- Prosa Poética
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Visceral
Havia a simplicidade do sentir, a beleza do ser
Havia a fome de viver, a inocência das flores desabrochando
Havia o desejo da carne, a sensibilidade da alma
Havia a sede de amor, a fome de viver
Havia um silêncio denso, sagrado
Sonhos selados
Beijos roubados
Abraços apertados
Gemidos abafados
Desejos ousados
Amor apressado
Eram rio que ignora as margens para inventar o próprio leito
Eram o sagrado e o profano dançando no mesmo ritmo, sem culpa
Eram um agora eterno onde carne e espírito se tornam cúmplices
Eram o avesso do óbvio, o oposto do exato
Eram a nota dissonante que faz a música valer a pena
Eram a tinta que mancha o branco da vida e a torna plena
Eram pura vertigem de ser e de estar
Eram o destino e a origem
Havia toque onde a pele encontra o infinito
Havia silêncio onde o gemido se torna oração
Havia verdade onde o ser se despe de máscaras para sentir a essência
Havia a celebração do caos que arde com a intensidade do sol
A urgência se despia de regras para deixar desabrochar o prazer
Tudo pulsava sem precisar de nome ou identificação
Entre o sopro e o arrepio, o tempo se perdia
Num instante eterno uma pele reconhecia a outra
Nada era certo, por isso, possível
Nada era dito, tudo era sentido
Corpos falavam línguas antigas
Almas se entrelaçavam em promessas
Revolução silenciosa de dois universos se colidindo
Eram caos onde o proibido florescia
O sentir era doutrina
E ficou um rastro de calor na memória
Suspiro no invisível
Infinito viver que deixa marcas eternas…
Atualizado em: Seg 23 Mar 2026
