- O Fazer Literatura
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O que vamos fazer?
A necessidade de uma literatura brasileira no século XXI existe assim como existiu no século XIX, quando nossa literatura se mostrava indígena para não se mostrar francesa ou alemã.... ou no século XX, quando se mostrava "modernista" para não se mostrar clássica européia.
O que, de fato, podemos fazer, hoje em dia, para termos nossa literatura, além de fazer com que o máximo de pessoas entenda que ler um livro não é só diversão, mas que se pode aprender muito - sobretudo: sobre o comportamente e o sentimento -, e que a chatice de ler 400 páginas está em não saber escolher um bom livro (exatamente por não saber direito o que ler)... e do mais: o que nós, escritores, queremos dessa nossa literatura atual, que fecha as partas para quem sonha, mas só sabe sonhar, ou para quem se esforça, mas não tem nada de bom a mostrar... o que, que realmente importa em literatura para um país que tem como elite intelectual pessoas que tem somente um curso superior em seu curriculo?, e não sabem nada sobre nada além do que estudaram na faculdade?
Uma coisa sabemos: que para que a literatura seja feita não adianta somente os escritores se aprontarem a fazerem algo, mas que é necessário um mutirão entre editores, jornalistas, professores, livreiros, promotores culturais, mecenas, formadores de opinião e críticos literários... só assim é que a literatura pode ser erguida e apresentada ao leitor leigo, que nunca nem sequer leu um livro por vontade própria, e sempre obrigado... para poder fazer aquela prova chata... de literatura.
Antigamente as pessoas só sabiam que estavam apaixonadas se comparassem seus sentimentos com os que Stendhal descreveu com Julien e a sra. de Rênal ou a srta. de La Mole, em O Vermelho e o Negro... e só sabiam a intensidade e o tamanho da loucura de seu amor se acaso se vissem na pele de um Romeu ou uma Julieta. As crianças só sabiam da história trágica de seu povo e das relações humanas quando liam Horácio, a Ilíada, As MIl e Uma Noites, e a Epopéia de Gilgamesh... hoje em dias temos a televisão e a escola, que mostram tudo esquematizado ou de forma funcional o bastante para tornar tudo: uma obrigação ou uma diversão exagerada, sem repensamento algum, e portanto: entretenimento.
Nos livros contemporâneos: não aprendemos nada... quando não é só sangue e violência aqui e ali, é lavagem cerebral ou histórinhas para boi dormir roncando... rindo, e pensando que a vida é bela, mesmo sendo ela uma porcaria.
Temos escritores mercadológicos, que guiam sua literatura pela lista dos 10 mais vendidos: e se o 1º lugar é de auto-ajuda, lá vai ele escrever um livro sobre tal. Se é de vampiros, este escritor chega até a colocar aquela dentadura de plástico de criancinha e a fazer cara feia... e assim vamos nós: sempre para trás: regredindo na mentalidade literária.
Entre críticos, jornalistas e editores tudo é política. Não se critica ou se resenha mais um escritor porque ele é notavelmente bom, mas sim porque é desta ou daquela boa e grande editora... editora esta que só tem títulos bons: PHD's, Doutores, Professores e Jornalistas até... mas nenhum escritor, nenhum artista em sua lista de... autores.
Tudo é tão patético atualmente, que, se formos mais a fundo nesta análise, o nojo talvez nos impessa de concluí-la, e é por isso mesmo que a pergunta é o que fica:
Será que nós, escritores, temos mesmo que ser vítimas de todo o mercado editorial, estando na ponta extrema da corda onde, na outra ponta está o leitor... e que só nos nota se quem está ao centro desta corda "nos faz sermos notados"?... ou será que podemos fazer alguma coisa para, efetivamente, mudar este paradigma literário?
Tese: "Os escritores se fecham em Sindicatos, Uniões, Movimentos e Grupos... ou seja: se fecham talvez para sentirem-se mais seguros do que fazem -, mas nunca se abrem, com a força de sua união, para ditar as regras de sua subisitência." [Charles Bonfim, crítico literário]
Antítese: "Escritores unidos podem sim fazer algo pela literatura, desde que a força desta união se una a outras forças, de outras partes do mercado editorial; enfim: acredito muito que algo pode ser feito, pelos escritores, para que a literatura possa chegar a todos". [Kátia Fernandes Veloso, Linguística e pesquisadora].
Opinião: Vejo ainda escritores vítimas e dependentes de editores e jornalistas... não vou aqui ficar delongando sobre o que "é melhor fazer", mas meu apelo é para que "façamos algo", pois fazer literatura não é somente escrever, mas também proporcionar sempre o melhor meio para que ela seja escrita... e lida.
Muito obrigado por sua visita!
O que, de fato, podemos fazer, hoje em dia, para termos nossa literatura, além de fazer com que o máximo de pessoas entenda que ler um livro não é só diversão, mas que se pode aprender muito - sobretudo: sobre o comportamente e o sentimento -, e que a chatice de ler 400 páginas está em não saber escolher um bom livro (exatamente por não saber direito o que ler)... e do mais: o que nós, escritores, queremos dessa nossa literatura atual, que fecha as partas para quem sonha, mas só sabe sonhar, ou para quem se esforça, mas não tem nada de bom a mostrar... o que, que realmente importa em literatura para um país que tem como elite intelectual pessoas que tem somente um curso superior em seu curriculo?, e não sabem nada sobre nada além do que estudaram na faculdade?
Uma coisa sabemos: que para que a literatura seja feita não adianta somente os escritores se aprontarem a fazerem algo, mas que é necessário um mutirão entre editores, jornalistas, professores, livreiros, promotores culturais, mecenas, formadores de opinião e críticos literários... só assim é que a literatura pode ser erguida e apresentada ao leitor leigo, que nunca nem sequer leu um livro por vontade própria, e sempre obrigado... para poder fazer aquela prova chata... de literatura.
Antigamente as pessoas só sabiam que estavam apaixonadas se comparassem seus sentimentos com os que Stendhal descreveu com Julien e a sra. de Rênal ou a srta. de La Mole, em O Vermelho e o Negro... e só sabiam a intensidade e o tamanho da loucura de seu amor se acaso se vissem na pele de um Romeu ou uma Julieta. As crianças só sabiam da história trágica de seu povo e das relações humanas quando liam Horácio, a Ilíada, As MIl e Uma Noites, e a Epopéia de Gilgamesh... hoje em dias temos a televisão e a escola, que mostram tudo esquematizado ou de forma funcional o bastante para tornar tudo: uma obrigação ou uma diversão exagerada, sem repensamento algum, e portanto: entretenimento.
Nos livros contemporâneos: não aprendemos nada... quando não é só sangue e violência aqui e ali, é lavagem cerebral ou histórinhas para boi dormir roncando... rindo, e pensando que a vida é bela, mesmo sendo ela uma porcaria.
Temos escritores mercadológicos, que guiam sua literatura pela lista dos 10 mais vendidos: e se o 1º lugar é de auto-ajuda, lá vai ele escrever um livro sobre tal. Se é de vampiros, este escritor chega até a colocar aquela dentadura de plástico de criancinha e a fazer cara feia... e assim vamos nós: sempre para trás: regredindo na mentalidade literária.
Entre críticos, jornalistas e editores tudo é política. Não se critica ou se resenha mais um escritor porque ele é notavelmente bom, mas sim porque é desta ou daquela boa e grande editora... editora esta que só tem títulos bons: PHD's, Doutores, Professores e Jornalistas até... mas nenhum escritor, nenhum artista em sua lista de... autores.
Tudo é tão patético atualmente, que, se formos mais a fundo nesta análise, o nojo talvez nos impessa de concluí-la, e é por isso mesmo que a pergunta é o que fica:
Será que nós, escritores, temos mesmo que ser vítimas de todo o mercado editorial, estando na ponta extrema da corda onde, na outra ponta está o leitor... e que só nos nota se quem está ao centro desta corda "nos faz sermos notados"?... ou será que podemos fazer alguma coisa para, efetivamente, mudar este paradigma literário?
Tese: "Os escritores se fecham em Sindicatos, Uniões, Movimentos e Grupos... ou seja: se fecham talvez para sentirem-se mais seguros do que fazem -, mas nunca se abrem, com a força de sua união, para ditar as regras de sua subisitência." [Charles Bonfim, crítico literário]
Antítese: "Escritores unidos podem sim fazer algo pela literatura, desde que a força desta união se una a outras forças, de outras partes do mercado editorial; enfim: acredito muito que algo pode ser feito, pelos escritores, para que a literatura possa chegar a todos". [Kátia Fernandes Veloso, Linguística e pesquisadora].
Opinião: Vejo ainda escritores vítimas e dependentes de editores e jornalistas... não vou aqui ficar delongando sobre o que "é melhor fazer", mas meu apelo é para que "façamos algo", pois fazer literatura não é somente escrever, mas também proporcionar sempre o melhor meio para que ela seja escrita... e lida.
Muito obrigado por sua visita!
Atualizado em: Sáb 25 Jul 2009
