- Prosa Poética
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Vera Viu. Vera Verá.
Vera saiu da sala, arrumou suas coisas e saiu pela porta de entrada da firma por onde passara nos últimos dezoito anos todos os dias, nunca faltara ao expediente, nem mesmo quando os filhos estavam doentes, ou ela mesma. Sua vida havia sido totalmente dedicada ao trabalho até que Fernando aparecera e solapou seu coração.
Saiu sem dinheiro, sem prestígio, e com vergonha. Não olhou para os lados, saiu de cabeça reta, mal conseguia enxergar o chão, seus olhos estavam marejados de lágrimas, mas não deixou nenhuma cair sobre aquele solo.
Entrou no carro, e rodou pela cidade, por fim parou o carro na Avenida Atlântica, em frente ao Copacabana Palace Hotel. Sentou num banco no calçadão. Olhou a imensa faixa de areia que conduzia ao mar, olhou para trás, viu o imponente prédio. Pensou: “- Fernando é como esse prédio, posso entrar gastar meu último tostão e passar uma noite na melhor suíte, mas ele nunca será meu, é como se ele fosse água que escorre pelas minhas mãos, não dá para reter.
Estou acabada, posso também cruzar essa areia, entrar no mar e sumir, sumir para sempre.”
E ficou ali parada por horas, olhava o imponente Hotel, olhava a areia, o mar... Mas não via a vida passar, as pessoas que passavam no calçadão, na praia, nos carros, nas aves que desciam dos céus em busca das migalhas deixadas no chão. Como o mundo vibrava a sua volta, e que não havia um começo ou um fim. Ou que por mais que queiramos reter alguma coisa em nossas mãos, não importa se for água, terra ou ar... ela vai escoar, porque o mundo flui, nada permanece constante ou imutável. Ela estava presa aquela idéia de ser dona de alguém, de alguma coisa. Só somos donos do amor que doamos. Curiosamente o amor que damos ele se multiplica e se divide, uma parte vai para o outro e a outra parte se agrega em nós.
Na hora do final do expediente, ela se recompôs, voltou para casa como se nada tivesse acontecido.
Beijou o marido, tomou um banho quente, colocou sua camisola mais confortável e foi deitar-se.
