person_outline



search

Literatura Morta?

Tratemos de ver um cadáver que passa por nossos sonhos... enquanto estamos acordados. Sim, não somos idiotamente apaixonados como aqueles poetas românticos, bucólicos e sensíveis, apodrecendo de tuberculose... lá do século antepassado. Não, não somos nem como alguns senhores, ou senhoras veneráveis que conseguem rebuscar seu linguajar e assim passar aquela nojeira romântica de antes e aqui já citada como algo, digamos... chato!... não mesmo, não sejamos românticos ao teor rebuscado, mas sim realistas  e aqui nos perguntemos, senhoras e senhores:  A LITERATURA ESTÁ MORTA?

Tese: "A Literatura só morrerá se ninguém mais ler. Se todos paramos de escrever, ainda haverá literatura." [Marck DeMillus, cronista americano].

Antítese: "Tudo está corroborando para que a literatura se acabe. Há escritores vagabundos, que não levam a literatura a sério; há leitores que só lêem auto-ajuda e Paulo Coelho... além daquelas tranqueiras de terror... estamos no lixo, senhores, estamos na época e que os escritores morrem de fome." [Maximilian Cals, escritor paulistano].

Opinião: Há um cadáver chamado Literatura. Cadáver esse, que está em pé só porque eu, você e uns tantos alguns “sonhadores” ainda tentam sustentá-lo. Cambaleia daqui, você apóia este lado; tomba para o outro, e lá está mais um literato segurando... e para quê?

Para que existe literatura hoje, meus senhores, minhas senhoras? O que estamos fazendo com esse cadáver em pé, perambulando cambaleantemente trôpego pela História? Por que não o deixamos cair e o enterramos de vez? -- Talvez alguém assim o note, ou até mesmo escute o barulho estranho da podridão oca caindo na cova.

Sou escritor sim, mas, e daí? Sou mais um maltrapilho... mais um... mais um! Eu, assim como você e alguns tantos outros poucos só estamos nessa de ser literato porque lemos os clássicos e.... sonhamos em fazê-los ser presentes em nossas obras. Mas, deixando essa ingenuidade de lado e me esquecendo dos aproveitadores, que usam da literatura para se promover e só sugam, nada acrescentam, fazendo somente a sua literatura e o resto que mofe... sim, esquecendo aqueles saudosistas covardes que todos vimos hoje nas entrevistas daquele programa que diz ser de literatura, posso te perguntar: O tempo não passou? Vamos, me diga, como escreveremos clássicos se o nosso tempo está matando a vontade de manter em pé essa nossa literatura... morta. O que faremos? Vamos... me responda!

Augusto Cury, Stephen King, Paulo Coelho e suas companhias ilimitadas e perambulantes entre a Auto-ajuda, a Ficção Científica, o Terror-horror e até o Policial Narrativo fazem, e muito bem, de nossa arte, dita: legítima, como uma literatura morta, antiquada, podre, mofada, ultrapassada, ingênua, sentimental e tão profunda, que chega a tratar da alma e da natureza humana como coisas que não são humanas, e sim: sobre-humanas, por conta da tamanha abstração e teorização que fazemos. Estes senhores, com suas vendagens espetaculares, mostram que a literatura feita por eles – que por muitos e não poucos de nós é tida como uma para-literatura, uma não-literatura, uma literatura descartável, ou apenas um entretenimento – é a que está viva, e, se não dizemos estas como literatura, a nossa tal legítima arte é que está morta!

Eu, sou reflexivo, mas não invejoso e nem um pouco ciumento: digo que a literatura deles é sim a verdadeira do tempo atual, pois está viva na leitura, é comprada e devorada por toda a gente; e, a nossa, que é sim a melhor, está morta: não vende, não cheira nem fede, e só é lida pela nossa gente, que mantém o cadáver em pé... esse cadáver que está matando de fome quem tenta manter ele como se estivesse vivo, dando-lhe movimento e expressão de vida... vida? Mas isso não é de hoje não, não... seria loucura de minha parte a isso afirmar como a realidade atual – afirmo como realidade aceita e consumada, somente, pois sei que há muito que temos escritores que “têm profissão” e que se vendem por oito horas para terem duas para poder escrever.

Façamos o quê? Deixemos este cadáver ao chão!, voltemo-nos para nossas clássicas preferências já escritas e deixemos o mundo em paz, sem nossa latomia sonhadora; sem querer ficar de concursozinho e festinhas literárias ou recitâncias em bistrôs ou botequins de cá pra lá, já que ninguém, além de nós e alguns tantos outros poucos nos interessamos pelo “cadaverizado” assunto.

Já que não fazemos – ou não conseguimos fazer -- uma literatura para o povo, povo... que está nas livrarias só por estes senhores que só sabemos criticar, repudiar e invejar... já que não lutamos juntos por um país de leitores da boa literatura que fazemos, vamos então para casa, meus senhores, vamos cortar nossos pulsos, minhas senhoras, vamos tomar veneno ou escrever sem comer nem beber nosso pouco que ainda temos até cair e morrer, deixando este cadáver, chamado: Literatura, descansar em paz.

Vamos nos matar, sim!, pois é melhor do que ficar chorando pitangas pelo lixo de Mercado Editorial ou pelos farelos de leitores que temos, em vez de nos unirmos para pôr todos a nosso serviço: Editores que nos editam... e Leitores que nos lêem. Só assim poderemos ressuscitar esta literatura... que deixamos morrer junto com os nossos professores e antecessores de ofício.

Ficar num mundo fechado, se achando o dono das letras do mundo é fácil, mas erguer a literatura para todos os que estão aí, ávidos a escrever, é que é difícil.

Riscar um conto pelas horas de tédio é fácil... difícil é ver-se e composturar-se como um dos timoneiros, e por isso: responsáveis por esta morta literatura que aí está, mostrando-se viva com os besta sellers dos escritores que só invejamos e não legitimamos.

Obrigado por visitar esta coluna. Volte sempre!
Pin It
Atualizado em: Ter 31 Mar 2009

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br