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Fora de Alcance (Capítulo Quatro)
Um barulho nos arredores despertou Douglas e Emmanuelle do sono que outrora os envolveu. Eles se entreolharam, conscientes de que havia alguém lá fora. Douglas abriu a gaveta da escrivaninha ao lado da cama, e de lá tirou um revólver.
— Douglas, o que você pretende fazer?
— Vou descobrir quem está lá fora. Você fique aqui, se vista e só saia se eu mandar.
Ele vestiu sua calça e saiu do quarto.
Ao descer as escadas, ele pôs-se a ouvir, e descobriu que quem quer que estivesse lá fora, tentava entrar pela porta dos fundos. Ele caminhou até lá, arma preparada para disparar caso fosse necessário, e postou-se atrás da porta, com a mão segurando a maçaneta. Ele deslizou suavemente a maçaneta, abrindo a porta imperceptivelmente, e então a escancarou, para se deparar com...
— Carlos, o que você está fazendo aqui? Quase explodo sua cabeça agora.
Douglas abaixou a arma, olhando os arredores uma última vez para garantir que não havia mais ninguém por ali, e então o homem entrou. Eles foram para a cozinha, onde o homem se sentou na bancada e se serviu de uma xícara de café.
— Você tem alguma noção da porra do rebuliço que a morte do senhor Rossano causou na associação, Douglas? Eles querem a sua cabeça, e a da sua cadela.
— Carlos, você não está pensando que...
— Eu não, mas eles têm certeza de que você e a vadia apagaram o chefe. Ela está por aqui, não está? Vocês precisam sair daqui agora.
— O próprio senhor Rossano exigiu que eu tomasse conta dela. Ele sabia que a hora da sua morte estava chegando, Carlos.
— Eu acredito em você, Douglas. Mas os outros associados não. Por isso vim até aqui, imaginei que estivessem aqui. Que porra! Vocês não podem continuar se escondendo neste lugar, saiam daqui imediatamente. Sumam do mapa até que esta história se esclareça.
— Eu não posso fazer isso, Carlos. O senhor Rossano era como um pai pra mim. Eu preciso descobrir quem o assassinou, quem está tentando me incriminar por esse crime. Assim que Emmanuelle estiver a salvo, eu vou achar o desgraçado.
— Você sabe que sempre admirei sua coragem e determinação, mas isso não vai salvar você agora. É melhor se afastar, Douglas, ou eles vão comer seu rabo, e o da garota, e depois vão cuspir na cova de vocês.
Emmanuelle surgiu na cozinha neste momento. Os dois a encararam, e Carlos mais que depressa se levantou.
— Para seu próprio bem, é melhor me dar ouvidos, Douglas — e ele saiu.
Douglas caminhou até Emmanuelle e a abraçou, enquanto o homem saía da casa. Seus olhares ainda se encontraram uma última vez, e Douglas pôde ver que ele não estava de brincadeira.
— Emmanuelle, se estiver com fome, faça seu lanche agora, enquanto vou preparar nossas coisas. E prepare para que possamos levar conosco também; vamos sair daqui imediatamente.
***
Douglas e Emmanuelle chegaram ao carro bem a tempo, e se embrenharam pela floresta no exato instante em que vários carros estacionaram bruscamente ao redor da casa. A sorte foi que Douglas conhecia absolutamente todos os caminhos que levavam àquele lugar, e pôde escolher o menos divulgado de todos. Ainda puderam ouvir o barulho que se fez quando a casa foi arrombada, mas logo já estavam longe dali.
A estrada que eles percorriam já não devia ser usada há bastante tempo. Vegetação crescera bastante por ali, e a estrada estava bastante esburacada. Mesmo assim, conseguiram manter uma velocidade constante até alcançarem a estrada pavimentada novamente.
— Quem era aquele homem na cozinha, Douglas? — Emmanuelle perguntou assim que notou que ele relaxara um pouco.
— Era o Carlos, não se lembra dele? — Douglas respondeu.
— O rosto me é familiar, mas sinceramente não faço a mínima idéia de quem seja.
— Tudo bem, não tem problema. Vocês não tiveram mesmo muito contato. Ele era um dos principais homens do senhor Rossano, mas gostava de preservar sua identidade. Poucas pessoas conhecem as feições de Carlos Cavalcante.
— Ele não é uma ameaça?
— Não o Carlos. Ele está do nosso lado. Quer encontrar o desgraçado que causou tudo isso tanto quanto nós dois queremos.
Emmanuelle encostou a cabeça no ombro de Douglas, e assim permaneceu, observando a paisagem que passava velozmente por eles. Por fim ela quebrou o silêncio novamente.
— Para onde vamos agora? A cada instante que se passa, minha vontade de fazer justiça cresce mais.
— Quem quer que seja o culpado, vai pagar por isso, Emmanuelle. Mais cedo ou mais tarde.
— Só não pode demorar muito, Douglas. Não quero viver como uma fugitiva novamente.
Assim que as palavras saíram de seus lábios, ela já se arrependeu de ter dito. A sorte é que ele parecera não ter prestado muita atenção ao que ela disse.
Mas Douglas ouvira muito bem. Ela dissera que não queria viver como uma fugitiva novamente. E por mais que ele quisesse, não poderia deixar aquela afirmação passar batida. Aquela afirmação lhe dera uma nova resolução de vida; ele definitivamente descobriria o porquê de ela ter dito aquilo. Afinal, tudo levava a crer que aquela seria mais uma peça do imenso quebra-cabeça que era o segredo que a ligava a Salvatore Rossano.
— Você me perguntou para onde vamos agora, certo?
— Certo — ela aquiesceu.
— Pois bem, vou te levar para casa.
