person_outline



search

VIDA - UM EPITÁFIO


Tantos foram os encontros desencontrados para um dia me encontrar.
Me encontrar inteira em apenas um lugar.
Como se um lugar fosse um, apenas um.
Como se o momento fosse o agora, apenas o agora.

Nunca fomos um.
Nunca estivemos somente aqui.
Somos, ocupamos e transcedemos.
Felicidade e sofrimento;
São faces da mesma moeda.

Mas o que existe é a moeda.
A moeda e sua história.
Do átomo que faz o metal.
Do metal que vem da rocha.
Da mão que a garimpou.
Da mão que a moldou.
Da mão que a carregou.

É um mundo sem início, sem fim, ou mesmo um meio.

Libertar-se de si, encontrar a nós.
Libertar-se do agora, encontrar a eternidade.
Ser intersendo. Ser não sendo.
Tocando, sentindo e passando.
Passando, tocando e sentindo.
Sentindo, passando e tocando.

Se fosse contar minha história onde começaria?
No útero materno? No antes disso?Ou quantos antes?
Prefiro então não falar de uma trajetória sobre a linha do tempo, pois tenho duvidas se ele existe.

Posso falar sobre contos, assim vejo, contos de uma vida, contos guardados em gavetas, um vasto armário. Gavetas etiquetadas: DENISE BEBÊ, DENISE PEQUENA, DENISE MOCINHA, DENISE JOVEM, DENISE MULHER, DENISE MADURA, e até posso pensar numa DENISE VELHINHA.

Todas coexistem.

O bebê fofinho que jogava ovos no chão, pensando serem bolinhas, já continha em si a DENISE VELHINHA.

Será que DENISE VELHINHA, continuará jogando ovos no chão pensando que são bolinhas? Tenho quase certeza que sim. Ela fez isso a vida inteira.

“Passou a vida jogando ovos no chão.
pensando que fossem bolinhas.”

Seria um bom epitáfio.

Pin It
Atualizado em: Seg 4 Jan 2010

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br