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Você e tu

Dois velhos conhecidos encontram-se e trocam saberes sobre a vida.
- Você já notou que cada vez mais pessoas estão perdidas no momento de escrever uma mensagem e postá-la nas redes sociais?
- Ufa! Eu achei que você fosse dizer “Você já parou para pensar que...”. Eu, sarcasticamente, responderia que consigo pensar sem precisar parar.
- Essa é boa! Vejo isso com frequência nas redes sociais: parar para pensar. Então, pare e pense na bobagem que é dizer “parar para pensar”.
- Mas voltando à sua pergunta, irrito-me toda vez que leio algo como “eu vou te ensinar como você deve fazer...”. E você?
- É exatamente sobre isso minha questão. Há mais como “logo você vai perceber como ele te leva...” ou “você não pode deixar que ela te maltrate...”.
- Pois então, as pessoas já não se importam mais em misturar o “você” com o “tu/te” na mesma frase. Isso não é correto e deve ser evitado.
- Mas você vê influencers e até gente que conhece a língua portuguesa aderindo a esse hábito inadequado.
- E quando você vê “tu tem que fazer...” ou “se tu for, eu vou”... ou “mas tu não vai falar...”. Use o “tu”, mas conjugue o verbo corretamente, por favor!
- Como esse relaxo com a língua tomou conta das pessoas? Lembro-me que começou silenciosamente, um caso aqui, outro ali, e logo as redes sociais ficaram infestadas desses erros.
- E ultimamente esses erros têm aparecido em textos de comentaristas e colunistas de jornais de tradição. E sabe o que respondem, se forem corrigidos?
- Acho que dizem algo como “se você entendeu, então está certo!”.
- Exato. É isso mesmo que respondem. Regras? Para quê? “Eu faço as minhas regras!”, “Chega de opressão!”.
- Esse modo de pensar é discriminatório. Por um lado, há os que escrevem corretamente, a elite redacional, e, por outro, uma multidão de ignorantes com preguiça de aprender como fazer e usar o certo. Que pena da nossa língua...
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Atualizado em: Sex 22 Maio 2026

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