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SERIA A ÚLTIMA NOITE?

Josias, 75 anos, deitava-se para dormir sempre por volta das 21 ou 22 horas. Era uma noite qualquer de outono. Fazia frio, mas ele estava bem agasalhado por um cobertor confortável. Sem sono, sua mente foi invadida por pensamentos de despedida. Esta é a última noite de minha vida... Pensou ele. Durante a madrugada, como um passarinho, passarei para o outro lado da vida. Não se assustou com essa possibilidade. Talvez por saber que aquilo que pensava era apenas fantasia e não se concretizaria. Mas o que passou na cabeça desse pobre homem ao pensar que aquele seria o último dia de sua vida?

Imediatamente uma enxurrada de pensamentos tomou conta dele. Primeiramente, olhou e sentiu a cama quentinha, macia... fitou os móveis de seu quarto, as paredes... Pensou nos bens materiais que alcançara com tanto sacrifício... Ouviu os ruídos lá fora... Tudo acabaria. Calmamente, pensou nos filhos, um a um, do mais velho até o mais novo. Na infância deles. Imaginou despedindo-se deles com um abraço cheio de ternura. E os netos, também... Na esposa... Nos irmãos... Em muitos amigos.... Lembrou-se da trajetória de sua vida, desde a mudança de sua terra, no interior de Minas, até a chegada à capital. Qual seria a reação deles ao saber que, no outro dia, seria levado à sepultura? Imaginou que sua partida poderia representar uma alegria para algum ou alguns membros da família, pois os bens que deixaria seriam um presente . Não conseguia dormir... Como seria aquela noite? Pensamentos tolos? Muito difícil prever a morte com tanta certeza. Isso não existe, pensou. Bobagem. Daqui a poucas horas o sol estaria brilhando de novo e um lindo dia estaria se reiniciando.

Enfim, Josias queria mesmo morrer? Estava ele infeliz e achava que a morte imaginada daquela forma, sem sofrimento, seria uma boa saída para seus problemas, sua infelicidade? Tomado por aqueles pensamentos, pouco a pouco foi embalado até cair em um profundo sono. No outro dia, bem cedinho, acordou e viu que tudo não passava de pensamentos frívolos. O sol brilhava da mesma forma como todos os dias. Ouviu cantos dos pássaros que vinham do quintal: bem-te-vis, maritacas, rolinhas, pombas-trocal.

Não chegara, pois, o dia de ir embora. Será que alguém consegue prever sua partida desse jeito? Indagou para si próprio.

Ufa!

                           LUIZ GONZAGA PEREIRA DE SOUZA
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Atualizado em: Dom 28 Set 2025

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