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QUEM É ESSE MENINO? QUEM É ESSA SENHORA?
12 de agosto de 1959, por volta das 11 h e 30 min, chega a casa, da escola, do Grupo Escolar Professor Morais, onde fazia o terceiro ano primário, um menino. De apenas nove anos, cheio de sonhos, família pobre. Morador do Bairro Dom Bosco, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Adorava soltar papagaio. Mal sabia que algo muito grave estava para acontecer naquele dia que parecia normal como qualquer outro.
Tão logo chega da escola, pede a bênção à mãe, uma linda senhora, de 43 anos, trabalhadora incansável, dedicada à família, que, corajosamente com o marido, deixara a roça para tentar a sorte em Belo Horizonte, estava na máquina de costura arrematando algumas roupas que, certamente, tinham sido encomendadas a ela. O almoço já estava pronto. Todos já haviam tomado a refeição. A irmã, mais nova, estudava à tarde, portanto não estava em casa. Os outros irmãos, em número de quatro, a maioria ainda adolescentes, estavam trabalhando em algum lugar.
O menino almoçou. Em seguida, como de costume, juntou as vasilhas do almoço, lavou-as cuidadosamente, e ligou o rádio Philips, na Rádio Aparecida. Colocou a mãe para ouvir o programa “Marreta na Bigorna”, do qual ela gostava muito, comandado pelo Padre Galvão. Em seguida disse a ela: - Mamãe, vou soltar papagaio! Era um papagaio azul, bonito, que ele tinha feito uns dias atrás.
Não demorou muito. Eis que a bondosa mãe teve que deixar a máquina de costura, atordoada, aos prantos, quando foi avisada que seu menino caíra em uma cisterna em um lote, onde havia uma obra em construção, pouco acima de sua casa. Foi um verdadeiro terror. Por obra de Deus, sua irmã, Cacilda, que morava no barracão dos fundos, viu o menino cair de costas no buraco de nove metros de profundidade. Com mais de um metro e meio de água. Em poucos minutos houve uma aglomeração enorme de pessoas apavoradas em torno do local. A mãe do menino olhava para o fundo do poço, desesperada, em prantos, com o coração disparado, imaginando o pior. Meu filho já deve estar morto. Meu Deus! Nossa Senhora Aparecida, não deixe meu filho morrer! Ajude-me! Gritava sem parar. As pessoas abraçavam aquela senhora e não sabiam como consolá-la, a não ser dizendo a ela para que tivesse fé, pois Nossa Senhora não deixaria seu filhinho morrer. O tempo passava e ninguém se aventurava a descer os nove metros de profundidade para salvar o pequeno e frágil garoto. Enfim, a dona Mercês, sabiamente, se lembrou de que o senhor Osório, um vizinho, condutor de bonde, que morava a uns duzentos metros de distância, havia salvado uma criança que caíra em uma fossa, havia alguns meses. Foi chamá-lo, correndo feito uma louca. O pobre homem veio em disparada. Imediatamente, ele mesmo amarrou uma corda na cintura e desceu cuidadosamente até o fundo da cisterna e retirou responsavelmente o menino, ensanguentado, do fundo das águas. Pegando-o no colo, foi içado pelas pessoas até chegar rapidamente ao topo. A mãe do menino, abraçou-o carinhosamente, reiterando o pedido a Nossa Senhora, implorando que não deixasse seu filhinho ir embora desse mundo. Ele estava desmaiado e parecia que tinha morrido.
Rapidamente, o avô, Aprígio, que morava em Belo Horizonte, pai da mãe do menininho, tomou-o carinhosamente no colo e, correndo pela rua, junto com a mãe, conseguiu pegar um ônibus para chegar até o Hospital do Pronto Socorro, no Bairro Santa Efigênia, onde foi prontamente atendido.
O pai do menino, um senhor humilde e batalhador, estava trabalhando na Fábrica de Tecidos Renascença, junto com o tio, seu irmão Francisco. Recebendo um telefonema, foram correndo os dois ao hospital para saber direito o que estava acontecendo. Lá chegando, tomaram conhecimento do trágico acontecimento. Felizmente, o atendimento urgente já estava sendo feito.
No dia seguinte, no quarto do hospital, a primeira visita foi do saudoso Padre João Koyman, vigário da Paróquia de São João Bosco, onde o menino era coroinha. Conversou por muito tempo com a mãe do garoto, abençoou, depois foi embora, demonstrando estar mais tranquilo. Na parte da tarde do mesmo dia, esteve também no hospital sua professora do terceiro ano, D. Ísis, também muito carinhosa, beijou seu rosto e ficou conversando com a mãe que lhe explicara o que havia acontecido.
Esta foi a história que acabou com um final feliz. O Pai Celestial, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, atendeu ao pedido daquela mãe aflita e angustiada. Não deixou que seu filho partisse daquela forma tão trágica. Foram cinco dias de internação hospitalar. Ocorreu um verdadeiro milagre, graças à fé daquela mãe que acreditou no poder de Deus.
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= A mãe, mencionada com tanto carinho neste relato, se chama MARIA DAS DORES DE SOUZA. Faleceu em 29 de janeiro de 2007. Certamente está gozando as delícias do paraíso.
= O 'menininho’, filho da linda e maravilhosa senhora, protagonista desta história, que passou por essa angústia tão grande, é o redator deste texto. Sempre teve uma enorme gratidão e amor por sua generosa e extraordinária mãezinha.
LUIZ GONZAGA PEREIRA DE SOUZA
