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Crime,

  • Desde a primeira vez

    Desde a primeiro vez em que te vi, eu sabia que você tinha algo especial guardado;
    Desde a primeiro vez em que te vi, eu senti uma forte atração por você;
    Desde a primeira vez em que nós conversamos, eu já sabia onde isso tudo iria parar;
    Desde a primeira vez que nos beijamos, eu já sentia que as borboletas iriam acordar;
    Desde a primeira vez em que transamos, eu já sabia que era você a pessoa certa;
    Desde a primeira vez que falamos o que sentiamos, eu me senti nas estrelas;
    Desde a primeira vez em que eu soltei um "eu te amo", me senti completa;
    Desde a primeira vez em que fiquei com ciúmes, eu estava ficado louca;
    Desde a primeira vez em que te vi na cama com outra, eu  já sai do meu mundo de fantasias;
    Desde a primeira vez em que você me deu um tapa, eu já não era mais a mesma;
    Desde a primeira vez em que nós brigamos, eu me sentia pertubarda;
    Desde a primeira vez em que você se desculpou, eu perdoei;
    Assim pensei que os primeiros versos rertonariam, mas me enganei.
    Pois desde a quarta vez que você me espancou, eu fiquei com os hematomas marcados na pele;
    Desde a quinta vez que você me forçou a fazer sexo com você, eu me sentia cada dia mais suja;
    Desde a sexta, sétima oitava vez em que você abusava de mim de todas as formas possíveis, eu desejava a morte, ela me parecia mais atraente do que você agora.
    Mesmo que eu falasse, gritasse, berrasse pela primeira vez pedindo socorro, ninguém me ouvia.
    Mesmo que eu tentasse sair, eu não conseguia, afinal, a culpa foi minha por não ter sido uma namorada melhor.
    Desde a primeira vez em que tentei esconder os machucados, eu estava me conformando.
    Desde a primeira vez em que fingir não ver aquela mensagem provocativa de outra mulher, eu estava me pondo no lugar.
    Desde a primeira vez em que eu tentei ignorar seus xingantos, eu estava me tornando uma mulher melhor para sociedade.
    Desde a primeira vez em que você pegou a faca pra mim, eu já não resistia;
    Desde o primeiro corte, nada me parecia melhor do que a morte;
    Desde que me senti agonizada no chão, senti que agora me livraria de tudo me matava lentamente a cada dia;
    Desde que me colocaram no caixão, agora eu poderia dormi em paz, sem medo do que você poderia fazer comigo enquanto eu dormia;
    Desde que tamparam o caixão, eu estava na melhor.
    Desdes que me jogaram na cova, eu não iria mais está acordada pra sofrer seus abusos;
    E essa foi a primeira vez em que me senti livre desde as outras primeiras vezes.
  • Divórcio com civilidade - Quarta parte: Quando meu advogado sugere um acordo durante o divórcio, isso significa desinteresse pela minha causa?

    Quando seu advogado sugere fazer uma tentativa de acordo durante o processo de divórcio, isso não deve ser interpretado como desinteresse pela sua causa. Na verdade, essa é uma estratégia comum e recomendada na prática jurídica, refletindo um profundo conhecimento das leis e um desejo de resolver o caso da maneira mais eficiente e benéfica possível.
    Fundamentação Jurídica e Vantagens do Acordo:
    1. Base Legal: O Código de Processo Civil brasileiro incentiva a resolução consensual de conflitos. O Artigo 3º, §3º e art  6º do CPC estabelece que "a conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos devem ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial". Isso demonstra a importância que o ordenamento jurídico dá para as soluções amigáveis.
    2. Redução de Custos e Tempo: Um acordo pode significativamente reduzir o tempo e os custos associados ao processo de divórcio. Processos judiciais podem ser longos e onerosos, consumindo recursos financeiros e emocionais. Ao optar por um acordo, as partes podem evitar a prolongada exposição a litígios estressantes e dispendiosos.
    3. Controle sobre o Resultado: Em um litígio, o resultado final é decidido pelo juiz, o que pode gerar incertezas e resultados inesperados para ambas as partes. Com um acordo, no entanto, ambos têm a oportunidade de negociar termos que sejam mutuamente aceitáveis e adaptados às suas necessidades específicas.
    4. Preservação de Relacionamentos: Especialmente importante em casos onde há filhos envolvidos, um acordo pode ajudar a preservar uma relação cordial entre as partes. Isso é crucial para a coparentalidade efetiva após o divórcio.
    5. Confidencialidade: Diferentemente dos julgamentos que são públicos, um acordo permite que as questões sejam resolvidas de forma privada, protegendo a privacidade das partes envolvidas.
    Portanto, a sugestão de buscar um acordo reflete uma abordagem pragmática e estratégica para o seu caso, visando a obtenção de um resultado que atenda aos interesses de ambas as partes de forma eficaz e eficiente. Ao considerar um acordo, seu advogado está demonstrando não só conhecimento da lei, mas também um compromisso com a obtenção do melhor resultado possível para você no quadro geral do processo de divórcio.
  • Divórcio com civilidade - Quinta parte: O casamento garante indenização ao cônjuge no final do relacionamento?

    Ao abordar a questão do divórcio e a partilha de dívidas e patrimônio, é crucial entender que o casamento, sob o ponto de vista legal, não funciona como um seguro ou previdência que garanta uma indenização ao cônjuge ao final do relacionamento. Em vez disso, o objetivo do direito de família é tratar da divisão equitativa de bens e responsabilidades adquiridos durante a união, conforme os princípios do regime de bens escolhido.
    Indenização no Contexto do Divórcio - A indenização, seja por danos morais ou patrimoniais, pressupõe a existência de um prejuízo efetivo que necessita reparação. No contexto de um divórcio, ações de indenização podem ser consideradas se um dos cônjuges sofreu danos significativos devido a ações do outro, como agressão a personalidade e dignidade humana ou difamação. Entretanto, esses casos são distintos da partilha de bens ou dívidas.
    Implicações da Falta de Patrimônio - Se um cônjuge buscar reparação por danos e o outro não possuir bens suficientes, a sentença que determina a indenização pode, de fato, ser juridicamente válida, mas sua execução prática torna-se complicada. A inexistência de bens torna difícil ou mesmo impossível cumprir a obrigação de pagar a indenização. Nesse cenário, mesmo que o juiz julgue procedente a ação de reparação, a falta de recursos do devedor pode impedir a efetiva compensação financeira ao cônjuge prejudicado.
    Regimes de Bens e Divisão de Dívidas - Voltando à questão das dívidas no divórcio, conforme mencionado anteriormente, a divisão depende do regime de bens adotado:
    Comunhão Parcial de Bens: Dívidas contraídas por um ou ambos os cônjuges durante o casamento para benefício do casal ou manutenção da família são geralmente divididas igualmente.
    Comunhão Universal de Bens: Todos os bens e dívidas do casal são compartilhados igualmente.
    Separação de Bens: Cada cônjuge é responsável pelas próprias dívidas, a menos que seja provado que contribuíram para o benefício mútuo.
    Essas regras refletem a intenção de tratar justamente as questões financeiras em um divórcio, mas não garantem nenhum tipo de "indenização" automática ao final do casamento. Portanto, é essencial para qualquer pessoa que esteja passando por um divórcio consultar um advogado especializado para entender plenamente seus direitos e obrigações dentro da lei.
  • Divórcio com civilidade - Sexta parte: Divorcio com civilidade é simples - Conclusão

    Em conclusão, o processo de divórcio, embora predominantemente regido por questões legais e regulamentações jurídicas, transcende os limites do direito ao envolver também aspectos emocionais e psicológicos significativos. É fundamental para os envolvidos reconhecerem a multidimensionalidade deste processo e a importância de abordá-lo com uma estratégia integrada e compreensiva.
    O advogado, embora seja o guia principal nas questões legais — gerenciando desde a divisão de bens até questões de custódia e suporte financeiro —, não possui os recursos para tratar todos os aspectos do divórcio. Como estipulado pelo Artigo 3º, §3º do Código de Processo Civil, a conciliação e a mediação são encorajadas, reforçando a ideia de que soluções amigáveis e cooperativas são preferíveis, refletindo uma abordagem menos contenciosa e mais eficiente para a resolução de conflitos.
    Adicionalmente, a integração de suporte psicológico, psiquiátrico ou espiritual, conforme a necessidade e preferências pessoais, demonstra uma compreensão de que a saúde mental e o bem-estar emocional são cruciais durante este período de transição. A sugestão de que tais serviços possam ser benéficos não é um sinal de negligência, mas sim de uma advocacia responsável e holística.
    Por fim, é importante destacar que o casamento não é um contrato que assegura ganhos ou compensações no seu término, como seria uma apólice de seguro. Em vez disso, o foco está na distribuição equitativa de bens e responsabilidades acumuladas durante a união. Este princípio visa a justiça e a equidade, mas também revela as limitações do sistema jurídico em resolver todas as complexidades humanas envolvidas em um divórcio. Portanto, é essencial que os cônjuges envolvidos busquem aconselhamento e representação adequada para navegar essas águas, garantindo que tanto os seus direitos quanto os seus aspectos emocionais sejam adequadamente cuidados durante todo o processo.
  • Divórcio com civilidade - Primeira parte.

    Introdução: Na busca por orientar de maneira eficaz aqueles que enfrentam o processo de divórcio, é fundamental ressaltar a importância do respeito ao Estatuto da Advocacia, o qual estabelece normas para a atuação do advogado e a interação entre as partes envolvidas em litígios.
    Este documento é essencial para  as dinâmicas e limitações dentro das quais os advogados operam, garantindo que o processo seja conduzido com ética e profissionalismo.
    O objetivo deste texto é puramente informativo, visando esclarecer as precauções que devem ser tomadas ao compartilhar informações com o advogado da outra parte durante um divórcio. As considerações a seguir não substituem o aconselhamento legal personalizado, mas buscam fornecer uma base de conhecimento que pode ajudar a proteger seus direitos e interesses em um momento tão delicado e crucial.
    Capítulo 1 - Estou passando por um processo de divórcio e conversei com o advogado do meu companheiro. Seria apropriado eu compartilhar com ele os detalhes da nossa convivência?
    Resposta: É importante ter cautela ao discutir detalhes da sua convivência com o advogado da outra parte em um divórcio. Aqui estão algumas considerações que você deve ter em mente: Interesses Protegidos: O advogado do seu companheiro representa os interesses dele, não os seus. Qualquer informação que você compartilhar pode ser usada para beneficiar a posição dele no processo de divórcio.
    Confidencialidade: As informações que você compartilha com o advogado do seu companheiro não são protegidas por confidencialidade. Isso significa que o advogado pode, e provavelmente irá, usar o que você disser em favor do cliente dele. Estratégia Legal: Antes de discutir qualquer aspecto da sua vida ou do seu relacionamento com o advogado da outra parte, é crucial consultar o seu próprio advogado. Ele pode aconselhá-lo sobre o que deve ou não ser discutido, garantindo que suas ações estejam alinhadas com sua estratégia legal.
    Comunicação: Se é necessário comunicar algo ao advogado da outra parte, o ideal é que isso seja feito através do seu advogado. Assim, você garante que a comunicação é adequada, estratégica e protege seus interesses. Em resumo, é geralmente aconselhável limitar o que você compartilha com o advogado da outra parte e sempre fazê-lo sob orientação do seu próprio advogado para proteger seus direitos e interesses durante o processo de divórcio.
    Em conclusão, ao navegar pelas águas muitas vezes turbulentas de um divórcio, a prudência em suas interações com o advogado da parte contrária é de suma importância. Lembre-se de que qualquer informação divulgada pode influenciar o resultado do seu caso. Portanto, é essencial manter uma comunicação estratégica e bem orientada, sempre sob a supervisão do seu advogado. Este cuidado não só salvaguarda seus interesses pessoais e legais mas também ajuda a conduzir o processo de divórcio de maneira mais eficaz e menos conflituosa.
  • Divórcio com civilidade - Segunda parte: O advogado é capaz de resolver todas as questões envolvidas em um divórcio, ou sua competência se limita apenas aos aspectos jurídicos?

    Durante um processo de divórcio, o papel do advogado é crucial, mas é importante entender que sua atuação está limitada às questões de competência jurídica. O advogado pode gerenciar todos os aspectos legais, como a partilha de bens, a custódia dos filhos, pensão alimentícia e o próprio procedimento de divórcio. No entanto, um divórcio envolve mais do que apenas questões legais; aspectos emocionais e psicológicos também são significativos e, muitas vezes, exigem o suporte de outros profissionais.
    Psicólogo: Um psicólogo é essencial para ajudar a lidar com o estresse emocional que um divórcio pode causar. Esta ajuda é vital para processar sentimentos como tristeza, raiva ou frustração de maneira saudável e construtiva. O apoio psicológico também pode ser benéfico para os filhos do casal, que podem enfrentar suas próprias dificuldades durante este período de mudanças.
    Psiquiatra: Em alguns casos, o divórcio pode desencadear ou exacerbar condições psicológicas mais graves, que requerem não apenas terapia, mas também intervenção médica. Um psiquiatra pode avaliar, diagnosticar e tratar transtornos mentais relacionados ao estresse do divórcio, como depressão e ansiedade, possivelmente prescrevendo medicamentos quando necessário.
    Autoridades Religiosas (Pastor, Padre, etc.): Para indivíduos que praticam uma religião, conversar com uma autoridade religiosa pode fornecer conforto espiritual e orientação. Este apoio pode ser crucial para manter o equilíbrio emocional e espiritual, ajudando a pessoa a lidar com as mudanças de vida de acordo com seus valores e crenças.
    Portanto, embora um advogado seja para cuidar dos aspectos legais de um divórcio, a colaboração de psicólogos, psiquiatras e líderes religiosos pode ser necessária para abordar todas as dimensões do bem-estar da pessoa durante este período desafiador.
  • Divórcio com civilidade - Terceira parte: É ofensivo se meu advogado sugerir que busque apoio psicológico, psiquiátrico ou espiritual durante o processo de divórcio?

    Não é ofensivo se o seu advogado sugerir que você procure ajuda de um psicólogo, psiquiatra ou autoridade religiosa durante um processo de divórcio. Pelo contrário, isso demonstra uma abordagem profissional e integral por parte do advogado, que reconhece as complexidades emocionais e psicológicas que podem acompanhar o término de um casamento. Advogados são treinados para identificar situações que ultrapassam o âmbito legal e que podem beneficiar-se do suporte de outros especialistas.
    Essa orientação visa proporcionar ao cliente um apoio mais completo, facilitando a transição por essa fase difícil. O direito, por si só, lida com as questões legais e pragmáticas, mas não é uma ciência exata capaz de aliviar o sofrimento emocional causado pelos traumas e decepções inerentes ao processo de divórcio. Portanto, a sugestão do advogado para buscar apoio adicional é um indicativo de cuidado e compromisso com o bem-estar geral do cliente, não uma indicação de fraqueza ou um comentário depreciativo.
  • Dois. Capítulo cinco de seis

    Capitulo cinco
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       A lua já esta cansada e tende a sair de sena, ou seja, a manhã já está pra surgir. Dois homens levam sacolas cheias de dinheiro em saída da mansão ao qual estão ao chegar ao muro Coutinho insisti:
       -Ainda podemos desistir disto!
       -E desistir de nossos empregos? Zé comentou e ouviu:
       -Este dinheiro é do povo, ou seja, é até também nosso, devemos decidir o que fazer e não seguir ordens sendo estas erradas.
       -O certo e fazer nosso trabalho esquece esta ideia e talvez eles nem mereçam esta fortuna.
       -Nós pegamos a conversa das mulheres pela metade, talvez tenhamos entendido errado.
       Zé parou o que estava fazendo que era mexer a sacola de um a outro lado preparando para jogá-la por sobre o muro e suspirou, refletiu e disse:
       -Vamos pensar, nós fomos contratados para fazer esta entrega, não é questão de eles merecerem ou não, é nosso trabalho, se não o perderemos!
       -Eu sei, mas tudo está me fazendo pensar que o certo seja deixar este dinheiro aqui com estes ex milionários. Olhando para Zé ele viu que não o convenceria e resolveu aceitar: - Tudo bem!
       -Eu preciso de meu emprego, vamos! Zé decidiu pelos dois e jogou o dinheiro por cima do muro. Coutinho subiu no muro e só quando desceu que percebeu que um mendigo os ouvia e estava agarrado ao dinheiro, o muro não era fechado e se via o outro lado, Coutinho voltou a falar:
       -Podemos deixar esta metade do dinheiro aí e esta outra para este necessitado!
    Zé subiu no muro depois de jogar a segunda sacola e disse:
       -Quem foi que inventou de entregar um dinheiro as escondidas e o colocou em sacolas transparentes? E você deixe de falar besteiras e pegue o dinheiro que aquele homem está tentando levar. O mendigo fazia esforço, mas não conseguia correr, até que Coutinho o abordou dizendo que o dinheiro era dele e ouviu:
       -Ouvi vocês discutindo que o dinheiro é do povo! Reclamou, mas Zé com moral o expulsou a gritos.
       O sol se fez belo e Zé e Coutinho entraram no carro e seguiram rumo a cumprir seu dever! Eles não se preocuparam com o mendigo ter visto o dinheiro, pois o que seguiu foi:
       Uma repórter entrevista o mendigo:
       -Recebemos deste homem a noticia de que nesta mansão estão roubando dinheiro que é do povo. Ela coloca o microfone para o mendigo falar:
       -Eu vi dois homens discutirem sobre o dinheiro que levavam em duas sacolas, era muito dinheiro! A repórter o interrompeu falando:
       -O dono desta mansão nos falou e as palavras deles foram que iria colocar a mansão a venda, pois está falido! O mendigo diz ter encontrado sacolas recheadas de dinheiro. O mendigo quis falar mais, porem nada foi audível além de:
       -O dinheiro! Em gritos e a repórter revelou concluindo a reportagem regional:
       -Esta foi a historia de um mendigo!
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    Veja a seguir o capítulo seis (Final).
  • Dois. Capítulo dois de seis

    Capitulo dois
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         Os dois entraram na mansão, o jardim era imenso, com muitas árvores. Até chegar a casa foi um longo caminho, pois entraram se escondendo de planta a planta.
         -Após o crepúsculo rondaremos a casa sem sermos vistos!
         -Concordo que ir agora seria entregar o jogo. Coutinho estava mais com medo que Zé, ou menos seguro. - Porque será que eles roubaram o dinheiro, e como souberam?
        -Só sei que o pegaremos de volta e entregaremos no prazo! O nariz de Zé estava empinado quando proferiu isto.
    Pararam na árvore mais próxima do casarão e por ali ficaram a tagarelar de vez em quando.
         -Aí minha mulher! Coutinho começou a repetir e desta vez isto apoquentou Zé que passou a perceber tal coisa e não parava de repetir até que Zé perguntou:
         -Porque tu tanto pensas em sua mulher?
        -É que se perdermos o emprego minha mulher vai se sentir muito mal, tanto que ela desejou que eu me empregasse e tivéssemos um pingo de sossego. Nós não vamos perder nossos empregos era o que Zé acreditava e o disse.
         A noite caiu os dois desceram da árvore e de fininho rondaram a casa até pararem em uma das janelas onde viam o casal de ladrões e após ouvi-los por um tempo Coutinho soltou estas palavras:
         -O faxineiro é o ladrão!
       -O estranho é ele morar nesta mansão, não acha? Zé referiu a pergunta a Coutinho e foi como se fosse para os ladrões, pois a conversa deles chegou à resposta para este assunto:
         -Finalmente não precisarei trabalhar como um escravo, dês de que perdi o meu emprego milionário trabalhei como um cachorro para não termos de vender esta mansão, tivemos que despedir vários empregados, mas a sorte nos bateu! Disse o ladrão, na conversa que parecia ser para sua mulher, ou seja, eles eram realmente um casal e ex milionários.
       -Isto explica porque não há vigias neste lugar, isto facilita nosso trabalho, temos que encontrar onde eles guardaram o dinheiro! Ficaram a escutá-los por bastante tempo, mas de nada serviu para seus propósitos.
         -Foi como o planejado, e olha que não tivemos muito tempo. A mulher comentou e ouviu:
       -Sim o dinheiro é nosso! Os seguranças rondaram a casa, mas ainda com cuidado, pois poderia sim ter alguém de olho por ali.
       -Sairemos daqui como vimos sem sermos vistos. Zé estava certo, devido este ser seu trabalho, ouviu bem do chefe. Pegariam o dinheiro de volta e o entregariam no prazo. Tinham tempo, conheceram o lugar de cabo a rabo e ainda na noite voltaram à árvore mais próxima do casarão e Zé dizia-se cansado, exausto, tinha que tirar um sono foi vencido pelo cansaço. Coisa que os dois fizeram e logo o sol nasceu. Depois Zé acordou ouvindo o bom dia de Coutinho que também disse apontando para baixo:
         -Olha eles colocaram uma mesa, vão tomar café ao ar livre, vê só que chique eles são!
         -Acordou faz tempo, porque não me acordou?
         -É que cai daqui e a pancada doeu. Coutinho tinha a pouco caído da árvore.
       -Alguém te viu? Zé quis saber assustado e o amigo o confortou dizendo que ninguém o notou. Com o alivio Zé comentou:
         -Bom, daqui podemos ouvi-los e assim podemos descobrir onde esta o dinheiro.
       Os ladrões chegaram, estavam sendo servidos por uma empregada, esta talvez tivesse trabalhando para eles sem receber, seria alguém de confiança Zé pensou e continuou a assistir com muito interesse.
         -Com este dinheiro vamos poder voltar a contratar pessoas e criar um meio de renda, que nos mantenha nas condições ao qual estamos acostumados.
         -E em fim poderemos ter nosso filho, tanto, tanto desejado. A mulher proferiu e ao repetir a palavra que repetiu isto emocionou Coutinho, os dois agora sabiam que aqueles dois agora miseráveis tinham uma historia e uma das boas.
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    Veja a seguir o capítulo três.
  • Dois. Capítulo quatro de seis

    Capitulo quatro
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         Zé e Coutinho desceram da árvore, Coutinho a mexer na coluna com suas dores. Os dois seguiram para a cozinha, onde se depararam com duas mulheres que trabalham no casarão onde estavam os dois ouviram as duas dizerem que não poderiam perder o emprego e isto fez Coutinho voltar a dizer que eles deveriam deixar o dinheiro, esquecer aquela entrega e sendo assim esquecer também seus devidos empregos.
         -Talvez você esteja certo! Por fim Zé estava aceitando que deveriam deixar o dinheiro, os dois comeram o quanto aguentaram, se saciaram depois que as empregadas saíram. Porem quando eles iam se retirando a dona do casarão chegou e os dois seguranças tiveram que se esconder debaixo da mesa, pensaram rápido e foi o que fizeram. A dona reclamou:
         -Cadê minha torta? Tinha um pouco ainda e eu estava louca por ela. Estas empregadas acham que ainda somos ricos, e se aproveitam como antes, não parecem ver que as coisas estão mudando, ainda bem que tudo vai voltar ao normal. Ela suspirou e deixou a cozinha, coisa que tinha alguém esperando ela fazer e os dois saíram dali, porem não voltaram para árvore Zé disse decidido:
         -Vamos deixar o dinheiro para eles e esquecer nossos empregos, vamos para casa! Coutinho deu um sorriso e eles caminhavam para sair foi então que Zé parou:
         -O que ouve, não diga que já mudou de ideia?
         -Sim, eu preciso de meu emprego! Ele respondeu e os dois voltaram à árvore, Coutinho aceitando e entendendo, de vez por vez ele também acredita que o certo é cumprirem o seu dever. Nisto eles viram uma mulher com duas crianças entrarem pelo portão e seguirem em direção ao casarão, onde a dona da casa estava e as duas seguiram para a sombra de uma árvore ao qual tinha dois balanços, Zé e Coutinho de fininho foram de planta a planta para escutá-las e subiram sem serem percebidos no pé em que elas estavam e ouviram a conversa pela metade:
         -Me recebendo em casa, tendo consideração com a família que é pobre, sendo simpática, o que a pobreza não faz com as pessoas? A recém chegada dizia e ouviu:
         -Não é isto irmã você sabe que meu marido não vai com sua cara.
         -Não venha com esta você também quando com dinheiro em mãos não quer saber de mais ninguém além de seu marido.
         -Mudando de assunto, como tens passado? As crianças chegaram correndo e subiram no colo delas e a conversa fluiu até que se despediram por ali. Zé comentou irritado:
         -São ricos e não ajudam os familiares, ao invés disto se distanciam, está decidido vamos pegar o dinheiro e sair logo daqui que a noite venha! Coutinho apenas concordou.
         A lua brilha intensamente e os dois intrusos na mansão vão tentar cumprir seus papeis, porem eles ficam a esperar os donos do casarão ir dormir e isto demora, eles conversam coisa que os dois desta vez não conseguem escutar, os veem assistir filmes juntos, é uma demora.
         Até que o casal segue para o quarto e os seguranças conseguem entrar:
         -Se este é o quarto do casal então logo ao lado só pode ser o do futuro filho! E Zé tem razão ou sorte e se deparam com a fortuna.
         -É o dinheiro! Disse Coutinho contente e os dois agarraram as sacolas, como um abraço forte e comovente e um sorriso radiante. Ouve um barulho, Zé olha e é o ladrão indo a cozinha, os dois esperam que ele volte para o quarto e isto acontece sem que suspeitas sobre o que está acontecendo surjam.
         Os seguranças saem por onde entraram e vão em direção à saída da mansão.
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    rio165 mansion for sale in jardim botanico 17Veja a seguir o capítulo cinco.
  • Dois. Capítulo seis de seis

    Capitulo seis
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         Vocês devem estar se perguntando por que Zé precisa tanto de seu emprego, a resposta é que este conto é baseado em um sonho que eu tive e neste sonho por algum motivo eu precisava de meu emprego não sei por que razão, sendo assim esta a resposta.
         Eles fazem a entrega antes do combinado e curtem o tempo que lhes restou como um bom dia de férias.


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         Fim.


         Este é o final deste conto. Você que acompanhou, leu todo, deixe seu comentário. Espero que tenham gostado da leitura, abraço, até o próximo texto. Podem me adicionar como amigo e continuar lendo meus escritos.
  • Dois. Capítulo um de seis

    Capitulo um
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         Tudo começa com um policial chefe dando ordens a dois seguranças, estes teriam que entregar duas imensas sacolas com dinheiro em determinado lugar, e dizia ele:
         -Ninguém pode saber deste carregamento, só quem sabe somos eu, meu chefe, vocês dois e o futuro receptor, caso alguém saiba ou este dinheiro não for entregue em três dias vocês serão demitidos!
         Os dois deram o positivo, tudo ocorreria bem. Saíram e os dois conversavam:
         -Vamos entregar este dinheiro logo hoje, assim teremos os próximos dias como férias!
         -Muito bom, mas não acha que deveríamos ter planos para entregar com segurança?
         -Ninguém sabe, vai ser rápido e fácil, garanto! Eles seguiram para seus carros, um disse que seguiria o outro fazendo a escolta.
         O caminho era longo de certo tinha seus pontos mais perigosos, onde se alguém quisesse roubá-los por ali tentariam. De dentro de seu carro Zé seguia o carro de Coutinho onde estava o dinheiro. O primeiro susto, um carro quebrado no caminho, parecia suspeito. Nisso Zé ultrapassou o amigo e parou o carro fingindo ir ajudar a quem estava a concertar o carro. Nada mais suspeito e ele seguiu após ver Coutinho acelerar ao passar. Depois desse susto eles relaxaram porem na hora errada.
         Um carro fechou Coutinho e deste desceu um homem e uma mulher com os rostos cobertos por talhos de panos. Coutinho foi rendido e pegaram sua arma, jogaram as chaves do carro longe e o homem com esforço colocou as sacolas no carro enquanto a mulher mantinha Coutinho em sua mira.
         -Maravilha! Disse o homem quando, pois os olhos no dinheiro e com este já em seu carro, a mulher entrou e os dois partiram estrada acima.
         Zé apenas ficou de olho, pois nada podia fazer realmente eles deveriam ter armado um plano de entrega. Mas não valia nada chorar o leite derramado. Aproximou-se de Coutinho e fez sinal para que o tal entrasse.
         -Porque você não fez nada, não atirou?
         -Esqueceu que ninguém pode saber deste dinheiro, que escândalo seria um tiroteio, nem tudo está perdido, eles não sabiam que eu te seguia e sendo assim basta não perdê-los de vista! E acelerou seguindo os bandidos. Curva vai curva vem e o dinheiro se afastava e seus empregos com ele, porem bastava acelerar e lá estavam os olhos nos bandidos.
        -Aí minha mulher! Repetia Coutinho por toda perseguição, Zé não dava atenção. Logo o carro diminuiu a velocidade e entrou numa mansão.
         -Nossa que casarão! Disse Coutinho ao ver a mansão. Eles viram o carro sumir no jardim da entrada. Estacionaram e deram de certo que pulariam o muro.
         -Vamos! Disse Zé e Coutinho reclamou das dores nas costas porem eles dois pularam o grande muro, coisa que foi fácil de fazer e não viram seguranças por nenhum lado:
         -Temos que chegar a casa! Zé logo observou os vastos e muitos pés de sabe-se lá o que estes que daria para eles subirem e não serem percebidos. Foram de uma a uma árvore, subiam e desciam, avistaram o carro e os ladrões entrarem na casa. Deram um tempo na árvore:
         -Vamos observar e agir na hora certa!
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         Veja a seguir o capitulo dois."
  • Dois. Sinopse

    Sinopse
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     Dois seguranças são selecionados para fazer uma entrega sigilosa de uma grande quantia em dinheiro. Eles são roubados e agora terão que recuperar o dinheiro e assim fazer a entrega no prazo devido e sem que ninguém fique sabendo sobre o dinheiro além dos envolvidos.
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     Espero que gostem, boa leitura.
  • ÉBRIO

    A penumbra da noite perpassava a janela de vidro e lançava a luz do luar sobre minha fisionomia, outrora radiante, hoje decadente. Os goles da bebida desciam rasgando minha garganta. No início a substância me causava trejeito e um leve reviramento no estômago, mas hoje ela é pra mim o que a água é pra uma pessoa “normal”.
                Esse álcool que agora rasga minha garganta em fervoroso prazer já destruiu minha vida. Essa bebida demoníaca; levou-me a ser abandonado por minha família, levou-me a ser uma vergonha aos meus filhos, levou-me a ser o que sou hoje; um homem de meia idade, decrépito, praticamente sem fígado e quase sem nenhuma razão pra viver.
                Encontro-me hoje jogado em minha velha poltrona, e ao meu lado minha companheira traiçoeira, esse veneno no qual viciei. É comum em noites assim minha cabeça rodopiar em reflexões… “Por que você ainda está vivendo? O abandono de todos que você amava não é o suficiente para você perder a razão da existência?” A voz em minha cabeça dizia. Era uma voz rouca, eu presumo que advinda da bebida.
                Estendo a mão em busca do litro, mas eis que para minha completa estupefação vejo uma sombra passar na parede. Um calafrio percorre meu corpo e num espasmo causado pelo susto acabo derrubando o litro. O vidro se estilhaça em mil pedacinhos, tal qual minha vida se estilhaçou depois do vício.
                Pragas ecoaram de meus lábios. Me levantei e fui pegar uma outra garrafa. O pavor que a sombra me causou foi se dispersando aos poucos. Quando volto a poltrona e tomo um grande gole vejo novamente a sombra. O pânico se apossa de meu corpo, fico paralisado. A sombra começa a ganhar forma, e diante dos meus olhos ela se transforma em… meu pai! Pisquei várias vezes atônito. Pensava que poderia ser uma ilusão, um sonho, já estava a dois dias sem pregar os olhos, sempre que sentia sono cheirava um pouco de um pó especial… Cheirei um pouco de um pacotinho que trazia no bolso. Quem sabe assim a sobra de meu pai ia embora, porém ela não foi. E o terror prendeu meu corpo quando a sombra de meu pai, morto a cinco anos, falou:
                “Você sempre foi uma decepção!” Sua voz soava espectral. “Nem depois da minha morte você toma jeito”.
                “Nem depois da sua morte você me deixa em paz” eu disse, aquilo podia ser um sonho, mas aquele espectro não me ofenderia.
                “Você sempre foi petulante”
                “E você sempre foi um covarde que bate em mulheres”
                “A sua esposa pode dizer o mesmo de você. Isso é, se você não a tivesse matado”
                “Eu não a matei!” Eu exclamei exasperado, peguei a primeira coisa que encontrei e joguei no espectro. Ele desapareceu.
                As palavras dele embaralham meus pensamentos. Fiquei atordoado, e o jeito foi ir pegar uma outra garrafa já que meu pai mesmo morto veio bagunçar minha vida. Enquanto bebia novamente, um redemoinho negro adentro o cômodo. Ele trazia consigo a agonia do inferno, me senti extremamente perturbado, foi então que o redemoinho das trevas começou a ganhar forma e em um piscar de olhos minha esposa estava comigo.
                Sua pele estava pálida, seu rosto, antes rosado e vívido, ganhara um aspecto cadavérico e mortalmente espectral. As órbitas de seus olhos eram de um negrume inigualável. Trajava um belo vestido branco.
                “Anne!” - A exclamação destruiu os muros dos meus lábios.
                “Sentiu saudades, querido.” Sua voz era igualmente doce. “Pensou que não iria mais me ver?”
                Fiquei sem palavras. Ela estava ali em minha frente. Não havia me abandonado. Não estava morta, só estava ali, comigo. Eu não estava sozinho. Me aproximei e tentei tocar seu rosto, mas ela recuou:
                “O que houve?” Perguntei confuso.
                “Você ainda não pode me tocar” ela disse.
                “Por que?” Eu perguntei rapidamente.
                “Você sabe o por que, Victor”. Eu abaixei a cabeça relembrando o dia em que acidentalmente a matei. Eu estava ébrio, não estava consciente dos meus atos. Não queria, simplesmente não queria… mas fiz.
                “Como posso consertar isso? Eu não fiz por querer… Anne” me desesperei.
                “A um jeito de consertar isso, Victor, e você sabe qual é, não é?” A voz dela era melosa, mas firme. Não precisei que ela explicasse, é claro que eu sabia o que ela queria.
                Fui até a cozinha com a garrafa em mãos. Tomei um último gole e quebrei a garrafa na beira da pia. Fiquei a olhar o casco em minhas mão. O estilhaço de vidro em minhas mãos implorava pra ser lambuzado com o meu sangue. Hesitei, mas ela se aproximou de mim e pousou sua mão sobre a minha…
                “Venha! Preciso de você!”
                Essas palavras foram o suficiente. Em um movimento rápido e firme enterrei o vidro em meu pescoço, e ao fazer isso ela desapareceu… não tinha mais esposa… não tinha mais meu pai… não tinha ninguém… apenas eu, sangrando, agonizando, morrendo…
  • Entrevista com Matheus Braga – autor de O Landau vermelho

    1 – Quem é Matheus Braga e porque você resolveu contar a história de um carro assassino?
    R – Já começamos com uma pergunta difícil, porque sou péssimo para falar de mim mesmo, rsrsrsrs. Bem, posso dizer que sou um sonhador. Sou uma pessoa que sonha com a cabeça nas nuvens e os pés no chão e corre atrás da realização desses sonhos. Sou uma pessoa determinada, resiliente, apaixonada pela natureza, que ama animais e a-do-ra carros desde que se entende por gente. Pode-se dizer que aprendi a nomear carros antes mesmo de aprender a falar “papai” e “mamãe”, rsrsrs. Quando pequeno, meus brinquedos favoritos eram as miniaturas de carros e meu Ferrorama, e sempre gostei muito dos filmes cult sobre perseguição de carros como Encurralado e Christine – O carro assassino, e foi daí que, anos mais tarde, vieram algumas das inspirações para meu livro.
    2 – Como foi o processo de produção do seu romance de terror O Landau Vermelho?
    R – Gosto de dizer que O Landau vermelho foi um livro construído ao longo de muitos anos. Como já disse, sempre nutri uma paixão muito grande por carros e sempre tive vontade de escrever algo dentro desse universo, mas nunca havia tido a ideia para isso. Eu estava sempre esboçando plots e cenas separadas, mas nunca havia chegado a um enredo satisfatório. Este só veio quando num dia, ao organizar minha pasta de arquivos no computador, acabei lendo todas as cenas separadas em sequência e, baseada numa dessas cenas em específico, intitulada Corrida Infernal, formou-se a ideia para o livro. Também me inspirei nos filmes clássicos do gênero “carro assassino” para me ajudar a enxergar melhor a história. A partir desse ponto, foram mais dois anos e meio de escrita e muita pesquisa para finalizar o livro, e depois ainda precisamos de uns 5 ou 6 meses de revisões pontuais antes que a versão final finalmente saísse em e-book e, agora, em versão impressa. Cabe aqui uma curiosidade: quase todo esse processo aconteceu tendo como trilha sonora a música Two black Cadillacs, da Carrie Underwood, cujo videoclipe também conta a história de um carro assassino.
    3 – Quais suas maiores influências no mundo da escrita?
    R – Sempre me identifiquei muito com o gênero de romance policial, e minha maior influência foi o mestre Sidney Sheldon. É dele o primeiro romance policial que li, Conte-me seus sonhos, e o estilo narrativo dele sempre foi o que mais me fascinou. Ele constrói as cenas de forma quase cinematográfica, explorando as sensações e percepções tanto dos personagens quanto do ambiente em si, de forma a obrigar o leitor a continuar lendo, e lendo, e lendo até que, quando dá por si, o livro já acabou. Venho praticando muito para conseguir escrever dessa forma também, como pode ser percebido no meu romance O Landau vermelho. Mas além do Sidney Sheldon, também sempre li muito Harlan Coben, Stephen King e Agatha Christie.
    4 – As editoras independentes estão dando um show de como se publicar livros no Brasil, muitas vezes exportando esses livros para a Europa e EUA. Como você percebe essa mudança no nosso mercado literário?
    R – Infelizmente a mudança ainda é relativamente sutil no mercado como um todo, mas já é perceptível para quem está atento. As grandes livrarias e editoras sempre dominaram o mercado literário de forma cavalar, quase sempre valorizando autores já expressivos ou que possuam o famoso “Q.I.”, mas com o advento da internet é possível perceber um crescimento das publicações de editoras menores e autores independentes, principalmente no que diz respeito aos e-books. Tal crescimento tem se mostrado uma grata surpresa aos leitores de plantão, pois tem revelado autores talentosíssimos e histórias extremamente deliciosas de se ler. É bastante notável que estes novos autores quase sempre vêm do mundo das fanfics, que já é bastante popular desde a época dos fóruns, no início dos anos 2000, e temos sido agraciados com grandes talentos que até então estavam ocultos ou não tinham uma divulgação expressiva de seu trabalho, e estes talentos acabam por ser a nossa esperança de que, apesar do mercado literário ter entrado em declínio nos últimos anos, ainda poderemos desfrutar por muito, muito tempo deste prazer indescritível que é a leitura de um bom livro.
    5 – Quais as maiores dificuldades para um escritor iniciante conseguir sua primeira publicação?
    R – Sinceramente não tenho propriedade para responder esta pergunta, pois a editora Immortal foi a primeira e única para a qual enviei o original de O Landau vermelho e ele já foi aceito para publicação, rsrsrsrs. Mas acredito que a dificuldade maior seja justamente encontrar a editora certa para a publicação. Escrever em si já é algo muito difícil, mas encontrar uma editora onde sua história se encaixe da forma devida pode ser um tanto delicado, pois pode haver divergência entre a mensagem que o autor quer passar com a história e a interpretação que a editora dará para ela. Além disso pode haver também o fator financeiro, pois não são todas as editoras que se dispõem a publicar o livro antes para colher os lucros depois, e também não é fácil para um autor iniciante dispor de determinada quantia financeira para investir na publicação, mesmo que a realização de um sonho não tenha preço. De qualquer forma, acredito que com a devida paciência tudo pode se ajeitar.
    6 – Qual sua preferência de leitura: e-book ou impresso? E porquê?
    R – Impresso, com certeza. Além de adorar o cheiro de um livro novo, sou muito tradicional nesse quesito, e ter o livro em mãos me proporciona uma experiência de leitura muito melhor. Gosto da sensação de folhear as páginas e consigo imergir melhor na história e absorver a mensagem do livro de forma mais satisfatória. Ler e-book é algo que requer muita disciplina, pois nos aparelhos eletrônicos as distrações são constantes (WhatsApp, Facebook, Instagram, etc...) e eu sempre acabo desviando minha atenção com outras coisas. O engraçado é que leio fanfics com constância no meu celular e não desvio tanto minha atenção, rsrsrs, mas simplesmente não consigo ler um e-book.
    7 – O autor tem outros hobbies além de escrever? Quais são?
    R – Meus principais hobbies além da escrita são o colecionismo/modelismo e o trekking. Tenho várias coleções, desde miniaturas de carros e trens até minifiguras de Lego e moedas raras, e sempre que disponho de um dia livre ou feriado prolongado gosto de fazer caminhadas ao ar livre para serras ou cachoeiras, pois adoro estar em contato com a natureza. Ainda tenho o sonho de montar um “carro projeto” apenas por hobby, que é comprar um carro antigo e fazer alterações no estilo e na performance dele para um uso mais divertido, mas ainda não tenho condições financeiras para isso, rsrsrs.
    8 – O mercado editorial passa por mudanças, elas já são perceptíveis ao ponto de dizermos que temos um novo mercado ou não?
    R – Acredito que a maior mudança que o mercado editorial vem passando nos últimos tempos é a popularização dos livros digitais. Apesar de admitir isso a contragosto, os e-books são bem mais práticos e acessíveis do que os livros impressos, principalmente para fins acadêmicos e profissionais, e podem ser a melhor opção para pessoas que querem passar a ter o hábito de ler mas não abrem mão da conectividade. Com isso, acredito que é seguro dizer que sim, temos um novo mercado, com novas estratégias de vendas, marketing e lucros adaptadas à nova realidade dos leitores.
    9 – Nos conte quais os planos para o futuro desse escritor?
    R – Adoro fazer planos e sonhar com o desenrolar deles, mas sempre mantendo os pés no chão. Entre os principais planos na minha vida hoje estão: morar sozinho, para finalmente conquistar minha independência; publicar mais um livro até o fim de 2019; conseguir mais uma promoção no meu emprego para me estabilizar financeiramente; e no segundo semestre, quem sabe, começar uma das minhas pós-graduações.
    10 – Como e onde os leitores podem adquirir o seu livro e em que projetos está envolvido ultimamente?
    R – Meu livro pode ser adquirido diretamente com a Editora Immortal ou pelos sites Amazon e Clube de Autores, tanto o e-book quanto a versão impressa. Os links estão no meu perfil e na página da editora. Meu próximo projeto é uma participação na antologia Contos do desconhecido, também da Editora Immortal, que será uma compilação de contos de terror onde estarei participando com os contos originais Ferrorama e Sussurros à meia-noite.
  • Epicondilite hemorrágica

    A grama do vizinho parece melhor que a minha
    Invejoso, tratei logo de chama-lo à rinha

    O vizinho, confuso, não entendeu
    Furioso, arranquei um olho seu

    Sangue jorrou aos borbotões
    Para meu deleite e contentamento
    Enrubescendo todos os anões
    Malditos adornos do meu tormento

    Branca de neve menstruou
    Ao ver-me com a pá na mão
    Pronto para fazer uma cova
    E atirar seu príncipe no chão

    Sepultamento magistral
    Em meio ao jardim exordial
    Ilustre cântico funeral
    Ao proprietário do local

    A grama do vizinho parecia melhor que a minha
    Como vizinho não há mais, foi-se a sina.
  • Escola de Ensino Médio Grasso 2014 #105 - Sombras

    Nat está sentada no sofá, nervosa, com o celular na mão. Lucas entra na sala e percebe a tensão.
    — Nat, o que aconteceu? Você está pálida.
    — O... o Ricardo... ele foi solto — disse Nat, com a voz trêmula.
    Lucas fica surpreso.
    — O quê? Como assim? Ele não ia ficar mais tempo na cadeia?
    — Eu não sei, Lucas! Recebi uma ligação do advogado... Ele disse que ele conseguiu liberdade condicional.
    — Isso é horrível. Mas não se preocupe, Nat. Eu não vou deixar nada acontecer com você. Eu vou te proteger.
    Nat olha para o irmão com lágrimas nos olhos.
    — Obrigada, Lucas. Eu estou com tanto medo...

    Personagens Regulares (ordenados alfabeticamente por sobrenome)
    Katia Cardellini
    José Ferreira
    Natasha Jonsson
    André “Magrão” Kimmich
    Bruno Roberto de Lima
    Leandra Lopes
    Elizabeth “Liz” Muller
    Cleiton Reis
    Felipe Rodrigues
    Amanda Souza
    Valéria Tralli
    Estevão Motta Zieler

    No dia seguinte, Nat caminha apressada, segurando uma sacola de compras. De repente, Ricardo surge na sua frente.
    — Olha só quem eu encontrei... a princesinha que me colocou atrás das grades.
    Nat, assustada, dá um passo para trás.
    — Ricardo... o que você quer?
    — O que eu quero? Eu quero que você e seu irmãozinho paguem por tudo que me fizeram passar! Vocês me tiraram tudo!
    — Você sabe o que você fazia comigo; nós só contamos a verdade! Você mereceu ser preso! — disse Nat confrontando Ricardo.
    Ricardo dá um sorriso sarcástico.
    — Você bem que gostava.
    Ricardo se aproxima de Nat com um olhar ameaçador. Nat larga a sacola e sai correndo.
    Nat entra em casa, ofegante, e conta para Lucas sobre o encontro com Ricardo.
    — Lucas, ele me ameaçou! Disse que vai se vingar da gente!
    — Aquele... nós vamos à delegacia prestar queixa! — disse Lucas, furioso.
    Estevão está sentado na cama, com o notebook aberto à sua frente. A tela mostra o rosto de Igor, seu amigo, em uma chamada de vídeo.
    — E aí, cara, como estão os preparativos para o grande dia? — perguntou Igor.
    Estevão sorri, um pouco nervoso.
    — Ah, você sabe, tentando não pensar muito nisso. Mas é difícil, né?
    — Imagino. Mas você treinou pra caramba, vai tirar de letra!
    — Espero que sim. Estou ansioso pra entrar na equipe!
    — E vai entrar! Você sempre foi o mais rápido da turma, lembra?
    — É, mas o teste vai ser pra corrida de 1500 metros.
    — Relaxa, foca no seu ritmo e dá o seu melhor. E depois me conta tudo!
    — Valeu!
    — E vê se dorme cedo hoje, hein? Nada de ficar virando a noite no celular.
    — Pode deixar, senhor preocupação. Já vou desligar, aliás.
    — Beleza, então. Boa noite, Estevão! E dorme com os anjos! — disse Igor zoando o amigo.
    — Oxe, cara tá maluco? — perguntou Estevão.
    Igor começa a rir; Estevão fecha o notebook e se levanta, bocejando.
    — Cada coisa — disse Estevão, balançando a cabeça em negativa.
    Mais tarde naquela noite, Nat está deitada na cama, sem conseguir dormir. Lucas entra no quarto e senta ao lado dela.
    — Nat, eu sei que você está com medo, mas eu não vou deixar nada de ruim acontecer com você. Eu vou te proteger, sempre.
    — Obrigada, Lucas. Eu não sei o que seria de mim sem você — disse Nat, com lágrimas nos olhos.
    — Nós vamos superar isso juntos. Eu prometo.
    Lucas abraça Nat, tentando acalmá-la. Os dois ficam em silêncio por um momento.
    — Agora tente dormir um pouco. Amanhã será um novo dia — disse Lucas para a irmã caçula.
    Nat fecha os olhos, ainda com medo, mas um pouco mais aliviada com a presença do irmão.
    Na manhã seguinte, o sol nasce suavemente, iluminando a rua tranquila. Estevão está correndo na pista de atletismo.
    — Hoje é o dia. Preciso dar o meu melhor — pensa Estevão.
    Wilson Azevedo, um garoto alto e atlético, também está correndo na pista e observa Estevão.
    — Bom dia! Vai fazer o teste para os Panteras? — pergunta Wilson.
    — Bom dia, vou sim. — respondeu Estevão e você?
    — Não, só estou correndo para manter a forma — responde Wilson.
    — Ah, entendi. Eu vou tentar entrar para a equipe de 1500 m.
    — Legal! Eu estava vendo você correr, você leva jeito. Mantenha o foco e a determinação, você vai conseguir — diz Wilson, encorajando Estevão.
    Algum tempo depois, vários alunos chegam à pista, formando um grupo animado. O treinador Charles, um homem forte e experiente, reúne todos.
    — Bom dia, pessoal! Hoje teremos os testes para as equipes de corrida e salto à distância. Quero ver o máximo de vocês!
    O treinador apresenta os co-capitães das equipes: Wilson e Margarete. Estevão fica surpreso ao vê-los.
    — Eles vão ajudar na avaliação dos candidatos. Boa sorte a todos!
    Estevão pensa consigo mesmo:
    — A Margarete é co-capitã? Incrível! E o Wilson também... Ele parecia tão tranquilo.
    Enquanto o treinador explica os detalhes dos testes, Estevão observa Margarete e Wilson interagindo com os outros alunos. Ele se sente um pouco nervoso, mas determinado a mostrar seu potencial.
    — Vamos começar com os testes. Boa sorte a todos! — diz Margarete, dirigindo-se aos alunos.
    Wilson está ao lado de Margarete.
    — Lembrem-se, o mais importante é dar o seu melhor.
    Estevão se prepara para o teste, com o coração acelerado. Ele está pronto para enfrentar o desafio e mostrar a todos do que é capaz.
    Nat está em sua casa tomando café e com uma expressão preocupada, Lucas entra na cozinha.
    — Lucas, não vou pra escola hoje. — disse Nat.
    — Beleza, mas amanhã você vai, hein?
    — Tá bem.
    Na pista de atletismo
    Wilson se aproxima de Charles, que observa os candidatos correndo.
    — Treinador, vi aquele garoto loiro correndo mais cedo... Ele é muito bom! Chama-se Estevão.
    Charles observa Estevão correndo, concentrado.
    — Hum... Ele parece ter jeito para a coisa. Tem uma boa postura e um ritmo forte.
    Charles chama Estevão para perto.
    — Estevão, você já treina há muito tempo? — perguntou Charles.
    — Sim, quando eu era mais novo, participei de algumas competições. — respondeu Estevão.
    — Entendo... Bom, Estevão, você está aprovado. Pode ir para casa e volte amanhã para começar os treinos.
    — Aprovado? Mas... e os outros testes? — Estevão perguntou com uma expressão confusa.
    — Não preciso ver mais nada. Seu talento é evidente.
    — Mas isso não seria justo com os outros candidatos. Prefiro fazer todos os testes, como todo mundo. — falou Estevão, incomodado.
    Charles ergue uma sobrancelha, surpreso com a atitude de Estevão.
    — Tudo bem, Estevão. Se você insiste... Mas saiba que me impressionou.
    Margarete, que ouviu toda a conversa, observa Estevão com admiração.
    — Ele poderia ter aceitado a vaga e entrado direto para o time, mas preferiu ser justo. Que atitude incrível! — pensou Margarete.
    Margarete sorri, inspirada pela honestidade e humildade de Estevão.
    Nat está em sua casa e seu celular toca. Ela vê que é um número desconhecido e não atende.
    Após os testes, Wilson vai falar com Estevão.
    — E aí, Estevão? Mandou bem nos testes, hein? Impressionante!
    — Ah, valeu, Wilson. Acho que consegui me sair bem.
    — Acho? Você mandou bem, cara! Temos grandes chances no estadual esse ano.
    — Espero que sim!
    Margarete se aproxima dos dois: — Parabéns! Seus resultados foram excelentes.
    Estevão olha surpreso.
    — Margarete! Obrigado!
    Wilson percebe algo rolando entre eles.
    — Bom, acho que vou procurar o treinador. Preciso falar com ele. Com licença!
    Wilson sai, deixando Estevão e Margarete sozinhos. Estevão fica sem graça.
    Margarete, com um sorriso gentil: — Estevão, eu queria te dizer que achei muito legal a sua atitude de priorizar os testes. Mostra que você é focado e profissional.
    — Sério? Obrigado, Margarete. Eu só... achei que era o certo a fazer.
    — E foi. Que tal um café? Para relaxar depois dos testes.
    — Ah, eu... preciso treinar mais um pouco — disse Estevão, tentando evitar uma situação difícil para ele.
    Margarete sorri.
    — Hoje você vai descansar. Vamos tomar um café, conversar um pouco.
    — Mais temos aula agora.
    — Relaxa Estevão, somos da equipe de atletismo.
    Depois de um tempo, Estevão e Margarete saem da cafeteria com copos de café.
    Estevão toma coragem.
    — Então quer dizer que não vamos ficar com falta?
    — Não, pois estávamos com a equipe de atletismo e isso conta como presença, agora as última aulas teremos que assistir.
    — Entendi.
    Estevão pensa um pouco respira fundo :
    — Margarete, estava pensando... você gostaria de sair comigo na sexta-feira?
    Margarete para e se vira para ele.
    — Eu adoraria, Estevão! — diz Margarete, radiante.
    — Que bom! Não sabia se você aceitaria.
    Margarete o olha com doçura.
    — Por que?
    — É que... — Estevão gagueja.
    Margarete o interrompe.
    — Adorei nosso tempo juntos, Estevão. Até sexta, combinado?
    — Combinado.
    — Vou pra aula agora. — disse Margarete.
    Margarete beija o rosto de Estevão e se vai, deixando-o com um sorriso bobo.
    Nat não foi à escola e suas amigas Katia e Valeria vão visitá-la em sua casa depois da aula.
    Nat está deitada na cama, olhando para o teto. Katia e Valeria entram no quarto com expressões preocupadas.
    — Nat, que bom que te encontramos em casa. A gente estava preocupada, eu até te liguei mais cedo — disse Katia com um olhar preocupado.
    Nat olha para Katia, parecendo aliviada.
    — Foi você quem me ligou? — perguntou Nat.
    — Sim, esse é meu número novo — Katia respondeu.
    — Mas, Nat, aconteceu alguma coisa? — perguntou Valeria.
    Nat senta-se na cama, com um suspiro.
    — Muita coisa... Meu padrasto foi solto do presídio e agora está ameaçando eu e o Lucas.
    — Nossa, Nat! Que horror! Mas a polícia não fez nada? — perguntou Katia.
    — Eles conseguiram uma medida protetiva, ele não pode chegar perto da gente. Mas... mesmo assim, eu não consigo me sentir segura.
    — Eu te entendo, amiga. Mas você não pode ficar trancada em casa para sempre — disse Valeria.
    — Eu sei... mas é difícil — respondeu Nat.
    Nat começa a falar, com a voz embargada.
    — Vocês sabem que eu nunca conheci meu pai biológico, né?
    — Sim, você já comentou — respondeu Katia.
    — Minha mãe se casou com o Ricardo quando eu era pequena. Ele... ele era um monstro.
    — O que ele fazia, Nat? Você pode nos contar — perguntou Valéria com a voz suave.
    — Ele batia na minha mãe. E... ele abusava de mim — disse Nat com lágrimas nos olhos.
    Katia e Valeria trocam olhares chocados. Nat continua, com a voz tremendo.
    — Um dia, minha mãe desapareceu. Ela era usuária de drogas... eu nunca mais a vi. E os abusos do Ricardo pioraram.
    Nat faz uma pausa, respirando fundo.
    — Um dia, eu e o Lucas fugimos de casa. Nós encontramos uma delegada, ela era esposa de um professor do Lucas. Nós contamos tudo para ela.
    — E foi assim que ele foi preso? — perguntou Katia.
    — Sim. Mas... nós fomos mandados para abrigos separados. Foi horrível. Eu sentia tanta falta do Lucas. Quando o Lucas fez 18 anos, ele conseguiu minha guarda. E nós viemos morar juntos.
    Nat começa a chorar, soluçando.
    — Eu era só uma criança... nenhuma criança merece passar por isso. Ninguém merece.
    Katia e Valeria abraçam Nat, consolando-a. As três ficam abraçadas por um longo tempo, em silêncio.
    No dia seguinte, Nat, com um semblante mais confiante, sai da escola acompanhada pelas amigas. Elas riem e conversam, demonstrando o apoio mútuo. Ao longe, Ricardo observa Nat com um olhar sombrio.
    — Que bom te ver mais animada, Nat! A gente estava com tanta saudade do seu sorriso! — disse Valéria.
    — É isso aí! Esquece aquele traste! A gente tá aqui pra você, sempre! — disse Kátia.
    — Obrigada, meninas. Vocês são incríveis! — respondeu Nat, mais animada.
    Nat se despede das amigas e segue sozinha pela rua. De repente, Ricardo a agarra, puxando-a pelo braço.
    — Você pensa que se livrou de mim?! Não importa se eu apodrecer na cadeia, eu acabo com você!
    — Me larga! — gritou Nat.
    Claiton e seu pai passam de carro e testemunham a cena.
    — Pai, para o carro! Aquele cara tá atacando a Nat! — gritou Claiton.
    — Meu Deus! Claiton, fica aqui! Vou ligar pra polícia! — disse seu pai.
    Nat, usando suas habilidades de caratê, reage ao ataque. Ela aplica golpes precisos em Ricardo, derrubando-o no chão. Claiton se aproxima de Nat, preocupado.
    Nat está concentrada, aplicando os golpes em Ricardo.
    — Eu não vou deixar você me machucar de novo! — falou Nat, determinada.
    — Nat! — Claiton gritou.
    Nat olha para ele e, em um momento de distração, Ricardo se levanta e foge.
    Claiton se aproxima e abraça Nat.
    — Eu estou bem, Claiton. Obrigada. Mas ele fugiu.
    O pai de Claiton leva Nat à delegacia para registrar a ocorrência. O delegado ouve o relato de Nat.
    — Doutor, essa garota foi atacada pelo padrasto. Ele já tem histórico de violência contra ela — disse o pai de Claiton.
    — Ele me ameaçou de morte. Eu tenho medo que ele volte — disse Nat, relatando o ataque.
    — Vamos intensificar as buscas, senhorita. Pode ter certeza de que vamos encontrá-lo.
    Lucas chega à delegacia, preocupado.
    — Nat, você está bem? — perguntou Lucas, abraçando a irmã.
    — Estou, Lucas — disse Nat, com a voz trêmula.
    — Muito obrigada pela ajuda, Claiton, e ao seu pai também.
    — Eu conversei com o delegado, Nat. Ele me garantiu que a polícia vai intensificar as buscas — disse o pai de Claiton.
    — Obrigado, muito obrigado mesmo!
    Nat e Lucas vão para casa.
    Na sexta à noite, depois do encontro, Estevão deixa Margarete em casa.
    — Bom, chegamos. Espero que tenha gostado da noite — falou Estevão com timidez.
    Margarete sorri.
    — Adorei! Foi muito divertido.
    — Eu... eu estava um pouco nervoso. Sabe, primeiro encontro e tal. Acho que não me saí muito bem.
    Margarete coloca a mão no braço dele.
    — Estevão, você está brincando? A noite foi perfeita!
    — Sério? Eu me senti meio desajeitado em alguns momentos — falou Estevão.
    Margarete ri suavemente.
    — Você é fofo, Estevão. E engraçado, e gentil...
    Ela se inclina um pouco mais perto.
    — E eu adorei a forma como você me ouviu.
    — Eu... estava interessado no que você tinha a dizer — falou Estevão.
    Margarete, com um olhar doce, responde:
    — Eu sei.
    Um silêncio confortável se instala entre eles. Margarete olha para Estevão.
    — Sabe, Estevão...
    Margarete se aproxima ainda mais, e antes que Estevão possa dizer qualquer coisa, ela o beija. O beijo é suave e apaixonado. Estevão, inicialmente surpreso, logo responde ao beijo com entusiasmo.
    Após alguns momentos, eles se separam lentamente. Margarete sorri para Estevão, com um brilho nos olhos.
    — Boa noite, Estevão.
    Ela caminha até ao portão de sua casa. Estevão a observa, ainda um pouco atordoado pelo beijo. Margarete se vira na porta e acena para ele com um sorriso antes de entrar.
    Estevão anda pela calçada com um sorriso bobo no rosto. Ele caminha para casa, perdido em pensamentos felizes.
    Mais tarde naquela noite, Ricardo, com uma expressão de fúria, arromba a porta dos fundos da casa de Nat e Lucas. Ele está armado. Nat, que estava na cozinha, assusta-se. Lucas, no quarto, ouve o barulho e corre para ver o que está acontecendo.
    — Chegou a hora, Nat. Não vou voltar para aquela cela sem levar você comigo! — disse Ricardo com a voz rouca e ameaçadora.
    Ricardo agarra Nat pelo braço e aponta a arma para a sua cabeça.
    — Ricardo, solta essa arma! Isso não vai resolver nada. — disse Nat com a voz trêmula, mas firme.
    — Cala a boca! Você arruinou a minha vida! — gritou Ricardo.
    Nat muda o seu semblante de medo para um semblante de coragem e confiança.
    — Não! Você é que arruinou a minha vida.
    Nat torce o braço de Ricardo e usa as suas habilidades de luta para desarmá-lo. Nat derruba-o no chão.
    — Acabou, Ricardo. Você não vai machucar mais ninguém. — disse Nat.
    Lucas se aproxima e pega a arma do chão. Ele examina a arma com cuidado.
    — Nat, essa arma é de mentira! É uma réplica.
    Ricardo empurra Nat, levanta-se e tenta fugir.
    Ricardo sai de casa, sendo surpreendido por uma viatura policial que passava no local. Os policiais o algemam e o colocam no veículo.
    Nat observa a cena com um suspiro de alívio.
    — Finalmente acabou.
    — Você está bem, Nat? — pergunta Lucas.
    — Sim, agora estou. Não posso dizer o mesmo do Ricardo — responde Nat.
    Lucas sorri.
    — Claro, depois da surra que minha irmãzinha faixa preta em caratê deu nele.
    Nat retribui o sorriso.
    No dia seguinte, Nat caminha pelos corredores com um sorriso no rosto, encontrando e cumprimentando seus amigos. Ela parece mais leve e despreocupada.
    — Nat, você parece mais feliz hoje. Aconteceu alguma coisa? — pergunta Valéria.
    — Sim, o Ricardo foi preso — responde Nat.
    — Que bom! Ele mereceu — exclama Katia.
    Nat entra na sala de aula, aliviada e pronta para seguir em frente com sua vida.
  • Escuridão

    O caminho era longo. Todo final de semana, ele pegava um ônibus em direção à Bérnaba, uma viagem que durava cerca de sete horas e meia. Fazia isso somente para ver a sua namorada e, após o final do mês, a sua noiva. Isso, é claro, se ela aceitasse o pedido que seria feito exatamente na data de aniversário de namoro.
    Normalmente não conseguia dormir durante a viagem. Mesmo quando estava muito cansado, cochilava e acordava constantemente. Às vezes era por causa de alguma dor no pescoço e em outras porque a sua cabeça encostava no vidro que, ao tremular, o acordava. Nessa, entretanto, conseguiu dormir profundamente. Agradeceu aos céus por ter conseguido comprar uma almofada de pescoço que o deixava sem dores e o impedia de colocar o seu rosto contra a janela.
    No meio da noite, acordou pela primeira vez. O ônibus parou subitamente no meio da estrada, todas as suas luzes apagaram e nada funcionava. Ainda sem compreender nada corretamente, ele esfregou os olhos e tentou ligar o celular para saber que horas eram, mas a tela continuava escura. Acabou acreditando que a bateria havia acabado e o guardou.
    Ainda em sua busca de descobrir o horário, abriu a cortina da janela e tentou achar algum indício do nascer do sol. Lá fora estava tudo extremamente escuro. A única coisa que conseguia enxergar era uma montanha já no horizonte. Ela parecia ser composta por três picos: o primeiro era maior que o segundo, e o terceiro era o maior de todos. A única cor que ela tinha naquela escuridão era o preto, mas não era um preto qualquer. A sua cor, que parecia como a de uma sombra mais escura do que o próprio preto, hipnotizava o seu admirador e parecia congelá-lo no tempo como se nada mais importasse.
    Ele ficou ali até ser interrompido pelo barulho da porta que os separava do motorista ser aberta. Ele pediu para que todos que estivessem aptos a empurrar o ônibus para irem lá fora e ajudá-lo a colocar o veículo no acostamento. O intuito disso era evitar acidentes já que a pane elétrica havia acontecido bem em uma curva e algum carro desatento poderia bater neles.
    Ele foi um dos primeiros a se candidatar para a tarefa. Fez isso mais para sair do ônibus do que para ajudar. Sempre odiou ficar em locais muito fechados, pois lhe causava um extremo desconforto conforme o tempo passava. Lá fora havia quinze pessoas de um total de vinte e nove no ônibus. Ninguém tinha lanternas, a não ser a do motorista que havia quebrado quando ele saiu do ônibus pela primeira vez. Não se enxergava muito bem, o alcance máximo devia ser de um metro ao forçar a vista. Ele não fazia ideia de qual era a fonte dessa pequena luminosidade já que não havia lua no céu e nem sequer uma estrela, mas a sua intuição acreditava que aquela montanha era a iluminadora.
    Ele se posicionou na extremidade esquerda da traseira do ônibus e usou toda a força que tinha para deslocá-lo. Inicialmente, ele andava muito lentamente, porém, em questão de segundos, o ônibus começou a andar rapidamente como se estivesse descendo uma ladeira. Nesse instante, com a mudança súbita de força necessária a ser aplicada, acabou indo para o chão. Sentiu uma dor nos seus cotovelos já que eles foram a primeira parte do corpo a atingir o chão, mas a dor não o abateu. Rapidamente, ele se levantou e começou a caminhar na direção na qual estavam empurrando o ônibus. Não conseguia enxergar nem o que tinha a trinta centímetros de distância, mas sentia que o terreno não era íngreme.
    Ele não conseguia achar o ônibus. O desespero começou a tomar conta da sua mente. Começava a cogitar que estava andando para o lado errado, então começou a girar lentamente e a gritar. Esperava que algum outro passageiro ouvisse e desse um sinal de onde eles estavam. Entretanto, o silêncio reinava. A montanha havia sumido junto com qualquer chance de se localizar por meio dela. A sua garganta já começava a doer de tanto gritar por ajuda. Os seus pensamentos começaram a implorar por uma resposta ou até mesmo para que um carro aparecesse com farol alto e o atropelasse. A escuridão, a falta de localização e de sinais de vida estavam começando a deixá-lo desesperado. O medo corria por todas as suas artérias, veias e capilares nesse momento.
    O medo aumentou quando sentiu alguma coisa correndo alguns metros atrás dele. A sua respiração começou a ficar mais curta por causa do medo. Aconteceu mais uma vez, porém dessa vez sentiu que ela passou pelo seu lado direito com uma leve brisa o atingindo. Começou a cogitar que podia ser a sua mente pregando peças nele. Essa paranoia devia ser muito comum em alguém em estado de pânico. Mesmo assim, ao sentir aquilo pela terceira vez e perceber que estava cada vez mais próximo, começou a correr o máximo que podia para a direção em que estava virado. Não sabia se estava na estrada ou saindo dela. Ele somente não queria parar, pelo menos não até se sentir minimamente seguro e isso significava ter alguma fonte de luz. Entretanto, isso não foi possível. Ele caiu, bateu a cabeça e desmaiou, não sabendo se algo o perseguia, o que o perseguia, se foi atingido ou se tropeçou.
    Acordou no ônibus. O sol brilhava com algumas poucas nuvens brancas prestes a encobri-lo. Via alguns pássaros do lado de fora cantando suavemente e conseguiu relaxar. Entendeu que tudo deveria ser parte de um pesadelo bem vívido, então tentou fechar os seus olhos e descansar um pouco. Apesar de inúmeras tentativas, os seus olhos permaneciam abertos. O desespero retornou. Tentou levantar os seus braços e tocar o rosto com as suas mãos, mas nada acontecia. Sentia que estava dentro do seu corpo, porém não tinha controle nenhum sobre ele. Não sentia parte alguma dele, embora estivesse vendo tudo. Era como se fosse um prisioneiro amarrado em uma cela minúscula tendo uma única janela para ficar observando o mundo lá fora.
    O ônibus parou. Sentia um desespero cada vez maior. Se tivesse controle sobre os seus pulmões, tinha certeza de que a respiração estaria cada vez mais curta quase a ponto de desmaiar. Mas não tinha e pensou se, algum dia e de alguma forma, conseguiria restaurar o controle sobre o seu corpo. As suas dúvidas aumentaram quando viu o seu corpo desafivelar o cinto de segurança, pegar a mala e sair andando completamente sozinho enquanto era um mero passageiro dos olhos.
    Quando viu a sua namorada na rodoviária, tentou pela primeira vez gritar por socorro. O som saia, mas somente na sua mente. A boca não se movia nem mesmo um milímetro. Queria chorar, mas lágrimas não saiam dos seus olhos. Nunca tinha sentido tanto medo na vida, nem mesmo durante a noite passada.
    Finalmente um som saiu da sua boca, embora ele não tivesse lançado comandos para isso. A fala era completamente normal e a conversa totalmente amigável, mas não era ele falando. Talvez a pior parte de tudo isso fosse a impotência que sentia. Nem mesmo fugir ou pensar em fugir podia já que de nada adiantaria.
    Durante o trajeto até a casa da namorada, começou a tentar a se acalmar e a elaborar hipóteses para o que estava acontecendo. A mais plausível, embora ainda considerasse difícil de ser a verdade, era que o medo que sentiu na noite anterior o tenha feito desenvolver alguma doença mental e ele ser a voz secundária de uma esquizofrenia ou uma outra personalidade de um transtorno dissociativo de identidade.
    Depois de muito tempo numa prisão na qual não podia fazer nada além de observar, chegou a noite e a hora de dormir. Durante todo o dia, nada de anormal havia acontecido. Tudo o que ele teria feito normalmente, o seu corpo fez. Agora teria que dormir, mesmo sem saber como, e desejar que tudo voltasse ao normal no dia seguinte.
    Em cerca de meia hora, o seu corpo desligou. No meio da noite, estava ligado novamente. Tinha sentado na cama de repente e com o movimento havia acordado. Verificou se tinha retomado o controle do corpo ao tentar piscar, mas ainda nada acontecia. Sentia um sorriso se formando no rosto e a sua mão lentamente indo para a mesinha ao lado da cama. Dessa vez, estava sentindo tudo o que fazia sem precisar olhar para nenhum lado. Sentia, embora não controlasse. A sua mão pegou uma caneta e o seu tronco se virou para a namorada que estava em um sono profundo. O seu braço levantou até acima da sua cabeça e depois desceu rapidamente em direção ao peito dela. Fez aquilo repetidas vezes. A caneta deve ter atingido o coração porque o sangue jorrava e diversas vezes respingava no seu rosto formando gotas que desciam pelo nariz e pelas têmporas.
    Ele fazia força para tentar retomar o controle, se concentrava ao máximo no braço para ver se ele parava, mas nada acontecia. Quanto mais esforço fazia parecia que com mais força segurava a caneta. Gritava com o máximo de força que tinha, mas o som só soava em sua mente. Queria chorar e sentia que estava fazendo isso, mas do seu rosto só descia o sangue dela que se depositava em sua testa. Sentia aquelas gotas quentes se formando como se água fervente fosse jogada na pele. Quando viu a caneta quebrando, acreditou que tudo pararia. Ela já estava morta, sabia disso mesmo que a sua mente ainda tentasse procurar algum resquício de esperança. Mesmo assim, o seu braço não parava. Finalmente, o desespero e o sofrimento fizeram com que desmaiasse. Talvez não fisicamente, mas pelo menos mentalmente.
    Acordou no dia seguinte na mesma posição em que tinha desmaiado. Ainda sem controle do corpo e, dessa vez, sem conseguir sentir os músculos. Quando a sua cabeça se moveu na direção dela, não viu nada de anormal. Ela estava lá, dormindo e sem nenhum sangue ou sinal de ferimento a sua volta. Não entendia como, mas estava feliz que estivesse daquele jeito.
    O dia foi tranquilo como os seguintes. Tinha anunciado para ela que ficaria a semana toda e, na sua prisão mental, ficou com medo do porquê disso. Descobriu o porquê nessa noite e nas seguintes. Novamente acordou no meio da noite e a matou cruelmente. A cada noite uma arma diferente era usada, podendo ser um abajur ou uma tesoura. Logo depois ele desmaiava devido ao terror e acordava no dia seguinte com tudo acontecendo normalmente.
    Entretanto, quando chegou na quarta noite, conseguiu manter a calma. Estava prestes a matá-la sufocada com o travesseiro, mas mesmo assim se manteve totalmente calmo. Repetia sem parar que tudo aquilo não era real. Deu certo, não caiu no desespero enquanto matava ela, mas, mesmo assim, desmaiou após ter terminado o serviço.
    Acordou no dia seguinte e ela já estava em pé. O sol batia no seu rosto e sentia a pele esquentar de forma bem suave e agradável. Pensou que tinha recuperado o controle, mas ainda não conseguia nem sequer mexer um dedo. Mesmo assim, pensou estar lentamente recuperando o controle. Sentiu os músculos se moverem enquanto se levantava e caminhava na direção da sua namorada. Seu braço direito levantou e acertou um soco bem no olho dela. Ela gritou de dor. Sentiu uma dor nos nós da sua mão e uma confusão atingiu a sua mente. Não era noite e ela estava acordada, portanto não via o porquê de está-la atacando. O desespero estava retomando o controle. Tentava pensar que não era real, mas era difícil quando tudo ou pelo menos os principais detalhes se modificavam. Mesmo assim, tentava se convencer de que era tudo uma alucinação.
    Quando tinha começado a se convencer disso, o que demorou menos de dez segundos, o seu corpo lançou novamente aquele sorriso e voltou a agredi-la com um chute na barriga. O seu pé sentiu o impacto. Logo em seguida, o seu corpo se montou em cima dela e começou a socar o rosto dela sem dar pausas. Os punhos doíam e sentia os ossos da face dela quebrando a cada golpe desferido. Mesmo assim, se mantinha calmo. Tinha certeza que logo desmaiaria, acordaria novamente e tudo estaria bem.
    O seu corpo parou de socar depois de uns vinte minutos de esforço físico ininterrupto. Estava ansiosamente esperando para a hora em que iria desmaiar, mas, ao invés disso, o seu corpo pegou o telefone e ligou para a polícia. Quando ele fez isso, passou a não entender nada. O sofrimento que sentia era gigantesco, então entendeu que tudo havia sido verdade. Pela primeira vez, o seu corpo permitiu que chorasse. Mesmo assim, parecia que o sofrimento só aumentava ao rolar de cada lágrima.
    Tinha sido preso e o seu corpo confessou o crime descrevendo cada detalhe. A parte que mais doeu foi quando falou que tinha gostado de fazer aquilo. A sua mente xingou o corpo com todas as palavras que sabia, mas de nada adiantava.
    Na prisão, ele arranjava briga com todos só para que a mente sentisse a dor física. O recorde dele fora da solitária ou enfermaria foi de somente dois dias. Chegou a matar algumas pessoas em brigas, mas já não ligava tanto como antes. O sofrimento que sentia por estar numa prisão dentro de outra prisão, em uma cela solitária dentro de outra solitária, já o tinha feito totalmente indiferente a tudo.
    A única boa notícia é que o corpo havia revelado o que tinha causado isso. Num sonho que tivera no primeiro dia de prisão tudo tinha ficado claro. Ele estava novamente correndo na estrada sem conseguir enxergar coisa alguma quando conseguiu ver uma placa da mesma cor da montanha que dizia “Bem-vindo a Escuridão!”. A escuridão havia consumido ele e talvez todos aqueles que estavam no ônibus.
  • Estado de calamidade pública: Desastres decorrentes das chuvas.

    O objetivo não é julgar a imprudência humana, creio que nesse momento ela na consciência de cada um já está sendo julgada. Não é também acusar, apontar o dedo sobre o erro, perante a uma situação que exige cuidado, empatia e solidariedade. Mas queria dizer algumas coisas a respeito e não teria outro lugar para dizer. Se eu publicasse um texto desses no facebook, por exemplo, seria atacado pela comunidade local por minha "falta de humanidade com o povo".

    Hà alguns dias, Minas Gerais enfrenta um constante índice de chuva, são mais de 3 dias diretos de chuva nas mais diversas regiões do Sudeste Mineiro. A região do Vale do Aço, do Rio Doce e outras regiões, estão sofrendo bastante por tudo que a chuva ocasionou: transbordamentos de rios, represas se rompendo, demoronamentos e o pior de tudo, enchentes em algumas cidades. 

    Caratinga, minha cidade, tem sofrido com inundação em alguns trechos das ruas, desmoronamentos de terra em barrancos e o rio que corta a cidade veio a ter cheia. Isso desperta e muito a população e o poder público local. Mas fico chateado, pois acredito ser algo que não tínhamos necessidades de passar, muito desse sofrimento coletivo poderia ser evitado. Os desmoronamentos de terra é um caso que acredito ser mais complexo. Mas no que se refere as inundações, percebo uma grande falta de infraestrutura de captação e escoamente d'água. Caratinga, uma cidade com cidadões incosciêntes das questões socio-ambientais, pouco se importam para onde vai o lixo que jogam na rua, sem um pingo de dor na consciência, eis aqui a consequência. Eu lamento muito por comerciantes que passam desespero por risco de enchente ou inundação, famílias que perdem abrigo, bens e imóveis por conta de alagamento, mas tudo isso seria evitado por nós mesmo, se soubessémos dos riscos de nossos atos, afinal, "toda ação corresponde a uma reação", todo ato gera consequências. Outra coisa, são as ações (ou as faltas delas) da Prefeitura Municipal e respectivas secretarias competentes para lidar com as obras de esgoto e escoamento de chuva. Não tenho audácia para falar disso, pois não entendo. Mas sei que esse episódio é repentino na história da cidade e já ouvi de especialistas que isso tudo é uma falta de infraestrutura da cidade, algo cabível à Prefeitura em tomar medidas. Mas ao longo de anos e anos de mandato, as pessoas só focam em algo quando não há mais nada que se fazer. 

    É triste o cenário de tudo isso, eu particularmente, ainda como um adolescente, fico assustado em ver tantos desastres. São situações dignas de solidariedade, de prestar serviço, orações e tudo que for possível para ajudar. É essencial fazer campanhas, hastear as bandeiras de ajuda e voluntariedade e prestar socorro a quem necessita. Afinal, somos todos humanos e é bonito ver pessoas se preocupando com pessoas. Mas no momento de dificuldades isso faz parecer meramente obrigatório, e gostaria muito que tivéssemos esse apreço em socorrer e ajudar, coletivamente, sem precisar dos remorços, dos choros e do sofrimento. Antes de ter que cuidarmos dos outros no que se refere a um acontecimento triste e "natural" ou em um estado de calamidade, seria muito melhor se cuidássemos evitando jogar lixo na rua, tendo consciência ambiental e assim, evitar possíveis consequências; penso ser um gesto muito mais bonito de cuidado para com a humanidade do que prestar cuidado somente quando em situações onde cuidar parece ser obrigatório ou cumprimento de dever moral. 
  • Estátua Humana

    Sou uma estátua humana
    Inerte e estática, mas ainda humana
    E, sendo humana, tenho sentimentos
    Mas todos se parecem iguais

    Até mesmo as novidades não mudam isso
    Talvez porque toda novidade não é uma novidade
    Algo ruim aconteceu, mesmo que tenha sido planejado para ser bom

    Mas como toda boa estátua humana, sigo
    Talvez esperando uma boa novidade ou um bom sentimento
    Para que assim possa sair da inércia e me movimentar um pouco
    Deixando por um segundo de ser a porra
    De uma
    Estátua
    Humana.
  • Eu confesso!

    Meu nome é Raul Almeida.
          Vou contar a minha história, como eu perdi tudo, como minha vida mudou da noite para o dia, por causa do meu temperamento.
          Eu confesso! Eu matei um homem inocente;; privando sua família da alegria de vê- lo voltar para casa, de abraçá- lo e de receber seu amor.
         Era uma noite de sábado como outra qualquer. Uns amigos me convidaram para inauguração de um bar; não estava com muita vontade de ir, mas minha namorada Milena queria ir; gostava da banda que iria se apresentar no novo bar. A contragosto aceitei e na hora marcada fui buscar Milena.
         Começamos a discutir logo na frente da casa dela, por causa da roupa provocante que ela usava.
       - Não vai vestida assim!
       - Vai começar com isso de novo?
       - Já disse que não quero que use mais essas roupas!
       - Você me conheceu assim, gostou de mim assim; não vou mudar agora.
         Essas discussões eram frequentes e cada vez mais violentas, normalmente eu perdia a cabeça e rasgava-lhes a roupa. Ela chorava dizia coisas cruéis; a irmã dela acalmava a situação e eu esperava no carro, tentando controlar a raiva. Enquanto ela trocava a roupa e retocava a maquiagem. Quando ela finalmente entrava no carro eu lhe pedia perdão e prometia que não ia mais acontecer. Isso levava a outra discussão.
       - Essas suas promessas são velhas, então não reclame quando eu me cansar e te deixar.
       - A culpa é sua!
       - Minha? Essa é boa!
       - Sim! Já disse que não quero que vista aquele tipo de roupa.
       -  Já disse que não vou mudar. Ou você se acostuma ou cai fora.
       - Eu quero casar com você, formar uma família.
       - Esse já foi meu sonho...
       - Foi?!
       - Sim! Não vou casar com um homem que me agride e não me respeita.
       - E eu não posso me casar com uma mulher vulgar.
       - Vulgar?
       - Olha como se veste.
       - Quando decidiu me conquistar a roupa não foi um problema. Você é inacreditável. Um cretino!
         Parei na frente do bar e continuamos discutindo dentro do carro. Guilherme bateu na janela; Ana a namorada dele arrastou Milena para dentro do bar. Eu estava com muita raiva.
       - Brigando de novo?
       - Aquele estupido, disse que eu sou vulgar.
       - Você sabe que ele não gosta do tipo de roupa que você veste, muito provocante.
       - Não vou mudar
       - Que tal um meio termo?
         A conversa foi interrompida pelas amigas.
         Eu e Guilherme entramos logo em seguida, uns amigos, queriam conversar, mas minha atenção estava em Milena, meus olhos a seguia. Um rapaz passou a mão no cabelo de Milena; Guilherme percebendo a situação, segurou meu braço.
       - Sem brigas, você prometeu.
       - Vou me controlar.
         Quando olhei pro salão, não encontrei Milena. Guilherme percebendo minha inquietação perguntou por Ana a irmã dela.
       -A esposa do Amaral levou elas para o escritório, queria mostrar a elas um projeto. Trabalho para elas, eu acho.
        Meu coração se acalmou, procurei o rapaz estava numa mesa com uns amigos. Sentei numa mesa com os amigos e tentei relaxar. Quando elas chegaram fiquei reclamando da demora.
        - Já vai começar?
       - Veio pra trabalhar?
       - Pega leve Raul, vamos curtir a noite numa boa.
       - Ana tem razão, vamos ficar de boa, sem brigas. Ressaltou Guilherme.
         Elas foram dançar e Guilherme me chamou num canto.
       -Você vai perder essa mulher.
       - Se ela me amar de verdade, vai casar comigo.
       - Não tem amor que sobreviva a isso...
       - Só cuido do que é meu. Por falar nisso vamos pra perto delas.
       - Deixa as meninas curtirem um pouco, sem você chateando.
         Fiquei sentado observando elas, o dito rapaz se aproximou delas e falou no ouvido de Ana, mostrei a Guilherme, ele não se importou. Levantei e caminhei até as moças, Guilherme me seguiu. As duas deram uma gargalhada e ouvi o rapaz dizer: essa morena é muito gostosa, essa noite será minha.
         Milena era uma morena linda. Os cabelos naturalmente lisos, negros como a noite, olhos vivos e expressivos, lábios carnudos, corpo escultural. Perfeita! Seu sorriso iluminava seu rosto, era muito sensual. Qualquer homem  a desejaria. Então perdi a cabeça.
         Peguei uma cadeira de uma mesa próxima e derrubei o cara, eu bati tanto nele e com tanta fúria, que minha camisa ficou manchada de sangue. Guilherme me tirou de cima do rapaz, uns amigos ficaram com o rapaz enquanto a ajuda chegava; as moças choravam. Foi tudo tao rápido e automático, que só percebi a gravidade do que tinha feito, quando olhei Milena. Nunca esquecerei aquele olhar de desprezo, de ódio.
         O rapaz foi para o hospital e eu pra delegacia.
      Na delegacia fiquei sabendo como tudo realmente aconteceu..
         O rapaz era conhecido de Ana, quando elas entraram ele tirou uma mariposa do cabelo de Milena. Depois na pista de dança, ele relembrou a Ana como ela era sem graça e desengonçada quando menina; as duas deram gargalhadas. Quando ele falou no ouvido de Ana, queria saber o nome da amiga dela que tocava na banda que se apresentava naquela noite. Era dessa moça que ele falava quando me aproximei; não tinha nem notado a Milena, nem falado com ela.
         Ana disse que ele era um rapaz trabalhador, um bom filho,, um irmão amoroso e um amigo leal. Que o único pecado dele era ser amigo dela. O único pecado dela era ser amiga de Milena e o pecado de Milena foi ter deixado eu entrar na vida dela.
        Milena se recusou a falar comigo, mandou me dizer que jamais falaria comigo de novo. Me senti muito mal.
         Todos os meus amigos me abandonaram, só o Guilherme que ficou ao meu lado nesse momento tenebroso.
       - Eu te avisei que você iria perder aquela mulher maravilhosa.
       - Ela vai me perdoar, ela me ama.
       - Ela se mudou e ninguém diz pra onde...
       - Se mudou? Estava descrente, não podia me deixar.
         Percebendo minha confusão mental, Guilherme continua?
       - Vendeu tudo, deixou a família, os amigos e até o emprego.
       - Não sei viver sem ela.
       -Vai ter que aprender.
       - Deve ter algo que eu possa faer para concertar...
       - Não há mais o que fazer, o rapaz morreu ao amanhecer.
         Coloquei a mão na cabeça e chorrei amargamente.
         Fui semtemciado há trinta anos de prisão, mas cumpri quinze anos. Guilherme me ajudou a começar de novo.
       - E Milena?
       - Não sabemos.
       - E as cartas que escrevi?
       - Ana entregou a irmã dela.
       - Ana não tem mais contato com ela?
       - Milena não quer perto dela ninguém que tenha contato com você.
       - Elas tinham uma amizade tão bonita.
       - Começou na infância. Mas eu casei com Ana e apoiei você, então a amizade delas não suportou, morreu!
       -Eu lamento!
       - Vamos ver se isso é verdade.
       - O que quer dizer?
       - São suas atitudes que vão mostrar o seu lamento e arrependimento.
         Guilherme nunca me deixou sozinho, mas não acreditava que eu pudesse mudar. Ana nunca impediu que o marido me ajudasse, porém nunca quis falar comigo e nem me CER de novo.
         Arranjei um emprego na indústria do Flávio, amigo do Guilherme. Procurei Milena por anos e gastei muito dinheiro, em vão.
         Hoje sou um novo homem, aprendi a controlar a raiva, no entanto o velho eu esta aprisionado dentro de mim e as vezes tenta escapar, quer vim a tona. Eu busquei ajuda profissional e faço trabalhos voluntários.
         Milena mandou dizer que eu pare de procurar por ela, que não quer me ver, mas disse que ficou contente de saber das minhas mudanças. Que nosso tempo já passou, esta casada e feliz, que espera que eu seja feliz também.
        Eu confesso! Eu matei um homem por ter um desvio de conduta e uma falha grave no meu caráter. Por causa disso perdi o meu grande amor e minha paz. Agora preciso juntar os pedaços e seguir em frente. Por meio de Guilherme ajudo a família do rapaz, sem poder jamais esquecer o mal que fiz a eles e a todos que atravessaram meu caminho.
  • Eu confesso!

    Meu nome é Raul Almeida.
          Vou contar a minha história, como eu perdi tudo, como minha vida mudou da noite para o dia, por causa do meu temperamento.
          Eu confesso! Eu matei um homem inocente;; privando sua família da alegria de vê- lo voltar para casa, de abraçá- lo e de receber seu amor.
         Era uma noite de sábado como outra qualquer. Uns amigos me convidaram para inauguração de um bar; não estava com muita vontade de ir, mas minha namorada Milena queria ir; gostava da banda que iria se apresentar no novo bar. A contragosto aceitei e na hora marcada fui buscar Milena.
         Começamos a discutir logo na frente da casa dela, por causa da roupa provocante que ela usava.
       - Não vai vestida assim!
       - Vai começar com isso de novo?
       - Já disse que não quero que use mais essas roupas!
       - Você me conheceu assim, gostou de mim assim; não vou mudar agora.
         Essas discussões eram frequentes e cada vez mais violentas, normalmente eu perdia a cabeça e rasgava-lhes a roupa. Ela chorava dizia coisas cruéis; a irmã dela acalmava a situação e eu esperava no carro, tentando controlar a raiva. Enquanto ela trocava a roupa e retocava a maquiagem. Quando ela finalmente entrava no carro eu lhe pedia perdão e prometia que não ia mais acontecer. Isso levava a outra discussão.
       - Essas suas promessas são velhas, então não reclame quando eu me cansar e te deixar.
       - A culpa é sua!
       - Minha? Essa é boa!
       - Sim! Já disse que não quero que vista aquele tipo de roupa.
       -  Já disse que não vou mudar. Ou você se acostuma ou cai fora.
       - Eu quero casar com você, formar uma família.
       - Esse já foi meu sonho...
       - Foi?!
       - Sim! Não vou casar com um homem que me agride e não me respeita.
       - E eu não posso me casar com uma mulher vulgar.
       - Vulgar?
       - Olha como se veste.
       - Quando decidiu me conquistar a roupa não foi um problema. Você é inacreditável. Um cretino!
         Parei na frente do bar e continuamos discutindo dentro do carro. Guilherme bateu na janela; Ana a namorada dele arrastou Milena para dentro do bar. Eu estava com muita raiva.
       - Brigando de novo?
       - Aquele estupido, disse que eu sou vulgar.
       - Você sabe que ele não gosta do tipo de roupa que você veste, muito provocante.
       - Não vou mudar
       - Que tal um meio termo?
         A conversa foi interrompida pelas amigas.
         Eu e Guilherme entramos logo em seguida, uns amigos, queriam conversar, mas minha atenção estava em Milena, meus olhos a seguia. Um rapaz passou a mão no cabelo de Milena; Guilherme percebendo a situação, segurou meu braço.
       - Sem brigas, você prometeu.
       - Vou me controlar.
         Quando olhei pro salão, não encontrei Milena. Guilherme percebendo minha inquietação perguntou por Ana a irmã dela.
       -A esposa do Amaral levou elas para o escritório, queria mostrar a elas um projeto. Trabalho para elas, eu acho.
        Meu coração se acalmou, procurei o rapaz estava numa mesa com uns amigos. Sentei numa mesa com os amigos e tentei relaxar. Quando elas chegaram fiquei reclamando da demora.
        - Já vai começar?
       - Veio pra trabalhar?
       - Pega leve Raul, vamos curtir a noite numa boa.
       - Ana tem razão, vamos ficar de boa, sem brigas. Ressaltou Guilherme.
         Elas foram dançar e Guilherme me chamou num canto.
       -Você vai perder essa mulher.
       - Se ela me amar de verdade, vai casar comigo.
       - Não tem amor que sobreviva a isso...
       - Só cuido do que é meu. Por falar nisso vamos pra perto delas.
       - Deixa as meninas curtirem um pouco, sem você chateando.
         Fiquei sentado observando elas, o dito rapaz se aproximou delas e falou no ouvido de Ana, mostrei a Guilherme, ele não se importou. Levantei e caminhei até as moças, Guilherme me seguiu. As duas deram uma gargalhada e ouvi o rapaz dizer: essa morena é muito gostosa, essa noite será minha.
         Milena era uma morena linda. Os cabelos naturalmente lisos, negros como a noite, olhos vivos e expressivos, lábios carnudos, corpo escultural. Perfeita! Seu sorriso iluminava seu rosto, era muito sensual. Qualquer homem  a desejaria. Então perdi a cabeça.
         Peguei uma cadeira de uma mesa próxima e derrubei o cara, eu bati tanto nele e com tanta fúria, que minha camisa ficou manchada de sangue. Guilherme me tirou de cima do rapaz, uns amigos ficaram com o rapaz enquanto a ajuda chegava; as moças choravam. Foi tudo tao rápido e automático, que só percebi a gravidade do que tinha feito, quando olhei Milena. Nunca esquecerei aquele olhar de desprezo, de ódio.
         O rapaz foi para o hospital e eu pra delegacia.
      Na delegacia fiquei sabendo como tudo realmente aconteceu..
         O rapaz era conhecido de Ana, quando elas entraram ele tirou uma mariposa do cabelo de Milena. Depois na pista de dança, ele relembrou a Ana como ela era sem graça e desengonçada quando menina; as duas deram gargalhadas. Quando ele falou no ouvido de Ana, queria saber o nome da amiga dela que tocava na banda que se apresentava naquela noite. Era dessa moça que ele falava quando me aproximei; não tinha nem notado a Milena, nem falado com ela.
         Ana disse que ele era um rapaz trabalhador, um bom filho,, um irmão amoroso e um amigo leal. Que o único pecado dele era ser amigo dela. O único pecado dela era ser amiga de Milena e o pecado de Milena foi ter deixado eu entrar na vida dela.
        Milena se recusou a falar comigo, mandou me dizer que jamais falaria comigo de novo. Me senti muito mal.
         Todos os meus amigos me abandonaram, só o Guilherme que ficou ao meu lado nesse momento tenebroso.
       - Eu te avisei que você iria perder aquela mulher maravilhosa.
       - Ela vai me perdoar, ela me ama.
       - Ela se mudou e ninguém diz pra onde...
       - Se mudou? Estava descrente, não podia me deixar.
         Percebendo minha confusão mental, Guilherme continua?
       - Vendeu tudo, deixou a família, os amigos e até o emprego.
       - Não sei viver sem ela.
       -Vai ter que aprender.
       - Deve ter algo que eu possa faer para concertar...
       - Não há mais o que fazer, o rapaz morreu ao amanhecer.
         Coloquei a mão na cabeça e chorrei amargamente.
         Fui semtemciado há trinta anos de prisão, mas cumpri quinze anos. Guilherme me ajudou a começar de novo.
       - E Milena?
       - Não sabemos.
       - E as cartas que escrevi?
       - Ana entregou a irmã dela.
       - Ana não tem mais contato com ela?
       - Milena não quer perto dela ninguém que tenha contato com você.
       - Elas tinham uma amizade tão bonita.
       - Começou na infância. Mas eu casei com Ana e apoiei você, então a amizade delas não suportou, morreu!
       -Eu lamento!
       - Vamos ver se isso é verdade.
       - O que quer dizer?
       - São suas atitudes que vão mostrar o seu lamento e arrependimento.
         Guilherme nunca me deixou sozinho, mas não acreditava que eu pudesse mudar. Ana nunca impediu que o marido me ajudasse, porém nunca quis falar comigo e nem me CER de novo.
         Arranjei um emprego na indústria do Flávio, amigo do Guilherme. Procurei Milena por anos e gastei muito dinheiro, em vão.
         Hoje sou um novo homem, aprendi a controlar a raiva, no entanto o velho eu esta aprisionado dentro de mim e as vezes tenta escapar, quer vim a tona. Eu busquei ajuda profissional e faço trabalhos voluntários.
         Milena mandou dizer que eu pare de procurar por ela, que não quer me ver, mas disse que ficou contente de saber das minhas mudanças. Que nosso tempo já passou, esta casada e feliz, que espera que eu seja feliz também.
        Eu confesso! Eu matei um homem por ter um desvio de conduta e uma falha grave no meu caráter. Por causa disso perdi o meu grande amor e minha paz. Agora preciso juntar os pedaços e seguir em frente. Por meio de Guilherme ajudo a família do rapaz, sem poder jamais esquecer o mal que fiz a eles e a todos que atravessaram meu caminho.
  • FELICIDADE NA DOR: PARTE 2

    Carmen parecia ter acordado de um transe ao notar o chão repleto de sangue. Após a ficha literalmente cair percebeu o horario e faltava pouco para a filha chegar. Seria um choque, e ela, sua mãe, fora a responsável.

    Sempre educou as filhas, tanto Janete quanto Julia tiveram bons exemplos no lar. Jeremias, pai das moças hoje adultas e independentes contribuira ativamente. Tendo somente mulheres em casa, buscava orientar as meninas a se respeitarem em primeiro lugar. E jamais permitir homens contrários a esses preceitos em suas vidas. Ou seja, não admitiria vê-las sofrer nas mãos de quem fosse. Assim cresceram parecendo ter absorvido suas orientações.

    Janete casou primeiro, até por ser cinco anos mais velha em relação a Julia. Na época tinha vinte e cinco anos. Oito anos depois foi a vez da irmã. Nesse momento o casal Carmen e Jeremias sentia ter cumprido sua missão, afinal ambas estavam seguindo a vida ao lado dos maridos e os respectivos eram bons homens. Tempos depois a família cresceu, o neto Iago hoje com três anos, filho de Janete e Saulo preenchia ainda mais com a alegria e naturalidade infantil. Cobranças para Julia e Flávio que levavam de bom humor afinal a pouco sua união completara quatro anos. Em vários fins de semana todos se reuniam e emocionava observar.

    Os pensamentos de Carmen por alguma razão proporcionaram uma breve retrospectiva. A ocasião era turbulenta mas inusitada pois, havia serenidade em seu interior. Mesmo ciente das consequências. Foi quando pegou o celular e mesmo relutante efetuara a ligação. Se era o certo, não tinha a menor idea mas sabia das lágrimas, tristezas e decepções por vir.


    CONTINUA...
  • FELICIDADE NA DOR: PARTE 3

    Julia estava cansada, o plantão de vinte e quatro horas fora acirrado. Para complicar a cidade de pernas para o ar atrasou seu retorno. Por conta disso contactou a mãe para desmarcar sua visita mas o celular teimoso em caixa postal. Eram vinte e três horas e cinquenta e oito minutos e aquela altura pensava apenas em relaxar.

    A moça estava na rua de casa, muitas pessoas circulavam e pelo horário chamava a atenção. Visualizou carros de polícia e ao se aproximar pareciam estar em frente a sua residência. O temor concretizou-se, coração disparado e pernas trêmulas. Policiais adentravam, uma área isolada demarcada e curiosos ao redor. Parecia filme mas era verdade.

    Julia quiz entrar e foi impedida, transtornada se apresentou como dona da casa e uma confusão teve início. A investida surtiu efeito, adentrara e a imagem chocante. Uma enorme poça de sangue e no chão, sem vida, o marido Flávio.  A moça caiu em prantos, tudo girava, seria pesadelo ou alucinação, assim imaginava. Os policiais a ampararam e mesmo sem condições psicológicas inúmeras perguntas começaram.
    A jovem mulher não sabia onde estava. Em poucos minutos seu rosto inchado devido ao choro ilustravam o cenário estarrecedor. Por estar sem condições os oficiais entraram em contato com sua família e expuseram o  fato ocorrido. Janete foi a escolhida, mesmo em pedaços a moça não quis envolver os pais para dar de imediato a notícia.

    Naquela hora Carmen chegava em casa e pensava se fez a escolha certa. Imaginava a dor da filha e isso lhe cortava o coração. Mas decidiu ligar para as autoridades e agora restava esperar e não levaria muito tempo, precisava correr.

    CONTINUA...
  • Fetiches

    Desde que assumiu sua condição aos quinze anos, a vida de Hugo nunca mais foi a mesma. A primeira dificuldade foi dizer a sua conservadora família de cristãos protestantes! Sofria assédio de toda a vizinhança. Ele se via uma mulher presa num corpo de homem, sentia-se culpado, estressado e sem perspectivas. Era duro não atender as expectativas de seus pais e irmãos nessas condições.
           A oportunidade de sair de casa surgiu quando seu amante – um homem mais velho que morava no outro lado da cidade – lhe propôs que fosse morar com ele. Aceitou de pronto, e na calada da noite, Hugo fugiu e se tornou Charlote.
           Seu companheiro se mostrou um sanguessuga, vivia bebendo e usando drogas, a tratava como uma escrava doméstica e ainda a agredia fisicamente. Ela cresceu, e um dia, não aguentando mais as agressões, revidou, a briga foi feia, a polícia foi chamada e o homem foi preso por pedofilia. O bangalô ficou para ela, mas por mais que a casa fosse humilde, como sustentá-la?
           Charlote procurou emprego, mas nenhuma loja ou empresa por mais não davam emprego para travestis ou transexuais. Assim como em sua casa, as barreiras do preconceito não podiam ser rompidas tão facilmente. Com um nó na garganta, foi ao banheiro, tomou uma ducha, perfumou-se, vestiu sua melhor e mais provocante roupa e saiu a rua.
           Não precisou andar muito para conseguir o primeiro freguês, foi abordada por um carro de última geração e depois de negociar o preço, Charlote entrou no carro e foram a viela mais escura da vizinhança. Depois de receber o seu pagamento, sentiu-se um pouco melhor. Quando avistava um carro, exibia-se, os carros buzinavam, alguns amaldiçoavam-na, outros no entanto, vinham satisfazer suas necessidades e pagavam por elas.
           O plano dera tão certo que todas as noites de segunda a domingo, exceto o sábado, saía as ruas para ganhar algum. Metade do dinheiro era para pagar as contas, a outra metade para investimento em seu corpo, além de Charlote, muitas outras viam fazer programa, a concorrência chegava a ser desleal. Precisava estar cada vez mais bonita e feminina para os seus clientes. Seu sonho era fazer a cirurgia de mudança de sexo, mas até lá, precisava dar um mega hear e pôr silicone nos seios.
           Ao longo do tempo em que se prostituiu, ganhou muitos presentes, inimizades e até brigas com outras garotas trans, mas a sua pior experiência foi quando um cliente além de não pagar a sua prata, a agrediu até ser hospitalizada.
           O que mais lhe incomodava enquanto estava entubada eram as notícias de jornais e dos programas jornalísticos da TV, daquelas que temos vontade de nem saber que estão acontecendo. O maníaco da vez era chamado de o “Maníaco dos Fetiches”, de acordo com a única testemunha, uma mulher que sobrevivera ao ataque, ele vestia uma roupa de couro preta e usava uma navalha.
           Quando ela teve alta, ela não deixou de fazer programas por causa disso, ao contrário, depois de sair do hospital, teve que pagar as despesas médicas e passou a fazer sexo sem camisinha, pois assim recebia mais. O risco de pegar alguma doença venérea era alto, mas estava endividada até o pescoço. Suas companheiras de ofício recomendaram estar sob as asas de um cafetão, pagavam uma comissão, mas tinham garantia de segurança nesses casos.
           Os dias transcorreram intercalando miséria e sofrimento. Ninguém mais se arriscava a ficar tão tarde da noite, apenas Charlote resistia, mesmo com todas as ressalvas do cafetão e das outras meninas. E todos as noites, saía a rua.
           Naquela noite, o movimento estava baixo, todos temiam o criminoso. Quando resolveu ir para casa, sentiu uma presença estranha, um vulto que ora ou outra se ocultava na escuridão. Quando andava, ouvia atrás de si um som rascante, como plástico se dobrando. Um cheiro encarniçado se sentia no ar, como se uma cova de um defunto apodrecido estivesse sido aberta ali na rua. O coração de Charlote ficou sobressaltada. Por duas vezes ensaiou uma corrida, mas o salto alto não ajudou. Resolveu esconder-se em um beco, a rua estava escura e a lua pálida ficou encoberta pelas nuvens nubladas. Ocultou-se atrás de uma lata de lixo e prendeu a respiração, segurou a bolsa numa posição em que pudesse se defender. Esperou minutos seguidos, seja lá o quem fosse, tinha ido embora.
           Quando ergue-se, algo frio tocou seus ombros, virou-se batendo com a bolsa no agressor, mas foi ferida no antebraço. E para seu azar era ele, o Maníaco dos Fetiches. Dos pés à cabeça, ele usava uma roupa de couro negro polida, pelas frestas da roupa, via-se um corpo em carne-viva, exalando um fedor pútrido, seus olhos, boca e nariz despejavam um muco purulento. Na mão, ele portava uma navalha. Charlote imaginou se aquilo era humano? Mas seu medo a levou reagir instintivamente. Tentou revidar, mas a dor a fez vacilar. O golpe errou o oponente e acertou a parede, Charlote amaldiçoou o infeliz, mas quando girou o corpo, a navalha acertou seu pescoço. A veia esguichou sangue manchando a lata de lixo. Charlote caiu, e enquanto a vida se esvaia lentamente, e em silêncio, viu seu corpo ser mutilado por aquele monstro. Quando finalmente expirou, o encourado desapareceu no ar deixando uma poça de sangue no chão. Charlote deixou a vida e se tonou um número frio nas estatísticas policiais.

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