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HAITI - A CRUELDADE E O VIRUS
Enfeitastes o rosto e com batom rubro marcaste o signo.
Quem és tu e porque tu és tão vulgar, ou te vulgarizam.
Por que abristes a arvore da vida para servir ao teu estomago cruel.
Pobre moça criança pura de olhar penetrante
Nascestes na fome e no desastre da morte
Ouviste o estrondo da terra e sob os teus pés jaz pais e mestres
Não tens alento na vida, não tens mais família, só o rosto.
E a face cruel de quem te observa não com piedade
Mas com desejos de desgraça maior.
Mesmo criança com ar colorido de sonhos mil
Perdeu os ventos da liberdade de escolha
Destes o que era o céu no inferno da rixa.
Aprendeste a sorri pelo dinheiro
Por algo maior que menor só poderá ser
Diante do incrédulo mundo cruel do disfarce
Deitada embaixo da cama esperas a desonra
Pois hás de esconder do mundo a vergonha
Da deflora e do pecado que não é teu
O pior é a dor do grude que não sai
E não sabes se é sadio ou carrega o mal
Aquele que poderá te destruir e te arrasar
Pois desse modo vil
Mesmo embaixo do prédio que caiu
Podes ainda ganhar.
O vírus
