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AO OUTRO LADO

Estou no caixão frio da capela.Os bancos marrons são quase igreja,velhas lâmpadas que acendem trêmulas;providenciam, a sós, as exéquias,
em meio a vultos independentesque por entre o meu corpo trafegam,quando me apontam dedos de gelo na ausência de gente e de reza.
Um vento derruba a vela fake.Os coveiros debocham e esperam o horário certo, lesto e reto— da vida que foi pálida, desfeita.
Sob a terra, um desejo espera:— o de ser a minha própria janela.
 
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Atualizado em: Sex 7 Nov 2025

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