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VIA CRUCIS - A Paixão
No Deserto:
Sentou-se numa pedra e encarou o horizonte
Os olhos, como os pensamentos no mesmo ponto.
Não o passado, não o que fora, mais o que seria
Diante da oferta do fausto ou da cruz no monte.
Acendeu uma fogueira e jogou nela todas as queixas
Queimou naquele momento a dó de si mesmo.
Cada pedaço de vaidade, cada grão de egoísmo
A arder em chamas junto ao poder que dispunha.
Labaredas de sua alma em aflição pelas outras almas
Em jogo salvar a si ou salvar do mundo, o homem.
Perder-se na sanha voraz do homem para redimi-lo.
Fôra ao deserto para enfrentar seus próprios demônios
Vencer a si e fazer-se verdade e vida, ser o caminho
Luz do mundo, candeia acesa em seu suor e sangue.
O MASSIAH
Aquele que vence a si mesmo
Vence ao mundo, embora pareça vencido.
Tomou as dores de toda a humanidade
E construiu sólido pensar sobre a vida.
Não mais olho por olho, mas perdão
Não mais dente por dente, mas compreensão
Pisou nos velhos paradigmas como areias
Pedras onde passou arrastando prosélitos
Convocando a todos para a Luz.
Na Montanha
Sobre o monte seu coração vibrou tão intenso
Que as almas eram atraídas ao seu encontro.
Raios luminosos brotaram de si e era o sol
Calor humano, abrigo, conforto, o pão da vida.
Assomou a multidão carente em torno do monte
Buscavam ouvir a canção que ecoava no vale
Como trombetas anunciando a todos a boa nova
Desenhos de esperanças pintados no horizonte.
Esgueiraram para perto da Voz, os famintos de tudo
Estendiam a Ele, a alma, como mãos a mendigar
Súplices em desalinho debruçados sobre o nada.
E a Voz ecoava sobre o monte a conclamar a Luz
Ás almas, com o Pão da Esperança, a fome alimentar.
Aos corpos multiplicando peixes e pão para todos.
O sermão.
Ainda se ouve no mundo a Voz...
Ecoa por todo o universo como uma canção
Um cantar de esperança
Aos “pobres de espírito”...
Àqueles que choram...
Aos mansos...
Aos famintos e sedentos de justiça...
Um poema de incentivo
Aos que se compadecem...
Aos de coração limpo...
Aos pacíficos...
Uma harmoniosa canção de consolo
Aos perseguidos, por serem justos.
Aos injustiçados, injuriados...
Uma festiva música de esperança.
E multiplicou o pão aos famintos
Ao dar como alimento uma prece ao Pai.
Pai Nosso
Que se encontra em tudo, em toda parte.
Alma de todas as coisas, o Todo
Santo é o Teu Nome
Que venha nós o Reino, a Shekinah.
E Tua vontade soberana.
Mergulhamos em tua potência
Nela repousamos e nos abandonamos.
Perdoa nossos medos, nossas dúvidas
Abre-nos os olhos da compreensão
Dá-nos a discernir o mal do bem
Livra-nos de sucumbir à maldade
Amém...
E este Pão tem alimentado o mundo
Consolado aflitos, curado enfermos.
Resgatado os perdidos
E mostrado o Caminho, a Verdade e a Vida.
A Paixão que Liberta
Como um rastro luminoso aos indefesos
Sua palavra atravessava ruas e desertos
Seguiam-no os extasiados pela sua luz,
Contagiados pela força da sua mansidão.
Gente simples, pescadas na maré do mundo
Desabrigados, sofredores, doentes, maltrapilhos
Aprendizes do amor divino, convivas das ruas
Prontos para o banquete, inúteis andarilhos...
Bando de pássaros em transito bendito
Salpicando milagres com Ele, onde passavam
A curar enfermos, fazer andar e a abrir olhos
Não os milagres físicos a atrair multidões
Mas o milagre da descoberta de si, através D’Ele
O perceber da semelhança, a imagem do Criador
A Via Crucis
E são esses milagres, para além do palpável
Este abrir de olhos, que mostrou o mal ao mal
Acendendo a ira incrustada e violenta
Ação de repulsa antagônica agonia
Das sombras diante da Luz
Não sabendo sequer seu papel,
De realçar a Luz como moldura.
Ao tentar eliminar a chama luminosa
Perdeu-se...
Mas, tentou as trevas imprimir o Caos
Por trinta moedas e um beijo
Comprou a Dor, certo que vendia o Amor
Deu a Cezar o que dele era,
E a D’us não deu nada, por nada ter
Fez seu papel, seu escândalo
O caos a serviço da Ordem.
A Crucificação
Carregou nossas dores compactadas numa cruz
Cada insulto, chicotada, cada ofensa
Derramava-se em seu corpo como afago
Como uma caricia do Criador ao seu Filho
Porque no suor e sangue que lhes escorria
Lavava na terra uma esperança nova
E fez Verônicas nossas almas
Ao imprimir ali sua face dorida.
Cravaram-no no madeiro do nosso perder-se
Mas de braços abertos, oferece-nos o ombro
Acolhe-nos no cansaço e no desespero
Ama-nos fincado na convicção de ser D’US
Vence-nos quando se faz vencido.
Ao morrer crucificado, marcou com xis
O ponto onde a todos brota a LUZ.
