- Prosa Poética
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Ventania
Sabia o que a vida queria,
O que o mundo sugeria.
Sabia da noite vazia,
Da manhã fria.
Sabia do dia a dia, a correria,
Das cartas, a caligrafia.
Sabia que um dia se acharia
Com a alma em calmaria.
Chorava sem entender por que ardia,
Vivia de sonho e teoria.
Não tinha medo da fantasia,
Nem da hipocrisia
Ou da agonia.
Sabia das Marias que em si havia:
Maria das Dores, das Graças, das Raças, das Flores, Maria
Sabia que um dia se encontraria
E em meio à ventania
Pra sempre se redimiria.
Na força daquela hora tardia,
A busca cessava, a dualidade sumia.
O peso do mundo, não temia
Nem a dor que a carne sentia
Tornou-se o espaço, a nota oculta da melodia.
E no sopro final que tudo consumia,
Entendeu que o sagrado em si renascia.
Compreendeu enfim o que a vida lhe trazia:
Não era riqueza, poder ou garantia
Mas despertar o amor que em nela dormia
Fazer do próprio ser, morada da harmonia
Desde então seguia
Leve, trazendo nos passos a doce alquimia
De quem em meio à ventania
Faz da existência uma serena travessia…
Atualizado em: Sáb 30 Maio 2026
