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Escola Grasso 402 – Decisões
Lila e Joey estavam se beijando em frente à escola.
Lila se afasta.
— Eu quero falar com você.
— Sobre o que? — Joey perguntou a beijando.
Joana se aproxima.
— Ué, já começaram o dia assim?
Os dois se afastaram rapidamente. Lila olhou para Joana, meio sem graça.
— Ah… oi, Jo.
— Oi. Vocês não vão entrar?
Lila olhou para Joey.
— Eu vou. Você vem?
— Daqui a pouco. Vou esperar o Lucas e o Chris.
— Beleza. Eu vou entrar com a Jo.
Lila deu um selinho rápido em Joey e saiu ao lado de Joana.
— Então… vocês estão juntos mesmo? — perguntou Joana, com um leve sorriso.
Antes que Lila respondesse, as duas avistaram Sara mais à frente.
Joana segurou o braço de Lila e mudou de direção.
— Vamos por aqui.
Lila franziu a testa, olhando para a amiga.
— Jo, você ainda não tá falando com a Sara?
— Não. O que ela fez foi… — Joana suspirou — E o pior é que ela nem admite que errou.
— Ela é meio teimosa mesmo… mas acho que uma hora ela percebe.
— Tomara, Li. Mas, até lá, prefiro ficar na minha.
As duas seguiram em direção à entrada da escola.
Dentro da escola, Lila estava encostada no armário, organizando algumas coisas, quando Joey se aproximou com Lucas e Chris.
— Depois eu falo com vocês — disse ele.
Os três trocaram um toque de mão antes de Lucas e Chris seguirem pelo corredor. Joey chegou por trás e abraçou Lila pela cintura.
— O que você queria me dizer?
Lila fechou o armário devagar e se virou, ficando de frente pra ele, com as costas apoiadas no armário.
— É… só uma coisa.
— Que coisa?
Ela deu uma olhada rápida para os lados, meio tensa com o movimento no corredor.
— Eu… — hesitou, mordendo o canto do lábio — A gente… podia marcar alguma coisa, sabe? — Ela puxou o ar, tomando coragem. — Eu acho que estou pronta pra levar as coisas pra outro nível.
Joey sorriu de leve, tentando adivinhar.
— Você vai me apresentar pro seu pai?
Lila soltou um riso curto, balançando a cabeça.
— Não. Não é isso.
Ela sustentou o olhar dele, mais séria agora.
— Eu estou pronta pra gente… transar.
O sorriso dele diminuiu, não por desinteresse, mas ficando mais atento. Ele estudou o rosto dela por um instante.
— Você tem certeza?
— Tenho. Absoluta.
O sinal tocou, cortando o momento. Joey soltou o ar e deu meio passo pra trás, passando a mão na nuca.
— Tá… a gente conversa melhor depois, combina tudo direitinho, ok?
— Ok.
Eles trocaram um olhar rápido antes de seguirem em direções opostas pelo corredor.
Ellie entrou em casa ao lado da tia Tereza, olhando ao redor como se estivesse redescobrindo o lugar depois dos dias no hospital.
— O Sérgio e a Luma estão trabalhando, mas estão loucos pra te ver — disse Tereza, deixando a bolsa sobre a mesa.
— Que horas eles chegam?
— Entre sete e meia e oito.
Ellie assentiu, ainda meio quieta.
Tereza seguiu em direção à cozinha.
— Vou preparar alguma coisa pra gente comer. Se quiser, pode ligar a TV… tem Netflix lá.
— Tá bom.
Ellie deu alguns passos em direção à sala, mas parou antes de sentar.
— Tia…
Tereza virou o rosto, esperando.
— O Bruno falou quando eu posso voltar pra escola?
— Ainda não — respondeu com cuidado — Ele disse que, se você continuar melhorando assim, não deve demorar.
Ellie abaixou o olhar, claramente frustrada.
Percebendo isso, Tereza se aproximou e tocou de leve no braço dela.
— Eu sei que você quer voltar, Ellie. Mas agora o mais importante é você ficar bem.
Ellie suspirou.
— Eu sei… só não gosto de ficar parada.
— Eu imagino — Tereza disse, com um sorriso compreensivo — Mas você não vai ficar atrasada. A escola vai mandar alguém pra te passar as matérias.
Ellie levantou o olhar, um pouco mais interessada.
— Espero que seja alguém responsável.
Tereza soltou um riso baixo.
— Vai ser, sim. Eles não vão mandar qualquer um.
— Tomara.
Ellie finalmente se jogou no sofá, pegando o controle.
— Então… vou aproveitar pra colocar minhas séries em dia.
— Isso, descansa — disse Tereza, já voltando pra cozinha.
Ellie ligou a TV, ainda pensativa, mas um pouco mais tranquila.
Adryan estava na sala de aula, sentado, encarando a folha do trabalho de português com atenção.
Carol e Ana entraram conversando baixo. Ao perceber, ele levantou o olhar.
— Ei… a gente recebeu o trabalho. Tirei B+.
Carol apenas assentiu, já puxando a cadeira e se sentando à frente dele. Ana se acomodou ao lado dela, mas virou o corpo pra trás, olhando para Adryan com interesse.
— Deixa eu ver isso aí. Sério, como você consegue? Você é um ótimo parceiro de estudos.
Adryan esboçou um pequeno sorriso, meio sem graça, e olhou para Carol.
— Carol, tudo bem?
Ela se virou por um segundo, apoiando o braço na mesa.
— Corrido. Comecei a trabalhar, tô cuidando do figurino do musical… atividades extracurriculares… basicamente, sem tempo pra nada. E você?
Adryan hesitou, pego de surpresa pela rapidez.
— É… eu também. Quer dizer… tenho estado bem ocupado.
Antes que ele pudesse continuar, Ana cutucou Carol.
— Ei, a galera vai se encontrar no Luca’s depois da aula. Você vai?
Carol virou completamente para Ana, já engatando na conversa.
— Sério? Quem vai?
— Acho que quase todo mundo…
Enquanto as duas continuavam conversando, Adryan ficou ali, com o papel ainda nas mãos. Ele abriu a boca como se fosse falar algo, mas desistiu.
Baixou o olhar para a folha e soltou um suspiro discreto, claramente deixado de lado.
Mais tarde, no intervalo, Lila está sentada em uma mesa no lado de fora, Joey se aproxima.
— Ei.
— Oi.
Por um segundo, nenhum dos dois soube muito bem o que dizer. Lila cruzou os braços, meio sem jeito. Joey passou a mão pelo cabelo e se sentou de frente pra Lila.
— Sobre mais cedo…
— É — ela respondeu rápido, soltando um pequeno riso nervoso — meio que joguei isso do nada, né?
— Um pouco — ele sorriu de leve — Mas… não é ruim. Só… é importante.
Ela assentiu, olhando para o chão por um instante.
— Eu pensei bastante antes de falar.
— E você tá tranquila com isso? Tipo, de verdade?
Lila levantou o olhar, mais firme.
— Tô. Mas… também tô nervosa.
— Isso é normal, mas não quero que você se sinta pressionada nem dada disso — ele admitiu, sem hesitar.
Isso fez ela relaxar um pouco, soltando o ar.
— Eu não quero que seja estranho depois.
— Não vai ser — ele respondeu, mais seguro — Mas se você quiser a gente pode ir com calma. Sem pressão.
Lila deu um meio sorriso.
— Combinado.
Ele hesitou por um instante antes de continuar:
— E… a gente precisa pensar em algumas coisas também.
Ela arqueou levemente a sobrancelha.
— Tipo?
— Tipo… quando, onde… e… — ele baixou um pouco o tom — proteção.
Lila concordou na hora, sem desconforto.
— Sim. Eu também pensei nisso.
O clima ficou mais leve, mais alinhado entre os dois.
— Então, meus pais viajar hoje a noite e vão ficar o fim de semana todo fora.
Lila segura a mão de Joey.
— Vamos fazer alguma coisa amanhã, sair comer alguma coisa e ver o que acontece.
Eles trocaram um sorriso pequeno, mas mais tranquilo dessa vez.
— Agora vamos fingir que somos alunos normais — Joey brincou.
— Boa sorte com isso — ela respondeu, rindo.
Na hora da saída, Gustavo estava sentado em um canto da escola, mexendo no celular, quando Adryan se aproximou e se sentou ao lado dele.
— E aí, beleza?
— Beleza, cara.
Adryan apoiou os braços nos joelhos, olhando pra frente por um instante.
— Tá pronto pro próximo jogo?
Gustavo soltou um sorriso de canto.
— Sempre.
— É… claro — respondeu Adryan, meio sem graça.
O sorriso de Gustavo diminuiu aos poucos, dando lugar a uma expressão mais séria.
— Mano… e a Ellie? Como ela tá?
Adryan abaixou o olhar antes de responder.
— Tá melhorando. Ficou uns dias internada, mas já foi pra casa da tia… só ainda não pode voltar pra escola.
— Entendi…
Gustavo assentiu, pensativo por um segundo.
— Quando você falar com ela, diz que eu mandei um oi.
— Pode deixar.
Houve um pequeno silêncio.
— Sinto falta dela — continuou Gustavo — Ela deixava esse lugar menos chato.
Adryan soltou um leve sorriso.
— É… eu também. Mas daqui a pouco ela volta.
Gustavo se levantou, ajeitando a mochila no ombro.
— Vai sim.
Ele deu dois passos, mas parou e se virou de novo.
— O técnico Rogério quer falar comigo. Tenho que ir.
— Tranquilo.
Antes de sair, Adryan tentou puxar assunto mais uma vez:
— Ei… o que você vai fazer no fim de semana? Vai ter um evento de rock na cidade… a gente podia ir.
Gustavo fez uma careta leve, meio sem graça.
— Pô, foi mal. Provas chegando, playoffs do campeonato… tá puxado. Fica pra próxima, beleza?
— Beleza.
Gustavo acenou e saiu andando pelo corredor.
Adryan ficou ali por alguns segundos, em silêncio.
Ele pegou o celular, abriu os contatos e tocou no nome da Carol. A ligação começou a chamar… mas, antes de completar, ele suspirou e desligou.
Guardou o celular no bolso, visivelmente desanimado.
No dia seguinte, Lila entrou na escola e logo avistou Joana perto dos armários. Sem perder tempo, foi até ela.
— Jo… acho que hoje à noite vai rolar.
Joana franziu a testa, confusa.
— Vai rolar o quê?
Lila deu um meio sorriso, nervosa.
— Eu e o Joey… minha primeira vez.
A expressão de Joana mudou na hora, ficando mais séria. Ela cruzou os braços, analisando a amiga.
— Você tem certeza que está pronta pra isso?
Lila assentiu, mas soltou um suspiro leve.
— Tenho. Só tô nervosa… mas o Joey tá sendo super fofo.
Joana relaxou um pouco, mas ainda manteve o tom firme.
— Olha… você já tá tomando pílula há um tempo, né? Mas, mesmo assim, não esquece do preservativo.
Lila sorriu, um pouco mais tranquila.
— Pode deixar. Se rolar mesmo, a gente já combinou tudo.
Joana inclinou a cabeça, mais calma agora.
— Então tá. Só… faz isso no seu tempo, sem pressão.
Lila deu um sorriso sincero.
— Sempre.
As duas começaram a andar juntas, conversando mais baixo.
Adryan estava sentado em uma mesa, concentrado no computador, mexendo em alguns ajustes.
Gustavo se aproximou, parando ao lado dele.
— E aí, o que você tá fazendo?
— Ajustando a mixagem das músicas do musical.
Gustavo franziu a testa, olhando pra tela.
— Ué… achei que o Rafa e a Helena que iam cuidar disso.
— E vão — respondeu Adryan.
De repente, Adryan desviou o olhar por cima do ombro de Gustavo.
Gustavo percebeu e se virou. Mais ao fundo, Carol organizava alguns figurinos, concentrada.
Ele voltou o olhar pra Adryan, já com uma expressão de quem entendeu tudo.
— Não faz isso, cara.
— Isso o quê? — Adryan respondeu rápido demais.
Gustavo cruzou os braços.
— Você tá basicamente stalkeando a sua ex.
Adryan soltou um suspiro, passando a mão no rosto.
— Cara, isso não é justo.
— O quê?
— Eu que terminei com ela… e ela tá lá, toda feliz. Postando no Instagram, saindo com o pessoal… e eu aqui, travado.
Gustavo inclinou a cabeça, pensativo.
— Então por que você não volta com ela?
Adryan negou na hora.
— Não. Eu não quero voltar. Só… não entendo por que ela tá bem e eu não.
Gustavo deu de ombros.
— Porque ela tá fazendo coisas, ué. Tá ocupada, se divertindo… seguindo em frente.
Adryan ficou em silêncio por um instante, absorvendo aquilo.
— É… faz sentido. Acho que eu preciso fazer alguma coisa também. Só não sei o quê. Você tá sempre ocupado com o futebol, a Ellie tá em São Paulo… e a Lara praticamente sumiu, só anda com aqueles punks agora.
Gustavo soltou o ar, pensando.
— Tá, beleza… vou falar com o Michael e o Johnny. A gente organiza alguma coisa no fim de semana.
Adryan levantou o olhar, surpreso.
— Sério?
— Claro — Gustavo deu um sorriso — Pra ser sincero, eu também tô precisando me distrair.
Adryan abriu um sorriso de verdade dessa vez.
— Fechado, então.
— Depois te mando mensagem — disse Gustavo, já se afastando.
Adryan ficou ali por um momento, bem mais animado do que antes.
Ellie estava sentada no sofá, observando o primo Sérgio tocar violão. Ele terminou a música com um último acorde e olhou pra ela.
— E aí?
Ellie sorriu, sincera.
— Gostei. Você toca bem.
— Eu também toco sertanejo, se quiser ouvir.
Ela fez uma careta leve.
— Não, valeu. Não curto… só abro exceção pra Chitãozinho e Xororó.
Sérgio riu, balançando a cabeça.
— Todo roqueiro fala isso.
Ellie deu de ombros, sorrindo.
— Mas é verdade.
Sérgio ajustou o violão no colo.
— E você ainda toca piano, né?
— Toco.
— A Luma tem um teclado no quarto dela. Depois a gente pode tocar alguma coisa juntos.
— Pode ser.
— E eu posso te ensinar umas coisas no violão também.
Ellie ia responder, mas o som de chamada de vídeo interrompeu. Ela pegou o notebook.
— É o Adry.
Ela atendeu na hora.
— Adry!
— E aí, maninha, beleza? — ele apareceu na tela, sorrindo.
— Oi, baixinho!
Sérgio revirou os olhos na hora.
— Gente, pelo amor de Deus.
Adryan percebeu ele na câmera.
— E aí, Sérgio, beleza?
— Beleza — respondeu.
Ellie pareceu lembrar de algo e se animou.
— Ah! Adry, vamos jogar aquele jogo de perguntas e respostas?
Adryan abriu um sorriso maior.
— Vamos!
Sérgio jogou a cabeça pra trás, dramático.
— Meu Deus…
Ellie riu, já puxando o notebook mais pra perto.
— Ignora ele.
Sérgio ainda resmungou, mas um leve sorriso apareceu no canto da boca enquanto dedilhava o violão.
Lila estava sentada na cama de Joana, visivelmente animada.
— A gente vai no Luca’s e depois pra casa dele.
Joana, que estava encostada na escrivaninha, cruzou os braços.
— Nossa… super romântico — disse, com um leve tom de ironia.
Lila nem se incomodou, já sorrindo mais.
— Vai ser mesmo. Ele tá preparando uma noite incrível pra gente. Eu até comprei uma roupa nova.
Joana ergueu uma sobrancelha, analisando a amiga.
— Nossa… alguém tá bem empolgada.
Lila soltou um riso curto, meio nervoso.
— É a minha primeira vez, né? Eu quero que seja perfeito.
Joana descruzou os braços e se aproximou um pouco, agora mais séria.
— Perfeito não existe, Li. Só… tenta não colocar tanta pressão nisso.
Lila abaixou a cabeça, pensando por um segundo.
— Eu sei… é que eu fico imaginando como vai ser.
Joana deu um leve sorriso, mais suave dessa vez.
— E vai ser como tiver que ser. O importante é você se sentir bem.
Lila assentiu, um pouco mais calma.
— É… você tem razão.
Joana deu um leve empurrão no ombro dela.
— Claro que eu tenho.
As duas riram.
Adryan e Ellie conversavam por chamada de vídeo.
— Ah, Ellie, isso não vale. Você tá olhando no Google.
Ellie fingiu indignação.
— Não tô, Adry. Eu só sou inteligente.
Adryan ficou em silêncio por um segundo, encarando a tela.
— Eu nem vou comentar.
Ellie sorriu.
— E aí, como tá a Grasso?
Adryan fez uma careta leve.
— Ah… a mesma coisa de sempre. Só que… meio diferente.
— Diferente como?
Ele deu de ombros.
— Sei lá. O pessoal parece mais distante.
Ellie inclinou a cabeça, curiosa.
— A Lara, você quer dizer?
— Não só ela… meio que todo mundo.
Ellie desviou o olhar por um instante.
— A Lara não fala mais comigo… não responde minhas mensagens, nem puxa assunto.
Adryan respirou fundo antes de responder.
— Dá um tempo pra ela, Ellie. Ela tá passando por umas coisas…
Ellie assentiu devagar.
— É… você tem razão.
Ele tentou mudar um pouco o clima.
— E você? Já fez amizade por aí?
Ellie soltou um pequeno suspiro.
— Ainda não. Fica meio difícil sem ir pra escola… Eu conheci um pessoal na terapia, mas… ninguém se abre muito.
— Imagino.
— Mas eu entendo — ela completou.
Adryan deu um leve sorriso.
— Relaxa. Daqui a pouco você volta, e tudo entra no lugar.
Ellie sorriu de volta, mais confiante.
— Vai sim. Tendo você, meus pais e a Esther… não tem como dar errado.
Adryan apontou pra tela, em tom de brincadeira.
— Aí sim.
Ele então ficou um pouco mais sério.
— Mas, ó… já deu por hoje. Você precisa descansar.
— Eu sei.
— Quando a gente se fala de novo?
Ellie fez uma careta leve.
— Não sei… não estão deixando eu usar muito o celular. Mas até que é bom.
— É?
— Vou aprender a tocar guitarra.
Adryan abriu um sorriso de verdade.
— Sério? Quero ver isso quando você voltar.
— Vai ver.
Os dois ficaram em silêncio por um segundo, como se nenhum quisesse encerrar.
— Então tá… vai lá descansar — disse ele, mais suave — A gente se fala.
— Tá bom. Tchau, Adry.
— Tchau.
A chamada se encerrou.
Adryan ficou olhando pra tela apagada por um instante antes de largar o celular ao lado, pensativo.
Ellie fechou o notebook devagar, ainda com um leve sorriso no rosto. Sérgio se aproximou, apoiando o ombro no sofá.
— O Adryan não muda nunca, né? Sempre do mesmo jeito.
Ellie soltou um riso.
— Total. Mas ele se acha o muito… as meninas vivem atrás dele na escola.
Sérgio abriu um sorriso convencido.
— Claro. Aprendeu com quem?
Ellie revirou os olhos, segurando o riso.
— Ah, por favor, Serginho.
Ele riu baixo, mas logo ficou um pouco mais sério.
— E você?
Ellie franziu a testa.
— O que tem?
— Eu ouvi você falando da Lara…
O sorriso de Ellie diminuiu.
— É… ela…
Antes que pudesse continuar, Tereza entrou na sala.
— Ellie, tem gente vindo aí pra te ver.
Ellie levantou o olhar, surpresa.
— Quem?
— Um pessoal da sua escola nova. Vieram trazer as anotações das aulas. Quando a campainha tocar, você atende, tá?
— Tá bom, tia.
Tereza saiu, e Ellie voltou a olhar pra Sérgio.
— Então… como eu estava dizendo… a Lara terminou comigo. E agora nem fala mais comigo.
Sérgio se aproximou um pouco mais, com um tom mais cuidadoso.
— Ei… eu sei que isso dói. Mas vai passar, Ellie. Uma hora você vai conhecer alguém legal… alguém que goste de você de verdade.
Ellie assentiu, ainda meio mexida, mas sem responder.
A campainha tocou.
Ela olhou em direção à porta.
— Devem ser eles.
Ellie se levantou e foi até a entrada. Quando abriu a porta, deu de cara com uma garota sorridente.
— Oi! Eu sou Poppy.
Por um instante, Ellie ficou sem reação. Então sorriu de volta, meio surpresa.
— Oi…
Poppy se virou um pouco, apontando para os outros.
— Esses são o Nino, a Nanda e o Enzo.
Ellie olhou para eles e deu espaço.
— Podem entrar, fiquem à vontade.
Os quatro entraram, conversando entre si. Poppy passou por Ellie, mas antes de seguir, as duas trocaram um olhar rápido.
Ellie fechou a porta devagar, ainda com um leve sorriso, como se algo tivesse mudado ali.
Enquanto isso, Adryan estava no quarto, terminando de calçar o tênis, quando Gustavo entrou.
— E aí, beleza? Sua mãe deixou eu entrar.
— Beleza — respondeu Adryan, puxando o cadarço — Só um segundo.
Gustavo ficou parado perto da porta, meio sem jeito.
— Então… o Michael e o Johnny não vêm.
Adryan parou o que estava fazendo e olhou pra ele.
— Como assim?
— O Michael foi pra terapia… e o Johnny tá meio mal. Tem uma garota que ele gosta, mas ela nem dá bola pra ele.
Adryan assentiu devagar.
— Entendi…
Ele terminou de amarrar o tênis, já menos animado.
— Então vai ser só nós dois.
Gustavo abaixou o olhar, claramente desconfortável.
— É… então…
Adryan percebeu na hora.
— O quê?
Gustavo coçou a nuca.
— Eu também não vou poder ir. Meu pai pediu ajuda com um serviço… ele tá me esperando lá embaixo.
Um silêncio curto tomou o quarto.
— Foi mal, cara. A gente marca outro dia, beleza?
Adryan soltou o ar pelo nariz e assentiu, tentando não demonstrar tanto.
— Beleza… de boa.
Gustavo deu um aceno rápido.
— Depois a gente se fala.
— Falou.
Ele saiu, fechando a porta.
O quarto ficou em silêncio.
Adryan permaneceu sentado na cama por alguns segundos, olhando pro chão. Depois pegou o celular e ficou encarando a tela.
Seu dedo pairou sobre um nome.
Ele hesitou… respirou fundo… e apertou para ligar.
Mais tarde, Adryan caminhava pela rua ao lado de Carol.
— Valeu por ter vindo.
Carol deu um sorriso leve, mas contido.
— Consegui um tempinho pra você.
Adryan ficou em silêncio por alguns segundos, pensando no que dizer.
— É… eu tava pensando… — ele respirou fundo — É meio estranho como você seguiu em frente tão rápido.
Carol soltou um riso curto.
— Nossa… acho que isso é um novo recorde.
Adryan franziu a testa.
— Recorde de quê?
Eles se sentaram em um banco. Carol cruzou as pernas, olhando pra frente antes de falar.
— De você demorando pra perceber as coisas.
Ele ficou ainda mais confuso.
— Do que você tá falando?
Carol virou o rosto pra ele, agora mais direta.
— Você me enganou, Adryan. Eu achei que, dessa vez, você estava falando sério.
— Mas eu estava.
Ela soltou o ar pelo nariz, quase rindo.
— Todo mundo fala que, se você agir como se não se importasse, o cara volta. E olha só… aqui está você.
Adryan piscou algumas vezes, tentando processar.
— Então isso tudo foi tipo… um jogo?
Carol deu de ombros.
— Não um jogo. Uma estratégia.
Aquilo caiu pesado.
Adryan se levantou devagar, passando a mão no cabelo.
— Obrigado, Carol… de verdade. Eu quase tinha esquecido por que terminei com você.
Ela levantou o olhar, ainda calma.
— Ah, para… você precisa de mim.
Ele soltou um riso curto, sem humor.
— Não. Eu preciso de alguém que seja honesta comigo.
Carol se levantou também, agora mais séria.
— Então por que você me ligou?
Adryan hesitou por um segundo, encarando o chão.
— Não sei… talvez porque eu seja um idiota.
O silêncio entre os dois pesou.
Carol desviou o olhar por um instante.
— Então é isso? Sem volta dessa vez?
Adryan finalmente olhou pra ela, firme.
— Sem volta.
Ele deu um passo pra trás.
— Acho melhor eu ficar sozinho.
Carol não respondeu.
Adryan se virou e começou a andar, deixando ela ali.
Carol ficou parada, olhando ele se afastar, com a expressão mais dura… mas claramente afetada.
Na sala, o clima estava leve enquanto o grupo conversava.
Poppy se ajeitou no sofá e sorriu para Ellie.
— Então é isso… a gente vai vir uma vez por semana pra te trazer as anotações. E, quando você estiver pronta pra ir para a escola, a gente te ajuda a se enturmar.
Ellie abriu um sorriso sincero.
— Sério, obrigada, gente. De verdade.
Nino, que estava comendo uma bolacha, engoliu rápido antes de falar.
— Você vai curtir o colégio. Mesmo sendo particular, tem uma galera bem de boa.
Enzo riu, cruzando os braços.
— Só toma cuidado com o Nino. Ele é meio… perigoso.
Ellie franziu a testa.
— Como assim?
— Ah, ele vive esbarrando nas pessoas, derrubando coisa… já deixou gente roxa sem querer — completou Enzo, se divertindo.
Nanda entrou na brincadeira, rindo.
— Meu pai que o diga.
Nino revirou os olhos.
— Eles exageram. Isso era quando eu era criança. Agora eu sou praticamente inofensivo.
Ellie riu, relaxando mais com o grupo.
— Bom saber.
Poppy observava Ellie em silêncio por um momento, com um leve sorriso, como se estivesse prestando atenção em cada reação dela.
— Bom… a gente já vai — disse, dando um passo mais perto.
Ellie assentiu.
— Tá… obrigada mesmo por trazerem tudo isso. Vai me ajudar muito.
— A gente dá um jeito — respondeu Poppy, ainda olhando pra ela.
Por um instante, as duas ficaram em silêncio. Poppy inclinou a cabeça de leve.
— E… quando você voltar, posso te mostrar a escola. Tipo… pessoalmente.
Ellie sorriu, um pouco mais tímida dessa vez.
— Eu vou gostar disso.
Poppy abriu um sorriso maior.
— Então combinado.
Nino apareceu ao lado da porta.
— Ei, Poppy, vamos?
— Já vou — respondeu ela, sem tirar os olhos de Ellie por um segundo a mais do que o normal.
Ellie percebeu… e sustentou o olhar.
— Tchau, gente.
— Tchau — responderam quase em coro.
O grupo saiu, mas, antes de atravessar a porta, Poppy olhou pra trás mais uma vez.
Ellie ainda estava ali… olhando pra ela.
As duas trocaram um último sorriso discreto.
Ellie fechou a porta devagar, apoiando as anotações no peito, com um leve sorriso que não conseguia esconder.
Sergio se aproxima.
— Não sabe nem disfarçar.
Ellie olha pra ele.
— O que foi?
Ele sorri.
— Pelo jeito a fila vai andar mais rápido do que eu imaginava.
Ellie cora.
Sergio se vira e sai.
Mais tarde, a rua estava mais silenciosa quando Lila e Joey voltaram da lanchonete Luca’s. A conversa tinha diminuído ao longo do caminho, não por falta de assunto, mas por causa da expectativa que os dois carregavam.
Ao chegarem na casa dele, Joey abriu a porta e deu espaço pra Lila entrar primeiro.
— Meus pais não estão — ele comentou, meio desnecessário, só pra quebrar o silêncio.
— Eu sei, você já tinha falado — Lila respondeu, com um sorriso leve.
Eles entram dentro da casa.
Ela deixou a bolsa no sofá e olhou ao redor, como se precisasse de um segundo pra se situar. Joey fechou a porta atrás deles, um pouco mais devagar do que o normal.
— Quer alguma coisa? Água, refrigerante…?
— Não… tô bem.
Um pequeno silêncio se formou. Os dois riram de leve, ele se aproxima de Lila.
— Tudo bem?
— Sim, você está nervoso.
— Um pouco — ele concordou — Mas é porque é importante.
Ela assentiu, mais séria agora.
— É.
Joey se aproximou devagar, dando espaço pra ela recuar se quisesse. Quando ela não se afastou, ele tocou de leve a mão dela.
— A gente não precisa fazer nada hoje, se você não quiser.
Lila entrelaçou os dedos nos dele.
— Eu quero. Só… com calma.
— Com calma — ele repetiu.
Eles se aproximaram e se beijaram, no começo com cuidado, quase tímidos. Aos poucos, o nervosismo foi dando lugar a algo mais tranquilo, mais natural.
Entre um beijo e outro, Lila encostou a testa na dele, respirando fundo.
— Tá tudo bem? — ele perguntou.
— Tá — ela respondeu, baixinho — Tô só… sentindo tudo.
Ele sorriu de leve, passando a mão pelo braço dela.
— Eu também.
Ela soltou um pequeno riso, mais relaxada.
— Ainda bem.
Joey deu um passo pra trás, puxando-a gentilmente pela mão.
— Vem… vamos pro meu quarto.
Lila hesitou por um segundo, mas logo assentiu.
Antes de entrarem, ela parou.
— Joey…
— Oi?
— Obrigada por… ser assim.
Ele entendeu sem precisar de mais explicação.
Ela sorriu, e os dois entraram.
A porta se fechou devagar.
No dia seguinte, Adryan acabou de entrar na escola quando Michael e Johnny se aproximaram.
— Ei, Adryan — disse Michael, meio sem graça — Foi mal por sábado. Tive que ir pra terapia… foi meio urgente.
Adryan assentiu na hora.
— Relaxa. Você tá bem?
Michael deu um leve sorriso.
— Tô, sim. Valeu por perguntar.
Johnny, com as mãos no bolso, soltou um suspiro exagerado.
— A gente precisa marcar alguma coisa. Eu não aguento mais ficar em casa olhando pras paredes.
Adryan deu um sorriso.
— Tô nessa.
Michael olhou de um para o outro, com um ar mais leve.
— Coração partido é uma droga… né, Adryan?
Adryan arqueou a sobrancelha, fingindo pensar.
— Não sei… nunca tive o coração partido.
Johnny soltou uma risada curta.
Michael riu também.
— A gente se fala depois.
Os dois seguiram pelo corredor, ainda conversando entre si.
Adryan deu alguns passos à frente… mas parou.
No topo da escada, Carol descia, distraída. Quando levantou o olhar, os dois se encararam.
O tempo pareceu travar por um segundo.
Nenhum dos dois disse nada.
Carol desviou primeiro, e seguiu pelo corredor no sentido oposto.
Adryan ficou parado, acompanhando ela com o olhar por um instante.
Então soltou o ar devagar, passando a mão na nuca, claramente mexido.
Ele virou e continuou andando, mais quieto do que antes.
O corredor está movimentado. Alunos conversam, alguns encostados nos armários.
Lila e Joana caminham lado a lado. Lila está claramente animada, segurando o sorriso.
Joana percebe.
— Tá. Fala logo. O que aconteceu?
Lila tenta segurar, mas não consegue.
— Foi ontem.
Joana para de andar na hora.
— Ontem…?
Lila olha pra ela, sorrindo.
— Eu e o Joey.
Joana arregala levemente os olhos, surpresa, e depois cruza os braços.
— E aí?
Lila solta o ar, meio rindo de nervoso.
— Foi… perfeito.
As duas voltam a andar mais devagar.
— Perfeito tipo… perfeito mesmo? Ou “foi ok e você tá romantizando”?
Lila balança a cabeça, firme.
— Não, perfeito mesmo. Ele foi super cuidadoso, a gente conversou… não teve pressa nem nada.
Joana observa o rosto da amiga, avaliando.
— E você se sentiu bem?
Lila assente, mais tranquila.
— Muito. Eu tava nervosa, mas… passou. Foi natural, sabe?
Joana relaxa os ombros.
— Então tá. Isso que importa.
Lila sorri, olhando pra frente.
— E depois a gente ficou só conversando… rindo… foi tão… sei lá.
Joana dá um leve sorriso de canto.
— Tá apaixonadinha, né?
Lila ri, empurrando de leve o braço da amiga.
— Para.
As duas param perto dos armários.
— E vocês combinaram alguma coisa depois?
Lila dá de ombros, ainda sorrindo.
— Nada demais… só continuar como a gente já tava.
Joana inclina a cabeça, pensativa por um segundo, mas não comenta.
Lila se encosta no armário, suspirando satisfeita.
— Sério, Jo… tá tudo dando certo.
Joana observa ela.
Lila abre um sorriso maior, confiante.
— Tudo está perfeito… o que poderia dar errado?
Joana não responde. Só levanta uma sobrancelha de leve.
Sinopse Próximo Capítulo – Aos Seus Olhos
Gustavo vem escondendo seus sentimentos há muito tempo, mas não tem certeza se quer continuar assim. Uma nova amiga fofa o tenta a tentar namorar. Após aprender mais sobre racismo, Joana pondera se pode ou não defender Sara.
Atualizado em: Seg 21 Set 2026
