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Escola Grasso 320 – Esperando Por Você, parte 2

Sábado
Adryan entra na escola carregando uma caixa e logo viu Carol sentada no hall de entrada, mexendo em algumas decorações.
Ele abriu um sorriso e levantou a caixa, animado.
— Olha essas luzes que eu consegui para o baile.
Carol olhou, curiosa, e sorriu ao ver o que tinha dentro.
— Onde você conseguiu isso?
Adryan se sentou ao lado dela.
— Minha mãe não vai precisar disso até o Natal.
Carol pegou uma das peças com cuidado, admirando.
— São perfeitas.
Ela olhou para ele, mais suave.
— Então… você está pronto para a nossa noite especial?
Adryan assentiu.
— Estou. Eu vou buscar a Liv. Depois a gente vai buscar o Dani. Depois você. A limusine passa na sua casa às sete. —Ele fez uma pequena pausa, meio sem graça. — Desculpa por isso ser tão complicado.
Carol sustentou o olhar por um instante… depois forçou um sorriso leve.
— Tudo bem. Só vou precisar de um pouco mais de tempo para me arrumar… já que a noite tem que ser perfeita.
Adryan inclinou a cabeça, sincero.
— Você já é linda, não precisa de esforço.
Carol sorriu, mas havia algo contido ali.
— Desde que a gente esteja junto no final da noite… nada mais importa, né?
Adryan abaixou o olhar por um segundo, pensativo.
— Eu também quero isso. Só que… vou ter que levar a Liv de volta para casa depois. Desculpa.
Carol respirou fundo, disfarçando.
— Tudo bem.
Ela desviou o olhar, mexendo nas flores decorativas que segurava.
— Você pode me ajudar a pendurar isso no arco da entrada?
— Claro.
Adryan se levantou, mas antes de sair, olhou para ela com atenção.
— Tem certeza de que está tudo bem?
Carol levantou o olhar e sorriu rápido demais.
— Tenho. Quer dizer… por que a pressa, né?
Adryan pareceu aceitar, mesmo não totalmente convencido.
— Então tá.
Ele saiu em direção ao arco.
Assim que ele se afastou, o sorriso de Carol desapareceu.
Ela ficou olhando para as flores nas mãos, o olhar mais pesado agora.

Personagens Principais 
Ellie Goes
Maju Braga
Vitor Ramos
Adryan Gomes
Carol Novak
Nicole Zangirolami
Peter Moretti
Zara Fernandes
Tom Prado
Lory Brown
Dani Pereira
Di Katsutani
Helena Moura
Rafa Costa
Gui Silva
Gustavo Assunção
Ana Castro
Paola Muniz
Nina Lacerda
Lila Fontán
Joana Hart
Sara Laursem
Agnes Montenegro
Camila Jung
Michael Laursem
Johnny Garcia
Michelle Boaventura
Lucas Montenegro
Lara Carvalho
Bella Carvalho
 
Enquanto isso, na casa de Ellie, o clima é de tensão. Marta anda de um lado para o outro na sala, olhando o celular a cada poucos segundos. Ela tenta ligar de novo.
— Nada… — disse, abaixando o celular, frustrada. — Ela não atende. Liguei para a Lara também, e nada. Isso não é normal… estou começando a ficar preocupada de verdade.
Roberto sai do quarto de Ellie, segurando com o celular de Ellie na mão, com a expressão fechada.
— Marta… — ele chama, sério. — O celular dela esta aqui.
Marta se vira na hora, arregalando os olhos.
— Como assim, aqui? — ela pega o aparelho, confusa. — Ela saiu sem celular?
Os dois trocam um olhar tenso, o silêncio dizendo mais do que qualquer resposta.
Enquanto isso, Ellie e Lara chegam ao parque do povo.
Lara cruza os braços, encarando Ellie enquanto as duas caminham.
— Sério, Ellie… — ela insiste, com um sorriso preocupado. — você ainda não me contou o que está acontecendo.
Ellie desvia o olhar por um instante, respirando fundo, como se estivesse tentando segurar algo.
— Eu só… — ela começa, forçando um sorriso leve. — eu só quero passar um tempo com você, Ursinha.
Lara arqueia uma sobrancelha, desconfiada, mas acaba cedendo um pouco.
— Tá… — ela responde, ainda observando Ellie. — mas você me deve essa depois.
Ellie dá um pequeno sorriso, mais sincero dessa vez.
— Beleza. Agora vem, vamos aproveitar.
Ela puxa Lara pelo braço, tentando parecer animada, mas ainda com algo claramente mal resolvido por trás do olhar.
 
Carol estava parada em frente ao armário, encarando o próprio reflexo no espelho pequeno colado na porta. Ela ajeita o cabelo pela milésima vez, claramente distraída.
Ana se aproxima por trás, segurando um par de brincos brilhantes.
— Você vai usar acessórios no baile?
Carol solta um suspiro, sem muita animação.
— Pra quê? O Adryan já vai com o acessório perfeito aprovado pelos pais dele.
Ana franze a testa e cruza os braços, encarando a amiga.
— Você mesma disse que ele só estava levando a Liv pra poder ir com você.
Carol desvia o olhar para dentro do armário, mexendo em qualquer coisa só pra não encarar Ana.
— Não importa o que aconteça. Eu e o Adryan sempre vamos ter problemas 
Ana suaviza a expressão, dando um passo mais perto.
—Olha os pais só querem que os filhos sejam felizes, não é?
Carol dá um sorriso, sem humor.
— E se ele for mais feliz… com a Liv?
Ana inclina a cabeça, observando Carol com atenção.
— Você ama ele, não ama? Então vale a pena lutar.
Carol hesita por um segundo, depois balança a cabeça de leve.
— É… sim.
Ana sorri, agora mais confiante.
— Então me diz: o que a Liv tem que você não tem?
Carol pensa por um instante e solta um sorrisinho de canto.
— Além da aprovação da família dele… nada.
— Então pronto. Vai ao baile e prova isso.
Ana coloca os brincos na mão de Carol, que olha para eles e sorri, um pouco mais animada.
De repente, um barulho alto ecoa pelo corredor.
Lory, que passava carregando uma caixa cheia de decorações, acaba derrubando tudo no chão.
— Ai, não! — ela se abaixa rapidamente, tentando juntar as coisas.
Dani, que estava por perto, se aproxima na hora e se agacha ao lado dela.
— Calma, eu te ajudo.
Lory olha para ele e sorri, meio sem graça.
— Obrigada…
Ana observa a cena e cutuca Carol de leve, com um sorriso.
— Esses dois, hein…
Carol acompanha a cena e sorri também, um pouco mais leve.
 
Mais tarde, uma limusine para em frente à casa de Carol.
Ela sai pela porta, ajeitando o vestido, um pouco nervosa até ver Adryan encostado no carro, olhando pra ela.
Ele abre um sorriso, impressionado.
— Meu Deus… 
Carol sente o rosto esquentar, mas tenta disfarçar com um sorrisinho.
— Gostou?
— Gostei muito.
Ele abre a porta da limusine para ela. Carol entra e dá de cara com Dani e Liv já sentados lá dentro
Liv observa Carol e sorri de canto.
A limusine segue até o Jardim Botânico, onde eles descem para tirar fotos. O lugar está cheio de luzes e outros alunos arrumados para o baile.
Depois de um tempo, Dani abaixa a câmera, satisfeito.
— Essas ficaram muito boas, sério.
Adryan e Carol trocam um olhar rápido, ainda meio sem jeito, mas sorrindo.
Liv cruza os braços, com um sorriso irônico.
— Vocês dois são tão fofos.
Carol percebe o tom e o sorriso dela diminui.
Liv então se vira para Adryan, mudando completamente a energia.
— Agora vem, Adryan. Vamos tirar umas fotos nossas… pras nossas famílias.
Carol fica imediatamente séria.
Adryan coça a nuca, meio sem graça.
— É… acho que faz sentido tirar umas fotos do meu… encontro oficial.
Antes que Carol diga qualquer coisa, Liv já se posiciona ao lado dele, esbarrando de leve no ombro de Carol ao passar.
Carol dá um passo para trás, engolindo o incômodo.
Dani levanta a câmera de novo.
— Beleza… olha aqui.
Eles posam. Liv se aproxima mais do que o necessário, sorrindo.
Carol observa, claramente incomodada.
Depois de alguns cliques, ela não aguenta e interrompe:
— Já deu, né? A limusine tá esperando.
Liv vira o rosto devagar, arqueando uma sobrancelha.
— Calma. Quero mais algumas… pra mostrar pros meus irmãos na Inglaterra.
Carol força um sorriso, mas o olhar entrega o ciúme.
Adryan olha de Carol para Liv, percebendo a tensão — e claramente sem saber o que fazer.
 
Mais tarde, Ellie e Lara andam pelo parque do povo.
Lara sai para pegar cachorros-quentes. Quando volta, Ellie se aproxima. Lara ergue o olhar assim que a vê.
— Peguei um para você.
Ellie sorri de leve, mas sem muito entusiasmo.
— Não precisava… não estou com fome.
Lara franze a testa, preocupada.
— Ellie, você não comeu nada hoje.
Ellie dá mais um passo, diminuindo a distância entre as duas, e segura a mão de Lara com firmeza.
— Sabe o que a gente devia fazer? Ir embora daqui. Sair de Prudente. Qualquer lugar… — a voz dela ganha urgência — A gente podia ir para União dos Palmares. Seu antigo lar.
Lara solta um suspiro curto, já entendendo o rumo da conversa.
— Pomponzinho…
— Eu só quero ter um dia bom, Ursinha.
— E por que tem que ser agora?
Ellie solta a mão dela, o semblante mudando rápido.
— Por que você está sendo tão chata? Se você não quiser ir, eu vou sozinha.
Lara mantém a calma, mas o olhar é firme.
— A gente pode planejar isso e ir outro dia. Com calma.
Ellie balança a cabeça, frustrada.
— Eu só quero sair dessa cidade… — a voz falha por um instante — Todo mundo fica dizendo o que eu tenho que fazer. A vida é minha, Lara. Eu faço o que eu quiser.
Ela se vira e começa a andar.
— Ellie! — Lara chama, dando um passo à frente — Você vai para onde?
Ellie para, sem se virar.
— Para qualquer lugar.
Lara aperta os lábios antes de responder.
— Você não vai resolver nada fugindo.
Ellie se vira devagar. O olhar agora é duro, mas carregado de algo não dito.
Ela encara Lara em silêncio.
 
Enquanto isso, a limusine para em frente à escola, já iluminada para o baile.
Adryan sai primeiro. Ele abre a porta e estende a mão para Carol, com um sorriso.
— Cuidado.
Carol segura a mão dele e desce, ajeitando o vestido. Ela sorri, um pouco tímida.
— Obrigada.
Por um instante, os dois ficam próximos demais… até Dani sair logo atrás, animado.
— Chegamos!
Ele começa a andar, sem perceber.
Dentro da limusine, Liv continua sentada, uma perna já para fora, olhando incrédula.
Dani para no meio do caminho, arregala os olhos. Ele volta correndo e estende a mão.
Liv segura a mão dele e desce, mantendo a postura elegante.
— Que cavalheiro…
 Dani sorri, meio sem graça.
Os quatro entram na escola e seguem até o ginásio, todo decorado com luzes, flores e música ao fundo.
Dani olha em volta… até avistar Lory.
O rosto dele muda na hora. Ele se aproxima, com Liv logo atrás.
— Ei.
Lory se vira e sorri ao vê-lo.
— Oi, Dani. 
Ela então percebe Liv ao lado dele e analisa por um segundo.
— Essa é a Liv — Dani apresenta.
Lory abre um sorriso educado.
— Oi… você não estudava aqui ano passado?
Liv assente, com um leve sorriso.
— Sim. Eu me mudei pra Inglaterra.
Lory arregala os olhos, impressionada.
— Sério? Minha bisavó é inglesa!
— É mesmo? — Liv responde, interessada — Você já foi pra lá?
Lory ri de leve, meio sem graça.
— Nunca. Ela que vem pra cá todo ano… mas eu ainda não tive essa sorte.
Antes que a conversa continue, Ana e Paola aparecem, puxando Lory pela mão.
— Lory, você precisa vir com a gente agora.
— Já vou — ela responde, rindo.
Antes de sair, Lory olha de volta para Dani.
Os dois ficam se encarando por um instante, como se o resto do salão tivesse desaparecido.
Dani dá um sorriso.
— A gente… se vê depois?
Lory sorri de volta, com os olhos brilhando.
— Sim.
Ela sai com as amigas.
Dani fica parado por um segundo, acompanhando ela com o olhar.
Liv observa tudo em silêncio… até quebrar o clima:
— Ela é sua namorada?
Dani passa a mão na nuca.
— Ex. Na verdade.
— E por que vocês terminaram?
Ele abaixa o olhar, chutando de leve o chão.
— Porque eu fui um idiota.
Liv cruza os braços, olhando na direção em que Lory saiu.
— Ela ainda gosta de você.
Dani solta uma risadinha sem humor e balança a cabeça.
— Não gosta, não.
Liv volta o olhar pra ele, séria.
— Dani… eu não sei o que aconteceu. Mas aquela garota te ama.
Dani levanta o olhar, surpreso… e fica em silêncio, pensativo.
 
Ellie e Lara chegam na frente da casa de Ellie. As luzes estão acesas.
Ellie desacelera o passo.
— Acho que eles já chegaram… vamos entrar.
Ela começa a andar, mas Lara segura seu braço com cuidado.
— Espera.
Ellie se vira.
— O que foi?
Lara hesita por um segundo, como se estivesse escolhendo as palavras.
— Você vai mesmo pra São Paulo?
Ellie abaixa o olhar.
— Vou… — ela respira fundo. — Acho que vai ser melhor pra mim. — Ela levanta os olhos, tentando parecer firme. — E eu volto, tá? Não precisa se preocupar.
Lara observa Ellie por um instante e depois dá um sorrisinho leve.
— Eu sei.
As duas trocam um olhar rápido e entram.
Marta, Roberto, Esther e Bella estão na sala.
Assim que Ellie passa pela porta, Marta vem correndo e a abraça forte.
— Você está bem, Kequel?
Ellie se surpreende com o abraço, mas logo retribui.
— Não, eu não estou, mais eu vou ficar, por que eu tenho vocês. — Ela se afasta devagar.— Eu vou subir pra arrumar minha mala.
Roberto se aproxima, com um ar mais controlado, mas claramente aliviado.
— Eu só consegui passagem pra amanhã cedo. Então você ainda tem um tempo pra se despedir do Adryan e dos seus amigos.
Ellie força um sorriso.
— Ótimo… melhor assim. — Ela passa a mão no cabelo, já mais agitada. — Mesmo assim, eu já vou começar a arrumar tudo. Vocês sabem como eu sou.
Esther solta um sorriso.
— Ansiosa?
Ellie sorri.
— Então vamos, eu te ajudo — disse Esther, já se virando.
— Eu também — completa Marta, ainda olhando Ellie como se não quisesse desgrudar.
Lara observa a cena e depois olha para Bella.
— Eu vou falar com a Bella e depois vou lá.
Ellie assente, mais tranquila.
— Tá bom.
Ellie, Esther e Marta vão para o quarto de Ellie. O clima ainda é tenso, mas mais leve do que antes. Roberto olha para Lara e Bella.
— Fiquem à vontade.
Ele dá um leve aceno e sai.
Assim que ele some, o silêncio pesa por um segundo.
Lara se aproxima de Bella.
— Eles não vieram, né?
Bella desvia o olhar por um instante.
— Eles estavam ocupados.
Lara revira os olhos.
— Ocupados… com aquela academia idiota?
Bella franze a testa.
— Eles queriam vir.
Lara encara a irmã, magoada.
— Mas não vieram. — Ela dá um passo mais perto. — Isso só prova o que eu sempre falo… eles não se importam comigo.
Bella respira fundo, claramente se segurando.
— Eu não vou discutir com você, Lara.
Ela pega a bolsa, evitando contato visual.
— Só fico feliz que você está bem. —Bella caminha até a porta, mas para por um segundo. — Agora, com licença… eu tenho que ir para o baile.
Ela sai sem olhar para trás.
A porta se fecha.
Lara fica parada no meio da sala, em silêncio. O olhar perdido, a expressão misturando raiva e decepção.
Ela suspira, passa a mão no rosto e encara o vazio por alguns segundos, sozinha com os próprios pensamentos.
 
Carol entra no banheiro e encontra Liv diante do espelho, retocando a maquiagem. Ela respira fundo antes de falar, forçando um sorriso.
— Oi… está se divertindo?
Liv encontrou o olhar dela pelo reflexo.
— É estranho voltar pra Grasso… mas os amigos do Adryan são legais. Poderia ser pior.
Carol assentiu, tentando manter a calma.
— Olha, Liv… obrigada por ajudar nessa situação. Por fingir que veio com o Adryan.
Liv parou o que estava fazendo e se virou devagar.
— Acho que eu não vou precisar fingir por muito tempo.
O sorriso de Carol travou.
— Como assim?
Liv deu um passo na direção dela, tranquila demais.
— Vamos ser sinceras… quem está fingindo aqui é você. A gente sabe como isso vai terminar.
Carol se aproximou também, agora mais firme.
— Não, eu não sei.
Liv inclinou levemente a cabeça.
— Então deixa eu explicar. Eu gosto do Adryan. Nossas famílias querem a gente junto. E, sinceramente… ele só está com você porque está tentando ser legal.
Carol apertou os lábios.
— Ele quer ficar comigo.
Liv sorriu, quase com pena.
— Por enquanto.
O silêncio ficou pesado.
— Você não sabe de nada — Carol respondeu, mais baixa, mas firme.
Liv deu de ombros.
— O que eu sei é que, no final, eu e ele vamos acabar juntos. E você não pode fazer nada sobre isso.
— Aproveita o baile.
Liv saiu, deixando Carol parada, com a respiração presa.
No ginásio, a música estava alta. Adryan conversava com Gustavo quando Carol apareceu de repente, segurou o rosto dele e o beijou com intensidade.
Gustavo ergueu as sobrancelhas, sorriu de canto e se afastou.
Quando o beijo terminou, Adryan ainda estava meio surpreso.
— Nossa… isso foi inesperado.
Carol segurou a mão dele, decidida.
— Vem comigo.
Adryan olhou confuso.
— Ir pra onde?
Carol nem respondeu. Só olhou para Adryan, e ele entendeu.
— Ah… agora?
Ela puxou ele pela mão.
Eles passaram por Liv no caminho. Carol lançou um olhar rápido, quase desafiador. Liv ficou séria, acompanhando com os olhos.
Do lado de fora, perto da limusine, Carol encostou Adryan no carro e o beijou de novo, mais intensamente, como se quisesse provar algo.
Enquanto isso, dentro do ginásio, a festa continuava.
Lory atravessava o salão quando Jonny apareceu na frente dela.
— Lory, a gente pode conversar?
Ela nem diminuiu o passo.
— Não.
— Por que você está me evitando?
Ela parou só o suficiente para responder, séria:
— Porque eu não quero falar com você.
— Lory
— Me dá licença.
Ela passou por ele e foi direto até Ana, Nina e Paola, tentando disfarçar o incômodo.
Jonny ficou parado, sem reação.
Do lado de fora, dentro da limusine, Carol e Adryan ainda estavam próximos, o clima agora mais silencioso.
Eles estão se beijando.
— Espere eu não sabia que isso ia acontecer, eu não trouxe preservativo.
— Não se preocupe, eu estou tomando pílula.
Carol entrelaçou os dedos nos dele e o beija.
 
Mais tarde, Ellie termina de arrumar a mala. Marta observa, encostada na porta.
— Terminamos — ela falou.
Ellie dá um aceno leve com a cabeça.
— É…
Lara entra no quarto com os cabelos molhados.
— É tão bom tomar um banho.
Esther estica os braços, cansada.
— Eu vou deitar.
— Eu também preciso — acrescenta Marta, dando um último olhar para Ellie antes de sair.
Lara olha para Esther.
— Eu já vou tá Esther.
— Beleza.
As duas deixam o quarto.
O silêncio fica.
Ellie e Lara se encaram por alguns segundos, sem saber por onde começar.
Ellie se senta na cama, soltando o ar devagar.
— Então… é isso — disse Ellie.
Lara puxa a cadeira e se senta de frente para ela.
— Então você vai mesmo pra São Paulo.
Ellie dá um sorriso.
— Pois é… preciso.
As duas ficam em silêncio por um instante… e acabam sorrindo de leve.
— Acho que vou… — Ellie começa.
— Melhorar — Lara completou, olhando direto pra ela.
Ellie concorda com a cabeça.
— É… 
Ellie olha para as próprias mãos, mexendo nos dedos, nervosa.
— Olha… eu sei que as coisas ficaram… — Ellie não consegue dizer. — desculpa 
Lara suaviza a expressão.
— Eu sei.
Ellie engole seco antes de continuar.
— Eu sempre tive dificuldade pra comer… na verdade. Só que, quando a gente começou a namorar… melhorou. — Eu acordava com vontade de levantar… de te ver… de continuar. — Ellie começa a chorar. — E… ter você… deixou tudo melhor.
Lara levanta na hora e se senta ao lado dela.
— Ei…
Ela passa um braço pelos ombros de Ellie.
— Você não faz ideia de quantas vezes eu tentei ajudar pessoas que não queriam ser ajudadas.
Ellie levanta o olhar, ainda chorando.
— Lara, eu...
Lara balança a cabeça, com carinho, mas firme.
— Ellie… eu não posso te salvar.
Ellie respira rápido, começando a se desesperar.
— Eu sei… eu sei disso. Eu não quero que você me salve, eu só… a gente pode dar um jeito. A gente pode ficar juntas e...
A fala começa a embolar. A ansiedade cresce. Lara percebe na hora e a puxa para um abraço, segurando firme.
— Ei, calma… respira.
Ellie se agarra nela por um segundo. Lara continua.
— Não dá. Não agora — Lara então se afasta devagar, segurando os ombros dela, olhando nos olhos. — Não enquanto a gente não resolver as nossas coisas.
Ellie fica em silêncio, o olhar quebrado. Lara respira fundo antes de continuar.
— Eu não consigo te ajudar se eu também estou precisando de ajuda. — Ela segura as mãos de Ellie com cuidado. — Você vai pra São Paulo pra cuidar de você. — E eu preciso ficar aqui… pra cuidar de mim.
Ellie tenta segurar o choro, mas falha. Lara aperta de leve as mãos dela, as duas ficam alguns segundos em silêncio, só se olhando. Lara se levanta, limpando o rosto discretamente.
— Agora eu vou dormir… Como diz o seu pai, eu estou só o pó.
Ellie solta uma risada baixa, entre lágrimas.
Lara caminha até a porta e sai.
O quarto fica em silêncio. Ellie permanece sentada na cama por alguns segundos… Ela se curva, leva as mãos ao rosto e começa a chorar, agora sem segurar.
 
Carol e Adryan voltam para o baile. A música está alta, luzes coloridas girando pelo salão. Assim que entram, Ana e Gustavo aparecem na frente deles, quase bloqueando o caminho.
— Até que enfim vocês! — Ana cruza os braços, rindo. — Já estava achando que tinham fugido do baile.
Adryan dá um sorriso, tentando parecer tranquilo.
— A gente só foi tomar um pouco de ar.
Carol ri de leve, mas seu olhar se perde por um segundo. Ela olha para o lado e vê Liv parada, encarando ela com uma expressão séria.
O clima pesa por um instante.
Antes que Carol consiga reagir, o microfone chia e a voz de Tom ecoa pelo salão.
— Atenção, pessoal! — ele fala, animado. — Já está mais do que na hora de anunciar o rei e a rainha do baile de inverno!
Um burburinho percorre o lugar. Tom abre o envelope com suspense exagerado.
— E o rei e rainha são… — ele faz uma pausa dramática — Adryan Gomes e Carol Novak!
O salão explode em aplausos.
Carol arregala os olhos, surpresa de verdade, ela o abraça e o abraça rápido, ainda sem acreditar, e os dois são praticamente empurrados até o centro da pista.
Tom volta a falar:
— Agora, o rei e a rainha vão abrir a dança real!
A música muda para uma mais lenta. Adryan segura a mão de Carol, puxando-a com cuidado. Eles começam a dançar.
Aos poucos, outros casais entram na pista, preenchendo o espaço ao redor deles.
De repente, Liv se aproxima. Ela toca de leve no braço de Adryan.
— Eu estou muito cansada, preciso ir embora.
Adryan olha para Carol.
— Desculpa, amor.
Carol força um sorriso pequeno.
— Tudo bem. A gente dança depois.
Adryan e Liv saem do salão.
A música continua, os casais dançam, riem, se aproximam.
E Carol fica ali, parada no meio da pista por um segundo a mais do que deveria… antes de dar um passo para trás, sozinha, enquanto todo mundo parece ter alguém para segurar.
 
Lory estava parada, observando os casais dançando. A música lenta deixava tudo meio intenso… meio estranho.
Ela percebe Johnny se aproximando.
Seu corpo fica tenso por um segundo.
Antes que ele chegue perto, ela desvia o olhar e então vê Dani. Sem pensar muito, ela vai até ele.
— Está aproveitando a festa?
Dani sorri, surpreso, mas feliz.
— Estou, sim. E você?
Ela dá um leve sorriso.
— Também.
Ele a encara por um instante, meio nervoso… então respira fundo.
— Você quer dançar?
Lory ergue a sobrancelha, curiosa.
— E a sua parceira?
Ele responde simples, mas com um certo peso:
— Foi embora.
Ela pensa por um segundo, avaliando… então relaxa.
— Tá… vamos.
Os dois vão para a pista.
No começo, a dança é meio travada, mãos hesitantes… até que o ritmo da música ajuda.
Lory se aproxima mais devagar… até encostar a cabeça no peito dele.
O clima muda.
Dani engole seco, reunindo coragem.
— Lory… me desculpa. Eu fui um idiota com você.
Ela levanta o rosto e olha direto para ele.
— Dani…
— O quê?
Ela segura levemente a camisa dele, firme.
— Para.
Ele franze a testa, confuso.
— Por quê?
Ela sustenta o olhar, sem desviar.
— Porque eu te amo, seu idiota.
Por um segundo, Dani só fica olhando, tentando processar.
Então um sorriso surge, meio incredulidade, meio alívio.
Ele se inclina… e a beija.
Do outro lado do salão, Johnny assiste tudo. Ele desvia o olhar, e, sem falar com ninguém, se vira e começa a caminhar em direção à saída do ginásio.
 
Domingo 
Na manhã seguinte, Ellie está na sala, olhando ao redor como se estivesse tentando guardar cada detalhe da casa.
Roberto aparece na porta, com a chave do carro na mão. 
— As malas já estão todas no carro.
Ellie assente, em silêncio.
Antes que ela responda, Adryan surge no portão.
Ellie sorri ao vê-lo.
— Você achou mesmo que eu ia deixar você ir embora sem me despedir?
Ele se aproxima.
— Senti sua falta no baile ontem.
Ellie desvia o olhar por um segundo.
— Eu precisava resolver umas coisas... Mas fiquei sabendo que a Liv estava aí. 
— Sim. Ela nem faz ideia de que você está indo embora. Ontem eu também não sabia… e nem tenho o número dela pra avisar. Se eu ver ela hoje eu aviso.
Ellie respira fundo, tentando não se prender nisso.
— Não importa.
Adryan se aproxima, mais sério.
— E você… e a Lara?
Ellie abaixa o olhar, mexendo nas mãos.
— Bem, é... Acabou. Não sei se terá volta dessa vez. Acho que, nesse momento, o mais importante é cuidar de mim.
Adryan assente, com um olhar sincero.
— É. E eu fico feliz que você tenha percebido isso.
Ellie engole seco, a voz mais baixa.
— Eu estou com medo, Adry.
Ele se aproxima um pouco mais.
— Você está indo pra um lugar novo, longe de tudo… é normal ter medo. — Ele dá um leve empurrão no ombro dela, tentando aliviar o clima. — Mas você não vai estar sozinha. Tem suas tias, seus primos… E eu vou te visitar.
Ellie levanta uma sobrancelha, desconfiada, mas sorrindo.
— Quero só ver.
Adryan ri.
— Quando você menos esperar, eu apareço lá.
Ele segura de leve os ombros dela, ficando mais sério.
— Ei… você vai conseguir, Ellie. Porque você é a pessoa mais forte e mais determinada que eu conheço… mesmo que você ainda não veja isso.
Ellie sorri, emocionada.
Adryan a puxa para um abraço apertado.
— Eu vou sentir sua falta.
— Eu também — ela respondeu.
Eles se soltam devagar.
Adryan pega a bicicleta novamente.
— Preciso ir.
Ele dá um último olhar para ela.
— Boa viagem, maninha.
Ellie sorri.
— Obrigada, baixinho.
Adryan dá um sorriso de canto.
Ele sobe na bicicleta e sai pedalando, sem olhar para trás.
Ellie fica ali parada por alguns segundos, observando ele se afastar… até desaparecer na esquina.
Ela respira fundo, e entra no carro onde, Roberto, Marta, Esther e Lara já estavam.
 
Na escola, alguns alunos desmontavam a decoração do baile. 
Carol estava tirando um enfeite da parede enquanto mexia no celular. Ela se atrapalha, quase derrubando tudo.
Nicole percebe na hora.
— Mexer no celular e arrumar as coisas ao mesmo tempo… combinação perfeita pra dar errado.
Carol solta um suspiro, frustrada.
— Desculpa… era pro Adryan ter vindo me ver hoje cedo.
Nicole dá de ombros, tranquila.
— Vai ficar tudo bem, as crianças do fundamental vieram em peso para ajudar.
Carol balança a cabeça.
— Não é isso.
Nicole para o que está fazendo e olha pra ela, agora mais atenta.
— Então o que foi?
Carol hesita… mas solta de uma vez:
— Eu fiz uma coisa muito estúpida ontem à noite.
Nicole arqueia a sobrancelha.
— Além de dançar Macarena?
Carol revira os olhos, sem paciência.
— Eu transei com o Adryan. Na limusine.
Nicole faz uma careta leve.
— Ok… meio clichê, mas não é o fim do mundo.
Carol abaixa o olhar, a voz mais baixa agora.
— A gente não usou preservativo.
O rosto da Nicole muda na hora.
— O quê? Carol, tem máquina de camisinha no banheiro!
Carol começa a ficar mais nervosa.
— E se eu estiver grávida?
O silêncio pesa por um segundo.
Nicole respira fundo, tentando manter a calma.
— Calma, você tem opções, a pílula do dia seguinte.
Ela completa, mais séria:
Carol passa a mão no rosto, angustiada.
— Porque em vez de passar a manhã comigo ele está tomando café da manhã com a Liv. 
Nicole cruza os braços.
— Então vocês dois precisam conversar. E tipo… conversar de verdade.
Carol solta uma risada sem humor.
— Claro… vou lá bater na porta da casa dele. Sendo que os pais dele nem sabem que a gente tá junto.
Nicole encara ela, firme.
— Carol… se o Adryan é maduro o suficiente pra transar, ele também tem que ser maduro pra assumir que tem namorada.
Carol fica em silêncio, absorvendo aquilo.
Ela tenta manter a expressão firme… mas claramente está abalada. 
Mais tarde, Carol respira fundo antes de tocar a campainha da casa de Adryan. Ela claramente está nervosa, mexendo nas mãos.
A porta abre. É Débora.
— Oi.
Carol força um sorriso educado.
— Oi… bom dia. O Adryan está?
Débora observa Carol de cima a baixo, com um olhar mais sério do que o esperado.
— Não. Ele saiu com o pai. — Um silêncio desconfortável se forma. Débora cruza os braços, desconfiada. — Por quê? O que você quer com ele?
Carol hesita por um segundo, sem saber quanto deve dizer.
— Eu… só preciso falar com ele.
Débora mantém o olhar firme, claramente julgando a situação.
— Tá. Eu aviso que você veio.
Sem esperar resposta, ela fecha o portão, um pouco mais seco do que o necessário.
Carol fica parada por um instante, sem reação.
Ela solta o ar devagar, engolindo o desconforto.
O celular vibra na mão dela. Uma mensagem de Adryan.
“Não consigo parar de pensar em você.”
Carol encara a tela. O rosto dela mistura tudo: carinho, frustração… e preocupação.
Ela suspira, passando a mão no rosto, claramente sem saber o que fazer agora.
 
Segunda-feira 
No dia seguinte, a Grasso voltava ao normal. Alunos chegavam, conversas ecoavam pelos corredores.
No meio disso, Lory segurava a câmera, animada, entrevistando Adryan e Carol.
— E a última pergunta para o rei e a rainha… — ela sorri de leve — prontos, pombinhos? Onde vocês se veem daqui a cinco anos?
Adryan troca um olhar rápido com Carol, meio sem saber o que dizer… depois olha para Lory.
— Ah… sei lá. Talvez atleta profissional.
Lory vira a câmera um pouco para Carol, mas mantém o olhar em Adryan.
— E você vê a Carol nesse futuro?
Adryan sorri, entrando na brincadeira.
— Por que não? Posso até comprar nossa coroa de ouro com o meu dinheiro.
Carol ri de leve, acompanhando o clima.
— E um castelo também?
Ele dá um sorriso, mais solto agora.
— O céu é o limite, querida.
Carol inclina a cabeça, provocando:
— Com príncipes e princesas correndo por aí?
Adryan ri, mas já começa a ficar um pouco sem jeito.
— Acho que isso já é fantasia demais.
Ele olha para Lory, tentando encerrar.
— Melhor a gente ir pra aula.
Lory desliga a câmera, mas antes de sair lança um olhar rápido para Carol. Lory sai, Adryan e Carol começam a andar lado a lado pelo corredor.
Alguns passos em silêncio.
Carol quebra o clima:
— Isso não é uma coisa ruim.
Adryan olha pra ela, confuso.
— O quê?
Ela evita olhar direto.
— Você sabe…
Ele para de andar e vira de frente pra ela.
— Por que você tá falando de filhos agora?
Carol fica em silêncio.
Adryan volta a andar, desconfortável.
— Só estou dizendo… que talvez você tenha um problema.
Adryan congela. Devagar, ele se vira… e volta até ela, agora claramente tenso.
— Como assim, problema?
Carol respira fundo, nervosa.
— Eu… posso estar grávida.
O silêncio pesa.
— Mas você disse que tava tomando pílula.
Ela balança a cabeça, quase sem conseguir encarar ele.
— Eu não estou.
A expressão dele muda na hora.
— Você mentiu?
Ela se enrola nas palavras.
— Foi um erro, eu não, eu não estava pensando direito…
Ele passa a mão no rosto, incrédulo.
— Meu Deus, Carol…
Ela tenta se explicar, a voz falhando.
— Eu só… eu estava com medo de te perder pra Liv…
Adryan franze a testa, confuso, tentando processar tudo ao mesmo tempo.
Ele respira fundo, tentando manter a calma e olha pra ela, sério.
— O que vamos fazer agora?
Carol fica em silêncio.
Sem resposta.
Só o peso da situação entre os dois.
 
Ellie está na casa de sua tia Tereza sentada ao lado dela.
Ellie balança levemente o pé, inquieta, olhando para o chão.
Tereza percebe e coloca a mão sobre a dela, com cuidado.
— Ainda bem que conseguimos essa consulta pra amanhã.
Ellie assente, sem levantar muito o olhar.
— É…
Tereza continua, tentando manter um tom calmo.
— Geralmente demora. — Ela suspira de leve. — Infelizmente, tem muitos adolescentes passando por isso hoje em dia.
Ellie engole seco, desconfortável com a realidade, mas sem responder. Ela abaixa a cabeça… como se estivesse tentando entender onde está se encaixando.
— É estranho estar aqui… — ela falou, quase em um sussurro.
Tereza aperta de leve a mão dela.
— Eu sei. Mas você não está sozinha, tá?
Ellie faz um pequeno aceno, ainda nervosa.
Tereza sorri de leve, encorajando.
— Eu vou estar aqui sempre que você precisar.
Ellie respira fundo, juntando coragem.
— Tá.
Tereza sai, Ellie olha para um prato com um sanduíche, ela fica olhando pra ele por alguns segundos, até que o segura e da uma mordida. 
 
Na hora do almoço, Adryan e Carol estavam sentados mais afastados, longe do barulho do refeitório.
O clima entre os dois era pesado.
Carol pega um saquinho. Dentro, uma caixinha.
Ela fica olhando praquilo por alguns segundos. Adryan observa, tenso.
— Essa não é exatamente a pílula que eu imaginei… lá na limusine.
Carol solta um suspiro, ainda encarando a caixa.
— Eu sei… — ela hesita — talvez nem precise. Vou ver como está minha fase do ciclo...
Adryan olha para ela.
— “Fase do ciclo”? Sério? Essa pílula funciona até 72 horas depois do sexo, Carol.
— Ela pode me fazer vomitar por dias! — ela interrompe, nervosa.
Adryan encara ela, direto.
— E sabe o que pode te fazer vomitar por meses? Um bebê.
O silêncio cai entre os dois.
Carol desvia o olhar, encarando o nada.
— Você tá bravo… eu entendo.
Adryan passa a mão no cabelo, frustrado.
— Não é só isso.
Ela respira fundo, tentando se manter firme.
— Mas sou eu que tenho que decidir isso.
As palavras ficam no ar.
Adryan abaixa a cabeça, engolindo a resposta.
— Eu sei… — ele fala mais baixo — desculpa.
Ele olha pra ela de novo, mais calmo.
— Posso ficar com você?
Carol finalmente olha pra ele.
Por um segundo, parece que vai ceder.
— A gente podia ir pra sua casa… ver um filme, na Netflix.
Adryan solta o ar.
— Você sabe que não dá.
Carol encara ele, magoada.
— Então você pode transar comigo… mas não pode contar pros seus pais que a gente tá junto?
Ele reage na hora:
— Eu vou contar.
Ela cruza os braços.
— Quando?
Adryan trava.
— Eu… não sei.
 O silêncio volta, mais tenso. Ele respira fundo, tentando se recompor, pega uma garrafinha de água e entrega pra ela.
— Só… não vamos piorar tudo, tá?
Carol olha pra pílula na mão.
Hesita.
Depois de alguns segundos… abre a caixa, toma a pílula com a água.
Os dois ficam em silêncio.
 
Terça-feira 
No dia seguinte, Ellie entra no consultório devagar, olhando tudo com certa desconfiança. O ambiente é calmo, acolhedor. Dr. Bruno está sentado, com um bloco de notas no colo.
— Pode sentar onde se sentir mais confortável — disse ele, com um tom tranquilo.
Ellie escolhe a cadeira, mas fica meio na ponta, como se não quisesse ficar ali por muito tempo.
— Eu sou o Dr. Bruno — ele continua. — Mas pode me chamar só de Bruno, se preferir.
Ellie dá um aceno curto.
— Ellie.
Um pequeno silêncio.
— Você já fez terapia antes? — ele perguntou 
Ellie balança a cabeça.
— Não… nunca.
— Tudo bem. Então a gente vai no seu tempo, sem pressa.
Ellie mexe nas mãos, olhando para os próprios dedos.
— Minha tia que marcou isso…
— E o que você acha de estar aqui?
Ellie levanta a cabeça.
— Estranho.— Ela solta uma risadinha sem humor. — Parece que… sei lá… não é comigo.
Bruno observa, atento.
— Como se você estivesse meio distante disso tudo?
Ellie levanta o olhar, surpresa por ele ter entendido.
— É… meio isso.
Outro silêncio.
— Quer me contar o que tem sido mais difícil ultimamente?
Ellie respira fundo. Demora um pouco.
— Eu não sei explicar direito.
Ela passa a mão no braço, desconfortável.
— Só… ficou tudo pesado.
— Pesado como?
— Tipo… levantar da cama já é difícil. Comer então… — Ela faz uma pausa. — Pior ainda.
Bruno mantém o tom calmo.
— Você sente que comer é difícil por quê?
Ellie hesita. Engole seco.
— Eu só… não consigo.
Ela evita olhar pra ele.
— Parece que… se eu comer, alguma coisa vai dar errado.
— Errado como?
Ellie franze a testa, tentando entender a si mesma.
— Eu não sei… só parece. — Ela fica mais inquieta. — E aí eu começo a pensar demais, e daí piora, e daí eu não como, e daí eu me sinto mal por não comer, vem a vontade de me machucar… é um ciclo.
Bruno anota algo, com cuidado.
— E esses pensamentos… eles vêm com frequência?
Ellie solta um ar cansado.
— O tempo todo. — Ela dá um sorriso fraco. — Minha cabeça não cala a boca nunca.
— E quando isso acontece… seu corpo reage de alguma forma?
Ellie pensa por um segundo.
— Meu coração dispara. Eu fico sem ar… parece que eu vou morrer. — Ela olha pra ele, mais séria. — Já aconteceu várias vezes.
Bruno faz um leve aceno de compreensão.
— Isso parece muito com crises de ansiedade… até pânico.
Ellie abaixa o olhar.
— É… faz sentido.
Silêncio.
— E nesses momentos… você costuma pedir ajuda?
— Não.
— Por quê? — Ela demora para responder. — Porque eu sinto que… eu devia dar conta sozinha. E também… eu não sei explicar o que está acontecendo.
Bruno inclina levemente o corpo, mais próximo, mas sem invadir.
— Você não precisa saber explicar tudo agora. Às vezes, a gente só precisa começar.
Ellie fica em silêncio, absorvendo.
— Posso te falar o que eu estou percebendo até aqui? — ele perguntou.
Ellie levanta o olhar, meio apreensiva.
— Pode.
— Ainda é cedo pra qualquer diagnóstico fechado… — Ele fala com cuidado. — Mas você descreve sintomas de ansiedade intensa… possivelmente transtorno de ansiedade generalizada.
Ellie escuta, em silêncio.
— Essas crises que você mencionou se parecem com síndrome do pânico.
Ele continua.
— E essa dificuldade com a alimentação… pode estar relacionada a um transtorno alimentar, como anorexia.
Ellie desvia o olhar na hora.
— E também tem sinais de tristeza profunda… que podem indicar depressão.
Ellie fica parada, olhando para o chão, como se estivesse tentando processar tudo.
— É muita coisa… — ela diz baixo.
— Eu sei.
— Parece que… tem alguma coisa muito errada comigo.
Bruno responde com firmeza, mas gentileza.
— Não tem nada “errado” com você.
Ellie levanta o olhar. Ele continua.
— O que você está sentindo são respostas a coisas que você viveu.
Uma pausa.
— A gente só ainda não organizou isso.
Ellie engole seco.
— Eu nem sei direito o que eu vivi.
Bruno faz um leve aceno.
— E tudo bem. A gente vai descobrir isso juntos, no seu tempo.
Ellie fica em silêncio por alguns segundos… depois solta um pequeno suspiro, como se estivesse cansada, mas um pouco aliviada.
— Tá…
Bruno dá um leve sorriso.
— Já é um começo.
Ellie encosta um pouco mais na cadeira agora… menos tensa do que quando entrou.
 
Na escola, Adryan entra na sala e vê Carol já sentada. Ela está quieta, mexendo no caderno sem realmente prestar atenção.
Ele se aproxima e se agacha ao lado dela.
— Você está bem?
Carol dá um sorriso, fraco.
— Meio enjoada… mas estou bem.
Adryan apenas assente, sem saber o que dizer.
O silêncio pesa.
Carol olha pra ele, sincera:
— Me desculpa, Adryan… por tudo.
Ele desvia o olhar por um instante.
— É… eu também.
Carol tenta se aproximar:
— A gente pode almoçar junto… conversar melhor?
Adryan balança a cabeça, evitando encarar ela.
— Não estou com muita vontade de conversar.
Carol abaixa o olhar, claramente atingida.
Ela respira fundo, tentando não demonstrar tanto.
— Você prefere conversar com a Liv, né?
Adryan responde na hora, um pouco mais firme:
— Não. Eu não quero conversar com ninguém.
Os olhos de Carol começam a encher de lágrimas.
Ela encara ele, com medo da resposta.
— Adryan… você tá terminando comigo?
Ele fica em silêncio por um segundo.
Então se levanta devagar.
— Eu… — ele hesita — eu não consigo mais confiar em você, Carol. Me desculpa.
Aquilo atinge direto, ele não espera resposta, só se vira… e sai da sala.
Carol fica parada, tentando segurar o choro, mas não consegue.
Nesse momento, a TV da sala liga. O presidente do conselho estudantil, Tom Prado, aparece.
— Todos os olhares estavam voltados para Adryan Gomes e Carol Novak no baile de inverno. Lory Brown, do Juliu’s Diário, entrevistou nossos rei e rainha…
O vídeo começa a passar.
Na tela, Carol e Adryan aparecem sorrindo, brincando… falando sobre futuro, Carol encara a TV. Agora as lágrimas descem sem controle, o contraste machuca mais do que tudo.
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Atualizado em: Dom 5 Jul 2026

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