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O "i"
Dois velhos conhecidos encontram-se e trocam saberes sobre a vida.
- Você já reparou como a vogal “i” sofre mudanças na pronúncia de certas palavras?
- Francamente, nunca pensei sobre isso. Dê um exemplo para eu entender melhor.
- Pense na palavra feijão. Essa palavra costuma ser dita como “fejão”, como se o “i” não existisse. Já a palavra arroz costuma ser dita com esse “i”, como se fosse “arroiz”. Notou? O “i” do feijão migrou para o arroz: “fejão com arroiz”...
- Agora que você mencionou isso, sim. É comum ouvir “fejão com “arroiz”. Já que falamos do “i”, penso em “mas” que muita gente pronuncia como “mais”.
- Sim! Como em “eu vou, ‘mais’ você deve ir também”. O problema ocorre no momento da escrita, em que o “mas” vira “mais”.
- Parece que há algum problema com o “i”. A palavra da moda tem sido misoginia, mas ouço muita gente dizendo “misogenia” ou “misógeno”.
- E o “i” acaba sendo a vogal de apoio em palavras como psicologia, ignorante, afta, opção, objeto, paradigma, obtuso, obter, ritmo, digno, dogma, interrupção.
- É mesmo! Enquanto você pronunciava essas palavras, eu as ouvia com o tal “i” intrusivo: “pisicólogo”, “afita”, “opição”, “obituso” etc.
- E quando esse “i” que não deveria existir acaba caindo na sílaba tônica?
- Na sílaba tônica? Não consigo pensar em um exemplo agora...
- Pense em “eu opito” em vez de “eu opto”. Ou em “eu capito” em vez de “eu capto”, em “eu me indiguino” em vez de “eu me indigno”.
- Veja só! E o tal “i’ é o escolhido para surgir nas palavras em inglês. Já notou isso?
- Sim e me incomoda bastante. Facebook vira “faicibuqui”, work vira “worki”, stop vira “istopi”, black vira “bléqui” e Mac vira “méqui”.
- E o McDonald’s já se apropriou dessa característica e oficializou o Méqui! Se não dá para consertar, use e abuse! Viva a criatividade brasileira!
Atualizado em: Dom 5 Jul 2026
