- Poesias
- Postado em
Carbono
A lembrança instintiva de quando tu apertava minha garganta com teus nós, ainda amarga minha bocaMe faz vomitar e transpirar de pavor
Toda noite.
Quando ameaçava rasgar minha pele, da forma mais deplorável possível,
Eu tremia, as paredes tremiam
Tu, solidificava
Prendeu meus pulsos sob o tampo da mesa, minha cintura junto à cadeira. Escancarou minha boca e descia longas e cheias colheres de medo,
Embebedou-me de pavor,
Tornando-me satisfeita da intoxicação.
Acolhia-me na cama com um abraço. Onde eu era imóvel,
Onde tu expandia,
Onde eu era invadia.
Teus dedos longos arrancaram todas as portas, apedrejaram todas as vidraças
Eu sangrava,
Enquanto ninava-me ao som de meus gritos abafados.
Surpreendente ficara o brilho do terror em teus olhos naquela madrugada onde levantei para beber água.
Tu intacto nos lençóis sujos,
Indefeso
Caótico
Fragmentado
Há em mim, todas
Os abates teus e dos outros
Há em mim a morte,
Há em mim a vida.
A voz que não é mais coberta pela tua,
As amarras que não esmagam meus pulsos.
Tudo fede a gasolina,
Suor,
Covardia.
Trago o cigarro. Te dou uma prova.
Tu inflama.
Espalha,
Desespera.
Agridoce é o gosto de mulheres-oxigênio.
Tenho meus próprios pulmões
Espero que os teus,
Derretam no carbono.
Atualizado em: Dom 3 Fev 2019
