- Ficção
- Postado em
Projeto Grifo - Cap. I
dor de cabeça é incrível, meus olhos começam a abrir lentamente, minhas mãos e pernas estão presas a cama de uma enfermaria, meu corpo esta ligado a equipamento hospitalares. Naquele quarto completamente branco com uma luz forte, a enfermeira esta bem perto, mas parece ainda não ter se dado conta que estou despertando, não sei a quanto tempo estou aqui e nem porque. Alias a minhas vida toda é um segredo para mim. Nesse momento eu começo a me mexer e me debater.
Dra. Clarice, Dra. Clarice, ele acordou, o cap. Alex acordou. Disse a enfermeira euforica
Rapidamente um pequeno alvoroço acontece naquela enfermaria e surge na porta a dra. Clarice. Mesmo chegando na correria me encantou, um sorriso fácil, a pele branca e bem lisa, os cabelos logo abaixo dos ombros, mão delicadas, por volta de 1,70m, olhos claros, uma linda mulher
Ora, ora. Acordou o belo adormecido e sem beijo. Como você esta se sentido. Diz Clarice com um leve sorriso
Apenas uma forte dor de cabeça... mas onde eu estou e quem é você, e porque estou preso.
Diz Alex.
Você não me conhece? Diga o seu nome?
Eu sou...Não consigo lembrar...
Seu nome é Alexandre Santos cap. da Marinha e agente da ANDF, esta na base da agência no meio da floresta e esta preso para a sua própria segurança, e é uma pena que não lembre de mim, visto que íamos nos casar daqui a 4 meses. Mas não se preocupe vamos fazer de tudo para você recuperar a memória. Agora vamos dar um remédio para esta dor de cabeça.
então ela aplica me aplica o medicamento no soro enquanto eu ouço a sua voz suave ao meu ouvindo sumindo lentamente e adormeço.
Nesse momento a dra. Clarice se dirige a sala do dr. Ichiro o cientista chefe daquele complexo.
Não sei o que fazer, não entendo, porque eles mataram todos os outros, o que disseram as famílias? Pergunta a dra. Clarice ao dr. Ichiro já no seu escritório.
Todos estavamos cientes dos riscos, não fico feliz por isso, mas felizmente o alex sobrevieu, vamos poder avaliar o que aconteceu.
Só pensa nisso, no que aconteceu, na droga da experiência.
Está agindo com emoção doutora. Talvez deva tirar o alex de seus cuidados.
Não, não faça isso. Eu sei dos riscos também, mas droga, ele ficou em coma por 2 meses e agora não lembra de nada nem de quem ele é ou de mim.
Calma doutora, estamos fazendo tudo o que podemos, mas precisamos ver como ele se comporta, afinal quase que eles acabaram com tudo aqui a 2 meses.
Nem me fale, aquele foi o pior dia da minha vida, mas não consigo entender como eles ficaram agressivos, parece que de repente o medicamento não fez mais efeito.
Os seguranças agora estão portando armas de choque, para evitar outra chacina como aquela.
Mas não podemos continuar o projeto enquanto não soubermos o que de fato aconteceu.
Sim sim, vamos primeiro continuar os estudos com o cap. Santos.
Enquanto isso na minha cabeça algumas lembranças vinham em forma de pesadelos, flashes de tudo que tinha acontecido chegavam e tomavam de assalto a minha mente, eu me vejo matando todas aquelas pessoas, olhos vermelhos como um animal desesperado. Via o sangue em minhas mãos mas eu apesar de destruir tudo a minha frente eu sei que tinha um objetivo, parecia estar procurando algo ou alguém, mas o que? Pior era que tudo que eu conseguia lembrar era esses momentos. Era como se eu não fosse eu, como se eu estivesse fora do meu corpo me observando. Lembro de tiros zunindo nos meus ouvidos e de pessoas vestidas como eu caídos ao meu lado e também lembro de ser atingido e cair no chão e de repente tudo só conseguia ouvir o meu coração batendo. Percebo então que isso não é um pesadelo, são lembranças que me fazem reviver momentos que eu gostaria de esquecer de alguma forma as pessoas que estavam ali me eram familiares sei que eram mas não consigo lembrar.
Não sei quanto tempo se passou desde que tomei a droga que me fez dormir, mas agora embora ainda esteja dormindo de alguma forma estou consciente, percebo o movimento ao meu redor. Mas o que de fato me incomoda são os cheiros que sinto, os sons que ouço, de alguma forma estou bem mais sensível, preciso apenas me concentrar e consigo filtra esses sons, esses cheiros, sei que isso não é normal mas eu sei controlar.
Ainda estou dormindo, os meus olhos estão fechados, como pode, como os meus corpo descansa mas consegue se manter alerta consigo ver quase tudo com os olhos fechados, posso ordenar os meus pensamentos, e o sonho que tive mas parece uma lembrança. Sou assim mas sei que isso não é comum a todos os outros homens e minha pergunta agora não é somente quem eu sou, mas o que eu sou...
Você tem feito tudo o que pode para mante-lo vivo por esse tempo todo tem que ter um pouco de paciência, sabe que o dano no cérebro é irreparavél, logo vamos saber todos os detalhes que precisamos, como estão os exames. Diz Ichiro
Esse é o problema, os exames estão todos normais, parece até que ele tem 20 anos, e outra coisa interessante, não existe alteração cardíaca, nem nos sonhos, o coração dele é constante, parece que não se emociona.
Já contou a ele alguma coisa do que aconteceu antes de ele voltar? - Ichiro
Não, eu ainda não contei nada, tenho medo de alguma reação violenta.
Temos que nos apressar Clarice, se não tivermos como arrumar essa bagunça o nosso projeto será cancelado e seremos transferido para o pior hospital do brasil, pode contar com isso, o governo investiu aqui muito dinheiro e por nossa causa, nós vendemos a ideia, fizemos o ministro acreditar. - fala Ichiro com uma voz tremula.
Eu sei Dr. Mesmo sabendo disso, a carreira não é a coisa mais importante para mim nesse momento, a saúde do Alex é a minha prioridade. - diz firmemente Clarice
Escute dra. 2 oficiais da marinha e 2 da aeronáutica e 3 do exercito, os melhores, foram mortos por ele, dos participantes do projeto ele foi o único que restou. Fala de forma tensa Ichiro.
Não tem provas que foi ele! - Clarice contestando
Quem mais teria sido, ele ainda deletou os Hd da sala de segurança. Diz Ichiro
Como ele fez isso e voltou para se abraçar ao corpo de Ciro.
Eles ficaram por 2 horas ali, vamos concordar, ninguém conseguiria mata-los se não estivessem uns contra os outros. Veja bem Clarice, estamos a quatro anos nesse projeto e estávamos com eles preparados a 6 meses, só seis meses com eles na ativa e voltamos a estaca zero, precisamos saber o que os fez surtar.
Foi feito um exame detalhado de todos os corpos e nada de anormal foi encontrado, os niveis de contentor de agressividade eram razoáveis, não teria nenhuma razão para se comportarem daquela forma. Mas sabe o que acho interessante? Agora o Alex parece estável e não tá tomando nada, nem contentor e muito menos IC5.
Verdade, pelo quantidade de IC5 que tomou deveria tomar contentor pelo resto da vida. Confirma Ichiro.
Deixa eu voltar ao meu próprio mundo, me sinto um verdadeiro abelhudo fazendo isso, mas ainda não posso confiar em ninguém, porque alguém me traiu aqui, alias nos traíram, pois todos morreram exceto eu.
Incrivel nesse momento estou dormindo e consigo ver tudo o que acontece ao meu redor, meu corpo descansa e ainda assim esta alerta, mas não consigo ainda lembrar de nada que aconteceu na minha vida, é como se esse tempo todo que estive aqui tudo tivesse sido apagado da minha mente, consigo lembrar de tudo que aconteceu antes, na verdade a ultima lembrança que tenho é chegando no aeroporto de Manaus, é como se passassem uma borracha e tirassem todas as lembranças dali. Naquele dia estava tão eufórico, trouxe apenas uma mochila com poucas roupas, mesmo tendo passado os últimos 12 anos da minha vida no mar, estava meio assustado pois agora não poderia me comunicar com a minha família, tinha que mergulhar nesse projeto que ainda nem sabia como era, Ciro e Carlos estavam comigo, pois eram da minha unidade. Eram 3 dos oito voluntários para o projeto, Eu e Carlos já havíamos estado ali muitas vezes, mas Ciro não é um jovem que tem muito coisa pela frente, pelo menos tinha, eu tentei persuadi-lo para não vir conosco, falei dos riscos de um projeto como esse, agora éramos agentes de uma agência que para todos os efeitos não existia, mas é inútil tentar parar um jovem cheio de vontade como ele. Espere, depois de sair do portão estamos passando pelo estacionamento, quem esta conversando com Selma perto do lago a frente do entrada no aeroporto. Aquele pequeno lago com os todos os peixes e quelônios, tem algumas crianças perto, mas o que me intriga é o homem com Selma, na época eu não a conhecia e nem ela a mim, mas o homem com ela me olhou nos olhos, porque, o que ele sabia sobre mim e o que fazia com ela ali?
Ouço passos na direção do meu quarto, pelos toques no solo sei que é uma mulher, com certeza a linda doutora clarice, bem está na hora de abrir meus olhos e fazer algumas perguntas.
Ora ora, o remédio que dei deveria fazer efeito por mais umas 2 horas, pelo visto você já esta voltando a sua forma. Diz com um sorriso no rosto Clarice.
É sobre isso que quero falar Doutora, Porque isso não é normal, o que eu tenho de diferente, qual seria a “minha forma”. Sarcasticamente Alex.
Você ainda não esta bem, precisa descansar um pouco mais, prometo que vou lhe contar tudo, agora preciso fazer alguns exames, seja um bom menino e deixe eu fazer o meu trabalho. Brinca clarice
Então ela aponta uma lanterna nos meus olhos, verifica minha garganta, mede a minha pressão e faz varias anotações e vira para mim e diz: Adoraria soltar você dessa maca, mas tenho que ter certeza que esta controlando seus instintos, que não vai machucar ninguém aqui, na verdade eu sei que seu lado humano ainda esta ai e é com esse Alex que estou falando: Eu te amo... soluça como se quisera chorar mas segura a expressão facial e vai embora. Em seguida a enfermeira aplica no soro uma outra droga e eu lentamente adormeço novamente, mas dessa vez não como antes.
Esta chegando flashs na minha mente, um pesadelo, lembranças em forma de pesadelos, mas é como se estivesse vendo um filme, posso andar dentro do sonho, posso ir para o outro lado posso controlar o que quero ver é como se eu estivesse dentro de uma moderna sala de arquivos de videos só que ainda não sei usar.
Alex, tem aquele tempo agora, preciso te falar uma coisa. Diz Josile gouvea
Sim Josi, pode falar eu tenho tempo agora, ainda bem que parou de me chamar de senhor.
Bem, o que tenho que falar não é fofoca, mas tenho notando coisas estranhas aqui, eu ando em todas as dependências e tenho visto um comportamento suspeito, a Selma está conversando muito com o Dr. Arruda, o senhor, digo você me pedio para deixa-lo a par de qualquer atitude suspeita, então estou lhe contando.
Obrigado Josi, talvez não seja motivo para nenhum alarme, parece que os dois estão tendo um caso, o que não seria errado se os dois não fossem casados, mas se for só isso não é da minha conta, mas mesmo assim vou tentar ver isso de perto.
Nesse momento a imagem parou, e eu estava la parado sentando na frente da Josi, mas o meu outro eu o que estava observando tudo sai daquela sala e começa a vir uma outra lembrança: Um lugar escuro, um cheiro de sangue, o alarme de incêndio esta acionado, a única claridade que tem vem das fracas luzes de emergência, me vejo agarrado ao corpo de alguém, mãos sujas de sangue, estou chorando e olhando tudo ao redor, estão todos mortos, não sei quem os matou nem imagino o que aconteceu, mas a lembrança começa dai, quero ver o que aconteceu antes, mas não posso, muita agua no chão tudo esta destruído de repente escuto alguém chegando: Venham me matem, atirem na minha cabeça, me matem seus babacas, acabem logo com isso. Posso ouvir Clarice chegando, correndo e peço que seja tudo rápido, não quero que me veja levar um tiro, de repente ouço o disparo, posso me desviar da bala se quiser, mas não faço, o grito de Clarice dizendo não também ecoa no meu ouvido, mas não ligo porque agora nada mais importa, estou querendo dar um fim em tudo isso, só quero paz e só posso ter paz na morte. Vejo minha cabeça ser alvejada por bala de pistola que a atinge na parte esquerda onde fica alojada dentro do cérebro, meu corpo cai, e treme involuntariamente por alguns segundos, Clarice chega e desesperadamente me segura e chora muito, o seu desespero é evidente. Mas a grande pergunta é como posso estar vivo.
As lembranças se foram e começo novamente a ouvir tudo e sentir cheiros que não estão ali perto, os sons são misturados então preciso me concentrar para organiza-los, filtrando apenas o que eu quero que fiquei na minha mente, sim a voz da doutora Clarice, ela deve estar conversando do outro lado do corredor, mas quando me concentro posso amplificar e ouvir tudo com clareza.
