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Uma Noite de Reflexões: Entre Caipirinhas e Promessas de Responsabilidade
Numa sexta-feira que se arrastou como poucas, dessas em que a sensação é de engolir marimbondos e duvidar se as mordidas mais doloridas são as deles ou as suas, resolvi me conceder um pequeno desvio da rotina implacável de mãe solo, profissional liberal e mulher divorciada com uma reputação ilibada.
Recebi uma mensagem de uma conhecida: "Que tal um drinque para comemorar o novo emprego de uma amiga?" Intrigada e ansiosa por uma pausa, aceitei, mas fiz questão de ir no meu carro – uma garantia silenciosa de meu regresso seguro ao lar.
Ao chegar ao local, um bar vibrante frequentado por universitários, senti-me brevemente como a vovó do grupo, um peixe fora d'água em um mar de jovens entusiasmados. Meu pedido? Uma caipirinha de kiwi, que se mostrou um deleite refrescante. Me mantive observadora e discreta enquanto minhas amigas lançavam olhares e sorrisos aos jovens presentes, mas eu preferi me dedicar ao meu drinque e, subsequentemente, a águas com gás, limão e gelo – repetidas vezes.
As horas se desenrolaram com a leveza dos que têm poucas preocupações, até que a realidade nos convocou de volta. A noite terminava e, responsavelmente, assumi o volante do meu veículo. Mas, quando nos deparamos com ruas bloqueadas e a iminência de uma blitz, o pânico sutil tomou conta de mim. "E se tiverem de verificar se bebi?", questionei-me, enquanto a ansiedade crescida borbulhava à ideia de ser flagrada pela lei seca.
Ao soprar o bafômetro, uma mistura de vergonha e alívio se entrelaçava em mim. Ali, rodeada de desconhecidos em situações variadas – alguns barulhentos, outros irritados ou preocupados com as consequências financeiras de um possível flagrante – senti o peso de uma possível irresponsabilidade pesar em meus ombros.
O alívio veio quando o resultado mostrou-se negativo para o teor alcoólico. Embora grata, a vergonha de ter mentido ao policial, dizendo que não havia bebido, ainda que fosse apenas um drinque horas antes, martelava em minha consciência. Prometi a mim mesma, naquele momento crítico, nunca mais me submeter a uma situação tão vexatória e potencialmente perigosa.
Essa experiência reforçou uma lição essencial: a responsabilidade não apenas por mim, mas pelos outros ao meu redor. Dirigir após beber, mesmo que pouco, é um risco inaceitável. A prudência deve sempre preceder a conveniência. Prometi a mim mesma, como mãe, mulher e cidadã, nunca mais flertar com tal imprudência. Assim, esse episódio tornou-se um lembrete firme e persistente: segurança e responsabilidade nunca devem ser comprometidas por momentos de lazer efêmeros.
Atualizado em: Qua 20 Nov 2024
