- Drama
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Grasso: A Próxima Geração 114 – Crash! Boom! Bang!
Gaby se arrumava para ir à escola. Ela passava rímel diante do espelho quando Mateus entrou em seu quarto.
— Bom dia, Gabyzinha.
Gaby olhou para o irmão pelo reflexo do espelho.
— O que você quer, Mateus?
— Ué, não posso mais dar bom dia para a minha irmã favorita?
Ela parou de passar o rímel e se virou para encará-lo.
— Você só me chama de Gabyzinha quando quer alguma coisa.
Mateus sorri.
— Não é verdade. Eu só vim ver se você já está pronta.
Gaby fechou a maquiagem e guardou as coisas na penteadeira.
— Estou. Já vou descer.
Mateus se virou para sair.
— Vou te esperar lá embaixo. — Ele parou na porta e olhou para trás. — Ah, mais uma coisa... O Kauã perguntou se você pode ficar no meu lugar sábado no Luca’s.
Gaby revirou os olhos na mesma hora.
— Eu sabia. Sabia que você queria alguma coisa.
Mateus abriu um sorriso sem culpa.
— Eu tenho um compromisso.
— Mateus, você sabe que eu gosto de te ajudar, mas sábado não dá. Vou sair com o Rick.
Mateus virou o rosto para ela, arqueando uma sobrancelha.
— E você não pode adiar?
Gaby começou a empurrá-lo de leve para fora do quarto.
— Não. E agora vamos, porque eu não quero me atrasar pra aula.
Mateus ainda resistiu um pouco na porta e olhou para ela com curiosidade.
— Você gosta mesmo do Rick?
Gaby parou por um segundo.
— Sim.
Mateus estreitou os olhos.
— Tipo... gosta mesmo?
Ela soltou um suspiro, já sabendo onde aquilo ia dar.
— Sim.
— E está apaixonada?
Gaby desvia o olhar, mas acabou balançando a cabeça.
— Sim.
Mateus fez uma careta dramática, como se tivesse acabado de ouvir uma tragédia.
Gaby franziu a testa.
— O que foi?
Mateus apontou para ela.
— O Rick é gente boa, mas... você sabe o que acontece toda vez que você se apaixona, né? Crash! Boom! Bang!
Gaby revirou os olhos e deu um empurrãozinho nele.
— Não inventa. Agora anda logo, Mateus.
Mateus riu enquanto saía do quarto.
— Só estou dizendo!
Gaby pegou a mochila e saiu atrás dele, ainda balançando a cabeça com um sorriso de leve.
Personagens Principais
Gaby Merino
Mateus Merino
Luiza Souza
John Doho
Stefy Prioste
Sophia Rodrigues
André Kimmich
Edu Mariano
JP Djanikian
Giovanna Kuhlmann
Rick dos Anjos
Daniel Fernandes
Na casa de Rick, ele mexia no motor da moto de seu irmão, Vinícius. Enquanto isso, Vinícius fazia perguntas sobre matéria de informática e mídia digital para ajudá-lo.
— Quando foi transmitida a primeira imagem a cores na televisão?
Rick pensou por um instante.
— Ah, essa eu não lembro.
Vinícius respondeu:
— 1954.
Ele fez outra pergunta.
— Em que ano o Orkut foi criado?
Rick franziu a testa, pensando por alguns segundos.
— 2007?
— Quase. Foi em 2004 — Vinícius respondeu.
Rick soltou o ar pelo nariz, irritado.
— Quase não vale em prova.
Rick, frustrado, bateu a chave de fenda no chão com força.
Vinícius se levantou e se aproximou.
— Ei, não se cobra tanto. Essas datas são difíceis de decorar mesmo. — Ele olhou para o motor da moto. — E, aliás, essa parte você está fazendo errado. Deixa eu te mostrar.
Rick se afastou e deu espaço. Vinícius se sentou ao lado da moto e começou a mexer no motor.
Depois de alguns segundos em silêncio, Vinícius falou, num tom mais cuidadoso:
— Então... a mãe ligou. Ela parou de beber.
Rick fechou os olhos por um instante, claramente irritado.
— Que bom para ela.
Vinícius hesitou antes de continuar.
— É... eu só estou te avisando porque ela queria falar com você. O que significa que ela vai ligar de novo e...
Rick o interrompeu, já sem paciência:
— E ela vai querer falar comigo sobre voltar a morar com eles em Floripa. Bom, isso não vai acontecer, tá? Esquece.
Vinícius ficou em silêncio por alguns segundos.
— Rick...
Rick se levantou de repente.
— Eu não vou voltar!
Ele chutou uma caixa de ferramentas, fazendo algumas peças caírem no chão.
Vinícius também se levantou.
— Ei, calma.
Rick começou a andar de um lado para o outro, passando a mão no cabelo, nervoso.
— Eu só não quero voltar.
Vinícius o observou em silêncio por um momento. Então se aproximou devagar, sem pressioná-lo. Os dois acabaram se sentando lado a lado.
— Rick, não se preocupa com a mãe, tá? — disse Vinícius, em um tom mais leve. — Você não precisa voltar se não quiser. Só continua fazendo a sua parte, sem se meter em problemas, tirando notas boas... e vai ficar tudo bem.
Rick ficou em silêncio por alguns segundos, depois balançou a cabeça, concordando.
No corredor da escola, perto do refeitório, Mateus, Luiza e Kamilly estavam atrás de uma mesa improvisada com um cartaz colorido escrito: Comitê De Ação Ambiental – Faça Parte!
Algumas folhas de inscrição estavam espalhadas sobre a mesa, mas o movimento não estava grande.
Mateus tentava chamar a atenção dos alunos que passavam.
— Gente, vamos lá! Participar do comitê não dói, eu juro!
Dois alunos passaram direto sem nem olhar. — Mateus suspirou. — Tá, talvez doa um pouco, mas é por uma boa causa.
Kamilly cruzou os braços.
— Seu discurso está péssimo.
Mateus olhou para ela.
— Ah, e o seu estava incrível? Você literalmente falou “venham salvar o planeta” como se fosse o fim do mundo.
Kamilly deu de ombros.
— Porque meio que é.
Luiza, que organizava as fichas, balançou a cabeça rindo de leve.
Antes que ela respondesse, uma voz conhecida surgiu atrás deles.
— Então é aqui que faz inscrição?
Os três olharam ao mesmo tempo.
Era Bia.
Luiza imediatamente ficou séria.
Kamilly arregalou os olhos e olhou discretamente para Mateus.
Bia se aproximou com um sorriso meio debochado de sempre, mexendo no cabelo.
— E aí? Ainda dá tempo ou vocês já desistiram de salvar o planeta?
Mateus abriu um sorriso educado.
— Claro que dá. Quer entrar?
Bia apoiou os cotovelos na mesa, olhando direto para ele.
— Talvez.
Kamilly levantou uma sobrancelha, observando a cena como quem já estava montando teorias.
Mateus pegou a ficha.
— É só preencher aqui.
Bia pegou a caneta, mas antes de escrever, olhou para ele.
— Você também faz parte?
— Sou um dos organizadores.
Bia sorriu de canto.
Luiza, que até então estava quieta, pegou outra pilha de papéis e começou a organizá-los com força demais.
Kamilly percebeu na hora e se inclinou discretamente na direção de Luiza.
— Ah, meu Deus.
Luiza continuou mexendo nos papéis sem olhar para ela.
— O quê?
Kamilly abaixou a voz.
— Ela não veio pelo planeta.
Luiza finalmente olhou para ela.
— Para de viajar.
Kamilly fez cara de quem estava analisando uma cena de filme.
— Luiza, por favor. Ela está olhando para o Mateus como se estivesse em um comercial de perfume.
Luiza soltou um riso curto.
— Tanto faz.
Na frente deles, Bia terminou de preencher a ficha e a entregou para Mateus.
— Pronto.
Mateus pegou a ficha.
— Legal. Bem-vinda ao comitê.
Bia sorriu.
— Obrigada. Espero que as reuniões sejam interessantes.
Ela olhou rapidamente para Mateus antes de se afastar.
Assim que Bia saiu, Kamilly se virou devagar para Luiza.
Luiza abaixou a cabeça, séria.
Gaby caminhava pelo corredor ao lado de Stefy, conversando enquanto segurava alguns livros contra o peito.
— Eu estou te falando, se essa prova de matemática vier daquele jeito de novo, eu vou simplesmente fingir desmaio — Stefy disse, arrancando uma risada de Gaby.
Antes que Gaby pudesse responder, Rick apareceu no corredor e se aproximou delas.
— Ei.
Ele deu um beijo rápido em Gaby, fazendo Stefy abrir um sorrisinho discreto e olhar para o outro lado, como quem não queria atrapalhar.
Rick olhou para Gaby.
— Você falou que ia me ajudar a estudar para a prova, lembra?
Gaby sorriu.
— Lembro, sim.
Ela inclinou a cabeça, observando o jeito meio preocupado dele.
— O quê? Está surtando por causa de qual matéria? Informática e mídia digital?
Rick soltou um riso curto e passou a mão no cabelo.
— Com certeza. Aquela matéria parece fácil até você ver a prova.
Os três começaram a andar pelo corredor juntos.
Rick olhou para Gaby de lado.
— Mas falando sério... você acha que eu consigo passar?
Gaby sorriu de canto.
— Com a minha ajuda? Com certeza.
Rick sorri, Gaby passou o braço pelo dele enquanto os três continuavam andando pelo corredor, em meio ao barulho dos outros alunos indo para as salas.
Em seguida, Rick estava em seu armário ao lado de Gaby, pegando alguns livro.
John passou pelo corredor. Ao ver Rick, ele desacelerou e soltou, em tom debochado:
— E aí, Rick? Preparado para fazer o oitavo ano de novo?
Gaby imediatamente olhou para John, sem gostar do comentário.
Rick ficou sério na mesma hora. Ele bateu a porta do armário com força, fazendo Gaby se assustar levemente.
— O que foi que você disse?
John parou de andar e se virou, com aquele sorriso irritante de quem sabia exatamente o que estava fazendo.
— Calma, cara. Eu só estava brincando. Vai que você repete, né?
Rick deu um passo à frente, encarando John.
— Ninguém perguntou nada.
O sorriso de John diminuiu por um instante, mas ele ainda levantou as mãos em falsa inocência.
— Nossa, relaxa. Não precisa surtar. Só fiz uma piada.
Rick continuou encarando-o, sério.
— Então guarda suas piadas pra você.
Por um segundo, o corredor pareceu ficar em silêncio entre os dois.
John soltou um riso sem graça, levantando as mãos de novo.
Ele se virou e saiu andando pelo corredor.
Mais tarde, Rick caminhava apressado pelo corredor, quando encontrou Mateus no caminho.
— Anda logo! — disse Mateus, acelerando o passo. — não podemos nos atrasar.
Rick correu, tentando acompanhá-lo.
— Relaxa, ainda nem bateu o sinal.
— É, mas eu prefiro não testar a sorte.
Os dois entraram rapidamente na sala de português, onde os alunos já estavam sentados. Na frente da sala, o diretor Daniel estava ao lado da professora Jéssica e Raquel.
Daniel sorriu para a turma.
— Bom dia, pessoal. Antes de começarmos, quero dar as boas-vindas de volta à professora Jéssica, que estava de licença.
Alguns alunos bateram palmas de leve, e Jéssica sorriu, agradecida.
Daniel continuou:
— E também quero agradecer à professora Raquel, que a substituiu durante esse período.
Raquel sorriu para a turma e fez um aceno discreto.
Daniel deu um sorriso antes de abrir a porta.
— Tenham uma boa aula.
Ele saiu da sala ao lado de Raquel, deixando Jéssica sozinha com a turma.
Antes que ela começasse a aula, Sophia levantou a mão.
— Professora... eu sei que talvez não seja da minha conta, mas... está tudo bem?
A sala ficou em silêncio, e alguns alunos olharam curiosos.
Jéssica abriu um sorriso, visivelmente tocada pela pergunta.
— Está, sim. Obrigada por perguntar. Meu marido terminou toda a quimioterapia e está melhorando a cada dia.
Ela então olhou para a turma com um sorriso mais animado.
— Agora... vocês estão preparados para a prova?
Na mesma hora, vários alunos fizeram cara de desânimo.
Mateus deixou a cabeça cair sobre a mesa.
— Professora, não estraga o clima assim...
A turma soltou algumas risadas.
Jéssica cruzou os braços.
— Não façam esse drama todo. Só falta mais uma prova.
Nesse momento, Oscar levantou a mão.
— Professora... eu não estou me sentindo muito bem. Posso ir até a enfermaria?
Jéssica olhou para ele, preocupada.
— Claro, Oscar. Vai lá.
Ela pegou um papel para autorizar a saída e entregou a ele.
— E eu espero que você não esteja pegando essa gripe, porque já tem gente demais espirrando nessa escola.
Alguns alunos riram, enquanto Oscar pegava sua mochila devagar.
Mais tarde, Gaby estava sentada na sala da casa de Rick, olhando ao redor enquanto segurava a mochila no colo.
Rick apareceu na sala com pressa, segurando alguns cadernos.
— Eu só vou pegar uma coisa no meu quarto. Me espera aqui, já volto.
Gaby assentiu.
— Tá bom.
Rick saiu rapidamente, e Gaby ficou sozinha por alguns segundos, observando a sala em silêncio.
Foi então que Vinícius apareceu vindo da cozinha. Ao vê-la, ele sorriu de leve.
— Você é a Gaby, né?
Gaby olhou para ele e sorriu educadamente.
— Sou, sim.
Vinícius se aproximou um pouco, ainda com um sorriso simpático.
— Ah, então finalmente estou conhecendo a famosa Gaby.
Gaby riu, sem jeito.
— Famosa?
Vinícius deu de ombros.
— O Rick fala de você mais do que ele admite.
Gaby abaixou o olhar, sorrindo de canto.
— Ah...
Vinícius encostou na parede, ficando mais sério.
— Na verdade... eu queria te agradecer.
Gaby franziu a testa, surpresa.
— Me agradecer? Pelo quê?
Vinícius respirou fundo antes de responder.
— Por ser uma boa influência para ele.
Gaby piscou, sem entender.
— Como assim?
Vinícius olhou rapidamente na direção do corredor, como se quisesse ter certeza de que Rick ainda não estava ouvindo.
— O Rick passou por umas coisas complicadas... e, sei lá, esse ano ele não se meteu em problemas. Isso já é muita coisa.
Gaby ficou claramente confusa.
— Problemas?
Vinícius percebeu na mesma hora a expressão dela e pareceu se arrepender de ter falado demais.
— Não, esquece. É passado. Não é nada com que você precise se preocupar.
Gaby continuou olhando para ele.
Rick desceu as escadas com os cadernos na mão.
Ele olhou de um para o outro, desconfiado.
— Tá, o que está acontecendo aqui?
Vinícius respondeu rápido demais:
— Nada. Então... vocês vão mesmo estudar juntos ou isso é desculpa pra ficar conversando?
Rick soltou uma risada curta.
— Vamos estudar.
Ele pegou a mochila de Gaby antes que ela protestasse.
— Vamos pra cozinha.
Gaby se levanta e os dois saem.
Enquanto isso na escola, acontecia a reunião do Comitê De Ação Ambiental.
Mateus estava em pé na frente, segurando algumas folhas. Kamilly mexia no notebook, enquanto Luiza organizava anotações na mesa.
Alguns alunos conversavam baixo, até que Mateus bateu palmas para chamar a atenção.
— Tá, gente, foco! Vamos começar.
As conversas diminuíram.
Mateus olhou para as folhas.
— O problema de hoje é o mal cheiro que está vindo da fábrica de curtume de bovinos lá próximo do shopping. Tem um monte de gente reclamando, principalmente quem mora naquela região.
Kamilly fez uma careta.
— E com razão, né? O negócio fede até aqui.
Alguns alunos riram.
Luiza cruzou os braços, entrando no assunto.
— O problema é sério. Não é só o cheiro ruim. Se tiver descarte irregular, pode estar afetando o rio também.
Alguns alunos assentiram.
Nesse momento, a porta da sala se abriu.
Bia entrou.
A conversa morreu na hora.
Luiza ficou séria imediatamente.
Bia olhou ao redor como se não se importasse com o clima estranho.
— Oi. Ainda dá tempo?
Kamilly arregalou os olhos e olhou discretamente para Luiza.
Mateus piscou, surpreso.
— Ah... sim. Claro.
Bia entrou puxou uma cadeira e sentou.
Luiza soltou um riso curto.
— Sério?
Bia olhou para ela.
— O quê?
Luiza fechou a pasta com um pouco mais de força do que precisava.
— Nada. Só achei que você tivesse confundido a sala.
Bia arqueou uma sobrancelha.
— Não. Eu sei exatamente onde estou.
O clima ficou pesado por um segundo.
Mateus percebeu na hora e se apressou em intervir.
— Ei, calma. Todo mundo pode participar, lembra?
Luiza virou o rosto para ele.
— Ah, claro. Porque ela super se importa com o meio ambiente.
Bia cruzou os braços.
— E você decidiu isso porque...?
Luiza deu de ombros.
— Porque até semana passada você estava zoando esse comitê no corredor.
Alguns alunos trocaram olhares desconfortáveis.
Bia inclinou a cabeça.
— E se eu mudei de ideia?
Mateus deu um passo à frente, tentando evitar que aquilo virasse briga.
— Gente, sério. Vamos respirar. — Ele olhou para Luiza com mais firmeza. — Luiza, a ideia do comitê não era justamente ouvir pessoas e tentar fazer alguma coisa?
Luiza ficou em silêncio por alguns segundos.
Por fim, soltou o ar e se recostou na cadeira.
— Tá. Mas se ela estiver aqui só para causar, eu vou perceber.
Bia sorriu de canto.
— Nossa, que recepção calorosa.
Kamilly finalmente falou:
— Tá bom, antes que isso vire um reality show... a gente pode voltar ao problema do cheiro?
Alguns alunos riram, quebrando a tensão.
Mateus agradeceu mentalmente.
— Certo. Ideias. Alguém?
E a reunião finalmente continuou... embora a tensão entre as duas ainda estivesse bem longe de acabar.
Gaby e Rick estão estudando na cozinha.
— Tá, presta atenção — disse Gaby, apontando para o caderno. — digital não é só internet e redes sociais. É qualquer meio digital usado para criar, compartilhar ou acessar informação.
Rick apoiou o rosto na mão.
— Nossa, você fala igual professora.
Gaby revirou os olhos.
— Cala a boca e presta atenção.
Rick sorriu.
— Tá bom, professora Gaby.
Ela ignorou a provocação e continuou.
— E como eu sou péssima para decorar essas coisas, eu criei uma técnica.
Rick arqueou uma sobrancelha.
— Lá vem.
Gaby apontou para as palavras anotadas no caderno.
— Eu associo cada conceito a uma imagem ou frase engraçada. Tipo um código mental. Aí fica mais fácil lembrar na hora da prova.
Rick olhou para ela, impressionado.
— Nossa... você é muito nerd.
Gaby pegou um pano de prato que estava sobre a mesa e jogou nele.
— Ei!
Rick riu e jogou o pano de volta.
Gaby pegou o pano no ar e, sorrindo, jogou de novo.
Rick sorri.
— Ah, então é assim? Você não quer se meter comigo, não. Eu sou uma grande encrenca.
Gaby segurou o pano, ainda sorrindo... mas então a expressão dela mudou de leve.
Ela se lembrou do que Vinícius havia dito mais cedo.
— Falando nisso. O Vinícius me agradeceu mais cedo.
Rick olha confuso.
— Pelo que?
— Por manter você longe de problemas.
— Como assim?
— Ele comentou que você passou por umas coisas complicadas... e que esse ano você não se meteu em problemas.
Rick ficou imóvel por um instante.
O clima leve da brincadeira desapareceu.
— Foi aquele negócio que eu te falei, sobre eu ter agredido um garoto em Floripa.
Gaby balança a cabeça.
— Eu imaginei que fosse isso.
Ele se levantou da cadeira, frustrado, passando a mão no rosto.
— Ele não tinha o direito de te falar isso.
Gaby levantou a mão rapidamente.
— Ei, calma. Ele só comentou.
Rick respirou fundo, claramente tentando controlar a irritação.
— Ele não sabia que eu tinha te contado.
Gaby se aproxima.
— Ei tudo bem, não fique irritado por isso.
Rick passou a mão no cabelo, visivelmente desconfortável.
— Às vezes eu fico muito irritado. Muito mesmo. E naquela época... eu não sabia lidar com isso.
Ele finalmente olhou para ela.
— Mas eu estou trabalhando nisso.
A cozinha ficou em silêncio por alguns segundos.
Gaby olhou para ele com atenção.
Ela coloca a mão em seu ombro.
— Esquece isso, vamos voltar aos estudos.
Rick concorda balançando a cabeça.
Os dois se sentam à mesa
De volta à escola, a reunião do comitê de meio ambiente continuava. Algumas folhas estavam espalhadas pela mesa, e o quadro já estava cheio de ideias rabiscadas.
Mateus andava de um lado para o outro com uma caneta na mão.
— Tá, então a gente já falou de abaixo-assinado, denúncia e pesquisa... mas ainda falta uma coisa.
Kamilly olhou para ele.
— O quê?
Mateus apontou para o quadro.
— Chamar atenção. Se ninguém falar sobre isso, ninguém vai ligar.
Luiza assentiu.
— A gente precisa fazer as pessoas se importarem.
Um garoto no fundo levantou a mão.
— Tipo cartazes?
— Ou vídeo pra internet — sugeriu Kamilly.
Mateus fez que sim.
— Exato. Alguma campanha que chame atenção.
A sala ficou em silêncio por alguns segundos, até que Bia levantou a mão.
Todo mundo olhou para ela.
Luiza cruzou os braços imediatamente.
— Lá vem.
Bia ignorou.
— O problema é o cheiro, certo?
Kamilly fez uma careta.
— Infelizmente, sim.
Bia se inclinou na cadeira, pensando.
— Então por que a campanha não gira em torno disso?
Mateus franziu a testa, curioso.
— Como assim?
Bia apontou para o quadro.
— Tipo... uma frase direta. Algo que grude na cabeça das pessoas.
Ela pensou por um segundo antes de sorrir.
— “Pare com o Mau Cheiro”.
A sala ficou em silêncio por um instante.
Kamilly arregalou os olhos.
— Ok... isso é meio bom.
Mateus repetiu em voz alta, como se testasse.
— “Pare com o Mau Cheiro”...
Ele olhou para os outros.
— É simples. E todo mundo vai entender na hora. — Bia completou.
Mateus começou a se animar.
— A gente pode fazer cartazes, posts, talvez gravar vídeos curtos...
Bia já estava empolgada.
— E colocar frases tipo “Nossa cidade não merece isso” ou “Respirar não deveria ser um problema”.
Mateus olhou para Bia, animado.
— Não, sério. Isso pode funcionar.
Luiza continuava em silêncio, observando a cena.
Mateus virou para ela.
— O que você acha?
Luiza hesitou por um segundo. Claramente não queria admitir.
— Eu acho... — ela soltou o ar — que a ideia é boa.
Bia sorriu de canto.
Kamilly bateu palmas.
— Pronto. Temos um nome oficial.
Mateus virou para o grupo.
— Então a partir de hoje, essa é a nossa campanha.
Bia levantou a mão de novo.
— Eu posso ajudar com os posts.
Mateus sorriu.
— Ótimo. Eu posso montar a parte do anúncio com você.
Luiza imediatamente levantou o olhar.
— Legal. Ótimo. Maravilhoso.
Mateus nem percebeu o tom.
— Então ficou combinado.
Bia sorriu, claramente satisfeita.
Kamilly se aproximou de Luiza e murmurou baixinho:
— Você está apertando esse papel tão forte que ele vai pedir socorro.
Luiza forçou um sorriso.
— Eu estou ótima.
Kamilly olhou para ela por um segundo.
— Mentira.
Luiza bufou, enquanto na frente da sala Mateus e Bia continuavam discutindo ideias para a campanha.
E, pela primeira vez naquela reunião, parecia que o comitê realmente tinha encontrado um plano... mesmo que isso estivesse irritando Luiza mais do que ela queria admitir.
No dia seguinte, Rick e Gaby estavam sentados lado a lado na sala de informática, diante dos computadores, esperando o início da prova final de informática e mídia digital.
Os alunos conversavam baixo, alguns mexendo nervosamente no mouse, outros encarando a tela como se ela pudesse dar respostas sozinha.
Gaby olhou de lado para Rick.
— E aí... está nervoso?
Rick soltou um riso curto.
— Muito.
Gaby sorriu de leve.
O professor Kimmich entrou animado, como sempre, carregando uma pasta debaixo do braço.
— Bom dia, turma!
Alguns alunos responderam em coro, meio desanimados:
— Bom dia...
Kimmich olhou para a sala e abriu um sorriso.
— Nossa, que animação contagiante. Estou até emocionado.
Alguns alunos riram.
O professor foi até a frente da sala.
— Muito bem, pessoal. Hoje é a prova final de informática e mídia digital.
No mesmo instante, alguns alunos soltaram suspiros dramáticos.
Kimmich continuou:
— Como vocês já sabem, a prova será feita online. — Ele apontou para os computadores. — Então, por favor, abram a página do teste.
Os alunos começaram a clicar e digitar. O barulho dos teclados tomou conta da sala.
Kimmich caminhou entre as fileiras, olhando as telas.
Ele parou no centro da sala.
— Ótimo. Agora vou passar o login e a senha.
Os alunos ficaram atentos.
Kimmich falou pausadamente:
— A senha é “remédioalternativo”, tudo em minúsculo.
Alguns alunos começaram a digitar rapidamente.
Urso no fundo levantou a mão.
— Professor, com acento?
Kimmich sorriu.
— Sim, com acento. E tudo em minúsculo.
Mais teclados começaram a bater.
Depois de esperar alguns segundos, ele voltou a falar:
— Vocês terão 45 minutos para completar o teste. O sistema encerra automaticamente quando o tempo acabar.
Kimmich continuou andando entre as mesas, dando uma última olhada nas telas.
— Todo mundo conseguiu entrar?
A turma respondeu em coro:
— Sim.
Kimmich assentiu, satisfeito.
Ele foi até a frente da sala mais uma vez.
— Então... boa sorte.
A sala ficou em silêncio.
Rick olhou rapidamente para Gaby.
Ela sorriu de canto.
Mais tarde, a sala de informática estava em completo silêncio, interrompido apenas pelo som dos teclados e dos cliques dos mouses.
Na tela, o cronômetro marcava os últimos segundos da prova.
Rick apertava o mouse nervosamente, os olhos correndo de uma pergunta para outra.
Na tela, os segundos continuaram descendo.
O tempo acaba, a tela travou por um instante.
Então apareceu a mensagem:
Tempo encerrado. Sua prova foi enviada automaticamente.
Rick ficou imóvel por um segundo.
— Não! — ele soltou, frustrado, se recostando na cadeira. — Eu ainda não terminei!
Alguns alunos olharam para ele.
Stefy, sentada na fileira ao lado, virou a cadeira um pouco e arqueou uma sobrancelha.
— Rick... a gente tinha quarenta e cinco minutos pra fazer a prova, lembra?
Rick ainda encarava a tela, incrédulo.
— Eu sei, mas eu ainda não terminei!
Stefy deu um sorriso, cruzando os braços.
— Pois é. E agora o tempo acabou.
Rick fechou os olhos e passou a mão no rosto, soltando um suspiro irritado.
Mais tarde, os alunos começaram a sair da sala de informática, ainda comentando sobre a prova.
Rick e Gaby caminhavam pelo corredor de mãos dadas, mas Rick estava em silêncio, com a mandíbula travada e o olhar fixo no chão.
Gaby olhou para ele de lado.
— Ei... não foi tão ruim assim.
Rick olhou para ela.
— Gaby, eu nem consegui terminar.
Ela apertou a mão dele de leve.
— Tá, mas isso não significa que você foi mal.
Rick finalmente olhou para ela, frustrado.
— Significa, sim.
— Não significa.
Rick balançou a cabeça, irritado.
— Você não entende.
Gaby franziu a testa.
— Então me explica.
Rick soltou a mão dela e passou a mão no rosto, já mais agitado.
— Eu estou ferrado, Gaby.
— Não fala isso.
— É sério!
Alguns alunos passaram por eles, e Rick abaixou um pouco a voz, mas continuou claramente irritado.
— Você não sabe como é. Tudo que eu tento fazer dá errado.
Gaby olhou para ele, surpresa.
— Rick...
Ele a interrompeu.
— Eu só quero ficar sozinho, tá?
Gaby olhou para ele, preocupada.
Rick sai.
Virando no corredor seguinte, longe dos outros, Rick bateu com força na porta de um armário, soltando toda a frustração de uma vez.
O barulho ecoou pelo corredor.
Rick fechou os olhos na mesma hora, respirando pesado, tentando se acalmar.
Na manhã seguinte, Rick estava em frente ao seu armário, mexendo na tranca com certa impaciência.
Ele girou o cadeado uma vez, depois outra.
Nada.
Foi então que John apareceu no corredor, desacelerando ao vê-lo.
Ele sorriu de canto.
— O que foi, Rick? Esqueceu a senha?
Rick não respondeu, continuando a mexer no cadeado.
John se aproximou um pouco mais.
— Talvez você devesse pedir ajuda pro Urso. Vai que dois burros se entendem.
Rick congelou por um segundo.
Devagar, ele se virou para John, encarando-o.
— Isso foi uma piada?
John abriu um sorriso debochado.
— Sim. Relaxa, cara.
Rick fechou a porta do armário com força.
— Eu já falei pra você parar de me provocar.
John levantou as mãos, fingindo inocência.
— Beleza, cara. — Ele continua com aquele sorriso irritante. — Qual é o seu problema?
Rick deu um passo na direção dele.
— Qual é o meu problema?
John arqueou uma sobrancelha.
— Você entende português ou não?
Rick se aproximou ainda mais, agora claramente irritado.
— Você acha que eu sou burro?
John perdeu um pouco o sorriso, mas tentou manter a pose.
— Não. — Ele inclinou a cabeça. — Eu só acho você meio esquisito.
Foi o suficiente.
Rick empurrou John com força contra os armários.
O barulho metálico ecoou pelo corredor.
Alguns alunos pararam na mesma hora.
John arregalou os olhos e empurrou Rick de volta.
— Qual é a sua?!
Rick já ia avançar de novo quando uma voz firme cortou o corredor.
— Ei! Parou!
O professor Rocky apareceu rapidamente, se colocando entre os dois.
Ele olhou de Rick para John, sério.
— O que está acontecendo aqui?
Rick respirava pesado, tentando esconder a raiva.
John ajeitou a blusa, ainda irritado.
Por um segundo, ninguém respondeu.
Rick falou primeiro:
— Nada. A gente estava só brincando.
Rocky estreitou os olhos, claramente sem acreditar.
— Então vamos maneirar nessa “brincadeira”, certo?
Rick assentiu sem olhar para ele.
— Certo.
John murmurou:
— Tá.
Rocky saiu pelo corredor, ainda desconfiado.
John soltou o ar e começou a se afastar.
— Você é maluco.
Rick o segurou pelo braço com força, puxando-o de volta.
John virou na mesma hora, assustado.
Rick apontou o dedo para ele, com a voz baixa e séria.
— Depois da aula.
John engoliu em seco, tentando disfarçar.
Rick soltou o braço dele e saiu andando pelo corredor sem olhar para trás.
John ficou parado por um segundo, ajeitando a blusa amassada e respirando fundo.
Então virou e saiu pelo corredor oposto.
O comitê de meio ambiente estava reunido mais uma vez.
Mateus estava em pé na frente da sala, segurando a pilha de papéis.
— Então... conseguimos bem mais assinaturas do que eu esperava.
Kamilly sorriu, orgulhosa.
— Porque ninguém gosta de sentir cheiro de curral às sete da manhã.
Alguns alunos riram.
Mateus levantou as folhas.
— Isso aqui já é alguma coisa. Mas a pergunta agora é: o que a gente faz com isso?
Um garoto no fundo levantou a mão.
— Entrega na prefeitura?
Luiza assentiu na mesma hora.
— Sim. Ou manda para a secretaria do meio ambiente. Isso faz mais sentido.
Bia, sentada de braços cruzados, inclinou a cabeça.
— Ou a gente pode levar direto na fábrica.
Luiza já fechou a cara.
Mateus franziu a testa, pensando.
— Direto na fábrica?
Bia assentiu.
— É. A gente vai lá, entrega a petição e fala com alguém responsável.
Kamilly arregalou os olhos.
— Tipo... pessoalmente?
Bia deu de ombros.
— Sim. Vai chamar muito mais atenção do que só mandar um papel e torcer para alguém ler.
Luiza interrompeu, incrédula.
— Não. Isso é uma ideia péssima.
Todo mundo olhou para ela.
Luiza se endireitou na cadeira.
— A gente é um grupo de alunos. O que exatamente vocês acham que vai acontecer? O dono da fábrica vai sair, pedir desculpas e resolver tudo?
Bia cruzou os braços.
— Pelo menos a gente estaria fazendo alguma coisa.
Luiza olhou sério pra Bia.
— Isso não é “fazer alguma coisa”, Bia. Isso é improvisar sem pensar.
Bia arqueou uma sobrancelha.
— E ficar esperando burocracia resolver tudo também não parece muito eficiente.
Mateus entrou no meio antes que a discussão crescesse.
— Ei, calma.
Luiza virou o rosto para ele.
— Mateus, fala sério. Você acha mesmo que isso é uma boa ideia?
Mateus hesitou por um segundo.
— Eu acho que... pode funcionar.
Luiza ficou olhando para ele, surpresa.
— Sério?
Mateus tentou explicar.
— Não estou dizendo que a gente vai lá brigar com ninguém. Só entregar a petição, mostrar que tem gente incomodada...
Bia completou:
— E provar que não vamos simplesmente ficar quietos.
Luiza balançou a cabeça.
— Isso é arriscado e impulsivo.
Kamilly levantou a mão, como se estivesse em aula.
— Mas também é meio corajoso.
Luiza olhou para ela.
— Você está ajudando muito, obrigada.
Kamilly deu um sorriso sem graça.
Mateus virou para o resto da sala.
— Tá. Vamos votar.
Luiza soltou um suspiro de frustração.
— Claro. Óbvio que vamos votar.
Mateus levantou a petição.
— Quem acha que a gente deve levar a petição direto na fábrica?
Várias mãos começaram a se levantar.
Kamilly levantou a dela também.
Bia levantou, sorrindo de canto.
Mateus contou rapidamente.
— Ok...
Luiza olhou em volta, incrédula, vendo mais mãos levantadas do que esperava.
Mateus abaixou a petição.
— A maioria concordou.
Luiza recostou na cadeira, cruzando os braços.
John entrou na sala de aula ainda irritado.
Sophia veio logo atrás, claramente nervosa.
— John, você não pode brigar com o Rick.
John se virou para ela, sem paciência.
— Sophia, ele me chamou pra briga. O que você quer que eu faça?
Sophia se aproximou mais, baixando a voz.
— Eu quero que você não vá!
John balançou a cabeça.
— E sair como covarde? Nem pensar.
Sophia suspira.
— Desde quando não querer brigar faz alguém covarde?
John passou a mão no cabelo, irritado.
— Você não entende. Se eu simplesmente recuar agora, ele vai achar que pode fazer o que quiser.
Sophia olhou para ele, incrédula.
— Então sua solução é piorar tudo?
John olhou para ela, firme.
— Não. Minha solução é acabar com isso de uma vez.
Nesse momento, Giovanna, que estava ouvindo a conversa de perto, se aproxima.
— John... eu ouvi uma coisa. Estão dizendo que o Rick brigou com um garoto uma vez... e que o menino ficou com problemas de audição em um dos ouvidos.
John ficou quieto por um instante, claramente incomodado.
Foi então que Leila, sentada na mesa ao lado, se virou na cadeira para olhar diretamente para ele.
— Você vai mesmo brigar com o Rick?
Mais tarde, John saiu da sala andando rápido pelo corredor, com a cara fechada.
Urso veio logo atrás, tentando acompanhá-lo.
— Ei, calma aí. Por que você está andando desse jeito?
Antes que John respondesse, Sophia apareceu no corredor, quase correndo para alcançá-los.
— O Rick dos Anjos quer brigar com ele, e isso não vai acontecer.
Urso arregalou os olhos.
— Espera, o quê? — Ele virou imediatamente para John. — Você está maluco?
John passou a mão no rosto, irritado.
Os três deram de cara com Rick.
Rick parou no meio do corredor.
O silêncio caiu imediatamente.
John travou por um segundo.
Sophia e Urso trocaram olhares tensos.
Rick olhou diretamente para John, sem expressão.
— Vamos.
John franziu a testa.
— A gente não precisa fazer isso.
Rick deu um passo à frente, ainda encarando John.
Ele balançou a cabeça, soltando um riso curto.
— Não é surpresa nenhuma que o Rocky tenha te cortado do time.
John avançou na direção dele na mesma hora.
Sophia segurou o braço dele com força.
— John, não!
John tentou se soltar, completamente irritado.
— Ele só me cortou do time porque você entrou no meu caminho e fingiu uma lesão!
Rick nem piscou.
— Tanto faz.
John arregalou os olhos, incrédulo.
— Quer saber? Se é isso que você quer... Se você quer brigar, então beleza. Me encontre no beco.
Sophia olhou para ele, horrorizada.
— John!
John se virou e saiu andando rápido, tentando parecer decidido.
Sophia correu atrás dele.
— John, não faz isso! Eu estou falando sério!
Rick se virou e começou a andar pelo corredor no sentido oposto, ele passou por Gaby.
Ela estava parada ali, claramente tinha ouvido pelo menos parte da discussão.
Os dois se olharam por um segundo.
Gaby não disse nada.
Rick também não.
Ele apenas desviou o olhar e continuou andando.
Gaby ficou parada no corredor, observando-o se afastar, com um aperto no peito ao perceber que aquilo estava saindo do controle.
No beco, Rick estava parado, andando de um lado para o outro, claramente nervoso.
Gaby estava ali com ele, sem acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo.
— Rick, para com isso. Ainda dá tempo de ir embora.
Rick nem olhou para ela.
— Gaby, sai daqui.
John apareceu no beco, com a cara fechada e olha pra Gaby.
— É melhor você sair daqui Gaby.
Gaby olhou de Rick para John, já aflita.
— Vocês dois enlouqueceram? O diretor Daniel pode ouvir!
Rick olhou pra ela.
— A gente está fora da escola.
— Isso não melhora em nada! — Gaby respondeu.
O clima ficou pesado.
Rick e John se encaravam em silêncio.
Ninguém parecia disposto a recuar.
De repente, John foi para cima de Rick, empurrando-o com força.
Alguns alunos que tinham se juntado no beco soltaram gritos e começaram a gritar ao mesmo tempo.
Rick empurrou John de volta.
Os dois começaram a se empurrar, a raiva crescendo rápido demais.
Gaby deu um passo à frente.
— Rick, para!
Mas nenhum dos dois estava ouvindo.
Rick deu um soco em John a confusão aumentou, e os dois acabaram se agarrando, tropeçando e caindo no chão em meio aos gritos dos outros alunos.
Rick acerta outro soco em John, mas ele consegue se levantar.
Rick e John continuavam brigando, completamente tomados pela raiva.
Foi então que Gaby correu para perto.
— Chega!
Ela tentou entrar no meio para separá-los.
Mas, no meio da confusão, Rick a empurrou sem perceber.
Gaby perdeu o equilíbrio e caiu no chão.
O barulho e os gritos pararam na mesma hora.
Rick congelou.
John também.
Por um segundo, ninguém se mexeu.
Rick olhou para Gaby no chão, completamente em choque.
— Gaby...
Ele deu um passo na direção dela.
— Não, não, eu não quis...
Gaby levantou o rosto devagar.
Ela estava assustada.
Rick estendeu a mão para ajudá-la.
— Gaby, me desculpa. Eu...
Mas ela recuou imediatamente.
Rick parou na mesma hora.
Aquilo pareceu acertá-lo mais do que qualquer coisa.
Gaby se levantou sozinha, respirando rápido, sem conseguir olhar diretamente para ele.
Rick balançou a cabeça, desesperado.
— Eu não queria fazer isso.
Gaby continuou em silêncio.
Ela apenas deu mais um passo para trás, claramente abalada.
Rick ficou parado, olhando para ela, completamente sem reação.
Rick parecia ter acabado de perceber, de verdade, até onde aquilo tinha ido.
O beco estava em silêncio agora.
Ninguém gritava mais.
Ninguém incentivava mais nada.
Rick olhou para as próprias mãos, respirando pesado, enquanto Gaby saia correndo pra longe.
E, naquele instante, Rick percebeu que a briga já tinha deixado de ser “só uma briga”.
Mais tarde, John caminhava pela rua com Urso e Stefy, os três voltando para casa depois de um dia que claramente tinha saído do controle.
— E no final aquele covarde foi embora. Depois de jogar a própria namorada no chão.
Stefy parou de andar na mesma hora.
— Espera.
Ela olhou para ele, incrédula.
— O Rick fez isso com a Gaby?
John soltou o ar pelo nariz.
— Fez.
Stefy continuava parada, claramente chocada.
— Meu Deus...
Ela passou a mão no cabelo, nervosa.
— A Gaby caiu mesmo?
John assentiu.
— E ficou assustada. Todo mundo viu.
Stefy olhou para o chão por um segundo, processando aquilo.
— Não acredito.
Stefy pegou o celular da mochila.
— Eu preciso ligar pra ela.
Os três seguiam pela rua.
Na frente da fábrica de curtume, os alunos do comitê de meio ambiente estavam reunidos com cartazes e a petição em mãos.
O cheiro ruim estava ainda pior ali de perto.
Mateus segurava a petição enquanto Luiza olhava em volta, claramente desconfiada.
— Eu ainda acho que isso foi uma péssima ideia.
Mateus estava prestes a responder quando o celular dele começou a tocar.
Ele olhou para a tela.
Seu rosto mudou imediatamente, era Gaby.
Mateus se afastou alguns passos e colocou o celular no ouvido.
— Gaby?
Do outro lado, só se ouviam soluços.
Mateus ficou imediatamente tenso.
— Gaby? O que aconteceu?
A voz dela saiu tremida.
— Mateus... você pode vir pra casa?
Ele arregalou os olhos.
— O quê? Gaby, aconteceu alguma coisa? Você está bem?
Ela respirava rápido, claramente chorando.
— Só... por favor. Eu preciso que você venha.
Mateus já nem tentou esconder a preocupação.
— Tá. Tá bom. Eu estou indo, calma.
Ele desligou e voltou para o grupo, claramente abalado.
Luiza olhou para ele na mesma hora.
— O que aconteceu?
Mateus pegou a mochila.
— Eu não sei direito. A Gaby estava chorando.
Kamilly arregalou os olhos.
— O quê?
Mateus balançou a cabeça.
— Ela só pediu pra eu ir pra casa. Eu preciso ir.
Luiza assentiu sem hesitar.
— Vai.
Mateus olhou para ela, ainda preocupado.
— Tem certeza?
Luiza fez que sim.
— Vai ficar tudo bem aqui. Vai cuidar da sua irmã.
Mateus assentiu.
— Me manda mensagem depois.
— Pode deixar — Luiza respondeu.
Mateus saiu quase correndo.
Poucos minutos depois, um homem de terno saiu da fábrica, claramente sem muita paciência.
Ele olhou para os cartazes e para os alunos.
— Posso ajudar?
Luiza deu um passo à frente, segurando a petição.
— Somos do comitê de ação ambiental da Escola Comunitária Grasso. Viemos entregar uma petição sobre o mau cheiro e as reclamações da população.
O homem pegou os papéis, olhando rapidamente.
Bia se aproximou.
— Tem várias assinaturas. As pessoas estão reclamando há meses.
O homem assentiu sem emoção.
— Certo.
Ele dobrou a petição sem nem terminar de olhar.
— Vamos analisar.
Kamilly franziu a testa.
— Só isso?
O homem deu um sorriso automático.
— Sim. Obrigado pela preocupação de vocês.
E, sem esperar mais nada, virou as costas e voltou para dentro da fábrica.
A porta se fechou.
Bia soltou um suspiro e começou a se afastar.
— Eu vou pra casa.
Mais tarde, já no fim da tarde, Luiza caminhava pela rua voltando para casa, ainda pensando em tudo que tinha acontecido.
Foi então que ela avistou alguém do outro lado da calçada.
Bia.
Encostada perto de um poste, sozinha.
Ela segurava um cigarro entre os dedos.
Luiza diminuiu o passo, surpresa.
Bia soltou a fumaça devagar, sem perceber que estava sendo observada.
Luiza ficou parada por um instante, encarando a cena.
Na manhã comitê de meio ambiente estava reunido mais uma vez.
O clima já estava estranho desde o começo.
Luiza estava de braços cruzados, claramente esperando a hora de falar.
Mateus organizava algumas folhas na mesa, enquanto Kamilly observava os dois lados, já pressentindo problema.
Luiza finalmente soltou:
— Eu preciso falar uma coisa.
Todo mundo olhou para ela.
— Ontem, depois da reunião na fábrica, eu vi a Bia fumando na rua.
A sala ficou em silêncio.
Luiza continuou, firme.
— E, sinceramente? Eu não acho que alguém assim devia estar no comitê.
Bia ficou parada por um segundo, incrédula.
— Você está falando sério?
Luiza cruzou os braços.
— Completamente.
— Você quer me expulsar porque eu fumei?
Luiza arqueou uma sobrancelha.
— Porque isso mostra muita responsabilidade, né?
Bia soltou uma risada.
— Nossa. Agora você virou minha mãe?
Mateus entrou no meio antes que aquilo explodisse.
— Ei, calma.
Mas Luiza não recuou.
— Não, calma nada. A gente está tentando fazer um projeto sério, e eu não vou fingir que isso não importa.
Bia se levantou da cadeira com raiva.
— Ah, então pronto. Eu sou o problema agora?
Luiza deu de ombros.
— Você falou, não eu.
Mateus soltou o ar, frustrado.
— Eu acho que eu tentei te dar uma chance, Bia.
Bia arregalou os olhos.
— O quê?
Mateus balançou a cabeça.
— Eu te defendi. Falei pra todo mundo te dar uma chance. E agora isso vira mais confusão.
Bia ficou olhando para ele, magoada e furiosa ao mesmo tempo.
— Você está me ouvindo?
Mateus franziu a testa.
— O quê?
Bia apontou para ele.
— Foi você quem me ajudou, Mateus. Você.
Ela respirou fundo, tentando se controlar.
— E agora eu sou o bode expiatório porque a Luiza resolveu me julgar?
Luiza abriu a boca.
— Ninguém está...
— Ah, não? — Bia cortou, irritada. — Porque é exatamente isso que parece.
O clima na sala ficou pesado.
Bia olhou diretamente para Mateus e saiu da sala.
Mateus vai atrás dela.
— Bia espere.
Ela para e se vira.
— Quer saber de uma coisa?
Mateus ficou em silêncio.
Bia soltou tudo de uma vez:
— Eu entrei nesse comitê porque eu gostava de você, tá bom?
Mateus ficou completamente sem reação.
Bia soltou um riso nervoso, já arrependida de ter falado.
— Pronto. Agora já foi.
Ela pegou a mochila.
— Era isso que vocês queriam ouvir?
Mateus finalmente conseguiu falar.
— Espera.
Bia virou o rosto, ainda irritada.
Mateus respirou fundo.
— Eu... não sabia.
Bia cruzou os braços.
— É, claramente.
Mateus passou a mão no cabelo, sem jeito.
— E eu sinto muito por ter falado daquele jeito.
Bia não respondeu.
Mateus continuou:
— De verdade. Você ajudou pra caramba nesse comitê.
Ele levantou a petição.
— O abaixo-assinado só funcionou porque você teve a ideia da campanha.
Bia desviou o olhar, mas claramente ouviu.
Mateus sorriu de leve.
— Então... obrigado.
Bia soltou o ar pelo nariz, ainda tentando não demonstrar que aquilo mexeu com ela.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos.
Bia pegou a petição da mão de Mateus e olhou para ela.
— Aliás... talvez a gente esteja pensando pequeno.
Mateus franziu a testa.
— Como assim?
Bia levantou as folhas.
— Se a fábrica não liga pra isso... talvez a gente fale com alguém que faça eles ligarem.
Luiza arqueou uma sobrancelha.
— Tipo quem?
Bia sorriu de canto.
— O jornal.
Mateus abriu um sorriso.
— Bia... você é brilhante!
Bia sorriu pela primeira vez de verdade.
Ela levantou o dedo na frente dos lábios.
— Shhh.
— Eu tenho uma reputação, sabia?
Mateus riu.
Mateus riu.
No corredor da escola, Rick caminhava distraído, ainda com a mochila em um ombro, quando ouviu uma voz atrás dele.
— Rick!
Ele se virou.
O professor Kimmich vinha em sua direção com um tablet na mão e aquele sorriso animado de sempre.
— Eu estava te procurando.
Rick franziu a testa.
Kimmich continua.
— Achei que você gostaria de saber sua nota da prova de informática e mídia digital.
Rick ficou imediatamente tenso.
— Ah... tá.
Kimmich olhou para a tela.
— E, para alguém que parecia prestes a desmaiar durante a prova... Você foi muito bem.
Rick piscou.
— O quê?
— Passou com uma ótima nota.
Rick ficou parado por um segundo, sem acreditar.
— Espera... sério?
Kimmich assentiu.
— Sim, sério.
Rick soltou uma risada curta, completamente surpreso.
— Não acredito.
Kimmich deu um tapinha de leve no ombro dele.
— Às vezes você devia confiar um pouco mais em si mesmo.
Rick abaixou a cabeça, ainda tentando processar.
— É...
Kimmich sorriu.
— Parabéns, Rick.
— Obrigado, professor.
Kimmich se afastou pelo corredor, deixando Rick parado ali, ainda incrédulo.
Rick soltou o ar e balançou a cabeça, quase rindo sozinho.
Foi então que ele viu Gaby mais à frente no corredor, com Stefy.
O sorriso no rosto dele desapareceu aos poucos.
Ele hesitou por um instante... depois foi até ela.
— Gaby.
Ela olhou para ele.
A expressão dela ficou neutra. Stefy se afastou um pouco, olhando séria para Rick.
Rick parou na frente dela, sem saber muito bem por onde começar.
— Eu... acabei de receber minha nota do professor Kimmich.
Gaby esperou.
Rick soltou um riso sem jeito.
— Eu passei.
Ela assentiu de leve.
— Que bom.
Rick abaixou o olhar por um segundo.
— É.
Ele respirou fundo.
— Me desculpe por ontem. Acho que... eu devia ter te escutado.
Gaby não respondeu.
Rick continuou, a voz mais baixa agora.
— Você estava tentando me ajudar, e eu... — Ele passou a mão no cabelo, claramente nervoso. — Eu estraguei tudo.
Gaby ficou em silêncio, olhando para ele.
Rick finalmente criou coragem para dizer:
— Eu sinto muito.
A expressão dela mudou um pouco, mas não suavizou de verdade.
Gaby abaixou os olhos por um segundo antes de voltar a olhar para ele.
— Eu também.
Rick franziu a testa, sem entender totalmente o tom.
Rick deu um passo de leve, como se fosse dizer alguma coisa.
Mas ela já estava se afastando pelo corredor.
Rick ficou parado, vendo ela ir embora.
O sorriso por ter passado na prova já tinha desaparecido completamente.
Porque, naquele momento, Rick percebeu que consertar uma prova era muito mais fácil do que consertar aquilo.
Este episódio recebeu o nome da música de 1994 “Crash! Boom! Bang!”, da banda Roxxete.
Sinopse do Próximo Capítulo – Veneno AntiMonotonia
Os pais de Sophia e Edu vão viajar por um tempo e permitem que cada um convide um amigo. No entanto, ambos acabam convidando mais de uma pessoa. Com toda a galera reunida, as coisas com certeza sairão do controle. Enquanto isso, Gaby se depara com uma verdade que jamais imaginou.
Atualizado em: Qui 27 Ago 2026
