Nat está sentada no sofá, nervosa, com o celular na mão. Lucas entra na sala e percebe a tensão.
— Nat, o que aconteceu? Você está pálida.
— O... o Ricardo... ele foi solto — disse Nat, com a voz trêmula.
Lucas fica surpreso.
— O quê? Como assim? Ele não ia ficar mais tempo na cadeia?
— Eu não sei, Lucas! Recebi uma ligação do advogado... Ele disse que ele conseguiu liberdade condicional.
— Isso é horrível. Mas não se preocupe, Nat. Eu não vou deixar nada acontecer com você. Eu vou te proteger.
Nat olha para o irmão com lágrimas nos olhos.
— Obrigada, Lucas. Eu estou com tanto medo...
Personagens Regulares (ordenados alfabeticamente por sobrenome)
Katia Cardellini
José Ferreira
Natasha Jonsson
André “Magrão” Kimmich
Bruno Roberto de Lima
Leandra Lopes
Elizabeth “Liz” Muller
Cleiton Reis
Felipe Rodrigues
Amanda Souza
Valéria Tralli
Estevão Motta Zieler
No dia seguinte, Nat caminha apressada, segurando uma sacola de compras. De repente, Ricardo surge na sua frente.
— Olha só quem eu encontrei... a princesinha que me colocou atrás das grades.
Nat, assustada, dá um passo para trás.
— Ricardo... o que você quer?
— O que eu quero? Eu quero que você e seu irmãozinho paguem por tudo que me fizeram passar! Vocês me tiraram tudo!
— Você sabe o que você fazia comigo; nós só contamos a verdade! Você mereceu ser preso! — disse Nat confrontando Ricardo.
Ricardo dá um sorriso sarcástico.
— Você bem que gostava.
Ricardo se aproxima de Nat com um olhar ameaçador. Nat larga a sacola e sai correndo.
Nat entra em casa, ofegante, e conta para Lucas sobre o encontro com Ricardo.
— Lucas, ele me ameaçou! Disse que vai se vingar da gente!
— Aquele... nós vamos à delegacia prestar queixa! — disse Lucas, furioso.
Estevão está sentado na cama, com o notebook aberto à sua frente. A tela mostra o rosto de Igor, seu amigo, em uma chamada de vídeo.
— E aí, cara, como estão os preparativos para o grande dia? — perguntou Igor.
Estevão sorri, um pouco nervoso.
— Ah, você sabe, tentando não pensar muito nisso. Mas é difícil, né?
— Imagino. Mas você treinou pra caramba, vai tirar de letra!
— Espero que sim. Estou ansioso pra entrar na equipe!
— E vai entrar! Você sempre foi o mais rápido da turma, lembra?
— É, mas o teste vai ser pra corrida de 1500 metros.
— Relaxa, foca no seu ritmo e dá o seu melhor. E depois me conta tudo!
— Valeu!
— E vê se dorme cedo hoje, hein? Nada de ficar virando a noite no celular.
— Pode deixar, senhor preocupação. Já vou desligar, aliás.
— Beleza, então. Boa noite, Estevão! E dorme com os anjos! — disse Igor zoando o amigo.
— Oxe, cara tá maluco? — perguntou Estevão.
Igor começa a rir; Estevão fecha o notebook e se levanta, bocejando.
— Cada coisa — disse Estevão, balançando a cabeça em negativa.
Mais tarde naquela noite, Nat está deitada na cama, sem conseguir dormir. Lucas entra no quarto e senta ao lado dela.
— Nat, eu sei que você está com medo, mas eu não vou deixar nada de ruim acontecer com você. Eu vou te proteger, sempre.
— Obrigada, Lucas. Eu não sei o que seria de mim sem você — disse Nat, com lágrimas nos olhos.
— Nós vamos superar isso juntos. Eu prometo.
Lucas abraça Nat, tentando acalmá-la. Os dois ficam em silêncio por um momento.
— Agora tente dormir um pouco. Amanhã será um novo dia — disse Lucas para a irmã caçula.
Nat fecha os olhos, ainda com medo, mas um pouco mais aliviada com a presença do irmão.
Na manhã seguinte, o sol nasce suavemente, iluminando a rua tranquila. Estevão está correndo na pista de atletismo.
— Hoje é o dia. Preciso dar o meu melhor — pensa Estevão.
Wilson Azevedo, um garoto alto e atlético, também está correndo na pista e observa Estevão.
— Bom dia! Vai fazer o teste para os Panteras? — pergunta Wilson.
— Bom dia, vou sim. — respondeu Estevão e você?
— Não, só estou correndo para manter a forma — responde Wilson.
— Ah, entendi. Eu vou tentar entrar para a equipe de 1500 m.
— Legal! Eu estava vendo você correr, você leva jeito. Mantenha o foco e a determinação, você vai conseguir — diz Wilson, encorajando Estevão.
Algum tempo depois, vários alunos chegam à pista, formando um grupo animado. O treinador Charles, um homem forte e experiente, reúne todos.
— Bom dia, pessoal! Hoje teremos os testes para as equipes de corrida e salto à distância. Quero ver o máximo de vocês!
O treinador apresenta os co-capitães das equipes: Wilson e Margarete. Estevão fica surpreso ao vê-los.
— Eles vão ajudar na avaliação dos candidatos. Boa sorte a todos!
Estevão pensa consigo mesmo:
— A Margarete é co-capitã? Incrível! E o Wilson também... Ele parecia tão tranquilo.
Enquanto o treinador explica os detalhes dos testes, Estevão observa Margarete e Wilson interagindo com os outros alunos. Ele se sente um pouco nervoso, mas determinado a mostrar seu potencial.
— Vamos começar com os testes. Boa sorte a todos! — diz Margarete, dirigindo-se aos alunos.
Wilson está ao lado de Margarete.
— Lembrem-se, o mais importante é dar o seu melhor.
Estevão se prepara para o teste, com o coração acelerado. Ele está pronto para enfrentar o desafio e mostrar a todos do que é capaz.
Nat está em sua casa tomando café e com uma expressão preocupada, Lucas entra na cozinha.
— Lucas, não vou pra escola hoje. — disse Nat.
— Beleza, mas amanhã você vai, hein?
— Tá bem.
Na pista de atletismo
Wilson se aproxima de Charles, que observa os candidatos correndo.
— Treinador, vi aquele garoto loiro correndo mais cedo... Ele é muito bom! Chama-se Estevão.
Charles observa Estevão correndo, concentrado.
— Hum... Ele parece ter jeito para a coisa. Tem uma boa postura e um ritmo forte.
Charles chama Estevão para perto.
— Estevão, você já treina há muito tempo? — perguntou Charles.
— Sim, quando eu era mais novo, participei de algumas competições. — respondeu Estevão.
— Entendo... Bom, Estevão, você está aprovado. Pode ir para casa e volte amanhã para começar os treinos.
— Aprovado? Mas... e os outros testes? — Estevão perguntou com uma expressão confusa.
— Não preciso ver mais nada. Seu talento é evidente.
— Mas isso não seria justo com os outros candidatos. Prefiro fazer todos os testes, como todo mundo. — falou Estevão, incomodado.
Charles ergue uma sobrancelha, surpreso com a atitude de Estevão.
— Tudo bem, Estevão. Se você insiste... Mas saiba que me impressionou.
Margarete, que ouviu toda a conversa, observa Estevão com admiração.
— Ele poderia ter aceitado a vaga e entrado direto para o time, mas preferiu ser justo. Que atitude incrível! — pensou Margarete.
Margarete sorri, inspirada pela honestidade e humildade de Estevão.
Nat está em sua casa e seu celular toca. Ela vê que é um número desconhecido e não atende.
Após os testes, Wilson vai falar com Estevão.
— E aí, Estevão? Mandou bem nos testes, hein? Impressionante!
— Ah, valeu, Wilson. Acho que consegui me sair bem.
— Acho? Você mandou bem, cara! Temos grandes chances no estadual esse ano.
— Espero que sim!
Margarete se aproxima dos dois: — Parabéns! Seus resultados foram excelentes.
Estevão olha surpreso.
— Margarete! Obrigado!
Wilson percebe algo rolando entre eles.
— Bom, acho que vou procurar o treinador. Preciso falar com ele. Com licença!
Wilson sai, deixando Estevão e Margarete sozinhos. Estevão fica sem graça.
Margarete, com um sorriso gentil: — Estevão, eu queria te dizer que achei muito legal a sua atitude de priorizar os testes. Mostra que você é focado e profissional.
— Sério? Obrigado, Margarete. Eu só... achei que era o certo a fazer.
— E foi. Que tal um café? Para relaxar depois dos testes.
— Ah, eu... preciso treinar mais um pouco — disse Estevão, tentando evitar uma situação difícil para ele.
Margarete sorri.
— Hoje você vai descansar. Vamos tomar um café, conversar um pouco.
— Mais temos aula agora.
— Relaxa Estevão, somos da equipe de atletismo.
Depois de um tempo, Estevão e Margarete saem da cafeteria com copos de café.
Estevão toma coragem.
— Então quer dizer que não vamos ficar com falta?
— Não, pois estávamos com a equipe de atletismo e isso conta como presença, agora as última aulas teremos que assistir.
— Entendi.
Estevão pensa um pouco respira fundo :
— Margarete, estava pensando... você gostaria de sair comigo na sexta-feira?
Margarete para e se vira para ele.
— Eu adoraria, Estevão! — diz Margarete, radiante.
— Que bom! Não sabia se você aceitaria.
Margarete o olha com doçura.
— Por que?
— É que... — Estevão gagueja.
Margarete o interrompe.
— Adorei nosso tempo juntos, Estevão. Até sexta, combinado?
— Combinado.
— Vou pra aula agora. — disse Margarete.
Margarete beija o rosto de Estevão e se vai, deixando-o com um sorriso bobo.
Nat não foi à escola e suas amigas Katia e Valeria vão visitá-la em sua casa depois da aula.
Nat está deitada na cama, olhando para o teto. Katia e Valeria entram no quarto com expressões preocupadas.
— Nat, que bom que te encontramos em casa. A gente estava preocupada, eu até te liguei mais cedo — disse Katia com um olhar preocupado.
Nat olha para Katia, parecendo aliviada.
— Foi você quem me ligou? — perguntou Nat.
— Sim, esse é meu número novo — Katia respondeu.
— Mas, Nat, aconteceu alguma coisa? — perguntou Valeria.
Nat senta-se na cama, com um suspiro.
— Muita coisa... Meu padrasto foi solto do presídio e agora está ameaçando eu e o Lucas.
— Nossa, Nat! Que horror! Mas a polícia não fez nada? — perguntou Katia.
— Eles conseguiram uma medida protetiva, ele não pode chegar perto da gente. Mas... mesmo assim, eu não consigo me sentir segura.
— Eu te entendo, amiga. Mas você não pode ficar trancada em casa para sempre — disse Valeria.
— Eu sei... mas é difícil — respondeu Nat.
Nat começa a falar, com a voz embargada.
— Vocês sabem que eu nunca conheci meu pai biológico, né?
— Sim, você já comentou — respondeu Katia.
— Minha mãe se casou com o Ricardo quando eu era pequena. Ele... ele era um monstro.
— O que ele fazia, Nat? Você pode nos contar — perguntou Valéria com a voz suave.
— Ele batia na minha mãe. E... ele abusava de mim — disse Nat com lágrimas nos olhos.
Katia e Valeria trocam olhares chocados. Nat continua, com a voz tremendo.
— Um dia, minha mãe desapareceu. Ela era usuária de drogas... eu nunca mais a vi. E os abusos do Ricardo pioraram.
Nat faz uma pausa, respirando fundo.
— Um dia, eu e o Lucas fugimos de casa. Nós encontramos uma delegada, ela era esposa de um professor do Lucas. Nós contamos tudo para ela.
— E foi assim que ele foi preso? — perguntou Katia.
— Sim. Mas... nós fomos mandados para abrigos separados. Foi horrível. Eu sentia tanta falta do Lucas. Quando o Lucas fez 18 anos, ele conseguiu minha guarda. E nós viemos morar juntos.
Nat começa a chorar, soluçando.
— Eu era só uma criança... nenhuma criança merece passar por isso. Ninguém merece.
Katia e Valeria abraçam Nat, consolando-a. As três ficam abraçadas por um longo tempo, em silêncio.
No dia seguinte, Nat, com um semblante mais confiante, sai da escola acompanhada pelas amigas. Elas riem e conversam, demonstrando o apoio mútuo. Ao longe, Ricardo observa Nat com um olhar sombrio.
— Que bom te ver mais animada, Nat! A gente estava com tanta saudade do seu sorriso! — disse Valéria.
— É isso aí! Esquece aquele traste! A gente tá aqui pra você, sempre! — disse Kátia.
— Obrigada, meninas. Vocês são incríveis! — respondeu Nat, mais animada.
Nat se despede das amigas e segue sozinha pela rua. De repente, Ricardo a agarra, puxando-a pelo braço.
— Você pensa que se livrou de mim?! Não importa se eu apodrecer na cadeia, eu acabo com você!
— Me larga! — gritou Nat.
Claiton e seu pai passam de carro e testemunham a cena.
— Pai, para o carro! Aquele cara tá atacando a Nat! — gritou Claiton.
— Meu Deus! Claiton, fica aqui! Vou ligar pra polícia! — disse seu pai.
Nat, usando suas habilidades de caratê, reage ao ataque. Ela aplica golpes precisos em Ricardo, derrubando-o no chão. Claiton se aproxima de Nat, preocupado.
Nat está concentrada, aplicando os golpes em Ricardo.
— Eu não vou deixar você me machucar de novo! — falou Nat, determinada.
— Nat! — Claiton gritou.
Nat olha para ele e, em um momento de distração, Ricardo se levanta e foge.
Claiton se aproxima e abraça Nat.
— Eu estou bem, Claiton. Obrigada. Mas ele fugiu.
O pai de Claiton leva Nat à delegacia para registrar a ocorrência. O delegado ouve o relato de Nat.
— Doutor, essa garota foi atacada pelo padrasto. Ele já tem histórico de violência contra ela — disse o pai de Claiton.
— Ele me ameaçou de morte. Eu tenho medo que ele volte — disse Nat, relatando o ataque.
— Vamos intensificar as buscas, senhorita. Pode ter certeza de que vamos encontrá-lo.
Lucas chega à delegacia, preocupado.
— Nat, você está bem? — perguntou Lucas, abraçando a irmã.
— Estou, Lucas — disse Nat, com a voz trêmula.
— Muito obrigada pela ajuda, Claiton, e ao seu pai também.
— Eu conversei com o delegado, Nat. Ele me garantiu que a polícia vai intensificar as buscas — disse o pai de Claiton.
— Obrigado, muito obrigado mesmo!
Nat e Lucas vão para casa.
Na sexta à noite, depois do encontro, Estevão deixa Margarete em casa.
— Bom, chegamos. Espero que tenha gostado da noite — falou Estevão com timidez.
Margarete sorri.
— Adorei! Foi muito divertido.
— Eu... eu estava um pouco nervoso. Sabe, primeiro encontro e tal. Acho que não me saí muito bem.
Margarete coloca a mão no braço dele.
— Estevão, você está brincando? A noite foi perfeita!
— Sério? Eu me senti meio desajeitado em alguns momentos — falou Estevão.
Margarete ri suavemente.
— Você é fofo, Estevão. E engraçado, e gentil...
Ela se inclina um pouco mais perto.
— E eu adorei a forma como você me ouviu.
— Eu... estava interessado no que você tinha a dizer — falou Estevão.
Margarete, com um olhar doce, responde:
— Eu sei.
Um silêncio confortável se instala entre eles. Margarete olha para Estevão.
— Sabe, Estevão...
Margarete se aproxima ainda mais, e antes que Estevão possa dizer qualquer coisa, ela o beija. O beijo é suave e apaixonado. Estevão, inicialmente surpreso, logo responde ao beijo com entusiasmo.
Após alguns momentos, eles se separam lentamente. Margarete sorri para Estevão, com um brilho nos olhos.
— Boa noite, Estevão.
Ela caminha até ao portão de sua casa. Estevão a observa, ainda um pouco atordoado pelo beijo. Margarete se vira na porta e acena para ele com um sorriso antes de entrar.
Estevão anda pela calçada com um sorriso bobo no rosto. Ele caminha para casa, perdido em pensamentos felizes.
Mais tarde naquela noite, Ricardo, com uma expressão de fúria, arromba a porta dos fundos da casa de Nat e Lucas. Ele está armado. Nat, que estava na cozinha, assusta-se. Lucas, no quarto, ouve o barulho e corre para ver o que está acontecendo.
— Chegou a hora, Nat. Não vou voltar para aquela cela sem levar você comigo! — disse Ricardo com a voz rouca e ameaçadora.
Ricardo agarra Nat pelo braço e aponta a arma para a sua cabeça.
— Ricardo, solta essa arma! Isso não vai resolver nada. — disse Nat com a voz trêmula, mas firme.
— Cala a boca! Você arruinou a minha vida! — gritou Ricardo.
Nat muda o seu semblante de medo para um semblante de coragem e confiança.
— Não! Você é que arruinou a minha vida.
Nat torce o braço de Ricardo e usa as suas habilidades de luta para desarmá-lo. Nat derruba-o no chão.
— Acabou, Ricardo. Você não vai machucar mais ninguém. — disse Nat.
Lucas se aproxima e pega a arma do chão. Ele examina a arma com cuidado.
— Nat, essa arma é de mentira! É uma réplica.
Ricardo empurra Nat, levanta-se e tenta fugir.
Ricardo sai de casa, sendo surpreendido por uma viatura policial que passava no local. Os policiais o algemam e o colocam no veículo.
Nat observa a cena com um suspiro de alívio.
— Finalmente acabou.
— Você está bem, Nat? — pergunta Lucas.
— Sim, agora estou. Não posso dizer o mesmo do Ricardo — responde Nat.
Lucas sorri.
— Claro, depois da surra que minha irmãzinha faixa preta em caratê deu nele.
Nat retribui o sorriso.
No dia seguinte, Nat caminha pelos corredores com um sorriso no rosto, encontrando e cumprimentando seus amigos. Ela parece mais leve e despreocupada.
— Nat, você parece mais feliz hoje. Aconteceu alguma coisa? — pergunta Valéria.
— Sim, o Ricardo foi preso — responde Nat.
— Que bom! Ele mereceu — exclama Katia.
Nat entra na sala de aula, aliviada e pronta para seguir em frente com sua vida.