person_outline



search

O Encontro

Tudo começou por acaso. Uma curtida, um comentário dela numa postagem dele sobre psicologia. Ele foi olhar o perfil dela e gostou. Logo logo estavam trocando mensagens. Pouco depois começaram a se falar por telefone e tornaram-se amigos. Daqueles amigos que não conseguem parar de pensar no outro e que qualquer acontecimento faz pensar o que o outro pensaria do assunto.
Moravam longe um do outro, mas a comunicação era fácil em tempos de celular e redes sociais. Falavam sobre tudo que os interessava e havia muito em comum entre eles. Tinham interesses e gostos comuns. Pensavam igual sobre vários assuntos. Estavam ambos na faixa dos quarenta e poucos anos. 
Quando perceberam já estavam se falando quase todos os dias, muitas vezes a ligação se prolongava e sempre tinham muitos assuntos. Falavam de arte, cultura, psicologia, espiritualidade, mistérios da existência, sonhos, símbolos, misticismo… Parecia nunca lhes faltar assunto. Às vezes discutiam idéias complexas. Outras vezes falavam banalidades. 
Meses se passaram e eles nesse encontro casual, uma amizade gostosa e construtiva. Até que surgiu uma oportunidade. Uma viagem dele, a trabalho, os deixaria próximos. Não pensaram duas vezes. Finalmente ficaram frente a frente. Nada planejado com antecedência e nem sonhado. Sentaram-se num café. Era fim de tarde, o sol quase se pondo. 
Ele falava pelos cotovelos. Ela, observadora e detalhista, tentava saber se ele estava tenso ou constrangido. Ou apenas queria falar tudo ao mesmo tempo. Ela o observava e sentiu uma atração fatal. Pensou que a qualquer momento poderia calar sua boca com um longo beijo. Seu corpo começava a ficar agitado e quente. Ele a olhava intensamente observando sua beleza e elegância. Seu decote generoso, sem ser vulgar,  mostrava muito menos que ela desejava. Ele olhava e imaginava o que tinha por baixo da roupa.
Seus olhares se cruzaram e eles ficaram mudos. Suas mãos se procuraram e o simples toque os arrepiou. Não conseguiam parar de se olhar. Terminaram o café e saíram caminhando de mãos dadas. Ele a puxou pela cintura ali no meio da rua e a beijou. Seus corpos estremeceram. Não disseram nada, apenas ficaram ali abraçados deixando que seus corpos falassem. Sentiam-se estranhamente leves. Era como um sonho bom.
Ela se deixou levar e foram para o hotel. Nenhum dos dois pediu ou deu explicação. Apenas seguiram instintos que gritavam. Esqueceram do mundo lá fora. Ele a puxou pela cintura, a beijou. Um beijo terno, quente, envolvente. Seus corpos unidos reagiam.
Ele beijou seus seios e ela gemeu baixinho. Ele explorava todo o seu corpo e ela tremia de desejo. Ela tocava seu corpo e ele se sentia que ali era o céu. Despiram-se, tocaram-se, amaram-se. Aconchegaram-se. Horas passaram. Talvez fossem só minutos. Ou uma vida inteira. Não saberiam dizer. Eles passaram a noite entre frenesi e aconchego. Lá fora a lua cheia pairava sobre a cidade. Ali duas almas exploravam uma intimidade que parecia transcender o tempo. 
Ao amanhecer, observaram o céu claro através da janela. A realidade os aguardava. Cada um possuía uma história construída em outro lugar. Responsabilidades, Compromissos, Rotinas. Despediram-se com um abraço demorado. Um beijo doce. Sem promessas, sem cobranças. Apenas a certeza de que algo raro havia acontecido. Não era amor, era atração incontrolável, desejo de se dar, de uma entrega maior que eles.
Voltaram para suas cidades. Para os dias previsíveis. Para seus casamentos mornos, silenciosos, desgastados, mas que sobreviviam pela rotina, segurança, falta de opção. Voltaram para a vida comum e sem graça, mas que nunca pensaram em abandonar. Voltaram para o que lhes cabia e sabiam viver. 
Continuaram se falando. Gostavam de trocar idéias, de sentir o quanto tinham sintonia. Silenciosamente carregavam um novo significado. Às vezes falavam sobre aquela noite e se sentiam excitados. Lembravam dos detalhes, da intensidade, da conexão, do desejo e prazer indescritível que sentiram. Da sensação de terem encontrado alguém capaz de enxergar seus anseios mais profundos.
Quando a saudade doía, suas vozes assumiam um tom mais baixo, mais íntimo, mais próximo. Falavam das lembranças, das emoções, de tudo que haviam vivido e sentido juntos. E a imaginação completava o que a distância impedia.
Ao desligarem permaneciam em silêncio, cada um em seu quarto, em seu mundo, mas ambos tocados pela mesma presença invisível.
Aquele encontro não foi apenas de corpo. Visitaram o território secreto onde desejo, destino e mistério se encontraram. E ele nunca terminou por inteiro.
Pin It
Atualizado em: Seg 15 Jun 2026

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br