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Numa terça-feira qualquer
É numa terça-feira a noite que, às vezes, se percebe que se sua vó morresse você não sentiria falta dela
É numa terça-feira a noite que, às vezes, se percebe que se sente uma pessoa horrível por não gostar dos próprios parentes
É numa terça-feira a noite que, às vezes, se percebe que é muito sozinha, mais que os demais
É numa terça-feira a noite que, às vezes, se percebe que sempre ser sozinha é nunca saber, nunca entender
É numa terça-feira a noite que, às vezes, se percebe que você deseja ser rasa e levemente tapada como qualquer pessoa superficial de alma comum e nova, e não envelhecida juntamente com o sentimento de não pertencimento
É numa terça-feira a noite que, às vezes, se percebe que se acha arrogante demais por chamar outros de tapados e rasos
É numa terça-feira a noite que, às vezes, se percebe que amar se torna muito difícil quando não se entende todo resto além do amor que sente
É numa terça-feira a noite que, às vezes, se percebe que preferiria não sentir qualquer coisa, porque não entende nada e não saber, não entender, parece ser mais doloroso do que ter noção do que sente
É numa terça-feira a noite que, às vezes, se percebe que você não é tudo o que acreditou ser por toda sua vida
É numa terça-feira a noite que, às vezes, se percebe que não sabe o que quer ser
É numa terça-feira a noite que, às vezes, se percebe que não se sabe de nada.
Atualizado em: Qui 2 Maio 2024
