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Grasso: A Próxima Geração 112 – Jogo de Cintura
Giovanna está sentada em uma mesa no corredor com uma prancheta cheia de folhas de inscrição. Leila organiza algumas canetas enquanto Oscar segura um cartaz escrito “Esquadrão de Líderes de Torcida do Ensino Fundamental”.
Camilly está com um celular na mão, gravando.
— Então, o que inspirou vocês a criarem um esquadrão de líderes de torcida?
Giovanna começa a falar:
— Porque muita gente queria participar, mas a equipe principal só aceita alunas do ensino médio. A gente achou injusto deixar o pessoal de fora.
Leila dá um passo à frente.
— E também é muito divertido. Não é só sobre dança, sabe? Você aprende a trabalhar em equipe, ganha confiança…
Oscar se aproxima de Giovanna e ajeita o cartaz nas mãos.
— E tem o espírito escolar também. Parece clichê, mas faz diferença de verdade.
Camilly faz a próxima pergunta:
— Então vocês acham que vai além das apresentações e competições?
Giovanna olha diretamente para a câmera.
— Com certeza. Tem exercício, disciplina e liderança. E também é uma forma do pessoal fazer amizade. E, sinceramente? O pessoal do fundamental tem energia de sobra.
Camilly abaixa o celular, satisfeita.
— Perfeito. Acho que já tenho material suficiente. Valeu, gente.
— Disponha — Oscar respondeu, brincando como se estivesse dando entrevista para um programa famoso.
Camilly sai pelo corredor.
Nesse momento, Manu se aproxima segurando a mochila com as duas mãos. Ela parece nervosa, mas tenta disfarçar.
— Oi… ainda dá tempo de se inscrever?
Giovanna sorri imediatamente.
— Claro. Você já participou de torcida antes?
— Não oficialmente… mas eu sei fazer algumas coisas.
Leila cruza os braços, curiosa.
— Tipo o quê?
Manu olha para os lados com um sorrisinho animado.
— Espera aí.
Ela corre até o final do corredor.
Oscar franze a testa.
— O que ela vai fazer?
Manu toma impulso e faz uma cambalhota perfeita, terminando em pé com os braços erguidos, como se estivesse encerrando uma apresentação.
Leila arregala os olhos.
— Meu Deus.
Oscar deixa o cartaz abaixar um pouco, impressionado.
— Tá, isso foi muito bom.
Manu volta quase sem fôlego, tentando agir como se não fosse grande coisa.
— Então…?
Giovanna pega a lista na mesma hora e aponta para uma linha vazia.
— Então coloca seu nome aqui agora.
Manu abre um sorriso enorme, pega a caneta e começa a escrever o nome na lista enquanto Leila e Oscar ainda trocam olhares impressionados.
Personagens Principais
Gaby Merino
Mateus Merino
Luiza Souza
John Doho
Stefy Prioste
Sophia Rodrigues
André Kimmich
Edu Mariano
JP Djanikian
Giovanna Kuhlmann
Rick dos Anjos
Daniel Fernandes
Mais tarde naquele dia, o aparelho de tv da sala exibe um novo vídeo da Grasso TV antes da aula.
Giovanna aparece na tela ao lado de Leila e Oscar, segurando pompons azuis e dourados.
— Atenção, alunos do sétimo e oitavo ano! As inscrições para o Cheer Squad da Grasso estão oficialmente abertas!
Leila sorri para a câmera.
— Não importa se você já tem experiência ou não. Se quiser participar, é só se inscrever.
Oscar aponta para a tela com entusiasmo exagerado.
— E, sim, a gente aceita meninos também. Então sem desculpas.
A vinheta termina com música animada e imagens rápidas de alunos treinando no corredor.
Sentadas perto dos armários, Luiza e Manu assistem ao vídeo.
Luiza faz uma careta imediatamente.
— Ai, sério…
Manu continua olhando para a tela, interessada.
— O quê?
— Cheerleading. Isso é muito coisa de estadunidense.
Manu abaixa um pouco o celular.
— E daí? Um monte de coisa que a gente gosta veio de fora.
Luiza cruza os braços.
— Mesmo assim. Parece forçado. Tipo… ninguém no Brasil fazia isso até começarem a copiar filme adolescente.
— Não é verdade — Manu rebateu. — Tem campeonato, equipe profissional, treino e tudo mais. Cheerleading tá enorme agora. Muito mais gente faz do que você imagina.
Luiza revira os olhos.
— Continua sendo estranho.
Manu ri de leve.
— Você implica com tudo.
— Porque alguém precisa implicar. — Luiza se inclina para frente. — E outra, eu acho meio sexista.
Manu franze a testa.
— Como assim?
— Garotas supernovas usando uniforme curto, sorrindo o tempo todo e se exibindo para torcida. Não sei… parece errado.
Manu desvia o olhar por um instante, claramente mexida.
Luiza observa a reação dela e estreita os olhos.
— Espera. — Ela vira totalmente para Manu, surpresa. — Você tá pensando em entrar nisso?
Manu demora um segundo para responder.
— Talvez.
Luiza arregala os olhos.
— Manu, fala sério. Você vai virar um robô que balança pompom agora?
Manu solta uma risada sem graça, desconfortável.
— Tá, você tem razão. Vamos falar de outra coisa.
Luiza ainda parece confusa, mas percebe que Manu ficou incomodada.
— Tá… foi mal.
Manu apenas dá de ombros, tentando parecer indiferente, embora continue pensativa olhando para o corredor movimentado da escola.
Mateus encontra seus colegas da equipe de natação júnior perto da piscina da escola. Maurício está sentado na borda, mexendo na touca de natação, enquanto outros alunos conversam animados sobre os treinos.
Mateus chega batendo de leve no ombro de um deles.
— E aí, rapazes, como vocês estão?
Maurício olha para ele e abre um sorriso animado.
— Mateus, perfeito que você chegou. Vamos ter uma competição de natação amanhã, e enfrentar várias escolas, o Colégio Bongiovani atual campeão do campeonato estudantil estará presente. Quem vencer vai representar a cidade no regional júnior.
Mateus sorri na mesma hora, competitivo.
— Então é simples. A gente aceita o desafio e faz o que sabemos fazer melhor: ganhar.
Alguns meninos riem e concordam.
Maurício, porém, mantém a expressão séria.
— Não vai ser tão fácil assim. Os caras do colégio Bongiovani são muito bons.
Mateus cruza os braços.
— Tá, mas a gente também é.
Maurício balança a cabeça.
— O melhor nadador deles era da nossa equipe no ano passado.
Mateus pensa por um instante.
— Felipe Barros? Já ouvi falar dele.
— Exatamente. — Maurício suspira. — O cara já ganhou um monte de medalha. Ele é rápido demais.
Mateus dá de ombros, tentando manter o clima leve.
— Então a gente treina mais forte ainda.
Ele olha para os outros nadadores com confiança.
— Vamos dar o nosso melhor e vencer, porque a gente é da Grasso.
Os meninos se animam imediatamente.
— Aí sim! — um deles grita.
Maurício sorri, entrando no clima.
— É isso. Vamos mostrar pra eles quem manda nessa piscina.
Os garotos começam a conversar animados sobre estratégias e treinos.
O refeitório está barulhento e lotado durante o intervalo. Alunos passam carregando bandejas enquanto conversas se misturam por todos os lados.
Luiza e Manu caminham juntas procurando uma mesa vazia. Manu segura a bandeja com cuidado, ainda parecendo distraída depois da conversa que tiveram mais cedo.
Do outro lado do refeitório, Giovanna as vê passando e abre um sorriso animado.
— Manu! Espera aí!
Manu para imediatamente.
Giovanna se aproxima da mesa onde Leila e Oscar estão sentados.
— Faz aquela cambalhota de novo.
Manu arregala os olhos.
— Aqui?
Oscar ri.
— É, no meio do refeitório mesmo.
Manu olha rapidamente para Luiza, claramente nervosa.
— Ah, eu não sei… tem muita gente olhando.
Giovanna cruza os braços, divertida.
— Se você quer entrar pro Cheer Squad, vai ter que perder a vergonha.
Leila concorda com a cabeça.
— É. A gente literalmente se apresenta na frente da escola inteira.
Manu morde o canto do lábio, indecisa.
Giovanna aponta para um espaço vazio perto das mesas.
— Vai logo. Eu quero ver se você é tudo isso mesmo.
Manu respira fundo. Então coloca a bandeja na mesa com cuidado.
Alguns alunos percebem a movimentação e começam a olhar curiosos.
Manu corre alguns passos e faz uma cambalhota perfeita, aterrissando em pé sem perder o equilíbrio.
Alguns alunos próximos batem palmas e fazem sons impressionados.
Leila fica de boca aberta.
— Ok… ela é realmente boa.
Giovanna encara Manu por um segundo, impressionada demais para esconder.
— Tá, agora eu oficialmente tô com ciúmes.
Manu ri, sem jeito.
— Você falou sério?
— Muito sério. — Giovanna aponta para ela. — Se continuar assim, você vai roubar meu lugar rapidinho.
Luiza observa a cena em silêncio.
Em seguida, Manu entra sorrindo no banheiro, claramente animada, enquanto lava as mãos na pia.
— Sério, a Giovanna e a Leila são muito legais.
Luiza entra logo atrás, fechando a porta com o pé.
— Ah, claro. As novas rainhas da escola.
Manu ignora o tom sarcástico.
— Eu tô falando sério. Elas falaram comigo como se eu já fosse amiga delas. — Ela se olha rapidamente no espelho, ainda empolgada. — Isso foi importante pra mim.
Luiza encosta na bancada da pia e cruza os braços.
— O problema é que ninguém percebe o lado ruim das líderes de torcida.
Manu suspira discretamente.
— Luiza…
— Todo mundo só vê uniforme bonito, vídeo engraçadinho e pompom. Ninguém percebe como essas coisas viram competição por atenção.
Manu seca as mãos lentamente.
— Nem todo mundo pensa como você.
Luiza fica chateada.
— Sabe de uma coisa? Eu vou chamar a atenção de todos de alguma forma.
Luiza se vira e sai do banheiro.
Depois da última aula, os alunos começam a sair da escola em grupos barulhentos. Na frente da Grasso, perto dos bicicletários, Mateus encontra alguns colegas da equipe de natação reunidos em roda.
Maurício está sorrindo de um jeito suspeito, enquanto os outros tentam segurar o riso.
Mateus se aproxima, desconfiado.
— Tá… por que vocês estão com essa cara?
Maurício coloca a mão no ombro dele.
— Porque a gente acabou de ter uma ideia genial pra vencer o Colégio Bongiovani.
Mateus arqueia a sobrancelha.
— Isso normalmente significa problema.
Alguns meninos riem.
Maurício abaixa a voz dramaticamente.
— A gente coloca laxante na água deles antes da competição.
Por um segundo, Mateus fica encarando o grupo sem acreditar.
— Vocês estão brincando.
— Não, pensa direito — Maurício falou. — Eles vão passar mal, nadar pior e pronto. Vitória garantida.
Outro garoto começa a rir.
— Imagina eles tendo que sair correndo da piscina.
Os meninos caem na gargalhada, mas Mateus continua sério.
— Isso é ridículo.
O clima muda um pouco.
Maurício cruza os braços.
— Ah, qual é. É só uma pegadinha.
— Não, não é. — Mateus balança a cabeça. — É trapaça.
Maurício revira os olhos.
— Você tá exagerando.
— Não tô. A gente consegue ganhar sem fazer esse tipo de coisa.
Maurício suspira, já irritado.
— Cara, eles têm o Felipe Barros. Você ouviu o que eu falei mais cedo.
— E daí? — Mateus rebate. — Então a gente treina mais.
Maurício troca olhares com os outros.
— A equipe já decidiu.
Mateus encara o grupo, incrédulo.
— Vocês estão falando sério mesmo?
Ninguém responde.
Maurício dá de ombros.
— A gente vai seguir com o plano.
Mateus dá um passo para trás, claramente decepcionado.
— Então não contem comigo.
O grupo fica em silêncio enquanto ele pega a mochila com força.
Maurício ainda tenta falar:
— Mateus, espera...
— Não.
Mateus sai andando irritado, enquanto os outros ficam olhando.
Depois da aula, o movimento na frente da escola é intenso.
Manu está mais afastada, encostada em um muro segurando a mochila contra o peito, claramente preocupada.
Giovanna e Leila saem da escola juntas, ainda conversando sobre o Cheer Squad, quando percebem Manu parada sozinha.
Giovanna diminui o passo.
— Querida… tá tudo bem?
Manu olha para elas e tenta sorrir, mas não consegue esconder o nervosismo.
— Mais ou menos.
Leila imediatamente presta atenção.
— O que aconteceu?
Manu suspira.
— A Luiza tá levando essa história de “líder de torcida é machista” longe demais.
Giovanna franze a testa.
— Tá, mas até que ponto?
Manu hesita por um instante.
— Ela comentou que talvez escreva um artigo pro jornal da escola.
Leila arregala os olhos.
— Ah, ótimo. Exatamente o tipo de publicidade que a gente precisava.
Giovanna passa a mão no rosto dramaticamente.
— Perfeito. A gente mal começou e já vão tentar cancelar o Cheer Squad.
— Ela não tá fazendo por mal — Manu tenta explicar rapidamente. — A Luiza só… tem opiniões muito fortes sobre essas coisas.
Leila cruza os braços.
— Isso eu já percebi.
Giovanna observa Manu por alguns segundos e percebe que ela parece realmente dividida entre a amiga e o novo grupo.
Então ela dá um sorriso leve.
— Querida. Você precisa passar mais tempo com a gente.
Manu pisca, surpresa.
— O quê?
— É sério. — Giovanna aponta entre ela e Leila. — Você fica cinco minutos perto da Luiza e já começa a achar que pompons são uma ameaça à sociedade.
Leila ri.
— Ela precisa de desintoxicação anti-cheerleader.
Manu acaba rindo também, relaxando um pouco.
— Talvez vocês tenham razão.
Giovanna sorri.
— Claro que temos.
Manu parece pensar por um instante, então seus olhos se iluminam.
— Espera… vocês podiam ir lá pra casa.
Leila olha para Giovanna.
— Tipo agora?
— É. Minha mãe provavelmente fez comida demais de novo e… sei lá, podia ser divertido.
Giovanna abre um sorriso animado.
— Tá, eu gostei dessa ideia.
Leila concorda.
— Eu também.
As três começam a caminhar juntas pela calçada, conversando e rindo enquanto deixam a escola para trás.
No quarto de Manu, roupas estão espalhadas pela cama enquanto Giovanna e Leila mexem animadas no guarda-roupa aberto.
Leila segura uma jaqueta brilhante e faz uma careta.
— Ok, isso aqui parece roupa de cantora pop de 2014.
Manu ri, sentada no chão.
— Eu avisei que minhas roupas são meio aleatórias.
Giovanna puxa uma saia azul do cabide.
— Não, espera. Isso aqui tem potencial.
Ela segura a saia na frente do corpo, como se estivesse modelando.
— Consigo imaginar um uniforme inspirado nisso.
Leila aponta imediatamente.
— Com tênis branco e aquelas meias altas.
— Exatamente! — Giovanna concorda.
Manu observa as duas sorrindo, claramente feliz por estar participando da conversa.
De repente, o celular dela começa a tocar em cima da cama.
Manu pega o aparelho e o sorriso desaparece um pouco ao ver o nome na tela.
— É a Luiza.
Giovanna e Leila trocam um olhar rápido.
Giovanna abaixa a voz.
— Descobre se ela ainda vai escrever aquele artigo.
Manu faz sinal para as duas ficarem quietas antes de atender.
— Oi.
A voz de Luiza sai abafada pelo celular.
— Ei. Você vai vir aqui em casa estudar ou não?
Manu hesita.
— Ah… então… acho que não vou conseguir hoje.
Leila fecha a porta do guarda-roupa devagar para não fazer barulho.
— Por quê? — Luiza perguntou. — Aconteceu alguma coisa?
Manu olha rapidamente para Giovanna e inventa:
— Eu não tô me sentindo muito bem.
Giovanna coloca a mão na boca para segurar o riso.
Manu lança um olhar mortal para ela antes de continuar a ligação.
— Mas amanhã eu devo estar melhor.
Do outro lado da linha, Luiza parece desconfiada.
— Tá…
Manu aproveita a chance.
— E aquele negócio do artigo? Você ainda vai escrever?
Luiza suspira.
— Não. Eu pensei melhor.
Giovanna, sem conseguir ficar quieta, fala mais alto do que deveria:
— Imagina achar que um artigo ia acabar com o Cheer Squad.
Leila prende a respiração.
Manu fecha os olhos na mesma hora.
Então a voz de Luiza muda completamente de tom.
— Espera aí.
Manu engole seco.
— O quê?
— Por que eu consigo ouvir a Giovanna?
Manu fica vermelha de vergonha.
— Ela só passou aqui rapidinho.
Luiza demora um segundo para responder.
— Então você mentiu pra mim.
— Não foi isso que eu quis dizer...
— Você disse que tava passando mal.
Manu aperta o celular contra o ouvido, nervosa.
— A Giovanna já vai embora. Depois eu posso ir aí, se você quiser.
Do outro lado da linha, Luiza permanece em silêncio por um instante.
Quando fala de novo, a voz dela soa fria.
— Esquece.
E desliga.
O quarto fica em silêncio.
Manu abaixa lentamente o celular, claramente culpada.
Giovanna percebe a reação de Manu.
— Ei… ela vai superar.
Mas Manu não parece muito convencida enquanto encara a tela apagada do celular.
No dia seguinte, o grupo de líderes de torcida entra animado no ginásio da escola. O som dos tênis ecoa pelo chão enquanto algumas garotas alongam os braços e outras conversam empolgadas.
Pompons azul e dourados estão espalhados perto das arquibancadas.
Leila bate palmas para chamar a atenção do grupo.
— Ok, pessoal! Hoje a gente vai começar a praticar um movimento novo.
Giovanna se senta na arquibancada com uma prancheta nas mãos.
— E sem quebrar nenhuma perna, por favor.
Algumas meninas riem.
Leila vai para o centro do ginásio.
— É um toque na ponta do pé. Parece difícil, mas vocês pegam o jeito.
Ela respira fundo, toma impulso e salta. A perna sobe alto enquanto ela toca a ponta do pé no ar antes de aterrissar com equilíbrio.
Algumas garotas aplaudem.
Leila sorri, tentando recuperar o fôlego.
— Vocês consegue. Só precisa de treino.
Giovanna inclina a cabeça, provocando:
— Foi bom… mas acho que a Manu faz melhor.
O grupo imediatamente olha para Manu.
— Eu? — ela perguntou, surpresa.
Giovanna aponta para o centro do ginásio.
— Vai lá.
Manu ri nervosa.
— Vocês precisam parar de me colocar pra me apresentar do nada.
Leila entrega os pompons para ela.
— Considera isso treinamento emocional.
As meninas riem.
Manu respira fundo e vai para o centro da quadra. Por um segundo, ela parece insegura.
Então toma impulso.
Ela faz um toque perfeito na ponta do pé, com a perna subindo alto no ar. Antes mesmo que as garotas consigam reagir, Manu continua o movimento, faz uma abertura impressionante e termina levantando os pompons acima da cabeça com um sorriso enorme.
O ginásio explode em gritos e aplausos.
Leila fica boquiaberta.
— Tá, isso foi absurdo.
Giovanna aponta para Manu como se tivesse acabado de descobrir uma celebridade.
— Pronto. A estrela do show chegou.
Manu começa a rir, completamente vermelha de vergonha.
— Para!
— Não, eu tô falando sério — Giovanna insistiu. — Você nasceu pra isso.
Do lado de fora do ginásio, através da janela do corredor, Luiza observa toda a cena em silêncio.
Ela vê Manu rindo com Giovanna e Leila enquanto o grupo continua comemorando.
A expressão dela fecha imediatamente.
Luiza cruza os braços, irritada.
— Claro.
Ela dá um passo para trás, os olhos ainda fixos em Manu.
Então se vira e começa a andar pelo corredor pisando duro, claramente furiosa.
Enquanto se afasta, pega o celular da mochila e abre o aplicativo do jornal da escola.
Luiza já tinha tomado sua decisão.
Ela ia escrever o artigo.
Luiza atravessa o corredor quase correndo. Ela passa pelos alunos sem nem olhar direito para ninguém até chegar à sala usada pelos editores do jornal da escola.
Dentro da sala, Camilly está sentada diante de um computador, revisando fotos para a próxima edição do Julius Diário.
A porta abre com força.
— Camilly, eu preciso que você publique uma coisa.
Camilly se assusta.
— Meu Deus, Luiza. Você sempre entra assim?
Luiza ignora o comentário e coloca algumas folhas impressas sobre a mesa.
— É um artigo novo.
Camilly pega as folhas, curiosa.
— Sobre o quê?
Luiza cruza os braços.
— Lê a manchete.
Camilly começa a ler em voz alta:
— “Como podemos progredir como mulheres se algumas de nós insistem em usar saias curtas e dançar como patricinhas?”
Ela abaixa lentamente as folhas.
— Nossa.
Luiza mantém a expressão séria.
— O quê?
— Isso tá… meio agressivo.
Luiza dá de ombros.
— Eu podia ter escrito coisa pior.
Camilly encara ela por um instante.
— Isso tudo é por causa do Cheer Squad?
— Não é “por causa do Cheer Squad”. É sobre o que esse tipo de coisa representa.
Camilly gira a cadeira devagar.
— Ainda assim, parece pessoal.
Luiza imediatamente responde:
— Porque é pessoal.
Camilly suspira.
— Luiza, a Manu entrou pro time.
O olhar de Luiza endurece um pouco.
— Eu sei.
— Então talvez atacar o grupo inteiro seja exagero.
Luiza permanece séria.
— Você realmente acha que a Manu entrou nisso porque ama cheerleading?
Camilly hesita.
— Não sei… talvez ela só tenha gostado.
— Não. — Luiza balança a cabeça. — Ela tá fingindo.
Camilly franze a testa.
— Fingindo o quê?
— Que gosta disso tudo. — Luiza começa a andar pela sala, irritada. — A Manu nunca ligou pra popularidade. Agora, de repente, tá andando com a Giovanna e a Leila o tempo inteiro.
Ela para em frente à mesa.
— Ela só entrou nesse time porque quer atenção.
Camilly observa Luiza em silêncio por alguns segundos.
— Ou talvez ela só queira fazer parte de alguma coisa.
Luiza desvia o olhar, claramente atingida pela frase.
Mas rapidamente volta ao tom defensivo.
— Tanto faz. O artigo continua sendo verdade.
Camilly olha novamente para as folhas, pensativa.
— Eu vou ler tudo primeiro antes de decidir.
Luiza pega a mochila com irritação.
— Só não demora muito.
Ela sai da sala ainda claramente furiosa, enquanto Camilly continua olhando para a manchete, agora bem menos convencida de que publicar aquilo seria uma boa ideia.
A área da piscina está lotada antes da competição. O som de apitos, água se movendo e alunos conversando ecoa pelo ginásio.
A equipe da Grasso está reunida perto dos bancos, todos usando os agasalhos azul e dourado da escola. Maurício conversa em voz baixa com alguns garotos enquanto outros se alongam.
Mateus se aproxima carregando a mochila no ombro.
Assim que ele chega, dois garotos trocam olhares e reviram os olhos discretamente.
Mateus percebe.
— Sério? Vocês ainda estão nessa?
Maurício cruza os braços.
— Você mudou de ideia?
Mateus encara ele.
— Não.
Maurício balança a cabeça, decepcionado.
— Então talvez você precise decidir de que lado tá.
O clima pesa imediatamente.
Mateus franze a testa.
— Eu tô do lado da equipe.
— Não parece.
Antes que a discussão continue, uma voz surge atrás deles:
— E aí.
Todos se viram.
Felipe Barros, usando o uniforme do Colégio Bongiovani, se aproxima calmamente. Ele parece genuinamente feliz em ver os antigos colegas.
— Faz tempo, né?
O silêncio é imediato.
Felipe olha para Maurício primeiro.
— Como vocês estão?
Maurício apenas desvia o olhar.
Outro garoto pega a garrafa de água e finge nem ter ouvido.
O sorriso de Felipe desaparece aos poucos.
— Tá… entendi.
Ele dá um passo para trás, desconfortável.
— Boa sorte pra vocês hoje.
Ninguém responde.
Felipe aperta os lábios e começa a se afastar.
Mateus observa a cena claramente incomodado. Ele olha para os colegas da Grasso, depois para Felipe indo embora sozinho.
Maurício percebe.
— Nem pensa nisso.
Mateus ignora.
Ele pega a mochila do banco.
— Eu preciso falar com ele.
Maurício revira os olhos.
— Claro que precisa.
Mateus lança um último olhar irritado para o grupo antes de sair atrás de Felipe, deixando os colegas da equipe em silêncio.
O corredor está movimentado entre as aulas. Alunos passam apressados enquanto conversas ecoam pelos armários.
Giovanna, Leila e Manu caminham juntas, ainda falando sobre o treino no ginásio.
— Eu juro que minha perna ainda tá doendo daquela abertura — Manu reclama, rindo.
Leila aponta para ela.
— Sofrimento faz parte da arte.
De repente, as três diminuem o passo.
Luiza está parada no meio do corredor segurando um exemplar do Julius Diário.
O clima muda imediatamente.
Manu perde o sorriso.
Luiza encara diretamente a amiga antes de estender um dos jornais para ela.
— Saiu a edição de teste.
Manu hesita por um segundo antes de pegar.
Giovanna, curiosa, toma o jornal das mãos dela.
— Deixa eu ver isso.
Ela começa a ler em voz alta:
— “O único espírito do Esquadrão de Líderes de Torcida é o espírito do sexismo.”
Leila faz uma careta.
Luiza mantém a expressão séria.
— Eu escrevi a verdade.
Giovanna olha imediatamente para Manu.
— Você acredita mesmo nisso?
Manu encara o jornal em silêncio. Quanto mais lê, mais a expressão dela muda de tristeza para raiva.
Ela levanta lentamente os olhos para Luiza com raiva.
Luiza tenta sustentar a postura firme.
— Eu só falei o que eu penso.
Manu amassa o jornal com raiva e joga no chão entre as duas.
Luiza se abaixa imediatamente pega o jornal amassado do chão e começa a andar rápido pelo corredor, claramente furiosa e magoada.
Nos fundos do ginásio da piscina, Felipe está organizando seus equipamentos perto dos bancos da equipe do Colégio Bongiovani quando ouve passos se aproximando.
Ele olha para trás e vê Mateus vindo na direção dele.
Felipe arqueia a sobrancelha.
— Achei que seus amigos iam me expulsar daqui só por respirar perto deles.
Mateus ignora a piada, claramente preocupado.
— Eu preciso te contar uma coisa.
Felipe percebe o tom sério imediatamente.
— O que foi?
Mateus olha rapidamente ao redor antes de falar mais baixo.
— Não deixa ninguém da sua equipe beber a água que tá perto da piscina.
Felipe franze a testa.
— Por quê?
Mateus hesita por um segundo, constrangido.
— Porque alguns caras da Grasso queriam colocar laxante.
Felipe encara ele sem acreditar.
— Tá brincando.
— Queria muito estar.
Felipe passa a mão no rosto, irritado.
— Eles ficaram tão desesperados assim?
Mateus cruza os braços.
— Eu tentei impedir.
Felipe observa Mateus por alguns segundos, percebendo que ele realmente está falando sério.
— Valeu por avisar.
Nesse momento, Maurício aparece vindo apressado pelo corredor da piscina.
— Felipe, espera.
Felipe já muda completamente a expressão.
Maurício para na frente dele, desconfortável.
— Cara… não era pra virar tudo isso.
Felipe ri sem humor.
— Ah, claro. Vocês só iam drogar a outra equipe. Supernormal.
— Não foi ideia minha sozinho — Maurício tenta explicar.
— E isso melhora alguma coisa?
O silêncio pesa.
Felipe olha para os antigos colegas da Grasso lá no fundo da piscina e depois volta o olhar para Maurício.
— Sinceramente? Sair dessa equipe e daquela escola foi a melhor decisão que eu já tomei.
Maurício abaixa o olhar, claramente atingido.
Mateus permanece em silêncio.
Felipe pega a mochila do banco.
— Boa sorte na competição.
Ele passa pelos dois sem esperar resposta.
Maurício observa Felipe indo embora, frustrado consigo mesmo.
Mateus olha para ele.
— Era isso que você queria?
Maurício não responde.
O banheiro feminino está vazio e silencioso.
Luiza entra rapidamente, respirando fundo, ainda abalada pela discussão no corredor. Ela segura o exemplar do Julius Diário por alguns segundos antes de amassá-lo com força e jogar no lixo.
Ela apoia as mãos na pia, encarando o próprio reflexo no espelho.
A porta do banheiro se abre novamente.
Manu entra logo atrás dela.
O clima fica pesado imediatamente.
— Eu não acredito que você escreveu aquilo sobre mim.
Luiza fecha os olhos por um instante, já cansada da discussão.
— Manu...
— Não. Sério.
Luiza se vira devagar.
— Agora você se importa com o que os outros vão pensar?
Manu franze a testa.
— Não é disso que eu tô falando.
— A gente é amiga desde o jardim de infância. — Luiza cruza os braços, claramente magoada. — Então como você conseguiu simplesmente me trocar porque uma garota do oitavo ano finalmente resolveu falar com você?
Manu arregala os olhos.
— Não foi isso que aconteceu.
— Foi exatamente isso.
— Não! — Manu rebate. — Eu só queria entrar pro time.
Luiza a encara com uma expressão de puro desgosto.
— Claro.
Manu perde a paciência.
— E por que seria tão horrível assim eu virar amiga da Giovanna?
Luiza parece genuinamente chocada com a pergunta.
— Você tá falando sério?
— Tô.
Luiza balança a cabeça, incrédula.
— Eu não acredito que você realmente acha que a Giovanna é sua amiga.
A frase atinge Manu imediatamente.
Ela cruza os braços, tentando esconder o quanto aquilo a machucou.
— E por que é tão difícil acreditar que alguém legal possa gostar de mim pelo menos uma vez?
Luiza muda de expressão na mesma hora, surpresa pela sinceridade dela.
— Manu, eu não quis dizer isso.
— Mas foi isso que pareceu!
O silêncio pesa entre as duas.
Luiza tenta se aproximar um pouco.
— Eu só tô tentando te avisar. A Giovanna tá te usando.
Manu balança a cabeça, irritada.
— Não. Você tá com ciúmes.
Luiza dá um passo para trás, atingida.
— O quê?
— É isso. — Manu aponta para ela, nervosa e magoada ao mesmo tempo. — Você odeia o Cheer Squad porque todo mundo tá feliz sem você.
— Isso não é verdade.
— É sim!
Manu respira fundo, mas continua:
— A diferença entre você e a Giovanna é que a Giovanna é divertida. — Ela hesita por um segundo antes de completar — E você é muito chata.
A frase parece atingir Luiza de verdade.
Ela desvia o olhar imediatamente, claramente machucada.
Por alguns segundos, nenhuma das duas fala nada.
Então Luiza se vira lentamente para a porta.
Antes de sair, ela olha para Manu com tristeza.
— Tá bom. — Ela força um sorriso pequeno, mas dolorido. — Só não vem chorando pra mim quando a Giovanna te apunhalar pelas costas.
Luiza sai do banheiro sem esperar resposta.
Manu permanece parada no meio do banheiro, respirando pesado, ainda com raiva… mas agora também começando a parecer culpada.
A movimentação na área da piscina continua intensa antes da competição, mas o clima entre os alunos da Grasso está pesado.
Mateus volta para perto da equipe depois de conversar com Felipe.
Assim que ele se aproxima, Maurício já vai na direção dele com a expressão fechada.
— Você contou pra eles.
Mateus não tenta negar.
— Contei.
Maurício encara Mateus com raiva.
— Você traiu a equipe.
Mateus cruza os braços, irritado também.
— Não. Eu impedi vocês de fazerem uma idiotice.
— Ah, então agora você é o herói?
— Não tô tentando ser herói. Só não queria ferrar outra equipe por causa de uma competição.
Maurício ri.
— Engraçado. Porque parece muito que você tava mais preocupado com o Felipe do que com a gente.
Mateus perde a paciência.
— Para de agir como se isso fosse normal!
O silêncio pesa por um instante.
Maurício balança a cabeça lentamente, decepcionado.
— Sinceramente? Vai embora.
Mateus fica sem reação por um segundo.
— O quê?
— Você ouviu.
Maurício aponta para a saída da área da piscina.
— Você não faz mais parte da equipe.
Os outros garotos evitam olhar diretamente para Mateus.
Um deles abaixa a cabeça, desconfortável, mas ninguém discorda.
Mateus encara Maurício incrédulo.
— Você tá falando sério?
— Tô.
Maurício pega a mochila do banco com raiva.
— A equipe precisava de alguém do nosso lado. Não de alguém defendendo rival.
Mateus aperta a mandíbula, claramente magoado.
— Então beleza.
Maurício dá de ombros, frio.
— Boa sorte sem a gente.
Ele se vira e sai andando em direção ao restante da equipe.
Os outros garotos vão atrás dele aos poucos, deixando Mateus parado sozinho perto da piscina enquanto o barulho da competição continua ao redor como se nada tivesse acontecido.
Manu anda pelo corredor ainda abalada pela discussão com Luiza quando vê Giovanna e Leila passando apressadas carregando duas pilhas enormes de exemplares do Julius Diário.
As duas olham para os lados como se não quisessem chamar atenção.
Manu franze a testa.
— O que elas estão fazendo?
Curiosa, ela começa a segui-las pelo corredor sem fazer barulho.
Giovanna empurra a porta do ginásio com o ombro enquanto Leila quase deixa uma pilha de jornais cair.
— Isso pesa muito mais do que parece.
— Reclama menos e anda logo — Giovanna respondeu.
As duas entram no ginásio vazio e colocam os jornais espalhados nas arquibancadas.
Manu entra logo atrás.
— Tá… agora eu realmente quero saber o que vocês estão fazendo.
Giovanna e Leila se assustam ao vê-la.
— Meu Deus, Manu! — Leila coloca a mão no peito. — Você anda silenciosamente por quê?
Manu cruza os braços.
— Respondam a pergunta.
Giovanna troca um olhar rápido com Leila antes de abrir um sorriso inocente demais.
— Querida, estamos só fazendo umas alterações editoriais.
Manu estreita os olhos.
— Giovanna.
Leila suspira e pega um dos jornais.
Ela abre na página do artigo de Luiza e, arranca a folha inteira.
Manu arregala os olhos.
— Vocês tão rasgando o jornal?
— Só uma página específica — Leila corrige.
Giovanna começa a arrancar outras páginas rapidamente.
— O artigo da Luiza vai acabar com as nossas chances de formar o Cheer Squad antes mesmo da primeira apresentação.
Manu observa as folhas rasgadas se acumulando no chão.
— Mas isso ainda é o jornal da escola.
Leila dá de ombros.
— E o artigo dela é um ataque direto ao time.
Giovanna olha para Manu, percebendo a hesitação dela.
— Você ainda quer que exista um time de líderes de torcida, né?
Manu demora um segundo para responder.
— Quero.
Giovanna pega um exemplar intacto e entrega para ela.
— Então prova.
Manu segura o jornal, claramente desconfortável.
Ela olha para a manchete do artigo de Luiza por alguns segundos.
O silêncio pesa.
Leila observa atentamente.
— Manu…
Manu respira fundo.
Então segura a página com as duas mãos e arranca rapidamente.
O som do papel rasgando ecoa pelo ginásio.
Giovanna abre um sorriso satisfeito.
Mas, mesmo tentando agir normalmente, Manu continua olhando para o pedaço rasgado nas mãos com uma expressão culpada.
Gaby está sentada sozinha na arquibancada olhando seu pequeno espelho enquanto passa batom.
Mateus se aproxima.
Ele senta ao lado dela. Gaby olha pra ele.
— Tá com cara de quem perdeu a final das Olimpíadas.
Mateus solta uma risada fraca.
— Quase isso.
Gaby observa o irmão por alguns segundos.
— O que aconteceu?
Mateus suspira e apoia os cotovelos nos joelhos.
— A equipe queria sabotar o colégio Bongiovani. Eu avisei eles, aí o Maurício surtou e praticamente me expulsou do time.
Gaby arregala os olhos.
— Eles queriam trapacear?
— Com laxante.
Ela faz uma careta imediata.
— Nossa, que infantil.
Mateus dá de ombros, frustrado.
— E agora eles tão me chamando de traidor.
Gaby toma um gole de água antes de responder.
— Você fez a coisa certa.
— Não parece.
Ela dá um leve empurrão no ombro dele.
— Claro que parece. Você prefere ganhar honestamente. Isso literalmente faz de você a pessoa menos idiota dessa história.
Mateus ri pelo nariz.
— Valeu pelo apoio emocional.
— Disponha.
Ela fica séria outra vez.
— Mas você não pode simplesmente abandonar a equipe.
Mateus olha para ela.
— Acho que eles já decidiram isso por mim.
— Então faz eles mudarem de ideia.
Mateus arqueia a sobrancelha.
— Como?
Gaby abre um sorriso convencido.
— Usa seu superpoder.
— Eu tenho um superpoder?
Gaby balança a cabeça.
— Infelizmente. Carisma.
Mateus revira os olhos, mas acaba rindo.
— Ah, claro.
— É sério. — Gaby aponta para ele. — Você consegue convencer qualquer pessoa de qualquer coisa quando quer. Então tenta de novo. Convence os meninos a competir direito, mesmo que vocês percam. — Porque, sinceramente? Ganhar trapaceando é muito mais vergonhoso do que perder.
Mateus fica em silêncio por alguns segundos, absorvendo aquilo.
Então ele respira fundo e se levanta da arquibancada, agora parecendo mais decidido.
— Tá.
Gaby sorri.
— Olha aí. Voltou a cara de protagonista.
Mateus pega a mochila.
Ele começa a caminhar em direção à área da equipe, agora muito mais confiante.
Gaby observa o irmão indo embora e sorri satisfeita.
No laboratório de informática, Giovanna, Manu e Oscar estão sentados em volta de um computador analisando modelos de uniformes para o Cheer Squad.
Na tela aparecem diferentes combinações de blusas, saias e jaquetas.
Oscar aponta para um modelo exageradamente brilhante.
— Esse aqui parece uniforme de banda pop.
Giovanna faz uma careta.
— Horrível.
Manu ri.
— Eu gostei um pouco.
— Claro que gostou. Você ainda tá na fase “tudo no cheerleading é incrível”.
Antes que Manu responda, a porta da sala se abre.
O professor Kimmich entra acompanhado de Luiza.
Nas mãos dele estão vários exemplares rasgados do Julius Diário.
O clima muda imediatamente.
Giovanna perde o sorriso.
Luiza observa Manu rapidamente, mas evita contato direto.
Kimmich coloca os jornais sobre uma mesa.
— Alguém aqui sabe o que aconteceu com isso?
Oscar se ajeita na cadeira, desconfortável.
Giovanna responde primeiro, com a expressão mais inocente possível:
— Não faço ideia.
Kimmich levanta uma das páginas rasgadas.
— Porque alguém arrancou dezenas de artigos dos jornais da escola. — Ele olha para os três com seriedade. — E isso é vandalismo.
Manu abaixa o olhar imediatamente.
Kimmich continua:
— Dependendo da situação, isso pode resultar em suspensão.
O silêncio pesa.
Manu começa a se levantar da cadeira, claramente nervosa.
— Professor, eu…
Mas Giovanna a interrompe rapidamente:
— Talvez eu saiba quem fez isso.
Manu olha para ela, surpresa.
Luiza estreita os olhos.
Kimmich cruza os braços.
— Continue.
Giovanna hesita por um instante, fingindo pensar.
— Eu vi a Leila com alguns jornais mais cedo. Ela tava agindo meio estranha.
Luiza observa Giovanna atentamente, claramente percebendo o que ela está fazendo.
Kimmich suspira.
— Entendi.
Ele pega os jornais novamente.
— Vou conversar com ela.
Antes de sair, ele olha para todos na sala.
— E vou deixar uma coisa clara: se problemas assim continuarem acontecendo, as atividades extracurriculares da Grasso podem ser suspensas.
A frase atinge todos imediatamente.
Até Giovanna parece perder um pouco da confiança.
Kimmich sai da sala com Luiza.
Antes de sair também, Luiza olha para Manu por um breve instante. Há decepção no olhar dela, mas ela não diz nada.
A porta se fecha.
O silêncio toma conta da sala.
Manu encara Giovanna, chocada.
— Você acabou de culpar a Leila.
Giovanna dá de ombros, tentando parecer tranquila.
— Era isso ou você ser suspensa.
A equipe da Grasso está reunida perto da borda da piscina, ainda em clima tenso depois da confusão com Felipe.
Maurício fala baixo com os outros garotos quando percebe Mateus se aproximando.
O grupo imediatamente fica em silêncio.
Maurício cruza os braços.
— O que você tá fazendo aqui?
Mateus para na frente deles, firme.
— Eu vim competir.
Maurício olha sério.
— Achei que você tinha escolhido o outro lado.
Mateus encara ele.
— Eu escolhi o lado certo.
Maurício balança a cabeça.
— Cara, você entregou a gente.
— Não. — Mateus mantém a calma. — Eu impedi vocês de fazerem uma coisa idiota.
O clima volta a pesar.
Maurício dá um passo à frente.
— E por que a gente deveria confiar em você agora?
Mateus olha para todos ao redor antes de responder.
— Porque eu ainda tô aqui.
Ninguém fala nada.
Mateus continua:
— Se eu realmente tivesse virado as costas pra equipe, eu já teria ido embora faz tempo.
Alguns dos garotos trocam olhares.
Mateus aproveita a atenção.
— Vocês acham mesmo que a gente precisa trapacear pra ganhar?
Maurício suspira.
— O Felipe é muito bom.
— Eu sei que ele é. — Mateus concorda. — Mas olha pra gente.
Ele aponta para os colegas.
— A gente treinou o ano inteiro pra isso.
Os garotos começam a prestar mais atenção.
— Acordando cedo, ficando horas nessa piscina, ouvindo técnico gritar no nosso ouvido…
Um deles ri baixo.
— Isso é verdade.
Mateus sorri de leve.
— Então por que agir como se já tivéssemos perdido?
O silêncio agora parece diferente.
Mais atento.
Mateus olha diretamente para Maurício.
— Se a gente ganhar trapaceando, ninguém vai respeitar essa vitória.
Ele aponta para o símbolo da Grasso estampado no agasalho.
— Mas se a gente ganhar honestamente? Aí sim vai significar alguma coisa.
Maurício abaixa um pouco a postura defensiva.
Mateus percebe e continua:
— E mesmo se a gente perder… pelo menos vai ser sabendo que a gente competiu de verdade. — Ele respira fundo antes de completar — A gente é bom. Muito bom. E eu tô cansado de ouvir vocês falando como se o Colégio Bongiovani fosse invencível.
Os meninos começam a se animar.
Mateus abre um sorriso confiante.
— Então vamos entrar naquela piscina e mostrar quem nós somos de verdade.
Maurício encara Mateus por alguns segundos.
Então finalmente solta um pequeno sorriso.
— Você fala demais.
Os garotos riem.
Mateus sorri.
— Mas funcionou.
Maurício estende a mão para ele.
— Bem-vindo de volta.
Mateus aperta a mão dele enquanto o restante da equipe começa a se animar outra vez, agora muito mais confiante para competir limpo.
Manu está pegando alguns livros no armário quando Giovanna se aproxima animada, segurando uma prancheta.
— Boas notícias. Mais duas pessoas se inscreveram pro Cheer Squad.
Manu nem olha para ela.
— Legal.
Giovanna percebe o tom frio imediatamente.
— Tá tudo bem?
Manu fecha o armário com força e finalmente encara Giovanna.
— Por que você apunhalou a Leila pelas costas?
O sorriso de Giovanna desaparece.
— Ah, isso.
Ela dá de ombros, tentando agir naturalmente.
— Eu precisava abrir mão de alguém.
Manu fica incrédula.
— Você falou dela pro professor como se ela tivesse feito tudo sozinha.
— Eu tava protegendo o time.
— Não. — Manu balança a cabeça. — Você tava protegendo você mesma.
Giovanna cruza os braços, irritada.
— Você não entende como essas coisas funcionam.
— E eu não quero entender. — Manu dá um passo para trás. — Eu não quero me envolver nisso.
A expressão de Giovanna endurece imediatamente.
— Engraçado você falar isso.
Manu franze a testa.
— O quê?
Giovanna se aproxima um pouco.
— Porque você tava lá rasgando os jornais com a gente.
Manu responde na mesma hora:
— Eu rasguei uma folha.
— Continua sendo vandalismo.
O clima pesa instantaneamente.
Manu encara Giovanna, surpresa com o tom ameaçador.
— Você tá falando sério?
Giovanna baixa a voz.
— Se você continuar abrindo a boca, eu conto pro professor Kimmich que você participou de tudo.
Manu fica alguns segundos em silêncio.
Então se aproxima de Giovana.
Manu a encara sem medo.
— Tá bom. Vamos ver em quem ele acredita.
A resposta irrita Giovanna de verdade.
— Qual é o seu problema? — Ela aponta para Manu. — Aprende a controlar essa língua.
Manu cruza os braços e encara Giovanna firme.
— E o que você vai fazer?
As duas se encaram em silêncio por alguns segundos tensos.
Mas Giovanna não responde.
Ela apenas solta uma risada irritada, pega a prancheta com força e começa a se afastar pelo corredor.
Antes de virar a esquina, ela olha para trás.
— Boa sorte entrando pro time agora.
Giovanna sai pisando duro pelo corredor.
Manu permanece parada, respirando fundo, ainda tremendo de raiva.
Mais afastada, atrás da porta parcialmente aberta de outra sala, Luiza observava toda a discussão em silêncio.
Ao perceber que Manu finalmente enfrentou Giovanna, um pequeno sorriso satisfeito surge no rosto dela antes de sair discretamente pelo corredor.
No ginásio da piscina a equipe da Grasso está reunida na borda da piscina. Os nadadores se posicionam nos blocos de partida para o revezamento 4x100 de nado borboleta.
Maurício olha para os companheiros, nervoso.
— Ok… sem pressão.
Mateus sorri de lado.
— Relaxa. A gente consegue.
Do outro lado da piscina, Felipe ajusta os óculos de natação e encara a equipe da Grasso.
O juiz ergue o apito.
— Nadadores prontos.
Silêncio.
O apito soa.
Os primeiros nadadores mergulham ao mesmo tempo, levantando uma explosão de água.
A disputa começa extremamente equilibrada. Os dois primeiros nadadores das equipes praticamente nadam lado a lado.
A cada virada, a diferença parece mínima.
Maurício se posiciona no bloco para o terceiro revezamento, respirando fundo.
Mateus se aproxima rapidamente.
— Só faz o que você treinou.
Maurício assente.
O segundo nadador da Grasso toca a borda.
Maurício mergulha.
Ele atravessa a piscina com força, tentando diminuir a vantagem mínima do Bongiovani.
A torcida grita ainda mais alto.
Maurício faz a última virada quase empatado com o adversário.
Quando toca a borda para passar o revezamento, a Grasso está em segundo lugar por muito pouco.
Mateus sobe imediatamente no bloco.
Maurício tira os óculos, ofegante.
— Vai!
Felipe mergulha pela equipe do Bongiovani ao mesmo tempo.
Os dois atravessam a piscina praticamente juntos.
As arquibancadas ficam de pé.
Mateus força cada braçada, tentando alcançar Felipe.
Na metade da piscina, ele finalmente começa a diminuir a diferença.
Maurício grita da borda:
— Isso! Vai!
Felipe percebe Mateus se aproximando e acelera também.
Os dois fazem a última virada quase empatados.
A torcida enlouquece.
Mateus respira fundo e dá tudo o que tem nas últimas braçadas.
Centímetro por centímetro, ele ultrapassa Felipe.
Até finalmente tocar a borda primeiro.
O apito toca.
A arquibancada da Grasso explode em comemoração.
Os outros nadadores abraçam Mateus quando ele sai da água, ainda sem acreditar.
— Você conseguiu!
— Cara, aquilo foi absurdo!
Mateus ri sem fôlego enquanto tenta recuperar a respiração.
Do outro lado, Felipe sai da piscina e caminha até ele.
Maurício fica tenso por um instante, mas Felipe apenas estende a mão.
Mateus aperta.
Felipe sorri, cansado, mas sincero.
— Você nada muito.
Mateus ri.
— Valeu.
Felipe continua:
— E, sinceramente? Você também é uma ótima pessoa.
Mateus fica surpreso com o comentário.
Felipe dá um leve sorriso.
— Pouca gente teria feito o que você fez hoje.
Mateus abaixa a cabeça, meio sem jeito.
— Eu só fiz o certo.
Felipe concorda.
— Exatamente.
Os dois trocam um último olhar respeitoso antes de Felipe voltar para sua equipe.
Maurício se aproxima de Mateus logo depois.
— Tá… talvez você estivesse certo o tempo todo.
Mateus sorri.
— Eu vou guardar essa frase pra sempre.
Maurício ri e empurra o ombro dele.
A equipe da Grasso comemora unida enquanto deixa a piscina de cabeça erguida, orgulhosa por ter vencido jogando limpo.
Mateus olha pra Gaby que está na arquibancada, ela sorri pra ele.
Mais tarde naquele dia, a rua da casa de Manu está silenciosa, iluminada apenas pelos postes começando a acender.
Manu está sentada no portão de casa, abraçando os joelhos e olhando distraída para o movimento da rua.
Ela parece cansada depois de tudo o que aconteceu.
Passos se aproximam pela calçada.
Manu levanta os olhos e vê Luiza parando em frente ao portão.
Por um instante, as duas ficam em silêncio.
Luiza olha para Manu.
— Posso sentar aí?
Manu hesita por um segundo, mas responde suavemente:
— Pode.
Luiza se senta ao lado dela no portão.
O silêncio volta, desconfortável no começo.
Então Luiza respira fundo.
— Eu queria pedir desculpa.
Manu olha para ela.
— Pelo artigo?
Luiza faz que sim.
— E por… praticamente tudo.
Ela dá uma risada curta, sem humor.
— Eu agi muito mal.
Manu abaixa o olhar.
— Tá tudo bem.
— Não, não tá. — Luiza balança a cabeça. — Eu devia ter te apoiado.
Ela olha diretamente para Manu.
— Você tava feliz com esse negócio de líder de torcida, e eu só fiquei atacando.
Manu solta um pequeno suspiro.
— Você não precisa pedir desculpa. O time era cheio de garotas falsas mesmo. O tempo todo parecia competição por atenção e pompom.
Luiza faz uma careta divertida.
— Ainda odeio pompom.
As duas riem de leve pela primeira vez.
Mas Luiza continua séria logo depois.
— Mesmo assim, eu peguei pesado.
Manu fica alguns segundos em silêncio antes de falar:
— Eu só queria entrar pro time e me divertir Aí, de repente, tudo virou um drama gigantesco.
Luiza concorda lentamente.
— A escola inteira virou uma novela essa semana.
Manu ri pelo nariz.
Então Luiza pergunta:
— Você ainda vai tentar entrar pro time?
Manu faz uma careta.
— Depois do que eu falei pra Giovanna? Acho impossível ela me aceitar agora.
Luiza imediatamente balança a cabeça.
— A Giovanna pode até ser má às vezes… mas ela não é burra.
Manu olha para ela, confusa.
— Como assim?
— Seria muito idiota cortar a melhor pessoa do time só porque vocês brigaram.
Manu acaba sorrindo de leve.
Luiza continua.
— E, sinceramente? Você foi muito legal hoje. — Luiza sorri. — Finalmente alguém enfrentou a Giovanna sem parecer que ia desmaiar.
Manu ri de verdade dessa vez.
— Eu tava quase desmaiando.
— Mas não desmaiou.
As duas ficam em silêncio por alguns segundos, agora muito mais leves.
Então Manu olha para Luiza e sorri.
Luiza sorri de volta.
Pela primeira vez em dias, parece que as duas finalmente voltaram a ser amigas de verdade.
Este episódio recebeu o nome da música de 1989 “Jogo de Cintura”, de Elba Ramalho.
Sinopse do Próximo Capítulo – Grasso Show
Sophia e Stefy querem participar do Grasso Show, então elas formam uma banda. Giovanna quer estar na banda e usa o hobby de Stefy para leitura de cartas de tarô para enganar Sophia e deixá-la entrar. Enquanto isso, Luiza e Edu também participa do Grasso Show e faz uma dança interpretativa para simbolizar a caça ilegal de animais ameaçados de extinção.
Atualizado em: Seg 10 Ago 2026
