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Leitura

Dois velhos conhecidos encontram-se e trocam saberes sobre a vida.
- Estou pensando em diferenças culturais. A nossa cultura valoriza informação oral enquanto a cultura europeia valoriza a informação escrita.
- Aconteceu comigo. Na primeira vez em que fui à Alemanha fui ao metrô e, como bom brasileiro, fui me informar com um segurança.
- Já sei! Ele apontou para o cartaz com todas as formações.
- Exato! Não houve jeito; tive de parar e ler tudo até entender o funcionamento. O atalho não funcionou.
- Aqui, a gente vai a um evento e vê um cartaz indicando para seguir em frente, mas a gente para e pergunta para alguém onde será o evento.
- É uma reação do piloto automático treinado numa cultura da oralidade.
- Lembro-me dos quadros de avisos em feltro afixados nas salas de aula com informes gerais. Nada era lido por ninguém.
- É verdade. Todos os informes sobre prazos e eventos estavam lá, mas eram completamente ignorados por falta de hábito de ler quadros de avisos.
- Um professor de física, famoso por suas provas rigorosas, pregou uma peça nas suas turmas. Foi triste e divertido ao mesmo tempo.
- Não me diga que ele afixou antecipadamente toda a prova no quadro.
- Pois foi exatamente o que ele fez, em todas as turmas. Ninguém viu a prova. E o pior: o gabarito fora publicado junto com a prova.
- Os poucos que tiravam boas notas continuaram com as boas notas enquanto a maioria mal chegava à nota 5,0. Que vergonha!
- Meu vizinho é professor e me contava que suas provas contêm instruções detalhadas que, se desobedecidas, implicam perda de pontos. Os alunos mal leem os enunciados das questões. Ler instruções? Nem pensar.
- Antigamente os manuais de instruções faziam jus ao nome; eram manuais. Hoje, são folhetos resumidos e mesmo assim, raramente são lidos. A moda agora é escanear os textos. Muito modernismo para nós dois idosos...
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Atualizado em: Dom 5 Jul 2026

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