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O fazer Literatura: DesAcordo Ortográfico?

Afinal... muito tem se dito sobre um tal de Acordo Ortográfico, mas para que discutirmos isso? Não é mesmo? Para quê? Para que discutir o que foi feito sem a consulta das pessoas que usam da linguagem escrita para ganharem seu pão de cada dia... ou ao menos, das pessoas que lidam com a escrita como que com pão, onde se tira o que se precisa e depois deixa-se de lado, para secar. Para que os Acadêmicos nos consultariam, se somos só pessoas?

O Acordo só vai ser sentido quando os jornais e os romances adotarem a ortografia modificada... e a desculpa maior para este tal Acordo é que assim facilitará a comunicação das culturas, circulando jornais, romances e livros científicos de diferentes assuntos e aspectos numa só forma escrita... e é claro, que o maior contra-argumento, é que, se poupado o dinheiro com um tradutor destas obras, terá de se usar o mesmo dinheiro para um corretor, pois toda a regra tem de ser analisada; ainda por fim, este contra-argumento reforça a idéia de que somente os países mais evoluídos academicamente, e com uma população mais bem formalmente educada é que serão beneficiados, sendo estes países, apenas: Portugal, e quase num segundo plano e patamar inferiores: o Brasil, pois aqui, e nos outros países lusófonos do Acordo, o semi-analfabetismo é eminente.

Sabe, prezado visitante, esta coluna tem um formato dialético, onde, ao fim, eu apresento a minha opinião, e, portanto: parcial. Ao fim do ano passado, estava lançando meu primeiro romance no exterior, e em Paris, um jornal pediu minha opinião sobre este tal acordo. Eu escrevi uma carta ao jornal para ser publicada, com a condição de que a tal carta não fosse traduzida, e sim: publicada no jornal francês em português. Aqui está a carta. E, após lê-la, peço que você dê sua opinião sobre o Acordo Ortográfico, sendo da Tese: a favor do acordo, e da Antítese: Contra o Acordo.

França; Paris, dia 04 de dezembro de 2008.

Aos interessados na escrita:

Domino de forma cataléptica a língua portuguesa... e sei que ela "era" a mais racional de todas as do mundo porque os acentos gráficos explicavam a tonalidade da voz de quem estava dizendo no texto escrito. Isso mudou. A missão de uma língua escrita é aproximar-se ao máximo possível da falada, quase assim como a música, usando suas expressões e tonalidades como acentos gráficos... acentos estes, que foram quase apagados da escrita formal da língua portuguesa e distanciaram a palavra escrita da falada a ponto de duas palavras com significados "totalmente diferentes" (pára e para) serem agora, pelo Acordo, escritas da mesma forma, e talvez até pronunciadas assim, acaso se lidas ao pé da letra. Isso, sem citar o trema, que será extinto, e fará com que se pronuncie a letra U com mais demora nas palavras modificadas, mudando sua entonação, e talvez até a divisão silábica, se levarmos ao critério dos fonemas para esta divisão. O Acordo ortográfico para o Brasil foi uma burrice consciente!, um desalfabetizar para unificar. Veja a que ponto chegamos pelo dinheiro!

Exijo, exasperadamente, que a Academia Brasileira de Letras pense na língua brasileira, preocupando-se em tornar essa língua originalmente definida com suas normas cultas a todo o povo, que ainda está semi-analfabeto e, com este “tal” Acordo, será confundido mais ainda por essa burrice acadêmica. Exijo, como brasileiro, escritor e ser pensante, uma reconsideração da Academia, e que esta deixe a diplomacia para o Ministério das Relações Exteriores.

Encarecidamente, peço que todas as entidades que representam, e as instituições que lidam com a língua escrita (sobretudo: a União Brasileira dos Escritores e os jornais impressos e eletrônicos) possam tomar uma atitude digna de suas representatividades, tendo sua voz dentro deste acordo feito ao silêncio da racionalidade.

Ainda pasmo com tanta falta do que fazer dos nossos políticos e acadêmicos que concordam com este desAcordo:

Hiago Rodrigues Reis de Queirós. Escritor.

Inscr. Na UBE de Nº: 3881.


Espero sua opinião, seja de a favor: Tese, ou contra: Antítese. Obrigado por visitar esta coluna.

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Atualizado em: Ter 3 Fev 2009

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