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O Fazer Literatura": Recitar o que foi escrito?
Depois de o meu melhor melhor amigo: Carlos Humberto Pereira de
Andrade, a respeito de eu não recitar meus poemas, dizer que sou "uma
narcisista impressionista metido a tímido e pleiteante do título cânone
de 'O Príncipe da Caneta de Dores', decidi então, finalmente, me
interrogar dos motivos de eu não recitar nenhuma das minhas poesias, e,
por incrível que pareça, encontrei uma explicação racional.
Mas... vendo de uma grau maior, e pelo ângulo dos motivos desta coluna, fiz-me outra pergunta: "Será que escrevemos só para sermos lidos, ou também para sermos recitados?"
Tese: "A mensagem bem passada, é resultantemente bem entendida, mas para isso acontecer, não depende somente do talento do escritor, mas também da bagagem cultural do leitor, de modo que, quando alguém altamente eruditado lê um texto sofisticado para os ouvintes que não têm tanta carga cultural diversificada, eles (os ouvintes) passam a entender melhor 'o que se quer dizer com tantas palavras'. O mesmo acontece com a poesia." [Ana Paula Setúbal, Professora de Língua Portuguesa e Literatura.]
Antítese: "Vi um ator recitando um trecho d'O ALIENISTA, de Machado de Assis, e, embora as expressões desse tal ator condizessem com o texto lido, não consegui imaginar o Machado fazendo todos aqueles gestos. Assim também, como fiquei brutalmente chocado ao ver aquele 'palhaço' narrando o DOM CASMURRO, naquela mini-série especial da TV Globo. Na minha opinião, o que é do papel não é da voz, e vice-versa, pois ambos causam impressões diferentes no recptor;
lembrando que "qualquer 'conceitualização' do 'eu-lírico' de qualquer obra literária é individual e particular de cada leitor, e não deve ser saturada com uma pré-conceitualização 'intermediária' de um... declamador." [José Paulo Maciel dos Santos, Crítico Literário.].
Opinião: "A explicação encontrada para eu não declamar é a seguinte: Quando estou escrevendo uma poesia, ela está acontecendo, e não somente está sendo no papel registrada.
Assim, quando acontece-me uma poesia, tudo ao meu redor me influencia, mas nada é sentido como sendo da realidade comum.
Assim, quando uma poesia é lida em voz alta, o som das palavras trazem já o significado misturado com todo o som do de em volta, fundindo-se com o meio onde está o receptor e mascarando as palavras; sendo assim como dizer a palavra 'amor' ouvindo Hearvy Metal ou Bossa Nova... em cada uma das situações, a palavra será recebida de uma forma diferente.
Assim, quando recita-se uma poesia, o significado real dela, que sempre foi 'interno', passa a ser então 'externo', pois o que se vê não são mais palavras com significados abstraídos, e sim: 'os gestos de quem está recitando é o que está sendo abstraído, juntamente da poesia ouvida. E... mesmo que o recitador seja o próprio poeta, ou seja: o conhecedor dos significados do que ele mesmo escreveu, nunca este poderá expressar com veracidade o que colocou no papel, pois seu estado de espírito, seu humor, e seus pensamentos são diferentes aos do momento em que escrevia. Então... para quê tentar expressar com a voz, com gestos e tudo mais... sendo que as letras são o ponto final da explicação, e cabe daí, somente ao leitor interpretar, abstaindo e concluindo o que diz tal e qual poesia escolheu?
Essa é minha explicação. E em miúdos: Não recito minhas poesias porque sou poeta e não recitador... e o recitador não somente recita as poesias, ele cria um significado... além do que foi posto no papel... o que pra mim é tolice, pois se eu quisesse me explicar além do que escrevi, aumentaria a poesia até que ficasse claro o seu sgnificado... embora isso nunca fosse possível, pois o que eu entendo, outra pessoa entende diferente. É sempre assim.
E... do mais: meu amigo: Carlos Humberto Pereira de Andrade está já morto há um ano, e deve agora estar no inferno... recitando meus poemas para os seus parentes: Demônios, que se preocupam demais com mínimos detalhes... dos outros!
Muito obrigado por visitar esta coluna, volte sempre!
Mas... vendo de uma grau maior, e pelo ângulo dos motivos desta coluna, fiz-me outra pergunta: "Será que escrevemos só para sermos lidos, ou também para sermos recitados?"
Tese: "A mensagem bem passada, é resultantemente bem entendida, mas para isso acontecer, não depende somente do talento do escritor, mas também da bagagem cultural do leitor, de modo que, quando alguém altamente eruditado lê um texto sofisticado para os ouvintes que não têm tanta carga cultural diversificada, eles (os ouvintes) passam a entender melhor 'o que se quer dizer com tantas palavras'. O mesmo acontece com a poesia." [Ana Paula Setúbal, Professora de Língua Portuguesa e Literatura.]
Antítese: "Vi um ator recitando um trecho d'O ALIENISTA, de Machado de Assis, e, embora as expressões desse tal ator condizessem com o texto lido, não consegui imaginar o Machado fazendo todos aqueles gestos. Assim também, como fiquei brutalmente chocado ao ver aquele 'palhaço' narrando o DOM CASMURRO, naquela mini-série especial da TV Globo. Na minha opinião, o que é do papel não é da voz, e vice-versa, pois ambos causam impressões diferentes no recptor;
lembrando que "qualquer 'conceitualização' do 'eu-lírico' de qualquer obra literária é individual e particular de cada leitor, e não deve ser saturada com uma pré-conceitualização 'intermediária' de um... declamador." [José Paulo Maciel dos Santos, Crítico Literário.].
Opinião: "A explicação encontrada para eu não declamar é a seguinte: Quando estou escrevendo uma poesia, ela está acontecendo, e não somente está sendo no papel registrada.
Assim, quando acontece-me uma poesia, tudo ao meu redor me influencia, mas nada é sentido como sendo da realidade comum.
Assim, quando uma poesia é lida em voz alta, o som das palavras trazem já o significado misturado com todo o som do de em volta, fundindo-se com o meio onde está o receptor e mascarando as palavras; sendo assim como dizer a palavra 'amor' ouvindo Hearvy Metal ou Bossa Nova... em cada uma das situações, a palavra será recebida de uma forma diferente.
Assim, quando recita-se uma poesia, o significado real dela, que sempre foi 'interno', passa a ser então 'externo', pois o que se vê não são mais palavras com significados abstraídos, e sim: 'os gestos de quem está recitando é o que está sendo abstraído, juntamente da poesia ouvida. E... mesmo que o recitador seja o próprio poeta, ou seja: o conhecedor dos significados do que ele mesmo escreveu, nunca este poderá expressar com veracidade o que colocou no papel, pois seu estado de espírito, seu humor, e seus pensamentos são diferentes aos do momento em que escrevia. Então... para quê tentar expressar com a voz, com gestos e tudo mais... sendo que as letras são o ponto final da explicação, e cabe daí, somente ao leitor interpretar, abstaindo e concluindo o que diz tal e qual poesia escolheu?
Essa é minha explicação. E em miúdos: Não recito minhas poesias porque sou poeta e não recitador... e o recitador não somente recita as poesias, ele cria um significado... além do que foi posto no papel... o que pra mim é tolice, pois se eu quisesse me explicar além do que escrevi, aumentaria a poesia até que ficasse claro o seu sgnificado... embora isso nunca fosse possível, pois o que eu entendo, outra pessoa entende diferente. É sempre assim.
E... do mais: meu amigo: Carlos Humberto Pereira de Andrade está já morto há um ano, e deve agora estar no inferno... recitando meus poemas para os seus parentes: Demônios, que se preocupam demais com mínimos detalhes... dos outros!
Muito obrigado por visitar esta coluna, volte sempre!
Atualizado em: Qui 15 Jan 2009
