil, faltam leitores e bons intérpretes da bem escrita e falada língua portuguesa. Bertold Brecht inspirou-me escrever por ocasião das eleições e da leitura dos seus pensamentos e poemas:

Segundo Brecht:

"Do rio que tudo arrasta se
diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as
margens que o comprimem."

Enquanto isso, veremos alguns desistirem dos melhores valores de nossos antepassados, digo daqueles que não se vendiam pelas aparências e por valor monetário algum. Daqueles que não cediam a pressões, ao libido do poder e da imoralidade. Olhava-se nos olhos, dava-se a palavra e servia-se ao outro sem usurpar as leis. Mas, e as margens, sim , as margens que oprimem as almas incautas. A sugestão social midiática e o sonoro coro das multidões que se vedem. O sistema capital da corrupção, a qual leva em caudalosas águas outras almas. Do outro a família, a carência social. Haverá, no guarda-roupa da elite, um lugar para mais um cabide.

Ouvirá o seu irmão, a sua irmã, o seu parente, o seu amigo, o seu vizinho e toda a coletividade falar de planos, projetos, esperanças e sonhos. Este é melhor, aquele é o pior! Vão aos poucos depositar suas ilusões em um candidato ideal (menos real do que imaginário). Não se lê o histórico do falastrão. Falarão de competências, habilidades, parcerias, coligações, apoios, alianças (gente generosa a todo gosto e ocasião) e de gente fácil de se encontrar e de se ver representado pelos outros (cabos eleitorais); logo após, onde estarão?
Pergunto ainda:
Quem decidirá por eles?

O nosso emblemático poeta diz:

"A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são..."

E você? Não crê em fatasmas? Passará, com toda a certeza, a crer em um; o chamado fatasma político. Sabemos que foi eleito; logo existe. Contudo, não o encontrará após as eleições. Se corrupto, não o alcançarão a justiça, a polícia... Quanto mais você, meu irmão.

Talvez você mesmo já se tenha, despercebidamente, deixado levar pelas manifestações de apreço do seu candidato. O certo é que para edificar esse sonho o político já se comprometeu em suas alianças e as terá em prioridade. Para construir a casa terá vendido o cimento, a areia e alguns tijolos. É só ver a ostentação que a lei, tentando coibir, não conseguiu evitar.

Lamentavelmente, o povo é tão besta que se faz precisar dos políticos que o vão governar.

O eleitor, julgando-se esperto, quer antes dos 4 anos cobrar o que sabe não receberá depois, o político se desobriga com a maioria assim, ou ainda, verá no pós-pleito uma comunidade inteira a esperar pelas promessas.

A máxima de Berthold:

"Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?"

E você que me lê talvez não tenha perdido o tempo para fazer essa reflexão, porque já sabe que o destino é não mudar o mundo a partir do nada, mas do seu jeito de ver as coisas. O seu voto na verdade não vale nada, você é quem o faz valer alguma coisa quando cobra os efeitos dele.

Desistir? Nunca... Porque não somos bons, nem melhores que estes, mas buscamos o imprescindível... A paz em nossa consciência. Não olharemos para trás. O sal nos enrijeceria e nos faria estáticos.

Quanto a ti, vá atrás de privilégios e deite os pés na armadilha que sua ambição armou e pense bem, e pense afinal, porque esse pode ser você:

O Analfabeto Político

..."Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais."

Créditos ao maior autor engajado que li nos últimos tempos.

Obrigado Berthold Brecht

Por ocasião das eleições municipais em todo o território nacional.

Publicado em : Diversos, Política
Quote this article in website Favoured Send to friend

Comentários (0)

Nenhum comentário

Adicionar comentário

< Anterior   Próximo >