- Prosa Poética
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Meu Pai Morreu
Rio de Janeiro, 18 de outubro de 2011, vejo o corpinho de meu pai pela última vez, no caixão coberto de flores brancas, seus olhinho pareciam querer abrir, as pessoas falavam:- Ele descansou!
E eu pensava:
- Mas ele não estava cansado! Ele queria continuar vivendo, mesmo em seu corpo agora frágil, ele queria com todas as dificuldades de entendimento e locomoção, continuar a ver a vida que ele construiu em cada passo de dignidade e honradez.
Tive tempo de sobra para me despedir, vi dia a dia que aquela vela se apagava, mas jamais imaginei que Deus daria seu sopro derradeiro tão rápido. Pegou-nos de surpresa.
Passei a noite com ele no hospital, pouco antes de morrer.
Levei ao banheiro, dei banho, coloquei a roupa, penteei o ralo cabelo branco, e cantei para ele a canção de ninar que ele compusera para mim quando nasci. Ele me olhou fixamente, não sei o que pensou, mas acredito que tenha ficado orgulhoso por nunca ter esquecido. Dei-lhe um beijo na testa, e disse-lhe o quanto o amava. Deitei-me no sofazinho ao lado e fiquei olhando aquele corpinho deitado.
No dia seguinte o vi rezar, e ele dizia a Nossa Senhora, que fosse feito o melhor, que ela o ajudasse. Lembrei-me de mim aos dez anos no curso de natação, quando o professor mandou que eu mergulhasse na piscina e nadasse até a outra margem, mas eu não sabia nadar direito, mesmo assim mergulhei e no meio do percurso comecei a afogar-me. O mandante professor pulou e salvou-me. O que me deu a confiança que de qualquer forma ela o salvaria, para a vida ou a vida depois.
Eu nasci na rua das Laranjeiras, meu pai morreu na rua das Laranjeiras. De certa forma, nasci e morri nas Laranjeiras. A vida chega a ser engraçada mesmo na morte.
Enfim: “Descanse em paz!”
