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  • COLÉGIO PRACINHAS - CAPÍTULO 2 – OS CONSELHOS DO MAJOR MENDES

    Ao fim daquela primeira semana, tivemos uma cerimônia, com direito a hastear a Bandeira e canto do hino nacional. Eu vestia meu uniforme de gala, e estava junto dos demais alunos participando da solenidade. Ao fim, o diretor fez um discurso e nos dispensou. Poderíamos ir para casa.
    Eu voltava com Pedro e Elias, conversando animadamente da primeira semana. Por sorte, Siqueira e os demais alunos do terceiro ano nos haviam deixado em paz. Pedro não comentou nada do que aconteceu no quarto do Soares na primeira noite. E eu tão pouco perguntei. Não queria assumir que o havia espiado.
    Tudo corria bem, quando no caminho, sou abordado por Siqueira.
    - Que bom que o encontrei, meu subordinado. Me siga
    Eu respirei fundo e me despedi dos meus colegas, acompanhando ele. Fomos até o alojamento do terceiro ano, já vazio. Os alunos no geral já desceram com suas malas, para da cerimônia só precisarem trocar de roupa no vestiário coletivo do térreo e dali seguirem para suas casas. Mas Siqueira não. Parei na porta e esperei.
    Ele tirou os coturnos e me entregou.
    - Aqui está. Estão imundos de andar na terra. Não posso levar assim pra casa. Limpe e engraxe. Depois pode ir se arrumar
    - Permissão para trocar de roupas antes, senhor - pedi, sério.
    - Negado. Não precisa. Eu permito que tire seu uniforme de gala. Mas rápido, pois tenho de partir em breve.
    Eu então entrei no quarto, tirei a roupa com cuidado, ficando apenas de cuecas. Dobrei meu uniforme para não amarrotar e o deixei em cima da cama. Siqueira acompanhou tudo. Não fez objeção com minha cueca. Sentei em uma cadeira e comecei a limpar.
    Satisfeito com meu silêncio, ele foi se trocando. Também tirou a roupa com calma, e guardando bem dobrada na mala. Ficou só de cuecas também. Siqueira tinha um corpo muito bem feito. Musculoso e muito bem definido, cintura fina, pernas e glúteos fartos. Ficou de cueca um tempo, me olhando trabalhar. Hora ou outra ajeitando o volume da cueca. Percebi que ele estava um pouco excitado. Achei que estava querendo se exibir pra mim. Talvez uma forma de afirmar que o pau dele competia com o meu e desfazendo a piada da primeira noite
    Cansado de se exibir, ele se vestiu com um jeans e uma camiseta. Eu já terminava de engraxar àquela altura.
    Ele pegou os coturnos e avaliou.
    - Muito bem. - E pôs a mão no meu ombro. - Você tem potencial, Fábio. Só precisa aprender a ser mais dócil. Todos aqui passamos por isso que você está passando e ninguém precisou ser tão petulante. Você sabe para o que nós treinamos ao fim, Mendes?
    - Não, senhor - falei calmo, olhando para ele
    - Para a guerra. E na guerra, Mendes, temos de ser leais. Temos de obedecer, sem questionar. Pois numa guerra, cada segundo conta, cada decisão tem de ser tomada de imediato. Por isso não temos tempo para insubordinação.
    - Posso fazer uma pergunta, senhor? - Pedi, em tom firme, porém educado
    - Claro, soldado
    - Que tipo de coisas o senhor teve de fazer, em sua época de recruta?
    Ele sorriu, e parou na minha frente.
    - Vou te contar quando for a hora, soldado. - E acariciou meus cabelos - mas o mais importante é se perguntar: o que você está disposto a fazer? Começamos com o pé errado. Acho que seria bom você se redimir
    Ele abriu novamente o zíper.
    Senti a raiva brotando, mas fui segurando a onda.
    Ele riu, não chegou a tirar o pau, apenas se deliciando com a tensão no ar.
    - Levante - mandou e eu obedeci. Ele me trouxe para o meio do quarto. Me circulou.
    - Quando entrei, era como você. Maior e mais forte que meus colegas. Chamei muita atenção. - Senti sua mão entrar em minha cueca e apertar uma nádega. Um arrepio me acometeu e eu cerrei os punhos.
    Ele continuou a circular. Parou em minha frente. Ficou um tempo analisando meu rosto antes de continuar.
    - Eu juro por Deus, Mendes - falou baixinho, me encarando. Centímetros do meu rosto - que vou arrancar esse olhar marrento da sua cara
    Eu já ia abrir a boca, mas por sorte, alguém bateu na porta e a abriu em seguida. Era Soares.
    - Caramba, cara. O que você está fazendo? Meu pai já chegou. Vai pegar carona mais não?
    - Vou sim, só um minuto - Siqueira ficou claramente aborrecido.
    - Um momento, nada. Está achando que tem chofer? Bora logo
    Siqueira suspirou e então sorriu, cansado.
    - Tudo bem, mas antes... Mendes, favor, vire de costas
    Eu não entendi, mas obedeci
    - Estive analisando e queria sua opinião, pois estou pensando em trocar de subordinado - falou, só então senti suas mãos arriando minha cueca. - A bunda do seu subordinado é mais suculenta que está? - E riu, maldoso.
    Pelo reflexo do espelho do quarto, consegui ver que Soares não havia gostado da brincadeira, mas tratou logo de disfarçar.
    - Prefiro a do meu, obrigado. Agora vamos logo, ou vai ficar por aí - e saiu.
    - Tudo bem, tudo bem. Que cara chato, não é Mendes? E cá entre nós, é obvio que sua bunda é mais bonita que a do Araújo.
    Ele então mandou eu me vestir e me retirar. Ele ia terminar de arrumar algumas coisas para sair.
    Enquanto me arrumava, percebi algo fora de contexto. O cheiro era fraco, mas perceptível ainda. Era jasmim, parecia. Incenso. Minha mãe gostava muito então eu conhecia o aroma. Só então vi na cômoda um porta Incenso com dois palitos usados que devia ter sido aceso na noite interior. Mas o cheiro ainda estava no quarto. Estranhei, pois Siqueira não parecia ser uma pessoa do tipo exotérica.
    - Anda logo, soldado. Saia do meu quarto - Siqueira me despertou do meu pensamento.
    Então eu saí e desci com Soares, que esperava do lado de fora. Não me dei ao trabalho de falar com ele. Estava de muito mal humor. Mas ele não parecia partilhar de meu desejo de descer as escadas em silêncio.
    - De nada, afinal, por tirar você de lá a tempo. - Brincou, mas eu não respondi - Siqueira tem que maneirar naquele incenso dele. - comentou por alto, insistindo em puxar assunto - Deve ser pra esconder o cheiro... Do peido dele
    Vendo que suas tentativas de ser engraçado não estavam tendo resultados, suspirou e falou em tom sério
    - Olha, o Siqueira as vezes é um pouco babaca. Mas você conhece apenas um lado dele - falou, sorrindo amistoso.
    - Ele não é o único nesse colégio - respondi mais para mim mesmo. Mas acabei falando em voz alta. Não me importei com isso. Não ia me justificar para alguém que é igual a Siqueira ao fim.
    Ele não falou mais nada e eu segui para meu dormitório.
    ***
    Em casa, naquele almoço de comemoração da minha primeira semana, estava pensativo. Tentei deixar os problemas do colégio longe dali, mas não consegui. Meus pais perceberam algo errado e me questionaram. Achei melhor abrir o jogo.
    - Teve algum problema no trote dos calouros? - Meu pai quis saber.
    - Problema não. Só... Tem um babaca lá que cismou com a minha cara
    Acabei contando tudo. Com exceção da parte de Pedro e Soares. Minha mãe ficou revoltada.
    - Mas o que é isso? Não é possível que ali formem um bando de trogloditas. Vai falar com o diretor, filho?
    - Não vai adiantar assim. Até então, é só uma brincadeira. Todo mundo passa por isso - meu pai relativizou. E ganhou um olhar fulminante de minha mãe como recompensa.
    - Meu filho não é todo mundo - respondeu, ríspida.
    Eu tive de intervir
    - Não mãe, de fato é só brincadeira. Na verdade eu não me importei com isso. Só estou mesmo preocupado com esse tal Siqueira. Acho que ele vai me arrumar problemas a frente
    - Aquele garoto parece o típico valentão - ela falou.
    - Sim - respondi - já lidei com muitos do tipo dele. Nunca foram problemas. Mas nunca enfrentei um nessas condições
    Minha mãe então segurou minha mão e falou olhando nos meus olhos
    - Fábio, você é um rapaz forte e tenho muito orgulho disso. Só quero que saiba que, por mais forte que seja, as vezes você pode precisar de ajuda. E saiba que tem seus pais aqui que lhe apoiam. Então, por favor, se a coisa fugir do controle, se você ver que esse garoto ou outro foi longe demais, por favor, nos conte como você está fazendo agora. Juro que queimo toda aquela escola se for necessário.
    Eu e meu pai rimos, mas sabia que ela falava sério. Fiquei me perguntando se eu parecia perigoso assim quando estava de mau humor. Se fosse, eu deveria ser realmente um garoto assustador
    - Obrigado mãe - e suspirei - mas vamos falar de coisa boa agora. Tenho novidades legais do colégio também
    E logo o tom da conversa mudou e eu enfim consegui tirar Siqueira e o Pracinhas da cabeça e curtir um bom almoço.
    Meu pai não falou mais nada do assunto, mas conhecendo ele e sabendo que jamais entraria em um conflito direto com minha mãe, imaginei que estivesse se guardando para uma conversa a sós comigo.
    E de noite, ele veio ao meu quarto, quando eu já estava deitado para dormir.
    - Boa noite, filho - e beijou minha testa. - Fabio, antes de dormir, poderíamos conversar?
    - Claro - sentei na cama e ele me acompanhou.
    - Olha, não quis falar essas coisas na sala, para não acabar gerando uma briga. Mas se me permitir, gostaria apenas de lhe dar dois conselhos
    - Tudo bem.
    - O primeiro. E para isso eu digo que te dou razão. Existem pessoas que não nasceram para liderar. Que se corrompem com o poder. E do pouco que ouvi você falar desse Siqueira. Creio ser um desses. Então tome cuidado. Acho sim, como sua mãe, que você não deve baixar a cabeça pra um cara desses. Só te aconselho uma coisa: faça com estratégia.
    Eu esperei ele continuar.
    - Você já lidou com valentões e eu e sua mãe nunca precisamos nos meter. Mas ali as condições são diferentes. Não se engane, esse Siqueira é mais forte que você. Está na vantagem. Então, se for enfrentar, tenha um plano. Não faça um confronto direto. Você só tem a perder
    - É um ótimo conselho - admiti.
    - O outro conselho que tenho é: bem - e riu sem graça - Como vou falar isso. Eh... para não levar tudo a ferro e fogo. A vida militar tem dessas coisas. São... Na verdade é um estilo de vida completamente diferente de tudo aqui fora. E eu gostaria sim que você pudesse ter uma experiência completa e não encarasse tudo como um desafio
    - Está falando a respeito do trote... Ou da suspeita que eu tenho de que Siqueira quer abusar de mim? Sabe o que m e incomoda, pai? - Desabafei. - É essa hipocrisia. Tipo, não tenho problema nenhum com gay. O tio Vitor é gay. Casado e tudo mais. Ele teve coragem de se assumir. Mesmo no exército, conseguiu permissão de se casar com farda com um cara. Acho ele um cara foda por isso. Agora aqueles garotos. Não. Eles posam de machões, mas dava para ver que curtem outro cara. Caramba, faltaram só babar ao me verem pelado
    - É mais complexo que isso, filho - meu pai falou calmamente, pensando em como articular as palavras
    Eu então parei de falar, esperando ele concluir
    - Então - e riu, ainda sem graça - sabia que... Os antigos espartanos, tinham um costume distinto com relação aos seus pares na guerra? Os homens a sua volta, seus colegas de guerra, eram mais do que apenas soldados. Eles eram uma família. Eram... Íntimos. E isso tem uma razão
    Eu continuei e silêncio. Dava para ver que meu pai estava acanhado em falar aquilo, então eu não quis atrapalhar e deixei ele dar as voltas necessárias antes de chegar ao cerne da questão
    - Eles acreditavam que, um homem em guerra, que estivesse nela pensando na família, na esposa, e nos filhos, não seria capaz de se entregar totalmente para a batalha. Mas, se sua família estivesse lutando ao seu lado, morrendo ao seu lado, aí esse homem lutaria com todas as forças, pois ali estaria defendendo as pessoas que ama. Os soldados, casualmente, acabavam desenvolvendo um afeto entre seus companheiros. Não digo uma relação homossexual, pois é mais complexo que isso. Mas sim, eles amavam os homens ao seu lado. E assim, lutavam melhor. Eu acho que... Ao longo de gerações, essa essência ainda é muito comum entre os militares. Mesmo que não seja dito. Em meus tempos de cadete, testemunhei muitas relações entre cadetes, entre esses e seus superiores. Às vezes, de forma mais bruta, mas apenas porque estamos falando de homens que foram treinados a serem brutos. Que precisam ser brutos. Entende?
    - Acho que sim - falei - você está dizendo que... Eu deveria experimentar outro cara lá dentro?
    - Não simplifique - ele riu - estou dizendo que, se você quiser fazer qualquer coisa, que faça. Não vai ser uma aventura no quartel que lhe tornará menos homem.
    Eu pensei bem no que ele me disse, então uma curiosidade me bateu.
    - Pai, você teve estes tipos de experiência em seu tempo?
    Meu pai sorriu, meio encabulado. Depois respirou fundo e falou.
    - Eh. Tive. No meu primeiro ano tive muitos trotes. O seu, foi pinto. Quando você for obrigado a correr pelado em meio a uma chuvarada, aí conversamos
    Rimos juntos.
    - Os caras lá tem uma fissura por botar os calouros sem roupa, eu sei. Na verdade essa é uma estratégia de interrogatório já antiga. A maioria das pessoas fica constrangida de estar nua e isso normalmente as torna mais dóceis aos comandos
    Eu dei de ombros.
    - Não tenho problema algum com isso - e ele me deu outro soco carinhoso no rosto
    - Isso porque você é um sem vergonha - e depois me afagou os cabelos - eu mesmo tive de ficar pelado muitas vezes. E não adianta, os caras reparam. Você acaba notando o pau do colega, compara, e mesmo que seja difícil pra nós homens admitir: admiramos também. Eu, ao contrário de você, era magricelo quando entrei no meu primeiro ano. Imagino que um rapaz forte como você deva chamar muita atenção
    Eu não respondi, me fazendo de humilde.
    - Nos trotes acabávamos fazendo algumas coisas. Beijei um cara uma vez, peguei num pau. Mas nada de muito além disso. O quartel não iria tolerar um estupro. Pelo menos não no meu tempo. Mas a experiência que eu tive mesmo foi em meu segundo ano, quando dividia quarto com um amigo de longa data, o tenente Feliciano. Tenente era o nosso cargo quando passávamos pro segundo ano do ensino médio
    - Ainda é - complementei.
    - Então. Eu e o Feliciano já éramos amigos antes do quartel. Entramos juntos, no mesmo ano. Passamos pelos trotes juntos. Mas ali naquela vida enclausurado, sem as perseguições do terceiro ano, você acaba tendo todo seu tempo apenas para os afazeres da escola. Aí, acaba sobrando um tempinho para outras experimentações. Como eu falei, eu entrei bem magro, mas dados os constantes exercícios aos quais éramos submetidos, acabei ganhando corpo. E Feliciano também. E reparávamos. De vez em quando comentávamos, elogiávamos. Até aí normal. Quando percebíamos que estávamos olhando demais um para o outro, nos recolhíamos, meio encabulados. Mas com o tempo essa bobeira foi mudando.
    - Vocês chegaram a... Sabe, transar? - Perguntei, agora interessado.
    - Sim... Mas antes tivemos alguns dias de preliminares. A coisa começou numa noite, em que ficamos até tarde correndo no pátio, para nos prepararmos para um prova de atletismo. Ficamos de cueca no quarto, conversando. Entre o papo, uma olhada ali, outra lá. Foi quando eu brinquei com a bunda dele. Disse que dava mais caldo que a de muita mulher. Ele de brincadeira virou e empinou pra mim. Na farra, lembro que arriei o short dele fingi que ia comer. Coisa de adolescente idiota. Ele levou na farra também e começamos a brigar de brincadeira.
    Meu pai parecia voltar àqueles tempos, com seu olhar perdido pelo quarto
    - Não deu pra resistir. Cada toque, cada roçar de pele, sabe. Ia despertando coisas. Eu e ele já não estávamos nem mais levando a luta na brincadeira. Aquilo era mais um pretexto para poder roçar os corpos um no outro. Difícil não ter ficado de pau duro. Uma hora, lembro que o Feliciano caiu em cima de mim, e começou a roçar como se tivesse metendo. Eu deixei, nossos volumes colidindo, dando aquele tesão. Foi bom. Lembro que criei coragem e arriei a cueca dele e ele deixou. Ele fez o mesmo, ficamos pelados ali, deitados no chão, rocando um no outro. Eu olhava pra ele tentando decifrar suas reações, e ele fazia o mesmo. Ficamos com medo de ir além e o outro dar pra trás. Mas uma hora não resistimos e nos beijamos. Daí, foi um pegar no pau do outro e começar a masturbar. Foi uma loucura. Um frenesi. Nos masturbamos com tanta força, encarando um ao outro, que logo gozamos. Aí tivemos de limpar correndo o chão.
    - E depois? - Eu quis saber.
    - Naquele dia nada. Mas nos seguintes, quase toda a noite nós trancávamos a porta e tirávamos as roupas. Ficávamos na cama ou pelo chão, tocando um no outro. Descobrindo o corpo um do outro. Uma vez sentamos no chão, de frente, pernas entrelaçadas, envolvendo o corpo um do outro e brincamos com nossos membros, enquanto nos beijávamos. Naquele dia, eu enfiei o dedo no cu dele pela primeira vez. Feliciano ficou acesso. Naquele noite foi a primeira em que eu o penetrei. Peguei suas pernas e o fiz deitar de barriga pra cima, pernas pro ar. Nossa, meti muito nele naquele dia. E mais vezes depois. Eu tentei ser penetrado também, mas não consegui. Acovardei, confesso. Cara, doeu muito. Não sei como esse povo consegue
    Gargalhamos muito os dois.
    - Eu não imaginava - assumi, surpreso.
    - Mas é. Seu pai também já aprontou das dele - e sorriu carinhoso
    - Engraçado que esse cara tem o sobrenome da mamãe - comentei, meio que por alto.
    - É mesmo - respondeu em um tom de voz meio evasivo. Então tive um estalo
    - Pai, o tio Vitor fez a academia Pracinhas com o senhor, certo?
    - Hum... - Ele só me olhou, esperando eu somar dois mais dois.
    - Puta que...! - exclamei e ele riu - Sério? Mas... A mamãe sabe?
    - Claro. Foi ele quem nos apresentou.
    - Meu Deus
    - Não se faça de tão surpreso. E só pra sua informação, sua mãe também aprontou das dela na faculdade. Quando puder, peça pra ela te contar sobre uma amiga dela. A Camila. Gente, fico excitado só de lembrar da história dela.
    Eu ria sem acreditar. Incrível como eu não conhecia meus pais tão bem como imaginei.
    - Mas o que eu quero dizer, filho. É que eu e seu tio nunca havíamos nos interessado por isso antes. Nem eu nem ele. Mas rolou lá. Eu saí e ele se encontrou. Não me arrependo da experiência que tive. Nem me envergonho. E digo, gozei muito naquela época. Não too dizendo pra você transar com todo o quartel. Digo de forma geral, pra você não se prender achando que tudo é um desafio ou uma violação.
    Eu pensei bastante e então concordei.
    - Têm razão
    Nesse momento, ele puxou minha cabeça e colou sua testa com a minha
    - E reforçando o que sua mãe disse mais cedo: tenho muito orgulho do rapaz forte que você se tornou. Que não abaixa a cabeça para o que acredita ser errado. Mas saiba, se um dia encontrar um oponente com o qual não consiga lidar sozinho, você tem seus pais aqui por você.
    Eu sorri e agradeci.
    - Obrigado, pai
    Então ele me beijou a testa e levantou
    - Bons sonhos, campeão
    - Bons sonhos, Mendes - falei pra ele e ambos rimos.
    Eu virei pro lado e fechei os olhos, me sentindo bem. Protegido. Aa palavras deles haviam me dado força e uma sensação de segurança. Com eles, consegui dormi

     

  • COLÉGIO PRACINHAS - CAPÍTULO 20 – TRIBUNAL DE GUERRA

    Não era minha intenção passar a noite lá, mas o sono chegou sem eu sentir e quando me dei conta, acordei com muita preguiça. Escutei o celular de Siqueira ao longe e tentei ignorar o quanto pude. Mas ao fim tivemos de nos levantar. Senti Gabriel calado, meio distante. Estava visivelmente constrangido. Sorriu pra mim quando deu bom dia, mas não foi mais amistoso que isso. Me vesti e me despedi. Tinha de voltar para meu dormitório antes que sentissem minha ausência.
    Mas já era tarde, pois foi só eu sair pela porta, que vejo o inspetor terminar de subir até aquele andar. Tentei ainda voltar correndo, sem sucesso.
    - Mendes, é você?
    Malditos óculos fundos de garrafa. O cara enxergava como uma águia. Me virei e encarei meu destino.
    - O que faz aqui a essa hora?
    Eu não soube o que responder
    - Vejo que passou a noite fora de seu dormitório - concluiu sozinho.
    Nesse momento, Siqueira saiu do seu quarto e tentou intervir.
    - Capitão, nos desculpe. O Mendes acabou ficando aqui até tarde porquê... Estava me ajudando com meu trabalho...
    - Eh... Isso - dei corda, embora duvidasse que estivesse sendo convincente.
    - Essa é a desculpa mais deslavada que já ouvi. Vocês do terceiro ano tem autoridade para andar pelo colégio fora do toque, e até mesmo trazer algum calouro sob seus auspícios. Mas isso não os autoriza a que eles passem a noite fora do alojamento. Mendes, detenção - foi categórico.
    - Mas senhor, fui eu quem o obriguei - Gabriel tentou mais uma vez.
    - Não foi o senhor Siqueira quem descumpriu essas regras. Foi o soldado Mendes. Então, Mendes, já sabe onde é a sala. - E não esperou nossos embates e se virou.
    Quando sumiu de nossas vistas, comentei:
    - Acho que ele tem ciúmes de você - sussurrei, mas Gabriel não riu.
    - Me desculpa, Fábio. Desculpa mesmo. Eu...
    - Relaxa. É ainda meu segundo. Ainda falta pra eu correr perigo. E já estamos caminhando para as provas do terceiro bimestre. Acho que consigo segurar minha onda até o fim desse ano.
    Ele sorriu.
    - Mas devo lembrar que já é a segunda detenção que pego por sua culpa. - Lembrei - Acho bom ser recompensado por isso.
    Ele sorriu. Um sorriso sincero e amistoso. Daqueles raros de se ver em seu rosto. Ele então falou:
    - Tem minha palavra
    Nesse instante, os alunos começaram a sair de seus dormitórios. Nos cumprimentaram, mas nos olharam com desconfiança. Tentamos agir com naturalidade, mas sabíamos que mesmo naquele lugar, um calouro dormir junto de um veterano não era enxergado com bons olhos. Soares chegou e sussurrou.
    - Que isso, Gabriel. Nem eu faço o Pedro dormir aqui. Onde você estava com a cabeça?
    Pinheiro também se achegou.
    - Pegou mal, pessoal.
    - Eu sei... Eu sei - Gabriel se desculpou. - Eu... Eu não sei onde estava com a cabeça
    Fiquei calado, pois ainda me sentia um peixe fora d'água naquele meio. Mesmo sendo tão íntimo daqueles três.
    - Olha, sabe que o pessoal já está doido pra zoar com a cara do Mendes desde a 'noite dos cordeiros e dos lobos'. E eles só estão esperando você, como superior direto dele, sugerir algo - Pinheiro lembrou, então eu tive de perguntar.
    - Pera aí, pera aí. Eu corro algum perigo?
    Pinheiro então pôs a mão em meu ombro e sorriu.
    - Relaxa Mendes. O pessoal ainda gosta de você. Mas sabe como é né? São princípios. Você botou nossa moral em cheque. Então, precisamos revidar. Eu mesmo espero pra te dar uns esculachos - e riu - na camaradagem, obviamente
    Não sei se me senti melhor com aquilo.
    - O fato é que vocês dois saírem daí desse jeito, pegou mal. - Soares advertiu - Vão pensar que rola favoritismo. Ou pior, sentimentos - e fez uma careta, deixando claro a incoerência de sua crítica.
    - É mesmo, irmão. Nada de viadice aqui - e olhou arteiro para Soares.
    Rimos todos, mas eu ainda não estava mais relaxado.
    - Mas agora falando sério. - Pinheiro então mudou o tom - acho que seria bom você propor alguma coisa logo. Se não, os majores vão começar a dar sugestões. E os caras podem ser bem criativos
    - Eu topo qualquer coisa. - Me meti - melhor resolver logo isso - Falei e logo me arrependi quando os três olharam ao mesmo tempo pra mim.
    - Olha, faz um tempo que não temos um tribunal aqui no Pracinhas - Soares propôs.
    - Hum... Verdade - Pinheiro pareceu se deliciar com a ideia - E melhor, você sendo Juiz, Siqueira, já acabaria com essa ideia de favoritismos
    - Além do que. Você foi o mais humilhado. Sendo posto nu naquele grilhão. Tem que ser você - Soares completou.
    Siqueira me olhou de cima a baixo e sorriu.
    - Acho uma boa ideia - ponderou.
    - Aham, tá legal. Tribunal. E em que consiste isso? - Quis saber.
    - Fica frio, Mendes. - Pinheiro pôs a mão no meu ombro de novo - deixa conosco. Volta pro seu alojamento. Se não atrasa pra aula e vai ganhar outra detenção
    - Verdade. Pode deixar conosco - Soares
    Eu olhei pra Siqueira, que parecia se divertir
    - Acho que você vai gostar - falou por sim.
    Vendo que não ia conseguir nada ali, resolvi sair logo. Até porque Pinheiro tinha razão e eu não poderia me dar ao luxo do supervisor voltar ali e me pegar.
    Ainda olhei pra trás algumas vezes, na vã esperança de eles me chamarem e me contar. Mas não. Ficaram os três palhaços ali, sorrindo e acenando até eu ir embora.
    Depois da aula, fiquei na sala de detenção. Aproveitei bem o tempo e estudei alguns temas de matemática e biologia.
    Ao sair, encontrei com Pedro.
    - Henrique me contou. Que azar o inspetor estar ali justo de manhã
    - Nem fala - respondi. - Pedro, aproveitando. Você sabe o que é o tal de 'julgamento' aqui? Tribunal, digo - corrigi
    Pedro pensou, parecendo realmente não saber.
    - Não. Posso perguntar pro Henrique.
    - Não vai adiantar. - Descartei. - Ele não vai te contar, pra não correr o risco de você vazar pra mim
    - E por quê?
    - Não sei. Mas seja o que for, vou passar por um em breve - confessei
    - Nossa. Nervoso?
    - Sinceramente... Não - falei com franqueza. E acrescentei - Curioso? Muito.
    Mas minha ansiedade não foi demasiadamente testada. Naquela mesma noite, acordo com o som de passos do lado de fora. Levanto e olho pela janela para ver o terceiro ano vindo em peso para nosso alojamento. Já me preparei e quando acenderam as luzes, posicionei-me de pé na frente da minha cama.
    Eles entraram em silêncio, pararam, muito sérios e Siqueira veio a frente
    - Essa noite, senhores. Não viemos lhes aplicar trotes. Como nunca ocorreu em muitos anos aqui no Pracinhas. Hoje teremos o julgamento para avaliar os crimes de guerra cometidos na 'noite dos cordeiros e dos lobos'. Então, vou chamar os nomes, e quero todos nos seguindo sem fazer perguntas: Pascoal, Albuquerque, Silva, Valente, Mendes, Peixoto, Oliveira.
    Nós, chamados, fizemos uma fileira e os seguimos. Todos ali eram os calouros que estavam no grilhão na 'noite dos cordeiros e dos lobos'. O objetivo era bem claro. Mesmo já esperando aquilo, não pude evitar de meu coração começar a bater acelerado no peito, curioso para saber o que de fato ia acontecer.
    Nos levaram longe, para uma quadra coberta, nos fundos do colégio. Ali, nos colocaram em pé, em fileira. Os veteranos sentaram na arquibancada, com exceção de Siqueira, que estava em pé a nossa frente.
    - Senhores - começou em tom alto e imponente - já tivemos julgamentos ao longo da história desse colégio, mas pela primeira vez, um julgamento de guerra. Nosso intuito, será o de averiguar os crimes cometidos na 'noite dos cordeiros e dos lobos', punir os responsáveis e reestabelecer a ordem no Pracinhas. Vocês estão aqui hoje, como representantes do primeiro ano. Os rés. Não tem sentido condenar todos os calouros, assim como uma guerra não faz sentido condenar toda uma nação. Aqui, estão apenas os mentores dos atentados. E suas punições servirão de exemplo para todos.
    Ele esperou suas palavras serem absorvidas e depois se virou pra nós.
    - Se um de vocês tiver alguma dúvida agora, fale.
    Ordenou e eu dei um passo à frente
    - Mendes - convidou.
    - Peço aos senhores, misericórdia para meus homens. Eles não são responsáveis. Estavam apenas seguindo ordens. Minhas ordens. - Pedi, com convicção.
    Siqueira sorriu satisfeito. Ele devia esperar que eu fizesse algo do tipo. Um burburinho excitado correu entre os membros do terceiro ano. Nesse instante, Elias e Albuquerque deram também um passo à frente. Mas eu os cortei de imediato.
    - Não sejam idiotas! - Briguei. - Não se atrevam a assumir uma culpa que não é de vocês. Todos aqui sabem que eu arquitetei tudo. Voltem agora pra seus lugares!
    Os olhos de Siqueira brilharam de emoção. Podia jurar que ele estava tento uma ereção naquele momento ao me ouvir falar
    Na verdade, eu também estava muito excitado. Alguma coisa naquele clima todo me acendeu como na 'noite dos cordeiros e dos lobos'. Uma animação, como se tudo aquilo deixasse de ser uma mera simulação e começasse a criar contornos reais. Onde um novo mundo de aventuras e possibilidades se abriam pra mim. E eu estava ansioso. Muito ansioso.
    Albuquerque e Elias baixaram a cabeça e deram um passo de volta pra trás.
    - Mendes, você sempre nos surpreende - Siqueira reconheceu - senhores! - e se voltou para sua plateia - àqueles que concordarem em o oficial Mendes ser julgado por todos os crimes cometidos na 'noite dos cordeiros e dos lobos', por favor, levantem as mãos
    Foi unânime. Todas as mãos foram para o ar. Fitei Pinheiro e ele me olhava como um leão olhando a presa. Passando a vista rapidamente, reconheci aquele olhar em todos ali presentes. Respirei fundo, sentindo o coração acelerar. Meu corpo tremia. Não de medo, nem receio. Mas de uma ansiedade a qual não lembro ter experimentado antes
    - Você tem noção, soldado Mendes, que se julgado e condenado, irá receber sozinho a sentença, diante de seus leais homens, insurgentes?
    - Sim, senhor! - gritei.
    - Muito bem. Pode ser um criminoso, Mendes. Mas é um homem honrado - e Siqueira foi caminhando em direção a arquibancada - tentaremos lembrar disso quando lhe dermos sua sentença - e se sentou - agora, o senhor irar ouvir as acusações uma a uma. Em Silêncio. Após cada acusador der seu testemunho, terá alguns segundos para se defender. Ao final, o júri definirá seu caso e, se culpado, eu definirei sua sentença.
    Ficou em silêncio, deixando o clima pesado tomar conta do lugar.
    - Muito bem. Major Santos. Seja o primeiro.
    Santos se levantou e caminhou até mim. Me olhou nos olhos e depois se virou para o júri.
    - Venho esta noite, diante de vocês senhores do júri, declarar que o acusado, soldado Mendes, erroneamente chamado de capitão por seus subordinados, não passa de uma fraude. Um trapaceiro. Ele, aproveitando-se de um momento de distração, roubou a arma de meu companheiro, rendendo a ele e a mim. Vale lembrar senhores, que as regras dos cordeiros e dos lobos não permite aos primeiros portarem armas. Tornando a atitude do acusado não uma revolução, como ele chama, mas um mero desrespeito a nós e as tradições desta centenária instituição.
    Santos parou e eu fiquei impressionado com a eloquência dele. Não era só eu quem estava levando a sério a brincadeira de RPG.
    - Acusado, Mendes. O que tem a dizer? - Siqueira me perguntou.
    - Digo apenas o que já falei ao major Santos na noite referida - comecei - que o treinamento tem por intenção preparar os senhores para a vida real. E na vida real, o inimigo não vai passar toda sua trajetória fugindo e se escondendo. E acrescento que, se ele tivesse levado a sério sua posição, e as tradições dessa centenária instituição, não teria sido pego de calças arriadas em recreação, quando deveria estar cumprindo seus deveres.
    Ouvi Pinheiro gargalhar na plateia, seguido de alguns outros, mais comedidos. Ele logo se calou ao receber um olhar de censura de Siqueira. Mas mesmo meu superior direto lutava para não deixar aquele meio sorriso crescer demasiadamente em seu rosto.
    - Muito bem - falou por fim e pegou uma caneta retroprojetora do bolso e lançou para Santos - queira por favor, major, registrar sua acusação por escrito.
    Não vi papel ali e me perguntei onde ele escreveria. Não precisei esperar muito pela resposta. Santos veio até mim e, com olhos em brasa, sorriu. Pegou minha blusa e, num puxão, a rasgou em duas. Deixando apenas os trapos pesos pelos braços. Consegui não expressar toda a surpresa que aquela atitude ne causou. Meus colegas calouros lançaram uma explanação de surpresa, mas eu consegui me manter imóvel. Ele então pegou a caneta e escreveu em meu peito direito a palavra ‘TRAPACEIRO’.
    Depois, sorriu e voltou para a arquibancada, passando a caneta para outro major, cujo nome eu não lembrava.
    - Goulart, sua vez - Siqueira o anunciou.
    Ele chegou, então o reconheci como o cara que estava segurando Albuquerque enquanto Santos o deflorava.
    - Senhores. Serei breve. Estava com o major Santos no momento em que foi atacado. Esse jovem, além de nos roubar as armas, não satisfeito, também nos roubou as roupas. Ferindo assim nossa dignidade
    Ele veio até mim, e escreveu em meu braço a palavra ‘LADRÃO’.
    - Mendes - Siqueira convidou.
    - Primeiro, não as roubei. As tomei emprestadas - sorri - e depois, vocês puderem vestir as nossas roupas, logo não ficaram nus. Embora me arrependa agora de ter tomado tal atitude - alfinetei
    - O réu confessa seus crimes - Pinheiro gritou do júri, rindo de farra. Eu sorri pra ele. Ele devia estar se divertindo com aquilo mais até do que eu. Siqueira acalmou a plateia. Para ele, a coisa devia ser mais difícil, já que tinha de passar o ar de seriedade
    Ouvi risos atrás de mim. Meus homens observavam tudo. Assim como eu, eles não pareciam amedrontados ou intimidados. Creio que já era de conhecimento claro nosso que tudo ali não passava de um grande teatro. Não o julgamento em si, mas toda a estrutura do Pracinhas. Não havia hierarquia real, não haviam amarras com exceção daquelas que nós mesmo criávamos e com as quais nós mesmos nos prendíamos. Assim como aqueles homens não foram obrigados a nada do que fizeram, quando estavam sob a mira de armas de tinta, nós também. Nos entregávamos àquele jogo, que nos entretida, que nos dava prazer. Eu tinha a total consciência do lugar em que estava. Estava entregue, estava onde eu queria estar. Queria ver até onde chegariam. E o que eu pudesse fazer para que eles fossem o mais além possível, faria. Então vesti meu ar mais arrogante, minha fala mais petulante para aquele julgamento. Não tinha vergonha de meus colegas. Queria que eles vissem, e se divertissem. Como eu estava me divertindo.
    Diferente do papelão que paguei na lavanderia. Naquela noite eu estava pronto. Não apenas isso, estava de corpo e alma entregue àquele ritual.
    Olhei para meu júri, seus olhares de predadores, sorrindo altivo. Não tinha que teme-los. Como Siqueira já tinha me ensinado nas dunas, mas só agora eu realmente entendia. O único de quem eu devia ter medo era de mim mesmo. Medo de descobrir até onde eu estaria disposto a chegar naquilo tudo. Até quão fundo na toca do coelho eu iria. Mas para ser sincero, nem disso eu tinha medo naquele momento.
    Foi a vez de Pinheiro. Chegou com aquele jeito marrento, sorriso fácil. Era engraçado, pois no começo do ano o achava mal encarado, mas não consigo mais me lembrar de seu rosto sem ser daquela maneira boa praça que via ali. Ele falou ao júri.
    - Senhores. Continuando a acusação de nosso companheiro, o Major Goulart, quero salientar que, ao final de sua insana tortura, a qual eu e meus companheiros fomos submetidos no galpão em obras, o réu Mendes ainda me deixou nu, para que caminhasse em vergonha pela mata de volta ao meu lugar.
    Um urro de desaprovação do júri.
    - Cara de pau. Você quem não quis vestir as calças - respondi, antes de me convidarem
    - Silêncio, insolente réu - o tom dramático de Pinheiro estava ótimo. Difícil segurar a vontade de rir - aqui é a palavra de um major de respeito contra de um reles rebelde. Desrespeitoso, desonrado e insano
    Ele chegou diante de mim, cara a cara, e me deu língua sem os demais veteranos verem. Parecia uma criança com brinquedo novo.
    Eu ri, fuzilando ele ainda assim.
    Pinheiro desamarrou minha calça de moletom, arriou só a parte de trás, depois deu a volta por mim, abaixou e escreveu algo em minha nádega.
    - DESONRRADO - anunciou em alto e bom som. E me deixou de bunda a mostra. Mas o que eu pensei que teria encerrado, só acabou após ele me dar um sonoro tapa na bunda desnuda.
    - Filho da... - Consegui me conter na hora. Mas o grito causado pelo susto e pela dor foi o bastante, para todos rirem. Passada a dor inicial, até eu ri da cara de travesso de Pinheiro.
    - Senhores - Soares chegou, pegando a caneta de Pinheiro - o acusado, não apenas nos prendeu, nos humilhou, nos fez participar de seus jogos perversos, como também nos matou a sangue frio, após o termos entretido o suficiente - e se voltou pra mim e me deu uma piscadela - por isso, não há melhor definição para seu crime, que está.
    Ele terminou de arriar minha calca, me deixando nu. Meu pau, já duro, ficou ali erguido e orgulhoso, imune as tentativas de me rebaixar.
    Soares lambeu os lábios olhando para ele, mas logo se recompôs e escreveu na minha barriga, logo acima dos pelos pubianos, ‘ASSASSINO’.
    Um a um, eles foram vindo. Declarando suas acusações e eu me defendendo. E um a um, os adjetivos eram gravados em minha pele.
    ‘GENOCIDA’, ‘DEGENERADO’, ‘TERRORISTA’...
    Meu corpo estava todo tatuado. E cada uma delas eu exibia como uma medalha.
    Por último, Siqueira. Chegou altivo, lentamente, e parou diante de mim, camisa rasgada e calças arriadas.
    - Tire logo essa calça, soldado. Está ridículo assim. - ordenou
    Eu tirei meus sapatos e chutei minhas calças. Siqueira terminou de arrancar os trapos restantes de minha camisa
    - Melhor assim - falou - nu, tal como eu fiquei naquele lugar insalubre - e foi me circulando - eu, de todos, fui sua maior vítima, criminoso. Fui aprisionado nu, humilhado, violado. Meus homens foram forçados a me traírem. Tudo para satisfazer seu desejo sórdido.
    Eu olhava Siqueira atentamente. De vez em quando, via um sorriso brotar em seu rosto. Não sabia se era um sorriso sacana ou saudoso.
    - Diante de tantos testemunhos, não creio haver necessidade de julgamento. Mas como esse aqui é um lugar de justiça, que ela seja feita.
    E se voltou aos seus pares.
    - Senhores do júri. Se alguém aqui considera o réu inocente, levante a mão.
    Como esperando, ninguém ergueu.
    - Diante da vontade do júri, e do poder em mim investido como general da 'noite dos cordeiros e dos lobos,' eu declaro o réu, culpado.
    Um grito de comemoração no júri.
    - Ajoelhe-se para conhecer sua sentença.
    Eu obedeci, encarando ele sem parar. Siqueira me olhava com gosto. Gostava do meu olhar. Já havia declarado isso anteriormente. E me admirou um tempo antes de continuar
    - Não há sentença que faça apagar tantos crimes. Apenas a morte dessa vida será capaz de limpar tudo e lhe dar uma chance em uma nova existência. Sendo assim, como os antigos cristãos, que purgavam os pecados dos pagãos para que esses tivessem nova chance, eu o sentencio a pena de ‘Batismo dos Pracinhas'.
    Uma comemoração. Eu não entendi. Me voltei aos meus companheiros, mas eles estavam tão confusos quanto eu. Ninguém ali, com exceção dos veteranos, sabiam o que significava o 'Batismo'
    Então, esperei. Siqueira parou diante de mim, abriu a calça e pôs o pau pra fora.
    Eu fechei os olhos, e esperei o jato quente. Já tinha passado por isso. Poderia ter sido pior. Mas esperei e esperei. E nada de ser atingido.
    - Caralho - ouvi Elias praguejar atrás de mim. Só então abri um olho para espiar o que acontecia e arregalei os olhos quando vi que Siqueira se masturbava.
    - Caralho - acabei ecoando a exclamação de meu companheiro.
    Siqueira sorriu e logo seu pau começou a expelir gozo. O primeiro me atingiu no cabelo, formando uma linha até meu peito. Mais três jatos no peito. Siqueira gemeu alto e grosso. Apertou bem o pau, tirando mais algumas gotas de seu interior.
    Limpou a cabeça em minha bochecha.
    - Nossa - suspirou aliviado. - Tenho de admitir. Você me olhando assim dá até tesão. Próximo.
    Chegou Mathias, todo animado. Já estava de pau duro. Foi pra trás de mim e me mandou ficar de quatro. Gozou nas minhas costas e na minha bunda. Cada gozo, era uma comemoração dos veteranos. Os calouros olharam com mistos de estranheza e comedida curiosidade. Sorri para eles. Deixando-os mais à vontade. Não queria que nenhum de nós demonstrasse fraqueza diante deles. Mesmo derrotados, haveríamos de sair com dignidade.
    Me recompus e fiquei de joelhos novamente. Castro chegou. Pegou meu rosto e sorriu.
    - Isso. Olha pra mim. Adoro sua carinha de marrento. Agora, abre a boca vai. Não gozei na sua boca na lavanderia, mas vou agora.
    Eu o encarei com marra e abri a boca. Fechei os olhos e esperei. O jato foi certeiro. O primeiro pelo menos. Os outros foram no meu rosto. Ainda bem que fechei os olhos, se não iria irritar a vista.
    - Boa, garoto - Santos comemorou e apertou a mão de Castro. Veio depois e mandou eu fazer o mesmo. Obedeci. Mas errou feio. Na verdade o seu gozo saiu sem pressão. Caindo diante de mim, sem me alcançar. Houveram risadas entre calouros e veteranos e ele logo se aproximou, mas isso o fez conseguir apenas deixar cair em meu ombro as últimas gotas.
    - Que fraco, moleque, puta que pariu - Pinheiro não perdoou.
    - Deixa eu tentar de novo - pediu. Tentando disfarçar a humilhação.
    - Porra nenhuma. Vaza. Minha vez - e Pinheiro chegou
    - É Fabinho, minha vez - e botou aquele pau enorme pra fora e começou a se masturbar.
    - Onde eu gozo? - Foi pensando enquanto se masturbava. Então chegou bem perto, encostou no meu rosto a cabeça e deixou o líquido quente escorrer por ele, descendo pelo meu pescoço.
    E vieram. De um em um ou dois em dois, gozando onde achavam pele limpa. Meus braços, peito, barriga, costas. Soares me pôs de quatro e encheu minha bunda de sêmen, tal como fiz com ele na primeira noite em que o deflorei.
    Se eu me senti sujo quando levei seus mijões, no primeiro trote. Agora eu estava imundo.
    Ao final, Siqueira veio e mandou eu me levantar.
    - Venho declarar que o réu, está anistiado de seus crimes. - Um urro de comemoração no júri - Como verdadeiro líder, assumiu a responsabilidade, protegeu seus subordinados e encarou seu destino. Redimiu-se assim, perante nós. Senhores, uma salva de palmas.
    E todos bateram palmas, até mesmo os calouros.
    - Viva o capitão! - Albuquerque gritou e foi seguido - Viva!!!
    - Não abusem - Siqueira os advertiu, dando um olhar fulminante em Albuquerque. E logo eles pararam. Eu ri. Cansado. Imundo.
    Siqueira se virou pra mim e olhou de cima para baixo.
    - E você, soldado, recomendo uma boa ducha. Está nojento
    Todos rimos de novo.
    - Majores Pinheiro e Soares, favor, acompanhar o Mendes até as. Os demais, acompanhem os calouros até o dormitório. Por hoje, acabou.
    Então, se voltou pra mim, sorrindo e acenando com a cabeça. Não precisou de palavras para eu entender que ele só não iria comigo para não chamar mais atenção.
    Então, recomposto e em paz, fui para o chuveiro acompanhado dos meus guardas.

     

  • COLÉGIO PRACINHAS - CAPÍTULO 21 – SEGUNDAS CHANCES

    - Caralho! Cuidado. Vai arrancar meu cabelo assim - gritei quando Pinheiro tentou pentear meu cabelo.
    - O que tu quer que eu faça? Essa merda está toda gozada - Pinheiro se divertia enquanto me ajudava a tomar banho.
    De início, eles ficaram apenas olhando, mas vendo que eu tinha muito trabalho pra fazer, resolveram também tirar as roupas e me ajudar.
    Pinheiro pegou um pente e Soares a bucha, e foi arrancando minha pele para tirar as inscrições de tinta. A água quente sobre mim completava aquele ritual de tortura medieval: esfolar, escaldar e escalpelar.
    Soares esfregava meu peito. Todos em paz, rindo enquanto eu lutava pra não gritar. Acho que o verdadeiro castigo afinal não era o julgamento ou o batismo, mas sim essa limpeza depois.
    - Tá bom. Chega galera, acho que dá pra sair assim - propus.
    - Como? Olha teu cabelo. Está todo grisalho ainda - Pinheiro gargalhava.
    - Relaxa, Mendes. Tirei o “D” o “E” e o “S”. Podemos deixar como HONRADO. O que acha? - Soares Zoou.
    Fui praguejando enquanto eles me limpavam. Mas apesar de tudo, sobrevivi. Pele bem vermelha dos esfregões e meu cabelo de encaracolado ficou liso com o jeito delicado de desembaraçar de Pinheiro. Mas de resto, inteiro.
    - Aí, viu? Precisava chorar? Acabamos - Soares riu.
    - Porra. Mas quase me mataram no processo - me queixei. Mas estava aliviado de ter acabado. - Obrigado. Eu acho
    - Que isso, Mendes. Obrigado só? - Soares se achegou, aquele sorriso safado no rosto.
    - Eh, parceiro - Pinheiro me cercou - Essa é sua segunda chance. Você acabou de ser anistiado. Isso quer dizer que começa tudo do zero. Nada melhor pra começar com pé direito do que dar um agrado para seus superiores
    Eles me cercaram, com paus já duros.
    - Será que eu não vou ter folga hoje? - Me queixei, mais fazendo drama do que propriamente reclamando.
    - Para de manha, Mendes - Soares pôs a mão no meu ombro e me empurrou pra baixo - Vamos lá. Só uma mamadinha, vai
    Eu fiquei de joelhos e olhei pra eles, que sorriam como os garotos travessos que eram. Como não tinha jeito, pus minha boca pra trabalhar, chupando bem cada pênis que me era apresentado, alisando suas pernas, seus sacos. Aproveitando bem seus cheiros e seus sabores.
    Trocava rapidamente de um pênis para o outro, passava minha mão por suas bundas. Recebia seus elogios.
    - Caramba, que boca - Soares comentou. De fato eu nunca havia chupado o pau dele.
    - Eu não te disse? - Pinheiro assentiu
    - Cara, vou gozar de novo - Soares anunciou e eu peguei rapidamente seu pau e o apontei para fora de minha direção. O jato foi direto no azulejo.
    - Que isso, Mendes - ele se espantou, achando graça.
    - Chega. Nem mais uma gota em mim, por favor - desabafei e todos gargalharam. Continuei chupando até todos se satisfazerem. Então, me vesti e eles me acompanharam até meu dormitório. Lá, fui recebido como um herói pelos calouros.
    - Uma salva de palmas para nosso capitão! - Albuquerque anunciou e todos urraram e me saldaram. Gostei da recepção, mas estava exausto. Então agradeci e fomos dormir. Caí rapidamente no sono.
    Nos dias seguintes, o clima já estava renovado. Se minha relação com o terceiro ano era boa, ficou ainda mais leve. Somente Santos ainda me olhava de rabo de olho de vez em quando, mas ele não me importava nem um pouco.
    Fim de semana fomos para casa e eu aproveitei bem a comida caseira de minha mãe. Conversamos muito e desfrutei de um fim de semana bastante calmo.
    Por volta de domingo, início da tarde, minha mãe recebeu um telefonema. Não prestei atenção no que era falado, exceto quando meu nome foi citado
    - Bem, posso ver com o Fábio sim. Mas se ele for, terá de levar a mala, pois terá de ir de manhã ao colégio. Ha... Aham... Ah que bom, meu irmão. Nem acredito... Fico muito feliz por vocês
    Nesse momento eu estava sentado olhando fixamente para minha mãe. Curiosidade corroendo para saber o que era falado.
    - Tudo bem, vou falar com ele. Boa noite.
    - O que houve? - Mal esperei ela desligar o celular
    Minha mãe estava visivelmente contente.
    - Seu tio ligou. Perguntou se você não queria passar o dia de hoje com eles.
    - Eles? - sorri, antevendo o que aquilo podia significar
    - Sim. Lucas está no Rio de Janeiro. Parece que... estão se entendendo.
    Aquela boa notícia me deixou muito feliz. Meu pai estava em seu habitual futebol, que ocorria no segundo domingo de cada mês, e de lá emendaram em um churrasco. Havia almoçado somente eu e minha mãe. Ela disse que eu poderia ir para a casa de Vitor. Avisaria meu pai depois. Eu aceitei. Perguntou se queria que ela me levasse, mas achei melhor pedir um UBER, para não atrapalhar.
    Peguei o carro e saltei no prédio de meus tios. O porteiro, que já me conhecia, liberou minha entrada.
    Fui pela garagem, pois o caminho era mais fácil para transportar minha mala. Estava animado, pensei em mandar mensagem dizendo que cheguei, mas desisti, achando melhor a surpresa. Apenas avisei minha mãe, para ela não ficar preocupada.
    Chamei o elevador e esperei. Quando, de repente, sou surpreendido pelo 'ataque' de lambidas de um cão labrador.
    O animal enorme pulou em mim e me lambeu o rosto. Apesar do susto inicial, até gostei. Era louco por cachorros e logo me entreguei aos seus afagos, rindo à beça.
    - Thor. Pelo amor de Deus
    Um homem vestindo bermudas de praia e chinelo chegou.
    - Desculpa, garoto - pediu, expressão claramente envergonhada. Olhei bem para ele. Era um homem bonito. Meia idade, pele morena de sol, forte, poucos pelos no peito.
    - Tudo bem - ri. Me divertindo com aquele cachorro tão amável - Lindo, seu cachorro.
    Levantei e ele tocou na minha blusa. Agora que via que fiquei com marcas de pata. Também pudera, minha camisa era branca.
    - Caramba, sujou todo. Me desculpe. Me distrai e o safado se soltou da coleira.
    - Tudo bem, só lavar - o reconfortei.
    Ele sorriu pra mim e eu acabei analisando seu rosto mais do que talvez devesse. Cabelos lisos e negros, com poucos fios grisalhos. Olhos claros, em tom acinzentado. Percebi que ele também analisava meu rosto. Como se tentasse me reconhecer de algum lugar.
    O elevador chegou e entramos, eu, o cara e um cachorro cheio de energia.
    - Você é morador? Não me é estranho, mas não me lembro - ele perguntou.
    - Meu tio mora aqui. Venho de vez em quando
    Ele olhou para os botões e viu que eu tinha marcado a cobertura.
    - Seu tio é o Vitor? O militar? - Perguntou, receoso.
    - Sim... Conhece?
    Vi que seu rosto ficou vermelho, então caiu a ficha de quem se tratava.
    Pouco - falou por fim - como ele está?
    - Bem - respondi de imediato. Voz menos amável. - Vim passar com ele e com Lucas. - frisei bem o nome do meu outro tio.
    - Ah, Lucas está de volta? - Respondeu, mas logo se conteve pois se mostrou interessado demais - que bom. Eles formam um belo casal - emendou
    - Formam sim - respondi com convicção. 'Seu destruidor de lares'. Esse comentário eu guardei pra mim. Engraçado como um simples detalhe pode destruir todo um clima.
    Ficamos em silêncio. Percebi que ele me olhava de vez em quando pelo espelho, mas desviava assim que eu percebia. Eu não podia negar que também reparava mais nele, na pele brilhando da maresia. Os desenhos do abdômen. Era de fato um homem que chamava atenção, o qual você não conseguia evitar olhar ao passar por ele na rua, independentemente de suas preferências.
    Nosso silêncio constrangedor não durou muito. Logo o homem praguejou.
    - Não, Thor. Que droga. Mas o que diabos deu em você hoje?
    Fui trazido a realidade em um solavanco, olhei para baixo e vi o cachorro, muito animado, com a pata erguida e mijando em minha mala
    Praguejei, mas já era tarde.
    - Meu Deus. Não sei o que dizer. Sinto muito mesmo - agora ele parecia capaz de pular do elevador em movimento de tanta vergonha.
    - Relaxa, relaxa - embora meu humor tenha sido bastante abalado com os últimos acontecimentos, me mantive calmo.
    O elevador parou no andar dele e ele segurou a porta.
    - Deixa eu limpar ela, por favor.
    - Não precisa - descartei.
    - Não. Por favor. Eu insisto. Já basta a camisa. A mala foi longe demais. Deixa eu pelo menos limpar ela.
    E continuou insistindo. Estava visivelmente constrangido e eu acabei lhe dando uma chance. Entrei em seu apartamento e ele soltou o danadinho do Thor, que correu livre pelo apartamento. Não adiantava, eu adorava animais, e não seria aquela travessura que me faria gostar menos deles.
    Era um apartamento bonito, espaçoso. Ele levou minha mala até a área de serviço e pegou produtos para limpeza. Foi esfregando com desinfetante para sair o cheiro.
    Esperei em pé ao seu lado.
    Apesar de estar um tanto quanto desgostoso, tanto pelo mijo na minha mala quanto por ter descoberto que aquele homem havia ajudado a causar a separação dos meus tios, não conseguia evitar olhar para seu corpo enquanto limpava minha mala.
    - Desculpa. Nem perguntei seu nome - ele olhou pra mim e sorriu. Tinha dentes bem bonitos.
    - Ha... Ah sim. Fábio
    - Prazer, Fábio. Sou Vinícius.
    - Prazer
    Ele então deu uma última esfregada e avaliou.
    - Vê, Por favor - pediu.
    Eu me abaixei e cheirei. Nenhum rastro de mijo.
    - Está ótimo. Obrigado
    - Que isso. Era o mínimo que eu podia fazer.
    Olhei pra ele e estávamos bem perto agora. Senti algo diferente no seu olhar. Analítico, curioso. Mas tinha algo mais e eu sabia o que era. Já estava muito tempo no Pracinhas e sabia reconhecer um interesse disfarçado quando via
    Levantamos e ele olhou minha blusa.
    - Deixa eu dar uma lavada nela também - pediu. - se esfregar bem, dá pra tirar as manchas das patas.
    - Não precisa - descartei, mas ele olhou de um jeitinho que era difícil negar. Devia ter aprendido aquele olhar pedinte com o Thor, pois era tão irresistível quanto um cachorro.
    Tirei a camisa e o entreguei.
    Vinícius a pegou e foi para o tanque. Antes de começar, virou o rosto e me olhou de cima pra baixo, com aprovação.
    Não tive como não rir da encarada descarada que levei. E a julgar por sua cara de sonso, não havia de fato mais nenhum interesse dele em esconder. A todo o momento ele se virava e dava uma olhada. Não posso negar que ter um homem bonito daqueles apreciando era algo que massageava o ego. Era capaz de entender o que meu tio passou, com suas constantes investidas.
    'Mas eu não vou cair nessa. Não mesmo' pensei comigo. Mas estava divertido. Vez ou outra eu até pegava no pau, uma forma bem troglodita de mostrar o material.
    - Desculpa perguntar, quantos anos você tem? - Ele perguntou enquanto esfregava as manchas de pata. Eu respondi.
    - Nossa. Você parece mais velho. Sabe... - e tentou gesticular - tem porte de homem.
    - Obrigado - e sorri, ainda achando graça.
    - Eh. Você é forte... E muito bonito. Com todo o respeito
    Fui ficando excitado. Não tinha como conter. Cruzei os braços e fiquei calado, tentando ainda, inutilmente, resistir ao charme natural de Vinícius. Tinha de admitir, o cara era uma tentação. Provavelmente que mesmo antes de minha mente se abrir nos Pracinhas, seria difícil não cogitar uma brincadeira com ele.
    Mas eu ainda queria bancar o imune, que não estava nem aí pra ele. Então optei por sair pela tangente.
    - Olha. Vou direto ao ponto. Eu sei o que rolou entre você e meu tio.
    Ele ficou meio sem graça, me olhando como cachorro que mordeu o chinelo.
    - Eu sinto por isso... Digo... - Gaguejou - O Vitor é um cara muito gato sabe. E eu pensei que ele e o marido fossem mais liberais. Sei lá, idiotice minha. Me perdoa?
    - Eu não tenho que te perdoar... Só... Queria pedir pra tentar não atrapalhar sabe. Sem julgamentos - me apressei em completar - você é um cara solteiro, eu acho. - E ri - é boa pinta. Meu tio pisou na bola. Era ele quem devia ter te dado um chega pra lá. Mas se você puder ajudar. Ficando longe. Pelo menos nesse início. Vou ser muito grato - e acabei completando - e se eu puder fazer algo pra te recompensar por isso, ficarei feliz.
    Foi esquisito, pois aquela última frase saiu sem eu ter planejado. Como se meu cérebro quisesse me pregar uma peça. E eu jurava que podia ouvir uma engrenagem em sua cabeça estalando com minha última frase. Me olhou de rabo de olho e deu um meio sorriso. Então, fingindo pouca importância, terminou de lavar minha camisa e a estendeu.
    - Assim... Eu posso sim. Na verdade, o Vitor tem me evitado. Nem nos corredores ele quer cruzar comigo. Eu também não quero mais nada com ele. Não quero atrapalhar casal nenhum. Mas sabe como é né? - E sorriu - tem horas que os hormônios pedem... Que da aquela vontade e...
    - Você é um cara bonito. Consegue companhia fácil - o cortei, com malícia.
    - Você me acha bonito? - e sorriu.
    - Pelo menos o que eu posso ver, sim - respondi com marra. Aquele joguinho de sedução estava interessante. Nosso interesse mutuo era evidente, mas fazer de difícil também estava divertido.
    Vinícius chegou mais perto e sorriu, me olhando nos olhos.
    - Coincidência, sabe. Pois também acho você um garoto muito bonito - e me olhou de cima a baixo.
    Eu não respondi, apenas sustentei seu olhar com rosto altivo.
    - Então...- Completou - já que você tá ai... Tão disposto a ajudar... Sabe... Tenho estado com muito tesão ultimamente - foi direto ao ponto.
    - É mesmo? - Me fiz de desentendido
    - Sim... - Manteve a cara de sonso - faz um tempo que não.... Você sabe... Subindo pelas paredes aqui
    - Nossa - exclamei - entendo que deve ser uma barra. Mas não vai fazer besteira hein? Nada de tentar ir na cobertura
    - Claro que não - se fez de ofendido - eu prometi, não foi? - E alisou meu volume - e eu cumpro minhas palavras... Mas se eu pudesse ter uma ajuda pra... você sabe... Não ficar tão necessitado
    - Entendi - e sorri - bem, eu prometi, não foi? Estou aqui pra ajudar meu tio
    - Você é um garoto muito bom - e foi descendo e abrindo minha calça - seus tios tem sorte de ter um rapaz tão bom com eles -
    E botou meu pau pra fora e começou a chupar
    - Eh - gemi - fazer o que. Sou assim. Altruísta.
    Vinícius chupava muito bem. Não era como os garotos do ensino médio. Ele tinha técnica, tinha experiência. A língua dele parecia ter vida própria e massageava toda a região, me dando arrepios.
    - Desculpa, esqueci seu nome - falou entre as mamadas - mas saiba que te admiro muito. Por tudo o que você está fazendo, por mim e por seus tios
    - Tudo bem - por um segundo eu também esqueci meu nome, delirando em sua boca.
    Ele tirou toda minha calça. Eu me apoiei na parede e abri as pernas, deixando ele meter a cabeça entre elas e abocanhar meu saco de forma a me fazer delirar.
    Gemi muito, sentindo ele lamber minha virilha.
    Vinícius levantou, tirou a própria bermuda de forma apressada, e desceu de novo, voltando a mamar enquanto se masturbava.
    - Me perdoa, garoto? - Pediu, sonso. Vinícius era um homem sedutor. Perigosamente sedutor. Esperava que meu tio não fosse burro o bastante de cair na dele novamente. É, eu sei. Como eu estava caindo naquele momento, tudo bem. Mas eu era solteiro. Eu podia.
    - Que pau gostoso. Flávio, ne? - Perguntou
    - Aham - não estava ouvindo ele direito - espera...não... Ah dane-se - dei de ombros.
    Minhas pernas tremiam. A boca dele me deixava louco.
    - É grande - continuou, pegando ele com força e apertando em sua mão. Vinícius olhava pro meu pênis e falava como se estivesse dialogando com ele e não comigo - será que eu te aguento? - E lambeu a cabeça, cheio de tesão.
    Era sensível o tesão dele. Ele chupava, lambia, beijava como se meu órgão fosse algo de um sabor único e inestimável.
    - Flávio, me fode. Por favor - pediu e levantou. Foi me levando pela mão até o sofá. Sentou e abriu as pernas.
    Sem cuspe nem nada, fui encaixando e metendo. Vinícius revirou seus olhos quando entrei com tudo.
    - Ah... Vai. Mete agora. Mete com tudo.
    E fui mesmo. Com força do início ao fim. Ele delirava, com seu corpo balançando ao ritmo das estocadas.
    - Isso. Isso. Garoto bom. Meu Deus que garoto bom você é
    Ter um homem bonito daqueles, nu, todo aberto e pedindo... Não, implorando pra ser penetrado, era um prazer surreal. Metia com gosto vendo sua cara delirar.
    - Pelo menos assim você se acalma - sussurrei - nada de importunar minha família a partir de agora. Pode deixar que, das próximas vezes que eu vier visitar eles, dou uma passadinha aqui e apago teu fogo.
    - Promete? - e me olhou com os olhos brilhando, agarrando meu rosto - promete mesmo?
    - Prometo - e meti mais e mais
    Foi intenso, logo seu pau começou a verter gozo e eu fui na onda. Gozamos fartos e juntos. Só então, após relaxarmos, percebemos que estávamos sendo assistidos por Thor, que olhava tudo com a cabeça inclinada e as orelhas erguidas em sinal de dúvida.
    Rimos bastante, mas eu não podia ficar mais. Assim, peguei minha mala, me vesti e sai logo dali. Peguei o elevador antes que minha mãe entrasse em contato com meu tio e eles pusessem a polícia atrás de mim.
    Cheguei no apartamento de Vitor todo desconjuntado. Camisa ainda molhada, suado e despenteado.
    - O que aconteceu contigo? - Vitor se alarmou ao me ver
    - Umas... Coisas - não sabia como explicar então sai entrando e ignorando a pergunta.
    - Tudo bem, Fábio? - Lucas apareceu. Eu fiquei tão feliz que o abracei, esperando assim ignorar aquela pergunta também.
    Eles acabaram desistindo de me perguntar e me ofereceram uma bebida. Aceitei, ainda eufórico da experiência que tinha acabado de ter. Bebi toda a soda em um gole e fui respirando bem para me acalmar. Eles acompanharam tudo cheio de dúvidas, mas não perguntaram mais nada e foram direto ao assunto.
    Lucas disse que queria falar comigo, pois estava preocupado, assim como Vitor, de eu me sentir culpado pelo que aconteceu. Falou comigo de forma madura e centrada. Me explicou o que eu já sabia. Falou da separação, e agora do que parecia ser uma segunda chance.
    Eu estava perdido ainda, mas em paz. Escutei eles falando, como uma criança que ouve os pais separados tentarem um retorno. E estava ansioso como uma.
    Eu sempre gostei deles. De início, os achava como uma prova de coragem e perseverança, já que meu tio encarou muito preconceito na corporação para conseguir aquele casamento. Mas acredito que, após conhecer o Pracinhas, a relação deles ganhou um significado a mais para mim. Algo como uma relação diferente das que experimentei até o momento. Algo que ia além dos jogos e dos trotes. Algo que não precisava de desculpas. Algo maduro e honesto. Que como tudo o que é sério, não tem só momentos bons, mas tem que passar também pelas tormentas. E sobrevive e fica mais forte.
    Fiquei verdadeiramente feliz de Lucas dar uma segunda chance ao meu tio. E este parecia realmente empenhado em mudar.
    - Amor, se você quiser, nos mudamos daqui - ele sugeriu em um momento
    - Claro que não - descartou de imediato - esse é nosso lar e eu quero voltar a confiar em você. Não vamos conseguir isso se fugirmos. Quero continuar aqui. Aquele vizinho que fique, que tente. Não vou me deixar intimidar, nem ficar inseguro. E ele nem é tão bonito assim. Não sei o que viu nele.
    A última frase de Lucas estava carregada de despeito, mas não podia culpar ele por isso. Meu tio que não se atrevesse a contestar.
    - Você o conhece, Fabio? - Perguntou enfim.
    - Eu? - Me fiz de desentendido - acho que já o vi uma vez. Achei ele meio sem sal - e bebi meu refrigerante, tentando esconder a cara de sonso.
     

     

  • COLÉGIO PRACINHAS - CAPÍTULO 22 – GUERRA E PAZ

    E num piscar de olhos, entramos nas provas do terceiro bimestre. Estava cada vez mais fácil passar por essa temporada de estudos. Uma vez conhecendo a rotina. Naquele bimestre, porém, tivemos uma mudança no cronograma. As provas foram antecipadas uma semana. Isso porque, na semana seguinte, no sábado, uma importante prova militar ocorreria e a qual praticamente todos do terceiro ano participariam. Então, os alunos do terceiro seriam liberados para suas casas uma semana para que pudessem terminar sua preparação da forma que melhor convir. Aos demais, restaria uma semana mais leve, em que os professores combinaram de passar revisões nos pontos em que os alunos mais tinham dúvidas.
    Consegui passar pela semana muito bem. Porém, no dia da última prova, eu sofri um pequeno acidente. Nada sério, apenas fomos jogar futebol após a última prova como forma de aliviar o estresse, e numa dividida de bola com Elias, acabei tropeçando e torcendo o pé. Doeu bastante, mas nada sério. O médico da enfermaria havia confirmado isso.
    Então, voltei para o alojamento para ficar em repouso o resto do dia. Lá, encontrei Valente lendo. Não quis atrapalhar, então deitei e tentei dormir um pouco. Meu tornozelo ainda incomodava.
    Era início de tarde ainda, e o alojamento estava praticamente deserto e eu não conseguia dormir.
    Tédio, somado a uma fertilidade própria da adolescência, e é claro, uma total falta de constrangimento em atazanar um colega de classe, me fizeram ter uma ideia.
    Não era das minhas ideias mais brilhantes, eu concordo, mas era funcional. Botei o pau pra fora e comecei a brincar com meu único companheiro naquelas horas de solidão.
    Olhei de surdina para Valente, mas o garoto estava tão focado na leitura de ‘Os homens que não amavam as mulheres’, que sequer me olhava. Não podia julgar, o livro era ótimo, mas eu não estava afim de deixar ele ler. Pigarreei, e nada. Maldita hipnose por livros que aquele garoto parecia ter.
    Então, continuei a massagear meu órgão e dei um leve gemidinho. Depois outro, um pouco mais alto. Então finalmente consegui chamar sua atenção.
    Começou com uma olhadinha rápida, por cima das páginas. Ele logo voltou a leitura e eu cheguei a pensar que ia ser de fato ignorado. Mas não. Logo depois ele olhou de novo. E de novo. E de novo.
    Sempre de forma rápida, furtiva. Era engraçado. Arriei minha calça toda, até a canela. E levantei minha blusa até o meio do peito e me masturbei. Devagar, puxando bem a pele e revelando a cabeça vermelha.
    - Ah... Fábio
    Eu então fingi um susto e joguei o lençol por cima.
    - Foi mal, cara. Esqueci você aí.
    - Aham - não se deu ao trabalho de fingir que acreditava. Estava sentado agora, ajeitando os óculos.
    - Como está seu tornozelo?
    - Doendo um pouco - admiti.
    Ele levantou e veio. Sentou do meu lado
    - Posso fazer alguma coisa? - Se mostrou solicito
    - Não cara. Pode voltar a ler. Não quero atrapalhar. - Me fiz de desinteressado.
    - Ah tal - e riu de deboche. Então, meteu a mão por baixo dos lençóis e pegou nele. Depois alisou minha barriga e meu peito.
    A carinha de garotinho, os óculos e o ar intelectual. Valente deu um meio sorriso e desceu, colocando meu pau na boca
    - Oba - me reclinei e recebi suas chupadas de bom grado.
    Era uma chupada tímida, um pouco sem técnica. Mas também não era justo julgar. Depois de experimentar a boca experiente de Vinícius, qualquer outra careceria de técnica.
    Então, apenas relaxei e aceitei de bom grado o favor que meu amigo me prestava. Era bonitinho ver ele ajeitando os óculos enquanto chupava, lambendo devagar e com carinho.
    Ele então se ergueu e apertou meu pau, fazendo a cabeça vermelha inchar.
    - E aí. Está melhor? - Perguntou com um meio sorriso. Dava para ver seu pau duro por dentro da calça.
    - Ótimo. Obrigado, Valente - e sorri. Nesse instante ouvimos passos e ele puxou rapidamente minha calça para eu me vestir. Eu desci a blusa. Valente acelerou até sua cama e eu fingi que dormia.
    Quando escutei os passos de alguém entrando, abri um olho, fingindo despertar. Era Albuquerque.
    - Te acordei? - Perguntou, preocupado.
    - Tinha só cochilado - menti. Valente já estava novamente aprofundando em sua leitura. Não sei se fingia ou se de fato havia novamente se desligado da realidade. Conhecendo bem, era provável que fosse a segunda opção.
    - Fui na enfermaria e me avisaram que tinha voltado para o quarto - contou - como está?
    - Doendo um pouco - respondi.
    Só então vi que ele trazia uma bandeja.
    - Estão servindo o lanche. Trouxe o seu
    Me surpreendi com aquele gesto. Agradeci e me sentei.
    - Obrigado, Albuquerque - sorri.
    - Nada, Capitão. Você me ajudou e eu ajudo você. Pra isso serve a parceria.
    Confesso que ter ele me olhando enquanto comia era um pouco constrangedor. Mas eu não ia enxotar ele dali, ainda mais depois de estar sendo tão solicito. Tentei puxar um assunto para tornar o clima mais agradável.
    - E como terminou a partida?
    - O time do Elias acabou conosco. - Informou de forma a deixar bem claro que aquilo era óbvio.
    - O safado nem se importou quando me derrubou - falei com falso despeito.
    - Não leva a mal não capitão. O senhor é incrível em muitos aspectos, mas com certeza futebol não é um deles. Você caiu sozinho - brincou.
    Eu me fiz de ofendido, então dei um soco em seu braço.
    - Olha como você fala com seu capitão - chamei sua atenção e ele riu.
    - Foi mal - brincou e continuou me olhando até eu terminar. Deixei a bandeja de lado e agradeci de novo.
    Testei o tornozelo ainda estava magoado.
    - O que o médico disse? - Ele quis saber.
    - Só torção. Pediu para eu evitar mexer com ele, pelo menos nesses três primeiros dias e fazer massagem com esse creme - indiquei em cima de minha cômoda.
    - Quer que eu passe? - Ofereceu
    De fato já estava na hora de trocar a faixa, então eu aceitei a oferta. Ele sentou melhor na cama e pegou meu pé, apoiando em cima de seu colo. Pensei a princípio ter um pouco de maldade quando ele pôs perto de seu pau, mas julguei mal. Eu que devia estar com os hormônios aflorados e estava vendo erotismo em tudo.
    O toque era doloroso, por mais que Albuquerque estivesse sendo delicado comigo.
    - Quer que eu pare? - Perguntou.
    - Não, eu aguento - e trinquei os dentes.
    Quando acabou, enfaixou novamente e deixou em seu colo.
    - Pronto
    - Obrigado - e respirei, olhos marejados do processo. - Você tem uma mão boa - elogiei.
    - Valeu. Minha mãe é fisioterapeuta. Me ensinou algumas coisas - e parou um instante, parecendo encabulado de continuar. - precisando de mais algo...- Sugeriu por alto, deixando no ar.
    Eu sorri e cogitei. De novo com maldade na cabeça.
    - Olha... As provas até que me deixaram muito tenso... - E massageei o próprio ombro - se não for te incomodar... Eu tenho bastante tempo - e indiquei meu pé imobilizado.
    Albuquerque sorriu, lambendo os lábios, então me ajudou a virar de bruços e apoiar meu pé de forma confortável. Tirei a camisa, relaxei e deixei suas mãos agirem. Em instantes, meu corpo inteiro estava cheirando a cânfora. Mas eu tinha de dizer, o toque dele era muito bom. Mãos de fada. Senti meu pescoço mole depois que ele terminou. Foi descendo pelas minhas costas, estalando a coluna umas três vezes.
    - Albuquerque, você é um gênio - gemi, já quase apagando de tanto relaxar
    Ele riu com sinceridade.
    - Obrigado, capitão. Que bom que gostou.
    Ele chegou na altura da minha lombar, e depois dali, parou. Eu já estava de olhos fechados, completamente entregue àquela poderosa e eficiente massagem, mas ainda estava desperto o bastante para achar graça daquela pausa. Se eu ficasse quietinho, podia ouvir as engrenagens de seu cérebro trabalhando arduamente.
    Esperei, curioso para ver sua atitude. Teria ele realmente escutado meus conselhos no dia antes de nossas férias de meio de ano, ou ainda guardava aquelas ressalvas que o imobilizavam antes?
    Ele segurou com a ponta dos dedos meu short e desceu um pouquinho, desnudando metade das nádegas
    Achei interessante sua atitude e fiquei quieto, sentindo ele massagear minha bunda com muita cautela. Mais um tempinho, ele desceu mais, desnudando minha bunda por completo. Massageou a parte de baixo das nádegas, seus dedos entrando no vão entre elas aos poucos. Tocou a entrada do orifício com a ponta do dedo. E massageou lá um tempo.
    Abri um olho e o observei, bastante interessado.
    Quando me viu, ele sorriu amarelo
    - Foi mal, capitão. Fui longe demais?
    - Não - e sorri - Estou gostando de ver.
    Ele se encorajou e enfiou um dedo. Gemi baixinho. Albuquerque subiu na cama de joelhos, puxou meu short todo, me deixando nu.
    Voltou a massagear minha bunda, apertando com força a carne. Brincando vez ou outra com o orifício.
    - Com todo o respeito, capitão... Mas sua bunda é uma delícia.
    - Obrigado, soldado - e joguei a isca - quer experimentar?
    Ele pareceu soluçar. Engraçado, mas minha oferta parecia ser inacreditável pra ele.
    - Eu...
    - Algum problema? - perguntei com calma. Erguendo meu tronco e apoiando meu corpo em cima dos cotovelos.
    - Não... Só... Que você tinha me prometido uma coisa antes e...
    Eu pensei, tentando lembrar o que era. Então meu rosto se iluminou quando recordei.
    - Verdade. Me desculpe. Que falta de respeito a minha
    - Mas eu entendo que você esteja machucado
    - Não. Não. Oficial no quartel quer serviço - e virei com calma, ficando de barriga pra cima. Meu pé fisgou, mas eu ignorei, anestesiado pelo tesão - Mas... Vou precisar de sua ajuda - e sorri com maldade.
    - Claro - ele se ergueu, ansioso.
    - Vai ter de sentar - Sugeri - o trabalho vai ser mais seu.
    Ele sorriu mais e então se ajoelhou
    Pegou meu pau e chupou bastante, mais para encher o órgão de saliva do que pra praticar sexo oral mesmo.
    Quando estava pronto, olhou pra saída, se virou, arriou a calça e foi encaixando. O fato de estar com os pés no chão ajudou muito o serviço. Ele ficou de lado e foi abaixando a bunda, como quem senta em uma cadeira.
    Encaixou e foi deslizando, entrando naquela bundinha lisa e empinada.
    Quando terminou de sentar, ergueu o rosto, respirando fundo. Mas quando ia começar a subir e descer, ele olha pra frente e dá um grito.
    Levei um susto e Albuquerque questiona:
    - Há quanto tempo você está aí?
    Olhei em direção e vi Valente.
    - Caramba - praguejei. A verdade é que dessa vez eu tinha realmente me esquecido dele. Valente era silencioso como um gato, tornando uma pessoa virtualmente invisível quando queria.
    - O tempo todo - falou com naturalidade, deixando o livro de lado.
    Eu ri.
    - Qual é Albuquerque, vai parar não né? - Incentivei. Ele se recompôs e falou:
    - Não. Claro que não. Só levei um susto - e virou pra mim e começou a levantar e descer, devagar, sem pressa.
    Fui gemendo baixinho, vendo meu órgão aparecer e se esconder em seu corpo.
    - Se eu estiver indo muito rápido, avisa, capitão. Não quero que se esforce muito.
    - Está perfeito... - E gemi mais. Aquela devoção em me agradar era excitante demais. O jeito dócil e prestativo. Não tinha como culpar os veteranos nesse ponto. Ter alguém para servir dessa forma era bom demais. Albuquerque foi bastante desinibido, aumentando o ritmo, fazendo o colchão ranger um pouco. Tive vontade de pegar ele de jeito, mas quando fiz um impulso para tanto, meu pé me lembrou que eu ainda não estava recuperado e eu me aquietei. Deixei Albuquerque fazer o trabalho.
    - Cara, vou gozar - avisei.
    - Goza, capitão - incentivou - o senhor merece.
    Que cara de safado aquele garoto tinha. Gozei bastante, enquanto ele rebolava em meu colo, envergando meu órgão em seu interior.
    Albuquerque levantou, pegou o guardanapo que estava envolvendo meu sanduíche e limpou meu órgão. Então vestiu novamente as calças e me ajudou a me vestir.
    - Espero ter ajudado - falou por fim.
    - Você foi muito prestativo. Nem sei como agradecer - falei com malícia.
    - Vai pensar num jeito - e pegou minha bandeja e saiu. Valente, que tudo viu, estava visivelmente excitado, mas não fez nada. Era claro que a praia dele era mais assistir.
    Devo dizer que acreditar nisso me afagou o ego. Já que ele havia me dispensado tão facilmente para voltar ao seu livro em minhas primeiras investidas
    Pedro e Elias me visitaram na tarde e só saíram na hora da janta. Foram com Valente e prometeram trazer minha refeição pra eu não ter de andar. Fiquei sozinho e aproveitei pra ler um pouco. Estava no meio de ‘A menina que roubava livros’, que Valente tinha me emprestado havia uma semana.
    Então, logo depois, antes dos calouros voltarem da janta, foi a vez de Siqueira.
    - Estranhei não te ver no refeitório. - E veio ao meu encontro - me contaram o que houve. Como você está?
    - Estou bem. Pouco de dor. Mas nada grave. Vou ficar o fim de semana de repouso, mas segunda o médico disse que já devo estar ótimo
    Ele passou a mão na minha perna, não com maldade, mas com carinho.
    - Quem diria - falou - o grande herói da 'noite dos cordeiros e dos lobos', seria um perna de pau - me zoou.
    - Fazer o que, não se pode ser bom em tudo - brinquei.
    Ele sorriu e me olhou com carinho. E eu retribuí. Ficamos e silêncio um tempo, naquele alojamento enorme só nos dois. Até que Siqueira quebrou o silêncio, parecendo se lembrar.
    - Lanchou? - Perguntou
    - Sim. Albuquerque me trouxe mais cedo.
    - Hum... - E sorriu - bem, vou pegar seu jantar então. Já volto.
    E se levantou, mas quando ia sair, chega Albuquerque novamente, com uma bandeja na mão.
    - Capitão, trouxe pra você não precisar ir lá... Ah... Oi, major - e se surpreendeu ao ver Siqueira.
    - Oi... - Siqueira olhou desconfiado. - Você de novo?
    - Ah sim - e riu - o Elias e o Pedro ainda não terminaram de jantar. Como acabei, vim trazer logo
    - Hum... - Siqueira não estava muito à vontade e estendeu a mão para pegar a bandeja. - Deixa comigo. Pode voltar prós seus amigos.
    - Ah? Não, tranquilo, não tem problema... - Ele tentou argumentar, mas foi cortado.
    - Obrigado, soldado - o major frisou bem cada palavra - pode deixar que do meu subordinado cuido eu
    - Ah... Tudo bem - desistiu
    Eu estava sem graça, então resolvi falar:
    - Obrigado, Albuquerque. Valeu mesmo. Já te dei muito trabalho hoje.
    - Nada, Capitão - olhou receoso pra Siqueira e saiu.
    Siqueira bufou de impaciência e veio.
    - Tudo bem? - Perguntei.
    - Estou bem. Moleque esquisito. Fica parado igual zumbi olhando pra você
    - Acho que você está exagerando - o adverti.
    - Acho que ele tá é apaixonado por você - acusou
    - Que nada - descartei - Você está viajando.
    Ele desistiu de discutir.
    - Deixa pra lá. Melhor comer - e me serviu.
    Se ter Albuquerque me olhando comer foi constrangedor, com Siqueira foi pior ainda. Acho que porque ter ele tão solicito era ainda mais singular. Diferente de tudo o que eu conheci dele até então.
    - Quer que eu faça uma massagem no seu pé? - Ofereceu por fim - talvez trocar as ataduras
    - Ah... - Fiquei sem graça.
    - O que?
    - O Albuquerque já fez... Obrigado - e sorri amarelo.
    - Ah sim - sua boca se contorceu mas ele não falou nada - Ok - e fez um bico - Seu médico te receitou algum remédio?
    - Só dipirona em caso de dor.
    - Albuquerque já te deu isso também? - A pergunta foi bem maldosa, mas eu fingi não perceber. Não estava acostumado àquela sua postura e não sabia bem como reagir.
    - Não. Eu não gosto de tornar analgésico. - Expliquei
    - E vai ficar a noite toda com dor, então? - Perguntou como se eu fosse uma criança. Eu ia falar, mas ele continuou - toma, Fábio. Aproveita que jantou. Vai aliviar. Você vai dormir melhor e vai se recuperar mais rápido
    Diante de tanto cuidado, não pude negar. Ele parecia realmente empenhado em fazer algo por mim, então eu deixei. Ele me deu o comprimido e eu tomei com o resto do suco.
    Os calouros começaram a chegar. E ele se levantou.
    - Bem, vou deixar você descansar. Amanhã nos falamos antes de irmos para nossas casas - e pegou a bandeja.
    - Obrigado, major - agradeci e sorri.
    Ele me olhou, mas não conseguiu me encarar.
    - De nada - falou meio que esquivando - eu sou seu superior, é meu dever cuidar de você
    - Não lembro de isso estar nas regras do colégio - questionei.
    - Cala a boca e dorme, Mendes - e saiu.
    Agora sim, aquele era o Siqueira que eu conhecia bem. Achei graça, mas ao mesmo tempo senti um certo calor no peito.
    Acho que viajei acordado, mas acabei despertando num solavanco quando fui atingido por um travesseiro na cara
    - Acorda, Fábio - era Elias. Pedro ria ao seu lado.
    - Nem vi vocês chegarem - informei.
    - Percebi - Elias sorriu com malícia. - Ficou aí todo derretido com seu major.
    - Vai pro inferno - praguejei e lhe lancei o meu travesseiro. Rimos muito e brincamos. Albuquerque e Valente chegaram e se juntaram a farra, junto de uns três outros calouros. A coisa só acabou quando Pedro, sem querer, acertou meu pé. Eu fui até lua e voltei
    - Desculpa, desculpa - implorou, visivelmente arrependido.
    - Some daqui antes que eu enfie meu punho onde só seu noivo vai achar depois - ameacei, ainda me recompondo. Tentei soar brincalhão, mas a fúria causada pela dor não deixou.
    Mas logo o clima se acalmou e fomos deitar.
    Apesar de todos os inconvenientes, foi um dia agradável e eu dormi em paz. Não pude evitar que meu último pensamento naquela noite me levasse à Siqueira e a seu jeito cuidadoso ao qual havia acabado de ser apresentado.
  • COLÉGIO PRACINHAS - CAPÍTULO 23 – FRANQUEZA

    No sábado de manhã, estava sentado no banco aguardando meus pais virem me buscar. Meu pé já havia apresentado profundas melhoras, mas mesmo assim, não quis abusar. De fato foi melhor eu ter tomado o analgésico, pois só consegui dormir bem quando este fez efeito.
    Elias estava comigo, me fazendo companhia, até que seus pais chegaram. Minha mãe já havia me avisado que tinha pego trânsito no caminho, por conta de um acidente na pista, então relaxei e aguardei. O clima estava ótimo. Cairia muito bem uma praia, mas pra mim, seria somente o vídeo game mesmo.
    Nesse instante, Soares apareceu e sentou ao meu lado.
    - Fala aí, perna de pau. Como está?
    Eu sorri. Preferia 'Capitão', até 'Mendes', mas não escolhíamos nossos apelidos. E Elias havia me garantido aquele ao me pôr em meu lugar no futebol.
    - Melhor - informei - E o Pedro?
    - Terminando de arrumar a mala. Esqueceu de fazer ontem
    - Vão passar juntos e fim de semana?
    - Melhor não - declarou - essa prova é muito importante e quero começar a cair nos estudos hoje mesmo.
    - Entendo. Vai dar tudo certo - e pus a mão em seu ombro.
    - Valeu.
    E ficamos calados, aquele silêncio incômodo. Era difícil estarmos só nos dois, normalmente sempre tínhamos a intermediação de Siqueira ou Pedro
    Não tinha muito assunto naquele momento, então resolvi puxar um e brincar.
    - E aí, levou o Pedro no grilhão alguma vez? - perguntei com um olhar de cumplicidade.
    Soares riu.
    - Sabe que nem tive cabeça - admitiu - Mas, nem sei mais...
    Parou a frase no meio e eu pensei se deveria ou não incentivar a continuar.
    - Algum problema? - obviamente eu continuei
    - Não, problema não... Só... Às vezes fico me perguntando se ando forçando demais a barra com ele...
    Eu ergui uma sobrancelha e esperei. Acho que era a primeira vez que via Soares em dúvida sobre alguma coisa.
    Ele me olhou e riu
    - Amo o Pedro. E gosto de nossa relação como está. Mas as vezes penso 'caramba, vamos nos casar' e sabe... Fico pensando no nosso jeito de nos relacionar e vem a dúvida... 'será que daria certo continuarmos com isso'?
    Eu pensei um pouco
    - E porque isso agora? - achava estranha sua dúvida, assim de repente. Sentia que tinha algo mais ali.
    - Não sei.
    - Vocês não se enganam. Gostam das mesas coisas. Confiam um no outro. Qual o problema com quem transam? - e lembrei do meu tio - prefiro isso do que fazer pelas costas. E não tenho ilusões com Pedro. Pode ser tímido pra muitas coisas, mas de santo não tem nada
    - Eh - e ficou sem graça.
    - Você me disse uma vez que sabia o que queria - lembrei - algo mudou?
    - Não - agora senti um pouco de convicção na sua voz. - Às vezes tenho medo do Pedro não gostar tanto quanto eu... Digo... Eu já fiz muita coisa aqui nesse colégio. Sem ele, sabe. Ele sempre levou de boa. Nunca reclamou e acho até que gosta das minhas histórias. Mas ele mesmo nunca tentou nada sem mim...
    Ele não estava sabendo articular as palavras. Tentei ajudar
    - Você acha que vai ficar com ciúmes? Quando se formar e ele ficar aqui sem você? - arrisquei, mas sem nenhuma crença de que tinha acertado.
    - Não é bem isso... - ele sorriu acanhado, olhando o nada. - posso te contar um sonho que eu tive? Mas fica entre nós.
    - Claro.
    Ele riu, ainda sem jeito. Não cansava de me surpreender com as pessoas dali. Suas facetas, suas intimidades. Quando eu achava que conhecia bem um, ele se mostrava alguém diferente em novas circunstâncias. Soares sempre se apresentou como bem resolvido, mas até ele tinha dúvidas em seu relacionamento.
    - No meu sonho, eu e Pedro já estávamos morando juntos. Eu voltava do trabalho e... Bem... Ele estava com outro cara... Eu flagrava os dois, na minha cama... O Pedro pelado, de bruços... Um cara que devia ter o dobro do tamanho dele. Negro igual ele... O cara metia muito. Castigava meu marido e... O Pedro gemia alto, gemia mais do que gemeu comigo a vida toda...
    Eu esperei paciente ele terminar a história. Acho que finalmente estava entendendo o 'X' da questão. E vendo que ele não parecia querer concluir, resolvi dar meu palpite.
    - Você não está com ciúmes do Pedro... - concluí enfim. Ele acenou de forma positiva.
    - Quando saímos a primeira vez - continuei, confirmando que ele não queria falar nada no momento - você me contou que queria que o Pedro tivesse experiências aqui... Que ele desse pro maior número de caras... Que te contasse depois - e sorri, concluindo - pensei que você estivesse dizendo aquilo pra mim. Para me excitar ou... Pra deixar claro que não havia ciúmes entre vocês e assim eu ficar mais à vontade... Mas você estava era dizendo pra ele. Não é?
    Soares me olhou e sorriu. Não soube identificar de cara, mas me pareceu impressionado.
    - Nem o Siqueira sacou meu lance tão bem quanto você - disse.
    - Por isso você não queria ser o superior direto de Pedro no início – deduzi.
    - Não queria - admitiu - eu pedi pro Siqueira ser...
    Fiquei em silêncio. Ele então me olhou.
    - Você não está me julgando - observou. Ainda descrente.
    - E porque eu faria isso? - questionei e pus a mão em seu ombro.
    - Quando eu falei pro Siqueira ser o comandante do Pedro, ele... Ele recusou... Ele disse que... Ele disse que não era certo. Que não se sentiria a vontade. Que deveria ser eu. Que eu deveria proteger ele. Ele já... Ele já comeu meu noivo na minha frente muitas vezes, mas quando eu sugeri dele ir sozinho uma vez, ele me olhou esquisito.
    - Siqueira vem de uma família tradicional. Algo diametralmente oposto da minha. Mas mesmo para mim, alguns costumes daqui foram difíceis de entender no começo.
    - Não tiro a razão de Siqueira. - ele mesmo explicou - Pedro é muito introspectivo. E forçar ele dessa forma... Não acho que seria legal. Mas...
    - Você queria que o Pedro fosse mais ousado - concluí pra ele. - que fizesse algo pelas suas costas.
    - É... Sim... É muito esquisito? - perguntou.
    - Óbvio que é - e ri - Mas e daí? Você não está fazendo mal a ninguém. Se é o seu lance, e se Pedro também curte e partilha... Não vejo problema algum...
    Achei que Soares parecia não acreditar no que saia de minha boca. Ele me olhava como quem olha um objeto raro e curioso, mas ainda estava cauteloso, como se no fundo estivesse com medo de eu estar fazendo com ele algum tipo de chacota.
    Parou, pensou e então continuou.
    - Eu tive uma namorada... Antes do Pedro... Namoro de adolescente. Durou 6 meses apenas. Eu descobri que ela me traia com um monitor do colégio. Dez anos mais velho que eu... universitário...- ele foi falando e eu não me atrevi a interromper. Dava para ver que lutava contra a vergonha para soltar cada palavra - Eu tinha quinze anos... Ela também. Foi logo antes de vir pra cá. Uma vez, eu vi o celular dela sem querer, enquanto ela estava no banho... Ela e o monitor não tinham se conhecido do colégio. O cara já era um ficante antigo. Cara boa pinta... Dirigia... Foi ele quem a desvirginou. E eu achando que tinha sido eu. Eles saiam sempre e... Continuaram saindo às escondidas enquanto ela namorava comigo. Vi as fotos que ele mandou pra ela. A maioria pelado... Na época eu não me interessava por homens... mas até eu achei o cara boa pinta... Eu... Eu lia as coisas que ele falava pra ela. Obsceno. Detalhista... Como ele se gabava de como comia ela. Das coisas que fazia com ela... Eu... Eu fiquei sem reação... Ela era uma menina certinha, de igreja. Namorávamos na casa dela, sempre com algum parente por perto... Pra transarmos foi difícil, não só pela família, mas ela mesma se fazia de difícil. E imaginar que ela fazia tudo àquilo com outro cara...
    Soares ia respirando de forma pausada, sua mente já não estava lá... Estava longe.
    - Quando ela voltou do banheiro, eu larguei o celular dela e não consegui falar... Não consegui. Sonhei muito com ela e o cara das fotos... Bati muitas pensando nas coisas que ela fazia com ele... Cada vez que eu olhava pra ela, pensava em falar... Pensava em contar que eu sabia... Mas como eu ia fazer isso? Se ela soubesse, eu teria de tomar uma atitude. Eu era um corno... Não podia ser corno manso...
    Soares me olhou, olhos marejados.
    - Ao invés disso, eu fiquei observando. Pegava o celular dela quando ela não via e ficava lendo as mensagens que trocavam. A maneira como ele gostava de enfiar o pau entre os seios dela, como pegava ela pelos cabelos quando a comia de quatro. Ou como ela ficava 'bonitinha' enquanto bebia do leite dele. Eu era muito jovem... Eu não soube administrar aquilo. Contei pra um grande amigo, atrás de ajuda. Pelo menos eu pensei que fosse. Ele mandou eu tirar satisfação com ela... Não quis. Dizia que era porque a amava e tinha medo de perder. Óbvio que era mentira. O que eu queria, na verdade, era uma forma de fazer com que ela me contasse e aceitasse que eu soubesse. Eu podia ser o álibi dela. Ela dava pro cara, mas pra todos era minha namorada. Podia dar certo. Quem sabe ela me deixava assistir um dia. Uma vez peguei um vídeo no celular dela. O canalha filmou. Não filmou o rosto dela, mas eu reconheci o corpo, em especial uma marquinha de nascença que ela tem no quadril. Ele filmava comendo ela em várias posições. E todo momento ele virava o celular pra si e sorria pra câmera. Consegui copiar o vídeo pro meu. Assisti várias noites, me masturbando pensando que o cara tinha feito o vídeo pra mim. 'Olha corno. Olha como eu como tua namorada. É assim que se faz'.
    Soares começou a rir.
    - Loucura, não é? Mas meu amigo não deixou eu continuar com aquilo. E ele não sabia da missa, a metade. Como eu não tomava uma atitude, ele tomou por mim. A confrontou, nos colocou cara a cara e naquele momento, fui abrigado a me fazer de indignado, de enojado. Disse que não podia acreditar que ela tinha feito aquilo comigo, que me sentia traído e tudo mais. Cara, como eu fui covarde. Mas meu amigo não parou por aí. Espalhou a notícia e de um dia pro outro... Tudo foi por água abaixo. Foi um escândalo para a família dela. Ela se mudou... O monitor foi demitido... E eu... E eu fiquei conhecido como o 'corno manso' da escola... Por sorte meu ciclo social do colégio era distinto do bairro... Pedro nunca soube. Nem a irmã... Na verdade, ninguém até agora.
    Soares concluiu, ainda olhando o nada
    - Henrique... - o chamei, pausadamente, com a voz baixa – por que você está me contando isso?
    Ele me olhou, parecendo perceber só agora que eu estava ali.
    - Não sei - admitiu, sem forças - nunca confiei contar essa história pra ninguém... Acho... Acho que você me parece uma pessoa confiável.
    Eu fiquei verdadeiramente lisonjeado com aquela declaração.
    - Obrigado pela confiança. - agradeci.
    Ficamos em silêncio, depois de um tempo, vendo as pessoas passarem como se estivéssemos invisíveis.
    - Você já sugeriu ao Pedro... Diretamente? - Perguntei.
    - Não - confessou - Só deixei a entender... Sempre contei das minhas aventuras, na esperança de ele me contar as dele. Ele tem a senha do meu celular e eu tenho a dele. Olho o dele de vez em quando na esperança de achar... Mas...
    - Ele não vai te trair - declarei - Não é da natureza dele... Ele te ama.
    Soares apenas acenou afirmativamente. Em silêncio.
    - Traição exige que alguém esteja sendo enganado. - continuei. Mais uma vez lembrando de meu tio e de Lucas. Se ele tivesse seguido conforme Lucas queria, não haveria traição. Uma vez que seria algo de comum acordo. Agora a partir do momento em que fez sozinho, sem seu conhecimento. A coisa mudou - Não há isso entre vocês. Ele sabe de tudo o que você faz e concorda e você gostaria que ele fizesse mais - fui narrando, mais para mim mesmo que para ele. Meu cérebro trabalhava pesado, como se estivesse resolvendo alguma questão complexa de prova
    - Pedro já sabe que por você, ele tem carta branca para fazer o que quiser. Mas ainda assim não faz. Porque não tem necessidade disso. Pedro é tímido também, sim... Mas mais do que isso... Pedro tem...
    - Tem esse ar servil. - Soares foi me ajudando - Ele é daquele tipo que realmente gosta de servir. Gosta quando eu o ofereço para os outros.
    - Exatamente - dei corda - ele não é do tipo que vai tomar a iniciativa. Por ele, não. Só se ele souber o quanto isso é importante pra você. O quanto realmente você quer isso.
    Eu então o olhei com uma ideia pipocando em minha mente e ele sorriu.
    - Que cara é essa? - quis saber.
    - Nada... - me fiz de desinteressado - Pedro gosta de ter alguém em seu controle... E não vai aceitar ninguém que não seja você. Há menos... Que você designe alguém - sugeri por alto - Sabe... Um cara maneiro... De confiança... Boa pinta - completei olhando de rabo de olho - que vai estar aqui nessa uma semana em que todos os majores vão estar fora - olhei de novo de rabo de olho.
    Nesse momento, percebi que seu rosto se iluminou. Ele havia pescado a ideia.
    Bem na hora, pois logo ao longe estava vindo Pedro.
    - Acho que você seria uma ótima escolha - ele sugeriu.
    - Você acha? - me fiz de surpreso e ele riu. - Gosto muito de vocês - admiti - acho que formam um belo casal. Meio pancada, mas muito legais juntos.
    Ele riu e me olhou com ternura.
    - Acho bonito a maneira como vocês se olham. Mesmo no meio de uma putaria, o olhar que vocês dois trocam é diferente. É termo. É... Não sei explicar. Mesmo no meio de outros homens, como ocorreu em Verão Vermelho, vocês dois se destacam. Fica bem claro que o que vocês têm é diferente de tudo em volta.
    Ele sorriu e agradeceu.
    - Do que vocês estão falando - Pedro enfim tinha chegado, trazendo sua mala pelas rodinhas
    - Sobre minha ausência, amor - Soares levantou e abraçou o noivo.
    Nesse instante, também chegou Siqueira, nos saudando.
    - Como anda o pé, Fabio?
    - Bem melhor, Gabriel. Obrigado por ontem - respondi.
    Ele apenas assentiu com um gesto, meio encabulado ainda. Soares o olhou de rabo de olho, mas o major percebeu.
    - O que foi, major?
    - Nada... só estou passando para meu noivo as orientações enquanto estiver fora.
    - Que seriam...? - Siqueira ficou curioso.
    Pedro esperou, também intrigado.
    - Bem. Sabe que vamos ficar fora uma semana. E nesse momento, os sargentos do segundo ano podem querer crescer as asinhas. Então, Pedro, te deixo sob os cuidados do soldado Mendes. Acho que será um bom treino para quando ele assumir a liderança daqui a dois anos.
    Siqueira olhou desconfiado, mas deu de ombros.
    - Não vejo ninguém melhor, de fato. Fabio... Digo, o Mendes é de longe o mais qualificado.
    - Obrigado pela confiança - agradeci.
    - Ouviu, Pedro. Enquanto eu estiver fora, quero que obedeça ao Mendes. Faça tudo o que ele mandar. Ele vai te proteger em minha ausência.
    - Ah... Acho que entendi - ele ainda estava um tanto confuso, mas não haveria tempo de explicar. O carro com a mãe de Pedro chegou e Soares acompanhou o noivo até lá.
    Siqueira sentou ao meu lado.
    - O que vocês estão tramando? - Quis saber
    - Confidencial, major.
    Ele riu.
    - Sempre com surpresas, Mendes.
    E passou o braço pelo meu ombro e me abraçou. Senti que ele ia beijar meu rosto, mas não o fez, parando na hora. Abaixou a cabeça e apenas sorriu sem graça.
    - Se cuida, Fábio.
    - Pode deixar - senti calor. Talvez fosse o tempo mais quente - vai dar tudo certo em sua prova. Você é o melhor da turma e muito capaz. Vai tirar de letra
    - Obrigado mesmo - respondeu com sinceridade - estou me preparando para ela desde que entrei nesse colégio, para ser franco.
    - É seu sonho?
    - Aham - ele olhou o horizonte, pensando não sei em que. Depois me olhou de novo e sorriu.
    Soares voltou, mas não falou nada. Não querendo interromper.
    Siqueira tirou a mão do meu ombro e se levantou.
    - Vamos então - falou com Soares. - Onde está seu carro para eu ir pondo a mala?
    Soares indicou e Siqueira foi indo na frente, meio apressado.
    - Mendes, como é mesmo o olhar que você diz que eu tenho com o Pedro?
    - O que? - estava distraído e não entendi bem a pergunta.
    - Nada - corrigiu.
    - O que foi, Soares? - insisti, curioso e ao mesmo tempo encabulado. Só não sabia porque ainda.
    - Nada mesmo - se manteve firme - Obrigado por me ajudar a entender minha situação. Só não faço o mesmo por ti, porque acredito que no seu caso vai ser melhor que a ficha caia sozinha.
    E se despediu com um sorriso e eu fiquei ali, sentado, meio perdido...

     

  • COLÉGIO PRACINHAS - CAPÍTULO 24 – JOGOS

    Meu fim de semana foi tranquilo, como previa. Minha mãe e meu pai me mimaram bastante e cada vez que eu pisava o pé no chão, era um esporro. Coloquei em dia meu vídeo game, zerando enfim 'God of War 3'.
    Chegar no colégio na semana seguinte foi estranho. Era engraçado, mas a falta do terceiro ano era sensível. Embora basicamente nada tenha mudado em minha rotina.
    O temor de uma ascensão do segundo ano não se confirmou, pelo menos não a princípio.
    Meu pé estava bem melhor, eu caminhava normal e até quarta feira, aula de educação física, eu já estaria ótimo.
    Passamos uma semana bem folgada, sem trabalhos extras. Apenas aulas de revisão, como prometido.
    Com isso, tivemos uma semana com bastante tempo livre, onde pudemos aproveitar.
    Como naquela tarde de tempo bom na quinta. Eu e Elias aproveitamos meu pé melhor e ficamos jogando futevôlei na quadra dos fundos. Eu já estava ciente que era ruim no jogo, mas queria melhorar. Então estava treinando com o melhor. Pedro preferiu ficar na biblioteca, jogando xadrez com Valente e os demais não foram encontrados para convidar. Entre uma partida e outra, fomos batendo papo.
    - Diferente aqui sem os veteranos, não acha? - comentei.
    - Hum... - ele me olhou e riu.
    - O que foi? - não tinha entendido.
    - Nada. É que você já fez esse comentário umas três vezes pra mim essa semana.
    - Sério? - Não tinha percebido. Mas devia ser verdade.
    - Aham. Mas respondendo de novo: Um pouco, sim. Fico mais é pensando como vai ser quando nós assumirmos o cargo de majores no terceiro ano. Confesso que estou ansioso - ele riu.
    - Sinto que você vai ser um tirano - Brinquei
    - Não! - se fingiu de ofendido - Tratarei meus subordinados com atenção e justiça - e pensou um pouco - pelo menos no início...
    Rimos muito e eu acabei errando a bola. As outras vezes que errei foi por falta de habilidade mesmo.
    - E aí, quer mudar de jogo? - ele sugeriu - já perdi as contas de quantas partidas ganhei e na outra vez, no futebol, você ficou meio bolado comigo.
    Eu sorri amarelo.
    - Era diferente. Naquele dia eu estava levando a sério. Havia competitividade. Hoje não. Sei que ainda não posso ganhar de você, então estou jogando só pra me divertir. E desculpa se eu fui um mal perdedor. - acrescentei
    - Não. Você até se comportou bem. Eu nem teria notado se não fosse sua cara azeda - zombou.
    - Mas aproveitando que falamos de levar a sério. - continuou - Fala aí, sabe que o Albuquerque está gamadinho em você né?
    Eu não estava preparado para aquela noticia e chutei o ar.
    - O quê? Que isso. Não... - descartei, descrente
    Elias riu.
    - Mendes. Tão perspicaz pra umas coisas e tão lesado pra outras. - atestou
    - Mas diz ai: ele te falou algo? Engraçado que o Gabriel achou a mesma coisa.
    - Quem? - ele estranhou.
    - O Siqueira. - Eu expliquei
    - Ah sim... Não sabia que o tratava pelo primeiro nome agora. Já vi ele te chamando de Fábio algumas vezes... - e pensou - Bem... Na verdade Isso explica muita coisa.
    - Como assim?
    - O Albuquerque me falou que na sexta o Siqueira foi ríspido com ele... Quando ele foi levar seu jantar.
    - Sim. E daí? - insisti.
    Elias parou, pensou e então desistiu.
    - Nada não.
    E continuou a chutar a bola com aquela cara de quem sabia mais. A mesma que Soares fez na nossa última conversa.
    Resolvi virar o jogo.
    - E você e o Pinheiro. Como andam?
    - Bem, - respondeu simplesmente.
    Eu resolvi atiçar mais
    - Depois daquela vez, na noite dos cordeiros e lobos. Rolou de novo?
    - Um monte - ele respondeu sem nenhum embaraço - Você já transou sozinho com o Pinheiro?
    Vasculhei a memória e respondi que não. Na lavanderia a coisa não tinha se finalizado e no vestiário havia sido apenas uma mamada.
    - Ah. Só queria confirmar, na verdade. Pois no começo, na primeira vez que ficamos, eu o achei muito carinhoso. Fiquei até receoso de ele estar apaixonado ou algo assim. Mas percebo que esse carinho todo é só quando estamos sozinhos. No geral, ele é bem da putaria, da farra. Aí queria saber se ele era carinhoso assim com todo mundo na intimidade.
    - Não sei... - mas me lembrei do beijo no rosto na lavanderia e concluí que sim – por quê?
    - Nada. Só fico preocupado. Afinal, ficamos nessa nossa safadeza. As vezes pode rolar sentimento. Tipo Pedro e Soares. Ou vo... Enfim. - e riu - Aí fiquei com medo de ele estar gostando de mim. É que não estou na mesma ainda. E não queria que o Pinheiro ficasse magoado.
    - Entendi. Olha. Confesso que não reparei nada não.
    - Eu também acho que não. Só queria confirmar mesmo. Eh que no começo, quando a gente... Sabe... Ele me comeu pela primeira vez, pensei que fosse ser uma parada mais na zoeira. Mais... Dominação sabe? Tipo o que rola aqui direto. Fosse meter sem dó, sem preocupar em machucar ou algo assim. Mas fiquei surpreso. O cara foi bem cuidadoso. Nem parecia o mesmo farrista que vemos aqui.
    - Algumas pessoas são diferentes na intimidade. - concluí
    - Exatamente. Por isso quis saber se você já tinha ficado com ele alguma vez. Se contigo também tinha acontecido.
    - Não. Mas entendi o que você quis dizer. Acho que é o jeito dele mesmo.
    - Que bom. Fico menos preocupado
    Resolvi então aproveitar que o assunto tinha ido por aquele caminho, e perguntei:
    - E você acha que eu tenho algo com que me preocupar?
    Elias me olhou cauteloso, provavelmente imaginando se eu me referia a pessoa que estava em sua mente
    - Você se refere ao... Albuquerque? Ou outra pessoa?
    - Albuquerque - falei logo, mesmo sem total convicção.
    - Acho que ele ficou só encantado. Está na cara que você o impressionou na noite dos cordeiros e dos lobos. Não precisa se preocupar com ele não. Vai passar.
    - Hum... E eu deveria me preocupar com mais alguém?
    - Aí depende - e sorriu - você acha que é motivo de preocupação?
    Percebi que ele não ia falar diretamente, preferindo o jogo de trocadilhos.
    - Não sei - respondi com sinceridade.
    Elias então dominou a bola e a parou.
    - Olha. Faz que nem eu. Deixa rolar. Se acontecer, aconteceu. Enquanto não, aproveita. Eu demorei pra me adaptar aqui. Agora que consegui. Gosto e acho que tem muita coisa a se aproveitar.
    - Parece um bom conselho - avaliei. - E você acha que levaria bem se apaixonasse por um cara? - perguntei.
    - Fabio. Há um ano atrás eu sequer cogitava beijar outro cara. E olha tudo o que eu já fiz aqui
    Rimos muito.
    - Se apaixonar seria a menor das surpresas - concordei. Eu também jamais imaginaria que teria na vida metade das experiências que tive no Pracinhas.
    - Acho que a melhor hora é essa, na verdade - continuou - estamos sem o terceiro ano aqui... Você pode ver se sente ou não falta do Siqueira... Ou de qualquer outro - completou rapidamente, com cara de quem falou mais do que devia.
    Não continuei no assunto. E também não pude. Pois nesse momento, chegaram dois alunos do segundo ano
    - Quanto tempo. Nem parece que estudamos na mesma escola. Nunca mais os vi - era Lopes, usando uniforme de educação física, camisa suada colada na pele.
    - Sargento Lopes, sargento Ferreira - os saldei - Quanto tempo. O que fazem aqui?
    - O treinador resolveu passar uns exercícios individuais. Acabamos o nosso e viemos ver quem estava aqui.
    - Afim de bater uma bola? - Elias convidou - novatos contra veteranos.
    Lopes e Ferreira se olharam e toparam. Então passamos a jogar futevôlei em duplas. Eu já estava bem aquecido, e Lopes e Ferreira não eram jogadores tão bons assim, então consegui me sair bem. E na pior da hipóteses, tinha sempre Elias pra segurar a onda pra mim. Então, naquele jogo, pude desfrutar do prazer de ganhar
    - Caramba, tu é muito bom, Pascoal - Lopes elogiou.
    - Um dos meus talentos.
    Engraçado ver Elias tão solto. Ainda mais lembrando de como ele era travado com os do segundo, na vez em que lavamos o vestiário. Realmente eu podia dizer que ajudei muito a soltar meu amigo e hoje ele era completamente capaz de se cuidar naquele meio. Se bobear, mais até do que eu.
    Continuamos jogando e vencemos com uma boa margem.
    Foi quando o grupo do segundo ano foi indo em direção ao vestiário e chamaram Lopes e Ferreira.
    - Eh, vamos lá - Ferreira se despediu e foi em direção aos colegas. Mas antes de prosseguir, voltou - vocês não vão tomar uma ducha não?
    Aquela pergunta estava carregada de malícia, e tanto eu quanto Elias ficamos sem resposta a princípio.
    - Vamos - Lopes encorajou - aproveita e fica lá com a galera.
    - Valos ver - respondi apenas e eles sorriram e foram indo.
    - Eh, eles ainda não tem a convicção do terceiro ano - Elias avaliou, quando os dois saíram.
    - Não - concordei - Mas já estão um pouco mais corajosos. Eles dois pelo menos.
    - Sabe, eu acho que se a coisa ficar assim, nós que vamos mandar nesse colégio ano que vem, e não os majores
    - Possível - concordei, já imaginando.
    - Você acha que se fossemos lá, eles iam tentar algo?
    - Sim. Ferreira já foi mais ousado da primeira vez, se formos agora, vamos estar dando corda, o que é o empurrãozinho que falta pra ele se soltar.
    - Tem razão - parou do meu lado e cruzou os braços - e vai ser aquilo, basta um começar para os outros virem junto.
    - Aham. Basta um homem com coragem e todo o resto avança como peças de dominó.
    Ficamos parados, olhando fixamente para o vestiário, falando por alto, fingindo pouca importância. Disfarçando o que estava claramente se passando em nossas cabeças.
    - O fato é: se formos para lá - Concluí - há grande chance de estarmos indo para o abate.
    - Eh... E não queremos isso, não é?
    Olhei para ele de rabo de olho e tive de rir de sua cara. Olhos arregalados, me olhando também pelo canto do olho, como um garoto arteiro. Rimos muito.
    - Ah, meu Deus. - desabafei - Quando foi que nos transformamos em duas putas?
    Eu não podia acreditar que estava doido de vontade de ir naquele vestiário.
    - É amigo. Acho que no fim, Pedro estava certo e somos um bando de viados enrustidos. - Elias concluiu.
    Rimos mais.
    - Mas não vamos dar o braço a torcer pra ele, não é? - perguntei.
    - Claro que não – falou, tentando parecer sério.
    E nos olhamos de novo, um sorriso de cumplicidade brotando de nossos lábios. Então deixamos as amarras de lado e fomos para o vestiário.
    Era uma sensação ímpar, como andar de montanha russa. Você entra sabendo que vai sentir medo, mas o impulso de querer ir adiante não parava. Pelo contrário, quanto maior a sensação da aventura, mais o desejo se volumava.
    Entramos e lá estavam eles. Alunos nus, tomando banho. Seus olhares de imediato se voltaram para nós dois. Ferreira abriu um grande sorriso, como uma hiena diante da presa. E logo toda a alcateia ficou atenta.
    - Podemos nos unir a vocês? - perguntei.
    - A vontade, soldados - Lopes respondeu.
    Tiramos as roupas e caminhamos até os chuveiros. Eles abriram caminho, e como uma onda, nos envolveram. Engolidos pelo mar de corpos
    - Grande, Mendes - Ferreira estava ao meu lado - Seu nome ficou famoso aqui. Jamais imaginei que o garoto com quem conversei aquele dia seria o herói da noite dos cordeiros e dos lobos.
    - Pensei que o que acontecia na noite, ficava por lá - indaguei.
    - Isso é só para os de fora. - sorriu - para nos que já vivenciamos o rito, não tem porque guardar segredos
    - Entendi - e pensei - Então me diga, Ferreira, como foi sua participação quando foi calouro na noite dos cordeiros e dos lobos?
    Ferreira me olhou de cima a baixo e respondeu:
    - Bem diferente da sua, posso adiantar. Quem sabe hoje nós não possamos lhes dar uma ideia de como foi.
    Engoli seco, diante de seu olhar. Para nós, era fim de jogo. Sabíamos no que estávamos nos metendo quando ali entramos e agora, minhas certezas estavam mais que confirmadas. Não eram os mesmos garotos da primeira vez, com medo de dar o primeiro passo. Aqueles estavam repletos de desejo e convicção. Não adiantava acreditar que desistiriam ou que lhes faltaria coragem. Aquilo não ia acontecer. Não naquela tarde.
    - Aproveitando que está aqui Mendes, quero que me ajude - e me deu o sabonete - passe agora nas minhas costas.
    - Não vai pedir por favor - zombei com um sorriso
    - Somos seus superiores aqui, Mendes - lembrou com triunfo - chegou a hora de exercer nossa liderança.
    Concordei satisfeito. Talvez esteja aprendendo, afinal. Peguei o sabonete e comecei a passar em seus ombros, braços, depois passei pelas costas. Então desci até sua bunda.
    - Tu é abusado mesmo - observou - Não nega a fama que tem.
    - Você mandou eu lhe ajudar. Estou ajudando - me fiz de desentendido.
    Ele então se virou, de frente pra mim.
    - Me ajude aqui então - e sorriu.
    Como bom soldado, segui sua orientação. Fui passando eu seu peito, descendo pela sua barriga, abaixei e fui ensaboando suas pernas. Tudo sob o olhar atendo dos demais sargentos. Aos poucos, os pênis foram se enchendo de sangue, ganhando volume e se erguendo. Ferreira já estava completamente excitado. Membro a poucos centímetros de meu rosto. Me ergui novamente, olhando a última região limpa de sabão. Sem rodeios, enchi as mãos de espuma e comecei a massagear seu pau, do saco a glande. Puxei bem a cabeça pra fora e limpei toda a região, como mandam os médicos.
    Olhava nos olhos de Ferreira o tempo todo. Seu rosto se contorcendo em prazer, aquele fogo queimando. A água das duchas era fria, mas meu corpo estava quente. Ele foi até uma ducha e eu o segui, fui ajudando a tirar o sabão de seu corpo.
    Olhei para o lado e vi que Elias estava numa posição diferente. Lopes pediu para ele ir até a parede e ficar de costas. Lá, era o sargento quem o ajudava a se limpar, passando a mão ensaboada em sua bunda. Introduzindo os dedos em seu orifício. Meu amigo encostava a testa e as mãos no azulejo, gemendo baixinho enquanto ficava na ponta dos pés.
    Ferreira se virou e mandou eu me ajoelhar. Obedeci. Foi a deixa que faltava para eu ser cercado. Meu coração disparava enquanto eu provava cada um dos membros que me eram apresentados. Minha boca sendo disputada, minha cabeça puxada de um lado para o outro. Órgãos duros colidindo contra meu rosto. Estava perdido em meio a tantos sargentos para um único soldado, recebendo várias ordens ao mesmo tempo sem saber qual a prioritária. Em um momento, alguém me pegou pelas axilas e me ajudou a levantar. Abaixou e abriu minha bunda, enfiando a cara e a língua sem nenhum aviso. Me pus na ponta dos pés e gemi. Pernas bambas, tive de me segurar em Ferreira a minha frente. Ele me apartou e me beijou.
    - E aí? Sinto que começa a desejar ter perdido a guerra dos cordeiros, não é, Mendes?
    Eu não respondi, só gemia. Sentindo àquela língua adentrar meu orifício. Entregue àquele meio de pessoas que pouco via, as quais a grande maioria sequer sabia os nomes.
    Minha bunda devorada por um sargento do segundo ano. E eu ali, gemendo de forma despudorada diante deles.
    Elias já era penetrado por um do segundo ano, que o comia com força, enquanto chupava o sargento Lopes.
    - Já deu alguma vez, Mendes? - Ferreira falou ao meu ouvido. Enquanto me abraçava - Espero que sim... Não é uma boa hora para ser desvirginado.
    E parecendo feito de forma ensaiada, o sargento que me chupava levantou e enfiou o pênis ensaboado de uma vez.
    Trinquei os dentes. Doeu um pouco, mas foi apenas susto. O órgão deslizou rapidamente para dentro de mim. O sargento foi metendo devagar, mas logo aumentou o ritmo.
    Ferreira olhava minha cara com gosto, e eu ainda sem acreditar que estava me sujeitando a uma situação daquelas. Uma da qual havia escapado por um triz inúmeras vezes. Eu, que gostava de estar no controle das coisas, me colocando ali a disposição de tantos.
    - Delicia, Mendes - Ferreira elogiou - Delicia ver você gemendo assim.
    O sargento atrás de mim urrou alto e gozou, sendo logo substituído por outro. Percebi uma fila de formando atrás de mim. Ansiosos em deflorar o herói da noite dos cordeiros e dos lobos. Eu, nada fazia, só gemia, num misto de humilhação e entrega que só experiências limites como aquela eram capazes de apaziguar.
    Levei uns três tapas na bunda enquanto o segundo sargento me deflorava.
    Veio o terceiro.
    Eu não podia negar que era bom e por um segundo me arrependi de não ter experimentado aquilo antes. Sentir minha cintura segura por mãos fortes, minha bunda sendo revezada por pênis de vários tamanhos, cujos donos usavam de inúmeras técnicas de penetração. O deslizar gostoso do órgão pelo meu interior. Os olhares famintos dos demais, apenas aguardando a hora de me usar também. Aquele receio de não dar conta de todos, junto do anseio de querer provar pra mim mesmo que era capaz.
    Tantas emoções, tantas possibilidades. Dava até medo da coisa fugir demais do controle. Fiquei feliz de não estar sozinho naquele lugar. Além de me dar coragem, Elias era também uma visão muito agradável que servia como a cereja do bolo daquele rodízio de prazeres. Ele já estava em outra situação. Menor e mais maleável, Elias foi cercado por um grupo de cinco. Foi erguido do chão como uma rede, pelas pernas e braços. Ali, bem seguro por quatro, era mantido de barriga para o alto enquanto o quinto o comia pelo espaço entre as pernas que eram mantidas abertas pelos braços fortes do segundo ano.
    Não via seu rosto, mas era capaz de ouvir seu gemido grosso e satisfeito. Tanto eu quanto ele estávamos entregues àquele momento. O terceiro gozou e eu começava a ficar saturado. Quando o quarto chegou, o gozo começou a escorrer entre minhas pernas.
    Ferreira até então estava feliz apenas em me servir de suporte, falando coisas ao meu ouvido e beijando ocasionalmente minha boca e calando momentaneamente meus gemidos.
    - Então, Mendes. Foi mais ou menos isso que passei em minha noite dos cordeiros e dos lobos. - narrou ao meu ouvido - Só que foi no meio da mata. Eu fui o que melhor se escondeu. Eram 5 da manhã e eu quase saí ileso. Todos meus colegas já tinham sido abatidos. E o terceiro ano saiu em peso atrás de mim. Não iam aceitar perder. Eu estava escondido em cima de uma árvore quando um grupo de quatro passou por baixo. Iam passar direto, se eu não tivesse espirrado na hora e denunciado minha posição. Eles me acharam, apontaram as armas e me mandaram descer. Obedeci. Um deles uivou alto, que era um sinal para os demais, para virem de onde estivesse. Falaram que eu merecia um tratamento especial, já que quase tinha vencido o jogo. Me colocaram contra a árvore e me revistaram. Não que eu tivesse algo escondido. Era só um pretexto para passar a mão no meu corpo, me excitar e assim me preparar para o que estava por vir. Então, com as calças arriadas até os pés, começaram. O primeiro foi meu superior direto. Que já tinha me comido várias vezes em seu alojamento. Os demais, eram novidade. Minha única aliada era àquela árvore, que me mantinha em pé, igual estou fazendo com você agora...
    Ele lambia meu ouvido enquanto falava, beijava meu rosto.
    - Estou doido pra ter minha noite dos cordeiros e dos lobos como major. Espero que no ano que vem, tenha algum calouro como você. Gostosinho e abusado.
    Ele então me puxou, tirando-me do cara que me comia naquele momento. Me pôs contra a parede. Apoiado pelo rosto e pelas mãos. Enfiou com calma e introduziu. O gozo de seus companheiros sendo empurrado pra fora.
    - Minha vez - e foi penetrando, me segurando pelos ombros
    Naquele momento, tive uma noção do que poderia ter sido minha derrota na noite dos cordeiros e dos lobos. E sim, um lado meu gostaria de saber como seria ter o terceiro ano me usando daquela forma. Ter Siqueira no lugar de Ferreira, me contando histórias obscenas enquanto eu era violado, catalisando meu prazer, como ele sabia fazer tão bem. Senti até saudades de sua voz ao meu ouvido.
    Tentei mudar meu pensamento. Pois percebi que, mesmo estando ali com outros, minha mente insistia em me levar para o terceiro ano. Para ele de novo. Mas não podia negar que eu gostaria que ele estivesse ali. Liderando aqueles sargentos ainda inexperientes.
    Olhei para Elias, que já estava posto no chão, de quatro, enquanto mais um sargento usava dele. O sargento demonstrava cansaço. Parecia um dos que já havia usado de mim. Não tinha certeza. Não gravei seus rostos.
    Foi então que comecei a rir sozinho. Eu não havia sequer reparado em seus rostos. O que eu podia dizer sobre mim com essa conclusão?
    E lembrei da conversa com Elias mais cedo. Quando foi que eu havia me transformado naquilo? Meu pai disse para eu manter a mente aberta para as experiências no Pracinhas, mas será que mesmo ele chegaria a cogitar tais coisas que eu estava fazendo? Provavelmente não. Sua geração era outra, e por mais que ele tivesse maiores liberdades dentro daquelas paredes, duvido que fossem naquele nível.
    - Tá rindo, safado? - Ferreira ficou satisfeito - Ótimo. Sinal que tá gostando.
    Sim, estava gostando. Mesmo que começasse a doer um pouco, eu estava gostando. Não queria parar.
    Vi que Elias me olhou e eu o encarei. Seu rosto devia refletir o que eu meu estava demonstrando. A total confusão diante da mistura de emoções. De saber que por mais absurda que fosse aquela experiência, estávamos ali por opção. Sabíamos o que nos esperava quando entramos naquele vestiário. Dois garotos atrevidos, que sabiam que no momento em que a montanha russa descesse dos trilhos, gritaríamos apavorados. Mas mesmo assim, compramos o ingresso. Mesmo assim, fomos com tudo. Mesmo assim, estávamos nos divertindo no mais complexo jogo dos Pracinhas.

     

  • COLÉGIO PRACINHAS - CAPÍTULO 25 – A FARRA DOS CALOUROS

    Minha brincadeira no vestiário cobrou seu preço no dia seguinte. Pela primeira vez em minha vida, eu estava ardido. O que podemos dizer ser o mesmo efeito de uma ressaca para alguém que pratica sexo passivo. Não importa o tipo de diversão, a vida cobra seu preço de alguma forma na manhã seguinte.
    - Cara, não estou conseguindo nem ir ao banheiro direito - Elias me confessou no café da manhã, na manhã seguinte.
    - E eu, sentar está difícil - ri. Mas de fato eu disfarçava sempre que sentava na frente de meus colegas, para não levantar suspeitas.
    - O que deu na gente ontem? - ele se questionou
    - Sei lá, cara. Mas uma coisa é certa - e usei a célebre frase de todo alcoólatra quando está de ressaca - nunca mais faço essa loucura.
    - Nunca mais - Elias concordou, mas então completou - Mas assim... Até que foi legal, né?
    - Pra caramba. - concordei de imediato.
    E rimos muito. Só paramos quando Albuquerque e Pedro se juntaram a nós.
    - O que é tão engraçado, capitão? - Albuquerque quis saber.
    - Nada não. Só besteira.
    - E você, Pedro. Que carinha radiante é essa? - Elias perguntou. Uma ótima forma de desviar o assunto.
    - Falei com o Henrique hoje de manhã.
    Nós três fizemos um 'oh' coletivo e Pedro riu sem graça.
    - Idiotas - acusou. Rimos mais
    Mas naquela manhã, tive uma surpresa semelhante. Na hora do intervalo, o supervisor me chamou, dizendo haver uma ligação pra mim.
    Corri para o corredor dos telefones e atendi.
    - Oi, mãe - falei animado. Deduzindo quem era.
    - Deus te abençoe, meu filho - Além da frase totalmente fora de uso por minha mãe, aquela voz feminina forjada foi logo detectável. Estranhei de imediato.
    - Quem está falando?
    Só então reconheci a risada ao telefone.
    - Gabriel? - ainda tinha dúvidas, pois não esperava aquilo.
    - Isso aí, Fábio - e riu mais - ligando pra saber como está esse lugar sem a gente.
    Eu sorri involuntariamente ao ouvir sua voz. Ainda estava surpreso, pois não esperava uma atitude daquelas vinda dele.
    - Está tudo nos conformes - respondi, ao me recompor da surpresa
    - E o pé?
    - Ótimo. Melhorou 100%
    - Muito bem... E... - parecia pensar no que iria dizer. - Fiquei preocupado do pessoal do segundo ano querer crescer na nossa ausência.
    - Fique tranquilo. Estão sob controle. - e sentei com calma para poder falar melhor. - e como andam os estudos? A prova é amanhã, certo?
    - Isso. Sábado de manhã - confirmou - estou como posso estar. Nervoso, ansioso. Essas coisas.
    - Fica tranquilo. Não tenho nenhuma dúvida com relação a você. Vai se sair bem.
    - Obrigado, Fábio... Eh... Às vezes fico pensando se devo fazer essa prova...
    - Para com isso. Claro que tem que fazer. É seu sonho. E você tem potencial. Vai longe.
    - Eh... - senti que ele tinha algo pra falar, mas nesse momento o sinal do fim do intervalo tocou e ele ouviu do outro lado. - Está na hora de você voltar, Mendes. Melhor ir pra não atrasar. Semana que vem conversamos. Bom dia
    Eu me despedi, mas nem sei se ele ouviu. De tão apressado que estava para desligar o telefone.
    As coisas seguiram calmas. Após a aula, o primeiro ano em peso foi para quadra e jogamos. Dessa vez, resolvemos voltar a ser crianças por alguns minutos e batemos uma partida de queimado. Muito mais divertido. Todos participaram e eu pude me vingar de Elias pela surra no futebol, acertando nele boas boladas nas costas e nas pernas.
    - Venho sentindo que o capitão está na maldade - Albuquerque comentou quando eu queimei Elias na terceira partida consecutiva.
    - Claro que não. Só coincidência. - me fiz de desentendido.
    Mas Elias, que não era bobo nem nada, me mandou o dedo do meio de onde estava.
    - Que raio de espirito esportivo é esse, Pascoal? - o repreendi. E o jogo prosseguiu.
    Jogamos horas, tomamos banho, jantamos e fomos cedo para o alojamento. No sábado bem cedo, iriamos para casa.
    Então, com as luzes apagadas, fiquei pensando na vida. Em breve, começariam as provas do 4° bimestre. Aquele ano havia voado. Parecia ontem que eu havia ingressado, que recebia meu primeiro trote, junto daqueles garotos. Do dia do mijão pra cá, muita coisa havia mudado e naquela noite, minha mente viajou por cada acontecimento, cada evolução. Parecia que eu não ia dormir rápido naquela noite.
    Mas eu não era o único. Ouvi Pedro se mexer constantemente em sua cama naquele momento. Até que levantei e fui até lá. Abaixei ao seu lado e sussurrei.
    - Tudo bem aí, amigão?
    - Oi Fabio. Te acordei?
    - Não, relaxa. Sem sono.
    - Eu também.
    - Pensando na prova do Soares amanhã?
    - Aham - não conseguia ver bem seu rosto, mas conseguia imaginar, pelo seu tom de voz, aquele sorriso carinhoso que sempre brotava de seu rosto quando falava do noivo.
    - Soares é cabeçudo. Igual você, na verdade. Vai tirar de letra.
    - Eu sei... Só estou ansioso, pois vou buscar ele quando sair do local de prova. Nunca ficamos separados tanto tempo desde que namoramos.
    Eu alisei sua cabeça, com carinho.
    - Relaxa. Amanhã estão juntos de novo. - tateei a cama atrás de um lugar e fui me deitando ao seu lado - com sua licença - pedi
    - Claro - e se achegou para o lado
    - Mas fala aí - comecei, enquanto me colocava debaixo das cobertas com ele - O que está dando mais saudades? A companhia, o romance ou o sexo?
    Mesmo no escuro, era capaz de imaginar ele ficando vermelho.
    - Um pouco de tudo - falou com a vozinha que usava quando estava ficando seu graça.
    Eu ri e continuei, lembrando da promessa que tinha feito a Soares.
    - Que bom. Pois se tivesse na seca, eu ia ter de agir - avisei
    Ouvi ele gaguejar.
    - Como a... assim?
    - Ora. Esqueceu que seu noivo mandou eu tomar conta de você? Imagina que absurdo você chegar nele e falar que eu deixei você ficar na seca. Ele vai ficar chateado comigo e vai perder a confiança em mim.
    Ele segurou o riso, com medo de acordar as pessoas.
    - Mas é sério. - continuei. Sussurrando e me divertindo com aquela brincadeira. - Afinal, amigos são pra essas coisas, não são? Há menos que você não me ache atraente. Aí eu vou entender bem.
    - N... Não. Não é isso - ele gaguejou e eu sorri.
    - É mesmo? Bem... Lembra o que você falou pra mim, no dia em que me contou sobre você e o Soares? - aticei.
    - Eu... Eu lembro - e deu um risinho.
    - Repete então? - pedi.
    - Pra que?
    - Ah, sei lá... Queria ouvir. Achei legal no dia. Você estava falando algo sobre me observar no banho... Lembra?
    - Eu... Eu disse.
    Tadinho, estava muito sem graça, mas isso só fazia eu querer continuar mais.
    - Fala vai. Por favor - pedi.
    - Eu... Eu disse que... Seu pau era uma delícia - soltou enfim. Voz morrendo aos poucos
    - Isso. Foi isso - fingi me lembrar.
    Então eu botei o pau pra fora e peguei sua mão. Mão quentinha.
    - Que isso, Fábio. - ele se alarmou. Mas eu pude perceber num rápido toque que seu pau também tinha inchado com a brincadeira.
    - O que? Só quis te mostrar. - e ri com malícia - Uma pena você não estar no clima. Pois eu estou pilhado aqui - comentei.
    - Só não esperava - se desculpou.
    - Tudo bem. Quer pegar nele de novo? - investi.
    - Não sei...
    - Qual o problema? O Soares me disse na nossa primeira noite que gostaria que você fosse livre e que depois contasse tudo pra ele. Você acha que ele falou da boca pra fora? - joguei a isca.
    - Pior que eu não sei... Digo... Ele me conta tudo. Disse que sim... Mas eu sinceramente não sei.
    Pensei um pouco. Não seria justo eu contar a ele o que Soares me confidenciou. Mas isso não queria dizer que eu não pudesse ajudar meu amigo Pedro a chegar à conclusão por ele mesmo.
    - Olha. Foi ele quem falou que você deve obedecer tudo o que eu fizer, né? Então. Acho que tudo quer dizer tudo. - concluí.
    E peguei a mão dele e o fiz pegar de novo.
    - Você acha? - e apertou bem meu órgão.
    - Acho... Mas se você não estiver a vontade... Eu até entendo...
    Como na pescaria, você tinha de saber a hora de puxar a linha e a hora de dar corda. Era assim que eu estava agindo com Pedro.
    Ele continuou apertando meu pau. Eu alisei sua perna, meu rosto pertinho do dele
    - Você já fez alguma coisa sem ele desde que começaram a namorar?
    - Não. Só fizemos juntos.
    - Mas ele te deu carta branca, não?
    - Sim. Sempre falou que eu podia fazer.
    - Entendi - e peguei no seu volume - Me diz uma coisa. Tudo o que ele faz sem você ele conta, né?
    - Aham.
    - E você se sente como? Ofendido? Sei lá.
    - Não. - descartou de imediato - Não. Eu... Eu até sinto...
    - Tesão? - e apertei seu volume, fazendo ele suspirar
    Pedro não respondeu e eu sorri
    - Tesão, né? Safado. Pode falar pra mim. Pensei que fossemos amigos
    - Não. Somos sim.... E sim... Senti tesão - admitiu.
    - Então, como seu amigo, tenho que ser sincero contigo. Você é um puta egoísta, Pedro.
    - Como assim? - ele obviamente não esperava por aquilo.
    - Oras. Você mesmo disse que gosta quando ele te conta as coisas que faz. E não quer fazer nada pra contar pra ele.
    - Não é isso?
    - Então o que é? Não te dou tesão?
    - Claro que não. Você é...
    - Sou o que? - pressionei. Estava adorando.
    - Muito gostoso - falou num sopro
    - Então? Faz então. Se o Soares não gostar, a culpa e dele, oras. Foi ele quem disse que você tinha carta branca. E também foi ele quem disse que você devia me obedecer em tudo. Pode deixar, eu assumo toda a responsabilidade. Como fiz na noite dos cordeiros e dos lobos. - sugeri.
    Eu peguei sua calça e fui arriando. Ele segurou.
    - O que foi? - sorri.
    - Não sei... - e riu sem jeito.
    - Tá com dúvida ainda? - perguntei.
    - Um pouco - admitiu.
    Era hora de jogar pesado. Cheguei ao seu ouvido e falei.
    - Então, vai fazer e pronto - falei baixo, mais grosso - Vai fazer porquê eu estou mandando. Já que você tem que me obedecer, vai obedecer. Eu vou te comer agora. E você vai gemer. Pode não querer, mas eu vou fazer você gemer.
    Lambi seu ouvido, fazendo ele suspirar.
    - Mas e se acordarem?
    - Só você gemer baixinho - e beijei seu pescoço - E se escutarem, dane-se. Se você quiser dar pra eles também. É problema seu. E puxei sua calça, dessa vez ele não impediu. Tirei tudo, deixando ele apenas com a blusa. Voltei para seu lado e comecei a acariciar seu ânus. Ele gemeu baixinho. Fui beijando seu rosto e falando.
    - Abre pra mim - mandei e ele abriu as pernas. Introduzi mais. Quente, contraindo - Isso. Escuta bem, Pedro. Chega de joguinho. Hoje vou te comer. E dane-se teu noivo. Ele não queria isso? Então. Vai ter. Se não gostar de ser corno, problema dele. Você vai contar tudo o que acontecer aqui pra ele. E se ele não gostar, que venha se entender comigo. Agora me beija.
    Ele virou o rosto e me deu um selinho. Eu o engoli de uma vez, enfiando minha língua toda.
    - Beija direito, Pedro. Você faz melhor que isso - então levantei sua blusa e lambi seu peito. Ele abafou o gemido, fechando a boca.
    Nesse momento, ouvi um barulho na cama ao lado, seguido da voz de Valente.
    - Tudo bem, cara? - ele quis saber
    - Aham.... Tudo - Pedro segurou para não gemer quando eu chupei seu peito. Queria rir, mas me segurei
    Valente parou de falar e eu enfiei meu dedo todo no cu dele. Pedro lutava para não fazer barulho, sua mão agarrava minha nuca, apertando com força conforme se contorcia. Meu dedo cravado em seu ânus e minha boca chupando todo seu peitoral malhado.
    Tirei o dedo de seu cuzinho e peguei seu pau, duro e pesado como concreto
    - Nossa. Agora sim tenho fé no seu tesão. Relaxa Pedro. Soares sabia que você era um putinho quando te pediu em casamento. Ele se apaixonou por você assim. Então geme, vai. Geme que eu sei que tu tá gostando.
    Pedro arfava, perdendo o ar a toda hora.
    - Vai continuar resistindo? - senti minha boca salivar - Melhor assim.
    Fiz ele se virar de bruços. E comecei a chupar seu ânus. Ele enfiou a cabeça no travesseiro para abafar o gozo. Eu passava a mão em sua bunda e sentia sua pele toda arrepiada.
    Chupei muito aquele ânus. Sentindo cada essência de seu sabor.
    - O que tá acontecendo aí? - era a voz de Elias.
    - Não sei - Gouveia.
    - Pedro, tudo bem ai? - Valente de novo
    - Aham - Pedro respondeu com a cara afundada no travesseiro.
    Nesse momento, a lamparina entre as camas de Pedro e Valente se acendeu. O quarto iluminou, assumindo uma densa penumbra.
    - Caralho - Valente soltou.
    - O que? - Peixoto
    - Quem tá aí? - Oliveira
    - Acho que é o Fabio - Elias
    - O Mendes? - Peixoto de novo.
    - O capitão? - Albuquerque.
    Todas as vozes incrédulas. Eu com vontade de rir, segurava. Então, para acabar com as suspeitas, sai debaixo das cobertas. Ignorando suas presenças, fui tirando as roupas. Pelado, deitei por cima de Pedro, meu corpo todo colado no dele. Encaixei e meti. Devagar, até o talo.
    - E aí, amigão. Tá gostoso? - falei ao seu ouvido.
    Pedro não respondeu. Ainda com a cabeça enfiada no travesseiro. Coitado. Tímido do jeito que era, devia ser um verdadeiro calvário para ele estar naquela situação. Mas se eu disser que estava com pena, estaria mentindo. Estava gostoso demais torturar ele daquela forma.
    - Ah, qual é amigão. Geme pra mim, vai. Assim você faz parecer que eu sou ruim de cama.
    Ergui meu quadril e o golpeei com força. O estalo ecoou no quarto. Os calouros já estavam todos acordados. Uns ainda deitados, outros sentados na cama. Mas todos acompanhando. Mesmo disfarçados, estavam atentos.
    - Bem. A galera já acordou, então não tem porque se segurar mais, não é? Então amigão. Vai gemer pra mim? E se eu fizer do jeito que você gosta?
    Ergui novamente o quadril e meti com força. Uma, duas, três vezes. Pedro se contorcia, abrindo ao máximo as pernas. E gemeu. Gemeu enfim, alto, porém abafado pelo travesseiro. Gemeu muito. Mas eu ainda não estava satisfeito.
    Cheguei em seu cangote e mordisquei. O simples roçar dos seus dentes o arrepiou de uma tal forma que ele foi forçado a erguer a cabeça. Ela colidiu com meu rosto com força. Doeu. Mas valeu a pena. Seu gozo contigo foi liberto e o som do seu gemido ecoou pelo quarto.
    - Isso, Pedro. Isso, amigão
    Meti sem dó, fazendo ele se libertar. Explanar seu prazer sem vergonha e sem culpa. Elias se ergueu, olhos brilhando de vontade de se juntar. Mas se manteve a uma distância, respeitando minha vez
    Mas eu já ia acabar.
    - Amigão, vou gozar - avisei, metendo fundo até o talo. Urrei quando o gozo saiu.
    Respirei fundo. Aliviado
    - Caramba. - soltei - Obrigado, Pedro. Estou bem melhor agora. - beijei seu rosto e saí. Na maior cara de pau, peguei minha roupa no chão e voltei até minha cama.
    Tinha de admitir que até eu estava encabulado, tendo tantos olhares pra cima de mim. Por sorte, pra mim pelo menos, era que logo as atenções voltaram pra Pedro. Elias chegou nele, pediu para ele ficar de quatro e, chegando por trás, puxou seu rosto e beijou sua boca. Depois, botou o pau pra fora e começou a comer também.
    Oliveira foi junto. Arriou a calça diante dele e ofereceu o membro.
    Pedro olhava de um para o outro sem acreditar. Perdido e extasiado. Lambeu os lábios e abocanhou o pau de Oliveira, enquanto era penetrado por Elias.
    Olhei em torno e eu havia me tornado invisível de novo. Ótimo
    Tirando Valente, que havia novamente assumido seu posto de guarda, olhando pela janela se o zelador não seria atraído pelo barulho, todos os demais enfocaram sua atenção no que acontecia na cama de Pedro. Um ou outro, mais ousado, massageava o próprio pau por dentro da calça, acompanhando cada momento. As luzes foram se acendendo. Não todas, para não chamar muita atenção do exterior
    Aproveitando a situação, meti a mão por debaixo da minha cama e puxei meu celular e meu fone
    Sorrateiro e confiando na vigilância de Valente, fiz uma chamada de vídeo. Deitei invertido em minha cama, de forma a ficar de costas para a sodomia protagonizada por Pedro. Eram nove da noite ainda. Talvez eu não o acordasse
    Fiz a chamada de vídeo.
    - Mendes? O que houve? - Soares atendeu. Rosto confuso, meio descabelado.
    - Atrapalhei? - falei baixo, pelo microfone do fone de ouvido.
    - Não. Não. Eu só não sabia que você tinha meu número - Admitiu - Eu estava apenas revisando umas matérias. Por que está sussurrando?
    - Major. Sabe que não deve estudar de véspera. Amanhã você acorda cedo. – ignorei indagação - Hoje você devia estar relaxando.
    - Eu sei. - E riu. - Só nervosismo mesmo.
    - Então deixa eu te mostrar uma coisinha - e ergui um pouco o aparelho, de forma a câmera frontal pegar a cena atrás de mim.
    - Caralho - ele soltou - Aquele... Aquele... é o Pedro?
    - Eu tentei avisar a você que eu sou foda - me gabei. Achando graça de sua expressão. A boca aberta, incrédulo. Os olhos brilhando.
    - Mendes... Caramba... Eu...
    - E aí. É como você imaginava?
    Mas não tive resposta. Soares olhava tudo parecendo um homem faminto admirando um prato de comida.
    Então puxei de volta o celular para meu rosto e sorri
    - Bem major. É hora de dormi. - avisei com maldade
    - Não, não, não. Por favor. Deixa lá.
    - Não major. Você precisa dormir. Faz o seguinte. Bate uma e relaxa. Amanhã, após a prova. Ele te conta tudo
    E sorri com malícia.
    - Não. Por favor, Mendes. Não faz isso comigo. Estou te pedindo
    Ver ele implorando me deu muito prazer.
    Naquele momento, Elias saiu e entrou Albuquerque. Ele pegou Pedro e o pôs de frango. Oliveira parou ao seu lado e os dois se beijaram enquanto Albuquerque comia o noivo de Soares.
    - Então me mostra teu pau - mandei.
    - O que? Por quê? - Soares não entendeu
    - Nada. Só quero mandar em você. E ver se está mesmo gostando
    - Tu é um filho da puta, Mendes - ele sorriu, me fuzilando com os olhos.
    - Ei, mamãe não - repreendi - vou desligar depois dessa.
    - Não, não, não - e se ergueu e arriou o short
    O pau duro saltou pra fora.
    - Que bom que tá gostando - falei com sinceridade.
    - Obrigado mesmo, Mendes. Você é um grande amigo. Não é à toa que Siqueira ficou louco por você.
    - Eh... - ele nem deve ter percebido o que falou e eu também não o questionei a respeito. Deixei ele ali, apreciando o noivo ser deflorado pelos calouros. E relaxei, feliz em proporcionar outro dos grandes momentos do Pracinhas. De fato, estava ficando bom nisso.
    A coisa só parou quando Valente anunciou:
    - Galera, o zelador está vindo.
    Nesse instante, todos correram. Apagaram as luzes. Pegaram as roupas, aqueles que as tiraram e se jogaram nas suas camas, se cobrindo.
    Quando o zelador abriu a porta, tudo parecia normal. Embora eu pudesse sentir o cheiro de sexo no ar
    Ficamos imóveis, fingindo dormir.
    Quando ele saiu, demos um tempo e os risos começaram a se soltar. Infelizmente, o clima havia acabado depois do susto. E ninguém mais se levantou. Puxei o celular e falei no fone, sem destampar a tela
    - Foi mal, Soares. Mas por hoje acabou
    - Eu ouvi. Uma pena. Mas... Cara... Não sei como te agradecer.
    - Arrasa na prova. Amanhã Pedro te conta tudo
    E desliguei. Guardei o celular e fui dormir.
  • COLÉGIO PRACINHAS - CAPÍTULO 27 - CONFRONTO

    Se na semana anterior eu estava ansioso, nesta eu me encontrava ainda mais. Eu não sabia o que esperar daquilo. Na verdade, não sabia o que esperar de nada. Eu havia encarado muito bem tudo o que era novidade do relacionamento humano do Pracinhas até então, mas tinha minhas dúvidas se saberia administrar tão bem as questões envolvidas naquela simples tarefa de passar um fim de semana com Siqueira e conhecer sua mãe.
    - É amigo, parece que a coisa ficou séria - Elias disse, quando contei pra eles - Como está se sentindo?
    - Como se tivesse com falta de ar - confidenciei.
    - Ah, que maravilha. Se vocês dois ficarem juntos, podemos marcar uma saída de casais - Pedro ficou ansioso.
    - Calma, Pedro. Por favor. Não me deixa mais em pânico.
    - Oh, que bonitinho. O Fábio tá ficando vermelho. - Elias me zoou.
    - Ai que lindo - Pedro foi na onda e depois completou - Até que é divertido quando se está do outro lado - constatou, e rimos muito.
    Praticamente todos do nosso ciclo mais íntimo já estavam sabendo. Com exceção de Pinheiro. Até meus pais já sabiam, embora eu tenha sido muito econômico nos detalhes. Falei pra eles apenas que passaria o fim de semana na casa de um amigo, sem especificar quem. Não era uma mentira, afinal.
    Antes do fim de semana chegar, teve um acontecimento inusitado. Foi quando fui devolver para Elias o livro de matemática, que tinha pego emprestado, pois o meu estava esquecido em casa naquela semana. Fui informado que ele estava com Pinheiro, na quadra dos fundos, jogando tênis. Então fui lá.
    Eu poderia deixar na cama dele, mas não gosto. Sempre prefiro entregar em mãos quando pego algo emprestado.
    Acontece que cheguei na quadra e não havia ninguém. Chutei que estariam na ducha e me dirigi.
    Saber que Elias e Pinheiro curtiam uma amizade colorida não era nenhuma novidade, mas o que encontrei ali, era. De costas, escondido atrás dos armários, encontrei Valente, espiando o que ocorria nos fundos na área do chuveiro
    Dei uma olhada e vi Elias contra a parede, de costas para Pinheiro, tendo seu corpo banhado pelo chuveiro enquanto o major cuidava de sua retaguarda.
    Pinheiro lhe dava boas estocadas, marca registrada dele. Fazia largos movimentos, que nos permitia ver a grande extensão de seu órgão entrar e sair do corpo pequeno de Elias.
    Eles gemiam sem pudores. Eu pensei em sair dali e lhes dar privacidade, mas o voyeur de Valente me deixou curioso. Ele olhava tudo, hipnotizado, sem se tocar nem nada, só curtindo o show. Ele sequer tinha me notado ali.
    Pinheiro metia com mais força, provavelmente chegando ao orgasmo. Elias se empinava todo, pedindo mais.
    Quando Pinheiro gozou, encravou fundo, fazendo meu pequeno amigo ficar na ponta dos pés, quase sendo erguido do chão pelo seu potente pau.
    Valente então se virou para sair. Foi quando deu de cara comigo. Levou um susto e quase gritou. Ficou me olhando com cara assustada, mas eu apenas sorri pra ele e assenti. O que ele me olhou agradecido e saiu.
    Então, escuto a voz de Elias:
    - Fábio? Você também está ai?
    - Oi? Ah, desculpe. Vim te devolver isso e não sabia que... Pera aí. Vocês sabiam que o Valente estava vendo?
    Pinheiro deu uma risadinha.
    - Ele costuma vir me ver tomar uma ducha depois do meu treino de tênis. - contou. - Não sei se ele sabe. Já pensei em chamar ele pra uma brincadeira, mas achei divertido ver ele me espiando. E fiquei curioso pra saber quanto tempo ele ia ficar só olhando.
    - E há quanto tempo tem isso? - perguntei.
    - Bem... - e foi vasculhando a memória - A primeira vez que me lembro, foi quando estivemos eu e você aqui. Foi a primeira vez que percebi ele.
    - Pera aí? Ele estava aqui naquele dia... Em que eu te... - e fiz mímica para simbolizar o sexo oral.
    - Aham. - Pinheiro riu, travesso.
    - Eu também não o tinha percebido. O cara não fez um barulho sequer - Elias confessou - O major que me alertou e perguntou se eu topava fazer um showzinho privativo. Aí eu topei - deu de ombros.
    Eu não tinha o que argumentar, então apenas aceitei.
    - Onde posso deixar seu livro? - mudei o assunto.
    - Vou para o dormitório agora. Se quiser esperar, vamos juntos
    Eles foram se enxugando. Pinheiro chegou até mim e me deu um selinho. Carinhoso e sapeca.
    - E aí, Mendes. Qual a boa do fim de semana?
    - Você também já sabe? - achei que ele fosse me zoar.
    - Sei? De que? - ele estava visivelmente inocente na história.
    Elias riu.
    - O Fábio vai passar um fim de semana romântico com o Siqueira - zoou, enquanto se desviava do chinelo que eu arremessei nele.
    - Ah, não diga. Que maravilha. Finalmente meu amigão se declarou - e me abraçou.
    - Ele não falou nada, na verdade - expliquei.
    - Claro que falou. - Pinheiro me corrigiu - Você não esperava que ele fosse usar palavras, né? - e riu - Mas que maravilha.
    E me apertou.
    Senti uma reação em seu pau. E ele mesmo me largou.
    - Opa. Deixa eu me afastar. Não posso ficar excitado com o amor do meu parceiro.
    Ele e Elias riram a vontade e eu aceitei a zoeira. Até porque não tinha muito o que eu fazer.
    Então, o fim de semana chegou. Sábado, fui cedo para minha casa para arrumar umas coisas e já levei a mala que eu usaria na semana seguinte no colégio.
    Minha mãe me olhou bem nos olhos. Eu senti que ela ia dizer algo, mas se limitou a sorrir, me abraçar e desejar que eu me divertisse
    Agradeci muito aquele gesto, pois meu rosto estava queimando. Não era acostumado a me sentir tão vulnerável. E ainda não sabia bem como me comportar a respeito.
    Meu pai me ofereceu carona. Mas ela achou melhor eu ir de UBER. Outro gesto que eu agradeci imensamente.
    Fui, ainda perdido. Siqueira me recebeu de braços abertos e eu adentrei sua casa.
    Mas toda a minha apreensão sumiu, quando conheci a senhora Paula Siqueira, mãe de Gabriel. Uma mulher extremamente agradável.
    Serena, carinhosa, ela tinha os olhos claros e os cabelos em um castanho escuro. Bastante lisos e finos. Seus cabelos eram novos, recém nascidos após a queda causada pela quimioterapia. A relação dela com Gabriel era uma coisa linda de se ver. Ele era simplesmente outra pessoa perto dela.
    O garoto que eu via apenas em vislumbres, era assim por inteiro quando estava com sua mãe.
    Paula era como uma praia calma e deserta. Daquele tipo de pessoa que tranquilizava o ambiente onde estava. Não era à toa que ela era o alicerce que sustentava aquela família, dada a relação de Siqueira com seu pai.
    Passamos uma tarde agradabilíssima, cheguei até mesmo a ficar triste quando tivemos de a levar para a casa da irmã, onde o marido iria buscar para viajarem.
    Descobri que Gabriel também já tinha carteira de motorista, só não era tão aficionado por isso tal como Soares ou praticamente qualquer garoto de sua idade. Apenas a usa em horas de necessidade
    Voltamos em silêncio da casa dos seus tios. Ele estacionou o carro na garagem e olhou pra mim
    Engoli em seco. Fiquei sem reação.
    - Parece que a casa é só nossa agora - informou.
    - É mesmo - respondi ansioso.
    Siqueira então se inclinou até mim e me beijou. Um beijo carinhoso, suave. Retribuí.
    Olhamo-nos e ele sorriu.
    Entramos na casa, ele fechou a porta e pediu que eu esperasse na sala, pois queria fazer uma coisa
    Subiu correndo e eu fiquei curioso. Mas esperei. Andei de um lado para o outro, observando a decoração do lugar. Tudo muito limpo e arrumado. Quando ouvi os passos dele descendo as escadas, me surpreendi.
    Siqueira vestia uma farda de gala, diferente das que costumeiramente usamos no colégio. O tecido azul marinho estava brilhando de novo, e os detalhes impecáveis.
    O material melhorava o porte do seu corpo já musculoso e em seu peito estavam os brasões da República de um lado e do Pracinhas em outro.
    - Nossa - exclamei.
    - Gostou? Essa é minha farda para a formatura. Daqui há pouco mais de um mês.
    - O tempo voou. - Observei
    - Verdade. Parece que foi ontem que eu conheci um garoto marrento que ia me dar muita dor de cabeça.
    Eu ri.
    - E quem diria que esse mesmo garoto marrento ia me dobrar, afinal - completou, batendo continência pra mim - A seus serviços, capitão Mendes.
    A postura, a roupa, a servidão. Esses elementos juntos me encheram de desejo. Lambi os lábios e andei até ele. Postura impecável, porte majestoso.
    - Mas não foi só você que foi dobrado, Major. Afinal, você venceu ao fim - e sorri - Tenho de admitir. Ninguém em todo aquele colégio, nem em toda a vida, me fez gozar como o senhor fez.
    Seu sorriso satisfeito foi contido. Seus olhos brilharam, mas ele manteve a posição.
    - Por isso mesmo, merece uma recompensa.
    E fui o circulando, avaliando o todo.
    Parei em sua frente e fui desabotoando sua gandola. Com cuidado, calmamente, revelando a camisa branca que ele tinha por baixo. Deixei assim. Afinal, a farda fazia parte da fantasia. Então desabotoei sua calça. Abrindo e a deixando descer. Amparada apenas pelo volume de suas coxas.
    Caminhei lentamente até suas costas e arriei um pouquinho da cueca, mostrando apenas parte das nádegas.
    Então, sem dizer nada, o conduzi até o sofá. O pus de quatro. Ele, dócil e obediente, esperou calmamente enquanto eu arriava sua cueca, desnudando sua bunda.
    Tirei meu chinelo e alisei em minha mão. Parei ao seu lado e ele olhou para trás, fitando-me com olhos em brasa.
    Veio a primeira chinelada. Ele mordeu o lábio, um meio sorriso brotando em seu rosto.
    - Estamos só nós dois agora, Gabriel. Não precisa se conter.
    Segunda chinelada. Dessa vez ele ganiu. Elevou o rosto e respirou fundo, se abrindo mais e empinando a bunda para trás. Seu pau já estava duro.
    Mais uma. E outra. Ele gemeu, fechando os olhos como quem degusta uma iguaria.
    - Você está ficando mole, Mendes. - atiçou.
    Eu sorri e dei uma mais forte. O estalo foi alto e ele gemeu mais. Toquei sua bunda e introduzi o dedo. Seu ânus já estava dilatado, desejoso por ser penetrado. Mas eu não ia fazer aquilo agora. Ainda tinha muito o que aproveitar.
    Pelo menos foi o que eu pensei. Pois nesse instante, escutamos o som de um carro estacionar e o portão abrir
    - Merda - ele praguejou, tratando de vestir as calças.
    Conseguimos nos recompor a tempo da porta se abrir e o Almirante entrar.
    - Sua mãe esqueceu os remédios e...
    O almirante se calou a nos ver. Ver o filho em trajes do exército, mais a culpa estampando em nossa cara, foi o bastante para ele concluir o que acontecia. Acho que teria o mesmo efeito nele se ele tivesse nos pego no flagra.
    Esperei um esporro, uma bronca, uma chamada. Mas o que ele fez foi pior que isso. Pois seu olhar de desprezo para nós dois valeu mais que uma bofetada na cara.
    Em silêncio, ele subiu atrás do remédio. Eu e Siqueira ficamos de cabeça baixa. Eu tremia. Era incrível como aquele homem era capaz de fazer os outros se sentirem pequenos perto dele. Se a mãe de Siqueira era como uma praia calma, Ivo era uma tempestade.
    Siqueira também tremia, olhando fixo para o chão. Eu queria dizer algo para ele, mas fui incapaz. Não sabia o que falar.
    Mas ao fim, Siqueira não ficou quieto. Olhou pra mim, olhos cheios de convicção e mandou eu ficar ali.
    E foi atrás do pai no andar de cima
    As vozes foram altas a partir dali. Eu queria ter ido embora. Para lhes dar privacidade. Mas fazer aquilo, naquela altura, seria um ato de covardia e de traição, o qual eu jamais faria. O pior é que dava para ouvir toda a conversa.
    - Por favor, fala alguma coisa - pediu Siqueira - Sei que está desapontado. Apenas fala. Por favor.
    A voz do Almirante foi calma, porém seu tom de voz imponente era audível de onde eu estava.
    - Não tenho o que falar. Já estou acostumado a me decepcionar com você.
    Silêncio. Depois de um tempo, Siqueira voltou a falar. Sua voz era triste, porém determinada. Como um animal ferido, que não se deixaria abater sem lutar
    - Entendo. Mas o senhor podia me explicar bem o que de fato te decepciona em mim? Sou um mal filho? Não cuido bem da mamãe? Sou um mal aluno? Não tiro boas notas? Cometi algum crime?
    Silêncio. Eu já estava ficando sem ar na sala. Mas era melhor eu não ir lá em cima. Só iria atrapalhar.
    - Não faça drama, Gabriel. Não me venha com essa. Olha o respeito que você demonstra por sua farda.
    - O que tem a farda? Eu a desonrei? - e riu - Talvez eu não a esteja usando da forma correta no momento. Verdade. Como se o senhor nunca tivesse feito algo assim para mamãe.
    - Olha a boca - O almirante o advertiu.
    - Por quê? Falei alguma mentira? Me diga, pai. Se eu estivesse com uma mulher hoje. O senhor sentiria decepção? Teria sido melhor?
    Silêncio.
    - Diga - ele insistiu
    Mais silêncio.
    - Diga! - Sua voz estava mais enérgica.
    Mas ainda assim não foi respondido.
    - DIGA!!!
    Seu grito ecoou pela casa. Eu dei um pulo do sofá, tamanho o susto
    A resposta do Almirante, entretanto, saiu num tom tranquilo.
    - Sim. Se fosse uma mulher, não me causaria nenhum desgosto.
    As vozes pararam, parecendo que os dois nem mais estavam no andar de cima.
    - Obrigado - Siqueira falou enfim - Obrigado por deixar bem claro que o problema não sou eu.
    Siqueira riu. Um riso contido, doloroso, mas também carregado de alívio.
    - Eu me esforço tanto... Mas não vai adiantar. Eu posso ser um militar modelo. Posso ser um herói de guerra. Posso salvar a pátria. Posso SALVAR A MERDA DO MUNDO. Que não ia adiantar. Você ainda sentiria vergonha.
    Siqueira teve uma crise de riso. Se não o conhecesse, julgaria que tinha enlouquecido.
    - Sorte sua mãe não estar aqui para ver essa vergonha.
    O almirante falou cheio de repulsa.
    - Sorte a mamãe existir - Siqueira o corrigiu - Pois somente ela pra me fazer aguentar o senhor por tanto tempo. Mas sabe... Pelo menos todo meu esforço valeu a pena. Passei na prova pra engenheiro naval. Ano que vem, sairei daqui. Meu esforço para agradar o senhor me valeu. Pois realizei um sonho. Mas essa conquista não será mais sua. Não será mais por você. Será por mim. Por mim e pela mamãe.
    - Se prefere assim. Tudo bem. Pode não acreditar, mas fico orgulhoso. Não é a área que eu queria pra você, mas...
    - Mas você não decide sobre minha vida - Siqueira o cortou - Talvez eu nunca seja Almirante. Talvez nunca seja um militar melhor que você. Mas serei muito bom. E serei muitas coisas melhor que você. Serei melhor ser humano que você. Serei melhor pai que você.
    Nesse momento, foi a vez de seu pai soltar o riso. Era uma pena, mas a primeira vez que ele demonstrava algum sentimento, era apenas desdém.
    - E como pretende ser pai? - falou com aquela frieza capaz de cortar mais fino do que uma lâmina
    Mas a resposta de Siqueira foi no tom a altura.
    - Bem-vindo ao século XXI, almirante. Sim, eu posso ser pai. Se não biológico, de coração. Mesmo que o senhor não goste. Sim, posso amar um homem. Quer o senhor goste, ou não. Posso inclusive me casar com as honras militares com o homem que eu escolher, mesmo que o senhor faça essa cara. - parou. E quando voltou, sua voz era quase um sussurro - mas eu sinceramente preferiria que você gostasse. Pois apesar de tudo, o senhor ainda é meu pai. E eu ainda o amo.
    Silêncio novamente. Dava para ouvir o som do vento do lado de fora.
    - Agora vá - Siqueira disse por fim - não vou mais te prender. Mamãe te aguarda. Você cuida muito bem dela. Pra isso pelo menos o senhor ainda serve.
    Escutei o som das escadas e me voltei a prontidão. Mas o almirante passou por mim como se eu não existisse. Entrou no carro e saiu.
    Logo em seguida, escuto os passos de Siqueira. O vejo descer decidido, olhos vermelhos, respirando como um touro.
    - Siqueira, eu... - tentei falar, mas ele me cortou.
    - Cala a boca - ordenou, me envolveu em um abraço forte e me beijou - Cala a boca pelo menos uma vez, Fábio.
    Foi jogando seu peso contra mim, enquanto me beijava. Aos poucos, fui sendo subjugado pela sua força e pelo prazer que ele me proporcionava. Seus beijos ávidos, suas mãos atrevidas, apertando minha carne e me agarrando com precisão.
    Fui caindo, sendo amparado por ele e posto deitado no chão. Puxou minha blusa, atirando-a para um lado. Desafivelou meu sinto, e em três puxões arrancou minha calça. Depois minha cueca.
    Tentei ajudar, mas não pude, pois ele mesmo não parecia ter precisão em seus atos, tantas as emoções conflitando em seu corpo.
    Ele se ergueu e foi tirando as próprias roupas, atirando-as pela sala. Quando nu, deitou novamente por cima de mim, abriu minhas pernas, atirando-as por sob seus ombros, e encravou fundo em mim.
    Nem tive tempo de sentir qualquer desconforto, tamanha sua obstinação. Fiquei hipnotizado por seus olhos fixos em mim.
    Rosto centímetros do meu, soltando baforadas quentes enquanto metia como um animal no cio. Seu pau entrava com violência e eu me agarrava a ele, sentindo o órgão escorregar para dentro e sair. Escapuliu algumas vezes, deixando aquele vazio que logo era preenchido por mais uma encaixada potente e precisa.
    Gemi muito. Gemi alto. E ele gostava de ouvir. Queria que eu fizesse barulho. A casa era nossa. O prazer também. Seria nosso recado para aquelas paredes de que não sentíamos vergonha do que tínhamos. E não seria a presença autoritária do Almirante que castraria isso.
    Soltei meus gemidos que se assemelhavam o de uma pessoa sendo apunhalada. Pois era isso que Siqueira estava l comigo. Enfiando seu pau como uma lâmina dentro de mim. Brutal, forte, mas muito eficiente. De uma maneira que qualquer forma de dor ou desconforto era completamente eclipsada pelo prazer de ser subjugado no chão por um homem daqueles. Forte, decidido e muito bonito.
    - Te amo, Fabio - falou entre umas estocadas e outras, me olhando daquela forma brutal e repleta de desejo.
    - Eu... - mas ele me beijou de novo. Não me deixando falar.
    - Cala a boca. - mandou de novo. - Pelo menos uma vez, fica quieto e deixa eu me expressar. Eu te amo. E é isso que me importa. Não tenho mais medo de dizer.
    Continuei recebendo suas metidas, com meu corpo envergado para trás, minhas pernas em seus ombros.
    Ainda bem que fui desobrigado de falar, pois sinceramente não sabia o que dizer. Então apenas gemi. Agarrei seus ombros e gemi, sentindo seu pau entrar cada vez mais.
    Seu saco bater contra minha bunda e o peso de seu corpo me esmagar contra o chão.
    - Te amo. Como é bom ouvir você gemer assim.
    E me beijou de novo e, dessa vez, seu corpo apertou meu pau. Comecei a gozar sem controle
    Siqueira olhou maravilhado e foi metendo mais rápido.
    - Isso. Goza. Prova pra mim que ninguém nessa merda de mundo te faz gozar mais do que eu.
    Eu já não responderia, mesmo que quisesse. Estava caído no chão, braços abertos. Siqueira ergueu o tronco, mantendo minha cintura bem segura em suas mãos e metendo mais.
    Eu estava ali, entregue, cintura erguida sendo comida com voracidade. Tendo o tronco caído no chão. Olhava o teto, anestesiado. Sentindo seu pau entrar em sair enquanto meu corpo ainda sofria com os espasmos do orgasmo.
    Foi sua vez. Trincou os dentes, rosto vermelho, me agarrou e gozou dentro. Vi seus músculos enrijecerem tão forte, que pude perceber uma veia saltando na altura do bíceps direito.
    Siqueira soltou o ar, olhando o teto, parecendo que sua alma havia saído do corpo por alguns segundos.
    Então voltou a deitar, cabeça no meu peito, corpo de lado.
    Naquele instante, ele deixou de ser o homem valente que encarou o Almirante e me dominou no chão, e tinha voltado a ser o garoto que precisava de um abraço
    O abracei, afagando seus cabelos molhados. Apertei seu corpo contra o meu e fiquei em silêncio.
    Pois sabia que era tudo o que ele precisava naquele momento.
  • COLÉGIO PRACINHAS - CAPÍTULO 3 – DECLARAÇÃO DE GUERRA

    De fato, as rotinas no Colégio Militar Pracinhas eram massacrantes. A exigência era alta e as tarefas diárias idem. O terceiro ano assim acabava tendo menos tempo de nos passar mais trotes nas madrugadas, o que em certo ponto foi bom. Pelo menos para a maioria.
    Pois comigo, Siqueira vivia na cola. Ao longo das semanas, mandava eu servir ele no refeitório, carregar seus livros pelos corredores. Era só me ver passar nos corredores e dava uma bronca com relação ao meu uniforme. Podia estar impecável, que ele arrumava um jeito de criticar, ou criar algum defeito, já que uma vez foi ele mesmo quem amarrotou minha blusa.
    Conversei com Pedro e Elias e todos concordaram que eu era de longe o calouro que mais sofria ataques. De acordo com eles, nenhum outro veterano os obrigava a fazer as coisas que Siqueira me obrigava. Nesse momento, tive de reservar meu olhar de censura para Pedro, pois me lembrava muito bem o tipo de coisa que Soares o obrigava a fazer. Não comentei nada, pois não queria expor meu colega daquela forma. Quando ele quisesse falar, eu ouviria. Não antes.
    Pelo menos as noites não eram interrompidas. Mas era lógico que esse momento de trégua pouco ia durar.
    E os dias vieram de fato, passamos por alguns novos trotes. Eram exercícios físicos intensos. Corridas em torno de toda a dependência do colégio, barras, flexões, polichinelos e uma nova modalidade de queimado em que só um lado arremessa a bola enquanto ao outro cabe apenas fugir. Não preciso entrar em detalhes de quais participantes estavam em cada lado.
    Mas até ai, trotes que eu podia considerar leves. Sem grande humilhação ou violação. Porém, o dia chegou. Foi numa noite que a sirene de nosso alojamento tocou e o terceiro ano adentrou. Siqueira, obviamente a frente.
    - Bem recrutas, hoje os camaradas aqui resolveram fazer uma brincadeira diferente, com alguns selecionados apenas. Então, por favor, os felizardos que eu anunciar irão nos seguir, e os demais, voltem a seus aposentos e descansem. Santos, Pascoal, Albuquerque, Lima, Pereira e Mendes
    E saíram. Pedro havia se safado, mas Elias, cujo sobrenome era Pascoal, teve de ir comigo e os demais recrutas eleitos. Fomos até a quadra, fortemente iluminada pelos holofotes. Lá, os do terceiro ano fizeram um círculo em torno de nós. Então, chegou Siqueira, com as mãos para trás, relaxadamente.
    - Muito bem, novatos. A brincadeira hoje, diferente de todas as outras, vai trabalhar um elemento muito importante para qualquer soldado, em especial em situações de guerra: a sorte
    Ele mostrou dois dados de seis lados.
    - Esses dados, irão escolher as duplas, e esses... - Ele ergueu a outra mão mas não a abriu - irá traçar seus destinos.
    Os caras do terceiro ano seguraram os risos.
    - Mathias, apresente-se - Pediu e um rapaz alto e esguio chegou com uma bandeja.
    - Mendes, meu subordinado, venha aqui - chamou e eu obedeci. Siqueira pôs os primeiros dados em minha mão - lance.
    Eu fui e joguei os dados na bandeja. Tirei um 1 e 3. - Muito bem - Siqueira consultou na lista - Santos e Albuquerque, cheguem mais
    Eles vieram ao centro e ficaram de frente um para o outro. Siqueira pôs em minha mão mais dois dados, mas a manteve fechada.
    - Lance - e sorriu maliciosamente
    Eu joguei e os resultados foram. Beijar e cabelo
    - Porra, Mendes. Tu é sem graça até na sorte. – ralhou comigo - Bem, vamos lá. Santos, você viu. Pode fazer no Albuquerque
    A cena em si foi engraçada, pois Albuquerque tinha a cabeça raspada, então não sobrou nada a fazer além de Santos dar um beijo na testa dele.
    Todos riram, inclusive eu.
    - Bem, Mendes. Agora o troco. O que Albuquerque fará?
    Lancei novamente os dados e o resultado foi lamber e peito
    O terceiro ano urrou em comemoração.
    - Agora sim - Siqueira veio e levantou a blusa de Santos - vai lá garotão, dá uma lambidinha
    Sem graça, mas levando na farra, Albuquerque se inclinou e passou a ponta da língua no peito do colega.
    Uma salva de palmas soou. Siqueira mandou todos voltarem
    - Pois bem senhores, esses dados representam o número pelo qual foram chamados no dormitório, e esses dois, se referem a ação que vão ter de fazer um no outro. Simples, não? Ótimo. Vale lembrar que um lado de cada dado desses, possui uma interrogação. Essa interrogação determina que nós, veteranos, escolheremos que ação será executada ou qual parte do corpo atingida
    Soares então se colocou a frente e pegou os dados, assumindo o discurso:
    - As ações são: lamber, beijar, acariciar, bater, cheirar e interrogação - e pegou o outro - e as regiões são: cabelo, peito, bumbum, boca, pau e interrogação. Que comecem os jogos.
    E lançou os dados numéricos.
    Santos novamente e Lima. E depois as tarefas.
    - Eh, Santos. - Siqueira achou graça - Sua vez de pagar uma prenda. Vai levar um tapinha na bunda. Arreia a calça.
    Santos virou de costas e arriou, exibindo a bunda. Mas o tapa de Lima foi tão sem graça que na hora todos protestaram. Confesso que até eu não gostei.
    - Recrutas, vamos fazer um acordo - Siqueira anunciou - é pra levar a sério. Não tem moleque aqui. Então, Lima, mais um. E dessa vez com vontade, senão você vai levar um tapa de cada um do terceiro ano nessa bunda preguiçosa
    Lima dessa vez se concentrou e deu um belo tapa estalado na bunda de Santos, que deu até um pulinho. Todos urraram.
    - Muito bem. Próximos. Vamos lá. Mendes e Pereira
    Lançaram os dados, eu ia começar. Tapa e boca.
    - Foi mal, parceiro - pedi e o garoto já até fechou os olhos. Então, na farra, apontei o dedo pra ele e falei - isso é pra você aprender a parar de falar palavrão. Ai, ai, ai - e dei uma porrada com as costas da mão na boca dele. Pesei bem a força, o bastante pra deixar o pessoal satisfeito, mas com o mínimo de dor possível.
    Todos gargalharam
    - Caralho, falou igual minha mãe - falou Pinheiro, o major que na primeira noite havia dito que tinha ido com a minha cara. Isso antes de falar que também ia urinar em mim, apenas porque achava hilário.
    Os dados foram de novo e caiu cheirar e interrogação. Um 'Ihhh' coletivo pairou pelo ar.
    Siqueira cruzou os braços, olhou pra mim e pensou
    - Vamos lá, que parte do recruta Mendes você vai cheirar. Já sei: virilha
    Uma comemoração. Tudo ali parecia um grande evento esportivo, com a torcida se manifestando. Por isso escolheram a quadra, pois era bem afastada do prédio principal, onde poderiam evitar chamar atenção de alguém.
    Eu tinha de admitir, apesar de tudo, aquele trote estava até sendo divertido. Zoar com os colegas, a tensão quando seu número caía. A atmosfera estava ótima. Até Siqueira parecia um pouco mais agradável. Se não fosse tudo o que eu sabia sobre ele, diria que era um cara legal. Só autoritário mesmo.
    - Pinheiro, vem aqui - Siqueira ordenou.
    Os dois me mandaram abrir as pernas e arriaram ao máximo minha calça. Pinheiro puxou minha cueca, expondo a parte de baixo. Pereira ajoelhou e meteu a cara entre as minhas pernas. Quando ele já ia tirar, Siqueira o empurrou novamente.
    - Vamos lá, mais um pouquinho
    Contou até vinte e soltou. Próximos dados. Elias Pascoal e Albuquerque.
    - O que Albuquerque vai ter de fazer, vejamos - Siqueira tacou os dados. - Ahhh caralho. Mas isso é bom demais da conta - comemorou.
    Haviam caído dois interrogações. Logo, qualquer coisa.
    - Bem, nada mais justo do que você, Pinheiro, decidir o que seu subordinado direto vai sofrer.
    Pinheiro olhou Elias de cima a baixo, olhar bem maldoso. Ele tinha aquela cara de mal encarado, mas eu sabia se tratar de um farrista, estilo o próprio Elias. Só não sabia dizer se isso era bom ou ruim, dadas as circunstâncias.
    - Bem, eu vou escolher... - e Pinheiro fez mistério - dedar e cu
    A plateia foi ao delírio. Nem ouviram o meu ‘puta que pariu' que acabou saindo. Elias, mesmo sem jeito, virou de costas e arriou o short. Pinheiro pegou suas nádegas e abriu bem.
    - Vamos lá, recruta Albuquerque, sem nojinho. Se não vai ser você quem vai levar
    Mas Albuquerque não parecia sem graça, pelo contrário, estava bem animado quando se achegou, enfiou o dedo na boca e depois, cheio de saliva, foi introduzindo.
    - Com calma, rapaz - Pinheiro o repreendeu - não vai machucar o material. Eu ainda nem estreei
    Todos riram. Elias fechou os olhos, aguentando firme até o dedo entrar totalmente.
    - Excelente - Siqueira parabenizou, depois pegou a mão de Albuquerque e cheirou. - Cu limpinho, olha. Se deu bem, Pinheiro.
    Depois, quando trocaram os lados, os dados foram arremessados novamente, mas a sorte não estava com Elias. Pois ainda teve de dar um beijo no pau do Albuquerque. Sem reclamar, se ajoelhou, dando um beijo na cabeça da pica do outro recruta que a exibia bem satisfeito.
    O jogo foi continuando. Dei boas risadas e em parte até curti. Meu problema ali era Siqueira mesmo e sua tendência a querer diminuir os outros. Só não sabia dizer se eram suas atitudes naquele momento ou apenas ranço acumulado.
    Foi então que os dados voltaram e eu e Elias fomos os selecionados. Elias começaria na ação comigo, e os dados colocaram beijo e boca.
    Um grande coro de contentamento se fez. O pessoal foi à loucura. Começaram a cantar 'beija, beija, beija'
    - Aí Pascoal. Vai lá e dá uma bitoca na boca do Mendes, vai. Sei que tu curte - Siqueira bateu em seu ombro, acompanhado das risadas dos demais alunos. Até os calouros ali zoaram. Eu não gostei muito. Não pelo beijo, mas porque percebi que meu amigo começava a ficar sem graça.
    Ao fim, Elias deu de ombros. Chegou perto de mim parou, mas só deu só um estalinho. Obviamente o público reagiu contra. Tentando ajudar, eu sorri pra ele e o puxei.
    - Vem cá, bonitão - brinquei com ele e o beijei. Mas beijei com vontade. Pegando sua nuca e entrelaçando sua cintura. Enfiei a língua com tudo. A galera ficou muda. Quando terminei, Elias estava sem fôlego e eu também. A boquinha até que era gostosa. Macia. Até Pinheiro comentou.
    - Caralho, até eu perdi o fôlego agora
    - Aposto que o recruta ficou de pau duro. Mostra, mostra, mostra - Siqueira puxou e os demais do terceiro ano o seguiram. No fim, Elias teve de arriar a calça e mostrar o pau. Estava realmente inchado e logo todos o zoaram. Elias era um cara bem tranquilo. Mas os assédios seguidos estavam começando a deixar ele sem graça.
    - Pessoal - eu intervi - não é culpa do cara. Eu simplesmente beijo bem pra caralho, só isso - chamei as atenções pra mim, todos riram, tirando os holofotes do meu companheiro.
    - Ihhhh. Olha o cara ai - Pinheiro zombou. Então eu me aproximei dele e falei cara a cara
    - Quer experimentar? - Usei meu melhor jeito marrento.
    - Ihhhh – novamente. Mas desta vez estavam mais tensos e ansiosos
    Mas eu não dei tempo dele responder. O peguei e o beijei também. Ele não me empurrou. Todos salvaram de palmas.
    - E aí, major. O que achou? - Soares quis saber.
    Pinheiro olhou pra mim, lambeu os lábios e sorriu.
    - Eh, o cara manda bem sim
    Ai foi a festa, um escândalo. Até Elias riu de novo. Fiquei feliz.
    - Ah não, agora até eu quero experimentar - Soares veio e me beijou. Não o beijei com a intensidade que fiz com Pinheiro, até por que ainda não gostava do que ele tinha feito com Pedro. Mas aceitei. Nesse momento, o caos estava lançado, todos saíram de suas posições, zoando e brincando. Levei mais uns dois beijos nessa brincadeira. Porém, quando, no meio da farra, Siqueira veio me beijar, eu virei o rosto. Quando seus lábios tocaram meu rosto, sua expressão, de divertida, mudou na hora. Ninguém em volta notou, dado a bagunça. Eu e ele nos encarávamos sérios. Podíamos até sentir a tensão que passava entre nossos olhos, como descargas elétricas.
    Foi aí que chegou alguém. Era o zelador. Todos se organizaram. Ele reclamou do barulho e mandou todos os alunos voltarem aos seus dormitórios. Não olhei para trás durante meu trajeto, pois não queria encarar a expressão de fúria de Siqueira.
    Mas eu sabia que não poderia fugir dele muito tempo. Na verdade, na noite seguinte, fui mandado para limpar seu quarto. Siqueira era um homem organizado, então limpar não era um trabalho muito complicado. Mas o tempo pareceu se arrastar enquanto eu fazia, dado o silêncio opressor que se instalara. Ele ficou todo o momento estudando, sem sequer olhar pra mim. Seria ótimo, se tal silêncio não me causasse maior desconfiança a respeito do que estaria ainda por vir.
    Por último, arrumei sua mesa, com ele ainda estudando concentrado, limpei seu porta incenso, que havia sido usado há pouco. E por último, peguei o saco de lixo de sua lixeira e fui saindo. Porém, antes de atravessar o portal, ele me chama:
    - Mendes
    Eu parei, praguejando pra mim mesmo.
    - Entre e tranque a porta - mandou e eu obedeci
    - Virar e sentido
    Virei e bati os calcanhares com força.
    Siqueira levantou e caminhou até mim. Reparei que seus olhos estavam um pouco vermelhos, não sei se de raiva, tristeza ou outra coisa.
    - Descansar - mandou e eu fiquei em posição.
    Continuou me olhando de cima a baixo.
    - Tira a camisa
    Eu olhei bem pra ele, então obedeci. Ele passou a mão no meu peito, apertando o mamilo. Seu um soco no meu peito, nada grave, apenas como se estivesse conferindo a rigidez dos músculos.
    Depois passou a mão e enfiou ela por dentro de minha calça de moletom. Apertou bem meu pau
    Continuei o encarando, sem piscar.
    - Você ainda tem esse olhar - estudou, com um pouco de indignação.
    - O que o senhor deseja de mim, major? - Perguntei com a voz firme
    - Obediência, soldado - rosnou. - Só isso
    Eu estudei seu rosto, então respondi:
    - Acho que não
    - O que? - Mas ele nem teve tempo de se revoltar com minha afronta, pois eu pus as mãos em seu peito e o empurrei contra o chão. Ele cambaleou e caiu no piso. Eu montei em cima dele antes que pudesse se recompor. Peguei seus pulsos e prendi suas mãos contra o chão, e com o peso de meu corpo, mantive sua cintura onde estava.
    - Me larga, soldado. Como se atreve?
    Tentou se soltar, mas se Siqueira era forte, eu também era e não conseguiu.
    Inclinei meu corpo para frente e o beijei. Enfiando toda a língua em sua boca e o impedindo de gritar. Meu peito colado ao dele. Siqueira não entendeu nada. Primeiro fechou os dentes, mas aos poucos foi abrindo e deixando minha língua passar. Até que correspondeu.
    Seus pulsos pararam de fazer força, então eu os larguei. Introduzi minhas mãos por dentro de sua blusa, acariciando sua barriga bem definida e seu peitoral forte. Acariciei os mamilos, fazendo ele gemer. Siqueira agarrou meu ombro e minha nuca. Eu forcei suas pernas a se abrirem com as minhas e me encaixei entre elas, sentindo seu pau duro colidir com o meu por dentro das vestimentas.
    Parei então de beijar, deixando Siqueira recuperar o fôlego. Senti um gosto estranho de sua boca. O qual não identifiquei de imediato.
    - É isso que o senhor quer, major? - Perguntei, cara a cara com ele
    Siqueira não respondeu. Ainda perdido no que estava acontecendo.
    Mas eu continuei ainda assim
    - Se é o que o senhor quer, é o que vai ter - e levei a boca para seu ouvido - assim que aprender a pedir com educação
    Então levantei num pulo e o deixei ali. Peguei o saco de lixo e abri a porta para sair.
    Siqueira se revoltou, gritou e se pôs sentado, rosto vermelho.
    - Por que você não se submete? Todos aqui se submeteram. Todos passamos por isso - estava visivelmente transtornado.
    Eu apenas me virei e falei:
    - Eu não sou todo mundo
    E saí, deixando-o sozinho.
    Desci as escadas e fui ao pátio, levar o lixo até a lixeira. Chegando lá, antes de me livrar do saco, tive uma ideia e resolvi revirar o lixo. E achei a peça que faltava para explicar muita coisa. O incenso, o que Soares havia tido e tentou disfarçar, os olhos vermelhos e o gosto que senti em sua boca: era um cigarro de baseado usado. O cheiro, maconha. Como garoto nascido e criado na zona sul, conhecia muito bem aquilo.
    Guardei aquela informação com carinho, pois poderia me valer dela mais tarde.

     

  • COLÉGIO PRACINHAS - CAPÍTULO 5 – BOMBA A

    A noite havia chegado. Nem dormi para não perder a hora. Madrugada, desci de minha cama, peguei o celular que já tinha tirado da mala de véspera e saí andando na ponta dos pés.
    Consegui sair sem acordar ninguém. Do lado de fora, caminhei pelas sombras em direção aos fundos do colégio. Fugia dos poucos refletores ligados no horário. Liguei o aparelho e pus em modo avião e no silencioso só por garantia. Não queria em hipótese alguma ser pego, afinal, estava cometendo duas infrações: saindo fora do toque de recolher e portando meu celular.
    O toque de recolher era rígido. Apenas os do terceiro ano tinham autorização para circular pelas dependências do colégio após as 22h. Aos demais anos, apenas se acompanhados de um major. Normalmente, para se submeter a trotes. E embora a fiscalização não fosse das mais pesadas, as consequências sim
    Cheguei ao local indicado antes do horário que Pinheiro havia me informado. Olhei em volta o melhor lugar para me ocultar. Ao fim, escalei uma árvore e esperei, empoleirado.
    Foi quando ele chegou. O portão velho se abriu e um homem novo, talvez tivesse a idade dos alunos, vestia um casaco de marca, boné e jeans. Moreno, parecia magro, não dava para ter certeza devido ao volume do casado. Encostou na parede e esperou, calmamente. Iluminado pela luz do poste da rua.
    Chegou o primeiro aluno, era um tal de Mathias. O conhecia pouco do último trote. Foi rápido. Comprou e saiu. Não esperei muito. Depois mais dois. E mais um. E mais. Fiquei impressionado no número de veteranos que usavam aquilo ali. Mas minha presa ainda não havia aparecido, então esperei. Só desejava não ter me arriscado à toa.
    Foi quando chegou um garoto. Baixo, cabelo curto. O reconheci. Era Santos. O cara que mijou na minha cara a mando de Siqueira. Ele veio meio encolhido, olhar de quem queria pedir alguma coisa.
    - Sequela, aí, foi mal. Mas como sabe, não recebi a mesada esse mês. Você libera mais um fiado?
    - Está de sacanagem, né playboy? - O tal Sequela logo desencostou da parede. - Já é a terceira esse mês
    - Eu sei. Esse mês meu pai ficou puto e me deixou duro, mas aqui tá uma pilha e é foda ficar careta. Vai lá, libera por favor
    Sequela ao fim deu uma risada e falou:
    - Fazer o quê? Já sabe o que tem que fazer, né? - e foi botando o pau pra fora.
    - Qual é cara. Já te mamei da outra vez
    - Por isso mesmo vai ser mais fácil agora. - respondeu com malícia - Anda logo, playboy. Cai de boca - e o pegou pelo ombro e empurrou para o chão. Santos caiu de joelhos e Sequela pegou sua cabeça e puxou de encontro ao seu pau, olhando bem para os lados para não ser pego. Santos não pôde oferecer muita resistência.
    - Isso, vai. Mama playboy. Isso. Sem dentes, hein viadinho. Ou te dou um tabefe igual da outra vez. Isso... Isso... Nossa, que boquinha. Devia começar a mamar seus parceiros por grana. Nunca mais ia faltar dinheiro pro teu baseado
    Sequela segurou a cabeça de Santos e começou a meter, como se fosse um cuzinho.
    - Caralho, delicia - e riu - tu deve é gostar de mamar mesmo, né milico? Já é a terceira vez que tu vem pedir baseado sem dinheiro - ao dizer isso, pareceu refletir a respeito e levou o dedo ao queixo - hum... pensando bem. Tem razão. Já está ficando muito cara de pau. Não vou querer só uma mamada, não. Vamos lá, levanta e vira essa bunda. Vai levar umas pirocadas hoje pra aprender a honrar teus compromissos.
    Santos se levantou, mas deu um passo pra trás.
    - Qual é cara. Isso não faz parte do acordo.
    - Que acordo o quê. Fica achando que sou trouxa de ficar sustentando vicio de playboy. O caralho. Vira logo - e o pegou pelos ombros e foi empurrando em direção a parede.
    - Qual é. Cara. Precisa disso não. Mês que vem eu acerto
    - Encare isso como uma garantia - quando terminou de colocar Santos contra a parede, arriou sua calça e cueca num único puxão. E sem preliminares ou cuspe, enfiou a piroca de uma vez. Santos deu um ganido, abafando o grito com os dentes trincados
    - Nossa, delicia. - gemeu - Esperava estar mais apertado, mas tudo bem - zombou. Metendo forte logo de cara - porra, nunca comi um milico antes
    E meteu sem dó. Santos apoiado com as mãos no muro, pernas abertas e empinando a bunda. Socadas violentas, batidas que ecoavam e pareciam altas dado o silêncio do lugar. Foi rápido. Sequela logo fincou o mais fundo que conseguiu e gozou.
    - Caralho, agora sim - e tirou o pau, limpando a porra que sobrou na bunda de Santos. Pegou um baseado do bolso e entregou.
    - Aqui. Agora me deve três - e sorriu. Enquanto Santos vestia as calças, envergonhado. Sequela pensou e pegou outro baseado - toma mais um. Esse por conta da casa. Mas só faço isso porquê curti sua bundinha. Os outros três ainda vou cobrar. Agora vaza
    E Santos saiu, mas não sem antes pegar o outro produto que lhe foi oferecido.
    Quando Santos saiu, escuto a voz de Siqueira, que fez Sequela dar um pulo com o susto. Eu também e quase caí do galho onde estava. Não sabia há quanto tempo ele estava ali. Mas tratei de me recobrar logo e preparar a gravação de minha câmera.
    Imagem bem nítida. Quando Siqueira veio para a luz, a imagem de seu rosto ficou muito bem focada e eu achei graça ao lembrar do que meu pai disse quando eu havia pedido aquele celular de aniversário
    ‘O que um adolescente vai fazer com uma câmera com tanta resolução? Postar no Instagram?’
    'É papai, não é que houve uma utilidade, afinal?' Pensei comigo mesmo.
    Gravei todo o diálogo que se seguiu.
    - O que tu anda aprontando aqui, Sequela? Vou ter que cortar teu passe aqui, malandro?
    - Relaxa, major - Sequela levou as mãos ao alto em sinal de paz. Mesmo com seu jeito malandro, deu para ver que diante de Siqueira ele não era tão confiante. - Só estou negociando. Relaxa que não tem nada demais
    - Acho bom você manter esse piru dentro das calças enquanto estiver aqui
    - Sim senhor, major - e fez um sinal de sentido - mas não vamos brigar, por favor. Não quero ficar mal contigo. Diz aí. O de sempre?
    Siqueira olhou para os lados, irritado ainda, mas ao mesmo tempo constrangido
    - Sim - falou simplesmente e entregou pra ele o dinheiro. Peguei bem na câmera enquanto Sequela lhe entregava alguns maços.
    - Esses são dos bons. Minha horta particular. Só vendo para o senhor, major
    - Beleza. Termina logo e vaza - falou simplesmente.
    - Tudo bem, tudo bem. Eu já acabei por hoje mesmo - e se despediu antes de sair pelo portão. Siqueira olhou para os lados e o trancou. Depois saiu correndo com a encomenda.
    Aprovei e gravei ele saindo. Passei a câmera no panorama para mostrar que eram dentro das dependências do colégio que aquela transação estava sendo feita, então parei. Eufórico. Tinha conseguido minha arma letal que poria fim àquela guerra de uma vez por todas. Minha bomba A.
    Esperei ainda para poder descer. Queria garantir que todos os alunos já estariam em seus dormitórios.
    Então desci e fui caminhando de volta ao meu alojamento. Cuidadoso, tenso.
    Foi quando eu, chegando perto do alojamento, escuto o som de folhas secas pisoteadas. Me lancei atrás de uma árvore a tempo de ver Soares passar. Coração a mil por hora. Foi por um triz, mas ele não me viu. Respirei fundo, tentando me recompor, então, quando ele sumiu de vista, saí.
    Mas a coisa não tinha acabado. Ouvi meu nome ser chamado e meu sangue gelou de vez.
    - Fabio, é você?
    Me virei e dei de cara com Pedro, saindo do mesmo canto escuro por onde Soares tinha saído há pouco.
    Fiquei um pouco aliviado por ser ele e não outro. Mas ainda assim teria de tomar cuidado em envolver o mínimo de pessoas possíveis naquilo que estava tramando.
    - O que faz aqui? - Pedro perguntou e eu vasculhei minha cabeça atrás de alguma boa desculpa. Porém, meus pensamentos foram dispersos quando eu olhei seu rosto e vi seus olhos marejados.
    - Cara, você estava chorando?
    Minha perguntar o deixou desarmado, fazendo até mesmo esquecer o que ele havia interrogado.
    Senti raiva na hora
    - O que o Soares fez contigo agora? - E desatei em falar, já irritado - o que aquele cretino fez contigo? Fala, cara, desembucha
    Mas Pedro só gaguejava, tentando pensar em algo
    - Olha cara, não precisa esconder não. Não queria falar pra não te deixar constrangido, mas vou. Eu sei de tudo. Vi você no quarto dele na primeira noite aqui. Sei o que ele te obriga a fazer
    - Fábio...
    - Cara, não sei o que você curte, não interessa na verdade. Mas se você estiver sendo obrigado a fazer essas coisas, não vou deixar. Vamos resolver isso. Eu não vou deixar aquele cara fazer o que quiser contigo
    - Fabio, por favor...
    - Eu estilhaço a cara dele se for preciso...
    Pedro então me agarrou pelos braços e me sacudiu.
    - Fabio, para por favor - falou baixo, para não acordar ninguém do nosso dormitório. Estávamos muito próximos do alojamento e eu ia começar a aumentar o tom de voz se não tivesse sido impedido a tempo.
    - Fábio... - ele começou, meio sem jeito e um sorriso encabulado - não tem nada de errado. Soares e eu... Digo, o Henrique e eu... Estamos noivos
    - Oi? - senti que a ficha havia ficado engasgada na máquina
    - Ele... Acabou de me pedir em casamento - e pegou um anel do bolso - ele vai se formar agora e já está bem encaminhado. Com as notas dele, com certeza vai sair já empregado. E ele quer morar comigo
    Pedro estava verdadeiramente emocionado e aquilo me desarmou.
    - Eu... Eu não sabia, cara - balbuciei
    - Ninguém sabe - ele riu - e por favor, queria que continuasse assim - pediu - eu e o Henrique namoramos há três anos. Quando eu entrei pra cá, ele disse que ia garantir que eu fosse seu subordinado, pra me proteger do assédio dos demais. Desde então temos namorado escondidos.
    Eu não consegui falar, ainda tentando processar tudo. Comecei a me sentir um idiota por desgostar tanto de Soares gratuitamente.
    - Sei que não é o ideal, mas infelizmente esse colégio só entende a relação entre dois homens por meio da violação. Não por sentimento. Por isso não quero que ninguém saiba. Por favor.
    - Não... Não claro. Digo. Não vou dizer nada - eu estava sem graça e enrolando as palavras. Pedro estava começando a achar graça de minha confusão - é que... Sabe. A maneira como eu o vi te tratando no quarto... Digo... Ele te chamando de viadinho e tal...
    Pedro sorriu amarelo e falou
    - Cara, você viu tudo mesmo
    - Eu vi - admiti, pedindo desculpa com o olhar. Ele então me lançou um olhar condescendente.
    - Mas fala sério, Fábio. O que são umas palavras dessas entre namorados, né? Digo... Eu até gosto quando ele me chama assim enquanto.... Bem. Você sabe
    - Claro, claro. Por favor, você não tem que se explicar, eu quem fui um idiota - e comecei a rir. Não conseguia parar. Tive uma crise mesmo. De tanto segurar para não fazer barulho, acabou até doendo o peito. Pedro pareceu ser contagiado e também começou a rir. Fomos para o lado do alojamento e sentamos no chão, até nos recuperarmos. Quando nos acalmamos, ele falou:
    - Sabe, fico feliz de termos nos esbarrado. Digo. Fico tão feliz que queria contar pra alguém.
    - Que bom - falei sincero, passando meu braço por seu ombro e o abraçando. - Fico feliz em ter ajudado. Espero ser chamado para o casamento
    - Claro que vai. Pode ser até meu padrinho
    - Vou cobrar hein - e lhe dei um soco suave no rosto, igual meu pai sempre fazia comigo.
    - Acabou que nem perguntei - ele começou - como estão as coisas entre você e o Siqueira?
    Eu sorri e olhei para o alto.
    - Sinto que meus problemas com ele estão resolvidos
    - Que bom - falou com sinceridade, depois olhou para os próprios pés, parecendo encabulado de continuar - Ainda bem. Sabe, o pessoal do terceiro ano gosta muito de você. Henrique fala direto
    - Sério? - E continuei olhando para a lua.
    - Sim. Confesso que já tive até ciúme. Ele... O Henrique... Te acha o maior gostoso
    Olhei para ele sem saber o que responder e Pedro ainda fitava os próprios pés.
    - E... Eu também - Sua voz quase inaudível naquela frase
    - Oi? - Fiquei perplexo
    - Fábio, assim. Sei que não é a hora. Mas... ai meus Deus- ele riu, tapando o próprio rosto - Eu e o Henrique temos conversado e gostaríamos de saber... - Gaguejou, rindo como uma criança fazendo graça - o Henrique achou melhor eu falar porque eu e você temos mais intimidade e tal...
    Tadinho, ele não conseguia falar, estava muito sem graça.
    - Fala, cara. Pode falar qualquer coisa - encorajei.
    - Assim - ele tentou por outro caminho - eu... Bem... eu sou passivo, sabe. Só curto dar. E o Henrique é versátil. As vezes ele tem vontade de... Você sabe
    Meus olhos arregalaram. Tentei disfarçar a surpresa, até por que já sabia o quanto falar aquilo estava sendo difícil pra ele. O coitado parecia pronto pra cavar um buraco e se enterrar.
    - Então as vezes saímos a três. Com um cara... Ativo... Assim ele pode dar e eu... Bem, eu aproveito também... Aí Jesus. - E riu de novo - É isso. Então se um dia quiser experimentar. A gente ia curtir... Se rolasse uma parada nos três.
    E me encarou, com a cara assustada. Eu não respondi, ainda processando.
    - Eu... Ia adorar ver você comendo meu noivo e... Se você tiver afim... - Engoliu seco - Teu pau é uma delícia. Às vezes fico manjando no banho
    E depois de falar isso, deu um pulo, ficando de pé de repente.
    - Eu vou entrar e, por favor, não responda nada agora. Pensa a respeito. Estou queimando de vergonha aqui. Boa noite
    E saiu correndo, entrando.
    Eu continuei rindo sozinho na grama. Era uma pena ele ter fugido assim. Pois eu já tinha até a resposta. Mas teria a chance de falar com ele depois. Então, eu entrei e fui deitar. A madrugada havia sido mais proveitosa do que eu imaginava.
  • COLÉGIO PRACINHAS - CAPÍTULO 6 – CEDER, SERVIR, OBEDECER

    No dia seguinte, salvei meu precioso vídeo no meu e-mail e na minha nuvem, aguardando o momento em que poderia usar. Esperei, obviamente, o meu dormitório esvaziar, para não acabar esbarrando com um possível alcaguete. Mas talvez essa arma ainda demorasse um pouco para ser usada.
    A semana seria agitada, de acordo com as notícias. Pois além da iminência da semana de provas, todo o colégio seria convocado para a festa de centenário do Pracinhas. Que ocorreria em duas semanas. Cada turma seria responsável por fazer uma apresentação artística e patriótica, além de esse fim de semana ficar suspensa nossa ida pra casa, já que o evento seria comemorado no sábado seguinte, e nesse fim de semana iriamos nos dedicar na organização do mesmo. Durante a semana, iniciamos uma grande faxina das instalações. Foi puxado. Estudos, ensaios extras com a banda. Além de um ensaio da marcha que todos os alunos participariam.
    Nesse contexto, não tive tempo de pensar em minha Bomba A, e nem Siqueira teve de me atormentar. Então ficamos no zero a zero mesmo. Na quinta, eu e Elias fomos designados para limpar o vestiário dos fundos. O qual estive com Pinheiro dias atrás.
    A turma do segundo ano o estava usando, então sentamos nos bancos com nossos baldes e esfregões e esperamos eles acabarem de se banhar para então começar a limpeza.
    Eu tinha pouco contato com os alunos do segundo. Esses eram de fato mais reclusos. Não conhecia o nome de ninguém ali. Então, me limitei apenas a uma saudação geral.
    Elias e eu estávamos cansados da semana agitada, então ficamos calados mesmo, um ao lado do outro enquanto esperamos.
    Fiquei observando os alunos do segundo enquanto isso.
    Nem todos os caras que entram no Pracinhas tem alguma musculatura como eu e Elias. A maioria só vai ter uma rotina de atividades físicas aqui no colégio. E o pessoal do segundo ano estava justamente naquela fase que meu pai havia contado, do corpo começar a ganhar a forma de um militar ativo. Um abdômen definido aqui, um braço forte lá, uma bundinha empinada ali.
    Olhei para eles se banhando, reparando nessas coisas. Avaliando. Assim como Pinheiro fez comigo na tarde em que estivemos ali. Nunca foi novidade pra mim ficar nu na frente de outros homens. Vestiário, entre meus colegas, exames médicos. Nunca tive problemas com isso. Mas daí, a realmente reparar no corpo, avaliar, assim, descaradamente, sem pudores. Aquilo ainda era novidade. Mas eu estava me acostumando. E ao julgar pelos olhares que os do segundo ano trocavam entre si, era um hábito extremamente comum ali. Elias ainda estava no estágio inicial em que eu me encontrava há pouco tempo atrás. Que não tem problema de estar perto de um homem nu, mas não gostava de olhar diretamente pra um.
    Foi então que dois saíram do chuveiro mais cedo que os demais, e vieram para perto de nós.
    - Boa tarde, soldado. Dá uma licença, por favor? - Pediu e então eu me liguei que estava no caminho dos armários.
    - Pode ficar sentado, só quero pegar minha roupa aqui. - acrescentou
    Eu então apenas me cheguei para o lado e Elias para o outro. O garoto ficou entre nós, pica balançando enquanto se esticou e pegou a roupa. Elias virou para o lado o rosto e eu achei graça.
    - Vocês são calouros, né? - Perguntou o garoto, enquanto terminava de se secar.
    - Acham - respondi, olhando-o nos olhos. De fato não era comum um oficial menor encarar nos olhos um superior naquele colégio. Senti que ele ficou, por um momento, estranho. Tal como Siqueira ficava quando eu o encarava.
    - E o que estão achando? Dureza? - Falou enfim, após se recobrar.
    - Dias bons, dias ruins. Tento não me queixar. - Falei com simplicidade e sorri. O outro garoto também sorriu.
    - Estão esperando a gente terminar? - Perguntou o outro rapaz, mais alto que o primeiro e não tinha falado até então.
    - Sim, fomos designados para limpar o banheiro. Eu sou Fabio Mendes e ele Elias Pascoal
    - Prazer, Mendes. Prazer, Pascoal - e apertou nossas mãos - sou Isaías Ferreira e ele Miguel Lopes
    - Prazer Lopes, prazer Ferreira - respondi. E continuamos nos encarando. Ferreira me olhava de cima a baixo. Parecendo um tanto intrigado. Reparei que ele secava demais as partes baixas, mais enrolando que outra coisa. Lopes também só observava, curioso.
    Ficamos assim um tempo e eu achei até divertido, mas como não falaram nada, eu tão pouco. Então parei de encarar e olhei em volta, distraído, esperando passar o tempo. Os outros rapazes iam chegando e se arrumando. Também nos olhavam. Senti Elias um pouco tenso, provavelmente achando que fosse vir alguma graça dali. Afinal, eles eram sargentos, logo, eram nossos superiores e sim, poderiam nos dar ordens como não havia ninguém do terceiro ano ali. Mas não estavam acostumados aquilo e eu estava bem relaxado. Até um pouco excitado, pra dizer a verdade. Olhava seus corpos, seus músculos, seus paus. Comparando, avaliando, elogiando e criticando mentalmente. E sentia que era igualmente julgados por eles.
    Lopes então nos falou:
    - Já acabamos de usar os chuveiros, se quiserem começar por lá
    Eu agradeci e me levantei. Elias me acompanhou.
    - Assim, cuidado com o cloro. - Completou - Vi que vieram com o moletom cinza e essas calças são bem vagabundas, pra dizer a verdade - e deu um meio sorriso, como quem pensa 'vai que cola'
    Eu sorri e agradeci o conselho. Então, tirei a roupa, ficando só de cuecas. Elias, sem graça de não me acompanhar, me seguiu. Peguei as roupas do meu amigo com as minhas e levei para onde os outros estavam, para deixar em um armário.
    Passei no meio deles, sentindo seus olhares me acompanhando. Me controlei por dentro para não rir. Aquela tensão era gostosa. Dava para sentir à vontade deles de tentarem algo, mas ao mesmo tempo o medo de quem não era acostumado a ser de uma patente superior. Era diferente de estar com os do terceiro ano, que eram bem mais abusados. Senti como se eu, com minha atitude, os estivesse intimidando e sim, era uma sensação muito prazerosa. Enquanto passava por alguns, pude observar algumas picas inchando, erguendo. Até esbarrei em umas pelo caminho, sem me importar. O máximo de ousadia foi quando senti uma mão passar na minha bunda, outra pegar no meu pau. Mas não passou disso e eu fingi não ter notado. Voltei, recebendo outra acariciada nas nádegas no caminho. Se eles não tentariam nada. Não seria eu quem daria o primeiro passo. Afinal, eles seriam os majores no próximo ano, então eles tinham urgência em aprender a comandar. Seria legal, talvez, se tivesse rolado alguma coisa ao fim, e admito que foi gostoso estar no meio de tanto homem nu e excitado. Pena não terem tido coragem de ir adiante.
    Voltei para junto de Elias e começamos a limpar o banheiro. Não olhei mais diretamente para os garotos, mas era capaz de sentir os olhares em nossa direção. Mas não foram além disso. Aos poucos, foram perdendo a coragem e se vestindo, saindo até ficarmos só eu e Elias.
    Quando ficamos sozinhos, Elias veio comentar:
    - Você também tem a sensação que os caras nesse colégio olham para nós como se quisessem nos comer?
    - Sensação? Não. Tenho certeza. – achei graça
    Ele riu também.
    Foi então que o inusitado aconteceu. O tal Ferreira voltou andando rápido, até nós. Chegou até mim e eu, que estava passando produtos no chão, parei segurando a vassoura e esperando ele se manifestar. Mas ele não disse nada. Apenas chegou, segurou meu rosto e me beijou. Mesmo pego de surpresa, correspondi, sentindo sua língua entrar. Então ele meteu as mãos por dentro de minha cueca, uma pegando minha pica e outra minha nádega. E foi massageando as duas enquanto me beijava. Estava gostoso. Eu continuei segurando o esfregão, deixando-o livre. Quando terminou, respirou fundo e sorriu pra mim.
    - Deseja mais alguma coisa, sargento? - Perguntei com naturalidade. Ainda lambendo os lábios.
    E ainda sem acreditar no que tinha feito, ele se voltou para Elias e falou:
    - Quero beijar ele também - sua voz tinha desejo, só faltava convicção.
    - Bem. Você é o sargento - dei de ombros. E ele foi em cima de Elias e foi beijando. Ferreira, dessa vez, o pegou de frente, metendo as duas mãos em sua bunda e apertando. Elias olhou pra mim, olhos arregalados enquanto o beijava. Eu fiz careta e dei língua pra ele, fazendo-o rir.
    Quando Ferreira parou, ficamos os dois olhando pra ele. Ele sorriu sem jeito e saiu. Parece que o rompante de coragem dele durou pouco. Mas já era um bom começo. Já foi além de qualquer outro ali e possivelmente seria o Major alfa quando chegasse ao terceiro ano.
    Quando ele saiu, me virei para Elias e disse, com ar de triunfo.
    - Não falei?
    Ele riu e ainda sem acreditar, avaliou:
    - Fico impressionado como você consegue levar de boa isso. Eu confesso que ainda fico receoso - comentou
    - Eh... - me limitei a responder, sem saber como continuar a linha de raciocínio.
    - Posso fazer uma pergunta? Pessoal? - Ele quis saber.
    - Claro - me prontifiquei enquanto esfregava o chão.
    - Assim, você e o Siqueira. O que rola? Digo. Você levou de boa esses caras todos. Mas o Siqueira é só estar perto que dá pra ver o fogo saindo dos seus olhos
    Eu ri,
    - Sério que é tão na cara assim?
    - Acham
    - Eh. Deve ser mesmo. Assim... É como eu disse, não tenho problemas com trotes, hierarquias e assédio. Meu problema mesmo é pessoa marrenta. Sabe, o que rola aqui é algo diferente. Não adianta querer explicar pra alguém de fora. Nada contra. E, sinceramente, estou curtindo. Até a ideia de receber algumas ordens e tal... sei lá. É uma brincadeira gostosa. Mas quando eu vejo pessoas tentando pisar nas outras como o Siqueira faz... Sei lá, meu sangue ferve. É da minha natureza. Sempre fui assim. Então não tenho problemas em seguir ordens de ninguém. Só não fico afim de seguir as dele.
    - Entendo - acabamos as duchas e ele foi limpar os vasos. Eu o ajudei
    - Aproveitando o assunto... - eu resolvi comentar. - e você e o Pinheiro? Como é ter ele como superior direto?
    Elias balançou a cabeça, meio indeciso.
    - Ele é legal... só... Sei lá. As vezes brinca demais
    - Como assim?
    - Ah, sei lá. Fica nessas brincadeiras de dizer que quer me comer e tal. Por isso te perguntei aquilo agora. Vira e meche ele solta uma, da tapa na minha bunda, diz que eu tenho uma bunda bonita e tal. Meio foda
    - E você?
    - Eu o que?
    - Oras. O que você acha? - e sorri - assim, sabe minha opinião e de inocente acho que essas brincadeiras não têm é nada
    - Eh... Eu sei
    - Então. Você está afim de tentar?
    Ele me olhou sem entender a pergunta, depois fez uma careta como se eu estivesse dizendo alguma bobagem.
    - O que? Que cara é essa? Estou perguntando sério. Sem criancice, porra. - E sorri
    - Sei lá cara. Ainda acho esquisito isso.
    Então tive de ser o advogado do diabo
    - O cara é maneiro. Você está num lugar em que isso parece cada dia mais normal. E tenho de dizer que a pica do maluco não é nada mal - argumentei.
    Elias gargalhou, então ao olhar pra mim e ver que eu realmente falava sério, questionou
    - Fabio, você já... Você e ele...?
    - Só mamei - falei, espantado como aquilo saiu natural de meus lábios.
    Elias arregalou os olhos e então pensou.
    - Caramba - foi tudo o que conseguiu dizer.
    - Eh. Foi aqui mesmo - e apontei para os chuveiros - ele se insinuou, rolou curiosidade e eu fui
    - Sabe. Eh isso que é diferente - e riu - sei que parece bobeira. Olha, até já tive vontade de tentar. Sério. Confesso que rolou curiosidade algumas vezes - ele ria, sem jeito. Acabamos os vasos e fomos para as pias e espelhos. - Mas não sei. É que de tanto ele assediar, fica parecendo que fui obrigado a fazer isso e, sinceramente não queria assim
    Eu fiquei calado, esperando ele terminar o raciocínio
    - Entende? Digo. Até fiquei tentado. Agora mesmo, vendo você no meio daqueles caras. Fiquei de pica dura. Com medo, mas de pica dura. – riu - Até rolaria com eles. Até rolaria com Pinheiro. Só não queria que o primeiro cara que me penetrasse fosse por obrigação. Sei que é confuso, pois no fundo eu quero, então não seria obrigação, mas a forma como tudo começou... Ai caralho, estou me enrolando todo – gargalhou.
    - Não. Eu te entendo. Acho que entendo totalmente o que você está falando. Na verdade, somos muito parecidos. Nada contra obedecer, se submeter, desde que isso parta da gente. Acho que nós não conseguimos abrir mão de nossa autonomia assim tão fácil
    Ele riu.
    - Bem isso mesmo.
    Eu sorri e continuei limpando a pia, até que um pensamento maldoso passou pela minha cabeça. Eu o olhei pelo reflexo do espelho e lambi os lábios.
    - Assim, tem uma maneira de resolver seu problema - tentei parecer o mais desinteressado possível. Obviamente, sem sucesso
    - Como? - Ele não levantou o rosto, terminando de enxaguar a pia
    Eu me virei pra ele e tentei.
    - Oras, Pinheiro não precisa ser o primeiro. Certo?
    Ele riu, então pareceu ter caído a ficha. Depois se virou pra mim, parecendo perceber só agora como eu estava perto dele.
    - Como assim? – Perguntou, me olhando nos olhos. Eu sabia que ele tinha entendido, então sorri, dei um passo à frente e lhe dei um beijinho nos lábios. Adorava a boquinha macia de Elias.
    - Dá pra mim - sugeri
    Era muito gostoso ver a carinha de confuso dele. Elias era uma rapaz muito bonito, cabelos encaracolados, olhos mel, rostinho de garoto. Olhar ele de cueca, aquele corpo definido, bem torneado, quase sem pelos, dava um tesão. Rosto de menino, corpo de homem. Uma mistura deliciosa.
    E beijei de novo, ele fechou os olhos, deliciando-se. Deu um risinho.
    - Está de zoa comigo?
    - Não - e beijei de novo - dá pra mim - e de novo. Um mais longo que o outro. Senti ele mordiscar meu lábio no terceiro - não acho legal você perdendo seu cabacinho contra sua vontade. Deixa eu ser o primeiro. Faço com jeitinho. Aí você descobre se curte ou não
    Ele riu, mas se entregando.
    - Você faz isso por mim? - mostrou descrença.
    - Claro. Sou teu amigo. Não vou deixar aquele cara desvirginar meu amigão contra a vontade dele. Quero garantir que teu primeiro macho saiba fazer direitinho - e beijei seu rosto, testa, mordisquei a ponta da sua orelha.
    - Porra. Tu é um amigão mesmo - brincou, enquanto eu beijava seu pescoço e fazia ele gemer
    - Fazer o que. Sou assim - e sorri, mordendo seu queixo - sou um cara legal - e fui descendo, chegando ao seu peito, onde chupei seu mamilo e o fiz estremecer - e tem mais - fui lambendo devagar, e passando a mão por seu tronco, sentindo a pele ouriçada - eu nunca fiquei com um cara antes. Fui arriando sua cueca - o Pinheiro foi só uma mamada. Mas o que vou fazer contigo agora, é a primeira vez pra mim também
    - O que você vai fazer? - Sua voz fraca, distante
    Eu então ergui e o levantei pelas axilas. O pus sentado na pia, terminei de tirar a sua cueca, jogando ela para o lado, então voltei a beijar ele.
    - Cara... Ele gemeu, não tive a oportunidade de falar antes... Mas tu beija bem pra caralho
    Eu o olhei nos olhos e sorri. Já tinha ouvido aquilo antes, mas da boca dele foi especial. Continuei beijando e descendo novamente, peito, barriga, até que cheguei em seu pau e abocanhei tudo.
    Elias não era mal dotado, mas não se comparava ao pau de Pinheiro. Então engolir tudo foi fácil.
    O moleque pôs as duas mãos em minha cabeça, segurando enquanto gemia mais alto. Abri suas pernas e as ergui, tendo melhor acesso ao orifício. Enfiei a língua. Lambendo as paredes e então introduzindo no buraco.
    Lambia e parava, admirando. Bundinha lisa, ânus fechadinho, piscando...
    - Cuidado, maluco - ele alertou - mamãe passou talco aí - pediu, sorrindo mais solto, mais safado.
    - Relaxa, brother. Aqui é parceiro. Não vou sacanear meu irmão
    Ele riu e nós trocamos um olhar de cumplicidade. Voltei a lamber, dessa vez olhando bem para sua cara, prestando atenção. A boquinha contorcendo e os olhos semicerrados,
    Aos poucos o buraco foi cedendo. Minha língua foi entrando. Estava gostoso ficar ali, chupando seu cuzinho. E eu tinha todo o tempo do mundo, afinal, àquela hora não vinha ninguém ali.
    Mas por mais gostoso que fosse, eu queria mais. Queria o prêmio principal. Então levantei, passei uma perna sua e a apoiei em cima do meu ombro. Elias ficou apreensivo, mas fez um sinal afirmativo com a cabeça, curioso. Arriei minha cueca e encaixei a cabeça. Fiz pressão. Um pouco e a cabecinha entrou. Seu rosto se contorceu, a boca se abriu, sem emitir som alto. Fiz mais força, devagar, entrando e acompanhando seu rosto. Tanto para ver se eu estava indo longe demais, quanto por que ver ele gemendo da minha rola tava dando um prazer da porra.
    - Isso, amigão. Assim... - fui falando baixinho - aguenta, vai. Isso. Caralho Pascoal, que bunda gostosa
    Ele riu
    - O que?
    - É engraçado você me chamar de Pascoal - confessou. - Você realmente se adaptou muito bem aqui. Vai dar um excelente major
    - Que bom que pensa assim - e sorri mais maldoso - então, soldado, chegou a hora de me dar esse cuzinho - e comecei a meter, entrar e sair. Cada entrada, aprofundando mais.
    - Ai... Sim... Sim senhor
    - Vai gemer na rola do seu superior, soldado?
    - Sim, senhor. - E gemeu mais, se segurando na pia para não cair. Aos poucos, fui aumentando o ritmo. A rola já entrava completa, tocava no fundo nele e saía.
    - Muito bem, soldado Pascoal - meti mais - De quem é esse rabo, soldado?
    - Seu, senhor
    E ele foi se soltando. Seus sons contidos foram ganhando força, conforme ele balançava na pia.
    - Quando eu quiser te comer, o que tu vai fazer, soldado?
    Ele sorriu.
    - Te darei, senhor
    Que cu apertadinho, uma delícia ver Elias abertinho pra mim levando rola. Então maldei mais e fiz uma outra pergunta.
    - E o que você vai fazer se Pinheiro quiser te comer?
    - Não darei, senhor
    Então dei um tapinha no rosto dele e ele me olhou surpreso
    - Errado, soldado - sibilei - se ele quiser, você vai liberar essa bunda pra ele também. Vai gemer na rola dele igual está gemendo na minha
    Elias me olhava fixamente, um rosto sedento e esperançoso.
    Me inclinei pra frente e o beijei, sem parar de meter. Corpos suados.
    - Acabou a palhaçada, soldado. Vai virar homem. E homem que é homem não foge do desafio. Você vai dar pra ele quando e como ele quiser. Não por que ele quer, mas porque eu mandei. De hoje em diante, você se reporta a mim, ouviu bem soldado?
    Elias sorriu, gostando do jogo
    - Sim, senhor
    - Quando Pinheiro quiser te comer, o que você fará?
    - Darei, senhor
    - E vai gemer gostoso?
    - Sim, senhor
    - Muito bem, soldado - e o beijei novamente
    Me afastei de novo, para poder ter uma visão melhor da minha pica entrando e saindo. Segurei pelos pés e abri mais suas pernas, entrando e saindo com lentidão para acompanhar cada mudança.
    - Gostoso - ele gemeu baixinho. Acho que pensou em voz alta, pois me olhou com cara de sem graça.
    - Repete - mandei. Tinha adorado o som das palavras em sua voz.
    - Gostoso - repetiu, com um sorrisinho. - Mendes. Tu é muito gostoso
    Meti mais e ele se contorceu
    Agora meti com força, sem pena, até gozar. Não tinha mais como controlar. Minhas pernas balançaram. Meus músculos todos se contraíram. Eu gemi alto e grosso, tentando me estabilizar diante do turbilhão de sensações. Recobrei, mas não tirei a pica, fui deixando lá enquanto massageava o pau de Elias, duro e babado. Continuei metendo, devagar, enquanto o masturbava. Os olhos mel dele brilhavam contra a luz, enquanto sua boca ia se contorcendo. Mais e mais, ele levava as mãos a frente, alisando meu peito, braço, ombro. Tudo de forma débil, sem controle. Gemeu mais, e mais, contraiu as pernas e apertou o cu em torno do meu pau. Foi quando gozou muito farto. Um jato foi tão forte que atingiu o vidro atrás dele. Rimos juntos do som do esperma colidindo com o vidro. Nos beijamos mais e eu o ajudei a levantar. Suas pernas estavam bambas, mais que as minhas.
    Trocamos olhares em silêncio, avaliando a situação.
    - Caralho, moleque - falei enfim - que bunda
    - Valeu - e sorriu - Quero mais
    - Vai ter. Também estou doido pra meter em tu de novo - e beijei o pescoço de novo. - Mas temos de ir
    Era tarde, começava a escurecer. Corremos em terminar de limpar e tomamos logo banho. Então saímos.
    Encontramos um rapaz do terceiro no caminho, que perguntou onde estávamos. Informamos que tínhamos ido lavar os banheiros e mostramos o material de limpeza em nossas mãos. Ele nos olhou com desconfiança, mas nos deixou seguir. Fomos rindo até chegar a nosso alojamento.
  • COLÉGIO PRACINHAS - CAPÍTULO 7 – TEMPOS DE LUTA E DE PAZ

    Última semana antes da comemoração do centenário dos Pracinhas. Estava exausto. Sentados no gramado do pátio, eu, Elias e Pedro tomávamos um suco enquanto relaxávamos. Um dos poucos momentos de pausa o qual nos permitimos naquele turbilhão de afazeres.
    Naquela altura, posso dizer que nossa amizade estava em outro nível. Pedro também tinha contado a Elias do casamento. E eu falei da tarde com Pinheiro e na outra com Elias no vestiário. Enfim, estávamos mais íntimos que nunca e não havia a necessidade de segredos. Exceto um, pelo menos por enquanto, que contei só para Pedro quando Elias não estava prestando atenção. Uma frase simples, que foi dita rapidamente e foi o bastante para ele captar a mensagem.
    - Diz pro Soares que eu estou dentro
    O rosto de Pedro corou, mas ele confirmou com um meio sorriso.
    Mas nossa breve paz foi desfeita quando Siqueira chegou. De longe, Elias me alertou de sua proximidade e eu me preparei. Siqueira foi econômico como de costume. Apenas me mandou ir ao quarto dele e foi embora. Eu, obediente, despedi-me de meus amigos e saí. Mas não fui para seu quarto. Pelo menos não de imediato. Aproveitei que a biblioteca ainda estava aberta e entrei. Acessei meu e-mail e encaminhei o vídeo para o e-mail pessoal de Siqueira. Então, desliguei e fui calmamente ao quinto andar. Bati na porta do quarto de Siqueira e entrei quando ele me ordenou.
    - Que demora foi essa? Bateu com a cabeça e esqueceu a droga do caminho?
    Mas eu estava muito relaxado para me deixar abalar pelo linguajar rude dele. Me deliciava com seu jeito marrento, pensando como seria a melhor forma de arrancar aquele ar superior de sua cara de uma vez.
    - Apenas tive umas coisas mais importantes para fazer antes de vir aqui - informei.
    - Mais importantes? - Ele riu de escárnio - não há nada mais importante que a ordem de um superior, Mendes.
    - Tem sim - e sorri, cruzando os braços - olha seu e-mail e vai me dar razão
    - Vou olhar porra nenhuma. Estou cansado dessa sua marra. Está na hora de tu aprender ou é melhor ir logo embora desse colégio
    - Tudo bem. - Fiz de condescendente - vamos fazer o seguinte: olha seu e-mail e aí estarei a postos para ouvir o que você tem a dizer
    Ele continuou me encarando e meu olhar de deboche o estava tirando do sério. Por fim, ele abriu o notebook e foi logrando.
    - Juro por Deus, Mendes. Se você tiver me fazendo perder tempo, eu... O que é isso? - E clicou no e-mail e abriu o vídeo. Fui acompanhando seu rosto e como sua expressão saía da raiva para o ódio profundo. - Que merda é essa?
    Ele se ergueu num pulo e me pegou pelo colarinho, me prensando contra a parede
    - Seu Filho da puta. O que você pensa que está fazendo?
    - Nada, major - e sorri - o que parece?
    - Tu acha que isso muda alguma coisa? Acha que ganhou? Seu merda. Isso não muda nada. Se você mostrar essa merda, tu também tá expulso
    Eu revirei os olhos, demonstrando descrença
    - Olha, eu acho que não. Tá bom, eu até descumpri umas regrinhas. Saí do dormitório após o horário de recolher e usei um aparelho celular. Mas você acha mesmo que isso se compara ao que você fez? Siqueira. Não seja bobo
    Eu estava muito tranquilo. Era divertido ver ele explodir, enquanto eu o tratava como uma criança. Ele ainda me mantinha seguro pelo colarinho e contra a parede. E ali fiquei. Sem oferecer resistência. Então, continuei a falar no tom mais despretensioso possível.
    - Só pra constar, Siqueira, eu não sou um conservador. Na verdade, sou até a favor da liberação de algumas drogas. De verdade, juro, mas ideologias políticas de lado, eu pensei: puxa, bem que o Siqueira podia ter relevado aquele cadarço desamarrado, não é mesmo?
    Ele respirava fundo, provavelmente se segurando para não esmurrar minha cara. Ele sabia que se o fizesse, estaria perdido.
    - Você não vai ganhar nada. Não vai sequer conseguir chegar no diretor com esse vídeo - ameaçou.
    - E quem disse que eu preciso do diretor? Pra isso existe internet, meu caro. Como será que o Pracinhas vai agir diante de um escândalo desses? - E ri
    - Você vai ser expulso
    - Nesse caso, é até possível - pensei - acho que o colégio não vai gostar de eu jogar a sua reputação na lama. Mas fazer o que? Nunca quis seguir carreira militar. Esse ano mesmo, posso fazer prova pra ano que vem estar em outro colégio, tão bom quanto esse. Sou esperto, posso me virar. E, na pior das hipóteses, meus pais tem dinheiro, não vão se importar de pagar um colégio. Enfim, Siqueira, só perderei um ano. Só isso. E você? O que seu pai diria se você fosse expulso com uma anotação tão desonrosa?
    A dica de minha mãe havia sido extremamente preciosa. Foi apenas fazer menção ao seu pai para seu rosto perder a cor. Eu então tirei com calma suas mãos de meu colarinho e saí da parede. Vislumbrando meu inimigo derrotado no chão. Pensei se pisaria mais nele ou não.
    Mas alguém bateu na porta e logo depois a abriu. Era Soares.
    - Siqueira, eu... Opa. Desculpas, não sabia que estava acompanhado. - E sorriu sem jeito - na verdade eu ia justamente perguntar se você ia precisar do Fábio hoje. Se não, ia pedir ele emprestado
    - Você chegou numa excelente hora - falei, tomando a frente - Siqueira acabou já, disse que estou dispensado por hoje
    Soares olhou para o amigo, que se limitou a fazer um gesto para nos retirarmos.
    Saímos e no corredor, intrigado, Soares comentou.
    - Pedro tinha me pedido para tentar te salvar a pele, mas vejo que não precisou. O que houve lá?
    - Nada demais - respondi. Me sentia leve. Tranquilo. Sentia que finalmente estaria livre. E isso também me deixou muito excitado - então quer dizer que o lance de precisar de mim era só uma desculpa?
    Soares parou e me deu um meio sorriso.
    - Bem... Na verdade, se colasse, eu ia dizer que o Araújo tá lá no meu quarto. Se quiser ir...
    Eu sorri e o acompanhei.
    Chegando no quarto, Pedro estava sentado na cadeira e se levantou. Soares trancou e porta atrás de nós, foi ao lado do noivo e passou a mão pelo seu ombro. Pedro então perguntou
    - O que houve lá? Achei ele meio esquisito quando te chamou. Fiquei preocupado
    - Relaxa, amor - Soares o acalmou - não sei o que o Fábio fez lá. Mas parecia que o Siqueira havia encontrado com o diabo.
    - Pessoal, não vamos falar de Siqueira - pedi - agora não. Gostaria apenas de relaxar e curtir
    Soares então deu aquele sorriso safado e disse
    - Bem, se é assim, está no lugar certo
    Pedro, mais tímido, só sorriu.
    Mas eu tinha uma dúvida.
    - Antes de qualquer coisa. Queria perguntar. Na verdade, avisar. Eu nunca estive com um casal antes... Digo. Nem hétero nem homo. Então... Não sei bem como atuar
    Pedro riu e Soares tomou a frente
    - Relaxa, Mendes. Relaxa e goza
    E me deu um beijo.
    - Mas não rola ciúme? - Perguntei, enquanto ele me circulava, beijando meu rosto, minha nuca
    - De que? - Ele passou a mão na minha bunda - não querendo te desprezar, Mendes, mas não vai ser só um cara gostoso que nem você que vai me deixar inseguro
    Eu olhei para ele, gostando do seu tom confiante.
    - Confio no meu taco, soldado. E mais ainda, confio no Pedro. Isso aqui é sexo, carne. O que nós temos é mais
    E me abraçou por trás, lambendo meu ouvido. A mão, passou pela frente, massageando meu volume.
    - Você já se ligou, Mendes, que nesse colégio temos uma liberdade maior. Eu mesmo, já aprontei muito aqui. Mesmo namorando o Pedro. Ele sabe de tudo. E eu quero, sinceramente, que ele aproveite isso aqui enquanto eu não estiver
    Foi beijando minha nuca e passando a mão por dentro da minha blusa, acariciando meu peito. Seu toque era eficiente. Me deixou aceso logo de cara.
    - Imagina se eu, após me formar, ficar com ciúmes, com tanta possibilidade que o Pedro vai ter aqui? Não. Quero que ele aproveite, Mendes. De verdade. Quero que ele tenha bons momentos aqui. Quero que goze. Dê pra um bando de caras gostosos que nem você. E depois, quero que ele venha me contar. Quero que ele se gabe das picas que aguentou, dos caras que o fizeram gemer. Quero me masturbar ouvindo todas as coisas que ele vai fazer com você e com os outros nesse lugar
    - Você é um homem muito bem resolvido - constatei, de olhos fechados e apreciando suas carícias
    Soares meteu a mão na minha calca e massageou meu pau por dentro.
    - Eu só sei o que eu quero. Só isso. E você Mendes? O que você quer?
    - O senhor é o superior. Você manda - falei baixinho.
    Nesse momento ele parou, e voltou ao lado de Pedro, enlaçando seu ombro.
    - Aí que está. Hoje não. Sabe Mendes, eu estive falando com meu noivo e... Bem... A verdade é que as vezes sinto saudades de ser um calouro, sabe? De ter alguém no comando. Então... Bem, Pedro me disse que você tem muito potencial. Que dará um excelente major daqui há dois anos. Então... Encare hoje como um ensaio. Hoje eu e Araújo, seremos seus subordinados. Pra você treinar sua liderança.
    Eu sorri altivo e dei de ombros.
    - Se é assim que querem - e dei um passo a frente - assim vão ter. Soldados, sentido!
    Soares se impressionou com meu tom de voz e ele e Pedro logo ficaram em posição.
    - Descansar - e eles relaxaram.
    Andei de um lado pro outro, olhando bem seus rostos. Tinha de admitir. Estar no comando daquele jeito era excitante demais. Minha boca chegava a salivar e minha mente viajar por ideias das mais variadas.
    Então, parei diante de Pedro e perguntei.
    - Me diga, soldado. Alguma vez você viu o Major Soares entrando na rola?
    - Sim... Sim, senhor - e segurou o sorriso, lutando para se manter sério.
    - E gostou? - Continuei
    - Muito, senhor - falou convicto.
    - Muito bem. Hoje você vai ver de novo. Só que hoje, soldado, você não vai fazer nada. Não vai participar. Vai ficar aí, parado nesta posição. Imóvel, enquanto vê eu comer seu noivo. Entendido?
    - Sim, senhor
    Os olhos de Soares brilharam e Pedro respirava eufórico. Eu cheguei pertinho de meu amigo e falei cara a cara.
    - Vai ficar quietinho, enquanto eu como o major Soares. Vai ouvir ele gemer, gritar, chorar. Não importa. E vai ficar quieto. Vai me ver gozar no rabo dele e vai ficar olhando. Mansinho. Depois que eu me enjoar do seu noivo. Aí sim, se eu ainda estiver afim... Só então você terá o privilégio de ser comido também. Se não, sinto muito, mas vai ficar chupando o dedo. Fui bem claro, soltado?
    - Sim... Sim senhor
    Ele tentava segurar a euforia, em êxtase com a ideia.
    Trocaram olhares e aguardaram. Eu devia estar mandando muito bem, pois os olhos deles brilhavam. E confesso, estava adorando dar ordens.
    - Soares, um passo à frente
    Ele obedeceu.
    - Me mostre seu corpo - mandei, voz séria. Um sibilo. - Mas devagar. Não tenha pressa
    Soares foi tirando, enquanto eu caminhava pelo quarto, passando o olhar por ele e seu aposento.
    Soares tirou a blusa, a calça e por último a cueca. Como bom militar, foi deixando tudo dobrado, em cima da cama.
    Fiz um sinal com a mão para ele se aproximar. Ele ficou parado na minha frente e eu o circulei. Aquela bunda gostosa que vi contrair enquanto metia em Pedro na primeira noite estava ali, a minha disposição. Lambi os lábios, mas me contive.
    Me virei pra Pedro, que acompanhava tudo atendo.
    Cheguei nele e arriei sua calça, o deixando desnudo da cintura pra baixo. Pau duro como rocha.
    Então voltei pra Soares. Apertei sua bunda e o fui conduzindo até a cama. O pus de quatro e admirei sua bunda. Olhei dela para Pedro, que parecia um cachorrinho, ansioso e aguardando o chamado para poder brincar também. Quase deu pena, mas sabia que ele também estava cheio de tesão e ansiedade para ver como a coisa ia se desenrolar.
    Lambi sua bunda. O cuzinho piscou de imediato e eu enfiei a língua. Provando sua pele, sua carne
    Lambi tudo, sentindo entrar bem. Diferente de Elias, aquele cu era experiente. Foi cedendo mais fácil, mais dócil. Alisava suas pernas e suas nádegas, sentindo os pelinhos arrepiarem. Soares gemia. Sem pudores, sem medo. Era gostoso.
    A bunda de Soares, em si, já era suculenta, mas de quatro parecia dobrar de tamanho.
    - Me diga, soldado. O Araújo chupa este cu?
    - Já chupou, senhor. Mas disse que não curte
    Eu olhei para Pedro com reprovação
    - Que desperdício, recruta. Não sabe o que perde
    E continuei a chupar, chupei até me satisfazer. Então me levantei, tirei a roupa. Quando tirei a cueca, atirei em Pedro. O tecido bateu em seu ombro e ali ficou. Ele, obediente, não se mexeu, nem para tirar.
    Encaixei a pica, bastou uma leve pressão e o cu dele me engoliu por completo. Ele ergueu a cabeça, gemendo alto.
    - Acha. Senhor...
    Meti tudo, devagar, mas depois forte. Soares estava com os músculos trincados, dedos em garra agarrados no colchão. Gemia grosso, igual homem. Delicia. Meu corpo colidia com o dele. Sua bunda tremia a cada encontro. Agarrei sua cintura e meti mais forte. Soares olhou para trás, fazendo biquinho enquanto gemia
    - Ah senhor. Que delícia, senhor.
    - Muito bem, soldado.
    Eu já estava suando, quando tive outra ideia.
    - Vem cá, soldado - e o fiz se levantar. O coloquei de joelhos no chão, de frente para Pedro - olhe para seu noivo enquanto é fodido
    Peguei pelos cabelos e o obriguei a erguer o rosto. Meti sem dó, fazendo ele gemer de forma mais chorosa.
    - Algo que queria dizer ao seu noivo, soldado?
    - Amor... - Ele começou - me desculpe
    - Tudo bem, amor - Pedro respondeu, pau duro como rocha.
    - Mas isso é gostoso demais - e completou. Gemendo mais
    Aos poucos, perdeu as forças, deixando o rosto cair no chão. Peguei pela cintura e o obriguei a manter a bunda para o alto. Levantei e continuei metendo, dessa fez jogando meu corpo contra ele. Meti muito, sem dó.
    Levei minha mão ao seu pau e bastou algumas carícias para fazer ele sofrer espasmos e gozar. O acompanhei logo depois. Nessa hora, meu pau escapuliu de seu ânus. Meu sêmen saltou pra fora, molhando toda sua bunda. Soares caiu no chão, bunda coberta de linhas brancas. Pernas abertas, cuzinho rosado. Ali ficou, respirando forte, parecendo ainda estar distante desse mundo.
    Olhei para Pedro, que me encarou esperançoso. Eu estava suado, cansado, mas meu pau não desceu.
    Olhei para ele e para meu pau, e sorri.
    - Seu dia de sorte, soldado. Tire essas roupas e se apresente
    Pedro se despiu às pressas e ficou de quatro, ao lado onde seu noivo estava deitado.
    Eu o peguei e o fiz ficar de frente. Queria olhar seu rosto enquanto metia. Abri suas pernas e montei em cima dele de frango mesmo, enfiando tudo sem dó. Já tinha visto Pedro em ação e sabia como ele gostava de ser comido. Ele deu um gemidinho choroso. A boquinha se contorceu e ele começou a gemer manhoso. Olhou para o lado, onde Soares, ainda deitado de bruços, sorria cansado pra ele. Segurou a mão do noivo que a apertou de volta. Uma cena bonita em sua singularidade. A cumplicidade dos dois era comovente. Só então percebi que os dois estavam usando a aliança. Eles evitavam usar na escola, mas a tinham posto para estar comigo ali. As mãos unidas com a aliança no dedo
    - Vai amor. Aguenta, vai - Soares incentivava o noivo
    - Amor... Tá doendo - chorou Pedro. Todo manhoso.
    - Mas está gostoso? - Ele quis saber
    - Muito - gemeu mais.
    Não me importei de estar sendo ignorado ali. Aquele dialogo dos dois estava catalisando meu prazer. Meti mais forte, criando forças e vencendo a fadiga. Queria meter mais e mais fundo, mais forte. Ouvir Pedro chorar e ver o olhar guloso de Soares era tudo o que eu precisava.
    - Vai amor. Você consegue. Aguenta essa pica gostosa vai. Por mim.
    E Pedro aguentava mesmo. Confesso que castiguei ele. E o garoto não se atreveu a fugir. Deu o tempo todo de pau duro, sem reclamar, sem pedir pra parar ou sequer ir devagar. A fricção do meu corpo contra o seu, espremendo seu pau, o fez gozar. E ainda assim ele continuou dando.
    O meu segundo gozo demorou. E enquanto não vinha, mantive o ritmo pesado, e quando veio, veio forte.
    Eu pingava de suor, que caia todo em cima de Pedro, que já estava todo molhado do próprio. Pele negra brilhando.
    Tirei o pau e caí no chão. Tentei jogar meu corpo para o lado, para não atrapalhar o casal, mas eles não deixaram, me puxaram para o centro deles, e me envolveram. Soares lançou um braço e uma perna em cima de meu corpo, já Pedro apoiou a cabeça em meu peito.
    - Meus parabéns, soldado Mendes - Soares falou ao meu ouvido.
    - Pensei que havia sido promovido para major - brinquei
    - Acabou o recreio, soldado. Voltamos a nossas posições - e riu - Ansioso para te convocar de novo. E na próxima, eu comando - avisou e isso me deixou de pica dura de novo
    - Estou ansioso - informei
    Ficamos deitados, esperando as forças voltarem. Estava extasiado, olhava o teto pensando na vida. Quando acreditei que não haveriam novas experiências, eis que o colégio Pracinhas me surpreende. Eu, Pedro e Soares continuamos quietinhos, descansando e aguardando dar a hora dos demais alunos do terceiro ano irem para seus quartos. Só então, na surdina, fomos ao banheiro e nos lavamos. Soares nos escoltou até o meu dormitório, para não sermos pegos desacompanhados fora do toque de recolher. Então se despediu de nós e voltou para seus aposentos.

     

  • COLÉGIO PRACINHAS - CAPÍTULO 8 – FAMÍLIA

    Durante a semana que se seguiu, uma questão criava um conflito em meu interior: O que eu deveria fazer com Siqueira? Seria minha ameaça o suficiente para garantir a paz? Ou nesse um ano que lhe resta ele ainda aprontaria alguma coisa? Teria eu que por logo um fim de uma vez e me garantir?
    A festa chegou e tudo saiu como nos conformes. Muito bem organizado. Até meu tio Vitor e seu marido Lucas vieram. Meus pais estavam sentados comigo na plateia, antes de eu ter de me retirar para começarmos nossa apresentação. E foi ali, enquanto o diretor discursava, que parte do que ele falou pareceu ser direcionado a mim.
    - A vida militar é assim. Se preparar para o que rezamos jamais acontecer. Treinamos. Não desejamos a guerra, mas estamos sempre preparados para ela. Estamos sempre prontos a defender a nós, nossos entes queridos e nosso país. Por isso, quando o dia inevitável do conflito chega, temos de ser implacáveis. Ganhar não só aquela guerra, mas todas as outras que estão por vir. Garantir que algo que nos ameaçou antes, jamais torne a acontecer
    Aquelas palavras cravaram fundo em mim. Foi então que, duas filas a frente, vi Siqueira ao lado de um homem alto, cabelos grisalhos. Meu pai o havia identificado pra mim, era o Almirante Ivo Siqueira, pai de meu superior. Não vi alguém que pudesse identificar como sua mãe. Mas aquilo não me importava naquele momento.
    Então, fiz minha apresentação e as demais turmas também. Tudo correu muito bem. Lá para os finais do evento, tomei minha decisão e pedi licença para meus país. Fui atrás do confronto final. A ideia vinha sendo arquitetada em minha cabeça ao longo das apresentações. Ia acabar com aquilo de uma vez por todas.
    Mostraria o vídeo para o Almirante, e combinaria guardar para mim desde que o filho dele me deixasse em paz de uma vez por todas. O pai não iria arriscar. Não ia querer a imagem da família na lama. E Siqueira teria a lição que merecia. Xeque e mate.
    Fui para os fundos do colégio, onde os vi pela última vez. Próximo a um galpão de mantimentos. Iria fazer a curva em torno do galpão quando ouço uma voz grossa dando bronca em alguém.
    - Foi para isso que você me tirou dos meus serviços? Para ver uma apresentação de colégio? Francamente Gabriel, esperava que esse lugar tivesse te amadurecido. Mas continua sendo o mesmo maricas quando entrou.
    - Sinto muito, pai - era a voz de Siqueira. - eu sei que não gosta dessas coisas. Mas era o centenário dos Pracinhas e eu imaginei...
    - Imaginou errado. Sabe o que eu imaginei? Que tinha me chamado porque meu filho ia ser condecorado, alguma medalha. Mas não. Você não me deu esse orgulho e talvez não dê. Você só faz o básico. Nada mais. Não surpreende, não inova. Sempre acomodado. Nunca será um oficial de alta patente com essa postura. Com essa falta de pulso. Com essa falta de criatividade. Francamente, que apresentação foi aquela da turma? Você disse que ficou como responsável. E foi só aquilo que fez?
    E a coisa foi continuando. Escutar a voz daquele homem foi me dando um aperto no peito. Não sei se foi o fato de eu ter país maravilhosos e achar inconcebível que alguém trate o próprio filho daquela maneira. Ou simplesmente pela injustiça que era cometida. Pois eu teria de ser justo naquele momento, Siqueira tinha não só tomado a frente da apresentação de sua turma, como basicamente organizou todo aquele evento, ficando como responsável. Lembro que ouvi vários comentários ao longo da semana de professores e alunos falando da atuação dele e como ele foi fundamental para a organização do evento. Não estava conseguindo suportar.
    Queria que ele parasse, mas não parava. Aquele homem rancoroso, vil. Em um momento, não consegui mais resistir e saí.
    Caminhei em direção a eles. Minha chegada fez o Almirante se calar. Quando Siqueira me viu com o celular na mão, seu rosto gelou.
    Eu parei na frente dos dois e bati continência para o Almirante. Que me olhou de cima a baixo com olhar de aprovação.
    - Desculpe interromper, senhor. Gostaria apenas de agradecer seu filho antes de partir
    Ele me olhou curioso e Siqueira, incrédulo.
    - Major Siqueira, gostaria de agradecer, em nome do primeiro ano, pela grande ajuda prestada para a concretização deste evento. Minha turma não teria conseguido sem o senhor. Os professores também, todos estão muito satisfeitos com sua atuação. Sei que ficou muitas noites sem dormir trabalhando duro. Por isso. Muito Obrigado - E me virei para o Almirante - obrigado pelo tempo, senhor. O senhor deve estar muito orgulhoso
    E pedi licença e saí.
    Voltei para onde estava. Soltei o ar, pois parecia que eu estava me segurando o tempo todo. Coração acelerado. De fato meu pai estava certo e o almirante Ivo era um comem capaz de impor sua presença e intimidar, mesmo que não estejamos em situação de conflito. Foi então que o ouvi falando
    - Bem, parece que acertou em alguma coisa. Vamos pra casa
    Eu saí antes que eles vissem que eu ouvira a conversa. Voltei para meus pais e minha mãe veio perguntar o que houve, pois eu estava abatido. Falei que era apenas fome, ela me beijou no rosto e sugeriu um ótimo restaurante para comemorarmos. Eu aceitei. Meu pai me deu um tapa no ombro, parabenizando pela apresentação. Meu tio Vitor e o marido também, todos me felicitando. Ao olhar para o lado, vi o almirante e seu filho indo em direção a saída. Ele na frente, o filho acompanhando. Siqueira olhou para o lado e nossos olhares se cruzaram. Depois ele seguiu, sua expressão não me era possível interpretar.
    Tudo aquilo que disse dele era verdade. Ele de fato ajudou todos os turnos em sua apresentação. Jamais imaginei que o defenderia, só esperava não me arrepender daquilo.
    ***
    Naquele fim de semana, saímos do restaurante e comemoramos na casa de Tio Vitor. Ele morava em uma cobertura na Barra com o marido Lucas. Lucas era arquiteto, especialista em design de interiores e aquela piscina ele chamava de sua obra prima. Lembro que quando criança eu babava por ela uns minutos antes de conseguir entrar na água. A noite foi muito gostosa e fomos ficando até tarde. E eu enfim consegui calar aquela ansiedade que me acometia desde que encontrei com Siqueira e seu pai.
    Acabou que ao fim, iriamos dormir por lá e só voltar pra casa na manhã seguinte
    - Bem, já que não vou dirigir - meu pai pegou um dos vinhos na adega de Vitor - vamos brindar - e virou pra mim - Fabio, acho que você é maduro para sua primeira bebida, o que acha, amor?
    Minha mãe fingiu condescendência e concordou.
    Olhei para ela com cumplicidade, pois meu pai não sabia que na verdade, a primeira bebida minha havia sido um licor que ela me deu há uns três anos atrás.
    Estávamos todos de roupa de banho, aproveitando a noite quente na borda da piscina. Brindamos.
    A conversa foi fluindo naturalmente. A bebida foi soltando as línguas. Meu pai, mais comedido, começava a fazer piadas e minha mãe ria fácil. Eu estava à vontade. Bebendo refrigerante após a primeira e única taça.
    Eu ficava muito à vontade entre adultos. Creio que pelo fato de meus país sempre serem abertos comigo. Falando de quase todos os assuntos. O que me tornou muito precoce
    - E o Fábio, aprontando muito na escola? - Meu tio perguntou.
    - Nem consegue. Lá a disciplina e rígida - meu pai respondeu por mim. Eu apenas tentei esconder minha cara de culpado.
    - Até parece. O Fábio, malandro do jeito que é, é capaz de virar aquele lugar de pernas pro ar - meu tio argumentou
    Foi então que brinquei.
    - Não aprontei tanto quanto vocês dois, mas faço das minhas
    Meu pai, nesse momento engasgou com o vinho. Eu olhei para ele, sem entender.
    - Fábio - me chamou atenção
    - O que? Eu não disse nada demais
    - É amor, o que tem demais? - Minha mãe riu, achando graça.
    - Eu não ia falar do que você e meu tio faziam no quarto não - soltei 'quase' sem querer e depois tampei a boca.
    Agora foi a vez da minha mãe engasgar.
    - Você contou pra ele? - Minha mãe quis saber, sem acreditar.
    Vitor ficou vermelho, já Lucas ria alto na piscina.
    Como já tinha soltado mesmo, resolvi continuar
    - E falou também de você e da Camila
    Minha mãe ficou vermelha na hora e meu pai me fuzilou com os olhos. Mas não conseguiu me censurar, pois recebeu uma encarada de minha mãe que o fez encolher uns 30 centímetros.
    - Caraca, Camila - Vitor foi recordando - gente nunca mais ouvi falar dela. Aquela menina foi a única na vida que eu achei gostosa depois de mudar de time. Sem ofensa, amor - e virou para Lucas.
    - Relaxa - Lucas estava muito à vontade com a loucura.
    - Não acredito que você falou de mim e da Camila - minha mãe se voltou para meu pai
    - Alguém suspende o vinho desse garoto, por favor - meu pai pediu
    - Já faz um tempo que eu só estou no refrigerante - me defendi, mostrando o copo.
    - Ah, fala sério, mana. Qual o problema? - Vitor ponderou. - Seu marido já experimentou homem. Você experimentou mulher. Viva o amor plural
    - Eu não vou falar da minha vida sexual com meu filho. Tudo tem limite nessa vida
    - Mãe, qual é. Não era você a mente evoluída. Me deu meu primeiro gole de álcool aos treze anos – confessei
    - Fabio! - Ela exclamou.
    Meu pai então cresceu de novo. Cruzando os braços e olhando pra ela
    - Ora, ora, ora. Então a senhora também fez pelas minhas costas. E daí que contei que eu comi o Vitor. Sem querer ser desrespeitoso, Lucas
    Mas Lucas estava se divertindo na piscina e nem se importou. Mas resolveu entrar na brincadeira.
    - Relaxa. Vitor me contou tudo. Disse inclusive que seu pau é torto para a direita, é verdade isso?
    Eu gargalhei
    - Chega, chega. Já foi história demais para uma noite - minha mãe estava abalada psicologicamente. Meu pai, na farra, a pegou, colocando-a no ombro e levando pra dentro, como num sequestro.
    - Tem razão. Hora dos adultos irem pra cama
    Minha mãe gritou
    - Ahhh. Me larga. Vou cair
    Mas meu pai ignorou e foi andando
    - Irmão. Filho. Me ajuda
    - Vai lá, pai - encorajei
    - Acaba com ela, cunhado - Vitor incentivou. Meu pai ergueu um braço em sinal de comemoração e a levou pra dentro.
    - Hoje vai ter - meu tio Vitor comentou. Depois me olhou, botou a mão no meu ombro e perguntou - como você consegue se manter normal, sendo filho da Ana e do Almir?
    Eu não precisei pensar muito pra responder.
    - Acho que não sou. Essa é a questão - e os dois riram. Ele então me abraçou e me rodou em direção a piscina.
    - Fala a verdade. Meu sobrinho é um gato, né? - Perguntou, orgulhoso.
    - Muito - Lucas respondeu. Poderia ser a experiência que tive no Pracinhas, que me ajudou a detectar esse tipo de coisa, ou só o efeito do vinho que embaralhou minha percepção, e assim me fez confundir as coisas, mas achei o comentário de Lucas não tão inocente quanto deveria.
    - Tinha que ser, olha só, puxou os genes bons da família. Puxou todo a Ana
    - Na verdade... - Lucas tinha dúvidas - acho que ele lembra mais o pai
    Vitor me virou e me analisou. Vitor era todo a cara de sua irmã, rosto mais triangular, pele clara, cabelos e olhos num castanho suave e o nariz e os lábios finos. Era alto e magro, muito bem definido.
    - Que isso, amor. Ele tem os olhos da Ana
    - Só isso - argumentou, Lucas, da piscina - o resto é do pai. O cabelo cacheado, os lábios grossos, o rosto de homem
    - Tá dizendo que eu não tenho o rosto de homem? - Vitor questionou o marido
    - Não - respondeu, achando graça. Meu tio ia abrir a boca, mas deixou passar. Acho que ele ia mandar um palavrão - sorte sua que meu sobrinho está aqui
    - Pensa bem, tio - resolvi alfinetar - pode ser por lembrar o meu pai que o senhor me ache bonito
    Vitor ficou com a cara vermelha na hora e Lucas pôs a mão na boca para segurar o riso. Lucas era moreno de sol. Cabelos e cavanhaque castanho escuro. Os olhos num azul intenso que se assemelhavam ao fundo da piscina. Era mais baixo que meu tio, e mais forte. Tinha uma bunda enorme.
    - Chega de vinho pra você - Vitor decretou
    - Puxa, mas eu ia pedir mais um golinho - e matei meu refrigerante e estendi a taça - qual é tio, só um gole
    Ele pensou e então pegou a garrafa. Pôs só metade. E terminou de matar, enchendo a taça dele e de seu marido.
    Sentei na borda da piscina, dando um gole e olhando Lucas, que nadava, mas também me olhava.
    - Sabe, Fabio - Lucas começou a puxar assunto - Vitor já me contou algumas das coisas que rolam naquele colégio. É verdade mesmo? Sempre achei que ele exagerava. Pois se for, é uma Sodoma.
    Eu dei mais um gole e Vitor deu um pigarro. Lucas riu.
    - Adoro falar desse colégio, Vitor sempre fica vermelho
    - Bem, então já que é pela nobre tarefa de deixar meu tio sem graça, vamos lá - e comecei a contar.
    Contei tudo, desde que comecei. De Siqueira, do trote, do mijão. Falei de Pinheiro, Elias. Fui apenas econômico no lance da maconha. Não falei do traficante, apenas que uma vez vi um cara de fora do colégio entrar pelos fundos pra comer o rabo de um aluno do terceiro.
    Só não fui econômico com a história de Pedro e Soares. Não, nessa eu narrei cada detalhe, cada sensação. Me vangloriei um pouco, deixando bem claro como eu tinha gostado de estar com um casal. Como tinha me saído bem. Eles que pegassem a indireta.
    Lucas me olhava fixo, prestando atenção com os olhos brilhando. Meu tio Vitor, esse fingia não ouvir, mas percebia seu pescoço se inclinar em minha direção cada vez que eu chegava em algum detalhe picante. O olhar de Lucas me deixava excitado.
    Acho que nunca olhei para meus tios com desejo. Claro, isso foi antes do Pracinhas.
    - Bem pessoal, vamos mudar de história. Não quero saber da vida sexual do meu sobrinho. Francamente, eu troquei suas fraudas, já vi esse pinto inúmeras vezes - Vitor tentou desconversar.
    Eu então desamarrei o cadarço da sunga e botei o pau pra fora. Duro e ereto. Àquela ousadia eu posso dizer que foi o vinho.
    - Olha tio, eu acho que tá um pouco diferente do que você lembra
    Meu tio engasgou. Lucas riu, mas comentou
    - Caramba, garoto. É um belo espécime o que tem aí. - E se virou pra Vitor - o do pai também era assim?
    - Pelo amor de Deus, Fábio, guarda isso
    Eu ri, achando graça do jeito dele. Meu tio, mesmo um gay assumido que teve de lutar anos contra uma instituição arcaica e preconceituosa, no fim, tinha seus conceitos conservadores e desejos os quais tinha dificuldade em confessar. A maneira como ele evitava olhar pro meu pau, mesmo sem sucesso, dizia muito. Lucas já não tinha tantos pudores. Talvez por não ter a questão moral do sangue envolvida.
    Mesmo interessado em mim, ele ficou parado. Provavelmente esperando para ver o que meu tio ia fazer, antes de tomar qualquer atitude.
    Vendo que eu não vestia, Vitor tomou a iniciativa, chegou, abaixou e pôs meu pau pra dentro, olhando para o outro lado. Aquele toque me encheu de tesão e eu ousei ainda mais.
    Peguei no seu volume, que estava duro. Tentei puxar, mas ele me segurou
    - Para - mandou, mas sua voz não era tão firme como queria.
    - Deixa eu ver o seu - pedi.
    - Não
    - Mas eu te mostrei o meu - fiz manha
    - Caralho. E eu lá pedi pra ver o seu?
    Lucas ria de se acabar
    - Para com isso, Lucas. E você Fábio, me respeita
    - Está bom. Juro que vou parar, só me mostra, rapidinho. Por favor. Fiquei curioso - pedi com jeitinho. Ele respirou fundo e deixou eu tirar o pau. Mas eu fui além. Sem dar tempo, assim que saiu pra fora, eu meti a boca.
    - Fabio... Fabio... Para... Ah... Fábio... Ai meu Deus
    Ele arfava, olhando para dentro da casa, receoso de alguém aparecer.
    Percebi Lucas nadando para a borda, para perto de nós.
    Meu tio tentava me empurrar, mas sem força, então me aproveitei da posição em que Vitor estava e passei a mão por baixo dele. Tocando seu rego. Enfiei os dedos por dentro de sua sunga e toquei o cuzinho. Ele arrepiou na hora, dando um forte suspiro. Chupei muito enquanto massageava seu cu com meus dedos.
    Lucas então, parado na borda, começou a puxar minha sunga. Ergui a cintura e depois tirei os pés da água para auxiliar. Quando tirou, pôs meus pés na borda de forma a eu ficar bem aberto. Deu uma longa lambida, que foi do rego até a cabeça do meu pau. E dali, começou a chupar
    - O que você está fazendo, Lucas? - Vitor o repreendeu.
    - Ora - deu de ombros - brincando com meu sobrinho. Igual você. Você se importa, Fábio?
    Eu só fiz que não com a cabeça, sem tirar o pau de Vitor de minha boca.
    A língua de Lucas alisava toda a região. Era gostosa. O cavanhaque dele roçando minha pele me dava arrepios deliciosos.
    - Gente, melhor parar... Ah caralho... Se minha irmã chega ela mata a gente
    - Tem razão, - Lucas falou - melhor irmos pra dentro
    - Boa ideia, - concordei e me levantei. Lucas saiu da piscina e me acompanhou depois de se enxugar rapidamente.
    - Eu não disse isso - Vitor tentou argumentar, mas nos seguiu. Antes pegou minha cueca largada no chão e desligou as luzes da área da piscina.
    Passamos pela porta do quarto de hóspedes, onde o barulho indicava que a festa particular de meus pais estava a todo vapor.
    - Teu pai deve mandar muito bem - Lucas fez cara de aprovação, olhando pra porta
    - Tal pai, tal filho - e sorri pra ele, que me olhou e lambeu os lábios. Entramos no quarto em que eu dormiria. Vitor veio atrás, mas parou na porta.
    - Gente, melhor...
    - Ah, para de palhaçada - eu e Lucas o puxamos pra dentro e fechamos a porta.
    Comecei a beijar Lucas. Que beijo gostoso. Depois puxei Vitor e juntos fizemos um beijo a três. Meu tio, já entregue, não conseguia mais abrir a boca para fazer objeções.
    - Fica de quatro na cama - mandei para meu tio Vitor.
    - Que isso moleque. Com quem você pensa que...
    - Vai logo, amor - Lucas o empurrou. Vitor ficou pasmo, mas dava para ver que no fundo ele se divertia. E acabou cedendo, ficando de quatro na cama
    - Você também - agora me voltei a Lucas
    - O que? - Ele foi pego de surpresa
    - Vai logo - mandei e o empurrei igual ele fez com meu tio. Vitor olhou pra ele, apontando e rindo.
    - Se fodeu - zombou.
    Eu tirei a sunga dos dois, deixando-os de quatro e bundas abertas pra mim.
    Comecei por Lucas. Que ia começar a falar
    - Acho que nós criamos um monstro, amor... Ahhhh caralho - se arrepiou todo quando eu abri sua bunda e enfiei a língua. – Puta que... Esse moleque é o diabo, só pode
    Vitor riu, olhando seu marido perder a linha.
    Lucas enfiou a cara no colchão, agarrando os lençóis com as mãos em garra. Passei a mão pela sua bunda, sentindo a pele arrepiada.
    Meu tio acompanhou tudo. O cu de seu marido piscava, pedindo mais. E eu me deliciei com seu sabor.
    Quando acabei, o deixei naquela posição e comecei a chupar o rabo do meu tio, que trincou os dentes e se empinou na hora
    - Caralho... - Soltou
    - Bom, né? - Lucas perguntou, com os olhos ainda brilhando - o moleque leva jeito
    - Não acredito que estou fazendo isso - ele soltou, com a cabeça entre os braços... - Mas porra, isso é tão bom
    Chupei muito, até que eles me pegarem pelas axilas, um de cada lado, e me jogaram na cama, de barriga pra cima. Os dois voaram em cima de mim, brigando pelo meu pau. Beijavam, lambiam, cheiravam, um de cada lado, cada hora puxando para suas bocas. Até que ao fim, aprenderam a dividir. Quando chegaram à cabeça, se encontraram e se beijaram, tendo meu pau entre suas bocas.
    Acompanhei tudo maravilhado
    - Quem vai ser o primeiro a sentar? - Depois de deixar eles se divertindo por um tempo. Perguntei, cheio de marra. Vitor ainda me olhava indignado, mas sem capacidade de me repreender. Lucas já gostou do jeito e subiu. Ficou de costas pra mim, encaixou o pau e foi sentando com força.
    - Nossa, que gostoso. Moleque de ouro esse - e puxou o marido e eles começaram a se beijar.
    Aquela bunda enorme e carnuda quicando em mim me proporcionou uma visão maravilhosa. E eu aproveitei cada momento. Dando até mesmo uns tapinhas na nádega farta.
    Depois trocaram. Vitor ia ficar de costas pra mim também, mas Lucas sugeriu que ele ficasse de frente.
    Não entendi o motivo, mas ele obedeceu. Quicou olhando para meu rosto e gemendo gostoso. Foi quando percebi o movimento de Lucas.
    Sem avisar nada, ele subiu na cama, se colocando atrás do marido, segurou seus ombros e encaixou.
    O olhar de Vitor arregalou na hora. Ele se virou para o marido.
    - Lucas. O que ta fazendo? Melhor não...
    - Calma, amor. Relaxa. Estou doido pra tentar isso contigo tem um tempão.
    E foi forçando.
    Senti meu pau ser espremido dentro do corpo do meu tio.
    Aguenta amor, vai - Lucas incentivou.
    Vitor abriu a boca, mas não saiu som. Fechou os olhos e segurou firme nos travesseiros. Rosto se contorcendo em agonia.
    - Vai tio, você consegue. Relaxa que entra - fui incentivando. E ele enfiou a cara no meu ombro. Músculos trincados. Lucas suado enfiando com calma o pau em seu rabo já ocupado.
    - Ahhhhhh - seu gemido abafado em meu ombro.
    Alisei sua nuca, afagando seus cabelos. E o mantendo firme com a outra mão, segurando suas costas.
    Entrou.
    - Pqp - Vitor desabafou.
    - Ahh. Amor. Conseguiu. Isso. Fica assim. Fica - e foi metendo. Deixei meu pau parado, pois qualquer movimento o faria escapar e perder todo aquele trabalho. Lucas ficou responsável pela penetração.
    Eu sentia seu pai roçar no meu no interior do meu tio.
    Meu tio se ergueu de novo, rosto vermelho, gemendo. Cara de dor e prazer misturadas.
    Foi quando vi seu pau verter gozo de uma forma nunca antes testemunhada. Como uma linha branca, grossa, escorrendo. Não eram aqueles jatos habituais que vimos no orgasmo. Era mais como se estivesse babando. Como se pegássemos um tubo de pasta de dente e fôssemos espremendo. O gozo de Vitor estava assim, como se o sêmen, pressionado pela falta de espaço, começasse a escapar por ele.
    Lucas logo se contorceu e gozou também. Quando ele tirou o pau de dentro do marido, o meu acabou escapulindo junto.
    Vitor caiu em cima de mim, quase desfalecido.
    - Caramba amor. Que delicia - Lucas o parabenizou. - E você garoto. Meus parabéns
    Eu sorri. Ele então correspondeu e voltou a chupar meu pau. Apenas uma camaradagem entre amigos, vendo que eu ainda não tinha gozado. E não demorou muito. Gozei em sua boca, sujando um pouco o seu cavanhaque. Ele bebeu tudo.
    Ao fim, ele se achegou mais pra perto e pegou no ombro do marido.
    - Amor, acorda. Está vivo?
    - Eu vou enfiar duas trolhas nos rabos de vocês da próxima vez, aí vocês vão saber o que é que eu passei - protestou.
    Eu e Lucas rimos
    - Parece uma boa ideia pra mim - Lucas sorriu - mas por hoje não. Vamos. Se não acabamos dormindo aqui e amanhã teremos problemas se os pais dele nos pegarem.
    Então Lucas ajudou o marido a se erguer, pegaram as sungas e saíram.
    - Boa noite, Fábio - desejou antes de fechar a porta.
    Na cama estava, na cama fiquei. Ainda extasiado da experiência.
    Ali, relaxado, não pude evitar que minha mente viajasse de novo até Siqueira. Duas pessoas tão próximas, eu e ele, e ainda assim tão diferentes. Não era por menos. Com a família que eu tinha, não tinha como eu ser uma pessoa normal. E a julgar pelo pai dele, não era de se estranhar afinal que ele fosse daquele jeito. Ao fim e ao cabo, Belchior estava certo e somos como nossos pais.
  • Colégio Pracinhas - CAPÍTULO 9 – OBRIGAÇÕES

    Voltar para o colégio naquela semana foi nostálgico. Nem parecia que eu estava fora apenas um domingo. Pela primeira vez eu chegara ali e sentia poder olhar com clareza o colégio, apreciar cada parte de sua arquitetura, de suas pessoas. Sem a preocupação de entrar em algum conflito, de ter de me defender de algo.
    Mas minha alegria durou pouco, pois já entrei também na semana de provas, e como já haviam me avisado, essas são de arrancar o couro. Estudei muito na semana que antecedia, reservando todo meu tempo vago para isso. Não interagi com Siqueira. Só não sabia se isso se devia apenas a semana de provas ou se meu ataque havia surtido efeito sem eu precisar encerrar a guerra de uma vez. Torcia para a segunda opção.
    A verdade é que ele me evitava. Nem mesmo olhar pra mim no corredor ele fazia. O que foi bom. Acho que a única vez que o vi por mais tempo naquela semana, foi numa tarde de quarta, quando estávamos eu, Elias e Pedro na biblioteca, estudando. O vimos entrar com Soares e Pinheiro e se sentarem em uma mesa distante. Sequer nos viram ali.
    - Engraçado que aqueles três vivem andando juntos - comentei com meus amigos - Parecem nós três. Engraçado serem respectivamente nossos superiores
    - Verdade - Elias concordou e depois se virou pra Pedro - Eu só não sei como teu noivo e Pinheiro aguentam esse cara.
    Pedro então pareceu se lembrar de algo.
    - Agora que lembrei, acho que tenho uma boa notícia pra ti, Fábio. Henrique perguntou nesse fim de semana de você para o Siqueira, e pelo que parece, ele desistiu de ti enfim. Acho que agora vai ficar mais folgado
    - Ele disse por que? - Perguntei
    - Não. Só que cansou
    - Que bom, amigo - Elias me parabenizou. - Enfim está livre
    E Pedro emendou.
    - Acho, na verdade, que ele deve estar menos rabugento esses dias também. Afinal a mãe dele melhorou. Foi até pra casa
    - Como assim? - Eu quis saber.
    - A mãe dele estava em tratamento de câncer. Mas enfim a químico deu resultado e ela pôde ir pra casa nesse sábado. Só não estava disposta para vir pro centenário.
    Elias então completou
    - Bem, seria melhor que o pai dele. Vocês viram o cara? Maior mal encarado. Minha mãe o reconheceu, disse que é o Almirante Ivo. O diabo em pessoa
    Pedro riu
    - E é incrível como os pais dele são diferentes. O pai é de fato um monstro, mas a mãe é um doce. Gabriel também, é outra pessoa perto da mãe. Nem parece o babaca que lida conosco
    - Pera aí, quem é Gabriel? - Elias perguntou
    - O Siqueira. - Eu respondi, meio distraído, olhando para a mesa de nossos vizinhos - Gabriel Siqueira
    - Ah sim. Esquisito, trato todo mundo, com exceção de vocês dois, pelo sobrenome. As vezes esqueço que as pessoas tem nomes próprios
    - Verdade - Pedro emendou - Soares é Henrique, Siqueira é Gabriel e o Pinheiro é Gustavo - enumerou
    - Você parece conhecer eles bem - Elias questionou para Pedro.
    - Sim, conheço - confirmou - eles são os melhores amigos do meu noivo e já fui apresentado. Estiveram esse domingo na casa com Siqueira. Por isso, sei da mãe dele. É uma mulher encantadora
    - Pera ai, você esteve lá também? - Despertei, de repente, com aquela informação.
    - Estive.
    - E Siqueira e Pinheiro sabem de você e Soares? - Fiquei incrédulo.
    - Claro. São os melhores amigos do Henrique. Na verdade foi ideia do Siqueira o meu noivo me pegar para subordinado direto. Ele preferia que eu fosse livre. Não queria que eu me sentisse preso ficando subordinado a ele. Mas o Gabriel argumentou, que tímido do jeito que eu sou, seria trucidado aqui dentro. E que era melhor ele me proteger. Bem, não posso discordar. Prefiro assim.
    Acho que uma mosca poderia ter entrado e saído de minha boca nesse tempo que estive com ela aberta. Não estava acreditando naquilo.
    - Eu nunca imaginei Siqueira dizendo ou pensando algo assim - desabafei
    - Nem eu - Elias emendou - achei até que ele não levaria de bem a relação sua com seu noivo
    - Sabem, eu também tinha essa impressão no início. Mas até que não. Tá bom, ele ainda faz piadas muito sem graças. Mas no geral sempre ajudou. Já nos acobertou algumas vezes aqui no colégio. Uma vez até teve uma briga feia com o pai, pois eu e Henrique estávamos de mãos dadas na casa dele e parece que o Almirante não gostou
    - Que isso - Elias se inclinou.
    - Sim, foi feio. Sorte que a mãe dele estava no hospital no dia e não viu. Não suporto o pai dele. Nem ele, na verdade, mas ele bem que tenta ter uma boa relação com o Almirante. Acho, na verdade, que só o suporta pois, apesar de ser um pai horroroso, pelo menos é um bom marido. E trata a esposa com carinho e cuida muito bem dela. Engraçado como as pessoas tem muitos lados, né? O Almirante, um monstro com o filho e seus subordinados, vira um doce com a esposa. E o filho, tal qual, uma pessoa completamente diferente lá e cá
    - Eu não sei vocês, mas eu ainda o acho um pouco babaca - Elias se manteve firme.
    - Eu também. Um pouco só. Mas dá pra tolerar quando se conhece bem - Pedro relativizou
    - E você, Fábio? - Elias quis saber, mas eu voltei a ficar distraído - Fabio? Terra pra Fabio
    - Oi? Desculpe. Sim... Sim... Ainda é um babaca
    E voltamos a estudar. Apesar de ficar profundamente surpreso com aquelas revelações, ainda assim não me foi o bastante para tirar a atenção muito tempo dos estudos. Afinal, a semana se aproximava.
    Estava tão tenso que, de véspera, não consegui dormir. Fiquei virando de um lado pro outro, procurando uma forma de relaxar. Foi então que ouço meu nome sussurrado ao meu lado.
    - Caramba - dei um pulo, mas mantive a voz baixa - que susto, Elias. Que merda.
    - Foi mal - pediu, rindo baixinho - mas não estou conseguindo dormir. E vi que você também não
    - Eh - e me virei para ele
    - Aí pensei que poderia tentar relaxar de uma forma. Se liga só - e pegou minha mão e enfiou entro da calça dele. Estava completamente duro – Não baixa nem por um decreto.
    - Nossa - e apertei o pau - o que propõe?
    Ele não falou, só subiu na minha cama, se metendo dentro das cobertas. Ficou oposto a mim e foi botando meu pau pra fora e mamando.
    Eu o cobri por completo, olhei em volta pra me certificar e depois joguei os lençóis em cima de minha cabeça também. Arriei um pouco de sua calça e comecei a chupar também, enquanto apertava sua bundinha macia.
    Ficamos nos chupando até gozarmos. Na boca do outro, pra não sujar o quarto. Terminamos e limpamos bem o pau um do outro com nossas línguas, e então Elias saiu.
    - Valeu, amigão - e foi pra cama dele.
    - Disponha - e mudei de posição. Aquilo havia funcionado. Dormi logo depois.
    E a semana foi. Duas a três provas por dia. Meu cérebro queimando. Mas sobrevivi. Na semana seguinte, vieram os resultados e fomos pegar. No geral, mandei muito bem, tirando a prova de matemática que tirei apenas 4.5. Pior que não foi uma grande surpresa. Era de longe a que me deixou mais inseguro. Elias e Pedro vieram comentar. Pedro mandou muito bem, era um gênio o garoto. Elias também foi como eu, só teve dificuldade em Literatura, mas mesmo assim ficou com 6.5. Algo fácil de recuperar.
    A média era 7 e com certeza algum trabalho extra o colocaria na média.
    - Caramba, cara. Vamos te ajudar, vamos resolver isso - Elias me consolou
    - Posso ver? - Pedro pediu e eu entreguei a ele a prova de matemática, mas estava tão desanimado que larguei a folha antes de ele a pegar. O papel voou um pouquinho e foi ao chão. Fui buscar, mas antes de conseguir, alguém o tirou. Acabei de cara com as pernas de alguém. Quando ergui o rosto, vi Siqueira olhando minha folha, avaliando.
    - Obrigado. Pode me dar, por favor - pedi, controlando o tom.
    Tentei ser o mais educado que consegui. Estava sem humor para qualquer um. Mas ele apenas me olhou muito sério, guardou a folha dentro do caderno e saiu.
    - Para o meu quarto hoje, as 19h - foi tudo o que disse. Eu ia pra cima dele, mas o inspetor passou naquele momento e eu me segurei.
    - O que ele vai fazer? - Elias apareceu atrás de mim depois de Siqueira virar o corredor.
    - Não sei - respondi. Mas sentia que meu momento de trégua estava prestes a terminar.
    Às 19h em ponto, bati em sua porta.
    Eu havia chegado uns 15 min antes, mas não quis entrar. Tentei antes esfriar bem a cabeça e me preparar para o que estava por vir. Então, na hora marcada, respirei fundo e bati.
    Ele me mandou entrar. O quarto estava arrumado e ele olhava uns papéis, sentado na cama. Vestia apenas moletom e camiseta. Os braços fortes a mostra.
    - Siqueira, eu... - Fui começar, mas ele não me ouviu. Me olhou sério e apontou pra escrivaninha.
    - Senta - mandou.
    Eu olhei pra mesa e a lamparina estava acesa. Nela, lápis, um livro e um caderno. Olhei, desconfiado, e era do primeiro ano
    - Anda logo - e me empurrou para sentar. Então, parou do meu lado e apoiou a mão na mesa. Começou do nada:
    - Olha, você tem muitos defeitos, mas sei que burro você não é. Mas tá fazendo merda atrás de merda nessas questões. Você não está prestando atenção no enunciado. Se liga
    Eu olhava pra ele sem acreditar. Ainda esperava que viesse algo dali. Ele então me olhou, e sem paciência chamou minha atenção.
    - Bateu com a cabeça, mané? Acorda, Mendes. Não me faz perder tempo
    E empurrou minha cabeça em direção ao livro e começou a explicar a matéria da prova. Mesmo escaldado, fui dando ouvidos. E as coisas que ele foi falando foram me fazendo sentido. E apesar de seu jeito bruto, a explicação de Siqueira foi muito boa. Direta, eficaz. E talvez fosse pelo medo de ser agredido a qualquer momento, não me deu sono.
    Ao fim, me passou uns questionários e fui até indo bem. Até que errei uma questão e ele bufou.
    - Fez de novo, idiota - e me deu um tapinha no pescoço. Forte, mas não o bastante para marcar. Meu sangue ferveu e eu ia levantar pra tirar satisfação, mas ele segurou firme meu ombro e me empurrou de volta pra cadeira. Pegou minha prova e apontou para uma questão.
    - Olha essa porra - mandou
    A contragosto, olhei exatamente para a palavra que ele apontava e então a ficha caiu. Como eu não havia visto antes? Ela mudava praticamente todo o enunciado.
    - Você errou muito por conta dessa merda. Seu problema não é matemática, é interpretação de texto
    - Eu sou muito bom em português e literatura - me defendi, só queria ter feito de um jeito que eu não parecesse uma criança emburrada de 10 anos.
    - Eh, mas quando o assunto é matemática, você esquece e fica lesado. Faz essas questões aqui agora
    Eu obedeci. Mesmo querendo brigar, fiquei animado pois finalmente parecia ter entendido.
    E o resultado foi bom. Acertei todas.
    Siqueira pegou meus papéis. Olhou e não fez expressão.
    - Até que enfim - foi tudo o que disse - amanhã não tenho tempo. Então vamos estudar de novo na quarta, depois do treino do time. Fecha a porta ao sair
    E voltou pra cama. Eu sentia que tinha que falar algo
    - Cara... Olha, valeu pela força. Mas você não precisa fazer isso. Relaxa que não quero mostrar aquele vídeo pra ninguém. Só quero que...
    - E eu devo confiar na sua palavra? - Ele me cortou com olhar ferino - olha Mendes, não quero sua piedade. Agradeço o que você fez por mim na festa. Sério mesmo. Há muito tempo estou querendo calar a boca do meu pai. Agora, se o que você quer é me deixar no cabresto, perdeu seu tempo. Se quiser, mostra essa merda. Eu que não vou ficar pisando em ovos com você só esperando o dia em que vou pisar no seu calo e você vai me foder a vida e meu sonho
    Eu respirei fundo e controlei a voz.
    - Olha aqui, a culpa não é minha se...
    - Eu sei - me cortou de novo, levantando - eu fiz merda. Eu sei. Sou homem o bastante pra admitir. Passei por uma barra, usei esse bagulho pra me relaxar. Não é problema seu. É meu. E também não culpo você por usar isso contra mim. Estávamos em conflito e você venceu. Mandou muito bem, aliás. Ganhou a guerra. Vou te deixar em paz. E se ainda assim você quiser me foder, tem todo o direito de pegar o espolio da guerra
    Eu olhei pra ele e perguntei
    - Por que você fez isso então? Digo, por que me ajudou?
    Ele sorriu, revirando os olhos e avaliando se responderia aquela pergunta. Enfim deu de ombros, andou bem na minha direção e me encarou
    - Pelo mesmo motivo que faço tudo aqui: eu cumpro minhas obrigações. Ou não sabia que uma das funções do terceiro ano é auxiliar o primeiro?
    Era verdade. O terceiro ano ganhava até uma gratificação em pontos para ajudar os alunos do primeiro ano em um programa de monitoria.
    - Mas ninguém faz isso - eu não estava entendendo - não vejo ninguém do terceiro ano ajudando ninguém do primeiro nos estudos - respondi. E sabia que nem era tanto culpa deles. A maioria do terceiro estava ocupada demais pensando no vestibular ou nas provas militares.
    - Eu não sou todo mundo, Mendes - respondeu - eu sou eu. Eu cumpro meus deveres. Sou um babaca com vocês por que é meu dever. É pra isso que estudo. Pra isso que treino. Quero ser um líder, e pra isso preciso ser forte. Mas mais que isso, preciso ser merecedor. Preciso cumprir minhas obrigações. Não só aqui, não só na corporação. Mas para a vida. Todos temos obrigações, Mendes. Todos temos responsabilidades - e sorriu, cansado - desculpa se pareceu pessoal, mas não foi. Faria com qualquer um que me desafiasse, pois uma autoridade militar não pode ser desafiada. Mas você venceu. E se quiser acabar comigo, tem tudo o que precisa
    Senti que seus olhos iam marejar, mas ele segurou firme
    Eu abri a boca umas duas ou três vezes para rebater. Mas não consegui. Pois eu sabia que ele estava certo.
    - Olha... Caralho - soltei, suspirando - tudo bem, você tem razão. Em muita coisa. Continua sendo um babaca, mas hoje tem razão
    Ele riu, olhando para o chão. Siqueira realmente estava diferente. Mais leve talvez. Mesmo em condições tão adversas, parecia mais feliz. Talvez a notícia da mãe o tenha realmente mudado.
    - E tem mais - continuei - acho que não estou fazendo isso direito. Então... Bem... Chegou a hora de fazer
    Ele me olhou, sem entender.
    - Não quero mais brigar com você. Serei um soldado modelo a partir de agora. Não vou mais desafiar sua autoridade. Não na frente dos outros, pelo menos - e ri.
    Ele cruzou os braços e me olhou interessado. Mas ainda assim, nada falou e eu continuei.
    - Acho que quero ver, como seria ser seu subordinado. Soares me falou uma vez que sente saudades de ser recruta as vezes. E isso me deixou pensando que talvez eu não esteja fazendo isso da forma certa. Talvez, tenha algo de bom que eu estou perdendo, por ser assim como sou. - Expliquei.
    Siqueira deu mais um passo em minha direção. Seu semblante ainda tinha dúvidas, desconfiança.
    - Sinto que está dizendo a verdade. Mas ainda creio que não é toda a verdade. Me fale soldado, o que realmente o fez mudar de ideia? O que o fez querer se submeter?
    Aquela era de feto uma excelente pergunta, e se fosse feita semanas atrás, eu provavelmente não saberia responder. Mas a conversa com Elias no vestiário me ajudou a esclarecer questões sobre mim mesmo.
    - Olha, eu não sou de me submeter. Sou como um animal. Se acuado, eu ataco. É meu jeito. Não consigo largar o controle das coisas tão fácil - e me ajeitei na postura, recobrando meu jeito marrento - mas quero tentar e... Bem... Eu não estou mais acuado, não é mesmo? Eu tenho você na minha mão. Eu tenho o controle. Então sim, estou mais à vontade para você me guiar. - E me aproximei dele. Estávamos cara a cara agora - pois você pode continuar fingindo ser o mandachuva aqui. Pode me destratar se quiser. Mas no fundo, bem no fundo, você sabe que, entre essas quatro paredes, quem manda aqui sou eu
    Eu o olhei de cima a baixo e pressionei meu indicador contra seu peito
    - E digo mais... Acho que no fundo também, você bem que gosta. Gosta do meu jeito marrento. Gosta de estar na minha mão. Lembro ainda quando te peguei de jeito neste quarto. E lembro de você ter gostado
    Ficamos em silêncio. Até que a expressão de pedra de Siqueira mudou e ele sorriu. Mas não foi o sorriso maldoso ou prepotente que normalmente dava. Aquele era sincero, de quem reconhecia que eu estava com razão. E tinha algo mais também. Uma safadeza que me deixou bastante interessado. E naquelas circunstâncias eu pude perceber, pela primeira vez, como ele era um homem bonito. O rosto másculo, os olhos castanhos, o cabelo curto. O corpo atlético. Me deu tesão ver ele sorrir daquela maneira.
    - Tudo bem, Mendes - ele falou enfim - acredito em você. E já que vai fazer algumas concessões, também farei. - E lambeu os lábios - Quero que me beije - me olhou de cima a baixo e depois me deu um meio sorriso, maroto. - Por favor
    Eu sorri e o peguei. Beijei com vontade. Siqueira desfez os braços cruzados e correspondeu. Um beijo intenso, língua com língua. Um sugando o outro. Até eu fiquei sem fôlego.
    - Eh, Mendes. Pinheiro estava certo. Tu beija muito bem - ele lambeu os lábios, se deliciando
    - Obrigado, senhor - sibilei.
    - Mas eu ainda tenho dúvidas quanto a sua lealdade - e caminhou até a porta e a trancou - então gostaria de fazer um teste, se não se importa - e parou ao meu lado.
    Comandou:
    - Sentido, soldado!
    Eu fiquei logo em posição. Impecável.
    - Descansar - e eu obedeci.
    Ele me circulou. Olhando de cima a baixo.
    - Tira a blusa - e eu obedeci. Ele fez um sinal positivo com a cabeça, satisfeito. Segurou com uma mão a lateral da minha calça e arriou, junto da cueca. Depois, andou calmamente até o outro lado e arriou também. Meu pau já estava duro, calça e cuecas arriadas até o meio da coxa. Parou do meu lado. Eu, por respeito, não o olhava nos olhos, fixando meu olhar na parede, sério.
    - Quero você quietinho agora - sussurrou
    Então sorriu, alisou meu peito e foi descendo a mão pela lateral, arrepiando minha pele. Alisou minha bunda, depois os pelos pubianos. Então, num movimento rápido, ele segurou meu pau com uma mão e introduziu os dedos entre minhas nádegas com a outra.
    Quando a ponta do dedo tocou a entrada do ânus, senti o ar escapar dos meus pulmões. Mas não me mexi.
    Minhas pernas bambearam na hora e eu lutei pra me manter em pé.
    - Está tudo bem, soldado? - Falou ao meu ouvido, massageando meu ânus.
    - Sim... Sim, senhor - falei, recuperando o controle do meu corpo.
    - Ótimo - e foi massageando, rosto perto do meu, bafo quente no meu pescoço.
    - Sabe, Mendes. - Ele foi continuando, falando ao meu ouvido - fico muito feliz de você ter mudado sua postura - eu olhava fixamente pra frente. Não me atrevendo a encarar ele - pois seria uma pena não poder aproveitar de um soldado gostoso como você tal como você merece
    - Muito obrigado, senhor - falei, tentando segurar o gemido. As mãos de Siqueira eram muito eficazes. Apertava o pau com firmeza, mas sem machucar. E a massagem no cu... Como me deixava arrepiado. Mordi o lábio, corpo tremeu, mas eu não me mexi, mantendo firme minha posição
    - Você agora vai saber o que é ser um recruta, Mendes. Vou tirar essa sua crista de galo e vou te fazer submisso - comentou, falando ao meu ouvido com aquele hálito quente. Lambeu meu ouvido antes de continuar - você vai saber como é ser um cadete. E posso garantir uma coisa: você vai gostar. Vai gostar pois eu juro por tudo o que é mais sagrado que vou fazer da melhor forma que eu puder. Pois o que vai me fazer vencedor no fim de tudo isso. Minha grande vitória e minha grande vingança, vai ser quando você, no final desse ano, finalmente confessar. Quando eu ouvir da sua boca que ninguém nessa merda de escola... Não, nessa merda de mundo, te fez gozar como eu fiz.
    E finalizando isso, foi um combo. Ele enfiou novamente a língua no meu ouvido, ao mesmo tempo aumentou o ritmo da massagem no pênis e enfiou a primeira falange no meu cu.
    Foi uma loucura. Não fui mais capaz de me controlar. Comecei a gemer sem controle. As pernas perderam as forças e eu fui caindo de joelhos. Siqueira foi abaixando, acompanhando-me sem tirar as mãos de mim até o chão, enquanto meu pau vertia jatos e mais jatos de gozo.
    - Isso, Mendes. Isso. Goza, meu recruta. Goza, pois esse é o primeiro de muitos
    Quando parei de ejacular, só então tirou o dedo de mim e largou meu pau, ficando de joelhos ao meu lado, e alisando meu cabelo. Muito satisfeito em me ver enquanto eu recuperava meu fôlego.
    - Melhor você voltar para seu dormitório, Mendes - e ele levou o dedo que estava na minha bunda ao rosto. Cheirou e sorriu - limpinho. Sorte a minha
    Me ajudou a levantar e me deu meu material de volta e minha blusa. Beijou meu rosto.
    - Vai lá, descansa. Quarta eu te ajudo de novo com teu dever
    - Não vou limpar isso? - e olhei para o chão todo gozado
    - Não - e sorriu. Eu ainda me encantava com aquele sorriso sincero - deixa assim mais um pouco. Quero contemplar mais minha obra de arte. Depois eu limpo. Vai lá e descansa
    Eu saí do quarto, me sentindo meio perdido. Era como se eu não estivesse mais no mesmo colégio. Era como se não estivesse mais no meu corpo
    Desci as escadas com cuidado, pois bambas como estavam minhas pernas, tive medo de rolar por elas pisando em falso em algum degrau.
    E fui assim, anestesiado, até meu dormitório, passei pelos meus colegas e deitei na cama.
    E ainda sem saber se aquilo era um sonho ou algo real, eu adormeci.
     

     

  • COLÉGIO PRACINHAS - CAPÍTULO FINAL – FORMATURA

    O dia amanheceu preguiçoso. Senti Siqueira ao meu lado, virando-se em minha direção e me abraçando. Me espreguicei e beijei sua cabeça. Ele sorriu e me beijou o rosto, depois a boca.
    A velocidade com que ele foi despertando foi maior que a minha. E logo estava me acariciando, beijando meu pescoço, chupando meu peito.
    Aos poucos, fui sentindo aqueles espasmos deliciosos que iam acelerando meu despertar. Meu pau despertou primeiro, quando Siqueira o agarrou e começou a chupar.
    Massageei a vista e o olhei. Sua cara travessa, enquanto lambia a cabeça de meu pênis.
    - Já está animadinho logo cedo? - perguntei.
    Ele apenas sorriu e se levantou. Montando em cima de mim e encaixando meu órgão em sua entrada. Sentou com tudo, erguendo a cabeça e se deliciando com a sensação de ser perfurado.
    Então apoiou as mãos em meu peito e começou a rebolar. Devagar, suave. Sorri e agarrei sua cintura, deliciando-me com seu belo corpo nu a minha frente.
    Meu órgão era espremido dentro de seu corpo, envergado de um lado ao outro em seu balé.
    Lento e gostoso, ficamos entretidos naquele momento, sorrindo um para o outro. Até que o rosto de Siqueira sombreou um pouco, ficando preocupado.
    - Preciso te contar uma coisa - falou baixo, sem interromper o gingado - Saiu o resultado. Eu passei com folga.
    - Que maravilha - tentei me levantar para o abraçar, mas seu corpo pesado era difícil de mover. E mesmo que não fosse, estava tão gostoso meu pau dentro de seu corpo que eu não estava afim de sair agora - Eu sabia que você conseguiria.
    - Obrigado - e sorriu. Não um sorriso safado, nem alegre. Comedido. Aquilo começou a me preocupar. - o curso de Engenharia Naval é um dos mais concorridos. E eu queria fazer na melhor. E o melhor curso é fornecido pela marinha. E fica no Rio Grande do Sul...
    Ele se calou, olhando em meus olhos, muito sério.
    - Eu... entendo... - então eu senti todo o peso que estava em cima de seus ombros.
    - As inscrições são em janeiro. - continuou - Ainda dá tempo de desistir. Eu ainda posso...
    Mas não o deixei completar a frase. Me ergui em um movimento rápido, vencendo seu peso. E o beijei. Amarrei seu corpo forte entre meus braços e o apertei.
    - Não se atreva a fazer isso. Você vai - falei sem pensar muito. Não queria pensar muito.
    - Mas...
    - Cala a boca - foi minha vez de mandar. Não queria falar sobre aquilo. - Continua o que estava fazendo.
    E beijei seu peito, chupando o mamilo.
    Siqueira obedeceu. Também se mostrando interessado em interromper um assunto tão desagradável. Eu fazia pressão por baixo, metendo enquanto ele rebolada. Eu o abraçava e ele a mim. Pressionando o corpo um contra o outro. Dessa vez não para nos absorvemos, mas apenas para impedir que o outro escapasse. Me entreguei de corpo e alma naquele momento, desesperado em esquecer esses segundos que acabaram de passar. Essas poucas palavras que desmoronaram o que eu sequer tinha notado haver construído.
    Gememos juntos. Cada hora mais forte, mais intenso. O orgasmo chegou como um momento de luz. Segundos esses em que nossos sentidos estavam focados apenas naquele prazer. Mas logo passou e fomos jogados novamente na realidade.
    O beijei novamente. Encostamos as testas um no outro. E ficamos parados. Silêncio.
    Não conseguimos mais falar sobre aquilo durante aquele domingo. Nem na semana que se seguiu no colégio.
    Os dias passaram em tons de cinza, como se todo o planeta estivesse ensolarado, mas eu detivesse minha nuvem de chuva pessoal, pairando sobre minha cabeça.
    Não falei com Siqueira, nem ele comigo. Somente Soares, numa tarde em que eu estava sentado sozinho no pátio, veio falar comigo.
    - Vejo que você já sabe - sentou ao meu lado e olhou na mesma direção que eu. Para o nada. - Desculpe não ter falado contigo antes. Eu... Eu achei que deveria ter sido ele a te contar. E também não imaginava que fosse ficar assim. Confesso que fiquei mais preocupado com ele. Não sabia que você também estava tão envolvido.
    - Eu estou bem - e sorri, cansado.
    - Você é durão - ele reconheceu. - Mas se precisar conversar, me procure.
    - Obrigado.
    Mas eu não queria falar. Com Siqueira, com Soares, com ninguém. Queria apenas ficar em silêncio um pouco. Sozinho
    Em casa, o estado de espírito se manteve. Conversei pouco com meus pais. Minha mãe, sempre muito atenta, percebeu minha mudança e não falou nada. Passei uma manhã e um almoço tranquilo. De tarde, subi para meu quarto, e fiquei deitado na cama olhando o teto e pensando particularmente em nada.
    Minha mãe chegou. Sem dizer nada, ela se deitou ao meu lado e me acompanhou, em silêncio, olhando para o teto. Esperei que ela dissesse algo, mas parecia estar satisfeita apenas em me fazer companhia.
    Agradeci imensamente aquele apoio silencioso, mas foi nesse momento que meus olhos começaram a marejar. Tentei segurar, mas elas começaram a vir, sem controle.
    Minha mãe, fingindo não ver, continuou em silêncio, deixando meu pranto sair naturalmente. Então, sem ela precisar pedir ou insinuar nada, comecei a falar.
    Narrei tudo. Acho que contei desde minha entrada no Pracinhas. Falei de minhas experiências, meus medos, meus desafios. Creio ter esquecido que falava com minha mãe e contei até mesmo detalhes íntimos. Na verdade, sua inércia me ajudaram muito. Pois mais parecia que eu interagia com um interlocutor sem rosto, cuja presença neutra me ajudava a falar de coisas íntimas, como quando falamos para um total desconhecido que temos a certeza jamais ver novamente.
    E com as palavras, as emoções foram saindo. Uma catarse para minha alma. E quando eu terminei, estava mais leve.
    Só então, após um tempo de silêncio e a certeza que eu não tinha mais nada o que dizer, ela se deitou de lado, virando em minha direção. Alisou meu rosto e sorriu.
    - Como você cresceu - comentou com orgulho - Nem parece o menino que eu levei para a sua primeira aula em fevereiro.
    Peguei sua mão e a apertei contra meu rosto.
    - Estou orgulhosa de você. Em especial o que fez por ele. Lembro ainda da maneira como esse garoto, o Gabriel, falou de você na reunião que teve com o diretor, antes de você ganhar sua primeira medalha. Foi difícil pra mim crer que aquele garoto era o mesmo que você me narrou a princípio. O mesmo rapaz que você confrontou no início do ano letivo.
    Ela foi afagando meus cabelos.
    - Naquele dia eu percebi que algo tinha mudado entre vocês. Uma admiração, que podia ou não virar algo mais. Eu sei que seu pai o incentivou a viver tudo o que podia. E não o culpo por isso. Mas o que ele esqueceu de mencionar é que, quando brincamos com nossos desejos, as vezes podem surgir coisas que não esperamos. Coisas ruins, ou coisas bonitas como o que você está passando.
    - Eu só não esperava que fosse me doer tanto.
    - Eu queria que fosse diferente - respondeu com carinho e sinceridade - Infelizmente não posso fazer isso passar. Nem que eu botasse fogo no planeta, isso passaria
    Lembrei da brincadeira que ela fez no início do ano, de pôr fogo na escola. E ri. Foi bom rir. Ela me acompanhou.
    - Não tenho dúvidas que o garoto Siqueira te ame. Mas eu gostaria de perguntar: Você também o ama?
    Eu estava me perguntando isso desde o dia em que o confrontei na mata.
    - Sinceramente. Não sei... Só sei que dói - respondi a única coisa que podia falar com convicção.
    - Não teria como você saber. É jovem ainda e é sua primeira vez. Só o tempo há de te dar certeza. Mas seja o que for, com certeza é algo que valeu a pena ter sido vivido e... Eu sinceramente acho que você agiu bem em falar para ele não desistir do sonho dele.
    Essa última frase ela falou com desculpas nos olhos. O que eu mais gostava em minha mãe era sua franqueza. Ela falava o que pensava, independente de quão doloroso podia ser. Preferi a ferocidade da verdade aos afagos de uma mentira
    - Eu sei. Merda... - praguejei quando as lágrimas voltaram a descer.
    Nesse instante ela não se conteve e me abraçou. Chorei mais, dessa vez sem controle. Soluçando.
    - Eu sei o que você está passando. Passei por isso na época da faculdade. Com a Camila - e riu quando eu olhei interrogativo - Sim, a Camila que seu pai lhe falou. Quando a conheci, foi na militância. Ela fazia parte da liderança da faculdade. Era muito ativa, uma mulher forte e um coração enorme. Me encantei por ela. Não era amor. Nem desejo a princípio. Era só admiração. Mas aos poucos, levada pela curiosidade e pelo clima de liberdade universitária, acabei me permitindo experimentar algo com ela.
    Minha mãe ficou vermelha e ria como uma garotinha. Eu sorri para ela, pois entendia bem o que era confessar determinadas intimidades para um ente querido.
    - Olha, não sou psicóloga, sexóloga ou nada do tipo, mas posso dizer que acredito que todo mundo, independente de suas orientações, deveria, pelo menos uma vez na vida, se permitir uma experiência com alguém do mesmo sexo. Digo isso porque uma mulher sabe de seu prazer melhor que ninguém. Sabe onde tocar, sabe o que fazer com aquele corpo. E acredito que isso também ocorra com os homens. Bem... Eu me permiti e foi mágico. Foi intenso. Mas como você, aquilo que foi apenas um experimento, uma diversão, ganhou outras proporções. Eu me apaixonei. Mas ao contrário de você, não tive a mesma sorte e ela não.
    - Eu sinto muito - falei com franqueza.
    Minha mãe sorriu com carinho.
    - Obrigada. Camila me tratou muito bem, foi franca comigo. Me respeitou. Mas ela iria embora, para a Suécia. E eu... Bem... Cometi um erro. Achei que a melhor forma de sofrer menos seria me antecipar e me distanciar dela. Nem me despedi. E me arrependo disso - ela então me olhou nos olhos e continuou - Não faça isso. Você tem ainda um mês até a formatura. Aproveite. Não vai adiantar nada você se privar. Vai doer do mesmo jeito e infelizmente não existe remédio pra isso.
    Eu a abracei de volta.
    - Obrigado, mãe.
    - Disponha, meu amor. Bem... - e completou com uma piscadinha - Remédio não há. Mas eu fiz bolo de chocolate. Que é quase isso. Quer um pedaço?
    Eu ri bastante e aceitei. Ela rinha conseguido me tirar, nem que fossem alguns centímetros apenas, do poço em que eu me encontrava.
    ...
    E segui seu conselho. Eu e Siqueira vivemos esse último mês com intensidade. Fechamo-nos em nós e aproveitamos cada segundo que nos restava. Raríssimos eram os momentos em que tocamos no assunto de sua partida. Fiquei sabendo apenas que ele dividiria apartamento com uma prima ao invés de ficar interno no alojamento militar. E isso me era o bastante.
    Então, o dia da formatura chegou e eu estava na plateia, junto de meus pais e meus tios, acompanhando a entrega dos diplomas para os alunos do terceiro ano. Todos muito belos, vestindo seus trajes de gala
    Ao final, o diretor se dirigiu ao palanque e discursou:
    - E agora, é o momento de dar a menção honrosa ao que foi o destaque da turma esse ano. Tanto pelas suas notas, como pelas suas contribuições ao colégio. Um passo à frente, oficial Gabriel Siqueira.
    Uma salva de palmas. Gabriel caminhou orgulhoso para frente do diretor
    - Bem, oficial Siqueira. É de praxe o diretor conceder essa honraria. Todavia, existem pedidos aos quais não podemos recusar. Então, esse ano, quem irá lhe entregar a medalha pessoalmente, é o Almirante Ivo Siqueira. Queira aparecer, Almirante.
    Foi outra salva de palmas. Acho que apenas eu não o fazia. Fiquei tempo demais tentando entender o que acontecia. Imaginando não ter ouvido bem o que o diretor falava. Mas de fato era o Almirante quem subia. Pelo menos, além de mim, Siqueira parecia igualmente estarrecido.
    Eu tinha visto a mãe de Gabriel mais cedo. Falei com ela, mas não perguntei do Almirante. Não o tinha visto e imaginei que este não quisera vir. Algo que não me surpreendeu em nada. Agora aquilo.
    O Almirante subiu, pôs a medalha no peito do filho, lhe deu um forte abraço e bateu continência para ele. Siqueira teve um tempo de retardo para responder ao gesto, mas conseguiu se reestabelecer a tempo de impedir a si mesmo de ficar parado igual um bobo diante do pai.
    Mais uma salva de palmas, e dessa vez eu consegui acompanhar.
    ...
    Não tive tempo de falar com Gabriel após as honrarias, pois a festa foi animada entre os calouros. Ganhamos até uma menção honrosa do diretor, dizendo que fomos a primeira turma de calouros em 15 anos que conseguia passar do primeiro ano sem nenhuma baixa. Comemoramos muito. Não fui atrás de Siqueira, pois ele também teve suas comemorações para participar. Então aproveitei minha família e meus amigos.
    Lá pelo meio da tarde, resolvi caminhar um pouco. Precisava de um pouco de silêncio, de um pouco de solidão. Fui para os fundos do colégio, perto da área em obra, onde ocorreram os principais momentos daquela minha estadia. Fiquei ali, pensando particularmente em nada. Apenas nostálgico.
    Mas minha solidão não duraria. Senti uma presença atrás de mim e me virei para ver. E percebi que aquele dia ainda havia me guardado surpresas
    - Almirante? - me surpreendi. E o saldei.
    - Não precisa de formalidades comigo, Fábio. Não vim hoje como almirante, mas como pai de um aluno. Só queria te dizer uma coisa.
    Eu trinquei os dentes, preparando-me para o que poderia vir.
    - Obrigado - disse por fim. Eu devia estar sofrendo de algum tipo de déficit de atenção, pois estava difícil para mim compreender os acontecimentos daquele dia.
    - Desculpe... - respondi, incerto.
    - Obrigado por transformar meu filho em um homem - completou. Ignorando minha confusão.
    Resolvi não expressar nada. Tendo em vista que eu não sabia o que exatamente devia expressar.
    - Pela primeira vez na vida, Gabriel me encarou como um homem de verdade. Meu filho sempre se acovardou diante de mim. Mesmo na vez em que ele quis defender um amigo, ao fim ele baixou a cabeça. Ao fim, ele sempre baixava a cabeça. Naquela noite... ele não o fez. Me encarou do início ao fim. Não recuou. E isso, para mim, é a atitude de um verdadeiro homem.
    Eu devo ter gaguejado alguma coisa, embora não saiba exatamente o que.
    - Não pense que eu concordo com todas as suas atitudes. E desculpe não fingir que me agrada sua atual condição. Em especial, com relação as suas preferências, suas afinidades. Chame do que quiser: homofobia, mania de velho, hipocrisia. Não importa. O fato é que eu ainda não consigo gostar dessa parte dele, e não vou fingir que o gosto. Não é de minha natureza. O dia em que eu de fato puder olhar para relações como a de vocês com naturalidade, não hesitarei em fazer. Até lá, isso é tudo o que eu posso oferecer. Minha aceitação.
    Eu esperei ele concluir
    - Entretanto. Não posso também ser injusto e não ver o bem que você fez ao meu filho. Eu sei que ele só teve tal coragem porque você estava lá. Para defender você. Então... Bem... Obrigado.
    Me cumprimentou com um aceno de cabeça e saiu
    Eu não consegui dizer nada. E acho que foi melhor assim. Olhei para o lado e vi Siqueira sair de uma árvore.
    - Você entendeu o que aconteceu aqui? - perguntei para ele.
    - Vi tudo, mas não. - e sorriu ainda perplexo - Mas já contatei a ABIN e pedi para eles abrirem os olhos para atividades ufológicas na região, pois tenho certeza que meu verdadeiro pai foi abduzido.
    Rimos um pouco, então nos olhamos e ficamos um tempo perdidos um no outro, sem saber o que dizer.
    - E quando você vai? - perguntei, quebrando o gelo.
    - Janeiro. Passarei as festas de final de ano com meus pais, e depois vou. Minha prima está ansiosa, já deixou o quarto pronto pra mim. Embora eu vá passar a maior parte do meu tempo no alojamento. Quero poder dormir as noites em uma casa comum, para variar esses três anos.
    - Espero que seja feliz - desejei com sinceridade.
    - Não queria que fosse uma despedida - ele confessou.
    - E não é. Afinal, você vai vir de vez em quando, sua mãe está aqui. E você é esperto. Não vai ficar fazendo faculdade a vida toda. Não é? Logo se forma - conclui
    - Fabio... - ele começou, lutando para conseguir continuar. Eu esperei, pois sabia como para ele era difícil aquele tipo de coisa - Eu... O que eu te disse, lá em casa, é verdade. Mas não quero que você me diga nada... Não quero que você me faça promessas. Não tenho esse direito. Eu só... Queria dizer que, quando tudo isso acabar... Quando eu voltar... Se você ainda estiver solteiro... - e riu, sem jeito - Gostaria de te chamar para sair... Algo do tipo.
    Aquilo foi mais difícil para ele do que correr uma maratona. Eu sorri.
    - Vou adorar. E digo que, independente do que aconteça conosco daqui a alguns anos, quero você na minha vida. Como amigo, como algo mais... Até como rival, serve - e ri - devo admitir que você foi um desafio e tanto. E gostei de tudo o que passamos. Os altos e baixos.
    Rimos juntos. Eu não queria chorar. E vi em seu rosto que ele também não. Pelo menos a próxima atitude de Siqueira ajudou um pouco a tranquilizar o ambiente.
    Ele apontou o dedo para o meu peito e pressionou.
    - Mas saiba que eu também não esqueci o que você me disse aqui mesmo naquela noite. Você me deu uma coisa. E eu ainda não devolvi. Não devolverei e lhe proíbo de dar para qualquer outro. Entendeu? Essa parte é só minha. Seja ela o que for.
    Eu sorri e respondi.
    - Sempre autoritário, não é major?
    Ele correspondeu.
    - E você, sempre marrento, não é Mendes?
    Nos abraçamos. Olhamos de um lado para o outro e roubamos um breve beijo. Desfrutando daquela breve intimidade. Enquanto ela podia durar.
    Era hora de voltar para nossos amigos.
    Para nossos familiares.
    Para nossas vidas.
    FIM
  • Delicadas

    Era a quinta vez naquela semana que o deturpado espectro tumultuava minha compaixão. Impossível não notar aquele Maduro sentado no mesmo lado direito do sétimo banco de ardósia, na mesma praça, sempre nas mesmas horas.
    Eu continuava sem reação concreta ao encarar sua aura desfocada ali, ausente, bem ao lado da floricultura.
    Em mais um dia de rápidas observações, pude confirmar que o distinto moribundo trajava a mesma camisa xadrez em tons e linhas que variavam entre o marrom, o vinho e o branco. Sobre a camisa de flanela havia um pulôver ancestral, de fino caimento, confeccionado em lã, num cinza puxando mais para um chumbo nobre, entristecido. A calça mesclava o negro original do veludo com aleatórias manchas esbranquiçadas bem demarcadas na altura dos joelhos, indicando a lástima vivida em dias de lamúria e solidão; seu dono vagando por caminhos ignorados, deixando-se raspar em qualquer pedaço de asfalto ácido enquanto a carne tentava, em vão, repousar sua decadência nas esféricas madrugadas infinitas.
    A pele enrugada nas dobras daquele corpo inerte denunciava que seu proprietário não vivera uma existência benfazeja. O detalhe da carne morta gritava com o contraste emanado pela vivacidade das marcas esculpidas no rosto férreo do “sem identidade”. Faces violetas talhadas à navalha, onde linhas retas e rígidas sustentavam sonhadores olhares cristalinos, moldados em duas gotas da mais pura alexandrita; olhos que certamente haviam visto de tudo no Mundo Egoísta, presenciado cenas marcantes em fogo e álcool.
    Para quem tivesse um cisco de sensibilidade a captar a essência de uma sutil realidade, era palpável o absurdo das imagens desalentadoras que os últimos instantes de sua caminhada foram capazes de revelar ao meu espírito sempre alerta.
    Aquela figura até passaria despercebida, fundindo-se com a paisagem local sempre caótica, no para lá e para cá de todo mundo correndo para alcançar todo mundo que não quer ser atingido por todo mundo. Mas, ao menos para mim, era impossível Ausente não ser notado.
    Estávamos em pleno verão loveano! Suas mãos enluvadas por grossas tiras de couro que um dia fizeram parte de um delicado par de luvas argentinas. Seus trajes dissonantes em flanela e veludo. O conjunto denunciava que algo não estava a correr no trilho ideal.
    No seu silêncio involuntário, aquele senhor gritava por socorro e implorava ajuda amiga para que qualquer coisa que ainda restava de humano dentro de si fosse resgatada – a todo custo – das garras de uma demência premeditada.
    Era o quinto dia, a quinta tarde. E foram cinco os minutos decisivos que impingiram a devida coragem para eu abordar aquele estranho numa sexta-feira, após o encerramento do meu expediente, quando eu nutria certeza de que cruzaria com a figura enigmática sentada no mesmo lado direito do banco de ardósia, na mesma praça açucarada, talvez em horários indefinidos ao cair da noite, ali, impassível, bem ao lado da floricultura, distante quarenta e nove passos do meu sagrado local de trabalho.
    * * *
    Entre uma tesourada e outra, dediquei boa parte do dia quebrando a cabeça para resolver as artimanhas da contabilidade pendente do meu pequeno estabelecimento comercial: ainda o embrião do que seria, muito em breve, um grande salão de beleza só para homens.
    Há dois anos, oito meses e três dias tenho me dedicado com afinco na arte e na trabalheira hercúlea de dar forma, volume, brilho, cor, vitalidade, saúde e beleza aos fios rebeldes e maltratados dos pescadores macholísticos da ilha.
    Meu salão é o único lugar em Lovland onde qualquer Pinto Tímido da Silva ama se entregar aos cuidados de um homossexual bem resolvido sem demonstrar nenhum traço de receio ou preconceito. O sucesso tem sido conquistado com muita labuta, paciência e, acima de tudo, respeito e carinho pelos meus outrora desconfiados clientes.
    É engraçado imaginar as caras e bocas que todos faziam no começo ao sentar pela primeira vez na minha cadeira giratória de ferro cromado e couro macio.
    Vermelho. Sempre vermelhos!
    E, de repente, serem “tocados” por um macho magricela de traços femíneos, um tantico afetado entre risos sinceros e tiradas sarcásticas; e sentir seus pelos salpicados, aparados e muitas vezes embebidos em aromáticos cremes rejuvenescedores que proporcionavam maravimilagres naqueles fios tortuosos que eles chamavam de “cabelos” ou “barbas”.
    Com o passar do tempo, principalmente quando havia algum baile ou qualquer outro evento de cunho social na ilha, os machos mais jovens corriam para o “salão do Andreas”, loucos para ficar com o visual tinindo de “lindos”, ampliando uma enormidade as suas chances com as garotas, na esperança de praticar seus necessários amassos fáceis, de escape, imbuídos na ilusão de um amor que não era o Amor.
    Cada cliente que frequentava meu salão não ganhava apenas um corte ou um trato “manêro” na pelugem rústica. O que faz minha fama – além de realmente deixar meus homens mais palatáveis a um valor honesto – são os conselhos amorosos e as dicas quase sempre infalíveis torpedeadas por mim-eu-mesmo, ensinando a arte óbvia de como se conquistar com carinho e respeito essa ou aquela guria do momento.
    Afinal, em Lovland era corriqueira e presente a crença de que todo gay carrega duas almas em uma: o feminino e o masculino arraigados dentro de si, o que nos proporciona o dom do conhecimento supremo sobre todos os mistérios da mulher.
    Somente quem optou em ser homem-mulher-humano é capaz de conhecer em profundidade todas as nuances da alma hermafrodita. Esse é o privilégio de uma conquista galgada entre inúmeras passagens por essa terra coroada de oportunidades fantásticas de suave evolução.
    Na intimidade, no meu clube do Bola Magra onde Lindinhas não entram nem para dar “bom dia” (mentirinha!), eu me divirto à beça com meus comentários e acertos encarados pela ala masculina como “sobrenaturais”!
    Perdi a conta de quantos e quantos casais se uniram na ilha por obra e graça das minhas valiosas dicas sentimentais. Esse lado “casamendoido” já existia muito antes de eu me firmar como um bom profissional cabeleireiro.
    Eles me idolatram.
    Elas me adoram.
    Todos me respeitam.
    Simples assim!
    O mundo sabe, na teoria, o que deve ser feito. Porém, são poucos os Corajosos a realizar o que deve ser concluído a contento.
    A vida é uma sucessão de fragmentos de obviedades. É pena constatar que muitos se acomodam nas barbas da Dona Mediocridade e se escondem atrás da Senhorita Ignorância, alimentando um medo descomunal em encarar a opulência da Felicidade, essa garota cigana, dourada e faceira, sem rumo, nem prumo.
    Sexta-feira costuma ser um dia cheio e muito corrido. Mas como não era época de pagamentos públicos, nem estávamos no auge da temporada e não haveria nenhum significativo evento festeiro naquele fim de semana específico, senti alívio ao finalizar meu último corte pouco antes das seis.
    Fechei o salão, conferi o movimento na praça e corri até a floricultura dos Petry. Precisava me inebriar com a essência das Coloridas e das Verdejantes.
    Eu almejava alguns minutos de meditação e serenidade enquanto desfilasse entre as cores, texturas e alegrias das inúmeras espécies florais da grande casa de vidro e madeira do outro lado da agitada Rua Riemann.
    “Oi Leo. Já fechando?”, perguntei, esbaforido, três minutos antes do encerramento de tudo.
    “Oh, sim, Andreas lindinho. Hoje não quero ficar até sete, oito. Preciso voltar logo para casa. É noite de novena. Minha mãe pediu para eu preparar algo bem gorduroso para receber as carolas, você sabe”, disse o rapaz cabelo de cenoura, entre um sorriso furtivo e um olhar perscrutador derramado diante de um grande vaso carregado de crisântemos.
    “Você deseja algo em especial? Humm, deixe-me ver... talvez queira que eu lhe prepare um extravagante arranjo em tons cítricos… para comemorar a vigésima data do seu aniversário de, digamos, ‘menina solitária’?”, continuou Leo, sempre prestativo, gentil e fofo.
    “Quantos séculos sem dar uma mesmo?”, cacarejou meu sensível e discreto amigo.
    “Engraçadinho. Na verdade, Senhorita Petry, preciso de uma única informação”, eu revidei, enquanto caçava Futuro com meu olhar atento além das grandes vidraças, buscando entrever o Maior Abandonado.
    “Você por acaso reparou num senhor todo enfiado em roupas de frio, que permaneceu durante essa semana calorenta por horas e horas sentado, sozinho, ali na praça?”, emendei a frase num falsete meio afoito e comprometedor demais pro meu gosto.
    Leo caminhava e conferia o fechamento de cada janela, tudo no piloto automático, quando, de repente, começou a rir do meu súbito interesse no Desconhecido.
    “Não vá me dizer que você quer dar pro velhote!”, gargalhou Leo, simulando trejeitos eróticos que fizeram corar o cristo crucificado no quadro requebrado ao lado do Caixa.
    “Não é isso, seu tonto!”, vociferei, encarando o absurdo com bom humor.
    “E não se esqueça, caralho... que eu sou bam-BEE-combustível, queridinha!”, retruquei, estalando os dedos e batendo cabelos, rindo da minha baboseira.
    “Você sabe que Lovland é um ovo. Todo mundo conhece todo mundo. Mas eu nunca reparei nesse sujeito antes. Só fiquei encafifado em vê-lo durante todos esses dias por ali, indo e vindo sem nunca chegar, carregando esse ar de profunda tristeza e abandono a lhe massagear os ombros. Sei lá, me deu vontade de ser prestativo, de fazer algo... não sei”, revelei minhas reais intenções com sinceridade.
    “Hã-hã. Eu compreendo, Sra. Andreas Calcutá. Bom, o coitado ficou a tarde inteira sentado bem ali”, afirmou Leo, com desdém, apontando na direção do centro da praça.
    “Pelo que eu pude perceber – não que eu seja curiosa! –, ele passou um montão de tempo de cabeça baixa, lendo um livro que parecia ser uma bíblia sabe-se lá qual versão agora inventada pelo homem”, ele riu, meio sem graça, arisco para reiniciar mais um debate inútil sobre Religião versus Verdade.
    Respondi apenas um “hum-hum” pela óbvia dica concedida.
    Rodopiei durante alguns segundos defronte o imponente balcão em granito. Na base do uni-duni-tê, após um tempo absurdo e delirante, eu acabei escolhendo um gracioso vasinho de lata pintado de verde-mar, onde brotando do seu interior havia uma fartura de minúsculas flores multicor luminosas, aromatizadas num perfume olimpo.
    Não querendo dar o braço a torcer pela minha total ignorância botânica, fiz um ar arrogante do tipo que conhecia em profundidade minha recente aquisição, estampando um falso e patético semblante de “entendido” perante meu amigo apressado, que na mesma hora me cumprimentou pelo meu bom gosto apurado.
    “Parabéns. Bela escolha, meu caro Andreas. É para você?”, questionou meu amigo florista, embebido em sarcasmo, mesmo sabendo a resposta.
    “Na verdade… não. Digamos que seja um presente, espertinha! Vamos ver se essa sua obra de arte natural é capaz de transformar uma dor medonha num bonito sorriso”, adiantei-me na confirmação da suspeita do meu amigo mais do que antenado sobre minha sintonia de amor fraternal.
    “Jeovaogum eterno, ela vai D-A-R para um Sem-Tudo!”, gritou Petry, diante das minhas garras volverineanas prontas a degolar um incauto pescocinho d’angola.
    “Está certo. Acho que ele vai gostar. Admito: seu gesto fará bem ao pobre velhusco”, disse Leo, embalando em celofane e arrematando em fitas azuis e douradas o meu bonito presente.
    “Se eu tivesse coragem de abordar assim um estranho, como você está prestes a fazer... nossa, pra falar a verdade... eu invejo sua atitude, Migaaa!”
    “Hoje eu só quero que o dia termine bem...”, cantarolei, vagamente emocionado, pois algo deliciosamente desconfortável crescia em mim e uma voz interior como que me empurrava, coiceando-me, incentivando meu humilde ato de solidariedade.
    “Quanto lhe devo?”, perguntei a Leo, que ajeitava com maestria laços e firulas cintilantes, dando os últimos retoques que resultaram num magnífico mimo montado com sincero carinho e extraordinária competência.
    “Não é nada. Pode levar. Deixe-me contribuir com um pedacinho perfumado e colorido da sua lasca de esperança. Espero que a possível história vindoura tenha ao menos um breve toque de felicidade”, comentou Leo, arroxeado de vergonha, não acreditando no que acabara de proferir em sereno e bom tom, bem na minha frente!
    Ao sair da casa de vidro, precisei disfarçar as lágrimas de apreensão e minha cara apalermada pelo que eu estava prestes a realizar. Eu não queria chegar perto do sujeito como se estivesse retornando de um enterro.
    Caminhando a passos ridículos de tão curtos, quase que arrastando minhas longas pernas brancas e bambas demais, eu procurava um jeito de compreender minhas atitudes e o que me conduzia ao encontro não programado.
    Havia um medo insano se apossando do espaço entre meu mamilo esquerdo e meu coração vacilado. O receio de ser esculachado em praça pública travava ainda mais o meu andar vacilante. Que alívio constatar que não havia quase ninguém transitando por ali, naquela hora.
     
    A famosa Praça da Paz, localizada bem no centro de Lovland, é constituída pelos seguintes elementos cênicos: ao meio, uma imponente escultura do conquistador da ilha (feito realizado em 1938), Peter Schwarz; uma série de bancos em ardósia ao redor do homem de bronze, formando uma meia-lua respeitosa sobre um piso de tijolos rústicos em tons acobreados; uma linha natural de coqueiros, pinheiros e araucárias fincados pelo Criador num arranjo sublime, estranho e, para muitos, inconcebível, emanando uma beleza que até hoje encanta e encuca os passantes, onde o conjunto de árvores frondosas traça majestoso caminho que conduz os transeuntes a uma trilha que desbrava uma excitante mata fechada que, por sua vez, desemboca na mais bela praia da ilha: Gobsun.
    Fora de mim-eu-mesmo, eu aguardei o Novo durante uns treze minutos.
    * * *
    Ele surgiu por detrás da banca de jornal do Sr. Schwabe. Sentou-se no oitavo banco, sozinho, onde uma requentada versão de um olhar consternado parecia buscar o alívio excelso ao contemplar por um período infinito a fachada da igreja de São Crabedean, padroeiro de Lovland.
    A poucos metros do velho homem, apenas um casal de adolescentes trocava selinhos de um amor ficante, inútil, passageiro. Logo mais adiante, do nosso lado esquerdo, havia algumas crianças disputando uma acirrada partida de bolinhas de gude num provisório descampado de terra, cena que me turvou o olhar riscado em lágrimas pendentes, recordando-me uma infância feliz, porém solitária. Eu adorava jogar bolas de gude. Era a única chance que eu tinha de ser alguém no meio da molecada.
    De onde eu estava, inspirei o ar tépido da noite desnuda, firmei o passo e aprumei a postura, seguindo confiante a trilha do meu destino, usando como proteção bem diante do peito a tal latinha florida que poderia me salvar de mim-eu-mesmo. Ou não.
    “Oi. Ocupado?”, perguntei, querendo morrer e ser sugado para o centro da terra imediatamente após proferir tamanha bobagem.
    “Oi”, disse o velho, com a voz empastada.
    “Toma. É... pra... você!”, despejei de bate-pronto o meu pacote sobre o moribundo, numa atitude ansiosa, amadora, tosca.
    Eu não sabia como agir e não tinha ideia do que fazer a seguir.
    “Flores... p... ra mim? Quanta gentileza!”, ele gaguejou, abalado por causa do meu fofo ato destrambelhado.
    “Posso me sentar ao seu lado?”, questionei, um pouco mais seguro, tentando me concentrar em cada passo, em cada palavra.
    “Claro”, ele respondeu, enquanto acariciava, confuso e excitado, as fitas azuis e douradas do magnífico arranjo.
    Ficamos em silêncio por desajeitados trinta e sete segundos.
    O embaraço foi cortado por um:
    “Muito obrigado pelas flores. São lindas. Posso abrir o arranjo para sentir melhor o aroma das pequeninas?”, perguntou Ansioso, estampando no semblante um ar quase infantil.
    “Ah, sim. Claro. Por favor, faça isso!”, respondi, buscando confiança em algum lugar obscuro do meu interior abismado.
    “Meu nome é Kauer. Johann Kauer”, murmurou Tímido, afoito em desatarraxar os laços que Leo havia moldado com tanto esmero.
    Abobalhado, o coitado se divertia à beça, como a desembrulhar o primeiro presente dum oitavo Natal.
    Assim que liberei meu currículo básico, fiquei ali, por um tempo dilatado demais, apenas contemplando a cena, honestamente feliz por vislumbrar um traço de euforia que pespontava naqueles lábios e olhos outrora amorfos.
    “Que perfume. Puxa. Que perfume!”, sussurrou Kauer para si mesmo, agora radiante, segurando o arranjo com uma das mãos, enquanto com a outra limpava a palma rugosa na velha calça de veludo, buscando meu cumprimento logo em seguida.
    “Muito obrigado. Muito obrigado... mesmo... pelo presente. Puxa, que flores são essas?”, Kauer me questionou, onde seus olhos límpidos imploravam uma resposta certeira.
    “Não carrego a mínima ideia”, respondi, meu olhar buscando um tijolo solto sobre o piso, para que eu pudesse arrancá-lo e enterrar minha cabeça aloirada debaixo da areia compactada.
    Kauer simulou um ar sério, decepcionado, que perdurou por alguns segundos. Sua máscara despencou logo em seguida, promovendo cores suaves a um rosto luminoso, espocando uma gargalhada afável.
    Permanecemos bons instantes a nos aquecermos em risos revigorantes, onde o gelo – aleluia! – também fora derretido por completo, dando passagem ao princípio de uma conversa reveladora.
    “Por favor, eu preciso saber qual é a sua história”, perguntei a Kauer, com um ar sério, porém embebido em carinho e compreensão.
    Assustado, Johann Kauer, o velho, inspirou um pouco mais do perfume das suas delicadas anônimas, talvez buscando forças para revelar de uma vez por todas o que deveria ser despejado numa só tacada, aliviando assim, em definitivo, sua alma pesada e contida.
    O mortiço confiou em mim:
    “Foram dezoito anos de um relacionamento de sonhos. Sabe, daqueles que só dão certo em folhetim de quinta ou num romance tipo ‘Z’ reprisado pelo Canal 5 na madrugada. Ludwig, Lud, estampou seu vigor na minha existência numa tarde comum, em que eu investia umas economias na compra do meu primeiro carro, um VW.
    “E lá estava o rapaz. Novinho e novato. Prestativo. Simpático. Quase um vendedor profissional. Levei quarenta minutos para me decidir sobre a compra, apalermando numa concessionária no centro da Cidade Cinzenta. Logo após assinar o cheque, quando enfim pude sentir demorado calor e reparar na textura da mão do vendedor tão amável, percebi que estava apaixonado. Perdidamente apaixonado.
    “Nervoso e atrapalhado, pedi para que Lud providenciasse o envio do veículo à minha residência aqui na ilha. É claro que ele mesmo tratou de levar meu carro ao seu destino final, dois dias após o fechamento da compra e documentos em ordem. Um café, dois cigarros, muitos sorrisos, diversos cumprimentos, um leve agradecimento e, enfim, desatei minha coragem… ao fazer um pedido formal de namoro… que foi aceito sem nenhum questionamento!
    “Aos quarenta e dois, após nove anos de solidão, foi me envolvendo com um garoto de vinte que tive a chance de encontrar o Amor. Vivi essa amizade em harmonia, em toda sua glória, como num sonho perfeito que só acabou com a passagem do meu amado... para o mundo... real... lá em cima!”, continuou Kauer, engolindo seu desespero com dificuldade, visivelmente abalado por se abrir sem ressalvas a um boquiaberto estranho estrábico.
    Impressionado com o relato assim, na lata, cuspido sem rodeios, num ato mecânico tomei o velho homem em meus braços, cobrindo seu rosto suado com minhas mãos de princesa. Retirei de sua testa os quebradiços cabelos prateados, que pareciam querer se desmanchar entre meus dedos bem hidratados.
    Uma brisa cheirando pipoca, dançando noite adentro, envolvia nossos corpos, transportando nossos espíritos incompletos como por encanto até um ponto além da dor, acima do insuportável.
    “No decorrer da nossa felicidade, mesmo sob protestos do meu amado, durante anos fui passando aos poucos todos os meus bens em nome de Lud. Imaginava assim garantir sua segurança, seu conforto, seu futuro quando eu viesse a partir, seguindo a lógica da Natureza.
    “Mas, ironia maldita das ironias, meu Lud, trinta e oito anos, partiu correndo… antes de mim. Um cruzamento. Um sinal vermelho desrespeitado. Lud chapado pela primeira vez na vida, em decorrência de um sonho quase realizado: adotarmos uma menina. Um vislumbre que parecia se concretizar após milênios de lutas contra a burrocracia e o preconceito. Bastava apenas uma última canetada do Grande Homem da Lei e nossos anseios finalmente encerrariam seus expedientes. Lud estava eufórico. Ele sabia que conseguiríamos. Esperançoso, não cabendo em si e louco de vontade de estar em casa, onde comemoraríamos a nossa penúltima vitória.
    “Mas ele bebeu. Ele entornou todas as ‘Budweiser’ ainda na Cidade Cinzenta. Feliz, feliz, feliz. Iniciou a comemoração com os colegas de trabalho. Do bar, ele me ligou, radiante. Embebido na ignorância (eu sabia que ele estava alterado, mas não tinha noção de quanto isso o afetara no ato de dirigir), apenas pedi para que ele retornasse o mais breve possível para o nosso lar. E ele voltou, rápido demais. Passou a ponte. Virou à esquerda. Esqueceu que havia um cruzamento, que havia um semáforo, que havia um sinal vermelho. Ele passou, ele ignorou o básico, o essencial. Ele passou... reto... e o nosso VW foi massacrado por uma caminhonete que dilacerou o lado do motorista. Meu motorista. Meu homem. Meu Lud. Morto!”
    Johann Kauer, a dor encarnada, em seu relato calcinante acabara de fixar no seu vulto mais cem anos de sofrimento através daquela ferida escancarada.
    Ele chorava, seu corpo tremia, os vincos da depressão se pronunciavam, profundos, gritantes, enquanto ele relatava sua tragédia. Eu engolia o pranto, pois precisava demonstrar uma força que eu não possuía.
    Um fragmento daquele filme passou pela minha mente conturbada. Eu e Petry havíamos lido no jornal local todos os detalhes do cretino acidente. A notícia ainda rendia horas e horas de papos furados nas mesas de bar. Quem era o culpado? Quem era o inocente? Conjunturas que não trariam Lud de volta.
    “Sabe, Andreas. Eu e Lud éramos muito caseiros, discretos, raramente vistos juntos por aí, entende?”, disse Kauer, lendo meus pensamentos.
    “Nossa vida social sempre fora vivida além da ponte, na Cidade Cinzenta. Meu mundo fora devastado pela ausência física de Lud em minha existência. Mas o pior viria a cavalo, literalmente. Lothar, o irmão mais velho de Lud – que, por sinal, me odiava desde sempre – apareceu em minha casa poucos dias após o fim de tudo. Ele veio acompanhado de um homem com ar severo, que cheirava a encrenca. Vinte minutos de conversa, nada de café, mas envoltos em quilos de nuvens cuspidas por cigarros malditos, meu destino fora traçado, selado, sepultado.
    “Perante um calhamaço de papéis infames, o Urubu despejou sobre mim tudo aquilo que eu não mais tinha direito de nada. Assim mesmo, falando desse jeito. Nada era meu. Nada me pertencia. Tudo era de Lud. E seu esperto irmão Carniça de merda afirmara que ‘as coisa’ agora pertenciam a ele e sua esposa.
    “Trinta dias. Era o prazo. Nada deveria ser retirado, a não ser alguns poucos pertences que realmente podiam ser considerados meus... tudo desovado no interior de uma mochila. O tempo passou. Ganhei as areias. Afundei meus restos no asfalto.”
    Fiquei atônito diante dos fatos absurdos. Johann Kauer tinha direitos. Nada podia ser resolvido assim, pá-pum-bola! O ódio galopava ascendente. Minha vontade era de pular no pescoço de Lothar e seu advogado do diabo, gastando minhas unhas manicuradas a dilacerar suas carnes pútridas.
    “Eu sei o que você está pensando. Mas, por favor, não se preocupe. Eu não quero enfrentar nenhuma batalha contra o irmão de Lud. Ele fez de tudo para arruinar meu casamento, sem sucesso. Agora, sem meu eterno meninão, nada para mim carrega bom sentido. Não há forças, muito menos qualquer indício de disposição para nadar contra a ganância de homens selvagens, desonestos, homofóbicos. Desde então, uma vez expulso e excomungado, o que faço é caminhar pelas nossas praias, mantendo o orgulho de vestir minhas roupas gastas; roupas que um dia usei para sair e comprar um carro... e acabei com um robusto veículo na mão e um sensível homem maravilhoso na minha cama... durante dezoito inebriantes séculos encantadores.”
    Um tempo fora do Tempo.
    Kauer inspirava o perfume das Delicadas. Seu olhar permanecia vidrado nos vitrais da Grande Igreja que emanava sua piedade bem à nossa frente.
    “Sabe, meu rapaz, Lud e eu sonhávamos em casar aqui, em São Crabedean. Já imaginou se isso fosse possível? Ainda mais em Lovland? O mundo seria tão diferente...”
    “Uma vitória que um dia vai se concretizar, eu acredito! Mas, claro, não no seio da atual Igreja”, afirmei, resoluto.
    “Sinceramente, a Igreja nada importa. A fé que carregamos dentro de nós mesmos é o que vale. Se eu tenho a oportunidade de ser abençoado pelo Criador, sem necessitar de nenhum intermediário, para que me preocupar com aqueles que juram acreditar que são seus subordinados diretos?”, continuei, buscando em mim-eu-mesmo um sorriso sarcástico bem propício para a ocasião.
    “Benta, Benta, Santa Bentaaaa!”, cantarolamos em uníssono. Gargalhávamos feito lunáticos diante da nossa sincronia de pensamentos, ironizando qualquer um que se julga acima do Universo Colorido.
    Universo esse que sustenta os alicerces da Igreja que ele, um dia, presidiu.
    Afinal, a base da Igreja é feliz! Se não fosse a nossa arte, a Igreja jamais encantaria suas ovelhas. O Vaticano é uma comunidade de homos enrustidos e infelizes.
    Eu não queria deixar Johann abandonado em praça pública. Um homem frágil, cheirando a salitre, “asarrô” e demências, definhando a olhos vistos bem diante do meu olhar estupefato, procurando abandonar sua vida terrena em prol de uma morte obscena.
    “Não, definitivamente... não!”, eu gritei, quase histérico.
    “Eu, Andreas Bast, não vou permitir que você se entregue assim. Não mesmo!”, vociferei.
    Johann Kauer, o cansado, nem um pouco espantado diante do meu show das vinte horas, apenas sorveu mais e mais do néctar das Delicadas, ignorando minha bambeesteria.
    “Certo ou errado, quem decide o nosso destino somos nós mesmos”, afirmou Kauer, enquanto espreguiçava os músculos flácidos pelo desânimo.
    “Você, meu Andreas, teve a nobre atitude de dar atenção a um decrépito que almejava apenas isso: ser ouvido por alguém. Nessa hora, hora e meia… treze minutos… não sei como, você aqueceu minha coragem e pude expurgar aquilo que me corrói o espírito. Suas Delicadas, seu presente tão sensível, foram um bálsamo final a acalentar por alguns instantes a minha macilenta depressão”, sussurrou a voz da experiência.
    “Eu não vou deixar você morrer, nem desistir, seu babão idiota”, eu disse, sem me preocupar com a enxurrada que descia pelos meus olhos esbugalhados. Eu tremia diante do que eu pressentia acontecer.
    “Fique tranquilo, Andreas. Eu não vou me matar. Não posso aniquilar o que já não carrega mais vidas!”, afirmou Kauer, acariciando minhas mãos hesitantes.
    “Por favor, deixe-me ficar aqui sozinho. Deixe-me contemplar um pouco mais esses vitrais tão lindos... o Cordeiro de Deus... cabritinho tão meigo!”
    Não pude deixar de desferir uma última gargalhada pelo comentário afetado daquele homem lesado.
    “É assim que eu quero imortalizar a lembrança. Deixe-me na companhia das Delicadas, do meu presente, das minhas cores. Permita-me fechar os olhos e guardar nas minhas retinas o timbre do seu sorriso tão gostoso, que me fez tão bem...”, sussurrou, mais uma vez, o velho homem acabado.
    “Enten... di o rec... cado”, eu fragmentei, soluçando, tentando retomar as rédeas do meu autocontrole.
    “Pelo menos feliz fico em saber que bem minhas Delicadas fizeram a você!”, conclui a frase que imaginei de um jeito e pronunciei de outro.
    * * *
    Cinco, seis, sete dias se passaram após aquela noite.
    Lembro-me que a despedida foi algo um tanto formal demais pro meu gosto. Trocamos um breve aperto de mãos e um longo abraço. Não resisti, claro, e tasquei um beijo no meu teimoso desvanecido. Um beijo seco num rosto que parecia recoberto por escamas, onde o princípio de uma atrevida barba espessa tomava forma em velocidades, a fim de apagar ou atenuar as marcas de aflição de um homem que havia se esquecido de viver, desligado o plugue, cortado o cordão universal.
    Naquela rotineira semana de trabalho, foram poucas as ocasiões em que torpedeei meus clientes com frases de apoio à suas conquistas em seus sonhos de encontros com suas afoitas princesas desencantadas. Eu só pensava e refletia e temia não ter dado o máximo de mim-eu-mesmo para apaziguar o sofrimento daquela alma abandonada que vagou incógnita pela Praça da Paz: a via sacra em que eu cruzava todos os dias o seu majestoso território.
    Eu meditava, por vezes cabisbaixo, tentando disfarçar minha angústia à procura daquele corpo de carnes flácidas que liberava no ar uma mistura de decadência besuntada em restos de perfume importado.
    Não havia resquícios da sua passagem pela minha existência.
    Que sandice presenteá-lo com um punhado de Delicadas coloridas.
    Flores chinfrins para um homem chinfrim!
    Baah! Deixa pra lá. Fiz a minha parte.
    Consolei por alguns instantes um coração aflito.
    Fim de caso. Bolas para frente e rabo, empinado, para trás!
    * * *
    Petry me ligou, atarantado, pedindo pelamordedeus para que eu fosse até sua floricultura na hora do meu almoço tardio.
    Eu sabia que era o aniversário de sua mãe. Imaginei Leo subindo pelas paredes em seu famoso surto histérico durante os preparativos da festa surpresa (nada oculta) que ele daria para a velha maluca, logo após o expediente.
    “Ai, Migaaa... que bom que você veio. Que correria! Você sabe, não é mesmo?”, disse Leo, hiperativo, dando apreensivos retoques num elaborado arranjo de flores brancas, onde suas hastes bailavam na base de um tubo de vidro vaporoso.
    Notei algo parecido com gel azulado sendo enfurnado tubo adentro, onde conchinhas e pedrinhas e firulinhas adornavam seu interior. Toda aquela pantomima petrystica dava forma, cor e graça a mais uma produção extraordinária, de tão simples e bela e desejável, tudo ao mesmo tempo.
    Ainda enjoado por ter lanchado tão rápido, aguardei com paciência o final do espetáculo criativo.
    “Toma. Leve isso lá pro seu salão. Minha... mãe... não pode ver o presente antes da hora”, disse Leo, de um jeito esquisito, me despachando sem piedade e sem maiores explicações.
    No curto trajeto de volta ao meu santuário, eu me consumia de curiosidade para saber o motivo que levaria uma dondoca dona de floricultura querer ganhar um arranjo florido do filho herdeiro de uma floricultura!
    “Ô gente estranha”, pensei alto, rindo das minhas teorias conspiratórias.
    * * *
    Sete e quinze. Havia passado da hora de fechar o salão.
    Eu, sentado diante do tubo de vidro cheio de conchinhas paleolíticas e faceiras flores argentadas rindo da minha fuça desfigurada, aguardava as próximas instruções do meu espevitado amigo bambeestico.
    O telefone tocou vinte e dois minutos depois. Atendi com certo desconforto, pois não via a hora de despachar aquele ebó florido e voltar logo para o aconchego da minha pequena, arrumadinha e confortante casinha de (uma) boneca.
    Eu sonhava com minha banheira e meu jacaré de borracha, antes de encarar o grande evento.
    “E aí, Dona Virgem. Já abriu o cartão?”, chilreou, debaixo de um riso tosco, meu florista gliterizado.
    “Você cheirou pólen demais, Petry”, eu retruquei, um pouco sonolento.
    “Você acha que eu teria coragem de fuçar em algo que pertence à sua mãe? Esqueceu como é a fera?”, esbravejei, olhando fixo para um arranjo fluorescente que continuava a gargalhar da minha canseira lavada.
    “É que eu queria saber sua opinião sobre… a… mensagem… isso, a mensagem que escrevi pra ela, cacete!”
    “Espere um segundo, vou pegar a porra do cartão, lindinho. Ah, primeiro vou mijar. Depois eu leio e te ligo em seguida!”
    Ignorando minha bexiga, apenas estiquei um pouco o braço para alcançar o dispendioso envelope cor creme, onde o relevo do seu conteúdo interior me fez tremer um bocado, antes mesmo de ler a quarta palavra escrita numa impecável caligrafia:
    “Andreas, meu amigo, como é possível um pequeno gesto ser capaz de mudar toda a trajetória de uma quase perdida existência? Numa noite de solidão e franco desespero, fui agraciado com o perfume e o colorido irradiante das minhas/suas Delicadas. Quando eu imaginava não ser mais digno de carinhos e atenção, um belo exemplar de Estranho sentou-se ao meu lado e, sem nada exigir, apenas ofereceu a um pobre coitado alguns minutos de fraternidade. E ainda fui agraciado com um inesquecível presente, o qual agora, ao meu modo, procuro retribuir em sinal de agradecimento sincero por você ter salvado a minha vida de mim-eu-mesmo...”
    Eu queria gritar. Talvez mais! Eu queria era berrar pra todo mundo ouvir o timbalear incessante do meu coração aos trancos. Absorvi com gosto o leve perfume adocicado das minhas Delicadas e fui brindado com uma visão do Paraíso bem à minha frente.
    Johann Kauer, o velho renovado, agora barbudo e – para mim – ainda mais belo, repousava seu astuto rosto cansado no vidro do lado de fora, observando sei lá por quanto tempo todas as minhas reações diante de tão perplexo presente.
    Abri a porta, abri os braços, abri as travas dos três cadeados que bloqueavam a passagem para o meu íntimo. Notei que Kauer, apesar da aparência ainda depreciativa, trajava roupas limpas e seu corpo emanava o deslocado aroma de um sabonete popular.
    “Me aceite como seu fiel amigo”, disse Kauer, cobrindo-me com um abraço-irmão. “Ajude-me a voltar a ser um homem centrado e feliz, apenas isso é o que lhe peço, Andreas”, implorou o velho, traçando o sinal da cruz com seu dedo indicador frio e rígido, bem na altura do meu coração duzentos e quarenta por hora.
    “É claro que eu aceito você na minha vida. Prometo fazer tudo o que estiver ao meu alcance para transformá-lo em um homem realizado”, respondi com um clichê embasado numa tremenda sinceridade.
    “Hoje você é meu convidado de honra. Amanhã você organizará seus poucos pertences. A minha casa será a nossa casa. Vamos repousar uma grande pedra sobre o Passado. Precisamos começar do ponto zero, exatamente como tudo deve ser feito”, continuei, disparando frases sem me preocupar com lógicas, deixando as coisas claras desde o princípio de tudo.
    Kauer buscou meus lábios, que aceitaram de bom grado um beijo úmido e agridoce a selar nossa parceria.
    Eu tive que assumir que estava apaixonado!
    Entre beijos, sorrisos e afagos, Kauer havia me explicado que passara os últimos dias num recém-descoberto abrigo – destinado a homossexuais que sofreram qualquer tipo de violência – administrado por amigos, um casal de idosos gays, no leste da Cidade Cinzenta. Ele tentou se fortalecer emocionalmente, meditando e assumindo a última chance de viver com dignidade.
    Com vergonha de me abordar, temendo uma reação negativa da minha pessoa, ele buscou na tarde de hoje – por instinto – um contato com Petry, que prontamente revelou ser meu melhor amigo, entregando minha ficha completa ao meu pretendente, tomando para si o papel de cupido numa louca e verídica história de amor.
    “Eu não sei se vou conseguir lhe retribuir o Amor que você merece”, murmurou o velho homem, entre lágrimas e afeição.
    “Mas eu prometo que...”
    “Pare!”, eu disse, tapando a boca peluda com um beijo rápido.
    “Não faça promessas. Apenas entregue sua alma combalida aos meus cuidados. E nós dois, juntos, encontraremos a fórmula do que pode vir a ser o nosso Amor... à nossa maneira.”
    Johann Kauer, o renovado, o novo hóspede do meu coração, baixou todas as guardas e relaxou seus prantos em meus braços inacreditavelmente fortes perante a insólita situação revelada. Amparado e seguro, Kauer inspirou, prendeu e soltou o ar empapado em L'Oreal que infestava meu pequeno grande salão de homens que entravam monstros e saiam príncipes.
    Morriam as palavras. Sobravam as atitudes.
    Quase num sonho, como numa dança contemporânea, capitaneei o amado definitivo na direção do meu trono de ferro e couro. Ainda em transe, minhas tesouras mágicas e minhas mãos bailarinas transformavam o Fera em Belo, novamente.
    Um rosto quase maroto, delicioso em sua sensualidade, surgiu radioso após a derrocada de barbas, cabelos e pelos empesteados pela Dor, que jaziam disformes ao redor do meu trono romano. Serviço muito bem executado. Transformação completa. Meu novo macho – um novo homem! – surgia para o mundo dos Homens, agora limpo e purificado, refeito e preparado para o desenrolar de uma linda história.
    “Vamos para casa. Você precisa curtir um bom banho, experimentar roupas de festa e tamb...”
    “Agora… eu não necessito de mais nada, Andreas, meu rapaz”, sussurrou Kauer, cortando minhas palavras maternais.
    “Eu me sinto renovado, pois tenho uma luz a me guiar: Você. E ainda guardo o perfume das novas Delicadas a inebriar esse instante de alegria, de prazer, de contemplação do Belo, do Perfeito, do Absoluto”, concluiu o idoso pra lá de jovial.
    “Oiiii bambeepeopleeee!”, berrou Petry ao praticamente destruir a porta do meu salão.
    “Peço desculpas por invadir o ninho dos pombinhos unidos graças a mim-eu-mesmo, mas não se esqueçam de que temos uma festa para marcar presença daqui a pouco, viuuuu!”, cantarolou o Super Bambee.
    “Maricona, a senhora está com uma cara ótima! Ai meu Jeovacristinho... o que minhas flores e umas boas tesouradas da minha miiigaaa não fazem pelos homens malucos dessa ilhotaaaa”, encerrou Leo, um pouco mais modesto que o de costume.
    “Precisamos de um banho e logo estaremos ‘montadas e lindas’ para a tradicional festa que não é surpresa da sua santa mãezinha, meu lindinho”, eu disse, tentando ser ouvido acima das gargalhadas únicas de um Kauer remoçado ecoando no ambiente de loucas renovações.
    * * *
    A madrugada engatou a primeira marcha e assim deixamos a casa dos Petry pouco depois das duas.
    Caminhando pela praia de Gobsun, cartão-postal de Lovland, Kauer e eu arrastávamos os pés nas marolas, de mãos dadas, apreciando um azul prateado vindo dos céus, presente de uma lua grandiosa a abençoar a dança dos enamorados.
    “Até que a Sra. Petry não é tão rabugenta como vocês pregam”, disse Kauer, longe de saber toda a verdade.
    “É porque, ao chegarmos, ela já estava levemente cervejada”, retruquei, rindo, afirmando o essencial.
    Foi uma noite tranquila, muito agradável, onde além dos mimos ganhos pela aniversariante, notamos que na verdade os quatro integrantes do aprazível jantar saíram presenteados, agraciados com um novo recomeço. Dona Olga “Rabugenta” Petry ganhou um fascinante colar do filho, todo trabalhado em ouro e pedras peroladas que faiscavam beleza e até mesmo luxúria. Ganhou também a alegria e a companhia do filho único tão idolatrado e a chance de viver mais um ano após vencer a batalha contra um tumor encontrado no seio esquerdo.
    Leo Petry ganhou o direito de compartilhar sua vida por mais tempo ao lado da mulher que ele tanto amava. Ganhou a companhia e o carinho do fiel amigo de tantas e tantas encarnações. E agora acabara de ganhar mais alguém que certamente faria boa diferença tanto em sua vida, quanto no agito da sua querida floricultura, já que Kauer – sob as bênçãos da Sra. Petry, durante o jantar – fora surpreendido com o anúncio de um emprego!
    Ganhar: a segunda palavra mais bela do meu dicionário, depois de “Saudade”.
    Eu ganhei uma noite memorável, compartilhando minha existência junto das pessoas que representavam o alicerce da minha trajetória, onde um raro elemento fora adicionado de um jeito amalucado, é verdade, tomando lugar no vazio aberto por Lauros, Franzs, Vlads, entre outras picas e cérebros que deixaram suas marcas bem profundas nas entranhas do meu coração. Meu espírito, minha morada e minha existência abriam espaço para um desconhecido que mendigara apenas um resquício de atenção. A Confiança me transformou num homem de sorte.
    E Kauer, no final das contas, ganhou dois novos amigos, um possível amor (ao menos, seguro companheiro), um emprego em boa hora, uma chance de se realizar…
    ... e tudo isso por causa de uma atitude espontânea, um desejo profundo de se praticar o Bem, onde os ingredientes simples, exatos e abundantes estavam ao alcance das minhas mãos: uma pitada de Vontade, duas colheres de sopa de Coragem, trezentos gramas de Decisão, quatrocentos gramas de Carinho e, é claro...
    ... meia tonelada de Desejo de ser e fazer alguém feliz!
    Porém, justiça seja feita: se não fossem alguns gramas de Delicadas multicoloridas e cheirosas espetadas num vasinho feito de lata de leite em pó, pintado de verde-mar...
  • Descoberta

    Capítulo 1
    Estava eu a procurar uma camisa no guarda-roupas do meu quarto, quando me dei de cara com um objeto um tanto rústico para o restante das pessoas que procurava há séculos — talvez fosse exagero meu —, meu cordão com uma pedra ônix fazia quase parte de mim, e estava aflito com medo de especular a possibilidade de tê-lo perdido para sempre, mas finalmente o encontrei. Passava das oito horas da manhã e já estava bem atrasado para a aula em minha escola. Certamente não desejaria levar mais uma advertência em menos de uma semana por falta de pontualidade nas aulas do senhor Janet.
    Janet era meu professor de literatura e era caçoado dos demais estudantes pelo simples fato de seu nome ser dito feminino, mas justificara isso, pois seu pai assistia muitos filmes quando mais novo, lia bastante e se deparara com um série de livros cuja a protagonista era uma mulher chamada Janet e se encantara pela mesma, prometendo a si mesmo que homenagearia a mulher colocando seu nome em seu primeiro filho, fosse homem ou mulher. Deu no que deu.
    Mais tarde, pelo meio da aula de literatura me veio na cabeça algo que havia esquecido de fazer - eu realmente estava tenso naqueles dias e necessitava de férias, caso o contrário precisaria de remédio controlado, a não ser que eu quisesse enlouquecer — Sei que tinha prometido algo a meu amigo Ferdinando e era algo de suma importância para o mesmo, mas nem com todo o esforço do universo eu conseguira me lembrar. Peguei-me em divagações quando fui chamado atenção pelo meu professor, que pedira pronto para me ferrar que eu me dirigisse para frente da turma e fizesse uma breve síntese do próximo livro que íamos ler com base em suas palavras — mas eu não havia escutado nada — sem alternativa acabei por afastar a carteira e segui como seu terrível plano de me ferrar — estava realmente paranoico, pois aquele era meu professor e minha aula preferida — quando cheguei à frente daquela turma que por incrível que pareça estava posta com toda a atenção deles ligados em mim, olhei com um impulso para o relógio de ponteiros pregado na parede e suspirei de alívio imperceptivelmente. A sirene tocou, salvo pelo gongo pedi desculpas ao senhor Janet e ele não aceitou assim tão facilmente, me deu um livro que até então nem sabia o título para que lesse em uma semana e apresentasse um resumo na frente da turma sem consultá-lo. Fui pego de surpresa, pois apesar de amar ler, eu certamente perderia toda a sanidade que restava em meu ser se me compromissasse com mais alguma coisa nesse final de semestre, porém não tinha opção. Era isso ou zero, e a nossa amizade não tinha o menor peso dessa vez.
    — Senhor Janet! O senhor quer me enlouquecer de vez?! Acha que não tenho o que fazer?! Acha realmente que só tenho as suas coisas pra dar conta?! Perdoe-me a grosseria, mas suas aulas não são as únicas nessa escola! — Bombardeei-o de forma impaciente e impulsiva.
    — Meu jovem, já se acalmou? — Perguntou rindo — Olhe só, eu entendo pelo que está passando…
    — Não parece! — Exclamei interrompendo-o.
    — Sei que está sobrecarregado, e com isso nem reparou no livro que lhe entreguei. Creio-me que será mais uma diversão do que um trabalho — falou ele virando o livro em minha mão deixando à mostra a capa que me saltou aos olhos.
    — Não estou acreditando que é sussurro?! É meu sonho lê-lo desde quando saiu o prólogo! — Falei animadamente erguendo o livro contra o sol que saía pela janela em uma ação ridícula que só reafirmava a demência que as várias tarefas inacabadas da minha vida estavam me causando. Dei de ombros para a minha própria loucura e agradeci a meu professor por me proporcionar a realização dessa leitura.
    — Sei que você queria ler esta série e estava sem dinheiro para comprá-la, então, como sei que é um bom aluno, resolvi adicioná-la em minha ementa das obras literárias de contos fictícios para que você tivesse essa oportunidade. Mas me prometa que vai agradecer ficando mais atento em minhas aulas — falou Janet de forma preocupada e singela em minha direção.
    — Está bem professor, me perdoe… Talvez esse livro me faça bem, ou me enlouqueça de vez — pensei — Bom começo de tarde ao senhor e até próxima aula — Janet assentiu com a cabeça e vi que a conversa havia terminado, então saí em direção ao corredor e só aí me lembrei de que Ferdinando não tinha vindo à aula, com esse relance levei à mão a testa e lembrei-me do favor que tinha que fazer ao meu amigo. Teria eu que dizer ao professor de literatura que o mesmo tinha ido ao hospital visitar seu tio que tinha sido atacado por homens há umas cinco noites e tinha sido agredido friamente, fazendo com que ele fosse levado para a UTI no centro da cidade as pressas. Enquanto andava pelo corredor me lamentando da minha falta de memória, passei em frente ao meu armário e resolvi pegar meu guarda-chuva, pois sei que o tempo incomumente esfriara e certamente choveria. Aproveitei e juntei os livros que estavam amontoados no meu armário e coloquei-os dentro da mochila preta com amarelo que eu ganhara de aniversário de dezessete anos — eu ainda era considerado um bebezão para toda minha família — fechei o zíper que prendeu em uma página de um dos meus livros, rasgando-a, e desejei amaldiçoar toda a família do zíper até a sua quinta geração, mas lembrei-me que não passava de um zíper. Abri novamente a mochila e soltei um suspiro profundo de alívio ao observar que era um livro de matemática e não um dos livros de literatura —não gosto de matemática, apesar de me dar superbem na disciplina — fechei novamente a bolsa e me dirigi até a saída central da escola.
    Meu colégio era enorme, e apesar de ser um prédio que foi construído em meados do século XIX, era bem conservado, por todos, e o Estado tinha um apreço maior ainda por ele, pois no passado o mesmo fora casa de um imperador que veio de Portugal se apossar dessas terras — que já tinha donos —,mas na verdade o que eu sei sobre esse tal imperador português é que ele não passava de um homem que foi destituído de seu cargo e se obrigou a fugir para o mais distante de Portugal para não ser morto pelos homens que lhe haviam usurpado o poder na época, e sinceramente não sei o porquê, mas essa história me perturbava. Minha escola se encontrava no coração da cidade próximo a um bairro rico que era conhecido por ser boêmio e esse tipo de coisa. Ela tinha seu nome em alto relevo na fachada escrito com letras maiúsculas IMPERADOR MIRIEL I de forma imponente como se quisesse exaltar a figura de tal homem. Era um palácio enorme com várias salas construídas com materiais da época, com incríveis quatro andares e um terraço logo acima, no qual se realiza palestras de extrema importância para a instituição, com uma paisagem lindíssima, que dava uma visão privilegiada para toda a cidade. O colégio ainda não tinha sido reformado e corria o risco de ser tombado como patrimônio histórico e cultural estadual — não conheço nada sobre essas ações, mas tinha em minha cabeça que se isso acontecesse eu precisaria mudar de escola, e apesar de tudo não queria que isso chegasse a acontecer. Gostava daquele espaço.
    Eram quase duas da tarde quando recebi várias mensagens de Ferdinando no WhatsApp, enquanto eu estava deitado pronto para abrir meu livro novo. A priori tomei um susto, mas me recuperei de forma imediata e desbloqueei meu Samsung preto desbotado que pedia outro. Observei as mensagens, na qual meu amigo me convidava para ir dormir em sua casa a noite, pois seus pais iam visitar seu tio Nathanel no hospital e não voltariam antes do meio dia da manhã seguinte. Ferdinando era filho único, mas odiava ficar sozinho, mas mesmo assim seus pais saíam muito, principalmente a trabalho. Posso dizer que sua família não era rica, mas passava longe de ser pobre. Classe média alta. Fui até a cozinha onde se encontrava meu pai e meu irmão mais novo de 16 anos e pedi a ele permissão para dormir na casa de Ferdinando e expliquei a situação, e ele assentiu positivamente com a cabeça.
    — E mamãe, será se ela deixa eu ir dormir na casa dele? — Perguntei a meu pai de forma preocupada.
    — Não se preocupe Arthur, eu converso com ela, certamente não implicará com isso, ela nunca se importou em você dormir fora, principalmente se for na casa de Ferdinando — Falou meu pai, me tranquilizando. Vi que meu irmão só observava nosso diálogo atentamente e percebi que queria que eu o convidasse para ir comigo, assim o fiz.
    — Felipe, deseja ir comigo? — Perguntei de maneira convidativa, olhando em seus olhos.
    — Ah, não se preocupe meu irmão, já tenho planos para essa noite. Já pedi até papai e mamãe, e eles já deixaram. Vou a minha primeira festa com meus amigos e estou ansioso por mais tarde. Ia até lhe chamar para ir comigo, mas vejo que já têm planos também — Respondeu ele animadamente.
    —Sendo assim, divirta-se! — Desejei a Felipe, saindo da cozinha em direção à sala onde estava meu celular para responder Ferdinando.
    Felipe é um menino animado, negro de pele clara igual a mim. Uns cinco centímetros mais altos que eu, consegue me humilhar parecendo mais velho. Um rapaz bondoso e superprotetor. Aparenta ser ingênuo, mas só aparenta. Tem mais iniciativa do que eu. Ele certamente me supera em tudo, mas não sinto inveja. Não sou de se jogar fora.
    Respondi Ferdinando, e combinamos que eu chegaria a sua casa às sete horas da noite. Bom, era melhor eu me apressar, pois só faltava uma hora e eu demorava muito. Meu pai sempre me dizia em tom descontraído que eu quando fosse me casar, atrasaria mais que minha noiva. Mas quem disse que eu queria ter uma noiva?! Fui até meu quarto, peguei minha toalha cinza e entrei no banheiro. Tirei minha roupa, e a pendurei no vidro do box. Depois de uns dez minutos me enxuguei e corri até o quarto para trocar de roupa. Abri a gaveta, peguei uma cueca boxer branca e uma camisa preta, um short branco e joguei em cima da cama. Lembrei-me que precisava levar outras roupas, já que ia dormir fora. Peguei minha mochila na parte superior do meu guarda-roupa cinza e tirei cadernos e canetas de dentro dela. Joguei-a em cima da cama, e então peguei uma blusa azul marinho e um short preto, e uma cueca do mesmo modelo de cor vermelha, então fiz o mesmo. Olhei para o relógio e decidi rapidamente qual das duas opções de peça eu escolheria para ir vestido. Optei pelas últimas que havia colocado sobre a cama, então as outras roupas prensei entre os livros dentro da mochila. Dei mais uma vistoriada e tirei os livros didáticos, deixando só os literários.
    — Agora sim, mais espaço! — Sussurrei comigo mesmo. Fechei definitivamente a bolsa, destranquei o quarto e sai correndo pela casa. Parei em frente a mesa de centro da sala e peguei minha carteira que havia esquecido lá em cima. Peguei o celular e avisei que estava saindo de casa para Ferdinando. Ele me respondeu e disse que eu telefonasse quando chegasse perto do portão do seu condomínio. Apesar de eu já ter ido à casa de Ferdinando inúmeras vezes, o porteiro insistia em não me conhecer, então tinha que realizar todo um ritual que eu já estava cansado para que o mesmo liberasse minha passagem.
    Saí correndo da minha casa que ficava perto do centro de Colina em direção à parada de ônibus mais próxima. Dei sinal para o único que me levava o mais próximo da casa de Ferdinando. Paguei minha passagem ao cobrador e passei a catraca que fez um barulho estridente que fez com que todos do ônibus focassem os olhares em mim. Fiquei constrangido, mas logo me coloquei de costas para todos me apoiando em uma barra de ferro suspensa de forma horizontal para os passageiros que não tiveram a sorte de conseguir cadeira. Desloquei minha mochila das costas para minha barriga, e então fiquei em pé, esperando que eu chegasse logo ao meu destino. Ao passar das duas primeiras paradas várias pessoas que estavam em pé desceram na Avenida 3, na quarta parada duas moças que estavam sentadas nos bancos a minha frente se levantaram e deram sinal para descer do coletivo. Aproveitei e me sentei. Três segundos depois ouvi a catraca estalar como a vez que eu passei, mas não olhei para trás. Um homem que aparentava ter uns 22 anos, negro de pele clara, com músculos definidos — mas não denunciava a prática de academia —, cabelos negros e olhos castanho-claros, vestindo uma camisa de manga longa de cor acinzentada e short branco e chinelo branco, pediu licença de forma fria, porém educada para sentar ao meu lado. Afastei-me para o banco próximo a janela e ele sentou-se próximo a mim. Encaramo-nos por dois segundos, mas eu desviei o olhar, pois me senti acuado com tal situação. Olhei para fora da janela, observando aquela multidão de carros em fileiras. Já passara das sete da noite e só estávamos um pouco mais a frente da metade do caminho.
    Desfoquei minha vista dos carros e desloquei-a até o outro lado da avenida. Olhando para o vazio, eu via o tempo passar. Quase hipnotizado pela escuridão que ali estava no outro lado da pista. Saí do transe quando senti um leve toque em meu ombro que o apertou, eriçando os pelos do meu corpo — talvez pelo susto. Olhei rapidamente para o lado de onde vinha o aperto e vi que era o rapaz de camisa cinza que havia me tocado. Percebendo a minha reação ele me acalmou.
    — Acalme-se rapaz, eu só preciso saber a hora — Falou o garoto rindo da minha reação de forma descontraída, tentando me tranquilizar. Os cantos de sua boca se levantaram, mas sua reação não era muito convidativa. Aqueles olhos me fitavam de tal maneira que chegava a me perder em meus pensamentos. Os círculos cor de mel me prenderam facilmente como em um labirinto no qual eu não saberia o caminho de volta. Talvez eu só estivesse de paranoia mais uma vez. Fiquei olhando para ele imóvel, quando recebi um estalo com os dedos diante dos meus olhos, me fazendo cair na real.
    — Oh, me desculpe, desculpe mesmo. São sete e vinte — Falei olhando para meu celular. Ele sorriu como forma de agradecimento, e por um momento lhe vi observando-me de cima a baixo. Fiquei muito assustado com aquilo, mas contive minha reação. Guardei meu celular no bolso e voltei meu olhar para a janela novamente.
    — Você não sai muito à noite, não é? Parece muito espantado com toda essa situação simples do cotidiano das metrópoles — Fiquei surpreso com o comentário. Um rapaz desconhecido estava querendo bater papo comigo? Estava com um pé atrás com a ocasião que se desenvolvera, mas coloquei em minha cabeça que só era mais uma paranoia que minha mente atarefada criara no meu cérebro. Afinal, não tem problema algum em eu conversar com um cara, ou quem quer que fosse em um ônibus a noite. Tinha muita gente, e eu não era mais criança. Aquela história de não falar com estranhos talvez já estivesse vencida quando completei 15 anos de idade. E outra, dali a conversa não passaria. Eu desceria na minha parada, ele na dele, e não nos veríamos mais. Simples. Só uma simples conversa.
    — Bem… Não é que eu não saia a noite — eu raramente saía — é que estava perdido em meus pensamentos, refletindo sobre as várias tarefas de conclusão de semestre que tenho que fazer e outras coisas que me afligem no momento. É.… e também porque a droga desse ônibus está demorando muito chegar à minha parada — Respondi ao rapaz, tentando explicar a minha situação.
    — Hum… Sei bem como é. Onde você vai descer? — Perguntou ele a mim, com a voz baixa. Hesitei em responder, mas não queria parecer grosseiro.
    — Vou ao bairro Limoeiro, para a casa de um amigo — Respondi certo de que ia me arrepender.
    — Que ótimo então. Também estou indo para lá. Desceremos na última parada da Avenida 3, poderíamos ir juntos até lá. Teremos mais tempo para conversar — Gelei imediatamente, e queria me matar pelo fato de que diria eu avisei para mim mesmo, mas esbocei um sorriso falso como quem estivesse gostado da ideia. A verdade é que tinha muito medo. Medo não do garoto em específico, mas medo de qualquer pessoa que pudesse me atacar. Agredir-me pelo simples fato de ser quem sou. No caso, todo mundo. Na escola, as pessoas me conheciam como o moleque covarde, e muitos caras me metiam medo. Geralmente, eles são bem maiores que eu, o que intensificava a minha insegurança. Mas resolvi me acalmar, mesmo estando à mercê de um estranho, eu tinha uma vantagem. Ele não me conhecia.
    Caminhávamos pela rua que dava acesso ao Limoeiro, por baixo de um viaduto que era decorado por pichações ilegíveis. Estava extremamente escuro. Apenas andávamos vacilantes à luz de alguns postes com lâmpadas incandescentes. Algumas pessoas nos acompanhavam, pois haviam descido do mesmo ônibus. Apenas desconhecidos, mas mesmo assim me sentia seguro, pelo fato de ter um número relevante de pessoas. Acalmei-me. Estava de demência novamente. Era só mais um amigo que eu pudera fazer. Fica sossegado, pensei.
    Chegamos à parada a qual eu deveria pegar outro ônibus em direção à casa de meu amigo. Já era quase oito da noite e estava extremamente atrasado, como sempre, impontual. Não trocara mais nenhuma palavra com o rapaz que eu acabara de conhecer, e nem ao menos sabia seu nome. Foi tudo estranho. Aleatório, mas não me importei mais. Meu ônibus chegava próximo e me despedi do carinha que continuava ao meu lado, me olhando, mas sem nenhuma expressão no rosto.
    — Esse é o meu ônibus, tenho que ir. Prazer em conhecê-lo! — Comentei apontando para o coletivo que se aproximava enquanto estendia a outra mão para cumprimentá-lo em despedida. Ele sorriu, mas não apertou minha mão. Reagi surpreso, mas dei sinal e subi. Sem entender nada que se passou dentro do coletivo que pegara perto de minha casa até agora, passei a catraca e sentei-me na primeira fileira. Olhei para a janela e o rapaz já não estava mais na parada. Me arrepiei, mas logo justifiquei o fato de seu sumiço instantâneo. Talvez tivesse ido comprar algo, ou atravessado a avenida. Desviei o olhar e esperei até que chegasse ao condomínio de Ferdinando.
  • Diários de caça - Capítulo 5 – Bicho do mato

    Fazia tempo que não saltava daquele ônibus, após longas 6 horas de viagem, para a estação rodoviária da central. Creio que 4 anos me separavam da última visita a casa dos meus tios.
    Quando criança, vinha todas as férias, mais por pressão de meus pais do que por iniciativa própria. Nada contra meus tios ou primos, mas infelizmente o lugar me entediava fácil.
    Uma ironia, eu sei. Uma vez que uma parte de mim não via a hora de largar minha cidade natal sem olhar pra trás, outra queria voltar correndo quando ficava muito tempo afastado. Querendo ou não, eu era filho de minha terra e haviam laços ainda que me prendiam lá. Laços esses que foram bruscamente rompidos, em uma história que lhes contarei mais adiante.
    O fato é que a cidade, naquele época, não me oferecia grandes atrativos, além dos carros. E ficar com dois primos sedentários era ainda pior. Eles passavam horas sentados na frente do videogame, enquanto comiam as coisas que minha tia trazia. Os jogos eram até legais, mas eu enjoava deles rápido. Acabava que eu ia sozinho para a rua, brincar com as outras crianças, mas para todas eu era como um bicho do mato. Não sei se meu jeito as espantava ou elas simplesmente não aceitavam o fato de eu vencer qualquer uma facilmente em qualquer jogo que exigisse esforço físico.
    Da família, o único com quem ainda tinha alguma distração era meu Tio Mauro. Policial como meu pai, ele ainda tentava ter uma vida ativa. Quando eu estava lá, gostava de levantar cedo para ir se exercitar comigo, correndo no parque. E de noite, ele me ensinava xadrez, jogo do qual gostava mais do que os eletrônicos de meus primos. Normalmente eu encerrava minhas noites no quarto com meus primos, lendo uma revista nova sobre carros que meu tio fazia questão de comprar de véspera a minha chegada, enquanto meus primos jogavam seus jogos eletrônicos.
    Mas meus primos, por alguma razão, gostavam demais de minha presença, mesmo naqueles parâmetros. Foram eles que, após inúmeros telefonemas, me convenceram a pegar aquele ônibus. Prometeram que tinham excelentes planos, queriam ir à praia, às baladas e tudo mais. Duvidei de tamanha oferta, mas como meu pai gostava quando eu visitava o irmão, aceitei.
    Olhei o relógio e meu ônibus chegou antes do previsto. Talvez precisasse esperar um pouco minha carona.
    Lucas, o mais velho, tinha acabado de completar 18 anos e tirado a carteira de motorista. Então fez questão de ir me buscar. E Thales, dois anos mais novo, o acompanharia. Eu tinha 17 na época.
    Notei que dois rapazes vinham em minha direção. Não os reconheci, então continuei olhando as placas enquanto aguardava. Mas ao perceber que eles vinham direto para mim, cerrei os punhos. Acho que como todo o morador do interior, eu tinha certo receio das histórias de violência urbana. E talvez, um rapaz sozinho como eu pudesse parecer um alvo fácil para ladrões ocasionais.
    Me preparei para o pior, enquanto os dois sorriram e pareceram vir me abraçar.
    Dei um passo atrás até reconhecer a voz de Lucas saindo do maior.
    - Caramba primo, quase não te reconheci
    Thales ao seu lado dava tapas no meu ombro, ambos parecendo bastante animados. Eu olhava de um a outro tentando reconhecer, e com muito esforço fui identificando traços de meus primos nos dois caras ali. A diferença era gritante. Os dois, muito gordos anos atrás, agora eram verdadeiras máquinas de músculos. Lucas era mais alto que eu, tinha ombros largos, cabeça raspada e deixara a barba crescer. Thales, menor, era mais socado, braços grandes e conservava boa parte da cara de garoto, causando uma combinação estranha entre seu corpo e seu rosto.
    - Caramba - tentei disfarçar a surpresa - Vocês estão irreconhecíveis.
    - Tomamos vergonha na cara - Thales riu, mostrando o braço forte.
    - Mas você também, Fábio. Que carcaça é essa - e deu um soco em meu peito que eu tive forte vontade de revidar. - Olha isso. Parece um armário. Tem academia na sua cidade?
    Eh, o bom e velho preconceito das grandes cidades. Estava demorando.
    Meus primos não eram pessoas ruins, mas eram meio limitados com relação ao mundo fora da cidade em que cresceram. Basicamente, eles imaginavam que eu morava em alguma roça esquecida por Deus, sem acesso a energia elétrica, onde eu caçava minha comida enquanto minha mãe lavava as roupas, batendo com elas em uma pedra na beira de um rio.
    - Claro que sim - achei graça - embora não goste
    - Que isso. Esse corpo todo e não malha. Se malhasse, ia ficar top - Thales comentou, apertando meus braços e minha barriga.
    Eu queria saber quando aquele excesso de toques ia acabar.
    - Vai ver só. Papai vai matricular você na nossa  academia pra você ir essa semana que vai ficar aqui. Vai adorar. Você sempre gostou de se exercitar.
    Eu concordei, apenas na esperança de eles pararem de me bater e apertar sem motivo. Fomos para o carro, onde fiz questão de sentar no banco de trás, longe de seus dedos. Nunca os vi tão agitados na vida, as coisas realmente haviam mudado.
    Foram falando o caminho todo, detalhando os planos para minha estadia.
    Chegando lá, minha tia nos recebeu com um abraço carinhoso e um bolo de cenoura. Comemos e conversamos mais e acreditei que começava a me adaptar aos novos Thales e Lucas. Pelo menos imaginava que sim.
    De tarde, eles fizeram questão de me levar a tal academia, que era muito bem equipada. Me emprestaram roupa, já que eu não havia vindo preparado para aquilo. Tenho de admitir que gostei do lugar, bem equipado. Tinham uma piscina grande e tudo.
    Eles insistiram que eu fizesse a aula de crossfit com eles. O esforço físico não era o problema, mas eu tinha de me adaptar aos movimentos, então fiquei com um estagiário que passou os princípios para mim e uma senhora que também era iniciante.
    No futuro, academias seriam meu novo hábitat urbano, uma vez que fiquei muito longe das matas e devo dizer que aquele primeiro contato foi muito positivo. O clima de competição, de superação dos limites. Gostei da energia e aceitei os hábitos estranhos dos caras dali de tirarem a camisa toda hora, os gritos fora de contexto e o excesso de um pó branco que passavam na mão e sujavam toda a roupa.
    O estagiário que nos acompanhou era claramente gay. O que estranhei de cara. Uma vez que em minha cidade ninguém jamais aceitaria alguém falando tão fino quanto ele. Mas ali, naquele ambiente, tudo parecia bem normal. Fui muito elogiado por ele, o que me deixou sem saber se minha técnica era realmente boa ou se o estagiário estava me dando algum mole.
    - Olha só essa mobilidade - falou atrás de mim, enquanto eu fazia um agachamento com a barra.
    Minha bunda ficava empinada pra trás no processo, o que lhe dava um ângulo de visão privilegiado. Aquilo me deixou desconfortável. Pior foi Thales chegar e encorajar.
    - Isso ai, Fábio,. Vai lá, seu gostoso.
    Ele havia me chamado de gostoso no meio de tudo mundo? O que diabos acontecia naquela cidade?
    Ninguém parecia estranhar. Só eu. Então, segurei a onda e torcia pra minha cara não expressar as coisas estranhas que se passavam pela minha cabeça.
    - Mais uns agachamentos desse e vai ficar com o maior bundão - dessa vez foi Lucas, que estava atrás de mim, ao lado do estagiário.
    - Bunda ele já tem - o estagiário comentou. - Mas o que me inveja mesmo é a panturrilha dele.
    - Nem fala - Lucas entoou - eu malho a dois anos e as minhas não crescem
    - É assim mesmo. Panturrilha, ou você nasce com, ou morre sem - e riram.
    Um lado meu deu graças ao deus de minha mãe por aquilo ter acabado, embora deva admitir que o exercício foi muito bom.
    Dali, fomos para a musculação e eu continuava me surpreendendo em ver como meus primos se tornaram dedicados. E lá eles eram tão sociáveis quanto no Cross. Falavam com todos. Mulheres muito bonitas e homens muito fortes. E como eles gostavam de levantar as blusas e mostrar o corpo uns para os outros. Ali, em meio a todos.
    Tive de ser educado em dispensar um colega deles, que queria me passar um treino especifico. Dizendo que com a minha estrutura eu iria pegar corpo rápido.
    Fomos ao vestiário e uma nova dificuldade em entender a mecânica dali. Pois eu simplesmente tirei a roupa para me banhar e só então percebi que fui o único. Os caras ali estavam de cueca e só se despiam depois de entrarem nas cabines. Esses mesmos caras que estavam praticamente tirando a roupa no salão, agora tinham pudores em um lugar onde era de se esperar ficar nu.
    Senti os olhares de estranhamento e um ou outro que parecia denotar algo mais. Mas ninguém comentou.
    Voltamos e jantamos. Meu tio chegou depois e me convidou a jogar xadrez, o que aceitei de bom grado por ter um pouco de normalidade. Eu e meu tio conversávamos sobre tudo, mas em especial ele gostava de ouvir as histórias de caçada que eu fazia com meu pai.
    - Saudades da minha terra - se lembrava enquanto sua distração permitiu que eu cercasse sua rainha - Merda - praguejou quando percebeu.
    Ao dormir, vi que eles tinham arrumado o quarto a moda antiga.
    Eles dividam um grande quarto e cada um tinha uma cama de solteiro. Mas quando eu ia pra lá, eles levantavam as camas e as colocavam escoradas contra a parede, abrindo espaço no chão, onde enchiam de colchonetes e dormíamos ali.
    - Sempre imaginei que depois de crescerem, um dos dois se mudaria para o terceiro quarto - comentei
    - Já estamos acostumados - Thales falou - e lá é o escritório do nosso paí.
    - Eh, mas ele nunca usa - ponderei e eles simplesmente deram de ombro.
    Depois de toda a viagem e agitação do treino, eu estava cansado. Fiquei feliz quando anunciaram a hora de dormir.
    - Mas amanhã, vamos te levar pra uma Pool Party - Lucas declarou - Vai ser foda.
    - Ah legal - sorri sem graça, me perguntando onde estaria o botão de desligar daqueles dois.
    - Trouxe sunga?
    - Aham.
    - Show.
    E desligaram a luz. Como de praxe, dormi no meio. Todos de shorts, noite fresca, mas o ventilador de teto ligado estava ligado. Eles não dormiam sem esse barulho. Assim, caíram no sono pesadamente. Eu, como comum quando dormia fora de casa, demorei um pouco mais. E foi quando ia relaxando e sentindo o sono me puxar para longe, que sinto o braço pesado de Lucas sobre mim.
    Olhei e ele estava virado em minha direção, com a mão apoiada em meu peito. Deve ter virado no meio da noite e ficado por cima. Eu, com cuidado, já ia tirando-o quando num movimentos rápido ele me puxa e me entrelaçou com o braço e a perna, me prendendo por completo.
    - Que porra é essa? - falei, mas ele sequer se mexeu. Dormia pesado ainda - só o que me faltava - suspirei.
    Fiquei pensando como eu sairia dali. Lucas me prendera muito bem e seu corpo forte era difícil de mover com delicadeza.
    Pelo menos ele parecia se agarrar a um travesseiro ou algo do tipo, pois se eu o sentisse roçar o pau em mim, aí iria gritar.
    E foi ali, refletindo como escapar, que comecei a observar melhor meu primo. A perna por cima de mim era bem forte, o seu rosto, relaxado do sono, era másculo e bem bonito. Só então me dei conta de que ele havia crescido e se tornado um cara bem atraente
    Acho que estava tão habituado a imagem dos meus primos da infância que não consegui enxergar como eram hoje. Olhei para Thales, que dormia pesado de costas, e também era uma boa visão. As costas bem desenhadas, a bundinha protuberante.
    Me aproveitei do sono pesado de Lucas e alisei sua coxa, observando se ele reagia. A carne era dura, deslizei até chegar a entrada do short pela fenda da perna, seguindo em direção a bunda. Nesse instante ele se mexeu e eu fingi dormir. Mas ele não acordou. Apenas virou de costas, me soltando.
    Aquela ousadia leve me animou. Acho que a perspectiva de duas presas dormindo inocentes ao meu lado me encheu de ideias. Porém, achei melhor amadurecê-las antes de investir em algo. Afinal, ali era um terreno familiar, onde o cuidado era essencial.
    No dia seguinte, a agitação de meus primos não apresentou sinais de fraqueza. De manhã, fomos a praia, onde me deu uma chance melhor de os estudar de sunga e confirmar a avaliação de que realmente eram ótimos espécimes para meus experimentos.
    Na água, pude brincar um pouco com eles de luta, o que me permitiu uma agarrada ocasional em uma bunda ou outra. Adorava essas brincadeiras de héteros. Essa possibilidade de se agarrar com outro homem despudoradamente, desde que com um bom pretexto.
    Dali, fomos ao shopping onde almoçamos algo leve antes de irmos a tal Pool Party.
    Antes de sairmos, passei no banheiro para me aliviar. Entrei em uma cabine e quando sentei, ia começar a me concentrar, percebi um buraco na divisória de minha cabine. Pior, percebi que alguém bisbilhotava por ela.
    Dei um salto e pus novamente as calças.
    - Que porra é essa? - praguejei.
    A pessoa do outro lado não pareceu se assustar com minha reação.
    - Foi mal. Como você parou nessa cabine, achei que curtisse glory.
    - O que? - a calma do garoto me deixou surpreso. Imaginei que sairia correndo.
    - Glory, pô. Esse buraco aqui.
    - E que merda vocês fazem com esse buraco - eu devia estar ficando maluco, conversando com alguém através de uma fenda numa cabine de banheiro.
    - Você não é daqui, né? - ele pareceu achar graça.
    - E o que tem isso? - tentei parecer mais intimidador, mas minha ignorância acabou por trair meu intento.
    - Relaxa. A culpa foi minha. Mas se quiser que eu te mostro, enfia aqui.
    - Enfiar o que?
    Ele riu
    - O pau, ora bolas.
    - O que?
    - Eh, enfia nesse buraco. Tô afim de mamar. Mas vai logo, antes que chegue alguém. Esse horário costuma ser cheio.
    - Deixa pra próxima, parceiro - e fiz menção de sair
    - Não tem que ter medo, não, cara. É só uma mamada. Se não curtir, tira e sai. Eu não mordo
    Ele não me conhecia, e sem querer tocou em um ponto que era meu calcanhar de Aquiles: meu orgulho
    - Não to com medo. Só... É esquisito
    - Vem - riu - enfia, vai
    Respirei fundo. Olhei meu pau e ele já estava duro. Volume inchado na calça. Traído pelos meus próprios hormônios.
    Desistindo de fugir, arriei as calças novamente e enfiei. Na hora, senti sua boca envolver meu órgão. Uma chupada boa. Estar com a cara colada numa cabine de banheiro era ainda estranho, mas ao mesmo tempo interessante. Morria de medo de alguém entrar, mas a boca do moleque era tão eficaz que eu não queria tirar. Mamava tão bem quanto Breno, ou quase, pelo menos. Os garotos da cidade mamavam assim? Talvez eu tivesse julgado aquele lugar cedo demais.
    - Que pirocão gostoso o seu. - o ouvi dizer, enquanto beijava a glande.- segura ai.
    Eu não entendi, mas ele parou de mamar. Ouvi o estalo metálico da fivela do cinto caindo no chão. Então, senti uma mão segurar meu pau e o direcionar, encaixando em algo quente e macio.
    - Nossa - gemeu quando enfiou tudo - caralho.
    O garoto estava literalmente enfiando meu pau dentro de si, como se fosse um consolo. Rebolava e pressionava conforme gemia baixinho.
    Eu estava prestes a gozar. Naquela posição e tensão de ser pego, não conseguia segurar.
    - Vai me dar leitinho, bonitão? - perguntou, parecendo conseguir me ver - Vai, goza vai.
    Não deu pra segurar e eu gozei
    Então, tão rápido quanto uma lebre. Ele se vestiu e saiu, me deixando sozinho no banheiro. Limpei meu órgão e sai, com o rosto queimando de vergonha. Parecia que todos que passavam por mim sabiam o que eu tinha acabado de fazer.
    - Caramba, primo. Demorou. Está habitável la dentro - Lucas me zoou.
    - Foi mal - pedi - a comida não caiu bem. Vamos então?
    Eu queria sair o mais rápido possível dali.
    Pegamos um ônibus e chegamos ao local combinado. Uma casa enorme, com uma bela piscina. Na pista, música eletrônica tocando e jovens que pareciam estar ali desde a madrugada anterior. E uma coisa que estranhei logo de cara foi perceber que, apesar do nome, ninguém ficava na piscina. Todos vestiam roupas de banho, tinha uma piscina, mas as pessoas ficavam aglomeradas em sua volta e não entravam na água, apenas perdidos ao som da música eletrônica. Me parecia mais um pretexto para estar de roupa de banho do que qualquer outra coisa.
    Percebi também que as mulheres eram poucas ali. A grande maioria eram homens e de corpos até bem feitos. Que dançavam meio alheios a tudo
    Achei que seria difícil descolar uma ficante em meio a tanta concorrência, mas foi surpreendentemente fácil. Fiquei com duas garotas bem fogosas, que pareciam até mesmo ansiosas por dar uns beijos. Estranho não terem conseguindo descolar ninguém naquele mar de gente.
    Mas a grande surpresa da festa foi lá para o final. Quando um garoto começou a dançar na minha frente, me olhando de cima a baixo, praticamente me devorando com os olhos.
    Definitivamente eu não estava acostumado àquele assédio descarado. Por parte de nenhum dos sexos. O garoto se aproximou e eu senti dar um passo involuntário para trás. Nunca antes me senti assim. Estava habituado a ser o predador e me sentir como presa daquela maneira não me parecia certo. Então ele veio falar comigo, disse que me achou bonito e estava doido para me beijar.
    Pela primeira vez na vida me senti um covarde e recusei. Educadamente menti e disse que não curtia caras
    - Mas não quer nem experimentar? - e dançou, colado cara a cara comigo. Era um rapaz muito bonito, chupava um pirulito e tinha um sorriso contagiante.
    - Não, obrigado - falei e ele saiu sem persistir mais.
    Pela primeira vez na vida, senti raiva de mim mesmo
    ***
    - Ué, por que não deu um beijo nele? - Lucas perguntou no ônibus que nos levava de volta pra casa naquela madrugada.
    Eu não consegui articular uma resposta. Não esperava tal ideia.
    - Nada demais beijar alguém numa festa assim - Thales deu corda - Só zoeira. Não vai ser rotulado por causa disso
    - Se bem que você é do interior, né primo? Na sua terra as coisas devem ser diferentes.
    Eu estava tão imerso em pensamentos que ignorei o comentário maldoso de Lucas. Pois talvez eles de fato estivessem certos e eu fosse mais bicho do mato do que gostaria de admitir.
  • Diários de caça - Capítulo 7 – Predadores

    Ficar fora de minha cidade por duas semanas, causou mais saudades do que eu imaginava. Lembro de ainda estar arrumando as malas quando minha mãe anunciou que um amigo veio me ver. Ela tinha acabado de falar quando Breno apareceu em meu quarto, com aquela cara que eu conhecia bem.
    - Tá doido, garoto? - ri, quando ele pediu pra me chupar - Minha mãe está aí.
    - Fábio, estou saindo para a feira. Quer alguma coisa, filho? - a escuto gritar, já na porta de saída.
    - Ah... Nada não, mãe. Obrigado.
    E escuto a porta fechar. Trocamos olhares e então vi que não tinha mais argumentos.
    *
    - Você não pode ficar tanto tempo fora assim - protestou, enquanto gemia daquele jeito manhoso que só ele sabia fazer.
    Breno estava deitado da minha cama de frango, eu tinha tirado seu short e cueca, mas deixei a blusa e os chinelos que usava.
    - Foi mal, garoto - pedi, enquanto metia - coisas de família, sei que entende.
    Gozei a primeira e, depois de chupar bastante aquele orifício deflorado, enfiei a pica e comecei a meter de novo.
    Adorava admirar o cuzinho de Breno após um trabalho bem feito.
    E não foi só Breno. Bianca também me procurou no dia seguinte a minha chegada. Disse que queria pedir a minha ajuda com a luz do seu quarto, que parecia ter queimado devido a algum problema na fiação. Não questionei o porquê de não pedir a seu pai ou namorado. Pois foi só chegar ao seu quarto e subir na cadeira, para perceber que o tal problema elétrico nada mais era do que uma questão de enroscar melhor a lâmpada no bocal.
    Eu iria avisar isso a ela, mas não quis incomodar, já que estava tão ocupada arriando minha bermuda e me chupando o pau.
    As brincadeiras com Bianca eram sempre divertidas, pois envolviam muita imaginação. Uma vez que ela se recusava terminantemente a perder a virgindade biológica. Mas seu fogo e sua expertise eram sem dúvidas compensadoras.
    Do contrário, seu namorado Oscar, já não me apetecia mais. Pois imaginei que, após a primeira foda, aquele joguinho de fingir que não gostava pra cima de mim ia acabar. Mas não. E sinceramente aquilo já me cansava. Pois ao contrário do que era com Gustavo, ele não me oferecia muito desafio era só cu doce mesmo.
    Bianca e Breno, por outro lado, eram mais vivos, mais ativos. E me davam muito mais prazer.
    Com Bianca, qualquer momento furtivo era válido. Ou pra um sexo oral, ou para uma penetrada entre suas coxas. Mas foi numa tarde nublada de quinta, após sua reunião de leitura da bíblia que, nos fundos da igreja, um terreno abandonado, que surgiu a ideia.
    - Será que se você fizer por trás, vai doer muito? - ela sugeriu, enquanto segurava meu pau, parecendo medir mentalmente o desafio
    Nesse instante, os sinos da loteria tocam em minha cabeça.
    - Bem, é como qualquer primeira vez, indo com calma, tudo se ajeita - tentei parecer apenas considerar a ideia.
    Ela olhou em volta e levantou a saia, virou de costas e empinou aquele monumento de bunda.
    Tirei sua calcinha com delicadeza e lhe dei um beijo molhado no orifício. Ao que ela riu.
    - Faz cócegas - comentou - Mas é gostoso. Você fez muito isso?
    Apenas olhei para ela com minha maior cara de sonso, sem responder.
    - Você é um perdido - acusou, deliciando-se com as linguadas
    Quando levantei, encaixei com cuidado, indo aos poucos. Bianca era uma ótima colaboradora, rebolando suavemente a bunda enquanto procurava a melhor posição para o encaixe. Com essa parceria, sem grandes dificuldades, fomos vencendo a barreira inicial
    Ao contrário do namorado, não reclamou uma única vez, apesar de ser visível a dificuldade que enfrentava. Com as mãos, acariciei seu seio e a outra desceu até sua vulva, massageando os lábios.
    Ela soltou um gemidinho e meu pau escorregou pra dentro após o relaxar da musculatura.
    - Nossa. Ainda tem coisa pra entrar?
    Adorava ouvir esse tipo de reclamação. Massageava o ego
    - Só um cadinho - e fiz mais uma leve pressão até o final - Pronto. Entrei.
    Massageei mais a região entre suas pernas até tocar o clitóris. Ela segurou o grito, levou as mãos para trás para agarrar minha blusa. Esperei, lendo suas reações. Seu gemidinho contigo, o suor em seu cabelo. Continuei massageando, fazendo ela se contorcer. O bico do peito estava rígido e senti meu órgão deslizar de dentro para fora com mais facilidade.
    Levei a mão que estava em seu sexo e reparei estar toda melada. Levei a boca, provando do gosto de seu prazer.
    Então voltei a tocar com tudo, Bianca segurava para não gritar. A essa altura, já colidia meu corpo contra suas nádegas.
    Tirei a mão dos seus seios e agarrei os cabelos, enrolando em meu punho como quem doma uma montaria
    Ver o rosto de êxtase de Bianca despertou o que há de mais profano em mim. Meti com mais força e ela continuava a gemer. Durante toda a minha vida acreditei que as mulheres não gostassem de fato de sexo anal. Que não eram fisiologicamente preparadas para isso. E que só o faziam para agradar aos homens.
    Tal perspectiva acabava tornando o fato de conseguir sodomizar uma menina, um feito digno de nota. Mas agora vendo que Bianca delirava ao me receber, devo admitir, causou uma sensação ainda melhor.
    - Gosta de ser montada, não é? - e puxei como uma crina.
    - Eu sou uma montaria melhor que o Oscar? - sussurrou, enquanto recebia as penetradas.
    Aquilo me pegou de surpresa. Teriam os dois conversado? Teria eu enfim a chance de profanar aquele casal ao mesmo tempo? Em tal perspectiva, até aceitaria voltar a foder o Oscar, só para que sua namorava me visse dominando seu varão, enquanto se tocava com a cena
    - O que ele te disse? - perguntei
    E nesse momento, percebi que caí na armadilha. Bianca virou o rosto para trás, sorrindo em triunfo.
    - Ele, nada. Mas você, sim.
    - Sua... - um misto da raiva de ter sido enganado junto da dominação do ato me fez querer ainda mais. Meti com ainda mais força.
    - Vai. Isso - pediu baixinho - me mostra como fez com ele.
    Meti mais e mais, sentindo ela vazar por entre as pernas, tamanho seu tesão. Quando gozei, foi como se eu tivesse sido drenado junto do meu leite, para o interior de Bianca. Imediatamente fiquei sem forças e ela também.
    Perdemos alguns instantes, ainda recuperando o fôlego, enquanto meu órgão adormecia lentamente em seu interior
    Então, recuperados, nos vestimos.
    - Há quanto tempo você sabe? - resolvi perguntar. Já que tinha sido pego mesmo. Mesmo um predador como eu devia saber reconhecer quando caiu na armadilha de um outro caçador.
    - Que Oscar gosta de outros garotos, ou que você o têm feito de montaria? - e riu. - Oscar é um bom amigo e somos úteis um para o outro. Obviamente ele jamais admitiu ou admitiria pra mim ou qualquer outra pessoa. Então, eu fingo que acredito nele e, enquanto isso, temos uma relação aceitável para meus pais. Oscar é um bom pretendente, e gosto dele. Não como homem, mas como companheiro.
    Sorri, compreendendo. Mas nosso momento de paz infelizmente foi cortado por um vulto que vi se mexer na janela dos fundos da igreja.
    Bianca não viu, mas ao perceber meu olhar, o seguiu, ficando alarmada.
    - Têm alguém ali?
    - Provavelmente.
    - Há quanto tempo? - perguntou. Já estávamos vestidos àquela altura.
    - Não sei - praguejei. Me deixei distrair.
    Criamos coragem e entramos nos fundos da igreja, como quem não tem nada a esconder. Parecia vazia, o seminário deveria ter acabado mais cedo naquela tarde. Andamos em direção a saída até que ouvimos a voz do pastor Felipe atrás de nós.
    - Com licença. Bianca e Fábio, poderíamos ter uma conversa em minha sala?
    Aquele tom educado de quem sabe que está por cima no jogo.
    Olhamos um para o outro sem demonstrar qualquer receio. E fomos
    Felipe nos ofereceu uma água, a qual recusamos. Com a expressão pesada, de quem está prestes a dar uma grave notícia.
    - Não vou me delongar em questões retóricas, garotos. Eu vi o que vocês estavam fazendo no fundo e vocês sabem disso - foi direto ao ponto.
    - O senhor ficou quanto tempo olhando? - rebati sua audácia com o mesmo ímpeto.
    Felipe conseguiu conter o espanto com minha atitude. Estava na cara que tinha o costume de, quando começava a falar naquele tom, era ouvido sem interrupções.
    - Fábio.
    - Fico me perguntando porque um homem como o senhor ficaria muito tempo bisbilhotando, o que quer que tenha visto - continuei, mas Bianca segurou meu braço com firmeza.
    Sua expressão estava impassível, mas deu para sentir em sua voz que ela estava com medo
    - Fábio, por favor.
    Aquilo desestabilizou um pouco minha convicção. Bianca não era do tipo de garota que se intimidava, mas ela estava realmente preocupada ali
    - Não sei o que passa pela sua cabeça, Fábio, mas saiba que não sou nenhum tipo de bisbilhoteiro. E devo lembrar que vocês estavam na minha propriedade e que os único que estavam fazendo coisas que não deviam onde não deviam, são vocês. - e respirou fundo - talvez seja besteira falar com adolescentes sobre assuntos tão delicados. Podem ir. No próximo encontro, falarei com seus responsáveis...
    - Não - a voz de Bianca saiu mais aguda do que pretendia, e pigarreou antes de continuar - Pastor Felipe, eu...
    Eu nunca a tinha visto tão assustada. Nesse momento, fiz um esforço para me por no lugar dela. Com certeza, as consequências da descoberta de nossas aventuras pesariam muito mais nela do que em mim. Primeiro, meus país não se importariam. Minha mãe talvez ficasse um pouco desapontada, mas ela me conhecia e de certa forma esperaria aquilo. Meu pai, riria a plenos pulmões. E também, aquele acontecimento ainda serviria para aumentar minha fama na cidade, nada com que me importasse
    Mas Bianca, ela tinha uma família mais tradicional, tinha um namorado e, infelizmente, para uma sociedade machista como a que vivíamos, era uma garota.
    - Não se preocupe, Bianca. Você não seria a primeira que se deixa cair nas tentações mundanas. Apenas seria bom termos uma conversa com seus pais e ..
    - Pastor, com todo o respeito - interrompi, dessa vez segurando um pouco a marra. - Mas Bianca não tem culpa de nada. Sou eu quem a estou tentando desde muito tempo. Ela tem me dito "não" todas as vezes... Mas hoje... Posso ter forçado um pouco a barra - admiti a contra gosto. Odiava dar a entender que eu teria forçado alguém a ficar comigo, mas não queria ver minha amiga ainda mais prejudicada.
    - Muito nobre de sua parte, senhor Fábio. Mas acredito que Bianca já tenha idade...
    - É uma garota. - rebati, como se aquilo fosse algum tipo de atestado. E que funcionou, pois o vi ponderar - Eu sou mais velho. Devia ter sido eu a me controlar.
    Bianca não se atreveu a falar nada. Concentrando toda a sua fibra em manter o rosto sem emoções. Mascarando o medo brutal que devia sentir
    - Bem, devo admitir que estou decepcionado com o senhor, Fábio. Cheguei a acreditar que estivéssemos tendo progressos.
    - Eu sinto muito - fiz minha melhor cara de arrependimento. Não era só Bianca quem sabia dissimular. - Eu apenas peço. Por favor. Deixe os pais dela fora disso. Se não fosse eu, nada disso teria acontecido. Só peço que não prejudique ela, por minha culpa.- e resolvi tentar uma isca - Se eu pudesse fazer alguma coisa, qualquer coisa...
    Eu tinha lançado mão desta cartada de propósito, pois precisava conferir uma coisa. E de fato, minhas suspeitas se confirmaram. Por um instante apenas, ao ouvir a expressão "qualquer coisa", percebi os olhos de Felipe se voltarem para mim. Aqueles mesmos olhos que eu conhecia bem, pois eram iguais aos meus: os olhos de um predador.
    - Entendo... - comentou simplesmente, assumindo rapidamente seu papel de bom instrutor e recostando na cadeira.
    Provavelmente nem se deu conta de que por breve momento sua máscara havia caído e eu tinha dado um bom vislumbre em seu verdadeiro eu.
    - Acho que, no fundo, o senhor tem razão. Se ambos concordarem, podemos deixar esse incidente entre nós. E eu pensarei em algo para o senhor, Fábio.
    Bianca me olhou e eu apenas fiz um sinal afirmativo com a cabeça. Ela aceitou.
    - Estão liberados por agora.
    Não esperamos novo convite. Levantamos e saímos. Quando já estávamos longe da igreja, Bianca veio falar comigo:
    - O que foi que aconteceu ali?
    - Ainda não tenho certeza. Mas irei descobrir
    Ficamos em silêncio, até ela dizer:
    - Obrigado.
    - Disponha. Bem. Acho melhor irmos separados para nossas casas. Não devemos dar mais bandeira.
    - Concordo - e sorriu de forma fraca, ainda abalada com os últimos acontecimentos. - Boa tarde.
    Nos despedimos, mas eu ainda fiquei um tempo imóvel, olhando em direção a igreja, sentindo um sorriso brotar involuntariamente de meus lábios.
    Então eu havia encontrado um predador, tal como eu. Isso seria interessante.
    Em determinadas situações na natureza, alguns caçadores se fingem de presas para atrair a vítima. A tartaruga aligátor, que usa a própria língua como isca para atrair o peixe no fundo do oceano é um exemplo. A presa, até então convencida de que era um predador, não tem chance de reagir quando é atacada. Estava ansioso para ver o rosto de Felipe quando ele se descobrisse caça, ao invés de caçador.

     

  • Diários de caça - Capítulo 9 - Faro

    Se antes do acontecimento envolvendo o Pastor Felipe eu já tinha o sonho de sair de minha cidade natal, depois o desejo era quase desesperador. Por sorte, faltavam apenas alguns meses para eu me formar no ensino médio e eu, na época, já estudava feito louco para conseguir passar em uma universidade.
    Apesar de poucos meses, como o tempo é conhecidamente relativo graças a Einstein, ele se passou como se fossem longos anos para mim. Durante esse período, me limitei as tarefas obrigatórias e fiquei em total abstinência sexual.
    Mesmo que o assunto de minha expulsão da congregação não tivesse mais sido declarado, eu sabia que se tinha um coisa que o povo daquela cidade era verdadeiramente incapaz de fazer era esquecer. Tal ação era quase tão difícil quanto perdoar. Escutei muitas vezes minha mãe e as amigas fofocando de outras pessoas pelas costas, enquanto eram gentis as vistas. E eu seria um tolo se achasse que comigo o tratamento era diferente.
    Eu definitivamente não tinha mais vínculos com aquele lugar, somente os de sangue. Mas mesmo estes já estavam cientes que minha saída seria o melhor para mim.
    Assim que passei na faculdade, meu pai se prontificou a me ajudar a custear minha vida fora. Eu não aceitei, embora não pudesse negar toda a ajuda ofertada. Eu tentava e teria de me virar sozinho.
    Minha primeira morada fora foi o próprio alojamento que a universidade oferecia aos alunos que moravam distante. Um lugar modesto, mas que me garantiu a sobrevivência.
    Mesmo tendo ansiado toda minha vida por esse momento de liberdade, a verdade seja dita, eu também o temia em segredo. Não gostava muito da cidade grande, isso era um fato desde minhas visitas a meus primos. Aquela selva de pedra nunca me pareceu convidativa. Ter de abandonar as matas, a calmaria, a simplicidade. Acredito que, tentando enxergar o lado positivo das coisas, o acontecimento em minha terra natal foi o estopim que eu precisava para cortar as últimas amaras que me prendiam.
    De abrir a porta da gaiola e eu conseguir voar.
    Isso de fato ajudou, pois apesar das condições miseráveis em que vivi ao longo daquele primeiro ano de faculdade, foi ali que eu aprendi a viver só, a de alguma forma me sustentar, e principalmente, poder ser eu mesmo, de uma maneira que eu nunca imaginei que queria ser.
    Logo de cara, consegui um trampo em uma casa de festa noturna. Que foi a forma que eu encontrei de garantir minha subsistência. Trabalhava nas madrugadas dos fins de semana e feriado e o cachê era bom. Pelo menos garantiam minha alimentação no campus, onde eu não pagava basicamente nada.
    Virar a noite foi um hábito que me adaptei mais fácil do que suspeitei. A boate em que eu trabalhava era voltada ao publico GLBT. E esse foi o outro grande ponto de mudança favorável em minha vida
    Pois estar ali, testemunhando a vida noturna da cidade grande, abriu a minha mente de uma forma tão avassaladora que eu dificilmente sairia dali o mesmo. Os homens e mulheres se beijando e acariciando livremente, os encontros sórdidos nos banheiros ou nos cantos escuros, as passadas de mão que até eu mesmo recebia em meio ao trabalho me obrigaram a enxergar o mundo com outros olhos.
    Apenas tive uma experiência parecida quando visitei meus primos a última vez e mesmo aquela aquela havia sido apenas um grão de areia em meio a todo o deserto que vivenciei ao longo daquele ano.
    Como um animal faminto que degusta carne depois de meses de fome, eu não só quis experimentar, quis me esbaldar. Não eram só os meses de abstinência, mas toda a minha vida veio a tona como uma ressaca incontrolável. Eu simplesmente não queria mais me esconder, não queria mais me privar de nada e de simular nada tal como tinha feito em toda minha adolescência.
    Posso dizer sem pudores, que este foi o período em que mais transei na vida. Tudo me era interessante e curioso. Transei com homens, mulheres, pessoas de gênero indefinido. Solteiros, casais, trisais, orgias. Não havia nada que eu negasse, pois queria experimentar de tudo o que pudesse. E tanto sexo vazio e sem sentido, apesar de intenso, não me dava o mesmo prazer que antes.
    Demorei muito para entender o que faltava. Mesmo que eu tivesse me desamarrado por completo de minhas origens, sentia que haveria algo lá atrás que eu desejava recuperar. Embora não soubesse ao certo o que.
    Minha vida regrada e de poucos custos me fez querer um pouco mais. O alojamento da universidade, apesar de útil, era muito limitado. O banheiro era compartilhado e a área comum também. Não tinha cozinha e a comida era feita em um refeitório. Comecei a pensar em ter meu próprio apartamento, mas a menos que eu quisesse pedir favor a meus pais, não teria muitas opções.
    Foi então que a oportunidade ideal literalmente me encontrou. Digo isso pois estava passando pelo quadro de avisos da universidade, quando um garoto pregava o anuncio e, num instante de distração, o mesmo caiu de sua mão e deslizou até meus pés.
    O peguei e a curiosidade inata me fez ler rapidamente, antes de devolver.
    - Aqui - entreguei - Acho que te conheço. É da turma de ética, certo? - soltei assim que seu rosto me foi familiar.
    - Oi. Fábio, não é?
    - E você... dom Pe... Digo... Pedro.
    Ele riu
    - Tudo bem, eu sei que meu apelido é esse. Dom Pedro.
    Pedro, ou Dom Pedro, como o chamavam, era um rapaz bem apessoado. Cabelos arrumados e lisos, na cor castanho claro. Olhos verdes e pele clara. Seu apelido se devia por ser um garoto extremamente educado. Ele falando parecia ter anos a mais que seus vinte e poucos. Acho que nunca ouvi dom Pedro falar um único palavrão em toda a vida.
    - Temos de admitir que o apelido lhe cai bem. - sorri e então resolvi tocar no assunto - acabei vendo o anúncio que vai pregar aí. Eu estava justamente procurando um lugar pra morar.
    - Puxa, que bom. O apartamento é meu, e eu divido com outros três caras a despesa. Mas um se formou e se mudou início desse mês. Estamos arrumando alguém. Não é nada demais, é confortável e espaçoso, mas sem grandes luxos.
    - Relaxa. Não sou exigente.
    Ele riu.
    - Pois é. Que bom. E também não cobro praticamente te nada. Só ajuda nas contas, luz, internet, condomínio. Que divididas por 4, saem baratinho.
    - Me parece uma oferta e tanto.
    - Se você quiser, posso te levar pra conhecer. Estou voltando pra casa agora.
    Parecia que a sorte estava me sorrindo.
    Aceitei e peguei carona com Dom Pedro, que dirigia na época um Volksvagem retrô muito bonito. Manter um carro daquele não devia ser barato, o que me intrigou em saber porque um cara que aparentava ter dinheiro como ele, precisaria dividir as despesas de um apartamento.
    Chegamos ao seu apartamento. Um condomínio enorme na parte nobre da cidade. Entramos e eu não pude deixar de notar que os apartamentos eram enormes. Minha cara com certeza denunciou minhas questões, pois ele logo falou.
    - Sei o que ta pensando. Mas te digo que o condomínio não é tão caro. o Apartamento é próprio então não pago aluguel. E como são muitos blocos, não fica oneroso. Acredito que vá gostar daqui.
    O apartamento era bem bonito, uma sala ampla e arejada. De cara, percebo que é tudo muito bem arrumado e limpo, nem parece um apartamento de homens solteiros.
    - Aqui não temos empregados e cada um tem uma prateleira na geladeira e uma parte da porta. O congelador é terreno neutro então, melhor etiquetar algo caso queira preservar.
    A limpeza é feita semanalmente por nós, revezamos e cada um cuida uma semana dos afazeres de faxina. Louça, cada um cuida da sua.
    Pedro foi me apresentando. Chegando no corredor, escuto o som de um violão.
    - Deve ser o David - e bateu na porta - David. Daria pra vir aqui conhecer o nosso novo colega
    Tecnicamente eu ainda não tinha concordado, mas estava tentado.
    David apareceu e era um mulato de uns dois metros e muitos músculos. Rosto bem bruto, mas olhar simpático. Tinha cabelos rasta fari e uma tatuagem de uma rosa dos ventos no ombro
    - Fábio, esse é David. Ele é formado em educação física, e está terminando nutrição. É fisioculturista também. Além de músico por vocação e faz um excelente café.
    - Prazer, Fábio - ele apertou minha mão com força. De fato, tinha um corpo invejável, volumoso e bem definido.
    - Prazer, David. Espero provar seu café.
    - Será um prazer. Aviso que faço forte - e deu um sorriso bonito e cheio de malandragem.
    Devia ser minha imaginação, mas eu senti certa conotação sexual em seu último comentário. Resolvi ignorar na falta de mais dados
    - Diego está ai? - Dom Pedro perguntou.
    - Acho que... Olha ele lá - David apontou e parecendo invocado pelo som de seu nome, surge o garoto de um dos quartos.
    Era mais magro que eu e mais alto. Moreno, cabelos lisos e barba. Vestia uma bermuda e uma blusa, tendo um avental preto por cima. Tinha um rosto fino e simétrico, com olhos pretos.
    - Diego. Esse é Fábio - Meu anfitrião me anunciou. - Fábio, esse é Diego. Estuda veterinária e trabalha com fotografia.
    - Prazer - e apertou minha mão com entusiasmo - É o novo colega de apartamento?
    Ele parecia ansioso.
    - Não sei ainda - Pedro respondeu - depende dele aceitar.
    - Ah, mas é uma ótima - falou, cheio de confiança - o condomínio é caro, uns mil e duzentos, mas dividido por nós quatro fica só 300 para cada. Mas em compensação, esse valor você economiza, pois o condomínio tem um ônibus que passa na faculdade, além de uma academia muito boa. Ou seja, só nisso você já economiza. Então o condomínio com as contas de luz e internet dão, no máximo, uns 600 reais.
    Diego falava rápido, parecendo um corretor de imóveis, mostrando-se muito interessado na venda. Mas eu tinha que admitir que a proposta era tentadora. Eu tinha pesquisado e por aquele preço eu muito mal conseguia um conjugado na parte afastada da cidade. Meu bico de segurança pagava com tranquilidade aquele valor e ainda sobrava para as despesas.
    - Então, acho que vou aceitar.
    - Maravilha - Diego comemorou. Mas Pedro fez um sinal para ele se acalmar
    - Então, Fábio. Resolvido isso, só organizar sua mudança. Precisa de ajuda?
    - Que nada. - ri - quase não tenho nada. Se toparem, hoje mesmo trago.
    - Isso - Diego deu um pulo e tirou o avental e pendurou em meu pescoço.
    - Esqueci de avisar - Dom Pedro se desculpou - é tradição o novato estrear em sua semana na limpeza do apartamento. Como era a vez de Diego, ele deu sorte de você chegar, pois a vez passou automaticamente pra você.
    Eu achei graça do entusiasmos e fiquei feliz em entender enfim o desejo de Diego em minha vinda.
    - Seja muito bem vindo, Fábio - e me deu um beijo estalado no rosto .
    A recepção foi muito tranquila. Os quartos da casa não eram espaçosos, se comparados as áreas comuns, mas ainda assim eram infinitamente maiores que meu alojamento.
    Dom Pedro era o único que não fazia rodizio na limpeza, sendo esse o único privilégio que tinha como dono da casa, porém era um rapaz tão asseado que parecia não deixar rastros por onde passava. Ele me informou que era chato com limpeza e organização, e bastaram poucos dias para eu perceber que isso era pouco. Era um verdadeiro ditador, com um faro aguçado para detectar qualquer irregularidade e achar rapidamente sua fonte. Não falava nada, bastava um simples olhar para intimidar até o corpulento David.
    Desse modo, fazer parte do rodizio de limpeza não era uma tarefa tão árdua. O que eu mais tive dificuldade de me adaptar a princípio era com a intimidade partilha pelos residentes da casa. Em alguns aspectos, lembravam meus primos e não eram avessos a, hora ou outra, oferecer abraços, beijos no rosto ou uma caricia camarada ocasional. Aquilo me deixou desconfiado que, talvez, assim como meus primos, eles fizessem algumas brincadeiras além. Mas nada comentei, apenas observei a princípio.
    A suspeita enfim teve sua confirmação numa madrugada. Acordei com vontade de ir ao banheiro e, após minha bexiga vencer o confronto contra minha preguiça, fui andando ainda sonolento até o banheiro. Na volta para meu quarto, porém, percebi que uma luz saia da brecha do quarto de Dom Pedro.
    Até aí, nada demais, se eu não tivesse escutado um trecho de algo que ele disse lá dentro.
    -... com calma, isso. Enfia agora, gatão...
    De início, duvidei ter entendido a essência da coisa. Até a voz de David surgir na sequência.
    - Hoje vai caber... Relaxa, gatinho.
    - Hum .. - o gemidinho choroso de Pedro - Ai...
    - Isso... Caramba, está entrando.
    - Não acredito - dessa vez era a voz de Diego - até o meio.
    - Para um pouco, deixa eu me acostumar. Isso - Pedro pediu.
    Então, foram só os gemidos baixinhos de Pedro, seguindo de uma ou outra risada suave de David e Diego.
    - hum... Ah... Ai... Nossa...
    Não sei quando tempo fiquei escutando por trás da porta. Só sei que, quando dei por mim, estava extremamente excitado. Vontade louca de entrar lá e participar sabe-se lá do que estivesse fazendo. Mas não seria educado de minha parte. Não havia sido convidado
    Então, me recolhi de volta ao meu quarto, mas dormir foi bem difícil, até o sangue voltar para os locais certos.
    Não comentei a noite em questão com ninguém, pois não queria admitir que fiquei ouvindo por trás da porta. Como bom caçador que era, sabia que presa de casa não se corria atrás e hora ou outra, seria convidado para aquelas festinhas noturnas .
    Por sorte, não tive de esperar muito. Pois na manhã seguinte, David e Diego saíram para a faculdade. Eu só teria aula de tarde e aproveitei para limpar o fogão, tarefa que tinha empurrado com a barriga até agora.
    Estava usando apenas meu avental e uma cueca, vantagens de se morar em uma casa somente com outros homens.
    Nesse momento, Dom Pedro vem para a cozinha, vestindo sua samba canção. Corpo magro a mostra.
    - Você leva a sério as coisas - comentou satisfeito.
    - Apenas gosto de ser útil - comentei - Odiaria ser um estorvo.
    - Ah, mas um deleite como você, seria tudo, menos um estorvo.
    Aquilo me pegou de surpresa. De comedido, de repente, Dom Pedro parecia ter partido para a ofensiva.
    - Deleite? - saboreei o efeito daquele adjetivo, achando graça.
    - Desculpe-me. Acho que me precipitei.
    - Não. Tudo bem. Ser elogiado é sempre bom.
    Continuei meu trabalho, fingindo não sentir seu olhar que me devorava pelas costas. Pedro então foi até a geladeira e pegou dois picolés.
    Nossas prateleiras eram respeitadas e cada um de nós seguia um tipo de deita. David era vegetariano e Diego tinha intolerância a lactose. Então era fácil um não se meter nas coisas do outro. Já dom Pedro sempre comprava coisas a mais e não era nada sovina em oferecer suas guloseimas aos demais.
    Aceitei o picolé que ele me ofereceu e chupei em sua companhia.
    - Posso te fazer uma pergunta, Pedro?
    - Claro, Fábio.
    - Você me parece um cara com dinheiro, que claramente não precisa dividir as contas. Então por que dividir apartamento com um bando de desconhecidos?
    Ele fingiu pensar a respeito, enquanto dava uma mordida.
    - Acho que gosto de companhia.
    - Justo. Embora percebi que você parece ter um tipo de colega de quarto. Um perfil, digamos assim
    - Como assim? - ele sorriu, era óbvio que pensávamos a mesma coisa, mas estava divertido brincar com as intuições.
    - Me diz você - e lhe cutuquei com a ponta do picolé, bem no mamilo.
    Ele levou um susto com o toque gelado.
    - Desculpe-me. Acho que me precipitei - brinquei e então me inclinei e lambi seu peito, limpando o xarope de uva que tinha ficado nele.
    - Nossa - suspirou. – É... você é do tipo que eu gosto de colega de quarto.
    - E qual seria esse tipo? - aticei e acabamos respondendo ao mesmo tempo - Ativo?
    - Ativo -ele entoou em uníssono.
    - E como sabe que sou ativo?
    - Tenho um bom faro pra essas coisas - admitiu sem modéstia e eu não discordei. Pois Dom Pedro, afinal, era um caçador como eu, todavia, não éramos do tipo que disputássemos a mesma fauna. Pelo contrário, nossos interesses compactuavam perfeitamente.
    Era impossível esconder a excitação. Meu volume estava a mostra, mesmo por trás do tecido pesado do avental. Nesse instante eu percebi o que me faltava. Era exatamente aquilo . O gosto da caça.
    Aquela brincadeira que Dom Pedro estava fazendo era justamente o que eu fazia sempre em minha cidade. Aqui, nesse mundo universitário onde o sexo é livre, minhas transas eram fartas e fáceis.
    Mas essa facilidade também tirava um pouco a graça da coisa. Você pode pegar um animal selvagem e o alimentar. Ele comerá para matar a fome, mas sempre vai sentir falta da caçada, da conquista. A fome é uma necessidade, mas a caça é um estilo de vida. Um gato, mesmo após anos de domesticação, ainda não esqueceu os instintos e eventualmente vai caçar uma presa que entrou em seus territórios, mesmo tendo comida farta todos os dias.
    Aquilo que Dom Pedro fazia me parecia muito interessante: atrair caras para sua casa e ir seduzindo aos poucos. Enrolar em sua teia e então finalizar. Fazia tempo que não me sentia tão excitado, mesmo sendo a presa da relação.
    - Então você tem seu curral particular aqui nessa casa? - perguntei
    - Não sei se curral. Vocês são só os meus gatões. Um Harém, talvez.
    - Engraçado, meu apelido era justamente leão na minha terra.
    - Providencial - comemorou - você pode ser meu leão.
    - E você? Acha que será meu dono? - questionei, terminando o picolé.
    - Claro que não - e nem esperou eu jogar fora o palito e saltou em mim com uma destreza Felina e me beijou - eu sou o gatinho de vocês.
    Correspondi aquele beijo com intensidade. Dom Pedro tinha uma boca macia e gostosa.
    Peguei no colo e o levei para o meu quarto, não parando de beijar um minuto sequer.
    - O gatinho ainda não tomou seu pires de leite - falou manhoso - você me dá?
    - Deu sorte, gatinho. A garrafa está cheia - e o deitei na cama e arranquei seu short. Fiquei um tempo admirando seu corpo nu. Dom Pedro deitado, submisso, como um animal indefeso esperando o próximo passo. Ele tinha um olhar astuto, daquelas que tinham total controle da situação. Ele brincava de se ocultar, não por pudor, mas por mistério.
    - Diz Fábio, gostou do que ouviu ontem? - inquiriu com um sorriso travesso e continuou, sabendo que me pegou de surpresa - dava para ver sua sombra por baixo da porta.
    Ele me pegou e eu sorri.
    - Me deu muito mais tesão saber que você estava ouvindo. Os garotos não perceberam, mas eu sim. Gemi só pra você aquela noite.
    - E o que vocês estavam fazendo, afinal?
    Ele engatinhou até mim, desamarrou meu avental e arriou minha cueca
    - Nossa. Meu faro nunca se enganou. Reconheço um bem dotado a quilômetros - se vangloriou, acariciando meu órgão. Depois, me olhou - posso te mostrar. Mas primeiro, preciso que me aqueça antes.
    E engatinhou virando de costas, depois, arriou a cabeça e empinou a bunda. Um cuzinho rosado e lindo. Todo pra mim. Oferecido como uma viúva negra, apenas esperando o macho que não conseguia resistir, mesmo sabendo o grave risco que corria.
    Ajoelhei em devoção diante dele e peguei em sua bunda, acariciei, beijei com suavidade. Que cheiro delicioso. Perfumado. Beijei com carinho, introduzindo minha a língua que deslizou como uma cobra pra dentro do buraco
    - Nossa - ele soltou, gemendo profundamente - Como você é bom nisso
    Chupei com vontade, com mais ímpeto que fiz com o picolé. A todo momento alisava meu rosto em suas nádegas, sentindo a macies da pele. Nunca senti nádegas tão lisas e macias, nem em meninas.
    Levantei e me posicionei por cima, aproveitando da sua postura inclinada. Encaixei e meu pau deslizou pra dentro, sendo recebido com calor e carinho por seu corpo. Dom Pedro era um perfeito anfitrião, em todos os sentidos da coisa.
    Ele mordeu o lábio e soltou um gemido choroso, carregado de prazer. Não havia resistência, o atrito provocando era gostoso. Meu pau deslizava para dentro dele de forma extremamente confortável. Quem olhava de fora jamais imaginaria que esse garoto fosse tão dilatado.
    Eu poderia meter nele por horas sem nenhum dado ao meu pau. E ouvir ele perder o controle daquele jeito estimulava e ir mais e mais a frente. Dom Pedro, um verdadeiro fidalgo fora daquelas paredes, se convertia em um verdadeiro promíscuo. Totalmente entregue e sem o mínimo de pudor em esconder seus prazeres.
    - Você fode como um animal - comentou, sem um pingo de ofensa ou remorso
    - Você não viu nada - e subi totalmente na cama, pegando pressão e, com ajuda do meu peso, meti com toda a força que possuía
    Dom Pedro gritou, gemeu, chorou e pediu mais e sempre mais. Implorou. Invocou divindades as quais eu acreditei serem invenção.
    - Fábio, por favor. Vai... Isso... Meu Deus... Por favor. Continua... sim... Vai com tudo...
    Aquele garoto não conhecia fins. Estava tão pilhado que eu não tinha sequer sinais que ia gozar, embora o esforço físico começasse a me cansar. Foi então que me lembrei
    - Acho difícil acreditar que isso foi tudo o que você fez ontem a noite. Não o vejo ter dificuldades em levar rola na bunda, a menos que David ou Diego sejam verdadeiros cavalos.
    Ele se deitou e me olhou, com faísca nos olhos e um sorriso faminto
    - Me faz um favor? Vai no meu quarto e pega um tudo vermelho na primeira gaveta da cômoda ao lado da cama.
    Não tinha como dizer não para ele. Fui e trouxe o tubo de gel que achei.
    Ele pegou e, de joelhos em minha frente, segurou minha mão e a alisou
    - Você tem mãos grossas - comentou
    - Trabalhei muito com elas
    - Adoro mãos grossas - então abriu o tudo e despejou quantidades generosas, melecando toda minha mão e parte do antebraço.
    Eu não entendi o que aquilo significava. E Pedro não explicou. Apenas voltou para a posição inicial e ofereceu o orifício, que, milagrosamente, havia voltado ao tamanho natural mesmo depois de ter sido tão judiado. Sua flexibilidade deteria ser a de uma mulher em trabalho de parto.
    - Acho que agora você já sabe o que fazer.
    A verdade é que não sabia. Na verdade, imaginava mas era incapaz de acreditar. Não querendo deixar tão evidente minha ignorância no assunto, me ajoelhei de novo e, com todo o cuidado, enfiei um dedo, depois outro. Era fácil. Muito fácil. A curiosidade venceu o medo inicial e eu uni os dedos e fui novamente.
    Foram entrando e eu não era capaz de acreditar em que meus olhos viam
    - Fico feliz que eu tenha sido o primeiro que você fistou - o ouvi dizer - esse seu olhar me valeu todo o mundo
    Mas eu não o ouvia direito. Estava demasiadamente impressionado com aquilo para poder dar atenção a qualquer outra coisa. Logo minha mão entrou totalmente. Meus dedos tocavam seu interior. Naquela hora, era mais difícil, mas tateando com calma, eu era capaz de achar caminhos e, por incrível que parecesse, enfiar mais. Eu sentia o anel de seu ânus apertar meu punho, estrangulando.
    Pedro agora começava a gemer
    - Nossa. O punho do David é maior que o seu... Mas o seu... Nossa..  você parece já ter prática. É um talento natural.
    E eu continuei, até que ele começou a se descontrolar. Eu já tinha metade do antebraço dentro dele. Mexi de leve os dedos e sentia o seu interior quente e molhado
    Se Dom Pedro gemia antes, agora ele se descontrolava todo. Não ousei enfiar mais, pois não o queria machucar. Fiquei parado, vendo ele se contorcer em uma agonia que parecia que ia explodir de prazer
    Ele não conseguia mais falar, perdido, enquanto apertava o anel do ânus em torno de meu braço.
    A sensação para mim era totalmente inédita. Uma cena tão estranha, mas incapaz de causar qualquer tipo de repulsa. Pelo contrário. Ver Pedro gemer daquele jeito me fez delirar. Meu pau não baixava, mesmo tendo sido esquecido da brincadeira por longos minutos
    Olhava para seu rosto e estava vermelho. Ele suava e seus olhos pareciam lacrimejar.
    Seu pau escorria, um sêmen grosso que não ejaculava, mas vazava pra fora
    Com a outra mão, eu alisei seu rosto, fazendo carinhos como se ele fosse realmente um gatinho, manhoso, ronronando.
    - Pode tirar, por favor. Está começando a doer - pediu e eu obedeci, ainda sem entender tudo aquilo que acontecia - devagar. Não tira de uma vez, se não leva meus órgãos contigo - e riu, fraco.
    Meu braço parecia não ter fim saindo aos poucos até enfim chegar ao ar fresco do quarto. Sem um pingo de sangue ou sujeira.
    Eu me levantei e ainda olhava minha mão estático. Dom Pedro respirava aliviado
    Ele, sem nada dizer virou, deitando de bruços diante de mim. Pegou meu órgão e chupou. Mamou até tirar todo o leite que queria. Eu ainda estava impressionado demais para expressar qualquer reação, mesmo durante o orgasmo
    - Bem vindo ao lar, Leão - ele se ergueu e me beijou o rosto. Tinha ainda uma gota de leite escorrendo do focinho.
  • Diários de caça - Capítulo 1 - Sobrevivente

    Se têm memórias que guardo com maior carinho dos meus tempos de infância e adolescência, são os dias na natureza com meu pai. O sargento Mendes não era um homem de muitas palavras. Pelo menos não no que dizia respeito a se abrir para os outros, nem para sua esposa, nem para seus filhos. E disso eu tive a quem puxar. Nesse sentido, acho que são raras as vezes em que conversamos sobre algo íntimo. Acho, na verdade, que nossa relação independia de palavras. Havia respeito e um profundo afeto, mesmo que não declarado. As vezes me pergunto se deveria ter me expressado melhor em palavras os sentimentos para ele. Mas eu sei a resposta. Não precisei. Ele sempre soube e eu também.
    Porém, uma exceção a regra, ocorria na mata próxima de casa, quando caçávamos, pescávamos ou simplesmente saíamos para nos conectar a natureza. Nessas ocasiões, meu pai era um homem falante, ansioso de me ensinar tudo o que sabia e acreditava na relação com o homem na natureza.
    - Na natureza, filho, assim como na vida, existem os caçadores e as presas. Tudo faz parte do jogo, todos querem sobreviver. Tentamos sempre estar no topo, tentamos não sermos as presas, mas isso não significa que devemos desrespeitar os que estão no outro extremo da relação.
    Ele narrava enquanto tirou um coelho da armadilha e, com rapidez e destreza, o matou.
    Sempre que saiamos para caçar, o jantar daquela noite seria o fruto dessa saída. Papai abominava a caça esportiva, por diversão. Para ele, se fosse para tirar uma vida, essa deveria ter algum sentido.
    Ele pegou o segundo coelho da armadilha e analisou
    - Está vendo? - e me fez tocar em seu ventre - é uma fêmea e está grávida - e fez carinho e soltou. O animal saiu correndo com a boca cheia dos legumes que deixamos como isca.
    - Respeitar a caça é fundamental. Nenhum predador sobrevive sem a presa. Não somos parasitas, que destroem tudo por onde pisam e migram para outro lugar. Nós, ao mesmo tempo que nos alimentamos, cultivamos o local para que o ciclo se permaneça.
    - Entendi, Mufasa - brinquei e levei um tapa da nuca.
    Rimos bastante.
    Meu pai, além de um caçador por vocação, policial por profissão, era também um naturalista, agnóstico e evolucionista por natureza. Com o tempo, os paralelos de seus ensinamentos para com a vida cotidiana se mostraram muito valiosos e foram os alicerces de minha formação moral.
    - Você é um caçador, Fábio. Nunca esqueça disso. Um caçador e um sobrevivente.
    Obrigado, pai.
    *
    A descoberta de minha sexualidade foi o primeiro grande desafio que tive de encarra como homem. Quando esteve claro para mim meu gosto pelos corpos masculinos, eu tinha 15 anos. Modéstia a parte, sempre fui um rapaz bonito. Herdei a aparência de mamãe e a sagacidade de meu pai. Nossos constantes exercício ao ar livre me deram um corpo forte e uma aparência rústica que sempre agradou o sexo oposto. E o mesmo, só que de forma velada.
    Crescer em uma cidade pequena, comandada por igrejas protestantes e cultura camponesa, em minha condição, era um risco. Tive ciência disso desde o primeiro instante em que me assumi para mim mesmo. Sabia desde cedo como o mundo poderia ser cruel com tipos como eu. E como impor minha orientação seria belicoso. O problema: não seria danoso apenas para mim, mas para meus familiares. E também, eu ainda era jovem e sem capacidade de me sustentar sozinho, ou abandonar aquela cidade e sua população medieval. Nesse sentido, minha estratégia de sobrevivência deveria ser outra.
    Minha vantagem era que, além de um jeito bem masculino de ser, eu também tinha um voraz apetite por mulheres. Minhas conquistas naquela cidade me tornaram uma jovem lenda e me garantiram um currículo acima de qualquer suspeita.
    Na natureza, muitos animais, para sobreviver, recorrem a imitação do ambiente a sua volta como forma de se camuflar. Chamamos isso de mimetismo.  O mimetismo é utilizado tanto pela presa, pra escapar do inimigo, quanto pelo caçador, para conseguir alimento.
    Eu, em minha condição de bissexual, poderia tranquilamente utilizar de meu gosto por mulheres e me doutrinar a apenas sair com elas, passando assim a vida completamente incólume naquela cidade atrasada. Um mimetismo defensivo. Mas, como meu pai mesmo já havia me mostrado, eu não era apenas um sobrevivente, mas também um caçador. E foi assim que logo descobri em minha condição uma arma poderosa para me aproximar, avaliar e, com a técnica correta, abater minha presa. E minha primeira foi um colega de escola chamado Gustavo Martins.
    Gustavo fazia parte da equipe de futebol do colégio. Era moreno, forte, uma cara máscula. A virilidade é uma coisa que atrai os homens, o senso de grupo, ou de alcateia. Tal condição fez Gustavo se aproximar de mim, e aos poucos se tornar meu melhor amigo. Éramos de longe os dois mais atraentes da escola e tínhamos por hábito trocar figurinhas a respeito de nossas conquistas. Algo que fazíamos apenas entre nós. Jamais fomos de espalhar aos quatro cantos a intimidade das pessoas. Seja por respeito, mas também por um senso de caçador. Afinal, a raposa caça muito melhor em silêncio. E isso, Gustavo aprendeu comigo. Nem nossas maiores conquistas eram divulgadas. As pessoas, se descobriam, era pela boca de terceiros, nunca pelas nossas. Mesmo quando partilhamos Suzana Lousada, uma veterana do terceiro ano, que só pegava caras de universidade. Tal façanha, em nossos 15 anos, nos transformariam em deuses naquele colégio. Mas nossa brincadeira no banheiro do vestiário, naquela memorável tarde de 15 de junho, ficou guardada no segredo daquelas paredes
    Lembro enquanto fodia a bela loura, onde tive pela primeira vez a oportunidade de reparar com maior liberdade no corpo de Gustavo. Ele estava de frente pra mim, agarrando os cabelos de Suzana enquanto ela lhe chupava ao pau. O corpo forte, abdômen trincado. Os poucos pelos ainda crescendo na barriga que desciam até o pau.
    Depois, quando trocamos, ele veio penetrar. Eu fiquei por trás observando e pude olhar bem sua bunda carnuda contraindo enquanto metia. Naquela tarde eu havia decidido: aquela seria minha presa.
    Gustavo confiava em mim, e com isso, jamais me percebeu como o predador que apenas estava esperando a hora certa para dar o bote. E foi em nossas férias de verão que encontrei a oportunidade perfeita. O calor assolava a cidade e eu, como bom conhecedor das matas da região, resolvi levar meu amigo para um passeio, onde o apresentei em um de meus locais favoritos.
    Tratava-se de uma cachoeira isolada, que ficava a uns 20 min de caminhada se a pessoa soubesse por onde estava indo. Por ficar mais adentro na mata e sem uma estrada para guiar, os moradores de minha cidade a evitavam. Preferindo a queda d’água mais próxima. Apenas mateiros experientes como meu pai e eu se aventuravam a ela. E o esforço era recompensador.
    - Caramba, Fábio. Que lugar maneiro - Gustavo se maravilhou ao chegar. Além de maior que a cachoeira comum, esta ficava quase sempre deserta, diferente do rebuliço da queda d'água, repleta de crianças..
    - Te falei que valeria a pena. Precisa confiar no teu irmão aqui - e bati em seu ombro enquanto tirava a roupa. Logo, estávamos os dois pelados e dentro d'água.
    Na verdade, a princípio, Gustavo estava de short de banho, mas a falta de pessoas e a confiança em me ver completamente nu o incentivaram a também se livrar delas. Nadamos, batemos um papo e aproveitamos a água gelada. Aproveitei para olhar o corpo de me amigo mais um pouco, seus músculos, sua pele. Era uma visão bem agradável e o primeiro momento serviu também para testar meu auto controle. Devo dizer que fiquei satisfeito em ver que meu pau me obedecia plenamente. Apesar do que via, não ficava ereto sem meu consentimento.
    Afinal, eu estava me mimetizando. E como bom predador, só faria o primeiro movimento quando tivesse certeza que minha presa não teria chances de fuga. Como a cobra que permanece imóvel entre a mata até sua vítima estar a uma distância promissora ao bote. Enquanto batíamos papo, pensava na melhor estratégia. O assunto entre nós fluía fácil, das baboseiras do colégio, às meninas bonitas e assim, inevitavelmente chegamos em Suzana.
    - Cara, sabia que ela está namorando um cara mais velho? - Gustavo de repente se lembrou da fofoca.
    - Na verdade soube que ela já está com esse cara a mais tempo. Que inclusive vai bancar a faculdade dela em São Paulo
    - O que? - meu dado o havia atiçado.
    - Então quando a gente e ela...- fez a mimica, simulando o sexo - Ela já estava com o cara?
    - Aham - e ri - corneou o maluco com a gente. Acho que foi a última aprontada dela antes de se mudar. Agora lá fora, dependendo do cara, ela deve ficar no sapatinho.
    - Com certeza e uma pena. Essa cidade não têm muitos peitos como aqueles - comentou, saudoso.
    - Nem uma bunda daquelas - completei e então, com maldade, brinquei - até porque a sua sua não conta.
    - Que isso, irmão. Ta de sacanagem? - riu, levando na farra meu comentário. Eu de fato gozava de uma boa imunidade, que permitia esse tipo de brincadeira sem levantar suspeitas. Ainda mais com Gustavo.
    - Com todo o respeito, irmãozinho. Mas na falta de mulher nessa cidade, tu rodava fácil - zombei e ele riu, me atirando água.
    - Tu é um filho da puta - atacou, mas bem relaxado. - E quem te garante que, na falta de mulher, eu quem rodaria?
    - Simples - respondi com marra - lei da selva. Sou mais forte, então eu te comeria.
    A armadilha tinha sido lançada. Apesar de ser um seguidor dos ensinamentos de meu pai, também sabia ouvir as sabedorias de minha mãe, em especial quando ela conversava com suas amigas. E algo que ela sempre dizia era: se quiser que um homem faça algo, atente contra sua dignidade que ele fara de tudo para limpar a honra.
    Menosprezar tão declaradamente a capacidade de Gustavo de me vencer em um confronto, só tinha uma consequência possível. E foi quando ele partiu pra cima de mim 
    O ataque direto foi facilmente interceptado e eu o afundei na água, deixando-o submerso alguns segundos.
    Quando ele saiu, puxando o ar, eu ria
    - Nem tenta, coleguinha - zombei e me virei, como se fosse nadar para longe, já antevendo seu próximo movimento.
    E nesse instante, o senti avançar e me virei a tempo de desviar e afundar novamente.
    - Patético - desdenhei - Não dá pra você não, Gutinho. Aqui o macho Alfa sou eu.
    Ele riu, mas deu pra ver a faísca cintilar em seus olhos. Apesar de ainda amigos, brigas pela supremacia sempre foram inerentes entre homens. Seja nos jogos, nas competições, seja nas paqueras. Brigas corpo a corpo eram raras entre nós e nunca sérias. Mas naquele momento eu estava tentado a testar isso até um nível mais elevado
    Ele me encarava, estudando o próximo movimento. Gustavo era visivelmente mais forte que eu, mas enquanto seus músculos eram moldados em quadras e aparelhos de academia, os meus foram lapidados naquela floresta, eram mais potentes pois estavam acostumados a fazer as coisas do jeito mais difícil, em contato com a natureza.
    Ele tentou mais uma, duas, umas cinco vezes, sendo subjugado em todas elas. Nossos corpos roçavam, apertavam a carne um do outro, os músculos trabalhando na tarefa de impor sua vontade sobre o oponente
    Em um momento, o afundei de forma a ele ficar com a cabeça bem próxima de meu pau e o esfreguei em seu rosto sem piedade por baixo d'água.
    - Porra! - praguejou, saindo de perto - isso é jogo sujo.
    - Será? Pois comecei a suspeitar, depois da quinta derrota, que você estava era vindo pra ficar roçando - e ri. Ele ficou irado. Ou pelo menos tentou parecer assim - pois vencer não parecia.
    - Brincadeira idiota.- tentou recuperar o fôlego e assim, demos uma trégua
    - Vai se acostumando. Pois se um dia estivermos sem opção de fêmea, você vai ter de ser minha putinha
    E sorri.
    Então, sentei em uma das pedras de forma relaxada. Meu pau, àquela altura, já estava com volume. Não estava ereto, mas já impunha sua presença. Percebi o olhar surpreso de Gustavo, mesmo tentando rapidamente desviar o olhar.
    Modéstia parte, sempre gostei do meu pau. Talvez a parte do meu corpo que mais gostava. Comecei a ter um carinho por ele aos meus 14 anos, quando perdi a virgindade com Camila, uma mulher de 30, viúva, a quem eu ajudava nos afazeres do jardim, como forma de me ocupar nas férias. Lembro que quando ela me viu pelado pela primeira vez, disse que meu órgão era "esplendido"
    E acho que ela não estava errada. Era grande, grosso, bonito. Longo, com uma cabeça bem saliente e rosada. Fiquei ali, sentado na pedra, pernas abertas de forma a exibir meu troféu, deliciando-me com o conflito de Gustavo. Era óbvio que a curiosidade o fazia querer olhar, mas ao mesmo tempo havia o protocolo de não deixar transparecer tal anseio.
    Tal posição foi me deixando irremediavelmente excitado. E desta vez, não tentei controlar. Brinquei com ele e o deixei ereto, cabeça apontada para o alto. Fiquei entretido puxando sua pele e analisando a cabeça, naturalmente, como quem ajeita o cabelo ou confere se os dentes estão limpos.
    Gustavo estava em silêncio. Eu não olhava diretamente pra ele, de forma a o deixar menos constrangido e assim percebia quando seu olhar recaia sobre meu pau. Aquele jogo estava delicioso.
    - Mas admite. Lugar maneiro esse, né? - puxei o assunto de repente, como quem lembra de sua presença
    - Hã... Ah sim. Sim...
    - O que foi, distraído? - sorri - assustou? - e apontei para meu pau.
    - Vai se fuder, Fábio. Até parece.
    - Ora pois. É maior que o teu, irmão. Normal ficar impressionado.
    - Até parece - mais uma vez eu o havia posto na defensiva.
    - Tanto que tu está aí escondido na água desde que entramos - zombei.
    - Eu? Que nada. Só estou nadando. Até parece que vou ficar com medo de você.
    - Relaxa, irmão. Nada demais. Pessoal é muito fissurado com lance de tamanho. Nada demais
    - Mas o meu não é pequeno
    - Não disse que é pequeno - e ri - só que é menor que o meu
    - Ai caralho  - tentou desdenhar
    - E se for? O que tu vai fazer? - ataquei de repente, deixando-o sem reação.
    Pobre Gustavo, estava tão ansioso para vencer algum desafio contra mim que caiu rapidamente na armadilha. Eu já tinha visto o órgão dele e sabia que o meu era maior. Se ele não prestou atenção no meu enquanto comíamos a Suzana, azar o dele . Ele quem estaria entrando em uma batalha perdida.
    - E se for? - desafiou
    - Se for, bato uma pra tu até tirar leite. - apostei
    Ele ficou surpreso, mas não deu ora trás.
    -Tu vai fazer isso?
    - Claro que não. O meu é maior. Agora, se eu ganhar, tu que vai ter de bater pra mim.
    - Brincadeira idiota - senti murchar, com a ameaça de perder.
    Eu apenas ri.
    - O que foi? - quis saber
    - Nada
    - Fala, caramba
    - Nada, cara - insisti, sem esconder o ar superior
    Percebi então que ele começou a mexer no próprio pau por dentro da água. Minha boca salivou
    - Quando estiver pronto, vem medir - chamei, brincando com meu pau. Que estava mais duro que nunca.
    Gustavo veio, e colocamos nossos membros um ao lado do outro. O pau dele estava duro, mas poderia ter ficado melhor. O nervosismo não o estava ajudando.
    - Tem dúvidas ainda? - brinquei. Balançando o meu como se fosse um troféu
    - Espera que ainda não estou pronto.
    Esperei ele se masturbar mais.
    - Beleza, eu espero - e continuei brincando com meu pau fingindo não notar que ele olhava meu corpo pelado
    - Aqui - e apontou. Agora sim estava na real forma
    Colocamos bem ao lado um do outro. Ficamos de frente, o meu pau tocou sua cintura e o dele ainda faltou uns 3 dedos para chegar na minha
    - Viu só - ele tentou desconversar - não é pequeno
    - Eu não disse que era pequeno - lembrei - só que o meu é maior.
    Ele baixou a cabeça, derrotado. Ia sair quando eu segurei sua mão.
    - Hey, hey, hey. Esquecendo de nada não?
    E pus sua mão no meu pau. Ele tentou tirar, mas eu segurei firme
    - Vai dar pra trás agora? Achei que fosse homem.
    - Por que faz tanta questão?
    - Só estou reivindicando minha posse. Você apostou porque quis - lembrei.
    As vantagens da honra masculina. Nós homens tínhamos disso. Esse desejo de se colocar acima dos outros, de competirmos. Mamãe estava certa e se você apelar para a honra de um homem, é capaz de conseguir tudo dele.
    Apostas tinham dessa mágica. Elas transformavam tudo e qualquer experiência em apenas um jogo de poder. O desejo sexual em si era disfarçado. No caso do vencedor, era apenas uma forma de mostrar sua superioridade ao outro. E para o perdedor, poderia se consolar com a ideia que estava apenas sendo obrigado a fazer o que, muito provavelmente, queria fazer.
    A mão do Gustavo envolveu meu órgão e eu fui mexendo com ela de início.
    - Relaxa. Quase ninguém sabe desse lugar. Mas se ficar enrolando, pode ser que alguém apareça.
    Sentei na pedra e abri novamente as pernas, o deixando livre para fazer como era melhor
    - Bora mano, tira leite que acaba logo pra você.
    Ele começou a me masturbar com mais afinco, olhando em volta a todo o momento.
    Eu me divertia com aquilo
    - Gustavo - o chamei e ele olhou - sabe que te considero um irmão, né? Nada disso vai vazar daqui.
    Falei sério, e isso o tranquilizou um pouco.
    Continuou a me masturbar.
    - Relaxa, amigão - brinquei, beliscando o bico do seu peito. Ele tremeu e sorriu, mesmo que de forma hesitante.
    - Vai se sentir melhor se eu bater uma pra você também? - sugeri e sua voz falhou
    - Ha? Digo... Você faz?
    - Se você tirar essa cara de culpa da cara, faço.- ponderei com tranquilidade - depois você me paga
    - Como assim?
    - Ora. Vou estar te fazendo um favor. Você fica me devendo.
    - Mas eu to fazendo em você.
    - Só porque foi bobo de querer medir forças comigo - rebati, com marra.
    Então, entrei na água e peguei o pau dele
    - Relaxa, não vou pedir pra matar ninguém. Quer ou não?
    Ele apenas fez um sinal positivo com a cabeça e eu comecei.
    Sua boca abriu, mas não emitiu som. Seu pau estava extremamente duro e eu gostei do que senti. Nos masturbamos em silêncio, em baixo d'água. A manhã quente e a água fresca, além do silêncio da natureza davam o oásis que precisávamos. Gustavo lutava para tentar demonstrar menos prazer do que sentia. E eu não conseguia tirar o sorriso altivo da cara
    - Lembra do dia da Suzana? - comecei - Vou ser honesto. Fiquei com uma puta inveja da tua bunda, enquanto comia ela. Maior bundão - elogiei.
    Ele riu
    - É o futebol. - explicou, mas deu pra ver que meu elogio, ou o fato reconhecer que havia algo nele que era melhor que o meu, o havia deixado mais confiante - tenho inveja é do teu pirocão - admitiu e logo se arrependeu
    Eu apenas sorri, fazendo pouco caso. Não era hora de zombar dele.
    - Cara, vou gozar assim - anunciei, sentindo meu corpo sofrer os espasmos.
    Gustavo logo olhou para baixo, onde a água cristalina deu uma boa visão de meu leite saindo e flutuando em grossas linhas brancas.
    - Caralho - suspirei. Então peguei no seu peito de novo enquanto o masturbava - Bora, tua vez
    Masturbei com mais vontade e ele logo começou a gemer. Senti seu pau dilatar quando a uretra abriu caminho para o gozo. Ele trincou os dentes e fechou os olhos, se segurando na onda de prazer .
    - Caralho - ecoou.
    Largamos os membros uns dos outros e deixamos a água nos embalar. Não falamos nada, e eu o deixei em silêncio com os pensamentos que deviam estar turbilhoando sua cabeça.
    Meu pau amoleceu e, por mais tentado que estivesse, sabia que já tinha estivado aquele elástico ao máximo possível naquele dia. Como meu pai me ensinou em nossas pescarias, tinha a hora de puxar a linha e hora de afrouxar, se não, o peixe acaba arrebentando e fugindo. Era hora de eu afrouxar. Não ia mais brincar de forma maldosa nem mesmo continuar em minhas investidas para me colocar acima dele
    Assim, puxei um assunto aleatório, falando da festa de aniversário de um colega nosso e do mico que alguns amigos tinham pagado nela. Feliz em poder falar de outra coisa, ele se deixou levar e continuamos a tarde na cachoeira como se nada de diferente tivesse ocorrido. Eu teria a oportunidade de puxar novamente aquele anzol. Já até tinha ideia de quando.
    *
    Dois dias depois, era a data que eu havia marcado no meu calendário, pois tinha prometido ajudar Gustavo a pintar um muro de sua casa. O momento chegou e eu prontamente me apresentei. Trabalhamos a tarde toda, onde fiquei apenas de short durante todo o serviço, fingindo não notar as olhadas de esgoela que meu amigo me dava hora e outra.
    Ao final, eram 16h e estávamos suados. Eis que ele sugeriu:
    - Que tal um banho de cachoeira?
    - Eu topo - sorri - Qual, a queda d'Água? - me fiz de sonso
    - Melhor não. Muito cheia. Vamos na outra - tentou parecer desinteressado.
    Assim, seguimos novamente e, chegando lá, tiramos as roupas. Desta vez Gustavo nem cogitou nadar de short, se colocando nu na água. Nadamos despreocupados e eu não tentei nada de inicio, intrigado em saber como ele se portaria. Minha presa estava agitada. Tentava me atiçar, jogando água e rindo pra mim. Chegava a ser brincadeira de tão fácil. Dócil como estava
    Então, tive uma ideia. Pedi para ele me seguir
    Fui subindo as pedras e rumando para trás do véu d'água.
    - Cuidado, pois as pedras aqui escorregam. - alertei
    - Não sei se vou conseguir, cara - ele realmente estava com medo de cair e se machucar. Risco real.
    - Vem comigo - e fui guiando, mostrando onde pisar.
    Mas não foi o bastante. Pois ele pisou em falso em uma pedra lodosa e ia caindo se eu não o segurasse. O abracei forte, mantendo-o estável.
    - Tudo bem? - perguntei.
    - Sim... Valeu - deu pra ver que ele ficou sem graça. Senti o sangue correr para meu órgão ao ter seu corpo quente abraçado ao meu.
    - Confia em mim? - quis saber
    - Aham.
    Então lhe dei a mão e o fui o conduzindo, onde pisar e, com calma, chegamos a nosso destino. Uma gruta atrás da queda de água, completamente encoberta, com uma pequena piscina natural .
    - Caramba, que maneiro.  - se encantou.
    - Tem muita coisa nessa mata que eu conheço, amigão - me gabei.
    - To vendo - e riu, olhando meu corpo mais uma vez.
    - E ai? - incitei.
    - E aí o que?
    - Ora. Afim de fazer um favor pra mim, não?
    - Do que você está falando? - se fez de sonso.
    - Bem, você ficou me devendo um favor lembra? Na última que estivemos aqui. Dois, se contar a mão na pintura que eu dei hoje.
    - Para de palhaçada. - tentou não rir
    Sorri mais. Estava adorando o joguinho dele. Estava na cara que ele já sabiá que a coisa ia para este caminho quando me chamou pra nadar, mas não podia dar o braço a torcer. Orgulho de homem, sabia como era.
    Me acheguei pra perto dele e sussurrei
    - Sabia que tenho a maior curiosidade de levar a mamada de um amigo?
    - Ta de sacanagem - se fez de surpreso, rindo incrédulo.
    - Sério. Da uma mamadinha.
    - Fábio., melhor parar com essas coisas
    - Por quê? Se anteontem não veio ninguém, aqui atrás mesmo que ninguém vê. Do lado de lá não se vê nada aqui dentro e o som d água abafa qualquer ruído.
    E peguei a mão dele e pus no meu pau
    - Vamos... Você ficou devendo  e me deu tua palavra.
    - Pô, cara. Tu é um filho da puta... - se fez de difícil.
    Eu então sentei numa pedra, com as pernas abertas, pau já duro, e o chamei.
    Ele veio, daquele jeito dengoso, cheio de cuidados. Guiei a cabeça dele e levantei meu pau.
    - Começa pelo saco. - pedi
    Ele riu e deu uma lambidinha. Olhou pra mim e eu aprovei. Então continuou, lambendo um pouco até pegar uma bola e chupar.
    - Caraca. Delicia - parabenizei.
    - Vai chupar também? - perguntou.
    - Posso te fazer um agrado, mas primeiro tem que merecer - e abri sua boca com delicadeza e mostrei a cabeça. Enfiei com calma e ele chupou a glande, com carinho, degustando.
    - Até onde você aguenta? - quis saber e fui enfiando. Devagar, até ele engasgar e eu tirar - caramba. Foi fundo. Será que consegue mais?
    Ele riu e pegou, dessa vez, movido pelo desafio, chupou e depois foi engolindo. Desta vez conseguiu até o talo e eu o parabenizei.
    - Caramba, moleque. Mandou bem
    - Tenta você - sugeriu
    - Calma jovem. Falei que você tinha de merecer. Então desci e cheguei perto dele e apertei sua bunda.
    Ele não entendeu o que eu queria e não fez resistência quando eu me pus atrás dele. Então, quando dei o bote e o agarrei por trás, já era tarde.
    - Ta na hora de cobrar o outro favor. O da pintura.
    - Que isso cara - se assustou, quando meu pau roçou na sua bunda.
    - Fica de quatro aí nessa pedra - falei.
    - O que?
    - Fala sério. Vai logo. Quero ver uma parada
    E fui empurrando, me fazendo da minha força para subjugar. Gustavo tentava resistir, ou pelo menos fazia parecer que sim. Digo isso porque, colocar ele de quatro em cima da pedra foi muito mais fácil do que deveria ser. Antes de dar tempo de ele desistir, abri sua bunda e enfiei a língua.
    - Acho que estamos passand... Ohhh - interrompeu a frase no meio quando minha língua começou a massagear seu anel.
    Não consegui me conter. Estava muito ansioso para chupar aquele cu e chupei com vontade, mordendo e lambendo as nádegas gostosas do meu amigo. Conforme provava, a fome que me impulsionava ia aumentando. Olhava pra aquele anel piscando e a boca enchia de água. Meu pau latejando.
    Sem aviso, o fiz descer, mantendo-o escorado contra a pedra. Empurrei suas costas de forma a dificultar qualquer tentativa de ele sair. Ali, imprensado contra a rocha, ele balbuciou
    - O que vai fazer?
    Sem resposta, fui encaixando a entrada.
    - Relaxa - foi tudo o que disse
    - Fábio., espera cara. - tentou mudar a posição, mas eu forcei e ele foi obrigado a se manter onde estava
    - Eu só disse pra relaxar.
    - Vai doer - avisou
    - Se doer, eu paro - e a cabecinha entrou. Gustavo deu um salto e tremeu.
    - Ai cara. Vai doer
    - Calma que nem comecei. Para de frescura - mandei, sentindo sua pele toda ouriçada. - empina a bunda, se não vai dificultar e aí vai machucar.
    - Porra. Cuidado. Cuidado - apesar do medo, obedeceu e o meu pau começou a deslizar.
    Com a paciência de um pescador, fui introduzindo.
    - Tá bom, tá bom cara. Já fez o bastante - tentou ponderar
    - Fica calmo. Depois faço um agrado pra você. - prometi.
    - Porra... - gemeu em protesto, mas abriu mais a bunda e eu sorri.
    - Isso. Assim. Assim... Caralho, que delicia - entrou até o fundo e eu deixei ali - Viu. Fácil.
    - Fácil porque não é teu cu, seu filho da puta - atacou
    - Exatamente - e ri em deboche.
    - Filho da puta - xingou de novo
    - Olha a boca - e beijei seu pescoço - to te tratando com carinho. Agora relaxa que vou começar a meter
    - Ah não.
    - Shiiii. Relaxa. Olha, devagarzinho - e comecei, bem calmamente.
    - Ai porra - sua respiração estava pesada, seu coração estava a mil, eu era capaz de sentir com o peito colado em suas costas - Depois vai ser tua vez - exigiu
    - Se pensa que eu vou te dar o cu, vai tirando o cavalinho da chuva - sussurrei ao seu ouvido.
    - Você prometeu - e tentou me empurrar, mas naquela posição, com as pedras escorregadias do jeito que eram, Gustavo não tinha mais a menor chance de fugir.
    - Prometi nada - me defendi - minhas palavras foram que eu te faria um agrado
    - Vai me chupar então?
    - Bato uma pra você - prometi.
    - Ah não. Só isso não - protestou.
    - Shiiii - e o imprensei de novo. Metendo um pouco mais forte - se ficar de pirraça, nem isso. To te fazendo um favor, ainda quer exigir?
    - Você está me comendo o cu, maldito.
    - Porque você estava me devendo. A mamada foi pela punheta de anteontem e o cuzinho foi pela ajuda na pintura da casa. Pronto. Estamos quites. Só porque sou um cara legal, bato uma pra você de graça, sem cobrar nada depois. Mas você tem que se comportar.
    - Tu é um filho da puta - e trincou os dentes quando eu enfiei fundo.
    - Isso, vai, xinga teu macho, vai - zombei, metendo.
    - Ai, ai. Devagar.
    - Pede por favor - mandei, embora já tivesse reduzindo o ritmo. Afinal, tinha me empolgado
    - Por favor.
    - Por favor, meu macho - insisti, cheio de maldade.
    - Vai tomar no teu cu. - atacou
    - Enganado, amigão. Eu to tomando o seu - e ri. Metendo gostosinho
    Eu tinha de me controlar, pois o poder que eu estava exercendo era tentador demais. Gustavo estava completamente a minha mercê. Estava numa posição impossível de escapar, meu pau já estava dentro, e ele não conseguia me por pra fora. Além disso, atrás do véu d'água, era impossível, mesmo que tivesse alguém do outro lado, nos ver ou ouvir.
    Pensar naquilo me deu uma vontade louca de judiar dele. Meter com força. Mas segurei a onda. Afinal, era meu amigão ali. E ao passar a mão pelo seu corpo, sentir seu pau duro, isso mudou meu foco.
    Agora, mais que nunca, eu queria fazer ele gemer. Minha presa estava ali, completamente entregue, então era hora de fidelizar aquela bunda. Comecei a massagear seu pau.
    - Tá gostando, safado - sussurrei ao seu ouvido.
    - Vai se fuder - falou baixinho, ainda controlando os gemidos.
    Meu pau já não encontrava nenhuma dificuldade em deslizar pra dentro e pra fora de seu corpo, sentia suas pernas bambas e sua pele toda ouriçada. Não precisava mais fazer forca para o manter preso, então usei as mãos para masturbar ele enquanto alisava seu corpo.
    Ele segurava os gemidos e eu então fui punhetando mais forte. Gustavo foi lutando para manter o controle, mas começou a tremer todo. Os gemidos começaram a escapar mais alto. Seu pau sofreu fortes espasmos quando enfim, começou a bombear leite pra fora. Nesse instante, ele gritou. Tremeu todo, da cabeça aos pés e o som de seu orgasmo ecoou pelas pedras, entoando junto do ritmo da cachoeira.
    - Caralho! Isso, isso! - comemorei, metendo forte. - Isso amigão. Goza vai. Goza.
    E eu também. Não resisti, sendo levado pelo tesão e leitando dentro de Gustavo. Urrei de prazer, sentindo o anel de meu amigo estrangular meu órgão dentro dele .
    - Ah. Ai. Tira, cara. Tira, ta doendo. Agora é serio - pediu
    - Com calma, deixa eu tirar - e fui puxando com cuidado, até ele me expelir por completo
    - Ah, caralho - respirou fundo, um alívio.
    Eu o fiz se deitar em cima da rocha, saindo da água, abaixei o rosto e contemplei o buraquinho. Estava rosado em volta, além de bem dilatado. Parecia respirar em compasso a seu peito. Não resisti e chupei novamente, arrancando mais gemidos dele. Minha língua agora entrava sem dificuldade.
    Depois dali, aquele se tornou nosso lugar favorito. Praticamente todas as tardes inventávamos algum pretexto para ir pra lá. Obviamente o calor nos ajudava.
    Gustavo ainda tentava resistir, fazendo o joguinho dele. Tentava também me comer, mas nunca conseguia. Ao final, era sempre ele quem liberava.
    Numa tarde, voltando de uma pelada, fomos para a cachoeira. Gustavo andava na minha frente, camisa do jogo pendurada no ombro, usando apenas o short de futebol. Não resisti vendo aquela bunda enorme balançando na minha frente, coberta apenas por aquela peça de roupa minúscula. Avancei e apertei bem a carne.
    Ele levou um susto, mas olhou pra trás e riu.
    - Que isso, parceiro?
    - Da pra Esperar chegar lá não. Dá pra mim aqui - pedi, já me achegando e tomando o que é meu. Enfiei a mão por dentro do short e apertei bem sua bunda.
    O efeito foi instantâneo. Logo deu ora ver o volume despontando no short de Gustavo. Mas era óbvio que ele ainda ia tentar resistir. Para ser franco, não teria tanta graça se ele não o fizesse. Aquele era nosso joguinho e o que catalisava meu tesão. Pegar um homem forte daqueles e impor minha vontade.
    Ele se virou de frente pra mim e tirou minha mão. Num movimento rápido, eu agarrei seus pulsos e forcei seus braços a irem pra trás. Praticamente o abraçava, mantendo seus braços presos pelos pulsos atrás do corpo. Estávamos cara a cara. Senti seu hálito. Meu pau duro se encontrava com o dele por cima dos shorts. Peito com peito, colados e sincronizados numa respiração mais intensa. O cheiro do churrasco que comemos após o jogo exalando de sua boca.
    - Da pra mim - meu tom não deixava claro se era uma ordem ou um pedido.
    - De novo? - se queixou, num muxoxo sem convicção - sou sempre eu quem dou
    Lhe dei então um beijinho estalado nos lábios. Meu gesto o surpreendeu.
    - Da pra mim - repeti, ignorando completamente suas queixas.
    - E quando vai ser a sua vez?
    Outro beijo, dessa vez mordisquei de leve seu lábio, sentindo melhor o gosto.
    - Da pra mim - e lambi seu rosto, como quem degusta a carne antes de comer.
    Beijei seu pescoço, descendo e chegando seu peito. Chupei o mamilo e ele perdeu completamente a voz. Sua boca abriu, mas som nenhum saiu. Sem forças, não fez qualquer resistência quando eu o virei e o coloquei com as mãos apoiadas na árvore. Desci e tirei seu short, deixando-o cair até o chão. Abri sua bunda ,vitorioso e minha recompensa estava ali, pronta para ser tomada.
    Chupei com carinho, sentido o anel se abrir para receber um velho amigo.
    - Sou sempre eu quem tem que dar. - gemeu, menos convincente ainda quanto a sua indisposição.
    - Pra que mexer em time que esta ganhando? - ri, enquanto levantava e encaixava.
    - Tu é um filho da puta, isso sim.
    Enfiei tudo de uma vez, fazendo ele gemer. Agarrei pelas axilas, aproveitando para brincar com seu peito com os dedos.
    - Quem sabe um dia você consegue. - supus.
    - Você vive prometendo, mas nunca faz - se queixou, tentando manter o ar indignado enquanto segurava os gemidos. Gustavo mantinha a bunda empinada, na ponta dos pés.
    - Não desista, garoto. Quem sabe, você me dando direitinho, um dia eu não resolva experimentar - brinquei. Adorava dar esperanças a ele, só para fazer tentar e ao fim o subjugar a minha vontade. O gosto era melhor quando era conquistado assim.
    Então eu cheguei bem ao seu ouvido e sussurrei:
    - Mas fala a verdade. Tu gosta de levar no cuzinho, né? Pode admitir pra mim. Fica entre nós.
    Ele gemia baixinho, grosso. Tudo muito bem controlado.
    - Tu é um filho da puta - praguejou
    - E você tem que parar de xingar minha mãe - zombei e meti mais forte.
    Rimos um pouco, mas logo os risos foram cortados pelos espasmos que se tornaram impossíveis de conter.
    Infelizmente, nossas brincadeiras de verão não avançaram para além da estação. Em janeiro, Gustavo recebeu a notícia que seu pai fora promovido e ele e a família sairiam da cidadezinha em que nascemos. Um sonho de muitos ali e o qual eu realizaria somente anos depois.
    Não completaríamos o ensino médio juntos.
    Na tarde em que me despedi dele, dei um forte abraço e falei ao seu ouvido:
    - Vou sentir sua falta - admiti
    - Eu também - sibilou em resposta - quando nos encontramos de novo, vou comer teu cu – completou.
    - Pode tentar. Mas sabemos como vai acabar - ri.
    - Tu é um filho da puta - e rimos. A risada foi morrendo enquanto seu carro se distanciava, dando adeus a mim.


  • Diários de caça - Capítulo 10 – Defesa antipredatória

    Perder meu pai me fez ver a necessidade urgente de crescer. Por mais que eu me considerasse prodigioso em muitos aspectos, tinha que admitir que ainda me escorava nele em outros.
    Mesmo eu conseguindo me manter na faculdade com os bicos que fazia de segurança de eventos, sempre que a situação apertava eu tinha com quem contar. Eu ainda poderia recorrer a minha mãe nas horas de aperto, mas eu ainda sou reconhecidamente machista para fazer isso. Não tenho orgulho em dizer que tinha vergonha de pedir qualquer coisa a ela. Em minha cabeça, naquela altura da vida era eu quem tinha que prover algo, e não o contrário.
    Então, a resposta para meus problemas era bem simples: eu tinha de arranjar um emprego.
    De preferência um que tivesse um horário flexível, para não atrapalhar demasiadamente o ultimo ano de faculdade de arquitetura. Não precisaria ganhar muito, apenas o bastante para me dar segurança, uma vez que meus gastos não eram onerosos.
    Foi então que, folheando os classificados, me dei conta de como eu estava perdido naquele meio. Pois na cidade, ou como eu chamava, selva de pedra, que naquele momento me parecia um parque de diversões, onde tudo era novidade e fascínio para um jovem recém emancipado vindo de uma cidade do interior, mostrava-se agora em sua natureza mais brutal.
    Eu não tinha qualquer experiência, exceto os bicos de segurança de casas de festa. Ainda não estava formado e mesmo estágios remunerados em minha área eram difíceis.
    Estava perto de entrar em desespero quando enfim vi um que me chamou a atenção. Era o anúncio de uma grande concessionária de veículos a procura de vendedores. Eu não tinha experiência com vendas, mas não exigia isso. E de carros eu entendia. As horas de minha vida gastas lendo revistas de carros e minha juventude ajudando meu pai nas manutenções do veiculo dele me deram um bom arcabouço de experiência com motores e peças. Acho que eu tinha uma chance.
    No dia seguinte, me animei e fui para a entrevista. E mais uma vez me senti como um cordeiro órfão atirado em um hábitat desconhecido.
    Quando cheguei, haviam outros 4 candidatos apenas para entrevistas, mas foram chegando mais. Todos bem vestidos em seus ternos e gravata. Eu, com minha blusa polo e jeans me senti logo deslocado. A secretária do dono da empresa, quem faria pessoalmente a entrevista, achou a princípio que eu estivesse ali para entregar alguma encomenda.
    Quando informei que estava para a entrevista, me deu um olhar de reservada piedade que foi pior do que se tivesse me desprezado por completo. Ela pareceu gostar de mim, simpatizado com minha condição, mas entendi em sua expressão que julgava que eu não tinha a menor chance.
    As horas em silêncio que fiquei na sala de espera foram agonizantes. Olhava para os lados e os concorrentes olhavam seus papéis em pastas ou material que traziam em tablets. Com apresentação de Power point e planilhas, tudo muito bem preparado
    Aos poucos foram sendo chamados. Entravam e saiam com as expressões tensas. Eu suava. Aceitei a água que a secretária me deu. Percebi então que devia estar transbordando medo, pois ela pôs a mão em meu ombro e disse que tudo daria certo.
    Foi quando vi um rapaz que chegou depois de mim ser chamado para a entrevista na minha frente que decidi que precisava ir ao banheiro.
    Era o próprio presidente quem saia da sala com a lista e escolhia o próximo. Era um homem imponente, acostumado a olhar os outros por cima. Vestia um terno feito sob medida na cor grafite, tinha uma barba bem aparada e cabelos mesclados no branco e preto. Não parecia tão velho, mas com certeza o trabalho pra comandar aquela empresa com mãos de ferro o desgastava. Mas tinha força, isso emanava dele e quando chamava um candidato, esse inevitavelmente se assustava antes de se levantar e o seguir.
    No banheiro, lavei o rosto e tentei fazer minhas mãos pararem de tremer. Pensei que se saísse de fininho, ninguém sequer perceberia minha presença e a humilhação seria menor.
    Instintivamente, dei um tapa em meu próprio rosto. Um gesto tão espontâneo que por um segundo me fez imaginar ter sido comandado por outra pessoa. Nesse instante, olhei para a pessoa do outro lado do espelho e não a reconheci. Pior, senti nojo dela
    - Covarde - acusei aquele ser estranho.
    Então seria isso, diante do primeiro desafio real eu me acovardaria?
    Eu que sempre me gabei de ser um sobrevivente, um caçador, me acuaria e fugiria?
    Sim, eu estava num ambiente hostil. Aquela selva de pedra não era meu habitat natural. Ali eu não era mais o superpredador que costumava ser. Ali, eu era caça. Aqueles homens me olhavam como um pedaço de carniça, só esperando os abutres virem para devorar. Mas se tinha uma coisa que eu sabia bem sobre a relação presa e caçador é que, quando se está muito acostumado a estar no topo da cadeira alimentar, um predador esquece como lidar com o desafio. Então, quando a presa, consciente que não tem escapatória percebe que a única forma de sobreviver é encarar seu perseguidor, esse caçador despreparado não sabe o que fazer. Pois não está acostumado a ser enfrentado.
    É assim com o bisão que se volta contra a leoa, a gazela que enfrenta o leopardo, até mesmo com o rato que ataca o gato. Chegou hora dessa presa aqui mostrar que não cairia sem luta.
    Voltei para a sala de espera e sentei, sentindo que havia deixado para trás o covarde do banheiro.
    Sentei e peguei uma revista. E esperei. Não liguei quando outros que chegaram depois de mim foram chamados. A aranha sabe que tem que ter paciência até a moscar cair em sua rede. A cobra sabe que tem que ficar imóvel, aguardando a hora exata do bote. Paciência é a chave da natureza. Um dom que os humanos parecem ter perdido vivendo na selva de pedra, onde tudo é pra ontem e o relógio é o ditador universal.
    Eram 19h, e o movimento estava direcionando ao fechamento. A secretária tentou ao longo das chamadas avisar ao chefe que eu estava na fila, mas foi ignorada. Eu, tranquilo ainda estava. Faltava apenas eu. Quando ele saiu e foi até a mesa da secretária.
    - É Vera, vamos ver o que temos pra amanhã, pois hoje, senti que perdi meu tempo.
    - Senhor Augusto, tem mais um candidato, na verdade - falou receosa, apontando para mim.
    Augusto virou para trás e foi como se eu, magicamente, tivesse sido trazido ali. Como se só agora pudesse ser visto.
    Me olhou de cima a baixo sem demonstrar qualquer coisa.
    - Também pudera, vestido assim não imaginei que fosse um candidato.
    - Desculpe. Imaginei que tentava uma entrevista para a Renout, não para o Luidgi. - rebati com casualidade, sem deixar transparecer qualquer raiva ou incômodo. Falei como falaria com um amigo, alguém igual a mim.
    Nesse instante, Verá ficou estática na cadeira, olhos alarmados. Os segundos em que Alberto permaneceu calado me olhando foram os mais longos de minha vida. Mas eu não desviei o olhar um instante sequer.
    Então, a opressão foi cortada com uma sonora gargalhada.
    - Essa foi boa - e deixou os papeis na mesa - É Vera, vou atender esse aí. Não se preocupe, vai ser rápido. Já está tarde, pode ir embora.
    E entrou. Eu agradeci Vera com um gesto e entrei logo atrás. A pobre mulher parecia ainda sem entender o que tinha acontecido.
    - Então, garoto. Vamos logo ao assunto. Aqui, como deve ter percebido, temos um público bastante seleto. Nossos carros precisam atender a seus gostos. O que buscamos aqui não é um simples vendedor, mas um consultor, entende? Alguém que entenda do assunto, que possa dar o suporte e sim, saber tratar o gênio dos nossos fregueses, que podem ser bem difíceis. Resumindo, alguém que saiba se portar com gente com grana.
    - Entendo, imagino que seja difícil. O que explica ter tantas dificuldades em vender os modelos esportivos. Esses homens acostumados a chofer não entendem o prazer de pegar no volante e se aventurar. - comentei, olhando o pátio dos carros a venda, quase ignorando o homem a minha frente.
    Notei que uma sobrancelha se ergueu com meu comentário, mas ele não expressou muito mais que isso. Aproveitei seu segundo de brecha e acrescentei outros detalhes técnicos, que conhecia bem de tanto ter estudado o assunto sem imaginar que aquilo era algo que me prepararia pra vida .
    Augusto deu mais uma risada seca e se sentou, me convidando a fazer o mesmo. Continuamos nossa conversa que ocorreu de forma bastante natural, como dois colegas em um bar. Todavia, mesmo o clima amistoso não significava que eu havia caído nas graças do dono. Não. Pois aquilo só queria dizer que ele ainda não me considerava um candidato. Em sua cabeça, eu devia ser apenas um jovem que ocasionalmente vem conversar sobre um assunto de interesse. Mas ao longo de nosso dialogo, pude deixar bem claro que entendia do assunto. E agradecia meu bom desempenho tanto aos anos dedicados aos veículos, mas também aos ensinamentos de Dom Pedro. Conviver com ele era com ler uma enciclopédia. Muito aprendi apenas na minha  convivência com Pedro sobre palavras, tanto seus significados como como as usar para impressionar o interlocutor.
    Assim como na natureza, na retórica, a forma é tão importante quanto o conteúdo. A cobra falsa coral pode não ter uma gota de veneno, mas ter as mesma cores da original já é o bastante para espantar os predadores.  O lagarto de gola é frágil e pequeno, mas expande sua membrana de forma a parecer tão ameaçador quanto seu oponente.
    Naquela entrevista, eu era indiscutivelmente a presa. Era eu quem precisava do emprego, era eu quem era a parte frágil da história. Mas isso não significaria que eu não usaria de todos os artifícios para igualar a disputa. Seja com meus conhecimentos, minha confiança, ou minha retórica. Augusto estava, creio que pela primeira vez em muito tempo, apreciando de verdade uma conversa. Duas vezes o vi esboçar o que parecia ser um sorriso, porém ele não iria dar o braço a torcer tão fácil.
    Foi então que ele tirou a gravata, e sentou de forma mais relaxada. Ao olhar o relógio de pulso, ergueu as sobrancelhas
    - Meu Deus, olha a hora. - riu surpreso e então deu de ombros - Que seja, aceita uma bebida? - e se levantou, indo até o frigobar.
    - Claro - olhei o relógio e já passavam das 20h. Conversamos por uma hora inteira sem sentir.
    - Tome. Segure enquanto eu pego o abridor - e me deu duas garrafas de cerveja. O que me surpreendeu, pois imaginei que iria pegar whisky ou algo do tipo. Ainda bem. Preferia a cerveja.
    - Não precisa - abri as duas com a mão nua mesmo e lhe ofereci uma
    Augusto olhou surpreso. Não importava onde, os homens eram iguais. Assim como os animais, se sentiam atraídos e intimidados por manifestação de força ou destreza física. Eu era capaz de impressionar qualquer um com minha destreza. Isso, é claro, e com meu membro avantajado. Mas senti que não seria aconselhável tentar essa segunda opção.
    - Interessante. Vejo que trabalha muito bem com as mãos. Tem experiência com mecânica também?
    - Sim. Sei consertar um motor desde os 12 anos.
    - E onde aprendeu?
    - Com meu pai. Me ensinou tudo o que sei. E também sou curioso no assunto.
    - Grande homem é seu pai
    - Foi sim - Corrigi.
    - Ah sim. Sinto muito. Um brinde a ele, então. - e tocamos as garrafas.
    Bebemos em silêncio, onde ele me olhou de cima a baixo novamente e eu senti pela primeira vez admiração em seus olhos
    - Sabe, garoto. Você me lembra muito uma pessoa.
    - Quem? Um filho, por acaso - brinquei e ele gargalhou.
    - Quem me dera. Se meu filho tivesse metade de seu ímpeto... Mas não. Ele não o tem. E nem gosta de carros. Só de dirigir, mas nada entende do assunto. Na minha família é minha filha quem tem garra. Mas não se interessa por veículos também. Pelo menos gosta de leis e está se formando em direito. Assim sei que posso deixar meu legado para ela e a parte jurídica vai estar em boas mãos. Espero que até lá ela se case com alguém que goste de veículos e não só de dinheiro.
    Rimos juntos e eu me senti muito a vontade.
    - Não. Você me lembra a mim mesmo, alguns anos mais jovem.
      Acredito que nem eu, nem Augusto, estávamos preparados para tal alegação. Ainda mais de forma tão espontânea. Admito que fiquei sem graça, na mesma medida em que me senti lisonjeado. Meu futuro patrão também. Terminamos aquela garrafa em silêncio, sem trocar assuntos. A verdade, que só me dei conta anos depois, era que Augusto, de certa forma, também me lembrava alguém especial. Creio que por isso o tenha questionado se me achava parecido com seu filho. Isso porque, de alguma forma, ele me lembrava meu pai. Ambos eram homens fortes, com garra para vencer na vida, dispostos a ajudar, desde que isso não os deixassem vulneráveis naquilo que tinham de mais frágeis: seus sentimentos.
    Augusto voltou para a mesa e olhou a agenda. Depois olhou para mim, reavaliando. Então deu de ombros e soltou:
    - Que se dane. Garoto, vou te dar uma chance. Na verdade, um teste. Tenho um cliente difícil amanhã e o vendedor que designei teve a audácia de quebrar a perna e não poderá vir. Quero saber se aceita o desafio. Aviso logo que é um homem difícil.
    - Claro - peguei sem pestanejar
    - Gosto do seu estilo. Mas... - e me olhou de novo de cima a baixo - Você têm um terno? Mesmo não sendo uma loja de roupas chique, precisamos manter certa aparência de dignidade. Sua petulância não vai te ajudar muito além dessa entrevista.
    - Não. Não tenho - admiti
    - Tudo bem. Amanhã, fale com a Vera. Ela lhe providenciará um dos nossos. Consegue chegar aqui as 9h para se arrumar antes de atender o cliente que está programado?
    - Claro.
    - Excelente - e pegou outra garrafa que matamos antes de sair.
    Chegando a recepção, vemos Vera ainda sentada em sua mesa, arrumando papéis.

    - O que é isso, mulher. Não falei para ir pra casa? O que faz aqui?
    - Ah sim - Vera parecia ser uma mulher que se assustava fácil, pois logo corou - Eu apenas tinha de organizar esses papéis e acho que me deixei levar.
    - Bom, já que está fazendo hora extra, poderia aproveitar e fornecer um dos nossos ternos para o garoto aqui? - e bateu em meu ombro - Ele é bonito e forte, não acredito que seja difícil achar algo que vista bem. Se não se importar, claro.
    - Ah não. Problema algum - e se levantou, parecendo ansiosa.
    - Garoto, te deixo em boas mãos. Agora vou para casa, se não a patroa me mata - e gargalhou alto, saindo bastante desenvolto.
    Segui Vera, que foi comigo em silêncio até os vestiários.
    Ela me olhava a todo o momento pelo canto do olho, e desviava rapidamente quando eu cruzava os meus com os dela.
    Era de fato uma mulher facilmente intimidável. Um tanto insegura, mas gentil e muito inteligente. Parecia ser um pouco solitária também. Ao julgar que ficou até aquela hora no trabalho, fazendo algo que provavelmente poderia ter sido deixado para outro dia.
    Eu, por outro lado, estava eufórico. Nunca me senti tão confiante e promissor. Na verdade, aquele embate de forças que travei com Augusto me deixou tão animado que estava com um apetite bastante acentuado. Meu órgão estava duro por dentro da calça e olhar Vera antando na minha frente, vestindo aquele terninho comportado e balançando aquela bunda avantajada, me fez pensar besteiras que achei melhor afastar.
    Chegando. Ela olhou alguns ternos e escolheu um. Apoiou em mim e avaliou
    - Acredito que esse ficará muito bem - e suspirou, imaginando algo que eu não sabia o que era.
    Aceitei e agradeci, e de tão ansioso, comecei a me despir sem esperar ela sair.
    Verá se alarmou e virou de lado, desviando o rosto, mas eu percebi que pelo canto do olho ela ainda lançava alguns olhares hora ou outra.
    Fiquei só de cueca branca, volume bem salientado no tecido. Vesti o terno e a chamei
    - O que acha? - e dei uma volta para ela avaliar bem.
    - Nossa. Digo... Está muito bem.
    Ela transpirava. Não conseguia disfarçar a maneira como me olhava e eu comecei a salivar. Havia me saído muito bem como uma presa em defesa, mas a verdade é que eu era e sempre seria um caçador. E naquele momento, minha fome estava incontrolável. Além do que, era uma mulher de meia idade muito bonita, meu tipo favorito desde meus tempos de adolescência. Cheguei perto dela e toquei seu ombro
    - Nem sei como lhe agradecer, Vera.
    - O que é isso, Fábio. Não tem o que agradecer. Só fiz meu trabalho - e respirou fundo, sorrindo como conseguiu.
    - Mas obrigado mesmo assim. - e mudei o assunto - Sobre o terno, eu poderia o deixar aqui? Prefiro me trocar aqui quando chegar amanhã.
    - Sim, sim, claro. Me dê e eu o guardo
    Eu então comecei novamente a me despir. Ela virou o rosto, e eu sorria cada vez que a via bisbilhotar. Ela ficou vermelha quando notou que eu havia percebido.
    Entreguei a roupa em suas mãos, que ela abraçou como um escudo.
    - Me diga, Vera. Se houvesse algo que eu pudesse fazer para te agradecer, você me pediria sem vergonha, certo?
    - Ah... Eu não sei... Não tem nada que eu queira.
    Ela parecia que ia ter um ataque, pobrezinha. Era engraçado e sexy de uma forma bastante sádica. A porta estava logo atrás dela, se quisesse, sairia correndo e eu jamais tentaria impedir.
    - Posso te confessar uma coisa, Verá? Duas, na verdade.
    - Claro... Fábio. Claro.
    - Você é uma mulher muito bonita.
    Ela ficou mais vermelha que um tomate.
    - Ora... Obrigado... - Arfou, parecendo a um passo de desmaiar
    - A outra coisa... - sorri sem jeito. Cheguei ao seu ouvido - É que estou com muito tesão.
    - Ah meu Deus - sua voz era apenas um fiapo e quase desapareceu quando eu pus sua mão em meu volume. - Fábio e se...
    - Não deve ter mais ninguém aqui.
    - Não. Tem o segurança da noite, mas... - e sua voz morreu de novo quando eu pus sua mão dentro de minha cueca e ela apertou o órgão - Ele não sai da entrada da loja e... Nossa.
    Peguei a roupa em seu colo e deixei no banco ao lado para não amarrotar. Depois, segurei sua mão e analisei os dedos. Ela me fitou, aguardando o que faria. Levei um dos dedos a boca e chupei. Sua mão livre alisou meu tronco e desceu. Enquanto eu brincava com seus dedos, a senti agarrar minha bunda e cravar os dedos em garras nas nádegas.
    Sorri com malícia.
    - Atrevida... Gostei
    - Não, por favor não me entenda mal... Eu - soltou rapidamente e eu tirei a cueca. Depois botei a mão dela de volta no lugar e a beijei.
    Num instante, sua perna me envolveu e ela me puxou pelo pescoço, como uma onça que acorda faminta ao sentir o cheiro de carne fresca.
    Nos beijamos com intensidade, onde eu a imprensei contra os armários, promovendo o som oco da colisão. Rapidamente, tirei sua calcinha por baixo da saia e encaixei. O próximo movimento foi dela, que num puxão de minhas nádegas me fez entrar. Vera ergueu o rosto e segurou o grito.
    - Ah meu Deus - clamou.
    Sorri e comecei a penetrar, num ritmo suave e ritmado. Ela não largava minha bunda nem por um decreto. A unha começava a me ferir, mas admito que gostei
    Meti com mais força, olhando bem seu rosto para identificar o nível de seu prazer. Vera era incapaz de me olhar, parecendo perdida em seu transe ou tomada pela vergonha. Ambas as opções me agradavam.
    - Como estou feliz de você ter sido contratado - gemeu baixinho ao meu ouvido quando a abracei.
    - Na verdade, ainda estou em experiência. - corrigi - Amanhã terei meu teste de verdade.
    - Ah não. - e riu vibrante - Aposto que um homem como você passa em qualquer teste.
    Sorri e a beijei novamente
    - Então depois me diz como me saí nesse.
    E a segurei firme, penetrando com a pressão que eu gostava, vendo ela lutar para não gritar de prazer.

  • Diários de caça - Capítulo 11 – Resiliência

    Resiliência é a capacidade de um organismo de, como a água, se adaptar as mais diversas condições. Como cresci basicamente no mesmo habitat, nunca tive a necessidade de praticar tal habilidade, tão essencial a evolução de qualquer ser. Porém, acredito que os anos longe de casa me fizeram ver essa força que eu tinha dentro de mim. No dia seguinte bem cedo, me arrumei para sair.
    Pedro tinha acabado de acordar e pedi permissão para dividir a pia para escovar os dentes.
    - Está galante. Conseguiu o emprego? - comentou, escovando os dentes. Seus cabelos, bagunçados como estavam, lhe conferiram um charme a mais.
    - Na verdade, ainda não. O teste de verdade será hoje
    Ele enxaguou a boca e secou, então me deu um tapa na bunda e um beijo no rosto
    - Boa sorte. Não que precise.
    - Valeu
    Cheguei a concessionária na hora marcada e fui para o vestiário e me troquei. Em meia hora, me apresentei ao escritório de Augusto já pronto, recebendo um belo sorriso de aprovação de Vera. Augusto chegou logo depois
    - Vera, mas já? Daqui a pouco vai dormir aqui. E está diferente. O que houve? Soltou os cabelos, parece mais alegre - e riu.
    - Nada demais, senhor Augusto - respondeu, corando levemente
    - Bem, seja o que for, está ótima. E olha pra você - se voltou pra mim - Parece um cavalheiro. Gostei. Então, vem aqui no escritório que quero te passar os detalhes.
    Entramos e eu mandei um beijinho para Vera, na surdina, que o recebeu rindo como uma colegial.
    - Garoto, na verdade não tenho muito o que dizer. O cliente de hoje, o Sr. Maia, é um homem estritamente pontual. Marcou conosco as 10h , então as 9h50 já esteja pronto para receber. É um homem de poucas palavras, não entende muito de carros, mas entende de blefe. Sabe quando o tentam enganar então, se não for um exímio jogador de poker, seja sincero com ele.
    Eu apenas confirmava com cada palavra, absorvendo tudo o que podia
    É um homem de rotinas sólidas, e uma de suas  tradições mais sagradas é trocar de carro uma vez por ano, na mesma época. Caímos em suas graças o bastante para ele vir a nossa loja nos últimos três anos, mas sei que podemos ter mais dele. É um homem influente e conhece muitas pessoas. Poderia nos indicar amigos.
    - Agradeço a oportunidade - respondi - Só uma coisa. Me parece ser uma tarefa muito importante. E eu sou iniciante. Não me leve a mal, não estou fugindo do desafio, apenas quero garantir quero senhor está plenamente ciente de sua escolha.
    Parece que eu tinha chegado ao "x" da questão. Uma coisa que até mesmo Augusto devia estar pensando desde que me propôs a tarefa.
    - Pois é, garoto. A verdade é que estou apostando muito. Você joga xadrez?. - e se mostrou desconfiado quando respondi afirmativo - Então, conhece a jogada do gambito.
    - Sim. Basicamente, usar uma peça como sacrifício para tentar conseguir algo com isso. Um truque, para atrair a vítima. Não me leve a mal, eu reconheço que como novato sou como um peão, que pode ser sacrificado sem grandes danos. Mas não tem medo de perder um cliente, que pode ser uma peça muito mais valioso.
    Ele ergueu as sobrancelhas em surpresa.
    - Outras pessoas se sentiriam ofendidas se serem referidas como peão - brincou.
    - Na natureza é assim. As formigas, por exemplo, se unem para criar uma barreira e proteger a toca do frio, chuva e outras coisas. Se sacrificam em nome no grupo e da rainha. Eu, como líder, também pensaria assim.
    Ele me olhou em silêncio, parecendo  cada vez mais difícil esconder o espanto.
    - Pois bem... - e riu, ainda sem acreditar - o fato é que perder o senhor Maia não seria uma perda tão grande assim. Ele compra um carro por ano, como falei. Tenho clientes que compram um carro quando estão estressados. E a maioria são banqueiros então - riu - você deve imaginar quanto eu vendo a eles - Não. Maia só é valioso enquanto potencial. Que se não realizado, não vale. Vários vendedores bons não caíram em suas graças. Então estou apostando em você. Se caiu em minhas graças, creio que vai dobrar o cara. - e pigarreou, claramente arrependido de ter admitido aquilo tão cedo - Pois bem. É isso.
    - Entendo - fingi não ter notado seu constrangimento - Mais algum conselho?
    - Sim. Não me decepcione - esse ele falou bem sério.
    Eu então obedeci. Quando cheguei no pátio, na parte coberta, fiquei olhando o ambiente, reconhecendo cada lugar, as pessoas que o frequentavam. Conhecer o terreno é fundamental para qualquer caçador e não importa em qual selva esteja, essa regra é fundamental em todos os locais.
    Na hora inglesa, vejo Augusto acenar para mim de longe. O tal Maia era um homem de meia idade, porte de nadador. Daqueles que parecem sempre encontrar tempo para se exercitar. O terno lhe valorizava. O cinza do tecido combinava bem com o grisalho dos cabelos de do cavanhaque. Tinha olhos azuis, pele queimada de sol.
    Fiz um gesto afirmativo para meu futuro patrão. Observei que Maia falava ao telefone e olhava alguns carros de forma desinteressada. Esperei onde estava, estudando. Era um daqueles homens objetivos, olhava bem sucintamente e rapidamente parecia fazer uma avaliação do modelo, partindo logo para outro.
    Meu patrão gesticulava para eu ir e eu fiz sinal que iria esperar mais. Seu gesto deu a entender que ele iria arrancar os próprios cabelos. Achei graça, mas mantive o tom profissional. Maia já tinha saído do telefone e continuou olhando. Até que parou no último lançamento. Um modelo veloz e na cor cinza. Tive o palpite de que ele gostava dessa cor. Olhou bem o veículo e então olhou para o relógio.
    Foi minha deixa.
    - Vejo que gostou do A7 Sportback. Não poderia ter eleito melhor. E a cor cinza combina com o senhor. - cheguei direto ao ponto, então completei, fingindo ter me precipitado - ah desculpe. Me chamo Fábio. Irei lhe atender hoje.
    Ele me olhou de cima a baixo, gesto aparentemente comum naquele meio, onde as pessoas te julgam logo o primeiro segundo e você tem que causar uma boa primeira impressão.
    - Estou te esperando um tempão.
    - Desculpe, o vi entretido há alguns minutos e não quis atrapalhar. Estava bem ali - indiquei, sem demonstrar nenhum receio - Vi que descartou os utilitários familiares e foi direto nos esportivos. Parece um homem que gosta de ação. Imagino que queira experimentar uma corrida nessa belezinha - e mostrei as chaves que já tinha pego de antemão.
    Maia continuou a me olhar como se eu fosse uma criatura estranha e única. Imaginei que minha atitude de cara o desarmaria. Tal como Augusto, ele era do tipo de homem que não está acostumado as pessoas de cabeça erguida ao falarem com ele. Estava acostumado a intimidar e não a ser intimidado. Na verdade, esse era um ponto que ainda me intrigava. Digo isso, pois percebi um certo receio nele que não identifiquei de cara o que seria
    - Aceito. Você dirige. - e foi indo ao pátio onde estavam os modelos para teste de direção.
    Chegamos e eu tentei insistir.
    - Tem certeza que não quer dirigir?
    - Eu não dirijo.
    - Sinto muito. Não queria lhe constranger  - e sentei no banco e ele no banco de trás.
    - Para sua informação. Eu sei dirigir, mas não o faço. - corrigiu, claramente com o orgulho chamuscado.
    - E eu jamais insinuei o contrário. - e lhe pisquei pelo retrovisor, usando minha melhor cara de poker.
    Mais uma vez senti Maia encolher e algo dentro de mim acelerava o sangue em minhas veias. Já tinha entendido porque Augusto me escolheu para aquela tarefa. Pois a estratégia usada contra ele era a mesma que usei contra meu futuro patrão. Minha defesa anti predatória que era capaz de inverter o jogo e deixar meu predador encurralado.
    Mas tinha algo mais. Algo que provavelmente nem Augusto previa mas eu sim. Meu faro não me enganava. Eu só tinha que encontrar uma brecha para cravar minhas presas. Como uma onça, quando eu desse o bote, seria diretamente na jugular.
    Aproveitei o silêncio do senhor Maia durante o trajeto e lhe expliquei sobre o veículo, seus potenciais. Fui bastante honesto com os defeitos, pois seguia o conselho de Augusto que me alertou sobre a inutilidade de tentar mentir para aquele homem.
    Foi quando seu telefone tocou. Ele o pegou, olhou a tela e bufou antes de atender, fazendo sinal para eu interromper a explicação.
    Me calei e ouvi, fingindo ter atenção somente na estrada
    - Oi Amor. Sim... Aham... Entendo... Eu já disse que sim... Não. Não há a necessidade de... Tudo bem... Tudo bem... Te ligo depois, sim? Estou ocupado agora. Sim, negócios... Outro.
    E desligou. Tentei esconder o sorriso que brotava em minha boca, procurando parecer o mais casual possível.
    - Mulheres - fiz pouco caso, usando de uma tática comum a qualquer homem casado. Falar mal das patroas.
    Pela primeira vez, vi, nem que fosse um milímetro de sorriso. E me espantei em perceber como ele ficava mais bonito quando tentava sorrir.
    Era hora de partir para a jugular.
    - Como é minha função aqui orientar sua escolha, senhor Maia, devo dizer desde agora que esse carro não é para o senhor. Deveria escolher outro
    Ele me olhou intrigado.
    - Nada de errado com o carro. Ele é impositivo. É forte. E confere essas características a quem o dirige. Mas só a quem o dirige. O senhor é um homem que provavelmente precisa chamar a atenção nos eventos de negócios. E chegar de carona neste veículo, não vai funcionar. Sem ofensas, mas esse é para homens que tomam as rédeas da situação.
    Ele ia protestar, mas ficou tão chocado com minha ousadia que vacilou e eu aproveitei a chance.
    - O senhor tem muito dinheiro e prestígio. Isso é inegável. Mas por alguma razão não toma as decisões da sua vida. Suspeitei quando abriu mão de dirigir e testar o próprio carro. E confirmei agora ao escutar sua conversa - e me apressei em acrescentar - Desculpe. Não tinha como não ouvir. E basicamente só ouvi concordâncias, mesmo que seu tom de voz insinuasse que quisesse dizer o contrário.
    - Você está abusando de sua posição - alertou, tentando parece mais ameaçador do que conseguia.
    - Pelo contrário. A princípio, deveria eu estar falando apenas de carro. Mas escolher um veículo e como escolher qualquer coisa na sua vida, tem que estar de acordo com sua natureza. Qualquer animal sabe disso. Sabe onde sua mão pode alcançar. Você não vê leões caçando elefantes, ou tubarões atacando baleias. Mesmo eles sendo os predadores, eles sabem escolher aquilo que está diante de suas capacidades. O senhor é um homem que se sente confortável em se deixar conduzir. Se me permite, tenho outros modelos que seriam muito melhores ao senhor.
    - Vou ter de falar com Augusto, sobre você.
    Sorri em triunfo. A ameaça, a última saída daqueles que sabem que perderam. Não era preciso ser um conhecedor da natureza como eu para saber que, quanto mais um cão late, menores são as chances de efetivamente morder.
    - Bem, senhor Maia. Acho que devo lhe avisar que ainda não fui contratado. Então, Augusto não pode fazer nada comigo senão negar uma coisa que já não é minha a princípio.
    Maia riu, descrente.
    - Augusto me mandou um iniciante para me atender? Inacreditável.
    - Errado, mandou seu melhor vendedor para seu perfil de cliente. - e encostei o carro - Se eu parasse de dirigir agora, o que faria?
    Ele ficou sem palavras
    - Você tem que me levar de volta
    - Errado, senhor Maia. Não sou obrigado a fazer nada. Se o senhor deixou bem claro que não serei empregado quando voltarmos, porque teria alguma responsabilidade sobre o patrimônio da concessionária de Augusto?  - e o encarei muito sério pelo retrovisor. - E então, vai sair e pedir um Ber, ou vai pegar no volante e dirigir?
    Ele não respondeu e eu saí do carro, dei meia volta, abri a porta de seu lado e me inclinei em sua direção. O receio que ele emanou me deixou em êxtase. O medo da presa aumenta a fome do caçador. Essa é uma verdade universal. Saboreei aquele impacto por mais tempo.
    - Então? Afim de me colocar em meu lugar e me levar para poder falar mal de mim para Augusto?
    Ele me olhava de cima a baixo, numa confusão de sensações. Meu porte ficava ainda mais realçado naquela posição, quase debruçado sobre ele. Eu sabia que ele me olhava. Minhas suspeitas já estavam mais que confirmadas.
    Ao final, ele bufou, ergueu e foi para o volante. Eu sentei ao seu lado e mais uma vez Maia não soube bem o que fazer. Peguei sua mão direita e guiei.
    - Vai perceber, senhor Maia, que pegar o que quer é muito melhor do que mandar outra pessoa fazer pelo senhor.
    Passei a mão direto pela marcha e aproximei de meu órgão. Ele tremia, sua mão suava, mas ele não fez nenhum sinal de puxar de volta. Eu então retornei e, antes que me tocasse, a pousei em cima da marcha do carro.
    - Então? Qual será nosso destino? - e sorri, fitando com muita arrogância - O senhor pode seguir nossa rota e eu poderei te explicar mais sobre esse veículo. Ou podemos voltar a concessionaria e você me destruir para meu futuro ex chefe. Ou... Bem... Ficamos por conta de sua imaginação. - me inclinei ao lado e falei ao seu ouvido - você é o motorista, senhor Maia. Pode me levar onde quiser.
    Sua reação foi mais rápida do que imaginei. Ele logo saiu com o carro e tive de admitir que ele de fato era um exímio motorista. Andamos em silêncio pela rua, onde saboreei sua tensão. Até que ele virou uma esquina e entrou direto pela garagem de um motel.
    Entrou, pegou um quarto e foi sem olhar para mim. Ao estacionar na garagem do quarto, saímos e eu o segui com as mãos no bolso e muito relaxado.
    Entrei no quarto e ele me olhou novamente dos pés a cabeça. Tinha percebido desde cara, só não tive certeza. A primeira vez que ele fez isso, de inicio parecia que me olhava de cima, tal como fez Augusto. Mas tinha algo a mais e eu quase deixo passar se seu medo diante de meu charme não o denunciasse tão descaradamente.
    - Então, senhor Maia - dei de ombros - para o que me trouxe?
    Ele avançou em mim como uma fera faminta, me beijou, jogando seu peso contra mim. Me conduziu até a cama onde me atirou, ajoelhou-se e, desajeitadamente, abriu meu cinto e minha calça.
    Após conseguir tirar, arriou minha cueca e abocanhou meu órgão como um homem sedento. Somente conseguindo respirar em paz após sentir o gosto em sua boca
    Aos poucos ele foi se acalmando. Sugando meu pau e respirando mais manso. Um suspiro de alívio, como se tivessem lhe jogado um bálsamo sobre uma queimadura.
    Ele chupou, lambeu, cheirou. Arrastou meu órgão pelo rosto, em transe.
    Adorava aquele olhar de êxtase. Era o mesmo dos garotos de minha cidade, que de tanto se segurarem, quando enfim tinham a chance de experimentar o que tanto queriam mas não podiam ter, se esbaldavam.
    Eu antigamente pensava que o povo da cidade era melhor resolvido nessas questões, em especial conforme fui me envolvendo com os universitários. Mas dava para ver que para gerações anteriores, esses tabus ainda existiam. Quanto mais livre você podia ser, mais criava amarras para se prender
    - Ainda vai conversar com Augusto sobre mim?
    - Vou sim - e chupou mais - Vou mandar ele te contratar, caso contrário será o mais idiota dos homens.
    Aquela devoção, vinda de um homem que me olhava há pouco como um lacaio, me encheu de tesão.
    - Ele não acreditará, ha menos que compre um carro
    - Aquele já é meu. - prometeu.
    Sorri e o deixei chupar mais. Apesar de sua afobação estar o deixando meio descuidado com os dentes, aquela dor oriunda de seu desespero me era muito atraente. Acho que sempre gostei quando a dor e o prazer se mesclavam de forma tão harmônica.
    Depois, o peguei e o fiz se levantar. Fui tirando sua roupa e vendo que seu corpo era bonito mesmo sem aquele terno caro. Seus olhos estavam demonstrando sua apreensão. Ele não devia ser o tipo de pessoa que se sentia a vontade se despindo pra outra. Dava para ver que me estudava, como que tentando encontrar algum desagrado em meus olhos.
    Mas gostei do que vi. Gostei muito
    - Me diga, Maia. Ou melhor, Henrique - e sorri ao ver sua surpresa. Eu tinha visto sua ficha de cliente antes de o encontrar. - O que você deseja agora?
    - Quero você dentro de mim
    Sem rodeios. Assim que eu queria
    O peguei pela nuca e o beijei com mais intensidade, mantendo-o bem preso junto a mim. Então, num movimento preciso, girei meu corpo e o atirei de bruços na cama atrás de mim.
    Peguei suas pernas e as abri, montei por cima dele e abri suas nádegas. Deixei uma linha grossa escorrer de meus lábios e atingir em cheio o orifício. Depois, encaixei e enfiei
    Aquele atrito gostoso de um rabo pouco usado. Maia esperneou, contorceu, suou, mas em nenhum momento ousou mandar eu parar. Quando entrei por completo, olhou pra trás e disse:
    - Vai. Por favor. Vai.
    Me ajeitei e comecei a movimentar o quadril. Golpeando com força e arrancando seus gritos e gemidos. Durante aquele longo tempo, esses eram os únicos sons que se ouviam naquele quarto, guiados pelo estalar de nossos corpos.
    *
    A volta foi infinitamente mais tranquila, onde pela primeira vez vi o senhor Maia sorrir de forma relaxada.
    Chegando de volta na concessionária, ele foi tratar as questões finais com Augusto que notou de cara que havia algo diferente e me lançou um olhar interrogativo. Deixando claro que queria falar comigo depois.
    - Vera, minha flor, se quiser aproveitar para tirar seu almoço. Vou sair agora com o senhor Maia.
    Vera atendeu prontamente e eu aproveitei para comer também. O refeitório da empresa era amplo e serviam uma comida simples mas bem apetitosa. Aproveitei o momento para conhecer melhor Vera, que era uma mulher muito interessante. Era uma grande conhecedora do mundo, muito erudita, o que me fez perguntar o que ela fazia como secretária?
    Resumindo, Vera fora casada durante 15 anos com um homem um tanto quanto obtuso. Viveu esse tempo como dona de casa apenas e infelizmente descobriu que não poderia ter filhos, culpa essa que o marido atribuía a ela, embora os médicos discordassem. Acostumada a sua vida mais ou menos, apenas teve a alforria quando o marido faleceu, vítima de infarto. Com a liberdade recém conquistada e sem nenhuma experiência no currículo que Sá os muitos livros que leu ao longo da vida para lhe salvar da monotonia, ela acabou conhecendo Augusto e foi contratada.
    - Augusto viu em mim alguém capaz de arrumar bem qualquer coisa, uma casa, ou uma agenda atrapalhada como a dele - riu. - gosto do senhor Augusto. É um homem bom.
    -Ele de fato parece ter um bom olho - comentei.
    - Sim. Por isso viu em você algo a mais - e sorriu com carinho. - Eu também vi. - completou.
    - Vocês dois estão colocando muitas expectativas em mim - sorri.
    - E você coloca expectativas de menos - corrigiu. - Ah se eu fosse alguns anos mais jovem. Agarrava você e não soltava mais
    A diferença de idade entre mim e Vera era de uns 20 anos. Era uma linda mulher. Nunca pensei em idade como um problema, embora naquela época ainda, nunca tivesse pensando em um envolvimento maior que algumas horas de uma boa transa com ninguém.
    - Pode me agarrar sempre que quiser - brinquei e ela corou.
    - Vamos mudar o assunto - riu e então conversamos sobre a empresa. Uma conversa agradável e que fluiu com naturalidade.
    Quando voltamos, Augusto e Maia ainda não tinham voltado. Augusto chegou sozinho, uma meia hora depois e me mandou ir a sua sala.
    - Boa sorte - desejou Vera. - Faz anos que não o vejo animado assim.
    Eu entrei e não posso negar que sentia um pouco de nervosismo. Daquele que nos acometem ao receber o resultado de uma avaliação, mesmo sabendo que mandou muito bem
    - Fábio, meu garoto. Me diga, o que diabos fez com aquele homem? - seu rosto era difícil de traduzir. Se aquilo era una felicitação ou uma bronca - Nunca o vi daquele jeito, falante, animado. Normalmente ele vem ao meu escritório, fecha o negócio e sai sem dar tchau. Mas hoje... Até para almoçar me convidou. Falou dos amigos, dos negócios. Ah, garoto, garoto. Grandes coisas vem dali, poso sentir.
    - Fico feliz que tenha sido proveitoso. Espero ter causado uma boa impressão.
    - Com certeza causou. Ele basicamente disse, não em palavras, que eu seria um imbecil se o deixasse escapar.
    Fingi surpresa.
    - Como dizem, homens inteligentes pensam igual. O que me faz lembrar - e pegou um papel do bolso - isso é seu. Sua primeira comissão.
    Eu peguei o cheque e desta vez não fui capaz de dissimular. Nunca recebi tamanho dinheiro em uma única tacada.
    - Nosso salario base não é glorioso, mas sem duvidas dá pra viver dignamente. Agora, se você quiser ganhar dinheiro mesmo garoto, são as vendas que lhe trarão isso. Quero você aqui. Não me interessa o horário que vai escolher, converse isso com o Igor do RH, não vou discutir questões idiotas como essa. Pra mim tanto faz. O que quero é que use, sei lá o que você tem, para atrair nossos clientes - e bateu em meu ombro com força. - Garoto, vejo um futuro brilhante pra você.
    Eu fiquei realmente grato. A verdade é que nunca fui um aluno brilhante na escola, e nunca fui elogiado dessa forma em minha vida. Normalmente meus elogios são outros.
    - Obrigado, senhor - falei, emocionado.
    - Não venha com sentimentalismo, garoto. Deixe isso para os que precisam se sentir gratos por qualquer migalha de elogio que recebem, pois são medíocres. Para nós, pessoas de talento, aceite com honra o que é bom e pronto.
    Eu concordei, recompondo-me
    - Agora, garoto. Me diga. Qual foi seu segredo com Maia?
    - Não espera que eu exponha meu talento assim, não é senhor?
    Augusto soltou uma sonora gargalhada e bateu mais forte em meus ombros
    - É disso que gosto em você. É disso que gosto.
  • Diários de caça - Capítulo 12 – Harém

    Uma das lembranças mais prazerosas de minha vida e que me deixam ereto cada vez que resolve povoar a mente, é daquela noite em que, pela primeira vez, fui convidado ao circulo de prazeres internos daquele apartamento.
    Era um noite bem tempestuosa e eu tinha ficado em casa. Meus colegas também e eu estava no meu quarto lendo quando alguém bate a porta. Mandei entrar
    - Oi Leão - Dom Pedro enfiou a cabeça e tinha em seu rosto aquele sorriso sapeca de quando queria brincar - Está ocupado?
    - Não. Pode entrar.
    Ele veio e tinha nas mãos um pedaço de tecido.
    - Estava pensando em você aí sozinho. Sem nada pra fazer e pensei em te convidar para um joguinho.
    - E qual séria esse joguinho? - sorri, antevendo.
    - Coisa boba - e se achegou - eu coloco essa venda nos seus olhos e te levo pra fora. Lá, nos brincamos.
    - E eu iria gostar desse jogo, por que? - inquiri.
    - Ora. Só provando para saber, não acha? Não me diga que está com medo - e sorriu, travesso.
    Não tendo uma resposta, ele se achegou e passou a venda em meu rosto , amarrando bem firme.
    - Vem cá - e segurou minha mão. Levantei e deixei me guiar. Em passos lentos e cuidadosos, Pedro me tirou do quarto e a julgar pelo meu senso de direção, levava-me ao dele.
    Ali, não estávamos só. Meus instintos detectavam outra pessoa ali.
    Fiquei parado, no meio do cômodo, ainda vendado. Esperando, sentindo que eles circulavam em torno de mim. Como uma matilha de hienas cercando o leão.
    Alguém se achegou e soprou meu pescoço. Veio de um ponto mais alto que eu.
    - Diego também está aqui - comentei, achando graça.
    Ouvi risadas.
    Alguém agora cheirou minha nuca, o perfume era de David.
    Me abraçaram por trás, e eu senti um volume encostar em minha bunda. Pelo tamanho e força, ainda era David. Ele passou a mão por dentro de minha blusa e acariciou meu corpo, levantou o tecido e foi beijando minhas costas.
    Eu deixei, sentindo um arrepio gostoso provocado por sua barba. Outra pessoa arriava meu short e esfregava o rosto em minha cueca. Então puxou minha cueca devagar, fazendo meu pau saltar e colidir contra seu rosto. E o beijou. Alguém estava e minha direita. Diego. Chegou perto e eu me virei a tempo de retribuir seu beijo.
    - Como você sabe onde todos estamos?
    - Sou um caçador, Diego. Nunca te falei?
    - Nosso Fábio é um verdadeiro leão - ouvi dom Pedro falar, enquanto me chupava o órgão.
    - Mais um gatão para nosso lar.
    - Leão é? Tá explicado a juba - ouvi David zoar enquanto puxava minha blusa. Eu já estava completamente nu àquela altura.
    Sinto um órgão duro bater em minha bunda. David, atrás de mim, já devia ter se despido também e agora me beijava a nuca, seus mamilos roçando em minhas costas.
    - Tá aí, gostei. - e me chupou o peito, mordiscando.
    - Ai - protestei, embora tivesse gostado.
    Dom Pedro, agora me beijava os pés e ia subindo e lambendo da perna até a coxa.
    - Pelo visto, Dom Pedro arrumou outro espada para o grupo - David comentou.
    - Sabem como sou. Não gosto de concorrência em meu território.
    Alguém puxou minha venda e logo me acostumei a luz do quarto.
    Todos estavam nus.
    Diego falou ao me ouvido
    - Como você é novo, vamos te deixar ir primeiro hoje.
    Pedro, como um gato, engatinhou até a cama onde se pôs de bruços.
    - Vejo que investiu bastante nesse harém particular, não é, Dom Pedro? - comentei, notando que tanto David quanto Diego eram também bem dotados.
    David era o menor, porém extremamente grosso e o de Diego era longo e mais fino como uma cobra, meio torto pra cima quando ereto.
    Me acheguei e abri as nádegas de Don Pedro sentindo aquele aroma perfumado que só ele tinha.
    Beijei suas nádegas macias e passei a língua na pele lisa. Logo estava novamente com a cara enfiada entre elas e chupando o orifício.
    Seu gemido era baixo e manhoso, como um ronronar.
    Ali estava explicação que me faltava, do que motivava o bom samaritanismo de Pedro. Ao longo de meus dias ali, eram comuns festas como aquela. O fato de ser o dono da casa e ter uma bunda irresistível, tornavam Pedro o centro das atenções. O rei de nossas festas. Mas na natureza o status de Rei não era garantia de soberania. Pois o mesmo, poderia ser facilmente convertido em um escravo.
    A abelha rainhas é o centro vital de sua colmeia, atraindo todo o enxame a girar em torno dela. Todos ali dariam a vida por ela, todos os machos estavam a seu dispor. Mas isso também significava que ela teria de se dispor aos seus súditos.
    Como a abelha rainha é capaz de atrair os machos e, após àquilo é forcada a servir a eles, Pedro também era capaz de nos deixar loucos de prazer, mas isso significava também ter de aguentar os avanços de nossos desejos
    Pedro engatinhou até David, e ia lhe chupar o pau quando eu o peguei pelas pernas e o puxei. Ele caiu de novo de bruços sobre o colchão. Olhou pra mim com um sorriso surpreso
    - Você disse que eu seria o primeiro e eu ainda não acabei. Então, montei em cima dele e comecei a penetrar sem aviso. David e Diego não se importaram. Estavam em êxtase vendo a surra que eu dava em nosso benfeitor.
    O golpeei com força, jogando meu peso contra seu corpo jovial.
    Foi quando a campainha tocou e Diego riu
    - Vou atender.
    Eu não entendi e Pedro também não parecia saber o que se tratava. Embora o brilho em seu olhar pudesse intuir
    - Aqui, pessoal - David chamou e outros dois caras entraram. Vestiam uniformes ainda. Um deles trabalhava nos Correios. Outros, pelo que entendi da logo, devia ser uma loja de calçados.
    Eles sorriram me vendo foder Pedro.
    - Fiquem a vontade - David falou. Assim que nosso amigo terminar, ele é todo de vocês.
    Pedro olhava de um pra outro salivando. Eu fodi mais enquanto os dois novos se despiam. Quando nus estavam, eu sai e dei lugar, já que não era uma pessoa egoísta. Um deles o virou de barriga pra cima e se enfiou entre suas pernas, o outro ajoelhou na cama e enfiou o órgão em sua boca
    David chegou até mim e me beijou, roçando o pau contra o meu.
    Diego me veio por trás e colou o corpo em mim. Apesar de não gostar de macho atrás de mim, deixei. Afinal todos ali éramos predadores e assim, devíamos saber respeitar um ao outro.
    Brincamos entre nós enquanto Pedro era devorado pelos dois homens que eu não sabia sequer o nome. O dos correios logo gozou e pediu licença, pois ainda estava de serviço.
    A vaga na bunda de Pedro foi coberta por Diego. O outro rapaz veio até nós e quis nos chupar. Pedro não gostou. Era um territorialista. Logo então eu ia descobrir que Pedro não tolerava nenhum outro passivo nas festas em que organizava. Sempre que chamávamos outros, era quando ele não ia brincar.
    Apesar de um pouco egoísta, Pedro era um bom anfitrião em todos os sentidos. E poderiam ser três ou mais ativos, ele aguentava e dava atenção a todos, de forma intensa e insaciável. Não tinha problema ele querer monopolizar os paus para si, uma vez que era capaz de dar atenção a todos.
    Deixamos o garoto nos chupar, já que não íamos estragar a brincadeira. E ele logo depois foi embora.
    Depois de Diego, foi a vez de David deitar ao lado de Dom Pedro e lhe penetrar naquela posição.
    - Nossa. Estou todo ardido. - desabafou
    Mas ignoramos. David se levantou e o pegou no colo, de frente para si e o penetrou assim mesmo. Eu aproveitei e fui por trás, encaixei junto de meu amigo e, depois de algum esforço, dividi aquele canal com David.
    - Ah - gritou, soltando o ar de uma vez - Vocês vão acabar comigo assim - protestou.
    - Aguenta gatinho - Diego veio para o lado e calou sua boca com um beijo.
    A abelha rainha tinha começado o acasalamento e não era mais direito dela encerrar até que todos a tivessem fecundado. Esse é o problema de se brincar com fogo. Você pode iniciar uma chama, mas é bem capaz que perca o controle do incêndio.
    Fodemos Dom Pedro sem piedade. Ele já não falava mais nada, apenas gemia, recebendo nossos órgãos sem nenhuma resistência. Ao final, fomos brindados com o fisting que David lhe deu. O braço do personal era grosso e era uma cena excitante o ver enfiado até o antebraço no corpo de nosso amigo. Quando acabamos, o deixamos jogado na cama, recuperando o fôlego.
    - Hoje esse aí dorme a noite toda - gabou-se Diego.
    - As noites são sempre animadas assim? - perguntei, sentando entre eles no sofá de três lugares.
    David fingiu pensar a respeito
    - Nas melhores sim. Nosso recorde foi conseguir mais 5 caras pra foder o Pedro.
    - E nunca pegaram outro passivo? Pra dividir e conquistar.
    Eles riram
    - Você nunca viu Dom Pedro dividindo cama com outro passivo, não é mesmo? O bicho parece um animal defendendo território. Não dá não. Ele é guloso. Mas pelo menos dá conta.
    "Animal defendendo o território". De fato eu e Dom Pedro tínhamos mais coisas em comum do que parecia.
    - Mas nós podemos é chamar um passivo, sem a participação do Pedro ali. - Continuou, David - ele não liga, só não vai querer comparecer a uma festinha que não seja o único a distribuir.
    - Justo - ri, relaxando.
    Era bom ficar assim, a vontade. Sem aqueles pudores desnecessários entre homens. Estávamos ali, nus em pelo, falando das mais diversas coisas sem a preocupação de estarmos sendo indelicados
    David segurou meu pau e analisou.
    - Pedrinho tem faro pra pirocudo, nunca vi - riu.
    De fato, os três ali éramos bem dotados. E ele nunca tinha me visto pelado para me chamar. Instinto também era uma coisa que eu e nosso anfitrião tínhamos em comum, mas usávamos para farejar caças diferentes.
    David massageou meu órgão de forma despreocupada. Acredito inclusive que nem tinha segundas intenções. Era apenas alguém acostumado a tocar outro homem sem precisar de desculpas.
    Então, resolvi dar uma chance a mente aberta e acariciei o dele também. E peguei no de Diego de quebra. Diego alisou minha perna, acariciando meu saco ocasionalmente.
    Nos recostamos e relaxamos, aproveitando daquela camaradagem ocasional sem fins mais obscuros em mente. Apenas uma relação entre irmãos de ofício. Pessoas que se permitem algo sem pensar nos rótulos.

     

  • Diários de caça - Capítulo 13 – Gataria

    Caçar em bando é comum a muitos predadores. Além de aumentar as chances de sucesso, é uma forma de estreitar os laços que são os primórdios de uma vida social. Não há um animal na terra evoluído que não tenha adotado tal método e construindo assim uma vida em grupo.
    Durante muito tempo, vivi como um lobo solitário, uma vez que o lugar onde cresci não era favorável a esse tipo de relação. Preservando minha intimidade, eu só me revelava para uma presa, nunca para outro possível predador.
    Mas ali, dividindo apartamento com David e Diego, aprendi os prazeres de dividir e conquistar. A empolgação da caça ficava ainda maior quando se tinha amigos com quem contar as vitórias e as derrotas, trocar experiências e conselhos. E também, por que não, dividir os espólios.
    Numa noite, por exemplo, eu estava usando um daqueles aplicativos de encontros. Normalmente teclava por uns 20 a trinta minutos e perdia logo a paciência. Não era tão fã assim de usar a tecnologia a esse favor. Sempre fui um caçador a moda antiga.
    Todavia, naquela noite estava em um proveitoso papo com um perfil chamado "110%passivo". Estava praticamente tudo certo para eu ir ao seu encontro, quando ele me manda mensagem dizendo que seus pais haviam chegado e que o encontro havia babado.
    Imaginei que se tratava de mais um desocupado que fazia as pessoas perderem tempo e já ia dispensar quando ele perguntou se não teria como ser na minha casa, pois estava muito necessitado.
    Eu nunca tinha levado ninguém lá, embora me fosse totalmente autorizado. Olhei para David e Diego que estavam lendo e vendo TV respectivamente, e respondi:
    - Eu moro com outros três caras - falei - se não se importar, pode chegar aí. Ficamos no meu quarto.
    - Eles não se importam?
    - Nem um pouco. Pode vir. Eles já devem sair daqui a pouco - inventei. Somente Pedro tinha saído para visitar um parente.
    - Show. Vou me arrumar.
    Passei o endereço e esperei, achando graça da ideia que germinava em minha mente sem eu nem mesmo saber porque.
    Ele anunciou que tinha saído de casa e perguntou se já estava sozinho. Eu respondi com sinceridade.
    - Fico meio sem graça - disse.
    - Relaxa. Como disse, vamos para meu quarto. Todos aqui somos homens e adultos. Então não tem porque se encabular. Mas se não quiser vir, beleza - cortei logo para ele saber que eu não ia ficar enrolando.
    Ao fim, ele veio. Desci até a portaria para receber.
    O olhei pessoalmente e era aquilo que prometia nas fotos. Mais baixo que eu com um corpo muito bem feito. Usava um short apertado e uma blusa colorida justa, que realçam suas definições. Uma perna musculosa e uma bunda carnuda. O rosto, imberbe. Apesar de ser mais velho que eu, tentava manter o ar jovial com um corte moderno e tratamentos estéticos. Um trabalho bem feito, pois era muito bonito. Ele me olhou de cima a baixo quase babando e isso me deixou ainda mais excitado.
    Eu sempre gostei de ser admirado, nunca neguei. O cumprimentei, abracei e o levei para o apartamento.
    - Desculpa, estava nervoso - falou, quando chegamos ao elevador 
    - Fica tranquilo. E também, não tenha medo. Ninguém aqui morde - e sorri.
    Ele riu.
    - Eles sabem que você está me trazendo aqui?
    - Não dou esse tipo de satisfação. Nem eles. - fiz pouco caso. - Desculpe. Seu nome é qual mesmo?
    - Matheus - sorriu
    - Fábio. Muito prazer
    Levei um encabulado Matheus pata o apartamento. Apresentei rapidamente aos dois outros amigos que o olharam num misto de surpresa e cobiça.
    Fomos para o quarto. Senti que os olhinhos de Matheus pousaram mais que o necessário em meus amigos. Aquilo que fez salivar novamente. O garoto havia gostado da gataria.
    Isso podia ter potenciais.
    Chegamos no quarto e fechamos a porta.
    - Gostou dos meus amigos? - perguntei, sem acusação. Apenas constatando um fato.
    Ele tentou desconversar, sem graça e eu segurei seu rosto e o fiz me encarar
    - Relaxa. Não sou ciumento nem possessivo - e lambi seu rosto como um gato. - Se você se comportar direitinho, deixo eles te foderem também.
    Seus olhos se alarmaram mas vi o volume em seu short reagir quase instantaneamente.
    - Mas... Eu não.
    - Shiiii - o calei, sentindo-me extremamente excitado com aquele poder - Relaxa que quem decide sou eu. Você só precisa se comportar.
    E o beijei. O senti se desfazer. Peguei sua bunda e apertei e colei seu corpo no meu.
    Quando descolamos os lábios, ele aspirou o ar com vontade, seus olhos brilhando de desejo.
    Tirei sua blusa, seu short e sua cueca. Então, o deixei nu e recuei. Sentei na cama e o olhei de cima a baixo, sentindo se encolher.
    - Para de me olhar assim - pediu, tentando se cobrir
    - Por quê?
    - Fico sem graça.
    - Ótimo - falei, me deliciando com seu medo. Da uma voltinha.
    - Fábio, por favor.
    - Agora - mandei.
    Meu tom de voz o deixou estático e ele obedeceu. Seu pau duro como rocha. Era um pau bem pequeno. Despontando excitado para frente.
    Levantei, cheguei por trás e falei ao seu ouvido.
    - Não precisa ter vergonha. Seu corpo é lindo. Aposto que meus camaradas achariam a mesma coisa se vissem. Se quiser, posso esquecer a porta aberta e deixar eles verem.
    Ele tremeu, mas nada falou. Alisei suas costas com a ponta do dedo, descendo até a linha que divide as nádegas.
    - Tira a roupa também - pediu, tentando jogar a mão para trás e me ajudar. Eu a segurei com firmeza.
    - Aqui quem manda sou eu - falei ao seu ouvido e eu senti que ele ia desmaiar. Sua respiração era apenas um assovio,
    Passei as mãos em sua bunda e toquei o orifício, que estava dilatado e piscava.
    - Fica de quatro na cama - mandei e ele obedeceu. Empinando aquela bunda.
    Ajoelhei e analisei bem. Lisa, um cuzinho bem usado, mas bonito.
    Lambi os lábios e cai de boca. Fazendo ele gemer e tampar a boca contra o colchão. Levantei e o peguei pelos cabelos
    - Geme - ergui seu rosto do colchão com a dosagem certa de brutalidade. - quero que ouçam.
    Voltei a chupar seu ânus. Matheus se segurava o quanto conseguia, mas hora ou outra deixava escapar. Não se atreveu a tampar a boca mais nenhuma vez.
    Devorei seu rabo, mordendo e lambendo toda a região.
    Então, levantei e fui até a porta
    - Vou pegar um copo de água. Espera aqui.
    Só falei isso e saí, antes que pudesse responder.
    Passei pela sala e meus dois amigos ergueram o rosto como dois suricatos. Não falaram nada, mas vi seus olhos em chamas. Como hienas espreitando a carne.
    Sorri para eles e peguei um copo e uma garrafa e levei para o quarto, sem nada dizer.
    Quando voltei, Matheus estava sentado coberto.
    - Pensou que eu ia trazer mais alguém? - me diverti quando ele tentou negar.
    Bebi a água que trouxe e lhe ofereci um copo, que ele aceitou, com uma sede voraz.
    Esperei ele beber e peguei o copo e botei na cômoda. Abaixei de frente pra ele e olhei em seus olhos.
    - Está com medo?
    - Um pouco - admitiu com um sorriso vacilante.
    - Não precisa. Garanto a você que ninguém aqui vai te machucar. - e alisei seu rosto com carinho.
    Me ergui e o deitei, colocando-me acima dele.
    Continuei admirando seu corpo, prazer esse que era temperado pelo constrangimento que o causava.
    Alisava seu corpo o sentindo se contrair. Ele não tirava o olho de mim, perdido entre o receio e o desejo. Sentimentos a princípio contraditórios, mas que quando somados formavam uma experiência única, a qual eu, modéstia a parte, sempre soube conduzir com maestria.
    O beijei novamente, com vontade, engolindo-o. Passei a mão por entre suas pernas e brinquei com seu orifício.
    Matheus gemeu e acabou arranhando meu pescoço quando, tomado pelo espasmo, tentou se agarrar em mim
    Aquela dor me deixou louco.
    - Desculpa, se apressou em dizer.
    Eu nada falei. Andei até a porta e a abri. Deixei entre aberta de propósito. Matheus nada disse, atento a mim.
    Tirei a roupa e voltei, me colocando entre suas pernas e deitando por cima dele . Fiz tudo olhando bem no fundo dos seus olhos. Encaixei e meti, vendo-os se revirarem nas órbitas.
    - A porta - gemeu baixinho.
    - Esquece ela - e o calei com um beijo.
    Meti com força, deixando ele louco e incapaz de abrir a boca para qualquer outra coisa que não fosse gemer.
    Então, o peguei e o virei, forçando a fica de quatro como uma fêmea no cio. Meti de novo. Promovendo poderosas estocadas, como quem golpeia um inimigo sem piedade.
    Matheus já não se escondia. Gemia e gritava a plenos pulmões. Lutando para manter os braços firmes e conservar a posição em que foi colocado. Suando.
    Como previ, apesar da porta aberta, não houve invasão ao quarto. Diego e David, como caçadores dignos como eu, não iriam se meter em uma caçada ao qual não foram convidados. Embora tivesse a certeza que eles acompanhavam tudo e estavam excitados
    - Diego. Pode vir aqui, por favor - chamei sem tirar o pau de dentro.
    Matheus olhou para mim em Pânico e eu fiz sinal para que se calasse.
    Meu amigo apareceu na porta, tentando a custas parecer alheio a tudo
    - Pode pegar um copo de água pra mim, por favor - e apontei a cômoda
    - Claro - e, solicito, ele veio e me serviu. Oferecendo também a Matheus, que recusou, vermelho com a vergonha.
    Eu então saí de dentro dele e bebi a água.
    - Obrigado - e bati em seu ombro - Preciso mijar. Diego, faz companhia pra ele enquanto eu vou, por favor.
    - Claro - Diego sorriu como um lobo e eu enchi mais um copo e sai, deixando os dois sozinhos
    Chegando na sala. David me olhava.
    - Só o Diego? Que maldade, cara - cobrou e eu ri.
    - Relaxa amigão. Deixei seu pau, que é o mais grosso, pro final
    Apesar de preterido, seu ego aceitou o elogio ao seu instrumento.
    Não demorou muito e logo ouvimos o som de novas estocadas vindas do quarto, seguidas dos gemidos de Matheus.
    - Diego não brinca em serviço - comentei, dando mais um gole na água.
    Fechei os olhos e me deliciei com aquele som.
    - Nossa. Parece música - comentei sob o olhar aprovador de David. - quer saber, melhor você assumir lá meu posto, vou ficar aqui me deliciando mais um pouco
    Não precisei mandar mais de uma vez. David logo se levantou e tirou a roupa ali mesmo, indo pelado e pronto para o quarto.
    - E o Fábio, ele... - escutei a voz de Matheus começar quando pareceu se engasgar e forçado a interromper.  Depois, mais sons de estocadas violentas.
    Sentei no sofá e me deliciei com os sons vindos do meu quarto. Os gemidos de meus dois amigos, os sons das peles colidindo, o arfar quase sem forças de nosso convidado.
    Minha mente se perdia em imagens criadas, tentando intuir o que acontecia lá dentro.
    Fiquei mais um tempo, bebendo devagar minha água e relaxando. Quando terminei, pus o copo vazio na mesa e voltei. Parei no portal para ver David deitado de barriga pra cima, com Matheus encaixado em sua cintura, sentado em cima de meu colega enquanto lambia o membro de Diego, que estava em pé em cima da cama ao lado do garoto e o mantinha preso com a mão pelos cabelos
    Admirei a cena mais uns instantes, antes de subir também na cama e me colocar atrás da minha caça. Sem avisar, ajeitei-me e procurei com o pau a sua entrada.
    - O que está fazendo? - perguntou, arfando.
    Mas eu já estava encaixado e comecei a forçar entrada.
    - Ah... - perdeu o fôlego quando meu órgão foi abrindo passagem no espaço já tomado por David.
    Matheus erguei o rosto, com. Aboca aberta sem consegui emitir sons. Entrei pro completo e fiquei ali parado, sentindo meu pau esmagado pelo de David naquele pequeno espaço que partilhávamos.
    Devagar, fui penetrando. Matheus nada dizia, incapaz de qualquer coisa. Sua voz tinha sido roubada de si.
    Mas quando eu segurei seu pau, envolvendo-o por completo com minha mão, e acariciei a cabeça com a ponta do polegar, ele me segurou com um espasmo.
    - Não. Por favor. - implorou - vou gozar assim.
    Ele havia cometido um grande erro. Quem tem contato com a natureza sabe que nunca se deve mostrar vulnerabilidade diante de um predador. Se anda pela mata e cruza com uma onça, jamais deve-se dar as costas para ela e fugir, pois a partir daí você será perseguido e abatido.
    Foi apenas Matheus demonstrar sua fraqueza para a o bando avançar em sincronia.
    Eu o enlacei com meu outro braço passando pelo seu tronco, enquanto agarrei seu pau com mais força. Diego deu um rasante e prendeu seus pulsos, e David segurou sua cintura.
    Em instantes, nossa presa estava presa e eu continuei a alisar sua glande com a ponta de meu dedo. Ele não teve a menor chance. Perdeu o controle em questão de segundos, guinchando e tremendo. Nunca imaginei sair tanto gozo de um órgão tão pequeno. Em instantes, minha mão estava encharcada, assim como o peito de David.
    - Tira. Tira, por favor - clamou.
    A vontade de continuar foi grande demais, mas fazer qualquer coisa com ele naquele estado seria de uma crueldade que transcenderia qualquer prazer possível. Como bom caçador, eu sabia respeitar os limites de minha caça.
    Com cuidado, tiramos os órgãos e o deixamos cair de lado e rolar, desabando da cama. O pobrezinho parecia ter levado uma surra, desolado, lutando para respirar. Ficamos em volta observando, ainda lutando contra o desejo de estraçalhar aquela presa de uma vez.  Eu cheguei a alisar sua pele e ele tremeu todo, extremamente sensível ao toque como estava.
    Levou alguns minutos até que conseguisse virar de barriga pra cima e nos encarar, um pouco assustado, mas também encantado
    - Sabe que nenhum de nós gozou ainda, né? - comentei e ele arregalou os olhos
    - Não. Por favor. Eu não consigo mais.
    Sorrimos. Nossa, como era bom dar um trato desses em alguém. Por melhor fodedor que eu fosse, tinha de admitir que não conseguiria aquele tipo de trabalho sozinho.
    Matheus, apesar de ter servido direitinho, não era um ser insaciável como Dom Pedro. Era humano e tinha limites. E brincar com eles era perversamente prazeroso.
    - Na verdade, eu estava pensando em outra coisa - Diego comentou e trocamos sorrisos.
    Tínhamos todos pensado na mesma coisa
    Começamos a nos masturbar, olhando para Matheus. Entendendo o que ia acontecer, ele fitou de um a outro ansioso.  O primeiro a gozar foi Diego, que despejou longas e grossas linhas no corpo de nossa presa.
    Depois fui eu, que fiz questão de banhar seu rosto, vendo-o lamber os lábios. David foi o último e ao fim, o deixamos deitado, completamente sujo. Passado todo aquele êxtase, Matheus olhou para si mesmo e, levando as mãos ao rosto, constatou:
    - Ah meu Deus. Eu virei uma puta - alarmou-se e todos rimos.
    *
    Aquele foi um dos muitos exemplos que tivemos em nosso trabalho em equipe. Não éramos egoístas e sempre que possível, dividíamos a caça, pois é isso que um bando faz. Meu apelido da adolescência - leão - voltou com tudo naquela época. Cortesia de Dom Pedro, que era nosso gatinho oficial
    - Já que esse gato aí evoluiu, também vou fazer - comentou David, numa noite - Acho que vou ser uma pantera. Ta ai, gostei.
    Eu e Pedro gostamos do novo apelido. Estávamos os quatro deitados em sua cama, nus após uma farrinha nossa onde Dom Pedro, mais uma vez, deu uma canseira nos três felinos de porte grande.
    - Mas e eu. O que sou? - Diego não queria se sentir excluído.
    - Você é magro e ágil, eu recomendaria um guepardo. - sugeri
    - Adorei!!! - Pedro vibrou - guepardos são tão lindos - e aceso por aquele laço que estava se formando entre nós quatro, engatinhou em direção a Diego e começou a lhe chupar novamente o órgão, retornando-o a vida.
    Logo, motivados pela fome insaciável do nosso gatinho, nos três nos apresentamos e a gataria estava reunida de novo. Anos depois, celebraríamos aquele dia com minha primeira e única tatuagem, um leão em arte tribal na lateral do corpo, logo abaixo da axila. A mesma arte foi adaptada em uma pantera para David, no bíceps, uma guepardo para Diego na panturrilha e um gatinho para Dom Pedro na nádega.

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