- Crônicas
- Postado em
Você sabe por que o Claude se chama Claude?
Eu uso o Claude quase todos os dias. Converso, peço, discuto, faço brainstorm. E até dias atrás, nunca tinha me perguntado da coisa mais óbvia: por que esse nome? A resposta me fez parar.
Claude é uma homenagem a Claude Shannon — um matemático americano que a maioria das pessoas nunca ouviu falar, mas que mexe com a vida de todo mundo, todos os dias. Shannon é conhecido como o pai da Teoria da Informação. Foi ele quem, em 1948, transformou um problema aparentemente simples numa ciência: como transmitir uma mensagem de um ponto a outro com a menor perda possível. Em outras palavras: emissão e recepção, com o mínimo de ruído. Esse cara provou, com matemática, que toda comunicação enfrenta ruído. Que existe sempre algo no meio do caminho tentando corromper a mensagem entre quem fala e quem ouve. O telefone, o rádio, a internet, o WhatsApp — tudo que você usa pra se comunicar hoje se apoia no que ele formulou.
Mas, calma aí! Shannon não criou a Teoria da Comunicação que estudei em jornalismo. Aquela do emissor e receptor da mensagem. E da interpretação dela com base em históricos pessoais. Ele criou a base matemática. Ele cuidou do canal. Os que vieram depois (McLuhan e Watzlawick) foram cuidar do sentido, da relação, daquilo que uma equação não alcança. É, agora foi pro lado pessoal.
No livro que estou lançando no próximo mês, A Máquina que Pedia Desculpa, passei o livro inteiro analisando esses tropeços à luz da Teoria da Comunicação. Watzlawick, Escola de Palo Alto, a tal "página dois", a camada da relação que existe por trás de toda mensagem.
Só que eu nunca tinha me dado conta de uma coisa: a própria ferramenta com quem eu converso, com quem eu aprendo tanto, tem o nome do avô conceitual de tudo aquilo que eu estudei na faculdade. O Claude se chama Claude por causa do homem que deu origem à ciência, o embrião matemático do que depois viria a ser a "minha" emissão e recepção de mensagem.
Não sei se isso é coincidência. Mas é aqui que eu queria chegar.
Shannon provou, lá em 1948, que dá pra reduzir o ruído. Que existe uma forma de fazer a mensagem chegar mais limpa do outro lado. A mensagem do rádio, sem interferência. To telefone, sem chiados. Passaram-se mais de setenta anos. A tecnologia ficou absurda. Temos o canal mais perfeito da história nas mãos. E mesmo assim, nunca houve tanto ruído.
No recado mal escrito que gera briga. No áudio de três minutos que não diz nada. No grupo de família que vira campo de guerra por uma frase mal interpretada. No prompt preguiçoso que culpa a máquina pelo próprio despreparo. A gente tem o canal mais limpo de todos os tempos — e insiste em sujá-lo.
O ruído que eu aprendi na faculdade, nunca esteve no fio. Esse, era o de Shannon. O ruído de verdade, sempre esteve em nós.
Atualizado em: Dom 5 Jul 2026
