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MATINÊ

Ouço da escuridão um estampido 

E vejo algo que jamais havia visto 

O meu espírito fugindo de mim

Dizendo que eu sou seu castigo.


Vejo do fumaceiro um figurino 

E ouço algo que jamais havia ouvido 

A minha voz, de fora, falando comigo 

Dizendo que eu sou seu labirinto.


Abro as janelas na tarde plena das quinze.

O ar me respira. E finjo o próprio melindre.

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Atualizado em: Seg 22 Abr 2024

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