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Anemoia
O belo que foi visto
Apenas por memória turva
Não acontecimento de fatos
Saudade do vento vazio
Há um espaço entre os bancos
Da praça; estou à espera
Procuro uma memória longa
Longe, que não ouvi passar
O quente de um abraço
O leve calor de um beijo
Um guarda chuva em meio à garoa
Uma capa colorida, um céu azul chuvoso
Rodopios em longas avenidas
As árvores da praça balançam
Espero pelo abraço, louro vermelho
Mas este não veio ainda, está por trás das cortinas de veludo
Eu sinto a madeira do palco
Debaixo de meus pés; o calor do momento
Do navio, o convés
Da bailarina, o tule azulado
Mas sequer pisei ao palco
Nem roteiro atuei
O abraço não recebi
A chuva não vi cair
Anemoia
Saudade do que não vivi
Como o aveludado de um vinho doce
Queima a garganta, acelera o coração
O toque dela em meu corpo
Tua cintura em minhas mãos
Lembro-me como se fosse ontem
Mas não vivi; tenho saudades...
O vento batendo em meu rosto
Nossas mãos unidas, corremos pela estrada
Anemoia, música nos fones
A chuva, um sorriso, felicidade
A espera de uma nova lembrança
O cair das folhas no outono
Alteração na voz do ator, poeta
Um "Eu te amo" sussurrado à luz tardia
Anemoia
Anemoia
...
Anemoia.
Atualizado em: Qua 6 Out 2021
