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  • Diários de caça - Capítulo 14 – Poligamia

    Um dos períodos mais memoráveis de partilhar o apartamento com a gataria, foi no outono daquele mesmo ano, em que o prédio se preparava para receber seus novos vizinhos, os quais conheceríamos em breve. Estávamos subindo juntos, os quatro, voltando da academia, quando percebemos o caminhão da mudança no térreo e, ao chegarmos em nosso andar, quase recebo o encontrão e sou soterrado por uma avalanche de caixas.
    Eu e Diego conseguimos segurar a tempo e impedir a tragédia iminente. Atrás das caixas, tentando equilibrismos, estava um rapaz jovem, corpo forte, ombros largos e pele branca. Tinha os cabelos bem penteados e usava uma camiseta branca e bermuda jeans justa.
    - Desculpe, mil desculpas - pediu.
    - Relaxa - fiz pouco caso. Qualquer raiva que poderia ter causado dissipou olhando aquele cervo suculento que invadira nosso território.
    - Quer ajuda com essas caixas? - ofereci.
    - Não precisa, obrigado. Meu marido vai me ajudar. Estão vazias e eu vou colocar no lixo, mas me desequilibrei.
    De todos nós, o único que não se encantou com o novo vizinho foi Dom Pedro, que como bom farejador, percebeu que ali não havia nenhum potencial espólio, apenas um competidor em seu habitat.
    - Meninos, vou me adiantando - e acenou para o novo vizinho e seguiu na frente.
    Contudo, ao passar pela porta aberta do corredor e dar uma olhada, parou por um instante e pareceu considerar alguma coisa. Depois, continuou seu caminho e entrou. Segundos depois, saiu a razão pela qual nosso gatinho repensou melhor a nova vizinhança.
    De dentro, saiu um homem mais baixo e mais forte. Barba e cabelos negros. Rosto bastante másculo e um tanto sisudo. Embora essa última parte, creio eu, tenha sido fruto de ver seu marido com três desconhecidos no corredor
    Eu me aprecei e me apresentei
    - Sou Fábio. Esses são David e Diego. O apressado ali é Pedro.
    Ele riu e o marido se aproximou, cauteloso.
    - Eu sou Ivan - o das caixas anunciou - Meu marido Enzo.
    Apertamos as mãos e expliquei:
    - Bem, moramos no apartamento ao lado. Se precisarem de qualquer coisa, não hesitem em chamar.
    E saímos.
    Quando entramos, Pedro estava na cozinha bebendo água.
    - Interessante a nova vizinhança, não?
    - Nem fala - David deu corda - embora ache que nossos gostos destoaram.

    Normalmente, não sou do tipo que fico encegueirado por ninguém. Mas era difícil saber que um vizinho tão gostosinho estava a uma parede de distância.
    E a coisa ficou pior quando o vimos na academia naquela semana. Usava um short de malhar que deixava a  bundinha empinada. A camiseta de alça fina mostrava bem o ombro definido e parte do peitoral volumoso.
    - Nossa, delicia - David comentou comigo quando o viu chegar.
    - Deve dar muito, olha a bunda do safado - completei e rimos. Pelos comentários, faltava só estarmos comendo nossas marmitas em cima dos andaimes com nossos amigos pedreiros.
    Mas era uma visão e tanto. Fazia a gente babar
    - Parece que o marido dele é policial militar. A nossa vizinha, Elizabeth, quem falou - David comentou. Sendo Elizabeth uma detetive da vida alheia, é bem provável que soubesse o que estava falando.
    - Eita. Perigoso. Ele já olhou pra gente estranho. No mínimo sabendo que estávamos de olho no marido dele - David lembrou.
    - Vamos acabar levando tiro se nos engraçarmos - conclui
    Ficamos em silêncio vendo ele malhar glúteos na máquina.
    - Mas que ia ser bom chupar aquele rabo, ia - Diego inclinou a cabeça antes de eu lhe dar uma cutucada para disfarçar.
    - Vale até o risco - concordei afinal.
    Com o tempo, o que era uma brincadeira começava a ganhar contornos de uma real motivação. O horário que usávamos a academia eram os mesmos e isso deixava a coisa mais difícil de resistir. Pois, além de ser uma delícia, nosso vizinho ainda era simpático. Sempre cumprimentava com um sorriso aberto e sereno, o contraste de seu cônjuge. As vezes o marido o levava, antes de sair para o trabalho. Nessas horas, nem nos atrevíamos a olhar, mas sabíamos que ele nos dava uma encarada antes de sair. Não sabia se Enzo era sempre mal encarado assim ou se era apenas o nossa presença que indicava iminente ameaça ao seu curral.
    - O cara é bravo - riu-se David.
    - Com essa presa, temos de ir com calma - falei de repente, só então me dando conta de que estava realmente decidido a investir - Mas alguém tem que comer esse cara. Se não for eu, que seja um dos meus amigos - falei com convicção. O que deixou meus amigos muito animados.
    - Eh, amigos. - Diego, completou - Apesar dos potenciais problemas me fuder alguém casado com um homem ciumento e com porte de arma, acho que vale.
    - Não teria graça se o galinheiro não tivesse ao menos um cão de guarda, não é? - David concluiu. A convivência estava transformando aqueles dois em belas projeções tóxicas minhas. Até metáforas animalescas já estavam usando. Não era capaz de descrever o orgulho que tinha daqueles jovens caçadores.
    Naquela mesma manhã, resolvi dar um passo no sentido de estreitar laços. E resolvi puxar assunto. Aproveitei quando o vi começar a usar o aparelho de supino reto, para malhar peito, e pedi para revezar.
    - Ah... Claro - ele olhou rapidamente para o lado, onde outro cara tinha acabado de liberar um aparelho igual. Mas nada falou.
    Eu, fingindo distração, não olhei para o aparelho vago, esperando para ver se ele sugeriria.
    O que não fez. Se por educação ou outro interesse, não sabia. Mas aquilo já era um bom sinal. Dava para ver que ele estava nervoso com minha presença, muito provavelmente receio por conta do marido. Eu o observei nesses dias e ele era uma pessoa diferente com e sem Enzo.
    Mas naquelas circunstâncias, onde eu estava tão próximo e estreitando laços, provavelmente sua mente estava pensando em o que o marido pensaria.
    Resolvi então adotar uma tática a qual já fazia nos tempos de adolescente. Pois a melhor maneira de se aproximar de uma presa era não deixar ela saber que você era uma ameaça, até o momento certo.
    Por sorte, minha fantasia de cordeiro chegou até mim sem esforço. Na forma de Valquíria, uma bela mulata do nosso condomínio com quem eu já tinha brincado bastante na garagem e nas escadas do prédio, além de umas visitas noturnas ao seu apartamento quando o companheiro tinha plantão no hospital. Devido a seu relacionamento, nossas investidas tinham de ser na surdina. Mas quando estávamos ali na academia, ela se deixava livre para soltar seus gracejos em uma aparente inocência que um espectador mais atento era capaz de distinguir.
    - Oi Fábio - ela me cumprimentou com aquele sorriso cheio de sortilégio - Bom dia - e acenou para Ivan, por educação - Fábio, depois teria como você me ajudar com aquela barra? Preciso fazer agachamento e sabe como são pesadas.
    Sim, eu sabia que ela pegava peso igual ou mais que qualquer homem, e que aquilo era só uma maneira de poder trocar indecências comigo ao pé do ouvido. Fiquei excitado de imediato
    - Claro - falei de prontidão - Só mais uma repetição e estou livre
    - Ótimo.  Vou encher minha garrafa enquanto isso.
    E saiu. Eu continuei seguindo-a com olhar até desaparecer.
    - Nossa - comentei baixinho - Essa dai... - e interrompi, fingindo só notar ele ali agora. - Foi mal. Sua vez, né?
    - Ah, sim - falou, também despertando - Vou fazer logo a última e te libero o aparelho.
    Achei ter detectado uma pintadinha de ciúmes em seu tom apressado.
    Me ajeitei atrás de sua cabeça para segurar a barra. Já estava fazendo isso antes, mas desta vez fiquei mais perto, deixando minhas pernas abertas quase acima de sua cabeça, dando-lhe um ângulo privilegiado para perceber o quanto tinha ficado excitado.
    Acompanhei seu exercício, mas olhando o tempo todo para a direção de Valquíria. Anos de prática me deixaram bastante perceptivo e era capaz de perceber que seu olhar estava fixado em mim sem precisar averiguar. Quando terminou, ajudei a colocar a barra no lugar e dei uma ajeitada no volume por cima do short.
    Foi minha vez de usar e ele se posicionou para me ajudar também.
    Esperei um pouco, vendo ele encarar meu short por cima de mim. Então sorri e falei:
    - Você, poderia, por favor... - e apontei para a barra, sorrindo.
    - Ah, desculpa. Me distrai - e ajudou a tirar.
    - Tudo bem - e comecei a fazer.
    Desta vez, enquanto minha atenção estava na barra, vigiei-o discretamente pelo meu campo de visão. Ivan tentava evitar olhar diretamente para meu short, embora, hora ou outra, acabava por dar uma fitada com o rabo de olho. Aquilo temperou minha excitação e contribuiu para deixar meu volume daquele jeito bem vistoso por mais tempo.
    Quando acabei. Apertei sua mão e agradeci:
    - Valeu, cara.
    - Nada - e sorriu ainda encabulado. Ficava lindo quando sorria assim.
    - Depois devíamos marcar algo. O pessoal e você e seu marido.
    - Eh... Acho que sim - mas pareceu duvidar.
    Eu então o olhei e resolvi arriscar.
    - Fala aí, seu marido não gosta muito de mim e do meu pessoal, não é?
    Ele sorriu amarelo e concordou.
    - Deve pensar que queremos te comer - e ri, deixando ele vermelho - mas relaxa. Você é gostosinho, não nego, mas não precisa se preocupar conosco
    - Ah... Legal - e coçou a cabeça, ainda encabulado.
    - Mas deixa quieto. Se não se sente seguro ainda, esperamos ele se sentir mais a vontade. Relaxa que não vamos ficar puxando assunto contigo no corredor, para ele não sentir ciúmes. E nossos papos aqui podem ficar entre nós - e pisquei para ele e saí.
    Fui até Valquíria, mais excitado que nunca. Peguei a barra pesada e coloquei em suas costas. Fui acompanhando seu agachamento e em um dado momento acabei "sem querer" encostando meu volume em sua bunda.
    - Nossa - sussurrou - alguém aí está bem saidinho hoje.
    - Nem te conto - respondi ao pé do ouvido.
    - E isso tudo sou eu, ou o bonitinho ali no voador tem algo haver?
    Ivan estava agora no voador e desviou rapidamente o olhar quando eu e Valquíria o encaramos ao mesmo tempo.
    - Ele ajudou - admiti - mas você acendeu a centelha.
    - Seu safado - sibilou. Valquíria tinha um apetite sexual insaciável. E seu marido, um homem bem mais velho que ela, não dava conta. Naquele tempo a expressão Suggar Daddy ainda não estava em pleno uso, mas era basicamente a relação que ali se estabelecia.
    - Então esse leão possui um cardápio diversificado? - perguntou, com malicia.
    - Carne é carne - respondi, gostando do rumo da conversa.
    - Adoraria ver um dia. - admitiu.
    - Isso pode ser providenciado - prometi
    - Em um mês é meu aniversário - e fez beicinho - e meu Carlos vai ficar fora em um congresso. Não conseguiu recusar..
    - Tadinha. Vai passar o aniversário sozinha?
    Ela apenas acenou em concordância, fazendo-se de vítima.
    - Não se preocupe. O senhor e a senhora Mendes criaram um cavalheiro. E jamais permitiria a uma dama esse tipo de destino.
    Seus olhos pegaram fogo.
    *
    Os planos para Valquíria já estavam traçados e seriam facilmente executáveis. O foco naquele momento era nosso vulnerável Ivan. O plano seguiu com calma e constante. Decidimos abordá-lo individualmente nos corredores ou na academia, de forma casual e despretensiosa, para não assustar a presa. Se conseguíssemos abater a caça em bando, melhor. Mas muito provavelmente teríamos de dar o bote de forma individual.
    Numa cumplicidade comum a predadores, acabou se estabelecendo meio que uma competição amigável entre nós. Nos permitíamos uma ou outra insinuação, de forma a atiçar sua curiosidade sem deixar claras nossas intenções. E partilhávamos as experiências e os resultados.
    Devia dizer que Ivan era um marido modelo, e resistia bravamente enquanto lutava para esconder bem os desejos profanos que sabíamos estarem germinando aos poucos em seu amago.
    - Essa noite, encontrei com ele no elevador - narrou, David - tinha voltado da corrida e subi sem camisa e suado. Ele entrou depois. Devia estar voltando do trabalho - e riu, sacana - Cara, ele com certeza ta afim, reparei que hora ou outra olhava pelo espelho. Fiquei excitado na hora. O pau duro apareceu fácil naquele short de corrida.
    - Esse aí está quase no ponto. Começo a perceber que a única coisa que o impede é o medo do marido descobrir - analisei, montando a estratégia como quem se prepara pra guerra. - Acho que está na hora de investirmos pesado.
    - Nossa fonte,. Senhora Elizabeth, me contou que ele também é militar, mas marinheiro. Trabalha embarcado e vai ficar fora 15 dias. - Diego confidenciou.
    - Perfeito. 15 dias sem trepar vai ser o ponto que precisamos pra dar o xeque.
    - Temos ainda dois dias para a viagem, acho melhor a gente começar a atiçar a ideia nele - Diego arquitetou - deixar ele embarcado sabendo que queremos comer ele.
    - Concordo - apoiei - vamos deixar ele com vontade, pra quando voltar, estar pronto.
    - O marido vai dar um bom trato nele quando voltar, então temos de deixar ele com tanto fogo que ele volte de um jeito que nem o marido consiga saciar.
    Nos cumprimentamos como um time que parte para o jogo decisivo.
    Dom Pedro acompanhava nossas conversas, parecendo se divertir.
    - Olha só, minha gataria se preparando para o ataque -  estava a vontade sentado no balcão, nos observando como quem sabia de algo, mas preferia não estragar o final.
    Naqueles três dias, investimos pesado em nosso plano. David tomou banho no vestiário na hora em que ele chegou e aproveitou para se mostrar como veio ao mundo para nosso Ivan. Como bom caçador, esperou a hora que nossa presa vacilou e olhou para seu membro. Para então cruzar os olhos com ela e sorrir, passando a mensagem: "eu vi que gostou".
    Ivan fugiu do vestiário como diabo da cruz.
    Naquela noite, aproveitei-me de uma oportunidade em que pegamos o mesmo elevador cheio. Ivan entrou depois e, na minha frente, deu alguns passos para trás a fim de dar lugar para uma senhora com seu filho pequeno.
    Quando se aproximou, dei um leve passo pra frente, quase imperceptível, mas o bastante para frustrar seus cálculos e sua bunda encostar em meu volume.
    - Desculpe - tratou logo de dizer, com susto.
    - Sem problemas - e me recostei na parede, para lhe dar espaço.
    Enquanto subimos no elevador, fiz questão de o encarar através do espelho. Quando notou, tomou um susto e desviou o olhar, só para logo depois espreitar de novo. Sorri pra ele e Ivan retribuiu, sem graça.
    Quando o elevador parou no andar antes do nosso, ele chegou pra trás pra deixar um dos condôminos passarem e encostou novamente a bunda em mim. Desta vez, eu não tive qualquer participação, mas me aproveitei para dar uma leve alisada rápida em sua farta nádega. Desta vez ele não pulou ou fez qualquer sinal de surpresa. Sinal que, no fundo, esperava por aquilo.
    Descemos e andamos pelo corredor até ele parar em seu apartamento.
    - Boa noite, Fábio - falou.
    - Boa noite, Ivan. Até amanhã?
    - Ah, não. Viajo amanhã de noite e não sei se vou conseguir malhar cedo. Algumas coisas pra arrumar
    - Ah sim - fingi surpresa - Boa viagem então. Lua de mel? - brinquei.
    - Quem me dera - riu - trabalho mesmo. Trabalho embarcado. Vou ficar 15 dias fora
    Fiz minha melhor cara de sonso e andei até ele
    - Caramba. 15 dias. Parece dureza.
    - Nem fala - e sorriu amarelo e revirou os olhos.
    Eu então o escaneei de cima a baixo e suspirei.
    - Bem. Bom trabalho então. Vou sentir sua falta. - dei mais uma olhada de cima a baixo - muita mesmo.
    E toquei em seu ombro e nos olhamos. O vi engolir seco e senti aquela pulsação acelerar. Da presa que sabe que está a um triz de ser atacada. Senti minha boca salivar, as presas estavam despontando quando percebemos um movimento no interior do apartamento.
    - Enzo chegou mais cedo - informou, mostrando que estava tão surpreso quanto eu com aquela notícia. Sua voz tinha uma combinação de decepção e alívio.
    - Bom, não é? Aproveita o maridão antes da viagem - e dei um tapa em sua bunda. Para todos os efeitos, meu ato não tinha nada de libidinoso. Apenas uma brincadeira saudável entre dois amigos
    - Obrigado - riu, ainda se recuperando do susto do tapa.
    Apesar de frustrado, pois se não fosse aquele inconveniente, eu teria metido as presas naquele espécime suculento ainda aquela noite, não posso negar que a espera iria temperar ainda mais a caça. Antes de entrar em casa, o vi hesitar um instante, me olhando, maquinando. Bastaria um empurrãozinho e eu o levaria para meu covil. Percebendo também essa potencialidade, Ivan entrou em casa correndo, com medo não de mim, mas de si mesmo.
    Na manhã seguinte, fomos a academia, eu e David, Diego havia descido antes e ao nos ver, nos chamou para o vestiário.
    Não entendemos o convite, mas não questionamos.
    Chegamos lá e ele fez um sinal para uma das cabines do banheiro. Entendemos o recado rapidamente.
    - Mas foi o que estava dizendo - começou, proferindo uma simulada conversa - aquele ali, dá muito. Deveriam experimentar.
    E sorriu com malicia. Resolvemos dar corda e seguir no improviso.
    - Isso a gente vê de cara. Admito que, determinados carinhas assim dão melhor que muita mulher. Dão com fogo, sabe. Sem receio. - continuei.
    - Sabe quem deve dar muito, o novo vizinho - David foi na onda e nem eu esperava que ele fosse direto ao assunto. Mas demos de ombro e resolvemos continuar.
    - Ele tem uma bundona, né? - Diego reprimiu a vontade de rir - mas tu acha que é ele o passivo da relação?
    - Tenho certeza - David entoou - Se não fosse, tinha de ser. Bunda daquela, ser o ativo seria um desperdício. Fala ai Fábio, se ele quisesse te dar, comeria não?
    - Sem pensar duas vezes - dei de ombros, agora que já tínhamos atravessado a toca do coelho. Vou te contar, ontem, encontrei com ele no elevador. Sem querer ele esbarrou a bunda em mim. Cara, que bunda dura. Gostosinha.
    - Sério? Mas foi de propósito?
    - Nada. O cara ali ama o marido - e fiz que não com a cabeça só pra eles - mas seria maneiro se um dia quisesse experimentar outra coisa, né? Já viram ele fazendo agachamento com a barra? Aquela bundinha empadinha pra trás?
    - Mas teria de ser na encolha - Diego lembrou - o marido dele tem jeito de mal encarado.
    - Com certeza - reforcei - aquele ali tem que ficar no sigilo. Segredo de Estado. Mas imagina David, pegar aquele ali de quatro e só - e bati com as mãos na perna, pra simular uma boa penetrada.
    Saímos do vestiário, gargalhando pela travessura. Demorou mais um pouco e Ivan saiu também. Fingimos não o notar. E o melhor foi perceber que depois de alguns exercícios, ele foi justamente fazer o tal agachamento que comentei lá dentro.
    - Olha lá. - foi David quem notou - disfarça e olha o Ivan.
    - Ora, ora. E ele nem estava malhando pernas hoje. - Diego observou
    - Acho que esse é um show pra gente. Esse aí está no papo. - concluí.
    Dessa maneira, com paciência, esperamos nossa presa retornar para o xeque e mate, nos deliciando com todas as ideias que estávamos tendo sobre como finalizaríamos o serviço.
    A resistência de Ivan era o ponto alto, que fazia tudo aquilo valer a pena. Naquela altura, já não nos importávamos se todos conseguiríamos os espólios, um de nós, sendo bem sucedido, já seria o bastante.
    - Cara, nem acredito. Se tu tivesse insistido mais, ele entrava - Diego falava comigo pelo celular quando eu voltava pra casa do trabalho.
    - Eu sei. Confesso que um lado meu até está arrependido de não ter insistido mais. Mas deixar ele se consumindo no fogo nessas semanas sem marido e sem ninguém também é divertido.
    Rimos juntos e eu avisei que desligaria, pois entraria no elevador. Subi até meu apartamento e estava vazio. Normal para o horário. Mas então, após passar pelo corredor até meu quarto, escutei os sons que já conhecia muito bem, oriundos do quarto de Dom Pedro. Pelo visto, meu amigo tinha matado aula naquela tarde para se divertir. A porta estava entreaberta e eu sabia muito bem que uma espiadinha ocasional não ofenderia meu anfitrião, que, ao contrário, gostava muito.
    Mas além de não querer estragar por descuido sua diversão e também por já estar tanto tempo em ponto de bala por conta de Ivan, resolvi o deixar se divertir e, após deixar minha mochila no meu quarto, voltei até a cozinha e preparei um lanche.
    Ao voltar pra sala, sentei no sofá e antes que pudesse ligar a televisão, ouvi passos ágeis vindos do corredor. Quando olhei para o lado, vi Enzo parar bruscamente ao dar de cara comigo. Rosto ainda suado, camisa e calças vestidos em pressa.
    Ficamos naquele silêncio constrangedor que só se faz quando alguém com o rabo preso é pego em flagrante.
    Dom Pedro surgiu atrás e também se surpreendeu ao me ver.
    - Fábio, chegou cedo.
    - Me dei o final da tarde de folga, pra descansar pra aula - anunciei, tentando não rir das circunstâncias. - Boa noite, Enzo.
    Ele, sem ter o que falar, saiu as pressas.
    Esperamos ele sair e estar distante para gargalhamos alto
    - Dom Pedro, Dom Pedro - julguei - comendo pelas beiradas.
    - Nenhum de vocês podem me julgar. Meu gosto só é diferente do de vocês - se defendeu, sentado ao meu lado, ainda vermelho como um adolescente.
    - Eh, amigão. Você nos colocou no chinelo. Nós três tentando pegar o marinheiro e você passou a nossa frente e abocanhou o maridão.
    - Isso não conta. Enzo é uma presa muito mais fácil - fez-se de humilde - Ivan leva a fidelidade do casal mais a sério.
    - Leva mesmo. Em pensar que ele tá se segurando todo, e foi só viajar que o marido partiu pra caça.
    - Esperou viajar? - Pedro me olhou como se eu fosse algum idiota - Leão, meu lindinho, eu já peguei ele várias vezes na escada do prédio, fora na garagem.
    - Seu pervertido - acusei com exagerada indignação. - e nem falou nada
    - Ora pois, vocês estavam preocupados com sua presa, eu que não ia me meter - fez pouco caso, sorrindo triunfante. - e me fala. Vai usar essa informação pra se favorecer?
    - Nem pensar. - descartei de imediato - agora, mais que nunca, quero comer o marinheirinho. Mas vai ser com meus méritos. Não vou chantagear nem fazer intrigas.
    - Gosto quando tem esse fogo nos olhos - e chegou mais perto e, conhecendo-o, sabia que estava ficando excitado de novo.
    - Simplesmente acho que cada um tem sua vida e não vou me meter na de ninguém. Apenas vou pegar o que quero.
    Pedro nem esperou eu acabar meu sanduíche para arriar minha calça e começar a me chupar.
    Duas semanas se passaram arrastando.
    E eu mal podia esperar para pôr as mãos naquele vizinho que estava tomando meus pensamentos nos últimos meses.
    Mil e um planos de abordagem se faziam em minha cabeça, mas nenhum prazer é maior para o caçador do que aquele fornecido por uma caçada de improviso, quando tem que usar as circunstâncias que estão ao seu dispor.
    E a fortuna tinha me sorrido no início da noite de quinta, quando desço de meu prédio para ir comprar algo para comer e vejo um taxi parar em frente ao meu bloco. E de dentro, meu marinheirinho. O vejo ir até o bagageiro e descarregar duas malas grandes e pesadas.
    Me achegando por trás dele, me ofereço.
    - Quer ajuda, vizinho?
    Ele levou um susto, mas logo sorriu ao me ver.
    - Oi, Fábio. Nossa, como é bom te ver
    Vi o porteiro vir se aproximando e lhe fiz um sinal, esclarecendo que não precisaríamos de ajuda com a bagagem.
    - Vem, eu levo uma. Melhor irmos para o elevador dos fundos, pois as malas são grandes.
    Ele concordou e seguimos. Me deliciei com o silêncio, sentindo-o um pouco inseguro.
    - Enzo não foi lhe buscar?
    - Ele está com turno essa noite. Não poderia.
    - Entendo. - Chegamos aos fundos e esperei ele chamar o elevador. Mas pareceu ter se esquecido.
    - E como foi o trabalho? - perguntei, aproveitando daquele momento a mais que ele mesmo me dava.
    - Foi bom. Mas depois da primeira semana... Fico louco para voltar.
    - Imagino - e cruzei os braços - deve sentir falta de muita coisa, né?
    E o olhei de cima a baixo e Ivan riu encabulado.
    - Esse elevador não vem - lembrou-se num espasmo.
    - Você lembrou de chamar? - fiz-me de sonso.
    - Caramba - e apertou o botão com pressa..
    Eu ri e ele sorriu amarelo. Ivan usava uma camisa simples amarelo clara e eu pude ver a ponta dos mamilos sob o tecido.
    O elevador chegou e subimos.
    - Estava indo malhar?
    - Não, lanchar mesmo. E você, vai?
    - Queria e preciso, mas estou morto da viagem.  Sempre que fico embarcado perco muito peso.
    Aproveitando a deixa, eu me achego e pego a ponta de sua blusa, elevando a barra até a altura do peito. Ele congela com minha atitude e eu fingo não perceber. Fico uns segundos avaliando e respondo:
    - Que nada. Está gostosinho como quando partiu - e finalizo com uma alisada com o nó do dedo em seu peito, descendo pelo abdômen.
    -V... Valeu - gaguejou.
    O elevador chegou a nosso destino e ele saltou pra fora como se estivesse em chamas. O segui até sua porta e ignorei quando fez sinal de pegar minha mala, fingindo distração.
    Ivan não insistiu. Abrindo a porta e me convidando a entrar
    O apartamento em si, tinha a mesma estrutura de Dom Pedro, então eu o conhecia sem nunca ter entrado sntes. Deixei a mala em frente a bancada que separava a sala da cozinha americana e parei na passagem que separava os dois cômodos.
    - Obrigado, Fábio. - ele sorriu ansioso - posso te servir algo?
    - Uma água - concordei. Já esperava aquele convite, uma vez que meu vizinho sempre foi alguém muito educado.
    Não lhe dei passagem, como mandaria a boa educação, forçando-o a passar rente ao meu corpo, rosto quase colado um no outro.
    Um momento ele chegou a levantar o rosto e nossos lábios quase roçaram. Roubar-lhe um beijo seria fácil e dali, a sinfonia seguiria para o inevitável coito, mas não o fiz
    Desde pequenos, nossas mães nos ensinam a não brincar com a comida, mas as vezes a tentação é irresistível, mesmo para o predador mais profissional. Como quando o gato esfolhe brincar com o camundongo preso em sua pata ao invés de dar do bote final. Isso porque, para um caçador, o alimento é uma necessidade, mas a caça é um estilo de vida, e ele não consegue resistir ao êxtase da brincadeira, mesmo que isso possa lhe custar que a refeição escape por entre os dedos
    Bebi a água oferecida e coloquei o copo na pia, ficando mais uma vez bem próximo dele. Olhos nos olhos.
    Então, cheirei seu pescoço.
    - Gostei do perfume - comentei. - Depois me fala onde comprou
    - O que? Ah sim... Sim... - engoliu seco.
    Ficamos nos encarando. Talvez estivesse na hora de finalizar aquilo, mas admito que um lado meu desejou que aquela presa brigasse um pouquinho mais
    - Eu... Eu tenho de descer. Tenho... Que pegar uma coisa no carro.
    - Ótimo. Você me acompanha então.
    Saímos e vimos que alguém acabara de descer pelo elevador.
    - Vamos de escadas. Pra que esperar? - sugeri
    Aquilo foi apenas uma armadilha, uma vez que minha desculpa não tinha nenhuma lógica. Nosso prédio dispunha de três elevadores sociais e não seria nada doloroso esperar o próximo. Não havia motivo para ele aceitar descer 8 lances de escadas. Há menos...
    - Tudo bem - aceitou e eu abri a passagem e o deixei ir na frente
    Desci as escadas atrás dele, lentamente, permitindo-me admirar aquele porte altivo, aquela bunda carnuda e empinada. As costas largas.
    Hora ou outra ele olhava pra trás, sorria sem graça e nada falava. Eu não fazia qualquer esforço para esconder que o tinha sob minha mira
    - Por que está me olhando assim? - comentou na terceira vez que olhou pra trás e me viu o encarando.
    - Assim como?
    - Não sei. Parece... Um Predador.
    - Está com medo? - sorri
    - Não, só...
    Mas não conseguiu completar a frase. Em seu nervosismo, acabou errando um degrau e ia cair se eu não o segurasse. Acabei me desequilibrando um pouco também, então vacilamos alguns degraus, mas logo chegamos a curva da escada. Ivan colidiu de leve contra a parede eu o cobri.
    Ficamos cara a cara de novo
    - Está nervoso sim - constatei, sorrindo - fica com medo não - e lhe dei um selinho - jamais faria nada pra te machucar - e dei outro
    Ivan ficou estático, recebendo meus beijos sem conseguir expressar qualquer reação. Beijei sua bochecha, seu pescoço. Logo ele ergueu o rosto e fechou os olhos, arfando baixinho.
    Sua mão agarrou o volume em minha calça, sentindo meu órgão pulsar. Aproveitei e levantei sua blusa, lambendo e mordiscando seu peito e o arrepiando da cabeça aos pés.
    Aproveitei seu corpo mais relaxado e o virei, beijei suas costas e desci um pouco a calça, revelando apenas parte da linha entre as nádegas. Lambi aquela passagem e Ivan saltou
    - Por favor - implorou - para, por favor. Me deixa ir
    Eu levantei e o encarei, enquanto se virava ainda escorado na parede.
    - Eu não estou te segurando - observei, divertido.
    Ivan, perdido, continuou onde estava, até constatar o óbvio. Demorou ainda pra sair e descer a escada. Naquele duelo moral oriundo de tentar parecer que está lutando contra algo que na verdade deseja com cada fibra de seu corpo.
    Ao fim, vendo que eu não faria qualquer esforço para o reter, esquivou-se e desceu as escadas. Parou na próxima curva e olhou para trás, averiguando e esperando uma perseguição.
    Eu não tinha pressa. Já havia abocanhado aquela presa e não precisava me desgastar. Ela fugiria, mas não pra muito longe. Tudo o que eu precisava fazer era seguir seu rastro com tranquilidade. Como o escorpião que já havia ferroado a presa e só precisava aguardar o veneno fazer efeito.
    Desci com calma, o vi ir até o fundo da garagem e entrar no carro.
    Segurei a porta do motorista aberta e me coloquei ali, bloqueando.
    - Fábio, por favor. E se meu marido chega?
    Sem alarde, desamarrei o fio da bermuda e pus meu pau pra fora. Puxei a pele pra trás e o exibi em toda sua glória.
    - Você mesmo disse que ele está em escala hoje. - lembrei, embora com certeza que não estava sendo ouvido.
    Ivan lambeu os lábios involuntariamente e eu balancei meu órgão como um pescador agita a vara, chamando atenção para isca.
    - E se... - forcou-se  a despertar - alguém aparecer?
    Olhei em volta.
    - Você tomou o cuidado de estacionar o carro nos fundos. Acho que ninguém vem. E se vier, o veremos de longe - e sorri - claro, se estiver nervoso, podemos subir de novo. Será um prazer te foder em sua cama. De um jeito ou de outro, dessa noite você não passa.
    Usei meu tom mais firme, uma forma de intimidação que servia unicamente para tirar toda e qualquer culpa moral de minha vítima. Para todos os efeitos, ele poderia repetir para si mesmo durante todos os dias a seguir que não teve escolha, que foi levado àquela situação, que nunca teve a intenção. O conformismo da presa é, e sempre foi, a principal arma do predador.
    Peguei sua nuca com carinho e puxei, vendo-o instintivamente fechar os olhos e abrir a boca. O toque tente e úmido de sua boca, a massagem de sua língua. Me deliciei com cada aspecto de seu sexo oral.
    Acariciei seus cabelos, enquanto admirava seu rosto perdido em êxtase. Toda e qualquer sombra da culpa inicial completamente expurgada dele.
    Após longos e prazerosos segundos, Ivan parou, precisando tomar fôlego e me olhou, como quem espera algum gesto de aprovação.  Alisei, com carinho, a glande em seus lábios e então, sem aviso prévio, usei meu órgão para golpear seu rosto. Meu vizinho levou um susto e seu rosto esboçou um sorriso que ele logo reprimiu, tentando simular um ar ofendido que precisou lutar para manter.
    Bati de novo e de novo. Fechou os olhos, aceitando a penitência com resignação. Meu pau desceu mais umas três vezes, golpeando seu rosto, antes de o colocar novamente em sua boca e permitir que me chupasse novamente.
    - Vamos subir - sugeriu - tomando fôlego novamente depois de se perder no tempo enquanto me chupava.
    - Não. Mudei de ideia - e o empurrei pra dentro do carro e entrei, fechando a porta. Fui até o banco de trás e o arrastei comigo. E lá se iniciou o jogo brutal da natureza.
    Por mais duras que fossem as defesas, sempre haverá um predador adaptado a vencê-las. Mesmo o casco da tartaruga não é capaz de resistir a mordida do crocodilo.
    E foi assim que se desenvolveu uma vez dentro daquele carro. Com voracidade, arranquei peça por peça de suas roupas, como quem pulveriza uma armadura, destruindo suas defesas e expondo seu corpo nu. O deitei no banco de trás e, apenas com o órgão de fora, encravei e penetrei.
    Com força, o submeti, jogando de uma vez todos os dias de intensa espera para me banquetear com seu corpo.
    - Já era hora - urrei - não sabe quanto tempo estamos esperando pra te comer.
    - Seus amigos também? - perguntou, levemente surpreso.
    - Se interessou, safado? - regojizei -  Por isso fica se engraçando na academia? Pois é. Nós sempre comentamos o que vamos fazer contigo, quando tivermos você peladinho como está agora. - e meti com velocidade, agredindo-o com minha cintura.
    - Eu .. - gemeu - eu não me engraço... Eu... Amo meu marido.
    Não ia discutir ética ou conceitos naquele momento, mas também não resisti a vontade de fazer pelo menos um breve comentário repleto de veneno.
    - Eu sei... - meti mais - e eu tenho certeza que ele - pesei bem as palavras - te ama da mesma forma. Agora fica quietinho, sim? Quietinho.
    E me apoiei em suas costas e fui com tudo, arrancando-lhe gritos.  Proporcionando prazer ao mesmo tempo que o castigava. O carro balançando, enquanto os vidros embaçavam.
    . Dizem que o hábito faz o monge. Naquele caso, era verdade. Bastou eu abrir os caminhos com Ivan, que logo meus amigos também tiveram sucesso em suas empreitadas. Diego, após um banho no vestiário da academia, esbarrou com nosso vizinho ao sair do chuveiro, ganhando assim uma mamada caprichada.
    David, por outro lado, tirou a sorte grande e o arrastou para nosso apartamento. Naquela noite eu havia ficado preso no trabalho e perdi a aula. Nunca agradeci tanto meu azar. Pois chegando em casa, escuto meu amigo chamar do quarto
    - Quem está ai?
    - Sou eu, cheguei mais cedo.
    - Fábio, é você?
    - Não, Papai Noel - estava de mal humor naquele dia.
    - Então, vem aqui que tenho um presente de natal antecipado pra você - riu.
    Não entendi, até ouvir outra voz.
    - O que está fazendo?
    Reconheci aquele voz sonsa de longe. Logo meu humor melhorou e eu corri para o quarto. Encontrei David de joelhos na cama, encravado em nosso marinheiro, que cobria o rosto e não vestia mais nada além de um boné da marinha e coturnos.
    Com o humor renovado e sem pedir permissão para Ivan, me despi e me juntei a farra.
    Sobre Enzo, o marido, este se tornou bem mais simpático ao longo dos dias. Sempre que me via, cumprimentava e as vezes puxava assunto. Provavelmente tentando ganhar minha simpatia e não ser denunciado.
    Nossa proximidade até nos rendeu uma saída juntos. Eu, Dom Pedro e eles fomos ao cinema, assistir um filme antes que saísse de cartaz. Na praça de alimentação, após a exibição, nos entretemos numa longa conversa, que acabou chegando ao assunto sobre, Poligamia, trisais, poli amor e outras tendências da nova Era.
    Tal assunto nos fez ouvir discursos inflamados do casal a respeito da importância da monogamia e fidelidade na relação.
    Lembro de ter trocado olhares com Pedro naquele momento. Confesso que os discursos foram emocionantes e quase me fizeram esquecer das horas anteriores, quando eu tinha ficado pra comprar pipocas enquanto eles iam pra sala. Como quando vi Ivan ir ao banheiro antes de entrar na sala e o segui. Arrastando-o para uma das cabines vazias e comido aquela bunda maravilhosa, uma metida rápida para me aliviar e despejar dentro dele.
    Ele voltou ao cinema e eu fui comprar os lanches, justificando meu tempo fora ao mal funcionamento do caixa e as filas absurdas.
    Ivan, que ainda devia estar preocupado de meu gozo acabar escorrendo de seu corpo, nada falou. Enzo e Pedro também não pareceram terem se importado com minha demora. E a razão, eu saberia depois, foi que Enzo acabara de ter se aproveitado dos serviços prestados pela boca de Dom Pedro, enquanto assistiam aos trailers na sala de cinema quase vazia.
     

     

  • Diários de caça - Capítulo 15 – Onívoro

    - Isso, falta pouco. Assim - sussurrei, enquanto olhava em direção a porta de Augusto e ainda era capaz de ouvir os sons das vozes lá dentro. Sinal que a reunião continuava em andamento.
    - Ah, meu Deus - Vera delirava, sentada em sua mesa com as pernas abertas, saia quase elevada a altura de suas nádegas, recebendo-me com fome.
    Naquela noite, eu tinha ficado até tarde para atender um casal extremamente exigente. Por sorte, naquele período eu mal tinha aulas na faculdade, precisando apenas dar os últimos ajustes em meu TCC para conseguir o tão merecido diploma.
    E tal iminência começava a me colocar em um dilema. Afinal, chegaria a hora em que eu deveria escolher. Estava ganhando muito bem como vendedor para Augusto, e sempre gostei de carros o bastante para tornar meu ofício agradável. Mas também tinha uma paixão pela minha área de eleição: a arquitetura. Talvez fosse obrigado a escolher, uma vez que seria difícil conciliar duas profissões tão díspares. 
    E foi quando me dirigia ao vestiário que passo em frente ao escritório de Verá e a encontro sentada na mesa, batendo cabeça.
    - São 19:30, Vera. Pensei que a Lei Áurea tivesse posto fim a esse tipo de regime de trabalho - brinquei
    Vera, que já nem devia ter a real noção de onde estava, demorou um tempo para me reconhecer e mais ainda para entender o gracejo.
    - Ah? Fábio. Ainda está aqui? Como vai?
    - Cansado. Mas pelo menos fechei a venda com os Jacobis.
    - Incrível como sempre consegue - apesar de sincero, seu cansaço a impediu de demonstrar maior entusiasmo com minha notícia.
    Me acheguei e sentei na mesa a sua frente.
    - Sua vida pessoal deve virar fumaça depois de tantas horas extras.
    Vera riu, mas negou.
    - Não. Hoje é uma exceção. Uma reunião importante com fornecedores do Nordeste. Estou de prontidão, caso precisem de algo.
    - Conhecendo Augusto, terão tantos assuntos que duvido lembrarem de consumir algo, mesmo com as gargantas secas. Aí pegarão algo do frigobar - ponderei ao que Vera assentiu.
    - Eu sei. O tempo não passa. Ainda bem que casos assim ocorrem no máximo uma vez a cada três meses. Mas e você? Parece cansado.
    - Tenho dormido pouco - admiti.
    Naquela altura da vida, por mais que não tivesse quase matérias, a pressão para entrega do meu TCC tomava todo meu tempo vago. Além disso, com uma carteira de clientes que faziam questão de serem atendidos por mim, eu começava a ficar mais tempo no trabalho do que planejava.
    Mas apesar do cansaço físico e mental, devo dizer que o que me tirava mais as horas de sono eram as horas gastam sem conseguir dormir, deitado na cama sentindo o momento de fazer a escolha de minha carreira se aproximar cada vez mais
    - Precisa descansar - alertou, segurando minha mão.
    - Eu preciso é relaxar - corrigi, o descanso será consequência.
    - Quem de nós não precisa, não e mesmo? - assentiu.
    Creio que não foi a intenção de Vera insinuar nada, mas eu nunca precisei de incentivos para pensar besteira. Olhei em volta e então comentei:
    - Vera, não vejo câmeras em sua sala.
    - Ah? Ah sim. O senhor Augusto não quis colocar, para não parecer que estava me vigiando. - explicou - Eu disse a ele que não haveria problema, que são procedimentos de segurança, mas ele ainda assim não quis. Deixou apenas uma na entrada de minha sala, que apenas pega quem entra ou sai, e um botão de alarme silencioso, colocado estrategicamente abaixo da minha mesa.
    - Interessante - e me levantei e dei a volta na mesa - vamos aproveitar, então. Levanta.
    Vera obedeceu, mesmo sem entender.
    - Senta na mesa e faz silêncio - continuei, olhando bem em volta.
    - Fábio, você está louco. Não vamos fazer nada aqui - alertou, enquanto se sentava na mesa.
    - Relaxa. Abre as pernas.
    - Fábio, Augusto pode sair a qualquer momento.
    Ela abriu as pernas e eu puxei sua calcinha.
    - Chega mais pra ponta. - e a apoiei e ela se ajeitou.
    - Fábio, você está me ouvindo?
    Eu ri e arriei minha calça. Achei graça, pois nem mesmo ela parecia estar se ouvindo, uma vez que fazia tudo o que eu mandava, sem sequer questionar. Fiquei me perguntando se Vera tinha noção que fazia tudo ao contrário do que estava pregando. Ela não era do tipo de mulher de fazer joguinhos. Então, a única coisa que era capaz de deduzir era que meus poderes de persuasão eram maiores do que supunha
    E isso me deixava em dúvida no que isso me transformava: num galante ou num assediador, que ludibria suas vítimas.
    Ética e jurídica a parte, encaixei com carinho naquela região quente e já úmida no interior de suas pernas. Levantei sua saia até a cintura e penetrei. Todo e qualquer discurso em desenvolvimento, perdeu-se no caminho para a boca de Vera.
    Sem perder tempo, a penetrei com movimentos rápidos e silenciosos. Ela se agarrou a mim, segurando-se enquanto gemia.
    - Mais baixo, Vera. Não se esqueça que estão na sala ao lado - lembrei.
    - Desculpe - e tentou segurar. Apoiou a cabeça em meu peito e agarrou minhas nádegas enquanto eu a fodia.
    Beijei, devorando-a. Sua língua sedenta vasculhou toda minha boca. Quando soltamos, ela deu um espasmo e eu lhe calei com a mão.
    - Se controla, mulher - ri, percebendo se alguém na outra sala havia ouvido - porém, pela permanências dos sons animados da conversa que ali se desenrolava, julguei ainda estarmos seguros.
    O tesão também me deixava mais ousado. Eu penetrava com mais força, delirando com seu êxtase.
    - Ah meu Deus.
    - Tenta tampar a boca de algum jeito - orientei - morde algo.
    Eu talvez devesse ter sido mais específico. Pois Vera enfiou a cara em meu peito e o mordeu, entre o ombro e o mamilo.
    A onda de dor desanuviou minha mente de uma maneira que até hoje não sei explicar.
    - Desculpe - pediu .
    - Pode fazer de novo - avisei.
    - O que?
    - Faz de novo - mandei, e a penetrei com mais força, mantendo-a bem segura para que não fosse empurrada e fizesse mais barulho.
    Para conter a onda causada pelas penetradas, Vera voltou a me morder, cravando fundo os dedos em garras em minhas nádegas.
    - Isso. Assim - rosnei baixinho - - Isso, falta pouco. Assim - sussurrei, enquanto olhava em direção a porta de Augusto e ainda era capaz de ouvir os sons das vozes lá dentro. Sinal que a reunião continuava em andamento.
    - Ah meu Deus - Vera delirava, sentada em sua mesa com as pernas abertas, saia quase elevada a altura de suas nádegas, recebendo-me com fome.
    Meti mais, sentindo o gozo chegando com força. Fechei os olhos e trinquei os dentes para não urrar, quando encravei fundo e me despejei.
    - Nossa - sussurrei.
    Em resposta, senti as pernas de Vera tremerem. Ela me mordeu com mais força, abafando um grito. Se ela fingiu, foi bem convincente. Nunca imaginei que uma mulher pudesse chegar tão rápido ao orgasmo.
    Respiramos fungo, atentos ao som da sala.
    - Acabei de me lembrar - suspirou, ainda abraçada a mim, massageando minhas nádegas. - preciso passar na farmácia, pois minhas pílulas estão no fim - e riu, sozinha - desde que você começou a trabalhar aqui, voltei a ter esse tipo de preocupação.
    Achei graça do comentário.
    - Por que? Está dizendo que eu não daria um bom pai? - gracejei, fazendo-me de ofendido.
    - Ainda não imaginei algo no qual não fosse bom. Apenas acho que já passou de minha hora de ser mãe.
    Nesse instante, acariciei seu rosto e ela me sorriu cansada, mas em paz. Fiquei admirando o rosto de Vera, lendo sua beleza, mas também sua tristeza. Algo nela me atraia de uma forma que não era capaz de descrever. Meu tesão por ela só se comparava ao carinho que lhe sentia. Ambos sabíamos que nosso caso não tinha futuro, mas gostávamos de pensar que, mesmo que por alguns instantes, fazíamos bem um ao outro.
    Porém, nosso momento foi interrompido quando pude ouvir a voz ressoante de Augusto do outro lado da parede :
    - Bem, senhores. Creio que já tomei demais seu tempo. E como já sabem, minha patroa é uma verdadeira fera raivosa quando chego em casa tarde.
    Acelerados, eu recoloquei a calça e Vera ajeitou a saia. Sua calcinha não teria tempo, então teve de ser posta na gaveta e trancada a chave. Ajeitamos rapidamente sua mesa e nos colocamos em posição de inocência no instante em que a porta abriu.
    - Garoto, você por aqui? Espero que tenha feito boa companhia a Vera.
    Augusto era daquele tipo de homem cujo todo e qualquer comentário parecia ganhar conotações sórdidas. Embora isso se devesse mais a seu jeito afoito do que a qualquer malicia.
    Apenas sorrimos e concordarmos.
    - Mas fico feliz de estar aí. Fábio, esses são Eliandro e Saulo. Meus sócios em negócios nas cidades de Fortaleza e Natal. Estávamos falando justamente de você. Poderia entrar rapidamente? Prometo que não vai ser muito tempo. Vera, minha flor, poderia nos trazer água, por favor? Meu frigobar está nas últimas.
    Sorri amarelo para Vera, num pedido silencioso de desculpas. Ela apenas sorriu e ajeitou os cabelos.
    Segui os três para o escritório.
    - Garoto, estava falando de você para meus sócios e eles estavam doidos para lhe conhecer. Como um garoto, cujo primeiro trabalho com vendas na vida, consegue tantos números positivos? Eu disse a eles que o que você tem não se ensina. Que é um Dom. Mas eles acreditam que você pode ao menos inspirar os pretensiosos de Natal.
    Olhei para os dois, que apenas acenavam positivamente.
    - Não sei se está sabendo, Fábio. Mas daqui a duas semanas teremos um grande simpósio no Rio Grande do Norte e adoraríamos que você apresentasse um pouco do que Augusto chama de "Instinto Selvagem para vendas" para nossos aspirantes. - narrou o que eu acho que se chamava Saulo.
    - Nossa - me surpreendeu - é tão de repente. Nem sei o que dizer.
    - Desculpe falar assim de sope tão, garoto. A verdade é que pegou a todos nos de surpresa. Estávamos conversando sobre o simpósio e o Eli ali acabou de descobrir que um dos palestrantes cancelou. Conversa vai, conversa vem, o assunto sobre inspiração caiu em seu nome. Falei de você e meus amigos aqui ficaram impressionados. Também pudera.
    - Não sei se você tem experiência com palestras, Fábio. Mas a verdade é que o que queremos é um relato sincero vindo de você. Algo que fale ao coração, entende? - concluiu, Eliandro.
    Eu de fato já havia me apresentado nos simpósios da universidade, trabalhos em grupo e outras atividades que valiam pontuação. Mas algo daquele tipo, nunca antes na vida. Sempre fiz o estilo isolado, mais introspectivo, daqueles que não gostavam dos holofotes. Um bom caçador sempre atua melhor nas sombras, esse era meu lema.
    Mas foi difícil resistir as expectativas postas em mim naquele momento e eu acebei concordando antes de pensar o suficiente no assunto.
    Quando saímos, aproveitamos para parar num bar próximo e, nós quatro e Vera, brindamos a boa nova. Isso até Augusto receber a ligação de sua esposa e teve de sair as pressas.
    Ficamos ainda, Vera eu e os sócios, bebendo mais um pouco, até a hora que Saulo começou a olhar Vera como se ela fosse um pão recém saído da padaria e ela resolveu sair. Dividimos um táxi e a deixei em casa. Esperei um convite para passar a noite com ela, que não veio. Vera era muito cuidadosa em ultrapassar limites que talvez não tivessem volta.
    Ainda no táxi, agora sozinho rumo ao meu apartamento, recebo a mensagem de Dom Pedro.
    "Garoto, onde você está? Esqueceu da Valquíria? Ela já está quase pronta e eu menti dizendo que você estava no banho. Não me faz passar por mentiroso"
    Levei a mão a cabeça, enfim me recordando que hoje era aniversário de nossa vizinha, a qual era grande amiga de Pedro. Sorte estar chegando. Subi sorrateiramente ao meu apartamento e fui acobertado por Pedro. Escovei os dentes rapidamente e corri para o banho.
    Quando escuto o som vindo da sala.
    -Amorrrrr - a voz estridente que Pedro fazia sempre que encontrava sua amiga ecoou pela casa.
    - Espero não ter me atrasado? - ela falou.
    - Que nada. O Fábio é mais Cinderela que você. Acredita que ainda esta no banho?
    - Não acredito...
    Terminei rapidamente e me sequei. Sorte que já tinha feito a barba e me raspado de véspera.
    Saí, ainda com a toalha enrolada.
    - Desculpe. Tive de fazer a barba e dar uma caprichada, se é que me entende - brinquei, ao que ela sorriu com malícia.
    - Prove - desafiou.
    Eu então me acheguei e abri a toalha só pra ela.
    - Ah não é justo. Eu também quero ver - Pedro chegou e arrancou a toalha. - Meu Deus.
    Todos rimos e eu peguei a toalha e me cobri novamente.
    - Está ótimo - Valquíria parabenizou.
    - Fábio, já pensou em se depilar, ao invés de passar gilete? Acho que ficaria ótimo.
    - Está doido. Não sei como vocês aguentam essas sessões de tortura.
    - Ah não, eu gosto de um pouco de pelos. - Valquíria defendeu e eu apontei para ela como se fosse o argumento do qual precisasse.
    - Mas eu ainda acho que ficaria ótimo. Além do que, iria parecer que é ainda maior. - argumentou
    - Todos aqui sabemos que eu não preciso de simulacros - rebati, sem um pingo de humildade e, vencendo a discussão, saí para terminar de me arrumar.
    Valquíria decidiu comemorar em uma boate muito boa próxima de nossa casa. David e Diego chegaram depois, vindos direto da última aula. Lá, vários amigos e amigas de Valquíria, muitos da nossa faculdade onde ela cursava farmácia, estavam e a festa correu bem. Bebi mais alguns drinques em homenagem a aniversariante. Farreei, brinquei e beijei muitas bocas.
    Não sei que fama eu tinha na faculdade, mas muitas garotas vieram dizendo querer experimentar meu beijo. Que haviam ouvido histórias a respeito. Eu, como bom cavalheiro do interior, não neguei nenhuma. Passados alguns momentos, até mesmo alguns garotos mais atirados vieram pedir uma provinha, que eu não neguei. Até mesmo Rosana, uma transexual recém operada, eu beijei.
    - Você hoje está a periga, hein? Não imaginava que tinha um cardápio tão variado - comentou Valquíria, dançando comigo
    - A evolução diz que animais Onívoros tem maiores chances de sobreviver. Quanto mais variado o cardápio, maior a chance de alimentação.
    Valquíria riu
    - Só quero saber se sobrou algo pra mim.
    - Estou guardando o melhor pra você - e a encochei por trás.
    - Agora vi vantagem.
    Nesse instante, puxei David que passava e o fiz dançar conosco, mantendo Valquíria no meio. Nos beijamos os três e eu senti a mão boba de minha amiga entrar em minha calça e apertar meu órgão com força.
    - Gente, nunca vi o Fábio bêbado - Pedro comentou - fica mais safado que de costume.
    - Mas eu não estou bêbado - rejeitei.
    - Ah tah - exclamou - Vai dizer que esse olhar fechado aqui é sobriedade?
    - Estou te falando. Estou ótimo.
    Eu de fato tinha tomado alguns drinques na festa e somados a cerveja no pós trabalho, poderia me deixar um tanto tonto, mas não bêbado.
    - Olha só - e fiz o quarto com as pernas para ele ver.
    - Isso é moleza - Pedro riu e eu então o desafiei.
    - Beleza então. Quer que eu ande de ponta cabeça? Plantando bananeira?
    - Fábio, se você conseguir dar três passos assim já seria um milagre. Vamos fazer o seguinte, então: se você não conseguir dar pelo menos três passos de bananeira, vai ter de ir no meu depilador.
    Nada melhor para atiçar minha ousadia que um bom desafio
    - Ta aí, aceito. Mas se eu conseguir - e cheguei bem perto dele para o encarar - tu vai chupar uma buceta.
    - Eca - ele deu um passo pra trás como se a ideia lhe causasse repulsa.
    - O que foi? Está com medo? Não está tão certo que vou cair?
    - Vamos lá, Pedrinho. Mostra tua coragem, viado - Diego o incentivou
    - Essa eu quero ver - Valquíria se animou.
    De repente, as pessoas em volta se mostraram mais interessadas em nossa aposta que na festa em si. Abriram caminho e eu me preparei.
    - Tenho sua palavra? Aposta valendo? - garanti, deixando-o em saia justa e o forçando a concordar.
    Quando ele deu de ombros, eu me enchi de coragem e fui.
    Ainda bem que Pedro tinha escolhido três passos apenas. Eu sequer poderia chamar aquilo de passadas. Eu simplesmente me joguei, desequilibrei na primeira e vacilei umas quatro palmas até me estatelar no chão. Som ecoando e vencendo até mesmo a música alta.
    - Ai. Acho que to bêbado sim. - fui forçado a admitir.
    Logo vieram me acudir e me colocar sentado num banco. Mas eu estava bem, o sangue ainda quente. Amanhã aquela brincadeira cobraria seu preço.
    - Fábio, você é doido - Pedro me repreendeu.
    - Mas valeu a pena. Consegui.
    - Como assim? Você nem andou nada, desabou logo.
    - Pedro, eu contei 4 passadas - David veio intervir.
    - Mas ele desequilibrou logo de inicio - Valquíria ponderou.
    - Mas ninguém falou que as passadas tinham de ter classe - uma terceira voz entrou na discussão.
    Logo a polêmica estava gerada.
    - Olha, melhor considerar logo empate - Pedro sugeriu - ambos ganhamos.
    - Pensei melhor - corrigi - Ambos perdemos. E vamos ter de pagar.
    Pedro me olhou como se eu estivesse maluco.
    - E você vai encarar cera quente?
    Botei a mão em seu ombro
    - Vai valer a pena - zoei e ele engoliu em seco.
    Logo a brincadeira apagou o episódio da aposta, mas eu jamais permitiria a Dom Pedro esquecer sua dívida.
    A noite passou rápido. David, saiu mais cedo, pois teria de acordar cedo no sábado. Já eu, Dom Pedro, Diego e a aniversariante, só saímos as 4h. Andamos até nosso condomínio rindo a toa e levamos Valquíria até seu apartamento, para garantir que ela não erraria o caminho. Ao chegarmos, ela nos insistiu para tomarmos uma saideira.
    - Só se for de café - sugeri, cansado de álcool.
    - Deixa eu ir para o seu banheiro então. - anunciou Dom Pedro e, assim que entrou, disparou como uma flecha.
    - Está tão apertado assim? - questionou Diego, logo antes de o ouvir regurgitar a bebida, corrigindo-se com uma cara de asco - Ah tah.
    Enquanto Valquíria tentava o milagre de fazer a cafeteria funcionar antes de ligar na tomada, eu aproveitei para dar um beliscão na bunda de Diego, que pulou sem nada entender.
    - Ta maluco, cara?
    - Vem cá. Me ajuda com uma parada - pedi e o beijei, sem mais informações.
    Diego não fez qualquer resistência.
    - E o que seria? - perguntou, quando demos uma pausa.
    - Você vai ver.
    Voltamos a nos beijar.
    - Beleza, então - deu de ombros, deixando-se levar
    Senti o olhar de Valquíria nos acompanhar da cozinha e continuei. O beijo de Diego era bom, com pegada. Tirei a blusa e ele me acompanhou, roçando o peito um no outro. Desafivelamos os cintos um do outro e deixamos as calças caírem. Tiramos com os pés os tênis e deixamos as calças no chão.
    Olhei para Valquíria e disse:
    - Encare isso como um presente de aniversário
    E ajoelhei e arriei a cueca de Diego. Segurei aquele pau enorme e tentei encaixar na minha boca. A falta de prática se mostrou clara e eu muito mal consegui chupar além da cabeça. Mas o que valia era a intenção.
    - Caramba, amigão. Gostei.
    - Vai se acostumando não, malandro - alertei, segurando seu pau e o tirando da boca - é só um favor entre amigos.
    Tentei lembrar de todos que já me chuparam para simular a técnica. Lambi as bolas, cheirei o órgão. E devo admitir que não me foi nada demais. Não era algo que me despertasse tesão, mas como estava agradando dois amigos de uma vez, continuei de bom grado.
    Valquíria já tinha desistido da cafeteira e se recostou no sofá, para apreciar o espetáculo.
    Levantei-me e retirei minha cueca também. Pelados, deitamos no chão e começamos a nos lamber. Como dois gatos que banhavam um ao outro, nossas línguas passaram por rostos, bracos, peitos, axilas, barrigas, pernas e por assim foi.
    Diego, aproveitando-se de minha boa vontade, deixou a língua correr pelo meu rego, lambendo a entrada entre minhas nádegas.
    - Já está abusando - alertei.
    - Pela Valquíria, amigão. Pela Valquíria.
    - Canalha - ri, mas de fato nossa amiga estava curtindo.
    Então deixei ele se banquetear pela região nunca antes visitada por qualquer homem e lhe chupei o pau novamente.
    Abraçando seu corpo.
    Diego, entrando na brincadeira, também me chupou o pau, com a mesma néscia.
    Nos colocamos de joelho, de frente um para o outro, e voltamos a nos beijar, paus duros duelando um contra o outro, até que, num sincronismo natural, olhamos para nossa espectadora.
    Engatinhamos até ela, a arrancamos de seu conforto, e a derrubamos no chão, dilacerando suas roupas e a pondo nua entre nós.
    Valquíria ria, enquanto seu vestido era rasgado e sua pele ébano exposta.
    Chupei com voracidade, enquanto Diego chafundava entre seus seios.
    Meu amigo foi o primeiro a se colocar entre suas pernas e penetrar, sendo recebido de bom grado. Aproveitei a oportunidade, e lhe retribui o beijo no rego.
    - Para, Fábio. Vou brochar assim - avisou.
    - Ora, ora. Não consegue manter a ereção amigo? Podemos ver uma clínica pra você - zombei.
    - Seu filho da puta - e riu.
    - Você consegue, amigão. Concentra. Qualquer coisa, passamos a comprar uma azulzinha pra você.
    - Vai. Não desiste - Valquíria o incentivou, segurando para que se mantivesse dentro dela
    Diego, movido pelo orgulho, continuou a penetrar, enquanto eu brincava com sua bunda vulnerável. Lambi e mordi as nádegas, subindo pelas suas costas e me colocando atrás dele.
    O abracei e o senti trincar as nádegas, para impedir que eu ultrapassasse a linha do permitido.
    - Com medinho, é? - ri
    - Vaza dai, leão - avisou, rindo - Aqui é território proibido.
    Rimos muito, quando ouvimos a exclamação de Dom Pedro.
    - Amiga. O que estão fazendo com você?
    Olhamos supressos. Tínhamos nos esquecido completamente dele.
    - Me ajuda, amigo - Valquíria ergueu a mão em súplica. Rindo como uma colegial.
    - Cuida dela, que eu vou atrás do outro. - sussurrei ao ouvido de meu parceiro.
    Me levantei e, antes que Dom Pedro pudesse assimilar os acontecimentos, tomei suas roupas e o pus nu e deitado de bruços ao lado da amiga, abri suas nádegas e chupei com vontade.
    - Desculpa, eu tentei - Pedro pediu e Valquíria sorriu.
    Diego penetrava com agilidade, gingando com destreza e arrancando gemidos ofegantes de sua parceira.
    Eu logo me juntei a ele, montando em Dom Pedro com a brutalidade que ele tanto gostava. Em um dado momento, Valquíria deu a mão ao amigo, unidos enquanto eram fodidos, até Diego retirar de dentro dela e me oferecer:
    - Quer trocar?
    Pensei um pouco, então neguei
    - Tenho uma ideia melhor
    E peguei Dom Pedro pela nuca e o puxei
    - Chegou a hora de pagar sua parte da aposta - anunciei.
    Pedro demorou um pouco para compreender o que significava aquilo. E quando a ficha caiu, seus olhos se alarmaram e seu rosto metamorfoseou, assumindo um aspecto de asco.
    - Não, por favor - implorou, enquanto eu guiava seu rosto para a região entre as pernas de Valquíria.
    Ela levou as mãos ao rosto, abafando a gargalhada, olhos lacrimejando.
    - Vamos, Dom Pedro. Variar o cardápio de vez em quando não faz mal a ninguém.
    - Eh gatinho - Diego deu corda - você quem inventou de apostar.
    Nosso amigo engoliu seco e, percebendo que ninguém ali viria em seu socorro, respirou fundo e encarou o destino.
    - Vou vomitar - anunciou, exageradamente.
    - Que bom que já esvaziou a barriga então- e conduzo sua cabeça, olhos fechados e ar preso. Até seu rosto sumir e Valquíria soltar uma gargalhada que poderia ter acordado todo o prédio.

     

  • Diários de caça - Capítulo 16 – Migração

    Muitos animais possuem por hábito migrar de tempos em tempos em busca de recursos e melhores condições de clima. Mais do que necessidade, aquilo é um instinto, com o qual a espécie já nasce programada. Você pode garantir a um pássaro todas as condições de alimentação, mesmo no inverno, mas isso não muda o fato que, se ele tiver a escolha, irá seguir seus coração e migrar para o outro hemisfério na primeira semana do fim do verão.
    Eu sempre fui um animal estático, mais parecido com um urso que preferia hibernar no inverno. Minha única mudança na vida foi quando abandonei a casa de meus pais e ainda lembrava da sensação de liberdade. De estar em um lugar novo, desconhecido. A adrenalina daqueles primeiros meses ainda me eram uma memória agradável e bastou minha viagem para Natal chegar que eu senti a mesma emoção e pude ter a certeza que novos horizontes era algo que me encantava.
    De véspera, tive uma série de nervosismos. Primeiro com minha apresentação. Virei noites redigindo o que falaria, escrevendo e reescrevendo inúmeras vezes. E em segundo, pois a própria ideia da viagem me causava vertigem. Isso porque eu nunca tinha embarcado em um avião na vida e a ansiedade era grande. Tanto que nem dormi a noite que precedeu minha partida.
    Porém, chegando ao aeroporto destino, de mala na mão e encarando aquele mundo novo e desconhecido, meu coração acelerou e eu experimentei o doce efeito da adrenalina. Capaz de tornar todos os anseios pequenos e insignificantes.
    Cheguei ao hotel que estava reservado pra mim e a primeira coisa que fiz, após terminar os trâmites de chegada e deixar as malas, foi sair e andar pelas ruas, observando cada lugar e pessoa, como se tudo fosse interessante e único.
    Era hora do almoço e parei em um restaurante aleatório e pedi a primeira coisa que me veio a cabeça. Enquanto esperava, admirei tudo em volta até que observei, sentado umas duas mesas a direita, um rapaz que devia ter a minha idade, mas onde as responsabilidades da vida lhe atribuíram ar mais velho.
    Vestia um terno e bebia uma água enquanto esperava o prato. A frente, digitava freneticamente o notebook enquanto consultava o celular. Diferente de mim, parecendo completamente alheio ao mundo externo e suas belezas. Talvez por já ser residente e nada daquilo lhe era novidade, tal como ocorria comigo, ou simplesmente porque as atribuições do dia a dia lhe tomavam tanto o tempo que qualquer segundo roubado para algo tão simples como olhar a paisagem era uma completa perda de oportunidades.
    Em minhas caçadas com meu pai, uma das primeiras lições que tive foi a arte de contemplar o mundo a volta.
    - Um caçador deve ter foco quando detectar uma presa. Sua atenção tem que ser toda dela. Mas isso não o impede de, durante todo o momento restante, contemplar a região a sua volta. Você tem que observar tudo, para conhecer os caminhos, as características, os riscos e potenciais. Para quando achar sua presa e ter de abandonar toda a atenção em volta, poder ir atrás dela sem se preocupar com o terreno, pois já vai estar tão familiarizado com ele que será como se estivesse andando em casa.
    Essas eram suas palavras.
    - E também - concluiu - deve observar tudo pois, o que seria uma experiência na natureza se você não pudesse pelo menos parar alguns segundos para olhar suas belezas.
    E de fato tudo ali era belo. Como um animal recém migrado, eu observava tudo. O restaurante com vista para o mar, o tempo agradável de céu azul, as instalações impecáveis do lugar e, para compor aquela exposição, a figura desse garoto que era algo bonito de se admirar.
    Tinha o rosto quadrado, cabelos bem penteados castanhos, pele morena, entretanto pálida, de quem não pega muito sol. Usava óculos de aro fino, terno impecável bem ajustado ao corpo. Alguém cujo charme estava justamente no ar respeitável que emanava.
    Me permiti admirar aquele espécime enquanto aguardava a comida. E foi nesse momento, por um instante apenas em que ele desviou os olhos do notebook, que me vislumbrou. Seus olhos pararam em mim, percebendo que o olhava.
    Meu ato normal seria parar de o encarar, mas naquele dia não segui o protocolo habitual. Estava em terras estranhas, sentindo-me bastante seguro. Não conhecia aquele homem e talvez nunca mais o visse na vida. Se não gostasse de ser encarado, não seria um problema que perduraria muito tempo, uma vez que, terminando minha refeição, poderia sair e nunca mais lhe cruzar o caminho.
    Então, permiti-me brincar um pouco.
    Ele voltou a atenção para seu trabalho, mas a partir do momento em que percebeu ser observado, seus olhos, vez ou outra, traiam-no por conta da curiosidade e ele olhava novamente para minha direção. Sorri para ele e o deixei sem graça.
    O jogo ia ficando mais interessante e eu me diverti. Minha comida chegou e, apesar de eu não fazer ideia do que era, parecia apetitosa. Dei uma pausa em minhas investidas e me dediquei ao prato. Foi então que, arriscando um olhar de canto de olho, notei que agora era ele quem me observava.
    Sorri em cumplicidade e ele logo desviou, sem graça de ter sido apanhado.
    Terminei minha refeição com a calma que aquela iguaria pedia, saboreando e identificando seus ingredientes e temperos. Ao fim, pedi uma limonada e apreciei enquanto fazia a digestão.
    Meu companheiro de longa distância acabou de comer na metade do tempo e aproveitou o período economizado para dar mais atenção ao computador. Ao fim, fechou o notebook e pareceu pensar em sua próxima ação. Olhava para minha mesa avaliando, então, olhando o relógio, desistiu de qualquer plano e pediu a conta. Fiz o mesmo. Ao pagar, noto que na pressa, deixou o celular na mesa.
    Passo por ela e aviso ao garçom e como o dono estava ainda na porta do restaurante, pego eu mesmo e o alcanço.
    Ao sair, noto que o mesmo tateava os bolsos e, quando se vira para ir buscar o aparelho esquecido, me encontra estendendo em sua direção.
    - Cuidado com a pressa - brinquei, sorrindo ao notar que ficara encabulado.
    - Obrigado - e pegou o aparelho, me olhando timidamente nos olhos. - está uma correria louca.
    - Percebi. Uma beleza dessas e você nem é capaz de admirar nada. Já deve morar na cidade, acredito.
    - Não - corrigiu - Sou de Mossoró, estou em Natal a trabalho. E você?
    - A trabalho também, mas de mais longe - admiti. - Estou hospedado no Ocean.
    - Eu também - comentou com certa animação, que tratou logo de disfarçar. - Quer dividir um carro?
    - Pensei em ir andando - ponderei. - a caminhada não dá nem 10 minutos.
    - Eu não sei chegar a pé - admitiu, ainda encabulado.
    - Eu te levo - e comecei a andar.
    Uma vinda já bastou para saber o caminho de cor. Sempre fui bom em orientação, qualidade sine qua non a um bom caçador. Meu colega me acompanhou, claramente perdido no caminho.
    - Cidade muito bonita - comentei. - vem muito aqui?
    - Pelo menos três vezes por ano. Já vi de tudo, mas confesso que ainda não decorei o caminho.
    - Você anda muito acelerado - comentei - Eu, quando estou em um lugar novo, gosto de apreciar tudo com calma.
    Aproveitei o comentário e lhe dei uma boa avaliação de cima a baixo. Notando seu porte atlético realçado pelo terno. Dei uma olhada em seus lábios carnudos, no cavanhaque bem aparado.
    - Desculpe, não sei seu nome - lembrei-me.
    - Ah... Samuel - respondeu, despertando após ficar estático com minha olhada.
    - Prazer. Fábio. Já chegamos - anunciei.
    Samuel não escondeu o assombro de descobrir o quão fácil era chegar ali. Apesar do sol forte, o clima do mar deixava tudo bem fresco e nem suamos com o leve exercício.
    Entramos e fomos ao elevador.
    - Acredito que tenha muito trabalho ainda - deduzi - Não teria tempo para uma folga.
    Ele gaguejou, mas então negou.
    - Na verdade, minha reunião só irá ocorrer as 18h. Estava apenas deixando tudo preparado.
    - Acho que já está mais que preparado. - avaliei - de véspera, só conseguirá ficar mais nervoso
    Ao comentar, lembrei-me de meu discurso guardado em minha mala. Dúzias de papéis em que eu tentei sintetizar o que poderia ser uma teoria de vendas. Aquilo, que me tomou tanto o pensamento nos dias que antecederam a viagem e agora foi completamente apagado de minha lista de preocupações.
    - Talvez, tenha razão - assumiu por fim.
    - Que bom - entramos no elevador e eu apertei o meu andar. - te convido para conhecer meu quarto então.
    Samuel não respondeu nada, ficando quieto toda a subida.
    Saímos do elevador e adentramos meus aposentos  A mala ainda estava em cima da cama e eu a tirei. Então, me voltei para meu companheiro e peguei sua maleta e deixei de lado.
    Alisei seu rosto, vendo seus olhos negros escanearem meu corpo. Respiração profunda, como quem tenta captar meus feromônios.
    Segurei seu rosto e o beijei com calma. Ao simples tocar em meus lábios, ele se afobou, me agarrando e engolindo.
    - Calma. Calma - pedi, sorrindo - quando provo uma iguaria, gosto de saborear. Você não?
    Ele riu sem jeito.
    - E você é uma iguaria que gostaria de experimentar com calma - confessei, desabotoando sua camisa - Posso?
    - Claro - suspirou, soltando-me e se colocando a disposição .
    Abri botão por botão, como quem descasca um alimento. Lembro de uma das grandes frases de sabedoria que meu pai um dia disse, inspirado pela cerveja.
    - Sexo é igual comida. Todos gostam, mas poucos sabem apreciar. Qualquer um sabe fazer algo para matar a fome em horas de necessidade. Mas nem todos fazem gostoso - e completou o comentário com um sonoro tapa nas ancas de minha mãe. Que ruborizou imediatamente e o repreendeu, por fazer tal comentário na frente dos filhos.
    Minha mãe, sempre avessa a demonstrações de afeto em publico, mesmo diante da família, ficou logo nervosa. Mas meu pai, que sempre se continha em respeito, não conseguia mais reprimir seus instintos de garanhão e suas necessidades fisiológicas em algumas datas. Eu e minha irmã, crianças ainda, riamos a plenos pulmões do jogo de gato e rato que se fazia em nossa casa. Quando mais velho, comecei a perceber que esses episódios eram sempre seguidos da manhã seguinte com minha mãe cantarolando músicas que eu desconhecia completamente enquanto recheava a mesa com um café da manhã mais caprichado.
    Só com a maturidade para perceber a relação de causa e efeito e constatei que, apesar das roupagens e costumes de mulher carola do interior, minha mãe ainda era uma fêmea de sangue quente, que se beneficiava dos ímpetos etílicos de meu pai, mesmo o repreendendo diante da família.
    Anedotas a parte, o fato era que, o hábito de comer e o de fazer amor tinham muitas semelhanças. E mesmo que uma refeição rápida tenha muitos benefícios, nada como provar com calma um prato que merecesse maiores atenções e que talvez você não experimentasse novamente tão cedo. Como animal em migração, tinha de aproveitar minha estadia.
    Abri sua camisa e a deixei como estava, apoiada em seus ombros. Beijei o peito, lambendo suavemente o mamilo. Fiz movimentos repetitivos, de cima a baixo, provando seu pescoço e descendo até a barriga, garantindo que cada centímetro de sua pele morena e lisa fosse devidamente degustado.
    Samuel, obediente, nada fez, apenas se deixou devorar, gemendo ocasionalmente e fechando os olhos para que os demais sentidos aflorassem.
    Ajoelhei diante daquela refeição e desafivelei o cinto, desci a calça até o meio da coxa. O conduzi até a cama, onde Samuel se colocou sentado. Retirei seus sapatos, mas deixei as meias. Terminei de retirar a calça. Como algumas iguarias, aquela devia ser experimentada em etapas, para um melhor proveito.
    Quando lambi seu joelho, Samuel tremeu e riu.
    - Sente cócegas? - sorri com malicia.
    Ele não precisou admitir. Pois eu mesmo alisei meus dentes na região, o que o fez sofrer um espasmo tão violento que quase me atinge.
    - Não. Por favor - implorou, enquanto segurava o riso.
    Ergui e me deitei por cima dele, beijando-o com intensidade. Tomei de sua saliva por completo, segurando suas mãos e entrelaçando os dedos. As ergui, de forma a que ficasse ainda mais disponível pra mim. Lambi seus braços e axilas
    - Fica assim - e deixei suas mãos erguidas e voltei a descer, beijando cada centímetro de pele que encontrava pelo caminho. Alisando a lateral de seu corpo com minhas mãos livres.
    Lambi seu umbigo, circulando com a língua a concavidade.
    Segurei sua cueca e desci um pouco apenas a parte de trás. Uni suas pernas e o fiz ficar em posição fetal, de lado, bunda exposta. Constatei que sua pele era toda lisa. Como Dom Pedro, ele devia ser daqueles que arrancam até o último fio com cera.
    Abri suas nádegas e toquei de leve com a língua. Outro espasmo, outro gemido. Beijei o buraquinho e quando enfiei a língua, ele gritou.
    Continuei provando com delicadeza, deixando Samuel conter as ondas de prazer.
    - Fode - pediu.
    - Calma, garoto. Ainda não acabei de me deliciar - neguei.
    O fiz deitar novamente de barriga pra cima e terminei de tirar a cueca, então, passei para os pés, retirando uma meia de cada vez, dedicando-me a cada pé, cada dedo, após despidos.
    - De bruços - mandei e ele aceitou sem resistência.
    Peguei seu paletó e tirei, agora sim, nu em pelo.
    Fui tirando minhas roupas até também estar como vim ao mundo. Deitei por cima dele, encostando meu pau naquela bela bunda, sem penetrar ainda, apenas deixando a pele em contato com a pele. Beijei seu pescoço, suas costas, tirando risadas e gemidos. Enquanto o distraía, encaixei o órgão e fui penetrando. Quando percebeu o que acontecia, abriu a boca e o ar ficou preso. Meu pau deslizou pra dentro devagar, sendo muito bem recebido. Samuel arrepiou da cabeça aos pés e, quando cheguei ao fim, empinou a bunda em boas vindas.
    Com calma, ginguei. Encravando fundo enquanto Samuel, apoiado nos cotovelos, gemia, erguendo a cabeça para o céu como em súplica, rosto contorcido em prazer.
    - Estou adorando as delícias do Rio Grande do Norte - cochichei ao pé do ouvido.
    - Que bom. Vai ver que somos muito hospitaleiros - brincou, sorrindo em êxtase.
    - Vou admitir. Estou me segurando pra não te foder com força - avisei. Agora que já a tinha me banqueteado, queria devorar como a fome que de fato sentia.
    - Está esperando o que? - atiçou e eu fui me posicionando.
    Alinhei meu corpo, apoiei as mãos no colchão e, como um chicote, ginguei e golpeia suas nádegas com meu corpo, penetrando tudo.
    Samuel abriu as pernas e agarrou os lençóis, rosto apoiado, soltando um gemido choroso.
    ***
    A noite, estava eu diante daquela plateia. Imaginei aquele momento de muitas maneiras, ensaiei inúmeras estratégias, previ infinitas complicações.
    Mas agora ali, diante deles, não pude notar qualquer tipo de ameaça, nada que justificasse tanto nervosismo prematuro.
    Em minha mão, tinha vários papéis com meu discurso ensaiado, com palavras, algumas escolhidas por Dom Pedro e que eu nem sabia se entendia de fato seus reais significados.
    Então, vendo que aquilo que estava escrito não era eu, o deixei de lado e comecei a falar o que me vinha a cabeça.
    Comecei com a primeira vez em que fui caçar com meu pai, as primeiras lições que tive, os desafios. Todo o aprendizado que aqueles momentos me trouxeram foram traduzidos e o paralelo com as vendas surgiram de forma natural. Como na selva, a vida em sociedade era uma luta pela sobrevivência. Como nas vendas, você precisava detectar sua presa para garantir seu sustento. Identificar suas idiossincrasias e usar a seu favor. E assim, a lei da evolução foi apresentada em seu caráter mais verdadeiro e singelo naquela uma hora de palestra.
    Ao fim, encerrando sem me dar verdadeiramente conta que tinha acabado, fui aplaudido e fiquei muito grato. Eliandro veio até mim e agradeceu. Convidando-me para o coquetel no salão do hotel, onde queria me apresentar a alguns amigos.
    E foi lá que, conversando com todos os envolvidos, conheci Veneza, empresária no ramo hoteleiro que ao descobrir que estava me formando em arquitetura, ofereceu-me uma vaga no ramo paisagístico. Que era de fato minha especialização e tema de meu TCC.
    - O único porém é que minha rede atende doze estados do Brasil, além de postos na Argentina, Chile e estamos tentando o mercado norte americano. Então, a vaga teria de ser para alguém disposto a viajar bastante. - explicou.
    Se ela disse isso de propósito, ou se apenas foi capaz de perceber o brilho em meus olhos ao ouvir essa condição, eu não sabia. Mas o fato é que Veneza sabia ter tocado em um ponto vital.
    - Augusto vai ficar uma arara quando souber que deixei você assediar o melhor vendedor dele - Eliandro previu.
    - São apenas negócios, meu bem. Como o próprio Fábio nos deixou claro, assim como na selva, os mais adaptados vencem.
    Sorri para ela, concordando.
    Prometi pensar, mas acredito que tanto eu quanto ela já sabíamos que aquela proposta havia me tocado o coração. 
     
     

     

  • Diários de caça - Capítulo 17 – Menino lobo

    Dom Pedro estava obviamente mais animado que eu. Se por simples desejo de vingança, ou se por conta de seu espírito filantrópico de querer elevar as pessoas, não sabia.
    Mas, como sempre fui um homem que cumpria minhas promessas, lá estávamos nós, de frente para a clínica de depilação.
    - E lá vamos nós - Dom Pedro entrou na frente, saltitando como uma gazela dando seus primeiros passos.
    Sem escolhas, suspirei em desalento e o acompanhei. Popular por todos os cantos por onde andava, meu carrasco foi cumprimentando a todos, desde funcionários até alguns clientes. Chegou a recepção e anunciou.
    - Gabriela, queria, tenho uma hora marcada com Patrick.
    - Mas já? - surpreendeu-se - pensei que ainda haveria tempo até precisar de um retoque.
    - Não, não, não querida. Hoje estou aqui como fada madrinha apenas, transformando aquele gato borralheiro ali em um príncipe. Embora esteja mais para menino lobo, conhecendo os prazeres da civilização.
    Acenei sem jeito para a menina, que me olhou com aprovação e uma certa dose de pena.
    Não demoramos muito e logo uma figura tão esvoaçante quanto Pedro, mas muito mais tatuada, apareceu. Se cumprimentaram como dois colegiais e logo o tal Patrick veio até mim e avaliou de cima a baixo.
    - Pedro, Pedro. Você tinha me falado que trazia um garanhão, mas não imaginei que estivesse falando sério. Você que normalmente só vê o tamanho da salsicha sem se importar com o restante da embalagem, dessa vez escolheu bem.
    - Querido, o rótulo é o menos importante. Prefiro quando têm os instrumentos certos e sabem usar.
    Fiquei quieto vendo eles se referirem a mim como um artigo em promoção e olhei para a recepcionista com ar de socorro. Ela ria no balcão, mas veio em meu auxílio.
    - Patrick, lembrando que hoje você tem marcada a senhora Carmem, depois desse cliente
    - Ih, é mesmo. Vamos começar então - Patrick saltou e nos conduziu a sala. Antes de entrar, vi meu amigo cochichar algo com a recepcionista.
    - O que os dois estavam cochichando? - interroguei assim que chegou depois de mim.
    - Nada, Leão. Ela apenas disse que estava triste, pois te achou um gato, mas como estava comigo, achou não ter chance. Eu disse para ela ter esperança, pois você não é do tipo que nega carne de qualquer tipo
    E piscou, me deixando ainda mais sem graça.
    - Então, senhores - Patrick colocava as luvas. - será virilha cavada, não é mesmo?
    Eu apenas dei de ombros, pois não sabia nada daquelas nomenclaturas, mas Pedro acenou entusiasmado.
    - Ele precisa ficar aqui? - questionei, já incomodado com a alegria dele. Pelo visto, aquela aposta do aniversário de Valquíria estava mais cara que eu imaginava.
    - Normalmente não permito, mas Pedro é meu melhor cliente. Então como dizer não, não é mesmo?
    - Claro que vou estar aqui, Fábio. Quem mais para filmar?
    - Você não vai filmar - avisei.
    - Vou sim. Diego e David pediram. Eles querem saber se você vai chorar de dor ou vai aguentar. Não se preocupe, não vou por no Xvideos, não. Embora já tivesse até uma legenda. "Macho roludo faz sua primeira depilação"
    Difícil discutir com Dom Pedro quando ele estava tão animado. Sua voz estava tão fina que os cães no raio de 1 km deveriam estar sofrendo uma síncope.
    - Vamos, garotão. - Patrick cortou - Tira a roupa.
    Tirei a calça e deitei na maca.
    Os dois riram
    - Como você quer depilar o pau se está de cuecas, Fábio? - Pedro lacrimejava de tanto rir.
    - Pensei que fosse começar nas laterais - respondi com um muxoxo, sentindo o rosto queimar.
    - Não precisa tirar a blusa, mas eu até recomendo, pois você pode suar bastante no processo. - Patrick foi explicando enquanto aquecia a cera - Há menos que tenha vergonha de ficar nu na frente dos outros.
    Pedro gargalhou em deboche.
    - Esse aí? Ele não tem vergonha de nada.
    "Feitos um para o outro" pensei enquanto os via tão entrosados.
    Tirei a roupa e deitei. Nunca vi meu pau tão pequeno na vida. Só então entendi o quanto estava me cagando de medo daquele procedimento. Essa sensação era algo completamente novo. Não era de sentir medo, ainda mais de algo tão bobo. Sempre fui resistente a dor, então pra que tanto alarde?
    Patrick, profissional, pegou o talco e passou em toda a região.
    - Testa a temperatura da cera - e passou um pouco - tá quente demais?
    Neguei, sem vontade de falar nada
    Enquanto isso, Dom Pedro ligou a câmera do celular e filmou toda a sala como quem narra um grande jogo.
    - Queridos amigos do Onlyfans, estamos aqui hoje para registrar esse momento histórico onde nosso querido amigo, Fábio Mendes, o leão, para os íntimos, vai perder a virgindade com a cera quente. Dá um oizinho, Fábio.
    E apontou a câmera pra mim. Eu apenas rosnei.
    - Nosso leão está meio de mal humor. Mas também, quem manda apostar sem entender as consequências, não é mesmo? Mas voltando ao local. Aqui comigo está o magnífico, o melhor de todos, o rei da estética, Patrick. Que vai ter a honra de devastar essa mata imaculada.
    Eu, vendo que não tinha jeito, apenas aceitei o destino e rezei para acabar logo. Patrick estava certo e eu já estava suando.
    - Relaxa, Fábio - Patrick me acalmou enquanto passava uma quantidade generosa de cera - Seus pelos são bem finos, não vai doer tanto.
    Ele foi cutucando a ponta da cera para descolar uma parte boa o bastante para se agarrar. Apenas aquelas cutucadas foram bem doloridas ao meu ver, mas eu tentei não demonstrar.
    - E aí vamos nós - anunciou.
    E num segundo, era como se meus olhos tivessem submergido em um aquário límpido. A dor foi de zero a mil em um instante e depois caiu rapidamente. Deixando para trás apenas a lembrança e a queimação.
    Segurei o ar e não me atrevi a fechar os olhos, pois se o fizesse, as lágrimas escorreriam.
    - E então? - os dois entoaram em uníssono.
    - Está tudo bem - simulei a voz mais grossa que consegui
    - Esse é meu leão - Pedro enfocou bem meu rosto e eu tive vontade de arremessar aquele celular longe - Cai, mas cai com dignidade.
    - Vamos continuar - anunciou meu carrasco e então a sessão de tortura deu início.
    Cada puxão, sentia minha pele sendo arrancada. Meu corpo reagia com uma contorção e o impulso de esmurrar a cara de Patrick.
    - Pronto. A pior parte já foi. Agora vamos pro saco
    - Você está de sacanagem! - rebati - O saco vai, com certeza, ser pior.
    - Por incrível que pareça, não é verdade - corrigiu. - Você vai ver. Confia em mim.
    Eu não confiava de forma alguma, mas não tinha escolha. Mas o fato é que o medo era realmente prematuro. Lembro de ter me enrijecido todo esperando o pior, mas o puxão, comparado a região da púbis, não foi nada.
    - Viu só? - inquiriu - o resto agora vai ser tranquilo. O ânus então, você nem vai sentir.
    - Que papo é esse de ânus? - rosnei.
    - Ora - estranhou - virilha cavada inclui ânus também.
    Olhei para Dom Pedro que filmava tudo parecendo que se segurava para não urinar nas calças de tanto rir.
    - Não vejo necessidade. Ninguém vai visitar aí pra precisar de faxina.
    - Nossa, como você é antiquado - rebateu Patrick como quem ralha com uma criança birrenta - isso é higiene, meu amor. Não tem nada haver com decorar uma casa. Sua bunda nem é isso tudo, afinal
    Aquilo me atingiu como um soco na boca do estômago do meu ego
    - Hey. Não é assim também não. Ela pode não estar pra negócio, mas é bonita sim. - defendi a honra de minha bunda.
    Patrick, ao fim, deu de ombros e terminou toda a região da virilha e do saco
    - Pronto - anunciou, satisfeito - o que acha?
    Olhei e o vi todo vermelho e com algumas pontinhas de gota de sangue, onde o pelo virgem saiu com maior dificuldade.
    - Parece um frango depenado - dei meu veredicto
    - Palhaço. - sentenciou, Patrick. Virou para pegar mais cera - Você ainda vai amar. Fábio., querido, depilação é igual qualquer vício. Uma vez que experimenta os benefícios e aguenta o processo, não quer outra vida. E ainda... Nossa! - exclamou em surpresa quando voltou.
    O fato é que nem eu havia percebido, mas possivelmente o relaxar oriundo do fim da tensão e da dor fizeram meu pau, até então resignado, enfim aflorar em toda sua glória. Estava ereto como um mastro.
    - Lindo, não é? - comentou Dom Pedro, todo orgulhoso.
    Patrick o segurou como se estivesse querendo conferir se era real
    - Meu santo KY, como você aguenta? - então, parecendo despertar de um transe, Patrick balançou a cabeça para afastar os pensamentos impuros e golpeou a própria mão com um tapa - Profissionalismo, bicha. Profissionalismo.
    Não vou negar que fiquei satisfeito. Mesmo sem o menor clima para uma sacanagem, sempre gostei de ver meu amiguinho ali admirado pelo seu esplendor.
    - Agora vamos, vira de lado, perna de cima dobrada em posição fetal. E segura a nádega pra abrir bem a região, por favor
    - Puta que pariu - desabei - tem isso ainda.
    Disposto a acabar logo com aquilo, obedeci, tento meu rego totalmente desonrado. Apesar a sensação de violação, o fato é que não senti dor alguma. Após passarem aqueles minutos intermináveis, ele depilou as nádegas  e me deu um tapinha na bunda como um selo de qualidade.
    - Voilà - anunciou - olha só. Esse é ativo mesmo. Foi só mexer lá atrás e o pau logo murchou.
    Ele e Pedro riram , como duas almas gêmeas.
    Levantei e me vesti.
    - Pronto, Dom Pedro. Dívida paga.
    Sentindo como se tivessem lixado minha pele, paguei a consulta e saímos
    - Fábio. Por que não aproveitamos e cortamos o cabelo. - sugeriu - Eu to precisando.
    Depois de tudo o que passei, passar no cabeleireiro não seria nenhum sacrifício. Chegando lá, fui convencido a abandonar minhas longas madeixas para mudar o visual. Liderado pela tirania de Dom Pedro, o barbeiro ainda alinhou minha barba.
    - Ah Fábio, vamos aproveitar e comprar umas roupas - Sugeriu meu amigo, que já estava com aquela voz fina de excitação - Estou me sentindo Stanley Tucci em O Diabo Veste Prada.
    Não entendi uma única palavra do que ele disse, mas aceitei. Eu nunca fui de gastar dinheiro com aquelas coisas, mas a empolgação de Pedro estava me contagiando. Eu estava ganhando bem e minha poupança estava recheada de dinheiro, o qual eu não tinha nenhuma necessidade ou desejo a suprir. Então não haveria mal em fazer uma pequena extravagancia
    Fomos de loja em loja onde meu recém contratado e imposto Personal Style me orientou sobre combinações, estilo e outras coisas que sempre considerei insignificantes.
    Eu tinha a real impressão que Dom Pedro conhecia todos naquele shopping, da clientela ao pessoal das lojas e da manutenção.
    A vendedora, muito íntima de meu amigo, me guiou, fazendo aqueles elogios certeiros que induzem um bobo como eu a compras volumosas inflamadas pelo ego.
    Ao final, estava eu andando com muitas sacolas e vestindo uma das roupas que havia acabado de comprar, quando passei pelo espelho do shopping e levei um susto com o estranho que vi refletivo ali.
    Acabei imóvel, perplexo, tentado identificar onde eu estava naquela imagem refletida.
    - Devo dizer. Adoro seu jeito rústico. Mas não tem como negar que sou um gênio - Pedro falou atrás de mim, ajeitando a gola de minha camisa social.
    - Acho que fez um bom trabalho, sim - admiti, ainda sem jeito.
    Então, meu amigo soltou um suspiro e, de repente, assumiu um ar nostálgico..
    - Fico feliz em saber que vou deixar minha marca em você, de um jeito ou de outro.
    - Por acaso estamos nos despedindo? - me virei para ele e percebi que tinha os olhos vermelhos.
    - Ora. Para de ser bobo. Não agora, mas é óbvio que em breve. Você defende seu TCC mês que vem e pega o diploma. E já tem essa proposta de emprego maravilhosa te aguardando.
    - Mas eu não me decidi ainda - tentei contornar e ele me olhou como se eu fosse algum idiota. Pedro me conhecia melhor que ninguém naquela cidade e já tinha se dado conta, antes mesmo de mim, de pra onde meu coração queria me levar. Mas não falou nada.
    Apenas me olhou de novo, admirando a transformação completa, e suspirou.
    Eu então não resisti ao impulso de o abraçar. Ambos nos surpreendemos com aquele gesto e ficamos ali, imóveis um tempo até ele me empurrar e secar os olhos
    - Vamos embora, pois eu juro por Deus que se você me fizer chorar em público eu vou te odiar até você ficar velho e seu pau cair
    E saiu quase correndo do shopping. Eu sorri cansado e caminhei atrás dele .
    Meu novo visual foi recebido com espanto em todos os lugares e por todas as pessoas com quem cruzei. Meu vizinho Ivan, inclusive, perdeu um pouco da linha e ficou me encarando no elevador, esquecendo que o marido estava do lado. Mas mesmo o outro não percebeu, pois parecia igualmente surpreso.
    Ao chegar no trabalho, segui direto para falar com Augusto. E ao passar por Vera, esta levantou da cadeira para me olhar direito.
    - E aí, o que acha? - perguntei, dando uma voltinha pra ela.
    - Você está... - procurou as palavras, ainda pasma - Deslumbrante.
    Agradeci e quando me virei, encontrei Augusto na porta da sala dele que comentou:
    - Quem é o playboy? E o que ele fez com meu garoto de vendas?
    - Garanto que a qualidade continua a mesma, sr. Augusto. Só a roupagem que mudou
    Ele riu e me chamou para entrar
    Lá dentro, contei enfim para ele da proposta que recebi, onde meu patrão ouviu com calma, sem expressar reações.
    - Eu ainda não me decidi - completei, percebendo como estava cada dia mais difícil me convencer daquilo.
    - Claro que se decidiu, garoto. Não vou negar que a notícia não me agrada. Mas sei também que é um aventureiro e essa oportunidade é difícil de eu cobrir - avaliou, sorrindo cansado - você seria um idiota se não aceitasse e se tem uma coisa que eu odeio no mundo são os idiotas - suspirou - Eh. Conhecendo você, vai se dar muito bem onde quer que esteja. Mas, na remota possibilidade de  você não se encaixar, ou caso perceba que sua vocação real está no ramo automobilístico, saiba que sempre terá um lugar para onde voltar.
    Eu apenas afirmei com a cabeça, sem coragem de dizer nada.
    Augusto levantou, deu a volta na mesa e me mandou levantar. Então, me deu um abraço de quebrar as costelas.
    - Boa sorte, garoto
    Eu retribui, ainda em silêncio.
    Dois meses depois, eu tinha pego meu diploma de arquitetura e estava assinando meus papéis de demissão. Eu e Augusto, como dois homens machistas, não nos atrevemos a chorar. Por sorte, tínhamos Vera que, muito melhor resolvida, chorou pelos três. Como presente de despedida e recompensa por meu desempenho, onde atingi o primeiro lugar do ano, ganhei as chaves de meu primeiro carro, o qual guardo até hoje.
  • Diários de caça - Capítulo 18 – Pescaria

    Os meses que se seguiram em meus primeiros trabalhos como arquiteto foram intensos. Veneza não tinha falado em vão quando avisou que eu não pararia quieto. Eu basicamente não tinha residência fixa. Éramos eu e minha mala contra o mundo. Além de viajar para conhecer a rede de hotéis, ainda haviam uma série de cursos de especialização que ela queria que eu fizesse antes de assumir um verdadeiro projeto. Até então, eu servia de suporte onde precisasse.
    - Minha ideia em médio prazo é revolucionar toda a ambientação dos meus hotéis - ela dizia - e pra isso estou criando um grupo do zero, recém formados como você, com sangue nos olhos, que possam nos dar algo nunca antes visto. Em breve conhecerá o restante da equipe, que está toda sendo montada. Até lá, aprenda o máximo que conseguir. Foco em design de interiores. A prova de fogo está chegando.
    E finalizou essa expiação com um brinde, que demos no avião que nos levava para onde eu nem sabia mais.
    Como acontecia sempre que estava em um lugar novo, eu ficava logo excitado. Queria conhecer tudo. Os lugares, as pessoas.
    Mas como minha agenda era sempre apertada, eu tinha duas escolhas: ou me frustrar e sair do lugar sem ver nada, ou retirar algumas horas de sono e aproveitar ao máximo. A segunda era sempre a única opção aceitável
    O fato é que, nesse contexto, transar se tornava algo muito difícil. Pelo menos na maneira em que eu convencionalmente gostava. A caça estratégia, estudar, cercar e abater a presa se tornavam estágios impossíveis de se seguir com meus prazos curtos. Quando eu pensava em preparar uma boa refeição, o tempo me chamava e eu saía de estômago vazio.
    Foi então que eu fiquei sabendo de uma prática muito comum nos centros urbanos, que talvez atendesse minha atual necessidade: o cruising. Nada mais era do que um sexo rápido e ocasional que ocorria em praticamente qualquer lugar públicos, longe das vistas. Confesso que a ideia do perigo envolvendo tal prática, a medida que poderia ser pego no flagra por alguma autoridade, encheu-me de tesão e eu quis testar. Fora que isso era o que talvez mais se pudesse aproximar de uma real caça naqueles lugares. Escolher a dedo e investir. Mas a coisa não era bem assim.
    Digo isso pois em minha primeira experiência, quando fiquei hospedado em São Paulo, foi em um parque público. Pelo que eu tinha lido em relatos na internet, a partir das 22h o lugar ficava quase deserto e dentre as matas a coisa fervia. Só de pensar em fuder um cuzinho dentro da mata, tal como fazia com os garotos de minha cidade, me acendeu o fogo e bastou dar a hora para que eu saísse para um passeio noturno, rumo ao desconhecido.
    Cheguei lá e saí da trilha de terra por onde as pessoas de manhã faziam caminhada e adentrei a parte da vegetação .
    Apesar de nunca ter estado lá, meu senso de direção me garantiriam achar o caminho de volta e meu faro natural aguçado pela falta de sexo me guiariam para onde eu queria ir. Afinal, um caçador sabe onde a presa se esconde. E não foi difícil eu deduzir aonde os garotos atrás de uma transa casual escolheriam.
    Eureca, eu havia ouvido os primeiro gemidos.
    Andei um pouco e vi a cena inicial. Um garoto novo, bonito, estava apoiado com as mãos em uma árvore, calça arriada até os pés e blusa levantada e presa atrás do pescoço. Empinava a bunda pra trás e se servia para os homens em sua volta.
    Atrás dele, fodendo com vontade, estava um senhor que tinha idade para ser seu avô, completamente vestido com um terno, tendo apenas posto o pau pra fora para executar o serviço.
    Como era novo ali, resolvi apenas observar de começo, e entender como funcionavam os hábitos dos nativos. E fiquei de fora com outros caras que só observavam. Alguns se masturbavam.
    Vi quando o velho terminou e foi um outro cara, mais novo e forte, vestia o uniforme da companhia de lixo local. Este não se acanhou e abriu logo o macacão e o deixou cair pelo corpo, preso apenas pelas pernas, mostrando-se nu e nos oferecendo uma visão bem interessante de seus músculos e suas tatuagens. A luz era pouca, mas o lugar era uma clareira que recebia estrategicamente a luminosidade de um poste. Na verdade, esse foi o princípio que utilizei para deduzir qual seria o local de reunião para aquele tipo de prática.
    Ainda me senti descolado naquele ambiente, mas tentei mimetizar a ele. Então, pus meu órgão pra fora, que ainda estava levemente enrijecido, e me juntei a alguns que se masturbavam olhando a cena
    Meu pau, como de costume, chamou algumas atenções. Mesmo não estando em sua melhor forma.
    - Vai lá - um sujeito vestido com roupas de academia me indicou o garoto que era servido no banquete. - come ele.
    Achei aquele pedido esquisito. O gari urrou, demonstrando a toda a plateia que tinha leitado o garoto. Parecia ser alguém acostumado a entreter o público. Deixou o lugar vago, mas eu hesitei. Meu colega do lado insistindo.
    - Vai. Fode aquele rabo.
    Minha hesitação me fez perder a vaga e outro homem assumiu a foda. Algo que não posso dizer que lamentei.
    Foi então que chegou outro garoto. Vestia calças jeans, camisa branca e usava uma mochila. Parecia ter acabado de sair da faculdade, talvez até tenha matado aula para estar ali.
    Ele deixou a mochila de lato e tirou a blusa, olhou para as pessoas e escolheu a mim, vindo parar na minha frente e, ajoelhando, tomou meu pau de minha mão e começou a chupar. Não fiz resistência, porém ainda não estava animado. O homem ao meu lado olhou satisfeito. Realmente estava muito interessado em me ver participar do show.
    Olhava em volta e agora as atenções estavam divididas entre mim e o show inicial. O garoto da árvore parecia estar recebendo seu quarto cara desde a hora que cheguei ali.
    - Come o cu dele - o cara ao meu lado sussurrou.
    Mas eu não estava ainda conectado. Não sabia o que era. Nunca fui puritano e medo de local público nunca foi um problema. Tenho Breno que não me deixa mentir. Mas ali a coisa não estava funcionando.
    O jovem que me chupava escutou e levantou. Arriou a calça e já foi virando a bunda. Sem esperar qualquer reação minha, meteu a mão para pegar meu órgão e o introduzir.
    - Não, deixa - o interrompi antes de terminar e fui o colocando novamente dentro das calças. Apesar de decepcionados, não insistiram. A oferta ali era grande demais para perderem tempo insistindo em um pau.
    Ele logo foi em outro que o comeu de bom grado.
    Foi então que eu percebi o problema ali: era fácil demais. Não havia desafio, não havia caça.
    Tal epifania me remeteu a tempos passados. Lembro que quando pescava com meu pai e ele me explicava porque detestava usar rede para pegar peixe.
    - Poderíamos sim, colocar uma rede aqui e esperar. Em minutos, levados pela correnteza, pegaríamos vários. Mas qual seria a graça? Qualquer idiota consegue, o animal nem teria como fugir. Seria algo para covardes e para molengas. Daqueles que querem tudo de mão beijada.
    Meu pai preferia a boa e velha vara de pescar. Isso porque, segundo ele, exigia uma série de qualidades e transformavam o peixe em uma real recompensa,. Fruto de trabalho.
    - Pescar exige paciência e estratégia. A maioria acha que é só puxar. Não, você tem que trabalhar sua força com a força do peixe. Se não puxar, ele acha um jeito de soltar a boca, se puxar demais o fio arrebenta. O que travamos aqui é um duelo e isso sim faz a carne ser mais saborosa. Porque foi conquistada
    Aquele lugar era como uma grande rede. Bastava eu por o pau pra fora que conseguiria uma boca e um cu sem esforços. Os peixes praticamente saltavam pra dentro e eu não precisaria fazer nada. E isso não tinha graça.
    Quando criança, eu me perguntava porque as pessoas diziam que se fingir de morto ajudava a escapar de alguns predadores. Se a intenção deles era comer, melhor se a carne não corresse para fugir. Era o que pensava.
    Mas hoje eu sei que a caça, mais do que um meio para se alimentar, é um estilo de vida. Algo que não é só um meio, mas um fim em si. Que tem seu próprio prazer intrínseco. Tirar a caça do predador é o mesmo que lhe tirar o sabor da comida. A coisa perde o sentido.
    Voltei para meu hotel naquela noite feliz de ter ficado no zero a zero. Odiaria transar e me arrepender depois. Preferia mil vezes me aliviar sozinho à participar.
    O evento do parque me desanimou a tentar de novo. Enfoquei em meu trabalho que me dava muito mais prazer. A energia extra que eu tinha acumulada devido a falta de sexo me fez me destacar aos olhos de Veneza.
    - Você tem sangue nos olhos - ela um dia comentou, parabenizando meu progresso - qual seu segredo?
    - Estou com muita energia acumulada - informei.
    - Acho ótimo. Mas tente relaxar também. Ainda temos tempo até iniciarmos o projeto real e ainda temos outros membros para deixar em sintonia.
    Falar era fácil, mas só tinha uma coisa que poderia me relaxar naquele momento e as oportunidades não surgiam. Isso, até aquela noite, dois dias antes de eu sair da cidade rumo a outra filial do hotel.
    Eu tinha saído especialmente tarde naquele dia. Peguei o metrô para meu hotel e tive o privilégio de ter um vagão só para mim. Isso até entrar um rapaz que me chamou atenção. Era mais baixo que eu, tronco forte, envelopado em uma camisa preta simples. Seus braços musculosos despontavam e suas pernas estavam bem desenhadas dentro do jeans apertado. Tinha traços orientais, cabelos muito lisos, rosto arredondado e olhos estreitos.
    Acredito que a falta de sexo tenha me deixado imprudente, mas assim que ele entrou no vagão eu fixei o olhar nele e não consegui tirar, seguindo-o até ele se sentar na minha frente.
    Tinha de admitir que o garoto era muito atraente e o ar exótico o favorecia. Nunca tinha experimentado alguém assim e o apetite logo aflorou.
    Rapidamente ele percebeu que estava sendo observado e eu não fiz nada para esconder. Desviou rapidamente o olhar, mexendo no celular, para logo então tirar a atenção do aparelho vez ou outra e conferir se eu ainda o observava.
    Normalmente gosto de uma tática mais sutil, mas a atual conjuntura me fizera passar de um caçador astuto para um animal feroz, daquele que intimida a presa. Eu era como uma raposa faminta, encurralando e salivando diante do coelho.
    Ele me olhou novamente, sem saber como reagir ao assédio. Peguei em meu volume, ajeitando-o. Percebi quando desceu o olhar um instante, até tentar se recompor e voltar ao telefone. Sorri. Ele havia mordido a isca. Só não tinha coragem para assumir.
    Brinquei com ele durante o trajeto. Encarando-o sem pudores, sorrindo presunçoso e o deixando constrangido. Meu oriental não conseguia mais enfocar a atenção no celular. Toda hora olhando para o cara do outro lado do corredor que o encarava como se fosse um pedaço de carne.
    Resolvi então "pescar". Abrindo meu zíper, pus a vara para fora e balancei, sacudindo a isca. Ele se alarmou, olhando para os lados, nervoso. Mas só tínhamos nos dois. Fitou novamente meu pau ereto e desta vez não conseguiu desviar tão facilmente, hipnotizado.
    Respirou fundo e então me olhou assustado quando percebeu que o metrô estava parando na próxima estação. Continuei como estava, órgão a mostra. Coração acelerado pela adrenalina. Alguém poderia entrar e me ver assim, mas eu queria arriscar. Segurei minha posição até o limite, vendo o garoto lutar para não sair correndo, mas preso pelo desejo irresistível que minha isca causava. O metrô parou e ninguém entrou. Somente um casal dois vagões a frente, que pela distância não notaram o que acontecia e sentaram em um banco de costas para nós
    A adrenalina da aventura acelerou meus batimentos. Balancei mais uma vez meu órgão, como quem manuseia a vara de pescar, para atrair meu peixe.
    O garoto não era mais capaz de desviar a atenção. Coçava a nuca, avaliando os riscos e recompensas. Até não ser mais capaz de se conter.
    Num salto, pôs-se de pé, venceu com dois passos a distância que nos separava e caiu de joelhos diante de mim, abocanhando o anzol com voracidade.
    Instantaneamente experimentei os prazeres daquele singelo toque de seus lábios. Infinitamente maior que o que me foi proporcionado no parque. E sabia que tal diferença não se devia ao sujeito ou sua técnica, já que ambos eram igualmente belos e bons no sexo oral. Mas o que potencializava o prazer era poder experimentar o fruto de uma conquista. A recompensa de um trabalho bem realizado.
    Passei a mão em sua testa, para tirar os cabelos e ver seu rosto enquanto me chupava. Em um momento, ele parou para respirar e olhar para os lados, e acabou ganhando suas porradas com meu pau duro em seu rosto.
    - Continua. Deixa que eu cuido do restante.
    O garoto apenas sorriu e voltou a chupar com vontade, olhando para meu rosto como quem quer sinais de um trabalho bem feito.
    Chegando a terceira estação após o início, vejo  uma mulher próxima de nosso vagão ao lado de fora. Cutuco seu ombro e ele entendeu de cara, se levantando e sentando ao meu lado.
    Na impossibilidade de colocar dentro da calça, eu apenas joguei a blusa por cima e posicionei os braços em cruz, de forma a ocultar o volume.
    A mulher veio em nossa direção e o rapaz ao meu lado enrijeceu.
    - Boa noite - veio, educada - sabe se é essa linha que eu pego pra chegar a estação "Saúde"?
    Eu me adiantei e respondi:
    - Desculpe. Somos turistas. Talvez o casal ali saiba.
    Ela agradeceu e foi ao vagão da frente perguntar. Estávamos sós novamente. Esperei a mulher tirar a informação e se sentar no banco atrás do casal, ficando também de costas para nós.
    - Tira a calça, anda. - mandei
    - Mas...
    - Agora.
    Ele abriu a calça e arriou, eu o fiz sentar em meu colo, penetrando de uma vez. Ele soltou um silvo, mas logo relaxou, rebolando a bunda.
    - Vai, quica - ordenei, segurando sua bunda - Rápido.
    Ele obedeceu, subindo e descendo veloz, enquanto se masturbava, olhando a toda hora pra frente e verificando se o os demais passageiros ainda se encontravam alheios a tudo.
    - Isso. Assim. Vai. Vou gozar.
    Senti o espasmo chegar e segurei bem a sua cintura, ejaculando em seu interior.
    Ele ia sair, quando o segurei.
    - Continua - mandei
    - Mas eu vou gozar assim - protestou.
    - Ótimo - e agarrei sua mão que segurava o pau e o ajudei na tarefa.
    Não demorou e logo ouvi seu gemido contido e nossas mãos estavam todas babadas com o sêmen.
    - E agora - mostrou a mão suja enquanto levantava e tentava por as calças com a limpa.
    Peguei sua mão e, olhando pra ele, comecei a lamber. Como um gato dando banho em outro.
    De inicio, senti que havia repulsa em seu olhar, mas logo a cena começou a lhe parecer estranhamente atraente e fez o mesmo com a minha mão.
    - Pronto. Resolvido - finalizei e ele riu - a propósito. Prazer, Fábio.
    O garoto riu e apertou a minha mão recém limpa com a dele.
    - Jacob. Você é da onde?
    - Sinceramente. Nem sei mais. Tenho viajado tanto. Estou hospedado no Real. A duas estações.
    - E fica por aqui mais quanto tempo?
    - Infelizmente, só até segunda. Se tivéssemos mais tempo, poderíamos aproveitar.
    - Bem, eu to com tempo agora - ofereceu e eu sorri para ele
    Descemos e eu o levei até meu hotel, onde entramos direto, ele se fazendo passar por hóspede.
    Chegamos lá e eu me entreguei ao meu ritual favorito. Retirar com calma cada peça de roupa de minha presa. Como o ato de cozinhar exige retirar antes toda as penas, pelos escamas, o sexo também. E eu me dedicava de corpo e alma a tarefa
    Só quando o tive completamente nu e deitado em minha cama, que me permiti admirar àquela obra de arte, degustando a sensação de poder, de ter a caça exposta, vulnerável, olhando-me enquanto esperava o bote, sabendo que não havia outro destino a sua frente que não fosse o iminente abate.


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  • Diários de caça - Capítulo 19 – Superpredador

    Nada torna um homem presa tão fácil e suculenta quanto a completa ignorância a respeito das potencialidades de seu prazer. Aquelas que se fecham em suas certezas e convicções de tal modo que acreditam serem incorruptíveis são as mais vulneráveis quando incentivadas da maneira certa por um caçador experiente como eu.
    As pessoas bem resolvidas com seus desejos sempre sabem no que estão se metendo. Sentem o cheiro da artimanha e da sedução de longe  Detectam quando estão sendo farejadas por um predador e sabem desenvolver o jogo num ponto que lhes convém, seja para se entregar ou escapar.
    Agora a presa distraída, aquela que se engana em seu status de segurança. Crê tão piamente na invencibilidade de sua orientação sexual que não percebe quando cai em uma armadilha, quando o jogo se desenvolve bem debaixo de seu nariz e ela é levada ao abate sem resistência. Ah... Essa é a mais fácil e deliciosa de todas as presas. A que se julga um superpredador.
    Vamos ter por exemplo a águia. Ela é soberana em em seu território, não possui predador natural. Esta assim habituada ao ataque, mas não aos mecanismo de defesa. Isso a torna despreparada para uma ameaça. Assim como a águia não acredita que algum animal irá ter a audácia de lhe enfrentar, o homem hétero convicto também não acredita que alguém o convencerá a sentir atração por outro homem. É exatamente ai que mora a fragilidade destes seres.
    Voltando ao caso da águia. Digamos, a titulo de exemplo, que inserimos um novo predador em seu habitat. Na falta de exemplo prático, vamos trazer de volta do reino dos extintos o pterodátilo. Se este fosse inserido no atual contexto, no mesmo ambiente da águia, muito provavelmente esta seria extinta muitos antes das criaturas abaixo dela na cadeia alimentar.
    Isso porque, diferente destas, a águia não possui por hábito preocupar-se com a retaguarda. Pois ela se vê como imbatível. Assim é o homem hétero convicto.
    Trago aqui um exemplo que ocorreu comigo, quando fiquei uma longa temporada em Minas Gerais, iniciando enfim o projeto ao qual estudei tanto tempo. Apesar de naquela altura da vida ainda viajar muito, já conseguia ficar pelo menos mais que alguns dias em um mesmo lugar. No geral, ainda era um nômade. Alugava normalmente apartamentos mobiliados com corretoras especializadas em alugueis sazonais. Ficando em um mesmo lugar pelo menos entre dois a seis meses. Esse, pelo menos era um tempo ideal onde conseguia praticar meu estilo de caça favorito. Em que eu escolhia com calma minha presa e preparava o terreno para o bote.
    Minha vitima foi um colega de academia. Francisco, ou Frank. Ele, como todo o macho heterossexual, tende a se sentir atraído por seus iguais. Eu, mesmo gay assumido àquela altura, sempre fui muito másculo, passando facilmente despercebido e mimetizando aos ambientes dos homens héteros.
    E como bom entendedor desse nicho, sabia que bastava um sinal de virilidade para, inconscientemente, fazer outro homem se sentir atraído.
    Ao cruzar comigo na academia, pergunto a Frank se ele se importaria de revezar o aparelho que usava comigo. Na mesma hora em que iniciei o exercício este ficou impressionado com o peso que levantei e se ofereceu pra me ajudar nas primeiras repetições. Dali, foi fácil começarmos a bater um papo e, trocando trivialidades em menos de uma semana, já havíamos nos tronado próximos e bastava meu novo amigo me ver para me cumprimentar e partilhar comigo daqueles momentos regrados de testosterona.
    Frank era um cara bonito, mais baixo que eu, forte, pernas bem torneadas. Malhava sempre com uma calça leg que marcava as coxas e a bunda. Mas o que mais me chama atenção eram seus olhos: muitos azuis e que caiam bem em seu rosto jovem com aquele cavanhaque ralo e cabelos bagunçados.
    Aquela amizade relâmpago que os homens possuem facilidade de construir abriu logo uma brecha para eu começar a investir. Frank era um cara bonito e sabia disso, mas gostava ainda assim quando tocavam no assunto. Um elogio ocasional e ele logo se estufava, orgulhoso e falsamente modesto.
    - Queria eu ter pernas assim - comentei um dia,  quando o vi fazer Stiff, sentado no banco ao lado e vendo aquela bunda jogada pra traz enquanto descia e erguia a barra pesada.
    Frank riu e olhou as minhas
    - As suas estão legais.
    - Fala sério. São dois gravetos - zombei e peguei na coxa dele. - a sua dá três da minha.
    Naquele dia, aquilo havia sido apenas um teste, pois eu queria ver sua reação a um toque ocasional. Não fez nenhum sinal de resistência. Era um bom sinal, pois indicava que Frank não se sentia ameaçado por mim. Excelente.
    Em uma tarde, após o treino, o surpreendi tirando fotos no espelho, fazendo poses com o braço enrijecido.
    - Aproveitando a hipertrofia? - brinquei, pegando-o no flagra
    Frank sorriu amarelo e concordou.
    - Aham. Não posso esperar, porque até em casa murcha - lembrou.
    - Verdade. Vou pegar carona, então - e tirei a camisa e posei ao seu lado.
    Frank, que até então estava vestido, seguiu a onda e ficou se despiu da blusa comigo. Batemos algumas fotos, fazendo pose e zoando.
    - Quem diria, você tem uma gordurinha aqui - zombei e peguei em uma parte da barriga onde deveria ter os únicos 5% de gordura de todo seu corpo.
    Ele riu e deu um tapa na minha mão.
    - Sentiu cócegas? - brinquei
    - Um pouco
    - Ah, caô - e fiz mais, apertando sua carne e fazendo ele fugir.
    - Para, porra - e tentou se vingar, fazendo em mim também.
    - Pode fazer. Eu não sinto - me gabei.
    Ele , desafiado, tentou em um, dois, três locais diferentes de meu corpo e nada. Eu fiz apenas sinal de negativo com a cabeça, menosprezando suas investidas.
    - Pobre Frank - e fiz cócegas nele de novo - só tem um lugar de meu corpo que sinto cócegas e é na virilha. E sei que você não vai ter coragem de meter a mão.
    A isca foi jogada. Bastaram mais duas cócegas nele para ver seu olhar faiscar e, na tentativa de pelo menos sair por cima uma vez, ele tentou meter a mão no meu short.
    - Opa. Me respeita - avisei, dando um passo para trás.
    Meu recuo lhe encheu de coragem, como eu imaginei que faria. Tentou de novo, e de novo.  Na terceira eu deixei ele pegar.
    - Para, para - forcei o riso. A verdade era que eu não sentia cócegas em parte alguma, mas fingir sentir daria a ele o incentivo. Ele meteu a mão por dentro do meu short, pela entrada da perna e começou a fazer cócegas. Eu segurei seus braços, como quem tenta impedir, rindo e mandando ele largar.
    Então, num empurrão, lancei ele pra longe e escorei na parede, recuperando o fôlego.
    Frank, muito satisfeito, ria de mim.
    - Isso foi sacanagem - acusei, fingindo me recuperar.
    Nesse instante, entrou um aluno no banheiro, olhou para nós dois e foi urinar. Continuamos onde estávamos, até ele sair.
    Ainda olhou para trás. E como minha teoria já provava, diferente do alheio Frank, o garoto em questão já tinha sacado de cara que algo estava rolando ali. Mas como não demos corda, ele se foi. Gravei bem o rosto dele para investir em outro dia. Afinal, valia a pena pela rápida olhada que dei.
    - Acho que se apaixonou por você - comentei
    - O que? - Frank, levou um susto. - Tá louco - e riu. - Ele ficou foi te encarando.
    - Desculpa, amigão. Mas você o encantou.
    Rimos mais e eu fui tirando a roupa.
    - Deixa eu tomar logo banho antes que murche mais. - falei enquanto me despia.
    Frank, como todo homem, olhou-me de cima a baixo, avaliando quando achou que eu não estava vendo
    Homens são assim. Diferente das mulheres, que não tem vergonha de assumir que notam e julgam o corpo de outra, os caras não resistem a olhar, mas vão jurar até a última gota de sangue que não o fazem.
    - O que tem haver? - ele resolveu perguntar, após perceber que já estava me fitando tempo demais para parecer acidental.
    - Água gelada ajuda no desenvolvimento muscular. Mas tem que ser logo após o treino.
    - Sério?
    - Aham. Li esses dias.
    Se era verdade ou não, não sabia. Mas eu tinha lido de fato em um blog uma vez e aquilo ajudava na minha retórica, então eu usava. Sempre gostei de tomar banho nas academias por onde passo. Sou vaidoso e gosto de ter meu corpo admirado. Ainda mais por aqueles que lutam com todas as forças para não o fazer. Com esse argumento, ao menos, eu tinha uma desculpa e, quem sabe, descolar um lanchinho ocasional.
    - Não sabia - admitiu - Eu moro perto, então nunca tomei banho aqui
    - Eu também, mas como disse: tem que ser logo após o treino. Como você mesmo observou: até em casa, murcha - e ri.
    Frank riu de bom gosto. Eu já estava me molhando. Aquela academia era boa, pois os chuveiros não eram divididos, formando um corredor longo e livre, onde você podia olhar sem barreiras para qualquer um ali.
    - É verdade - e continuou ali, parado
    - Quer jogar uma água? - ofereci.
    - Não trouxe toalha.
    - Usa a minha, oras.
    Vencido pela vontade, acabou tirando a roupa e se juntando a mim, ficando com o chuveiro do lado. Uma ducha rápida, onde trocamos meia dúzia de conversa fiada
    Saí primeiro e me sequei. Ele foi tirando o excesso de águas com as mãos enquanto aguardava. Quando lhe passei a toalha, aproveitei para dar mais uma admirada em suas definições. Um dos corpos mais bem construídos que eu vi. Se lembro bem, Francisco trabalhava como modelo fotográfico. Acho que ele tinha me contado isso uma vez.
    Foi então que tive uma ideia.
    Mexi em minha bolsa e peguei o celular.
    - Cara. Posso te pedir um favor? Na camaradagem? Tira uma foto minha?
    - Como? Assim? - terminou de se secar.
    - Aham. Peladão. To com um contatinho pra hoje e quero ver se consigo adiantar logo a decisão dela com uns nudes novos.
    - Ah tah - ele abriu logo um sorriso malicioso, cúmplice de meu plano ardiloso.
    Pegou a câmera e eu posei pra ele.
    Tirou umas três fotos, enquadrando bem.
    - Vê se ficou legal - estendeu a câmera.
    Eu olhei e gostei do resultado.
    - Boa. Só mais umas, ok? Deixa eu só me ajeitar.
    E comecei a mexer no pau para deixar encorpado. Como sempre acontecia e eu adorava, ele se surpreendeu com o volume que eu ostentei.
    - Pode - anunciei e ele bateu algumas e me mostrou
    - Foda, valeu. Quer que eu tire sua?
    Frank pensou um pouco, então deu de ombros. Bati umas boas dele.
    - De costas agora - mandei.
    - Pra que?
    - Ora, mulher curte bunda de homem também, sabia não? - e ri de sua ingenuidade.
    Ele então aceitou a lógica e virou.
    - Quer que eu tire sua, também? De verso - riu.
    - Não. A minha é feia. A sua é bonitinha. Lisinha, parece até de mulher.
    Ele então pegou a toalha e me bateu com ela, na farra. Rimos bastante e segurei ele e o imobilizei quando veio pra cima de mim. Aproveitei para dar uma boa roçada em sua bunda enquanto o mantinha garrado no mata leão.
    Ele bateu no meu braço, se rendendo.
    - Mas conta ai? Gostosa? - quis saber. Reparei que seu pau já estava meio inchado. Corpo é corpo, não adiantava. Contato físico sempre vai animar os órgãos reprodutores, apesar das orientações sexuais que a pessoa tenha ou acredite ter.
    O bom dos héteros convictos é que eles não dão atenção a esses sinais. Tornando-se presas fáceis, como gazelas bebendo água no rio. Colocando-se em posição tão vulnerável e ignorando os leões a espreita.
    - Muito - respondi.
    Peguei então as fotos que um contatinho antigo meu tinha mandado. Uma menina que fodi em outra cidade. Mesmo com a distância geográfica, não mostrei as fotos que ela havia me mandado com rosto, pois nunca fui a favor de expor ninguém.
    - Essa aqui.
    - Caralho - e pegou o celular para ver melhor - de onde?
    - Perto do meu trabalho - menti
    - Caramba - e olhou mais. Eu percebi seu pau ficando duro e o meu também estava.
    Estávamos bem próximos um do outro, eretos, exalando feromônios. Situação em que só a confiança de não ser uma ameaça imediata pode proporcionar.
    Que vontade enorme de abocanhar aquela presa tão próxima. Continuei ao seu lado, sentindo seu calor, enquanto ele se mantinha entretido com as fotos que lhe mostrei
    - Se tudo der certo, fodo hoje a noite - falei baixinho
    - Delicia. - comentou, perdido ainda. Sem perceber que, naquele momento, eu não falava da garota.
    Seria pleno finalizar ele ali, mas as chances de alguém atrapalhar eram grandes demais. Não valia o esforço pra uma brincadeira tão rápida. Eu tinha um plano e esperava dar certo. Ele estava no ponto, isso era um fato. Esperava conseguir deixar ele assim mais tarde
    Acabou que nos vestimos e saímos, despedindo na porta da academia.
    De noite, estava eu só em meu apartamento e, como esperava, recebo a mensagem de Frank.
    - E ai? Já meteu? Kkkkkk
    Sorri e esperei um pouco antes de responder.
    - Porra nenhuma. Me deu um bolo
    - Ta de sacanagem? Que vacilo.
    - Nem fala.
    - Fazendo o que então? Batendo punheta? Rs.
    - Jogando vídeo game - informei.
    - Que merda
    - E você, qual a boa?
    - Nada. Maior saco.
    Cheguei a salivar. Estava tudo seguindo conforme o plano.
    - Chega aí então. Bora jogar. Nada melhor pra fazer nessa merda mesmo.
    Ele esperou um pouco para responder e eu esperei ansioso.
    - Blz - respondeu por fim - levo umas cervejas.
    - Show.
    Na casa onde estive por aquela temporada, encontrei entre os itens do dono o que seria meu desejo de consumo assim que tivesse uma casa minha. Era um console de vídeo game, com bancada e comandos que simulavam um fliperama. Quando o achei, fiquei bobo igual criança. Instalei a máquina na televisão e fiquei horas madrugada adentro brincando em todos os jogos antigos que o emulador disponibilizava.
    Naquela noite em especial, meu brinquedinho me serviria de mais um jeito.
    Recebi Frank usando apenas uma samba canção, aproveitando da noite quente que fazia. O recebi e já abrimos a primeira cerveja e eu servi alguns petiscos que tinha em casa
    Ele ficou maravilhado com a máquina e logo foi testar no "Cadilacs e Dinossauros"
    - Que bagulho foda - vibrou como um garoto
    Logo me juntei a ele e jogamos juntos o modo aventura. Zoando e nos divertindo como adolescentes.
    - Pega logo a comida, seu boneco está quase morrendo - alertei
    - To tentando, to tentando. Merda, morri.
    - Ainda bem que esse negócio tem fichas infinitas, tu é muito ruim - zombei e ele me deu um soco no braço, rindo a vontade.
    Já estávamos na nossa quarta cerveja, jogando por quase uma hora.
    - Vem cá. Deixa o mestre aqui te ensinar
    Então, me coloquei atrás dele e o abracei, mostrando os comandos
    - Que porra é essa? - estranhou, mas achando graça.
    - Relaxa, colega. Só te mostrando. Se liga se sentir uma cutucada atrás não. Sabe como é. Meu contato furou e eu fiquei na mão
    E dei umas duas rocadas de propósito na bunda dele, fazendo ele pular e fugir
    - Vacilão - e começou a me dar socos, que eu defendi.
    Frank ria de forma boba, completamente inocente as minhas malícias. Achando que tudo não passava de farra.
    Eu o agarrei e o joguei em cima do sofá. Caindo em cima dele e prendendo seus braços.
    - Viu só? Acha que pode comigo, mané. Leva tapa na cara pra parar de ser besta
    E dei dois tapas na cara dele e saí correndo, sendo perseguido.
    - Ai caralho, fiquei tonto - anunciei quando parei. Ele me alcançou e me deu um chute nas nádegas.
    Não revidei, reparando que um leve volume aparecia em sua bermuda.
    - Chega, chega. Amigos. - ofereci a trégua e o abracei. Ele correspondeu.
    Seu cabelo era muito cheiroso.
    Ficamos naquele abraço mais tempo que o necessário e Frank finalmente começou a perceber que algo não estava de acordo com suas expectativas.
    - Pois é - e se afastou. Eu deixei, tinha que dar o espaço para ele não se assustar e fugir - mais uma cerveja? - ofereceu.
    - Bora
    Tomamos mais uma, desta vez sem jogar. Eu olhava ele de cima a baixo e percebi que também era fitado. Naquele momento, meu colega ali começava a pensar naquele nosso encontro com outros olhos, exatamente como eu queria. Agora era uma questão de conduzir com cuidado.
    Dei uma mexida no pau e peguei meu celular. Fiz careta e dei de ombros
    - Nada mesmo - anunciei, como se falasse sozinho.
    - Mas será que o perfil não era falso? - sugeriu - da garota que te deu bolo
    - Olha, nem sei mais - fingi. - Mas que se foda. Amanhã arrumo outro contato. Tem uma que já saio sempre e amanhã vejo se ela quer dar um perdido no namorado.
    - Precisando meter, hein - atiçou.
    - Nem fala - e arriei meu short - olha meu estado, fico duro por qualquer coisa.
    Frank sorriu, olhando meu pau, sem pudores.
    - Sei qual é. A verdade é que desde que terminei, tô numa secura só.
    - Quanto tempo?
    - Vai fazer um mês em dois dias - admitiu
    - Um mês? - quase cuspi a cerveja - Caramba, como tu aguenta?
    - Fazer o que? - deu de ombros.
    - Mas por quê? Digo, tu é um cara boa pinta. Não deve ter problemas.
    - Nem tenho. Só tempo e paciência mesmo que não tenho muito. Muita burocracia arrumar uma foda as vezes.
    - Isso é verdade. Olha meu caso. Troquei ideia por dias, pra levar bolo. Mas você parece fazer mais o tipo convencional, que curte relacionamento.
    - Curto sim - considerou - Nada contra algo ocasional, mas como falei, quando rola burocracia, logo desanimo.
    - Tá certo
    - E você?
    - Bem, da forma como viajo, só pude ter lances casuais até o momento. Quando tiver algo sério, te conto.
    Ele riu e me olhou novamente de cima a baixo. A semente das possibilidades implantada com sucesso.
    - Eu vou mijar. Onde fica o banheiro? - perguntou, numa rápida estratégia para fugir.
    Indiquei e ele seguiu. Eu então voltei a sala e liguei a smart TV na internet e pus um filme pornográfico.
    Quando Frank voltou, eu estava no sofá, massageando meu pau por dentro do short.
    - Está de sacanagem - riu.
    - O que foi? O papo sobre sexo me deixou mais pilhado que imaginei.
    - Você é uma figura - deu de ombros e se sentou no outro extremo do sofá de três lugares.
    Sentou relaxado, mas sem se tocar.
    - Quer ver outra coisa? - ofereci.
    - Não fico muito a vontade - admitiu.
    - Beleza - e peguei meu celular, com maldade no olhar - Vou ver outra coisa então.
    Nesse momento, abri as fotos dele que eu havia tirado no banheiro. As que, na brincadeira de mais cedo, esqueci inclusive de enviar a ele
    - Agora sim.
    No momento em que percebeu o que eu fazia, ele arregalou os olhos e veio em minha direção, pra tomar o aparelho.
    Eu ergui a mão para trás, tirando-o de seu alcance. Ele caiu por cima de mim no sofá, cara com cara. Quando percebeu a proximidade, engoliu em seco e parou.
    - Calma - sorri - só estou zombando da sua cara.
    Ele ficou mais vermelho que nunca e saiu de cima de mim.
    - Tô apagando, olha - e mostrei pra ele quando deletei. - Peguei pesado. Desculpa.
    - Não. Só... Não esperava. - desculpou-se, com vergonha
    - Vou tirar o vídeo - prometi.
    - Pode deixar.
    - Mas você não curte - lembrei
    - Seria mais legal se fossem duas mulheres - ponderou.
    - Não seja por isso.
    Peguei o controle e refinei a busca para o tema "lésbicas".
    - Melhorou?
    Ele não respondeu, mas sentou mais relaxado.
    Ficamos então sentados, um em cada canto do sofá, eu me tocando e ele ficando excitado. Fingi prestar atenção apenas no filme, ignorando que toda hora ele lançava um olhar furtivo em minha direção.
    Com paciência, percebi que ele começava a se alisar, por cima da roupa. Eu então pus meu pau pra fora, totalmente duro, exibindo meu orgulho para ele.
    - Ta quente, né? - comentou.
    - Pode ficar a vontade, se quiser.
    - O que?
    - Liga o ventilador - ofertei - ou tira a camisa. Sei lá, fica a vontade.
    Ele fez os dois. Ligou o ventilador de teto e tirou a camisa. Ficou pensando em tirar a bermuda por um tempo, até enfim o fazer. Ficando só de cuecas. Pau bem duro agora a mostra no volume da vestimenta.
    Olhei para ele e o senti se encolher.
    - O que foi? - perguntou.
    - Nada. Só pensando - e ri, fingindo timidez - É esquisito, né?
    - Bastante - se apressou em concordar.
    - Mas também... Confesso que tô realmente excitado
    Ouvi as engrenagens de seu cérebro trabalharem a todo o vapor.
    - Verdade - admitiu enfim.
    Aproveitando a deixa, pulei de lugar, ficando lado a lado dele.
    Continuei me masturbando, vendo o filme e ele também. Ainda lançando olhares furtivos pra mim.
    Eu o encarei de novo e ele retribuiu, olhos nos olhos, cumplicidade se formando. Já era hora de falar com mais segurança.
    - Desculpe o comentário. Mas tá um tesão ver um amigo assim tão a vontade.
    Ele riu e também me olhou.
    - Tu é gostoso, tenho de dizer - assumiu.
    - Você também.
    Sem precisar combinar - tiramos o que faltava de nossas roupas. Agora, nus e completamente a vontade, ignorávamos completamente o filme e nos dedicávamos a nos olhar enquanto nos acariciávamos.
    Em um momento eu dei uma beliscada rápida e de leve em seu peito. Ele tomou um susto e depois riu como um garoto
    - Não sente mais cócegas? - questionei.
    - Acho que não tô conseguindo sentir cócegas agora - refletiu.
    Fiz de novo, e de novo, sentindo seu mamilo duro de excitação.
    Ele passou a mão na minha perna, receoso ainda em tomar alguma atitude.
    Eu então dei um novo passo.
    Alisei a mão em sua barriga, descendo até a púbis.
    - Posso? - pedi licença e ele logo largou o pau
    Eu o peguei e comecei a masturbar de leve. Frank se recostou na hora, rosto contorcido de prazer. Me olhou como se não acreditasse no que acontecia, boquinha aberta em um gemido contido.
    Cheguei ainda mais perto, corpo quase colado ao dele, rostos bem próximos. Foi então que ele me roubou um beijo. Rápido e estalado
    - Foi mal - pediu, se arrependendo de imediato da ousadia
    - Relaxa - o tranquilizei. E então, como sinal de paz, lhe repeti o gesto, lhe dando um beijo nos lábios.
    Ele riu e eu também. Então ele me roubou outro, e eu fiz o mesmo. Fomos brincando disso até a bora em que demos um beijo de verdade. Língua entrando, invadindo. Frank segurou meu pau, apertando.
    Quando paramos de nos beijar, estávamos sem fôlego.
    - Vira de costas - pedi
    Seus olhos alargaram.
    - Não, não - reagiu, em pânico.
    - O que?
    - Eu não estou pronto pra isso.
    Eu ri.
    - Não é "isso", que eu vou fazer. Vira, vai
    - O que vai fazer, então?
    - Vira e eu te mostro. Não confia em mim?
    Ficamos nos encarando um pouco. Mesmo ainda em dúvidas, ele obedeceu. Debruçando-se sobre o braço do sofá e deixando a bunda a mostrar.
    Eu abri suas nádegas e, antes que pudesse lhe dar tempo de processar, desci o rosto e lambi em um bote certeiro o pequeno orifício.
    Frank levou um susto e segurou minha cabeça, mas não a empurrou, apenas deixando a mão ali como forma de se assegurar
    - Ai, caralho - arfou.
    Chupei com cuidado, contornando o anel com a ponta da língua, enquanto sentia suas nádegas relaxarem.
    - Puta que pariu - soltou, tentando conter a respiração.
    Dei continuidade ao meu trabalho, beijando as nádegas, até a hora em que enfiei a cara entre elas e cheirei fundo, sentindo o doce aroma daquele rabo delicioso.
    - Nossa - soltei, em êxtase
    - Nossa - concordou - quer que eu...
    E antes que ele terminasse de oferecer o que não me interessava em nada, voltei a chupar seu rabo, calando sua boca.
    Não sei quanto tempo ficamos assim, mas eu sei bem que poderia permanecer por horas. Tendo-o relaxado como estava, gemendo, enquanto eu me banqueteava com sua bunda. Eu não me tocava já fazia um tempo, mas meu pau estava mais duro que nunca. O mesmo ocorria com Frank, o que eu pude notar numa leve passada de mão, cujo o pau chegava a babar.
    Em um dado momento, apoiei a cabeça em suas nádegas, como se estivesse me recostando em um travesseiro.
    - Ai, ai, ai - suspirei
    - O que foi? - perguntou, relaxado.
    - Será que não dá nem pra eu experimentar um pouquinho? - comecei - Sabe... Aquilo que você disse não estar pronto.
    Sorri como um garoto pedindo pra fazer travessura
    - Ah não, cara. Isso vai...
    - Por favor, por favor - implorei, com manha - Prometo que, se doer, eu paro. Só a cabecinha. Confia em mim.
    Insisti, vendo que ele vacilava
    Com calma, fui me ajeitando e, enquanto insistia, fui ajeitando suas pernas de forma que ficasse com elas abertas no braço do sofá, um joelho apoiado no assento e a outra perna pendida no exterior. A bunda ficou empinadinha ali, o que facilitaria.
    - Você é foda - protestou e eu entendi aquilo como um aceite.
    - Valeu, amigão - e voltei a chupar seu cuzinho, tanto para deixar mais relaxado quanto para encher mais o buraco de saliva.
    Deixei Frank gemer mais um tempo, antes de me colocar por trás dele. Alisei bem a entrada com a cabecinha antes de posicionar.
    - Ai, caralho - chiou.
    - Mas eu nem comecei - ri.
    Não falou mais nada e eu encaixei na entrada. O senti enrijecer e o pelo arrepiar.
    - Relaxa - pedi, alisando seus braços e o abraçando - confia em mim. Não vou te machucar.
    Deixei meu pau imóvel ali, sentindo o anel piscar em volta.
    - Vou empurrar mais um pouco - avisei e fui fazendo
    Com paciência, um centímetro de cada vez, fui adentrando.
    Meu colega estava todo arrepiado aquela altura. Respirava pesado. Seus dedos, entrelaçados aos meus, pareciam a ponto de amputá-los, tamanha a força com que me segurava.
    - Isso, assim. Assim.
    - Ah caralho - protestou quando terminei.
    - Pronto. Acabou. Viu?
    - Puta que pariu. Achei que não fosse terminar nunca - soltou, visivelmente aliviado.
    - Vou deixar aqui quietinho, até você acostumar - e o abracei mais e o beijei no pescoço.
    Frank, imóvel, apenas concentrado no próprio ato de irrigar o sangue com oxigênio, nada fez. Sentia seu cuzinho apertando o anel contra meu órgão e soltando, como se respirasse.
    Eu peguei seu rosto e o virei, beijando-o com vontade. Ele se entregou, gemendo enfim.
    Com cuidado, fiz um leve movimento, suave, sem pressa.
    - Você vai me fuder assim - alertou.
    - Essa é a ideia – sorri e
    Frank retribuiu. Um sorriso cansado, como o de uma mulher que acabara de sair de um trabalho de parto. Exausto, mas com sensação de missão cumprida.
    Fui impondo um ritmo leve, me deliciando com aquele caminho apertado que meu órgão desbravava. Beijava seu pescoço, rosto, boca. Lambia sua orelha, suas costas.
    Peguei em seu órgão novamente e estava mais melado que nunca.
    Ele agarrou minha mão.
    - Vou gozar assim - avisou.
    - Pode gozar - incentivei
    - Mas vai sujar o sofá.
    - Foda-se. Limpo depois. Quero ver você gozando. Saber que está curtindo.
    - Caralho - suspirou.
    - Relaxa. Somos parceiros ou não somos? Quase irmãos. Não temos de ter frescuras entre nós. Fico muito satisfeito em comer meu parça de academia. Ainda mais sabendo que ele está curtindo.
    Ele virou o rosto novamente e trocamos olhares de cumplicidade. Então largou minha mão e eu comecei a masturbar, enquanto meti com mais força.
    Ele mordeu o lábio, me encarando com um misto de prazer e penitência. Os estalos começaram a vir. Eu já estava em ponto de bala e não ia aguentar muito tempo. Ele tampouco.
    - Ai, cara. Ah cara.
    - Eu sei - urrei, sentindo o espasmo violento vindo da espinha. Enfiei fundo e me deixei escorrer por dentro dele.
    Frank tremeu da cabeça aos pés, quando seu pau começou a bombear violentamente. Um gozo farto e grosso, que parecia não ter fim. Sua voz foi afinando conforme o êxtase atingiu o extremo. Se alguém o olhasse agora, focalizando apenas em seu rosto, não saberia dizer se estava vibrando ou sofrendo.
    Continuamos abraçados, gemendo e lutando para retomar a respiração ao compasso normal.
    Suados, ligados ainda pela penetração.
    - Fábio, tira, por favor - pediu, ainda sem forças.
    - Ta bom. Vou com cuidado. Não faz força, ok?
    - Ta bom - e ficou imóvel enquanto eu desenterrava meu pau de dentro dele - Ahhhh - soltou quando eu saí por completo.
    Nesse momento, abaixei e olhei sua bunda, orgulhoso como um artista contemplando sua obra.
    A bunda branquinha tinha agora um contorno rosado em torno do anel. A passagem, antes totalmente fechada, exibia agora um pequeno buraco redondo e escuro, por onde meu órgão abriu caminho.
    Não resisti e enfiei a língua novamente. Experimentando mais uma vez aquela carne que desta vez estava temperada com o sabor doce de meu sêmen.
    Frank lançou um gemido longo, como se eu estivesse lhe jogando água quente em uma queimadura. Seu rosto caiu, apoiando-se no encosto do sofá e se deixando desfalecer. Entregou-se ali, aberto aos meus beijos íntimos, me dando ocasionais carinhos no couro cabeludo com a mão estendida para trás.
    Dediquei-me por tempos àquele lugar, sentindo a língua entrar por caminhos antes impossíveis para ela. Beijando e mordendo aquelas nádegas rígidas, porém macias. Cheirando aquele aroma delicioso da carne de Frank.
    Mais uma vez me perdi no tempo. Só lembro que, quando Frank foi embora, já passavam das 3 da manhã...

  • Diários de caça - Capítulo 2 - Curral

    Quando alguns predadores sentem o gosto de uma nova iguaria pela primeira vez, correm o risco de ficarem viciados nela e passam a caçar aqueles que normalmente não faziam parte de sua cadeia alimentar.
    De certa forma isso aconteceu comigo. Pois depois de comer Gustavo tantas vezes naquele verão, tive certa dificuldade em me acostumar as minhas transas habituais. Nunca tive problemas em arrumar parceiras. E tive uma dieta sexual bem satisfatória depois de Gustavo. Mas algo faltava.
    Me masturbei muitas vezes lembrando daquela bunda carnuda, de nossos jogos de força e do prazer que sentia cada vez que me empunha sobre meu amigo. No começo, cheguei a acreditar que tivesse me apaixonado por Gustavo, mas logo caí na real e entendi que o que me dava saudades era o desafio da caça.
    Pois por mais conservadora que fosse aquela sociedade, não era difícil descolar uma companhia, mesmo que na surdina. Mas agora, caçar um homem para transar. Aquilo sim era arriscado, difícil, pois como falei anteriormente, minha cidade natal não via com bons olhos tipos como eu.
    Com o passar do tempo, a abstinência foi me consumindo. Eu precisava descolar um rabo para fuder, de qualquer jeito.
    Na história da evolução do homem, houve um momento em que ele foi retirado de sua vida nômade e inserido em uma vida em comunidade, criando assim seus primeiros vínculos com um lugar e o permitiu estabelecer raízes. Umas das coisas que o permitiu tal façanha foi a prática da pecuária, que lhe proporcionou o fim da necessidade de ter de correr o mundo atrás de alimento. Tratando de sua presa  em sua própria residência, superou assim a necessidade da caça. No meu caso,  eu não queria abandonar o prazer da caça, mas tinha de admitir que seria bom ter uma opção para os dias em que haveria escassez de alimento.
    Um amigo com benefícios, cu fixo, uma marmita pronta, um curral. Não interessa o nome, era disso que eu precisava. Gustavo me foi esse amigo durante todo nosso verão, mas infelizmente ele partiu e eu teria de conseguir outro.
    Foi nesse instante que voltei minha atenção pela primeira vez para Breno, irmão caçula de um de meus amigos mais íntimos.
    Na época, Breno era dois anos mais novo. A situação de Breno era delicada, no que diz respeito a sua sexualidade. Todos ali sabiam que havia algo de diferente nele. Que ele, inevitavelmente, viria a gostar de homens, se já não gostasse. Tal fato, entre sua família, era considerado um tabu e ela procurava na igreja uma forma de evitar o inevitável. Talvez,  embutindo em sua cabeça a ameaça do fogo infernal seria uma forma de conter seus impulsos
    Com Carlos, meu amigo e irmão mais velho de Breno, não tocávamos no assunto. A verdade é que ele tinha vergonha do irmão e evitava a todo o custo qualquer menção a sua sexualidade.
    Lembro que Breno idolatrava o irmão e tentava imitar, sem sucesso, seus jeitos. Insistentemente, ele tentava andar conosco, os caras mais velhos, e Carlos procurava de mil formas dissuadi-lo e expulsá-lo. Porém, bastava sua mãe entrar na discussão e ele era obrigado a aceitar sua companhia. A mãe de Breno acreditava que Carlos pudesse ensinar algo do universo masculino para o irmão e tal fardo incomodava meu amigo. Assim, Breno estava sempre junto da gente, mas nunca aceito no bando.
    Naquele contexto, Breno era como um filhote de gazela largado na savana, e eu o guepardo faminto. Tinha que admitir que o garoto tinha se tornado bem bonito nesses tempos de adolescência. Cabelos lisos e bem penteados. Pele branca e olhos cor de mel. Um corpo magro e uma bundinha bem saliente davam o toque juvenil maroto que me fez sentir verdadeiro desejo.
    Acho que a única coisa que me impediu de investir nele de cara foi o fato de Breno ser um garoto muito chato. Era mimado, manhoso e bastava a brincadeira engrossar que ele chorava. Eu definitivamente não tinha aptidão para ser babá.
    Lembro de uma tarde em que os garotos foram um pouco cruéis com Breno. Estávamos na época de bolinhas de gude na cidade. Todos estávamos brincando de búrica, na praça, quando Breno chegou. Ele vinha com uma lata cheia de bolinhas novas, algumas bem caras, e queria brincar
    Os garotos não o queriam ali, mas em solidariedade a Carlos, que não poderia estar ali sem o irmão, aceitaram. Então, resolveram brincar valendo. Todas as rodadas valiam bolinhas e, como Breno jogava mal, foi perdendo até seu potinho esvaziar quase que por completo.
    Observar ele ali me atingiu de uma forma maior do que eu pude supor. Pois pela primeira vez, entendi como ele devia estar se sentindo. Era claro que ele era gay. Os garotos podiam não notar, mas eu via como ele reparava nos corpos dos garotos mais velhos. O peguei me olhando quando tirei a camisa por causa do calor. Ele, assim como eu, sabia como aquele lugar podia ser cruel e tentava se enturmar.
    Aguentava as zoações, da melhor forma que conseguia, mas era óbvio que se sentia sozinho. O via perder bolinha atrás de bolinha, segurando o choro pois sabia que, se começasse a chorar, o jogo terminaria e ele e o irmão teriam de ir pra casa.
    Nesse momento, respirei fundo e resolvi tomar uma atitude. Peguei todas as bolas que tomei de Breno e devolvi ao seu pote.
    - Que isso, Fábio? - Marcelo, um dos garotos, questionou.
    - Ora, não estávamos brincando? Vocês vão mesmo tomar as bolas de um moleque? - fiz pouco caso.
    Carlos aceitou a deixa e também devolveu as suas, mas Estevam, resolveu fazer uma piada e ia aprender que não se deve cutucar um leão com vara curta
    - Acho que o Fábio gamou no teu irmão, Carlos. Ta comendo ele, Fábio?
    Carlos na hora se ergueu para tirar satisfação, como sempre fazia quando o assunto da sexualidade do irmão vinha a tona. Mas eu fui mais rápido. Caminhei até Estevam, bem sério e falei, voz calma e ameaçadora, como um rosnado.
    - Ta me chamando de viado? - sibilei e já foi o bastante para o sentir encolher. Nunca fui de brigar, mas meus amigos sabiam que quando eu começava, não parava até um deles sair chorando - Quer que eu arregace esse teu cu aqui e agora pra tu ver quem é viado?
    Estevam tentou rir.
    - Relaxa, leão. Tô brincando.
    Leão era meu apelido no bairro. Além de ser do signo de leão, tinha meus cabelos encaracolados e bem volumosos. Uma vez, quando tive especial preguiça de cortá-los, nasceu esse apelido e eu nunca mais me livrei dele.
    Mas a verdade era que eu gostava do apelido, ainda mais quando dito com tanto medo e respeito, como Estevam fazia naquele momento. Era bom eles saberem que eu era o superpredador, o rei, dali.
    Ao final, todos devolveram as bolinhas. Carlos me agradeceu, sem palavras, e Breno enxugava os olhos.
    - Tenho que ir almoçar - Estevam anunciou e foi seguido por Marcelo.
    Carlos também se despediu e deixou o irmão pra trás, que terminava de catar as bolinhas espalhadas.
    Eu então me acheguei para Breno e falei:
    - Olha, se tu vai querer andar com os mais velhos, precisa aprender a se defender. Virar homem. Nós podemos ser muito mais cruéis que isso.
    Ele não respondeu, com vergonha de me encarar.
    - E não seria ruim você aprender a jogar direito essa merda antes de querer apostar - e respirei fundo, avaliando a situação - Vou te ensinar a jogar.
    Breno parecia não ter entendido bem e me olhou interrogativo.
    - Mas não agora - completei. - To com fome e vou pra casa. E prometi ajudar meu pai com o carro agora de tarde. De noite eu passo na tua casa e viemos pra cá. Teu irmão vai sair com a Viviane, né? Eu vou estar de bobeira.
    - Sim, mas não sei se minha mãe vai deixar eu sair tarde.
    - Passo lá umas nove horas. Não vai ser tão tarde. E amanhã estamos em casa, ponto facultativo na escola - lembrei - Ela vai deixar. Deixa comigo - garanti e saí.
    Trabalhar no carro de meu pai era o segundo maior prazer que tínhamos na companhia um do outro. Meu quarto possuía uma estante com vários exemplares de revistas sobre veículos. Estes talvez fossem os únicos atrativos que as grandes cidades me ofereciam. Isso, claro, e a chance de fugir de toda a cultura atrasada de minha cidade.
    De noite, conforme combinado, passei na sua casa. Mônica, mãe de Breno e Carlos, me recebeu com o sorriso costumeiro. Por alguma razão as mães de lá gostavam de mim. Ficou em dúvida sobre liberar Breno, mas eu a convenci.
    - Vamos ficar na praça apenas. Estava pensando em ensinar algumas coisas pra ele. Quem sabe levar ele pra caçar comigo e com meu pai um dia.
    A última promessa a havia animado. A esperança de que o filho aprendesse ao menos alguma coisa do universo masculino lhe foi todo o incentivo que precisou.
    Levei Breno à praça, que começava a dar adeus a seus últimos frequentadores. Sendo dia útil, era comum a população de lá dormir cedo. Vantagens de cidade pequena. Em breve, aquele lugar estaria deserto.
    As búricas foram cavadas numa parte reservada, de pouco trânsito. Ficavam atrás do Coreto central e dispunham de uma pequena vegetação em torno, que ofuscava a visão sem tomar completamente a vista. Era melhor que a vegetação não cobrisse tudo mesmo, pois chamaria a atenção para o lugar por poder ser considerado um local suspeito.
    Eu comecei a iniciar Breno nos fundamentos do jogo de bolinha de gude. Corrigi sua forma de segurar a bola, ensinei as regras básicas e parti dali.
    O problema é que Breno era um péssimo aluno. Não conseguia se concentrar, queria completar minhas frases antes de mim, como se quisesse mostrar que sabia de tudo. Se estava tentando me impressionar, estava tomando o caminho errado.
    E pra piorar, o jeito manhoso dele me irritava. Logo me arrependi de ter me posto para ensinar algo àquele garoto. E num dado momento, ele me desacatou
    - Para de ser chato - reclamou - eu sei disso
    - Se sabe, por que então está fazendo a merda toda de novo? - perdi a paciência - Ou você acha que chorando vai conseguir tudo? Tem funcionado até agora, né?
    Ele ficou vermelho.
    - Não é verdade. - fez birra.
    - Beleza então, quer jogar valendo? - desafiei, achando que isso o faria recuar, mas o pirralho ainda era abusado. Aceitou.
    - Então tá - completei - e peguei minhas melhores bolas - aposto estas contra as duas que você ganhou de sua tia, da viagem a Espanha.
    Dessa vez ele titubeou.
    - Mas foram presentes.
    - Por que está preocupado? Se você sabe que vai ganhar, não deveria.
    O garoto era tão petulante que ainda seguiu em frente. Eu ganhei com brecha e peguei as bolas e guardei. O bolso
    - Pronto agora pra aprender? Vai deixar eu falar?
    Ele ficou parado, me olhando. Eu sabia que ele contava que eu fosse devolver as bolinhas ganhas, tal como fiz mais cedo, mas eu estava disposto a dar um susto nele. Pelo menos, assim consegui sua atenção. Mas com o passar do tempo, Breno foi ficando apreensivo e teve um momento em que não resistiu e teve de perguntar:
    - Fábio. Você vai me devolver elas, não é?
    Olhei bem sério, como se ele estivesse dizendo algum absurdo.
    - Claro que não. Bolinhas maneiras dessas? Vou guardar.
    - Mas foi minha tinha quem me deu - sua voz tremeu - meu pai vai me matar se descobrir.
    Conhecendo o pai deles, acreditei. O senhor Gouveia não era de medir a cinta quando os filhos faziam burrada.
    - Problema teu. Não apostasse.
    E continuei como se nada tivesse acontecido. E então o ouço fungar.
    - Vai chorar agora? - questionei, já me levantando - tudo agora é assim? Não sabe ganhar de outra forma. Sou teu irmão, não moleque. Tua mãe e teu pai não podem me obrigar a nada. Vai ter de fazer melhor que isso.
    Ele segurou o choro e foi então que eu tive uma ideia bem ardilosa. Olhei em volta para conferir que estávamos sozinhos e peguei as bolinhas.
    - Você quer? - e mostrei pra ele.
    Breno enxugou o rosto e fez que sim.
    - Pede desculpas - mandei
    - Desculpa - respondeu sem pestanejar.
    Então, peguei as bolinhas e puxei minha bermuda, jogando-as dentro da cueca
    - Pega.
    - Hã?
    - Não vou te dar de mão beijada. Se quiser, pega.
    E cruzei os braços, esperando. Devo admitir que me diverti. Dava pra ouvir as engrenagens em seu cérebro trabalhando a todo vapor. Ele olhava para minha bermuda e sua mão ia e voltava no ar, lutando pra saber como proceder. Se por um lado ele queria meter a mão ali e pegar, estava com medo de como eu reagiria. Resolvi então dar um empurrãozinho na direção certa.
    - Relaxa. Não vou te zoar nem contar pro teu irmão. Só quero te ensinar uma lição.
    Ah, o sigilo. O estímulo fundamental de qualquer boa sacanagem.
    Ele engoliu seco e veio. Puxou minha bermuda e meteu a mão dentro, pegando meu saco
    - Bolas erradas, colega - brinquei - E que não gelada é essa, caramba.
    Ele então tirou e eu senti seu lábio tremer, segurando a risada com meu gracejo. Então meteu de novo e achou as bolas. Não demorou muito, mas com certeza demorou mais do que precisaria. Afinal, não tinha muito lugar ali onde procurar e tenho certeza que ele não tinha como confundir meu pau com uma bolinha de gude pra ter apertado duas vezes.
    Satisfeito, me voltei para catar as bolinhas do último jogo, fingindo não ter percebido que ele, ao me virar, levou a mão ao rosto e cheirou.
    Naquela altura, eu já estava excitado. E nada escondi. Deixando o volume numa posição bem saliente.
    - Vamos continuar - e voltei a ensinar, vendo ele brigar para não olhar para meu volume.
    - Seu problema é falta de concentração - informei em um dado momento - fica nessa agitação, atropelando minhas explicações e no jogo é a mesma coisa. Tenta mirar essa merda, e não jogar a esmo.
    Ele abaixou e eu o acompanhei, ficando ao seu lado. Ele mirando na minha bola, mas com o olho toda hora escorregando para minha bermuda.
    - Quero que você se concentre. Não importa o que aconteça, tenta manter o foco.
    Ele estava abaixado de cócoras, a bundinha toda aberta e vulnerável. Esperei ele estar bem concentrado e, com um movimento rápido e preciso, passei a mão. Meu dedo foi certeiramente entre suas nádegas e acariciou de leve o buraquinho.
    O garoto deu um pulo que parecia ter tocado ferro em brasa. Eu não resisti e cai na gargalhada, tendo até mesmo dificuldade em respirar.
    - Parecia uma lagartixa - eu lacrimejei e tudo, minha barriga doía do esforço.
    Aos poucos fui me recompondo e pude prestar melhor atenção nele. Não estava com raiva de eu rir dele, pois a surpresa ainda o deixou perplexo
    Olhei seu short e gostei da reação que um simples toque havia causado. Então bati no chão, chamando-o.
    - Vem. Foi brincadeira. Pode tentar de novo.
    O observei enquanto discutia consigo mesmo a situação. Obviamente ele queria voltar, mas julgava se seria a melhor atitude a tomar. Tinha medo de que eu o estivesse colocando em uma armadilha.
    - Vem logo - insisti, com um sorriso - to só zoando você. Coisa nossa, de homem. Fica entre nós.
    Mais uma vez me aproveitei dessa palavra mágica, que abre qualquer homem para o mundo de aventuras e possibilidades. A promessa do sigilo é o equivalente ao aroma exalado pela planta carnívora, que atrai o pobre inseto que é consumido sem ser dar conta, inebriado pelo odor.
    Breno veio e se abaixou. Da mesma forma que antes. Ele não era nada bom em disfarçar. Qualquer um tentaria pelo menos sentar de forma a bunda não ficar tão vulnerável, iria sentar no chão ou em cima dos calcanhares. E não agaiar de cócoras como ele de novo fez, deixando o caminho livre para aquele pequeno e virgem orifício.
    - Vai, joga - falei, deixando-o na tensão se eu ia ou não mexer com ele novamente.
    Não fiz nada e ele jogou. Errando feio
    - Ainda está ruim - avaliei, compreensivo. - deixa eu testar aquilo de novo, sim? Com todo o respeito.
    E pus novamente a mão da sua bunda, alisando e escorregando até o orifício. Breno ficou imóvel, segurando a respiração. Quando meu dedo tocou novamente a entrada, o ar escapou de uma vez, mas ele não se mexeu.
    - Calma. Isso. Assim - sibilei, olhei em voltar e ninguém a vista. Forcei um pouco mais o dedo, por cima do short mesmo, fazendo ele gemer baixinho.
    - Tenta ignorar tudo e só se concentra. Finge que não tem ninguém aqui, exceto você. Vai. Pensa, mira e joga.
    Breno obedeceu, se concentrando o máximo que podia na bolinha em sua mão, tentando ignorar a massagem que eu fazia em seu ânus. Quando disparou, por incrível que pareça, acertou em cheio o alvo
    - Quem diria - admiti surpreso - estamos progredindo.
    Tirei a mão, deixando-o aceso. Então, propus um amistoso onde jogamos umas 4 partidas. Breno, muito mais dócil e atento a mim, começou a aprender a passos largos, conseguindo inclusive me vencer na última. Tudo bem que eu facilitei, mas isso não tirava o mérito de sua evolução, que ainda assim era notável.
    Ao fim, nos escoramos no coreto e eu olhei o relógio.
    - 22h, melhor já irmos nos adiantando. Ou sua mãe vai brigar comigo - e ri.
    - Ah sim - deu pra sentir a decepção em sua voz. Então, pegou um pacote de biscoito que levava na pochete e me ofereceu um - Antes de ir, quer comer comigo? Estou com fome.
    Eu aceitei, pois também tinha apetite. Comemos juntos e em silêncio. Breno me olhada pelo canto do olho toda a hora, em especial para minha cintura, onde o volume ainda estava lá. Me diverti um pouco com o silêncio, antes de o quebrar.
    - Sabe, Breno. Acho legal sua determinação. Você quer fazer parte do grupo e faz o possível, não importa o seu irmão tentando jogar contra.
    Ele sorriu, engolindo o biscoito.
    - Você é um cara que sabe o que quer e corre atrás, só precisa saber também como conseguir. Não vai conseguir tudo no choro. As vezes, é preciso de impor com força. Entende?
    Ele fez que sim com a cabeça, bebendo de minhas palavras.
    - Legal. Vamos ver como vai agir na próxima vez que estivermos todos juntos. Mas agora eu te pergunto uma coisa: tem mais alguma coisa que você queria muito?
    Ele engoliu e olhou na hora para meu pau, mas nada falou, desviando em seguida o olhar
    Eu ri. Então, botei meu órgão pra fota, duro e ereto.
    - Bonito, né? - incentivei, puxando a pele. - Gosta? - e balancei um pouco.
    Ele tentava olhar para a frente, como quem me ignora solenemente, mas seu olhar o traia várias vezes, correndo para meu pau.
    Eu me masturbava devagar, puxando e contraindo a pele, revelando e escondendo a cabeça.
    Em um momento, ele parou de se segurar e olhou firme, babando.
    - Quer pegar? - ofereci.
    Sua mão, trêmula, foi se dirigindo. Tocou rapidamente, como se fosse ferro em brasa. Alisou, depois voltou, respirou fundo e tentou de novo, conseguindo segurar. O moleque lutava para respirar, o volume em seu short querendo rasgar o tecido.
    Aos poucos, ele ia criando coragem a medida que via eu lhe dando total liberdade. Ele então acariciou, apertou, puxou a pele, brincou com o saco.
    - Vem cá. Ajoelha aqui na minha frente - pedi, mordendo um biscoito, e ele logo obedeceu.
    Comecei passando a cabeça da glande em seus lábios, nariz e rosto. Breno fechava os olhos, em êxtase.
    - Abre a boca - pedi e enfiei a cabecinha, deixando ele provar - só cuidado com os dentes - alertei
    Ele chupou com doçura, massageando a área esponjosa com a língua. Olhos fechados, perdidos em prazer.
    Mais uma vez, olhei em volta e pedi que ele abrisse mais
    - Me avisa se engasgar - pedi - vou com calma
    Fui enfiando pela garganta dele até onde consegui. Ele crispava os olhos e ia aguentando, até sofrer espasmos e engasgar, batendo de leve em minha coxa avisando
    Eu tirei e ele tossiu
    - Caramba, engoliu quase tudo - o parabenizei. - acha que consegue ir além?
    Breno estava animado, Talvez por achar algo que gostasse e em que fosse bom. Ele logo abriu a boca e eu enfiei devagar. Dessa vez, entrou todo. Eu segurei o gemido, sentindo minha cabeça ser introduzida no espaço apertado de sua traqueia.
    Enfiei uma duas vezes e tirei. Uma linha grossa de saliva acompanhou meu pau e Breno respirou fundo, cansado, mas muito satisfeito. Seu sorriso safado estava me deixando louco. Então, eu levantei o pau e falei:
    - Tenta as bolas agora. Quero ver..., Ah caralho - quase perdi o controle quando, sem avisar, ele avançou sobre meu saco como um filhote de bezerro.
    Breno o abocanhou de uma vez, pegando as duas bolas e puxando a pele com certa ansiedade. Por um segundo, achei que ele fosse me machucar e me arrepiei todo, mas não sei como ele soube puxar meu órgão até o limite exato, me arrepiando dos pés a cabeça sem causar dor
    - Puta que pariu - soltei baixinho, me agarrando ao coreto e perdendo o ar
    Minha perda de controle foi o incentivo que faltava. Ele então não precisou mais de minhas orientações, começou a experimentar a bel prazer.
    Lambeu, cheirou, chupou. Pegava meu pau e esfregava em todo seu rosto, perdido entre gostos e aromas.
    Não acreditava que Breno já tinha feito aquilo antes, atribuindo assim seu talento a um dom natural. Mas como o moleque chupava bem. Com vontade. Posso dizer, sem medo de estar exagerando, que nesses meus anos naquela cidade, jamais achei alguém, homem ou mulher, que chupasse tão bem quanto ele.
    - Você é um gênio - me peguei dizendo a mim mesmo, e rindo depois em perceber como eu estava vulnerável. - merda, vou gozar
    Nesse instante ele parou de chupar para ver. Quando meu gozo saiu e os jatos longos cortaram o ar, ele admirou o fenômeno como um raro espetáculo.
    Tentei me recompor, ainda olhando em volta. O medo começando a aparecer, agora que o tesão foi aliviado pelo gozo. Estávamos abusando estando ali tanto tempo, mas ao mesmo tempo, eu não podia deixar a coisa acabar ali. Ele tinha feito um excelente trabalho e eu me sentia na divida com ele
    Mandei ele levantar e arriei seu short. O peguei com as duas mãos. Uma agarrei seu pau e masturbei. A outra, brinquei com seu orifício de forma a ele ter de se agarrar em mim para não desabar no chão.
    Breno mordeu o lábio para não fazer barulho. Seu gemido, de forma chorosa, era música aos meus ouvidos. Ele tremia todo e eu me senti satisfeito e um pouco vingado, pois agora era ele quem estava em minhas mãos .
    O cuzinho de Breno piscava e eu só estava brincando na portinha. Não bastou muito e ele gozou, fechando os olhos e sofrendo espasmos violentos. As gotas grossas caíram na terra e ele foi desabando. Eu o segurei até ele descer com cuidado ao solo
    - Delicia, garoto. Mas agora se recompõe e vamos. Infelizmente não podemos arriscar mais aqui.
    Ele obedeceu e nos vestimos. Catamos as bolinhas e saímos. Olhei novamente em volta, coração a mil. Saí aliviado a não notar ninguém.
    Esperamos Breno perder a euforia para o devolver a mãe. Que, apesar de preocupada com a hora, bastou palavras tranquilizadoras minhas para acalmar o semblante.
    - Mas se divertiu, filho?
    - Muito - acho que ela nunca testemunhou uma resposta tão sincera do garoto
    - Obrigado, Fábio - falou, e eu senti verdade em sua voz. E então percebi que o garoto realmente precisava de um amigo. Embora eu não seja bem o que ela quisesse pro filho dela.
    *
    Eu não só tinha conseguido o meu desejado curral, como a amizade com Breno foi uma das mais sinceras que tive em minha vida. Partilhávamos aquele segredo e éramos cúmplices um do outro. Eu logo o ensinei as manhãs do mundo, o convenci a mudar um pouco. Assumir uma postura para se proteger da ignorância daquela cidade. 
    Os pais de Breno adoraram a mudança e a atribuíram aos passeios de caça comigo a masculinização do filho.
    - Infelizmente, somos dependentes de nossos país. Então não podemos nos abrir totalmente sem o risco de transformar nossas vidas num inferno - falei com ele um dia
    - Acho que meus pais me bateriam se eu falasse - Breno admitiu e eu me solidarizei, pois sabia que a situação dele era ainda pior que a minha - e você?
    - Sinceramente, minha mãe surtaria, mas no fim acho que levaria de boa. Meu pai... Acho sinceramente que já sabe, mas não falamos a respeito. Ruim mesmo seria encarar essa gente daqui. Doido pra ficar independente e meter o pé daqui.
    - Eu também - confidenciou
    E esse foi nosso pacto. E deu muito certo. Nossa relação era como uma protocooperação. Ajudávamos um ao outro em questões distintas, mas unidas em um cerne central. Breno passou a ser meu protegido, e, além de o ensinar a se portar, o ajudei a se inserir no grupo, tornando a vida dele muito mais fácil e ajudando em sua transição até a idade adulta, onde enfim pode sair daquela cidade e ser ele mesmo. Lembro de o ver anos depois nas redes sociais, estava casado com um médico, trabalhava com design de interiores, e tinha engordado uns quilinhos. E nunca o vi tão feliz. Mesmo numa foto ridícula que ele tirara com seus três pugs, todos vestindo as mesmas estampas de  roupas, inclusive Breno.
    E a Breno eu devia também uma passagem muito mais tranquila em minha adolescência. Além de ser alguém com quem podia ser totalmente sincero, devia atribuir meu sucesso na cama a ele. Eu não seria o fodedor que sou hoje se não fossem os anos de prática com ele. Para Breno não tinha tempo ruim. O tesão batia e ele logo arriava a cueca e me oferecia aquela linda bunda.
    Diferente de Gustavo, Breno não tinha pudores em mostrar o quanto gostava de me sentir dentro dele. E se eu tinha um cu sempre que precisava, ele também sempre podia contar com uma pica amiga quando quisesse.
    Lembro de uma vez, em que estava na casa dele, esperando Carlos terminar de tomar banho, já que íamos juntos a uma festa. Breno, que eu nem sabia estar em casa naquele dia, surgiu, me olhando do portal do quarto de Carlos. Não havia mais ninguém em casa, além dos três, e na hora sorrimos um para o outro e eu o chamei. Sem delongas, ele se apoiou na cômoda e  arriou o short. E eu meti com vontade, segurando os gemidos para que Carlos, tomando banho no cômodo ao lado, não nos ouvisse
    - Deixar o pau limpinho, pois hoje eu pego a Camila de jeito - o ouvi comemorar, animado em sair com a nova namorada.
    - Faz bem. - respondi, enquanto metia em Breno. - Também não estou afim de ficar no zero a zero hoje não. Mas queria mesmo era comer um cu - admiti e Breno teve de segurar a risada
    - Acho que você tá pedindo demais, amigo - me zoou do banheiro.
    - Só para fracos que nem você - e segurei o urro, pois tinha acabado de gozar dentro do irmão dele.

     

  • Diários de caça - Capítulo 20 – Hibernação

    E lá estava eu, preso naquele quarto de hospital, por conta de um acontecimento que era, ao mesmo tempo, preocupante e constrangedor.
    Meu velho e bom amigo, companheiro de tantas horas e motivo de orgulho, estava totalmente enfaixado. A dor enfim tinha passado, mas provavelmente era por conta dos analgésicos. Os reparos haviam sido um sucesso, mas eu não conseguia evitar a ânsia de vômito causada pela preocupação de que meu velho amigo jamais seria o mesmo depois daquilo.
    - E então, como está o guerreiro? - Dr Oliveira, médico residente do hospital em que estou internado, veio - Sente-se melhor agora?
    Ele falava de meu pau em terceira pessoa e já soltou mais piadas com a situação do que sou capaz de me lembrar. Gostava dele, era novo e cheio de bom humor.
    Me zoou no momento em que entrei, o que de certa forma ajudou a me tranquilizar, uma vez que parecia abrandar minhas circunstâncias.
    - Sem dores hoje, Doutor - informei.
    - Bom. - ele tirou meu lençol e mandou eu tirar a camisola. Fiquei nu, com exceção do tapa sexo ridículo feito de ataduras.
    Ele analisou e então informou;
    - Vou ter um diagnóstico melhor quando a enfermeira trocar os curativos, mas devo dizer, numa análise prévia, que você não tem com o que se procurar. Não se assuste quando o vir. Vai estar feio - alertou - mas voltará ao normal. Eu garanto. E na pior das hipóteses, se não gostar, podemos cortar fora. Mudança de gênero está em moda - e piscou.
    Eu ri do gracejo.
    - Quando pensei que seu estoque de piadas havia terminado - comentei.
    - Acabou. Mas o enfermeiro do turno da noite me deu outras piadas ótimas de paus fraturados.
    - Bom pra você.
    - Bem, vou seguindo. Daqui a pouco a enfermeira trará seu remédio. Descanse
    - E eu lá tenho outra coisa pra fazer?
    As três semanas de recuperação se seguiram de forma agonizante. Realmente, ficar trancado não era pro tipo de pessoa como eu. Eu ficava facilmente irritadiço e tinha de me segurar para não descontar na equipe médica. Eu tinha certeza que uma boa gozada ia me ajudar a aliviar a tensão. Mas nem me masturbar eu poderia.
    Vocês devem estar se perguntando: mas o que diabos eu havia arrumado para minha vida?
    Pois bem. Vocês acreditam em Karma? Eu não, mas não poderia descartar a hipótese.
    Tudo começou em minha estada em Fortaleza. Mais uma vez, cuidando da arquitetura da rede de hotéis de minha rica e esbanjadora patrocinadora.
    O bairro em que fiquei naquela temporada era ótimo. Vizinhança agradável, ruas com pouco trânsito, ideal para família. Havia uns dois homens casados e enrustidos que iam até minha casa na surdina levar aquela gozada patenteada no rabo. Enfim, eu poderia me acostumar.
    Só tinha um probleminha. O local era próximo de uma igreja de Testemunhas de Jeová, que seguiam o antigo rito de tentar a catequese das almas pagãs como a minha. Eu os descobri da pior forma, numa manhã de feriado em que eu precisava dormir até mais tarde.
    Escuto chamarem e, ao olhar pela janela, percebo dois homens bem vestidos. Preocupado, praguejei, mas me arrumei rápido e fui ver o que queriam.
    O maior erro de minha vida. Os dois eram insistentes. Eu tentava me desvencilhar deles, mas não me davam sequer tempo para respirar. Inspirados pelo espírito da conversão.
    Teve um momento em que minha raiva era tão grande que eu tive de soltar.
    - Senhores. Eu e meus demônios estamos ótimos, obrigado. Agora se não se importam, eu fiz serão no trabalho a noite toda e preciso muito da benção do sono. Adeus
    Não preciso nem dizer que minha mãe me passou um sermão daqueles por fazer esse gracejo, quando, em minha mais ingênua inocência, lhe contei essa história achando que ia ter alguma graça para ela.
    - Com Deus, não se brinca. Ele castiga.
    Se o que se sucedeu depois pode ser chamado de praga de mãe, não sei. Mas tenho que admitir que eu abusei da paciência da divindade nesse período. Fazer o que. A insistência daqueles pregadores me irritava.
    Normalmente, eram sempre dois homens que vinham até minha casa. Um mais velho, e um garoto. Na maioria das vezes eu os ignorava. As vezes, quando estava afim de afrontar, os ia atender só de cueca. O que normalmente os fazia sair rapidamente. Mas não importava o que eu fazia, eles sempre voltavam.
    Eu era um antibactericida e eles os 0,01% de bactérias sobreviventes.
    Até que numa manhã em que acordei especialmente cedo, saio eu para correr e na volta passo na padaria para levar meu pão. Chegando em casa, dou com o garoto em meu portão.
    - Luke Skywalker veio sozinho, hoje? Onde esta Obi Wan? - brinquei e ele riu do gracejo.
    Era um garoto bonito, afinal. Magro, feições delicadas. Naquele dia eu estava especialmente de bom humor. Acredito que fruto da noite anterior em que eu brinquei bastante com um casal de namorados, realizando um sonho antigo que nutri desde os tempos de Bianca e Oscar, em minha terra natal.
    - Hoje ele não veio. Não tem se sentido bem. Então estou representando. Embora imagine que você já vá me enxotar.
    Não havia maldade ou resignação em sua voz. Apenas a constatação de alguém acostumado a levar portas na cara.
    Se foi condolência, ou apenas satanás soprando gracejos em meu ouvido esquerdo, eu não sei. Mas naquela manhã, o convidei a entrar.
    Mesmo surpreso, ele aceitou. Ofereci o café que eu já tinha feito antes de correr e nos sentamos.
    - Cara, vou ser bem honesto contigo, minha mãe já tentou me levar aos braços da fé há muito tempo e nunca deu certo.
    - Entendo. Mas talvez você só não tenha achado o lugar certo... - e pensou, sem saber como me chamar
    - Me chamo, Fábio - informei
    - Prazer, Fábio. Me chamo André.
    - Prazer. Bem, vamos lá então. O que sua igreja pensa de homossexuais? - resolvi atacar logo, já que estava de bom humor e paciência.
    - Bem, não tem nenhum problema. Estamos aqui para ajudar a todos. Independente de seus desvios.
    - Desvios? - inquiri. Percebi que ele usou as palavras erradas. mas antes de me irritar com aquilo, devo admitir que achei engraçado o ver gaguejar.
    - Desculpe, não usei bem as palavras. - apressou-se. Estava claro que era Obi Wan quem tinha o dom da oratória e o Luke ali estava arrependido de ter vindo sozinho. De fato, acreditava ser rejeitado e não precisaria entrar em um debate.
    - Tudo bem. Compreendo. Minha única dúvida é: de acordo com vocês, eu vou para o inferno por me deitar com outros homens?
    - Claro que não. Sempre a tempo para perdão.
    - Então eu deveria pedir perdão?
    Ele mais uma vez engoliu.
    - Não é isso. Sempre temos de pedir perdão, pois por mais virtuosos que somos, sempre podemos melhorar.
    - Claro. Concordo. Mas a respeito de me deitar com outro homem. Eu teria de parar se quisesse comprar meu ingresso par ao céu.
    - Olha... Não quero dizer isso
    - Quer dizer o que então?
    Gente, aquilo estava mais divertido do que eu podia imaginar. Ver o garoto tremer na base daquele jeito me fez ganhar o dia.
    - Você deve concordar que esse não é o tipo de relação comum na natureza.
    - Discordo. Homossexualidade existe em praticamente qualquer espécie na natureza. Mas a única que cria caso com isso é a nossa.
    - Mas não gera filhos.
    - Sim. Então, em sua visão, casamento serve apenas para gerar filhos. Então alguém estéril por exemplo não deveria se casar? Ou então, pais que perderam o filho deveriam se divorciar. Talvez depois que criassem os filhos, então o casamento perde o sentido, já que a missão foi cumprida e tanto faz se continuam juntos ou não.
    - Você está deturbando o que falei - defendeu-se.
    - Estou? - inquiri. Tinha de agradecer a Dom Pedro pelas aulas de oratória.
    - Apenas digo que podemos mudar nossas escolhas.
    - E você acha que eu me sentir atraído por outros homens é apenas uma questão de escolhas? Deixa eu te contar uma coisa, eu cresci em uma cidade opressora e posso dizer com certeza que ninguém em sã consciência escolheria ser olhado pelos outros como degenerado. Então, caro amigo, não, não é uma escolha. Se fosse, mais fácil seria seguir a maré.
    Meu tom devia estar se alterando, pois eu senti medo nele e eu sabia bem como eu conseguia ser intimidador quando queria.
    - Só digo que... - tentou articular.
    - O que você sabe sobre isso, por acaso? - o interrompi.
    - Eu só...
    - Muito fácil pra alguém de fora se colocar em um pedestal e...
    - Digo apenas que eu me curei.
    Soltou de repente, como alguém que emerge depois de horas no fundo da água.
    Admito que aquilo me pegou de surpresa. Acho que eu tinha tomado tanto ranço dele e de seu companheiro, que o garoto ali tinha passado totalmente despercebido do meu faro.
    - Então você é... - comecei
    - Fui - corrigiu e eu ri.
    - Foi? Deixou de gostar então?
    - Sim - respondeu com convicção.
    - Consegue agora transar com mulheres, ou sempre curtiu?
    - Eu nunca transei com uma mulher.
    - Ué, mas então.
    - Eu sou solteiro
    - Ah sim - o álibi perfeito, pensei. - e nunca teve vontade?
    - Não. O desejo virá quando eu estiver com minha futura esposa.
    - Sim, claro. Bobeira minha - ironizei - Mas e homens. Nunca mais sentiu desejo?
    - N... Não - a voz vacilou e eu senti a mentira ali.
    - Não mesmo?
    - Nunca mais me deitei com nenhum homem - corrigiu, com maior convicção, fugindo assim ao cerne da questão.
    Resolvido que era hora de afrouxar a pressão, dando-lhe maior confiança. Sem perceber, eu já estava articulando minhas táticas de caça. Satanás devia estar aprontando das suas em minha cabeça.
    - Devo admitir que estou impressionado - respondi, falsamente humilde - mas não saberia dizer se consigo.
    - Mas claro que consegue - ele se inclinou para frente, disposto a aproveitar aquela trégua e um aparente recuo meu.
    - Mas diz aí... Com todo o respeito - e o olhei de cima a baixo - você é um garoto muito bonito. Nossa... Como consegue. Aposto que os caras ainda ficam doidos pra te comer.
    Ele riu, ficando vermelho. Daquele jeito encabulado, porém disfarçadamente lisonjeado.
    - Isso sempre vai acontecer. Você não pode esperar que todos respeitem sua escolha.
    - Eu imagino - e o fitei novamente, antes de desviar o olhar, como quem não quer ser pego no flagra.
    - O que? - se distraiu
    - Nada - fingi resignação e me posicionei de forma a esconder um aparente volume. Eu não estava de pau duro, mas queria que ele pudesse crer em tal possibilidade.
    Percebi que André tentou ver o que eu escondia, mas sem sucesso. Então, recobrando a seriedade, concluiu:
    - Mas como eu ia dizendo... Cabe a nós resistir a tentação. Como um vício.
    - Hum... - e fiz cara de decepção.
    - O que foi? - se impressionou com minha súbita mudança de humor.
    - Nada - cruzei as pernas.
    - Pode falar.
    Eu ri com um pouco de sarcasmo, então me levantei de uma vez.
    - Foi mal, deixa eu só trocar de roupa rapidinho. Esqueci que estava todo suado agora pouco.
    - T... Tudo bem.
    Saí e me troquei no quarto. Demorei mais tempo propositalmente. Não imaginava que ele fosse se trair e tentar me bisbilhotar. Nem aquele garoto devia ser tão burro, mas o deixar ansioso não faria o menor mal.
    Botei então uma samba canção, sem cueca por baixo, e uma camiseta.
    Voltei e lhe ofereci outra caneca de café, que ele aceitou, dando uma leve sacada em meu volume que balançava dentro daquele tecido fino. Eu ainda não estava excitado, mas meu órgão era capaz de se fazer mostrar naquela roupa sem grandes esforços.
    Olhei pra ele de novo, com certa pena. Ele mais uma vez ficou receoso diante de minhas encaradas.
    - Então, o que você ia dizendo? - o convidei a continuar, já sem o menor ânimo.
    - Na verdade, era você quem ia me dizer o que está pensando.
    - Nada demais - fiz pouco caso
    - Por favor. Pode se abrir comigo - insistiu e aquele jeitinho de garoto me deu uma vontade ainda mais louca de fuder aquele cu.
    - André, é o seguinte. Acho legal você ter se encontrado e tal... Só acho... Sem querer ofender... Que você está se enganando.
    - Como assim? - tentou parecer com desdém, mas era claro que minha acusação o deixou desconfortável.
    - Você não se "curou", coisa alguma - fiz questão de fazer o sinal de aspas com os dedos enquanto falava. - você só está se negando. Você sente tesão em homens, só escolheu não realizar.
    - Mas isso é praticamente a mesma coisa.
    Enfim ele tinha admitido. Mesmo sem perceber.
    A hora do bote estava chegando mais rápido do que supus. O pobre ratinho não fazia ideia da serpente que estava se enroscando ao seu redor
    - Você falou de vício. Não que eu concorde com a comparação, mas vamos seguir seu raciocínio por aí. Vou te dar um exemplo. Eu tive um tio com problemas de alcoolismo. Ele lutava o tempo todo contra o vicio. Em determinados momentos, acreditávamos que ele tinha superado, mas era só ele por um gole na boca que logo voltava. E ainda pior.
    Percebi que agora eu tinha sua completa atenção.
    - Foi ele mesmo quem me disse uma vez, que o desejo nunca o abandonou. - continuei - E que ele só saberia se estava verdadeiramente curado quando fosse capaz de colocar o primeiro gole na boca e então parar. Até lá, tudo não passava de negação.
    - Ele conseguiu?
    - Claro. Demorou. Lógico. Mas conseguiu. Hoje ele bebe uma cervejinha uma vez ou nunca com os amigos no bar e é completamente capaz de parar a hora que quiser.
    Bebemos o café e percebi que minhas palavras o estavam pondo para refletir.
    - Posso te fazer uma pergunta? Pessoal. - questionei.
    - Pode.
    - Você é... Digo, "era". Passivo ou ativo?
    Ele ficou logo vermelho.
    - Se não quiser responder, beleza. Estou apenas querendo entender como você conseguiu. Admito que ainda não estou convencido, mas pela primeira vez estou tentando a entender e, quem sabe, dar uma chance
    A esperança da catequese o encheu de coragem. Afinal, ele encarava aquilo como uma espécie de missão divina e eu sabia que aquela isca iria funcionar.
    - Eu era passivo.
    Ponderei a informação em silêncio. Deixando ele ficar ainda mais ansioso.
    - Pra você deve ser ainda mais difícil, não é? - mostrei-me solicito - Digo... Você sentia um prazer que só um homem pode te proporcionar.
    Não respondeu, sem vontade de admitir.
    - Eu, por exemplo, sou bissexual. E exclusivamente ativo - comecei a narrar, sem prestar atenção nele. Como se falasse para mim mesmo e ignorasse sua presença - Então, pra mim não seria uma total abnegação restringir meu cardápio. Afinal - e ri - fuder é fuder, não é? Tá, há diferenças. Pegar um homem e uma mulher exige métodos diferentes. A mulher é, em geral mais delicada, gosta de mais carinhos. Você tem mais controles para manusear antes de deixar no ponto. O homem não, é mais bruto, mais simples. Você pode pegar de jeito e fuder com vontade, sabe? - e soquei a palma da mão para simbolizar.
    Nesse instante, olhei para ele e o garoto só faltava babar.
    - Desculpa. Estou sento desrespeitoso. - me apressei em corrigir a postura.
    Sentei mais relaxado, meu pau já estava quase duro e saia um pouco pela passagem da perna
    Ele notou, mas não me avisou.
    - Vai ser difícil. Acho que não vou conseguir - ri.
    - Claro... Claro que vai.
    Ele já não conseguia sequer pensar antes de falar. Estava respirando como se o ar fosse rarefeito.
    - Agora abre o jogo. Só pra nós dois. No sigilo. - e o encarei enquanto puxava a barra do meu short e mostrava meu amigo - O que você sente ao ver?
    Imediatamente ele ficou tenso e desviou o olhar.
    - Viu? Negação. - constatei - Homens ficam pelados na frente de outros o tempo todo. Nos vestiários, por exemplo. Podem trocar de roupa na frente um do outro sem problemas, uma vez que não tem desejo. Se você não consegue nem olhar sem ficar assim, acho que ainda tem um longo caminho pela frente.
    O coitado enfim encarou seu desafio. Aquilo era tortura, como apresentar um prato de comida para alguém em jejum. Mas eu não estava nem um pouco solidário naquela manhã.
    Levantei e fui até seu lado, no outro sofá. Sentei e peguei sua mão.
    - Vamos testar essa sua força de vontade.
    A resistência foi tão pífia que acredito que ele sequer tentou. Levei sua mão e fiz seus dedos envolverem meu órgão que chagava a pulsar de tanta excitação.
    Ele encarava o desfio de olhar para meu pau com coragem. Lutando para disfarçar a cara de fome que tal imagem o inspirava.
    Puxou bem a pele, desnudando a cabeça. Então, num rompante, largou.
    Conseguiu sair, mas as marcas da batalha o tornaram presa fácil para os ataques que se seguiriam. A presa já estava agonizando. Era só abater. Entretanto, permitindo-me brincar mais com a comida, resolvi lhe dar crédito.
    - Nossa. Realmente você conseguiu - parabenizei, sem saber se estava sendo convincente ou claramente debochado. - você está bem?
    - Sim, sim - e se abanava com a blusa - Acho melhor eu ir
    - Já? Mas pensei que ia me apresentar a sua fé - e indiquei os inúmeros panfletos com famílias felizes, brincando com animais selvagens, em suas ilustração do que seria o Shangrilá prometido.
    - Sim. Sim.
    - Eu estava realmente querendo ouvir. Mas cá entre nós, prefiro você ao Obi Wan. - admiti - Ele me parece sisudo, sabe? Não me inspira simpatia. Não vou querer convidar ele pra entrar. Por isso deixei você, pois veio sozinho. Fica mais. Estou quase convencido.
    Obviamente ele não cairia naquela lorota, mas também eu não precisava o enganar, apenas oferecer artifícios para que o ajudasse a enganar a si mesmo.
    Apoiei-me no encosto do sofá com o cotovelos e o encarei, como um aluno dedicado a aprender
    Ele então respirou fundo e começou a falar. Mas era óbvio que, por mais que tivesse decorado todo aquele discurso de cabo a rabo, não era capaz de articular as palavras com precisão. Ainda mais naquelas circunstâncias. Mas seguiu em frente, mesmo sem dizer coisa com coisa, a todo o momento parecia murchar diante de meu olhar, que o encarava como se pudesse ver além de suas roupas e sua pele.
    - Você está me deixando sem graça. - informou, quando resolveu retribuir o olhar
    - Desculpe - e alisei seu rosto - É que você tem um rosto agradável.
    - O... Obrigado.
    - Ainda difícil de acreditar, que essa boquinha aí está sem beijar ninguém a tanto tempo.
    Ele riu, sem jeito.
    -Vou pegar mais café - anunciei, mas ao invés de me levantar, apenas inclinei meu corpo por cima dele, pegando a cafeteira na mesinha do lado do sofá.
    Quando voltei com a garrafa, nossos rostos ficaram bem próximos. Lhe dei um beijo suave na boca. Apenas um leve roçar.
    - Desculpa - pedi
    Mas ele nada respondeu. Era a hora. Sem me afastar, deixando-nos tão próximos até que fossemos capazes de sentir os hálitos de café um do outro, comecei a narrar:
    - Sabe. As vezes o meu tio pensava em desistir, cada vez que fraquejava. Mas o convencemos a não. Afinal, aquilo fazia parte do processo. Pois o que seria uma vitória sem as quedas do percurso? Não era o fato de ele perder o controle uma vez ou outra que significava uma derrota. Era apenas um passo, depois de outro.
    - Aham - sussurrou, hipnotizado.
    Lhe dei outro beijo.
    Minha mão alisou sua perna, subindo até chegar ao botão de sua calça e o abrir. Ele segurou minha mão, mas eu o olhei sério e disse:
    - Deixa - a autoridade de minha voz foi tudo que ele precisava. Largou e eu abri sua calça.
    Depois me posicionei melhor no sofá, ficando de frente para ele e o enlaçando com minhas pernas. O trouxe para meu colo e introduzi uma mão por trás, adentrando a calça e a cueca, localizando rapidamente o caminho entre as nádegas e o buraquinho. André arfou quando circundei o orifício com a ponta do dedo. Com a outra mão, abri sua camisa e lhe chupei o peito. Ele agarrou minha cabeça, enfiando as mãos em garra em meus cabelos. Gemeu baixinho. Um gemido preso e choroso 
    Mordi seu peito e ele deu um silvo. Sua bunda já estava desnuda e seu pau duro estava pra fora. Era bem-dotado para seu tamanho pequeno.
    O anel piscava e já deixava a primeira falange entrar sem problemas.
    - Gostoso - sussurrei - moleque gostoso, você. Sabe que é um pecado um cuzinho desses ficar casto.
    - Eu não queria….
    - Shiii - e o beijei - Fazemos o seguinte: amanhã você volta para seu projeto. Hoje, você é minha putinha. Ok? Encare isso como uma dieta e hoje, meu amigo, é seu dia de lixo. Tudo bem?
    Ele fez um biquinho, respondendo com um sim dengoso.
    Tirei sua blusa e depois sua calça. Os sapatos saíram no processo e a cueca foi despida logo depois. Sobrou apenas as meias. O ergui do sofá no colo, pernas enlaçadas em minha cintura,  arriei meu short e encaixei na entrada. Com a ajuda da gravidade, enterrei meu órgão em seu corpo pequeno. Ele trincou os dentes e fechou os olhos, enquanto eu entrava seco em seu corpo 
    Se aquele cu estava fechado para negócios por muito tempo, eu não sabia. Mas que com certeza ele foi muito usado antes de tal decisão, isso era um fato. Até eu me surpreendi com a facilidade que um pau do tamanho do meu tivesse entrado com tão pouca resistência.
    - Puto - e lhe dei um tapa na cara - já deu muito esse cu, não é?
    Sorri.
    Ele não respondeu, gemendo enquanto se segurava em mim. O peguei e o fiz quicar, em pé mesmo. André era leve e fácil de manusear.
    - Vou judiar de você, garoto. Ah se vou - avisei, vendo ele me olhar numa ansiedade que deixava claro que minhas ameaças pouco o assustavam. Apesar de ele tentar fazer parecer que sim 
    - Por favor. Faz tempo que eu não….
    Levou outro tapa na cara para se calar. O levei para meu quarto e o joguei na cama. O fiz ficar de quatro e meti a língua em seu ânus. Chupei com vontade, enfiando toda a língua. 
    André pegou um travesseiro e enfiou na cara para evitar o som dos próprios gemidos.
    Ajeitei-me e levantei. Terminei de tirar minha roupa e aproveitei e arranquei suas meias 
    Encaixei e, segurando em seus ombros, enfiei tudo de uma vez. A imagem de um pau tão grande atacar de forma tão brutal uma bunda tão pequena era sexy em sua faceta mais visceral, mais selvagem.
    Fodi com vontade, tesão e, também, um pouco de raiva. Como se descontasse nele não só a punição por aquele preconceito idiota que ele guardava, mas também por todas as manhãs de sono perdidas com suas visitas de catequese.
    Fodi com vontade, mantendo-o bem preso em minhas mãos. Meu pau saia e entrava, acertando sempre na mosca quando retornava a sumir em seu corpo.
    Arranquei seu travesseiro e puxei seus cabelos 
    - Geme, puta. Geme.
    O rosto vermelho de dor e prazer me deixava louco. Ele gemia agudo, quase um miado.
    Dei mais uns três tapas em sua bunda, o último deixando as marcas de meus dedos em sua nádega.
    Passei a mão em seu pau e, apesar de mole, o senti melado 
    - Gostando, né? Vai ter de rezar muito pra mudar quem você é.
    O peguei e o girei na cama, como um boneco.
    O pus de barriga pra cima, pegando suas penas e deixando de lado, em posição fetal, meti mais, me lançando por cima dele para meu rosto ficar colado ao seu.
    - Gosta disso, né? Admite. Fica nesse papinho escroto de cura. Mas você só se engana. É um puto e vai ser um puto. Desses que gostam de alguém pegando com vontade, com força.
    Enfiei o mais fundo que consegui, fazendo ele se envergar.
    Ele não era capaz de responder. Apenas gemia, lutando para não fazer barulho. Essa preocupação não era partilhada por mim.
    Beijei sua boca e depois lhe dei outro tapa. Mais um beijo e mais um tapa. Olhei em seus olhos e sorri.
    - Gostando?
    Ele não respondeu e levou outro tapa.
    - Fala. Gostando, puto?
    Mas ele não falava. Não sei se com medo de mim ou dele mesmo.
    Não lhe dei um segundo de descanso. Metendo sem dó ou pausa.
    Eu suava em bicas, mais do que em qualquer corrida.
    Tirei o pau mais uma vez e me surpreendi com o quão fundo havia ficado seu canal. Um buraco dilatado, que contraia. Enfiei mais uma vez a língua, chupando tudo.
    André gemia, segurando minha cabeça, puxando como se não quisesse que eu parasse.
    Quando terminei, sorri de novo e o encarei 
    - Gostoso - falei, deixando-o sem graça.
    Sentei então na cama e mandei:
    - Vem, quica.
    O pus no colo e o fiz sentar.
    - Vai. Tua vez de ralar  Arranca teu leite 
    Ele obedeceu. Sentando e subindo.
    - Rápido - ordenei 
    E ele foi 
    - Mais rápido - gritei e lhe dei outro tapa.
    O garoto estava usando todas as energias para me satisfazer. Tal situação me deixou eufórico, pois quanto mais eu o apertava, mais ele cedia. Fazer aquele beato agir como uma meretriz barata despertava o que havia de mais sórdido em mim.
    E foi aí, senhoras e senhores, que ocorreu o acontecimento. Apesar de toda a ação ter se desenrolado em questão de segundos, sou capaz de ver toda a cena em câmera lenta.
    Ele quicando, o momento em que meu pau escapa, ficando exposto, ereto como um mastro pra cima. Então ele volta, descendo com tudo, conforme seguia minhas ordens. Eu percebo o perigo, tento avisar, mas já é tarde. Um impacto e estava eu dando entrada no hospital, tenso para saber o que seria de meu amiguinho ali embaixo. E, consequentemente, de péssimo humor.
    Agora, passando toda a raiva e medo iniciais, percebo que aquele período me permitiu refletir. Não adiantava arrumar culpados para aquilo que foi claramente um acidente. Não havia divindade vingativa ou karma. Não era culpa da aporrinhação daqueles seguidores da igreja a qual sequer sei o nome. Eu próprio havia me deixado levar. Estava tão afoito em poder judiar de um rabo de forma tão intensa que acabei provocando.
    Enfim, acho que aquilo era um sinal para eu me acalmar. Assim como o urso sabia quando era hora de parar e hibernar para tempos melhores. Acho que eu precisava sossegar e, quem sabe, até crescer como ser humano.
    E foi num desses momentos de reflexão que o doutor Oliveira chegou.
    - Então, como anda meu paciente mais animado?
    - Um raio de sol em uma manhã nublada - respondi, tentando disfarçar o mau humor. Olhei o relógio - São quase 23h, não sabia que haveria passagem médica agora.
    - Na verdade não. O fato é que vou sair do hospital essa semana. Minha residência enfim acaba e eu vou assumir no concurso que passei.
    - Que bom - o felicitei
    - Pois é. Então, resolvi dar uma última olhada em meus pacientes. Minha escala acaba daqui a pouco.
    Ele tirou a coberta e olhou.
    - O que acha? A fim de dar uma espiada agora ou prefere deixar pra amanhã, com a enfermeira? Acredito que amanhã vamos te liberar para ir pra casa.
    - Sério? - fiquei radiante com a expectativa. - podemos ver agora, por favor 
    Ele então foi tirando os curativos e eu na dúvida se queria ou não ver. A cada esparadrapo removido, o medo e a ansiedade despontavam.
    - Olha só. A recuperação está excelente - parabenizou 
    Então olhei e de fato estava menos grotesco do que imaginei. Estava inchado e roxo em alguns pontos, mas inteiro e reto, como deveria ser.
    - Que alívio. Essa coloração….  - arrisquei 
    - Não se preocupe. Em duas semanas, no mais tardar, ele volta. Você talvez precise tomar remédio para dor em noites frias, mas nada demais. Conseguirá seguir com o tratamento em casa 
    - Que bom 
    - Só tenho uma má notícia - brincou, parecendo se divertir com a tensão causada - ele não vai ficar tão grosso assim quando se recuperar.
    Demorei pra entender a piada e então ri, como não ria em muito tempo.
    - Tudo bem. Meu amigo aqui já é grosso o bastante. Não mudaria nada nele.
    - Percebi - e continuou a avaliar, puxou a pele, tateou. Até mesmo o saco ele avaliou, eu não sabia porque 
    Devia ser a falta de toque humano, ou a enfim certeza de que ele ficaria bem, mas fiquei tão excitado com aquele toque que estava difícil até de respirar.
    - Desculpe - pedi, enfim.
    - Isso aqui? - e pegou meu pau, mostrando - fica tranquilo. Normal.
    - Ok - arfei. Devia ser impressão minha, mas eu começava a sentir maldade em seu toque 
    - Diz ai, sentindo alguma dor? - perguntou enquanto o tateada e puxava a pele, um movimento que se assemelhava muito com masturbação.
    - Tranquilo - arfei.
    - Desculpe. Deve ser difícil pra você, não é? Prometo que já estou acabando. - sorriu, enquanto me deixava louco de tesão.
    Ele então olhou de um lado para o outro, notando o silêncio do hospital aquelas horas.
    - Olha, o que eu vou sugerir agora pode ser pouco ortodoxo, então….  seria legal não comentar com o hospital. Mas acho que seria bom testarmos ele pra tirarmos as dúvidas. O que acha?
    Eu demorei para entender que ele estava sugerindo o que eu achava estar sugerindo.
    - Bem…. O senhor é o médico - dei de ombros 
    - Teremos de ser rápidos - avisou.
    - Não se preocupe, doutor. Do jeito que estou, vai ser incrivelmente rápido.
    Ele sorriu, mostrando uma cara de safado que eu jamais teria imaginado nele. Realmente, meu faro devia estar enferrujando, pois já era o segundo que eu deixava escapar.
    Ele desceu o rosto e começou a me chupar. O espasmo foi violento e eu tive de morder a mão para não fazer barulho.
    Bem, acho que minha hibernação enfim tinha acabado. E eu achando que finalmente evoluiria espiritualmente... Bem, eu tentei...

     

  • Diários de caça - Capítulo 21 – Presa natural

    Tudo começou com algo banal: uma fila de mercado. A moça em minha frente estava um tanto ansiosa, olhando em torno. Ela era a próxima do caixa, com carrinho cheio, e eu estava logo atrás dela levando apenas pão e algumas bobeiras.  Foi quando chegou sua vez e ela me falou.
    - Pode ir na frente. Meu marido está demorando nos frios
    Percebi, em uma analise rápida, um pequeno volume na barriga que devia indicar gravidez em estágios iniciais.
    - Não tem problema. Pode ir se adiantando, afinal ele já deve chegar
    Ela sorriu, mas indicou alguns itens que pereciam pesados. Como mamãe Mendes havia criado um bom cavalheiro do interior, não esperei ela me pedir ajuda para pegar os itens mais pesados e alimentar a esteira do caixa.
    - Obrigado - sorriu encabulada e foi passando os itens. Dentre eles, dois galões enormes de cerveja alemã. - meu marido gosta de uma cervejinha - defendeu-se, mesmo que eu sequer tivesse aberto a boca.
    - Quem não gosta, não é mesmo? - sorri, galante.
    A moça do caixa, uma senhorinha já, ficou me olhando com carinho, provavelmente me imaginando como o genro que toda a mãe pediu a Deus. A humanidade as vezes era muito inocente.
    Foi então que ouvi uma voz que me despertou a memória para tentos distantes no passado.
    - Desculpa, amor. A fila estava infernal. Você não levantou isso sozinha, não é?
    - Não. O rapaz me ajudou.
    Quando o homem se virou para mim e eu o encarei, nossos queixos caíram em sincronia.
    - Fábio? - ele perguntou.
    - Gustavo?
    Então sorrimos e nos abraçamos
    - Quanto tempo, seu bicho do mato. Então finalmente saiu daquela cidade?
    Eu ia responder, mas indiquei a fila e as pessoas atrás que olhavam com maus olhos aquele momento de encontro no meio de algo que elas queriam que andasse o mais rápido possível.
    Apressamos em passar as compras. As minhas, como eram poucas, foram mais rápidas ainda. Saímos e só do lado de fora que a mulher, que carregava apenas um pacote de papel higiênico, perguntou:
    - Então você é o Fábio? Nossa. Mas meu marido fala muito de você.
    Gustavo, que alimentava a mala do carro com as compras pesadas que eu e ele trouxemos, pareceu aguçar o sentido levemente, percebendo que o assunto poderia chegar a um lugar delicado.
    - Imagino que sim. Embora duvido que tenha contado tudo - brinquei, sabendo que ele me ouvia e ficava tenso
    - Imagino - ela riu - Gustavo, com certeza, tem podres da adolescência que não conta.
    - Existem histórias que não são para a mãe de nossos filhos, não é mesmo? – ele sorriu amarelo.
    Rimos.
    Então Gustavo terminou, já visivelmente tenso, apesar do ar casual que se forçava a exibir, e fechou a mala.
    - Bem. Então, vamos, amor? Fábio, foi um prazer. - era claro que a emoção do reencontro foi logo eclipsada pela possível revelação de seu passado
    - Como assim, Gustavo? Você vê seu amigo de anos e já o está enxotando.
    - Ele é assim mesmo, desde sempre - fiz-me de doido, adorando a saia justa em que eu o colocava .
    - Não é isso, amor, tô com medo do sorvete derreter na mala.
    - Sei - demonstrou todo seu ceticismo - tem certeza que não é a cerveja que te preocupa?
    Ele deu mais um de seus sorrisos amarelos. Eu, particularmente, estava adorando ver ele tão temeroso assim de repente.
    - Não vou mais incomodar vocês - anunciei - Depois podemos marcar para eu entreter você com todas as histórias escabrosas e constrangedoras de seu maridão nos tempos de colegial. Marquemos algo, estou pela cidade pelos próximos meses.
    Gustavo já demonstrava profundos sinais de alívio quando sua esposa o atrapalhou:
    - Bem, se estiver livre agora, hoje seria um ótimo dia, não é amor?
    - Ah... Hoje? Não sei.
    - Estou com a agenda livre hoje, sim. - informei, cortando-o
    - Que bom - comemorou e assim a reviravolta da vida me colocou no banco de trás do carro de Gustavo, conversando com sua senhora como se fossemos dois antigos amigos do colégio.
    - Não acredito. Gustavo, você não me disse que era gordinho - Suélen, cujo nome agora eu sabia, se espantou
    - Mas era. Quando criança Gustavo aí era uma bolinha de carne moída. O apelido dele era almôndega. Aí, aproveitou o estirão da adolescência e começou a malhar igual um doido, virando essa máquina de músculos que você conhece hoje. Embora - completei ao notar uma saliente barriguinha quando sentou. - vejo que ainda existem resquícios do almôndega aí, hein? Quem dos dois carrega o bebê?
    Achei que Suélen ia urinar de tanto rir.
    Gustavo tentava achar graça, mas não estava a vontade. Eu sabia bem que não eram as piadas, que ele sempre levou de boa. Era claro que o medo dele era que eu tocasse em algum ponto delicado de nosso passado. Medo esse que eu estava tentado a alimentar.
    - Ai, depois dessa transformação, ele virou o perigo da mulherada. Modéstia a parte, eu e ele competíamos para saber quem pegava mais. Espero que não se ofenda - completei, tocando no ombro de Suélen.
    - Problema nenhum. Sei como vocês homens são. Aprontam de todas - e lançou um olhar divertido de censura ao marido.
    - E como aprontamos, não é Gustavo? Alguns pais vieram reclamar de nós na direção. Por conta de suas filhas, sabe.
    - Todos temos um passado e as vezes é melhor eles ficarem lá - Gustavo soltou essa indireta que eu fingi não entender.
    - Mas não era só sacanagem também, né? - continuei - sabe, o que eu sinto saudade mesmo era da mata. Em especial as cachoeiras. Lembra, Gustavo?
    O fiz ficar tenso e tive de segurar a vontade de rir.
    - Ah, ele me falou que tomava banho de cachoeira quando criança. - Suélen comentou , alheia a tensão que se formava - como eu amo cachoeiras. Elas são energizantes
    - É muito bom mesmo. Ainda mais nadando peladão.
    Gustavo meteu o pé no freio a tempo de evitar colidir com o carro da frente .
    - Amor, cuidado - Suélen ralhou com o marido.
    - Desculpe - pediu.
    - Mas continua. Vocês nadavam pelados mesmo? - me olhou pelo retrovisor.
    - Claro. Seu marido aqui, apesar de parecer um homem da cidade, já foi uma criança do mato como eu. Lá as crianças todas nadavam peladas. Na adolescência, tínhamos uma outra cachoeira mais isolada, que quase ninguém conhecia. E lá a gente nadava nu de vez em quando também.
    Suélen chorava de tanto rir.
    - Chegamos - anunciou Gustavo, feliz em cortar o assunto.
    Subimos com as compras e sentamos no sofá, Suélen, que nos deixou na sala, trouxe duas cervejas. Então, ela olhou o celular e levou a mão a testa.
    - Meu Deus. Esqueci da Clara.
    - Clara? - perguntei.
    - Minha manicure. Eu estou com horário marcado e já estou atrasada.
    Rapidamente, ela pegou a bolsa e foi saindo
    - Desculpa sair assim, Fábio. Foi um prazer. Mas fique, por favor, eu não vou demorar. Mas também não posso desmarcar, pois já foi difícil conseguir um horário com ela.
    - Sem problemas. Vou ficar aqui com seu marido, relembrando os velhos tempos - insinuei.
    Gustavo ia protestar, mas foi ignorado e logo estávamos sós no apartamento. Ficamos em silêncio em que eu o estava fitando e ele, constrangido, evitava meu olhar.
    Deixei ele assim por um tempo, me deliciando da cerveja enquanto o torturava.
    - Quer que eu vá embora? - ofereci, o que o deixou sem graça.
    - Não. Não... Só... Não esperava isso.
    - Relaxa, amigão. Eu tenho bom senso. Jamais ia contar a ela o que rolava. - e bebi um gole. - Não contava nem na época, por que vou explanar agora?
    Ele sorriu encabulado, mas também agradecido.
    - Aproveitando, queria saber - comecei - depois da gente... Você chegou a fazer de novo?
    - Eu? - e riu de escarnio - não.
    Transpareceu convicção, embora ainda estivesse desconfortável.
    - Hum - me limitei a comentar, enquanto bebia de mais um gole.
    - E você? - perguntou enfim, curiosidade que eu sabia estar corroendo dentro dele.
    - Um monte - falei com toda a fraqueza - Em meu trabalho, eu viajo muito. Podemos dizer que do Oiapoque ao Chuí, experimentei várias bundas - e pisquei pra ele - Mas a primeira a gente nunca esquece, não é mesmo?
    Ele riu.
    - Você é um filho da puta.
    - Nossa, que nostalgia. Saudades de você ofendendo minha progenitora.
    Rimos. Ele um pouco mais relaxado. Só um pouco.
    Eu aproveitava para notar mais meu velho amigo. Tirando a barriguinha redonda de chopp, muito do antigo Gustavo ainda estava ali. Os braços musculosos, com uma ou dez tatuagens a mais do que eu me lembrava, as pernas grossas e peludas e o rosto de homem, realçado pela idade e pelo estereótipo de futuro pai de família.
    - Mas fala a verdade. Nunca mais teve vontade? - questionei-o - você sabe...
    - Não - respondeu rápido demais.
    Gustavo evitava me olhar nos olhos.
    - Saquei - sorri, calculista. - pelo menos não terei nunca que pagar aquela dívida, então.
    Ele fez pouco caso e cruzou as pernas.
    O que poderia parecer um sinal de estar relaxado, mas eu intuía ser a tentativa de ocultar algo.
    - Verdade - falou enfim - saí de lá e você nunca me pagou essa dívida.
    - Ora, mas você não acabou de dizer que não curte mais? - lembrei e ele tentou contornar.
    - Não é questão de gostar ou não. Mas de reparação.
    - Hum... - pensei - pena que já fazem dez anos, não é mesmo? E como prevê o código de defesa do consumidor, após 5 anos os nomes saem dos cadastros restritivos.
    Rimos e ele terminou a cerveja e nos pegou mais duas.
    - Você é um filho da puta - reforçou, quando voltou.
    Dei mais uma golada e ofereci, casualmente:
    - Quer uma mamada?
    - Oi?
    - Uma mamada. - fiz mímica, naturalmente, como se comentássemos uma partida de futebol - Pra compensar.
    - Só uma mamada? - riu
    - Ora. Dez anos depois você queria que a dívida fosse a mesma? E o desconto pra limpar meu nome? - sorri.
    Ele ria descrente, só não sabia se em mim ou se nele mesmo.
    - Vou melhorar a proposta. Eu mamo e ainda bebo teu leite. Pegar ou largar. Devo dizer que botar o Fábio Mendes aqui pra beber porra de macho é um privilégio de poucos, mas muito poucos mesmo.
    O vi se revirar no sofá, indeciso.
    Para facilitar sua decisão, me levantei e bebi toda minha cerveja de um gole. Limpei a boca com o braço e caminhei até ele. Me ajoelhei e toquei sua perna
    - Anda. Ou vou desistir - ofereci, indicando sua pelves.
    Ele abriu as pernas e eu o ajudei a tirar o short e a cueca. Tirei tudo, inclusive os chinelos, deixando-o nu da cintura pra cima. O pau já duro, oscilava apontado para o alto.
    Peguei e o analisei. Puxei a pele e expus a cabeça. Dei uma lambida, provando o sabor.
    - Igual eu me lembrava - me deixei levar pelas lembranças, atiçando sua ansiedade.
    Então, deixei a cabeça pender e comecei a mamar. Gustavo mordeu o lábio e começou a gemer baixinho. Enfiei tudo na boca e brinquei com ele dentro com minha língua. Lambi toda a envergadura e então peguei suas pernas e ergui.
    Ele tentou me impedir.
    - Relaxa, amigão - sorri, malicioso e então abocanhei seu saco, puxando uma bola e massageando com a língua.
    Um pouco mais relaxado, ele soltou minha cabeça e me deixou erguer um pouco mais sua cintura. O rego agora estava desprotegido e eu apenas preparava a hora certa do bote.
    Com a calma e paciência de um caçador, deixei minha língua brincar com seu saco para então, com uma lambida potente de um tigre, subir até chegar novamente até seu pau e o chupar.
    Repeti o movimento mais vezes, descendo com calma, brincando com a ponta da língua, e depois subindo de uma vez passando por todo o saco e envergadura do pau. Cada hora que descia, ia mais além, chegando enfim a tocar a entrada do orifício. Ele deu um leve espasmo, nada demais. Aos poucos, voltava meu ritual e o visitava ocasionalmente. E cada vez que o chegava no buraquinho, oferecia uma lambida mais completa, sentindo-o mais dilatado a cada visita, onde o enchia de carinho e saliva.
    Gustavo não percebeu quando eu tirei minha bermuda, ficando também nu da cintura pra baixo. Meu órgão ereto, oculto na parte de baixo da sofá. Ele, de olhos fechados, relaxado e embriagado de prazer, gemendo baixinho ao caprichado sexo oral que eu lhe concedia.
    Então, chupando seu cu e sentindo minha língua entrar com facilidade, olhei para minha presa e ela não podia estar mais vulnerável. Era a hora. Subi novamente, lambendo-o igual das outras vezes. Mas nesta, não me contive em seu pau, ultrapassando e lambendo sua barriga e seu peito. Conforme me ergui, com a mira precisa, encaixei-me em seu rabo e me posicionei. Ao perceber o que acontecia, Gustavo arregalou os olhos e antes que pudesse protestar, eu já estava deslizando ora dentro dele, sendo recebido pelo seu cu como um velho amigo
    - N... Não... Ahhh.
    - Relaxa, amigão. To dentro já. Nossa, que saudade.
    E meti de leve, sentindo o deslizar gostoso de meu pau nas paredes de seu ânus.
    - Sai daí. Tira - mandou, rosnando.
    - Por que? Você já me recebeu tão bem. Admite, vai. Estava com saudades - zombei, continuando a meter devagar .
    Ele tentava se ajeitar, mas a posição em que o coloquei o impedia de fugir. Não tinha onde se apoiar com as pernas erguidas como estavam. Seu olhos em brasa me fuzilavam, Gustavo bufava e eu o vi cerrar o punho.
    - O que? Vai me bater? - e indiquei meu peito - vai, bate aqui.
    E não é que ele bateu mesmo. Um soco controlado, mas forte.
    - Safado - sibilei, sorrindo. Confesso que sempre gostei quando a presa ainda oferecia alguma luta. - Tá com raivinha, tá? - e meti mais forte - Tá com raivinha? Raiva de quem? De mim? Ou de você? Afinal, não importa quanto tempo passe, né amigão? No fim, sou eu quem te como. E você gosta.
    Levei um tapa na cara pelo meu gracejo e isso foi me deixando louco de tesão. Meti sem dó. Sabia que Gustavo era um macho de respeito e ia aguentar. Meu pau deslizava com facilidade, como nos tempos de adolescentes.
    - Por quê? - soltou de repente. Rosto vermelho, bufando como um touro. Pernas para o ar pendidas e balançando a cada estocada - Por quê, depois de tanto tempo, eu ainda tô dando pra você?
    Achei graça daquele desabafo e esperei ele continuar.
    - Faz anos que não faço isso. Anos! E é só você aparecer que eu tô te dando o cu de novo. - desabafou, segurando o gemido.
    Eu me inclinei, deitando sobre ele e encravando fundo. O beijei com carinho e então sussurrei:
    - Eu sou seu predador natural - informei simplesmente - a natureza cria seres que por lei natural são presas umas das outras. E não importa o contexto, uma sempre vai comer a outra.
    Levei outro tapa e sorri. Segurei suas mãos e meti com tudo. Gustavo já completamente encolhido, joelhos nos ombros, suando.
    - Chega de me bater agora.
    Saí de cima e o virei de bruços. Apesar do corpo musculoso, foi fácil, como era antigamente, dominá-lo. Eu ainda era mais forte, apesar do fenótipo dizer o contrário.
    O coloquei de bruços e prendi seus braços atrás do corpo. Encaixei novamente e desci com tudo, golpeando sem piedade com ajuda da gravidade. Gustavo enfiou a cara no assento, abafando os gritos de prazer.
    - Gostoso - gemi - Cara, que saudade eu estava desse rabo. Não é só por ser o primeiro, não. O seu é inesquecível. Cá entre nós, vou admitir, nunca encontrei alguém tão másculo como tu pra fuder. E agora, casado e com um filho encomendado... Porra... Tá ainda melhor.
    Meti muito ainda, no final, dei golpes bem dados e precisos, pegando distância e deixando cair de uma vez. A cada golpe, um grito abafado.
    Quando gozei, cravei fundo,.
    - Hora de eu engravidar você - brinquei e ele virou a mão pra trás, me enchendo de tapa.
    Ri bastante, então tirei de dentro e o virei de frente de novo. Gustavo pegou ar, podendo enfim respirar normalmente.
    Eu peguei seu pau duro e melado e pus novamente na boca. Chupei até lhe arrancar o leite e, como sou um homem de palavra, bebi tudo, sob o olhar atento e maravilhado de meu amigo de infância.
    Acabamos e nos sentamos, um de cada lado do sofá para recuperarmos o fôlego.
    - Eh... Como nos velhos tempos - lembrei.
    - Você é um filho da puta - e me bateu com uma almofada, tentando não rir.
    - Quanto tempo pra ela chegar? - lembrei de repente, ficando preocupado.
    - Meia hora pra fazer as unhas, mais duas pra pôr a conversa em dia. Estamos tranquilos.
    Gustavo foi tomar um banho e tirar meus meninos de dentro do seu corpo.
    Dei uma lavada mais modesta também, pois seria estranho ela me encontrar de cabelos molhados em casa. Quando voltou, três horas depois de sair, Suélen trouxe o almoço que nós três comemos.
    Durante a refeição, mantive-a entretida com outras histórias. Gustavo, de muito melhor humor, ria e participava. Se pela segurança de saber que seu segredo estava seguro comigo ou a simples liberação dos hormônios oferecido pela bela metida, eu não sabia.

    Saí da casa deles pelas 18h. Combinamos de marcar um churrasco ou algo do tipo, aquele tipo de promessa que amigos de longa data que se reencontram fazem sem a pretensão de cumprir
    Embora eu tenha de fato visto Gustavo novamente em pouco tempo. Uma semana depois, para ser mais preciso. Quando recebo sua mensagem de manhã cedo.
    - Bom dia, amigão. Acordado?
    Sorri como um chacal ao ver a mensagem e respondi.
    - Acabei de levantar. Já de pé?
    - Indo pra academia. Malha mais não?
    - Você tá louco. Essa hora? Nunca. Essa hora só aceito um aeróbico. De preferência, meu esporte favorito, botar você pra gemer peladinho na minha cama.
    - Rs
    Fiquei quieto um pouco. Deixando ele esperar por meu convite. Então continuei:
    - Se quiser passar aqui depois do treino. Tenho seu shake de proteínas prontinho pra te abastecer
    - Você é um filho da puta. Rs - Silêncio. Então continuou - Mas eu ficaria muito tempo fora. Ia dar bandeira.
    - Não seja por isso. Mata o treino e chega aí 
    E mandei meu endereço e desliguei o app, encerrando a conversa.
    15 min depois, toca a campainha.
    Abri a porta e vejo meu amigo com as roupas da academia, rindo com aquela cara de safado que tenta esconder quem realmente é sem sucesso.
    - Bem, temos menos de uma hora - olhei o relógio - então acho que seria legal pularmos a parte em que você finge que não quer fazer o que nós dois sabemos que vai fazer e irmos logo ao que interessa.
    Ele riu de escárnio
    - Você é um filho da puta - e entrou.
    - Culpado - admiti - meu quarto fica no final do corredor a direita.
    E parei na porta, contemplando o espetáculo da natureza que era Gustavo indo até meu quarto, despindo-se. Tirou a blusa, tênis, meias, short e cueca, largando pelo caminho e formando aquela trilha do pecado enquanto se dirigia. Parou na porta do meu quarto. Estava de lado pra mim, nu em pelo, e dava para ver seu órgão duro e em riste.
    Olhou em minha direção e riu de si mesmo. Aceitando seu destino, entrou no meu quarto para o abate.

     

  • Diários de caça - Capítulo 22 – Mamíferos

    Um paralelo interessante que quase nada tem haver com este capítulo: sempre achei Cucos aves muito fascinantes. Muito além do canto categórico que foi imortalizado nos relógios, o que acho de mais curioso nesse animalzinho é sua estratégia para depositar seus ovos. As fêmeas do cuco não fazem seus ninhos e sim os depositam no ninho de outros pássaros, mimetizando seu formato para que seja chocado e o filhote alimentado pela mãe de aluguel desavisada.
    A família hospedeira não imagina que aquele filhote inocente instalado em seu ninho é na verdade um parasita que se alimenta de todo o amor parental presente, crescendo forte e robusto, muitas vezes em detrimento dos filhos legítimos.
    Chamo a atenção para este animalzinho, pois caso parecido aconteceu comigo quando fui convidado para realizar um projeto paralelo para um colega de trabalho. Marcus era advogado da rede de hotel pra qual trabalhava. Um urso bastante gostoso e esfomeado, ao qual tive o prazer de lhe oferecer meu mel algumas vezes. Eu sabia que Marcus era casado e que sua mulher tinha acabado de dar a luz, porém, quando fui chamado para fazer o projeto do novo quarto do bebê, aquilo me pegou de surpresa.
    - Está doido, Marcus? Me colocar para trabalhar dentro de sua casa.
    - E qual o problema, Fábio? Você não tem especialização em design de interiores? Que forma melhor de praticar? Minha mulher não suspeita de nada e desde que pariu não tem olhos para mais nada que não seja o pequeno Sebastian. Você não vai atrapalhar em nada e... - sorriu com aquela cara de safado - ter você na minha casa, admito, me é uma ideia muito sedutora. Claro que não faremos nada lá. Mas... Bem... Eu posso te dar uma carona depois do trabalho uma vez e outra e recompensar com algo a mais pelos seus serviços.
    Eu estava sentado em seu escritório, ele andava pela sala quando parou atrás de mim, sussurrando aquela ideia pecaminosa. Alisou meu peito e desceu a mão até entrar em minha calça e encontrar meu pau completamente duro.
    - Viu só. O seu amigão aí gostou.
    - Safado - suspirei, vendo ele tirar meu pau pra fora da calça.
    Rapidamente Marcus deu a volta e se pôs de joelhos. Mamou até tirar cada gota do meu leite.
    Marcus morava em uma ampla cobertura na parte nobre. Assim que cheguei, rapidamente caí nas graças de Jacinta, a empregada da casa que logo quis me engordar e me casar com uma de suas filhas. Passava a maior parte do tempo me trazendo quitutes e mostrando fotos de suas filhas no Instagran.
    Juliana, a senhora da casa era uma mulher linda, mesmo com o rosto cansado das poucas horas de sono e sem maquiagem, demonstrando que havia aberto mão da vaidade durante esse período, ela tinha uma beleza natural que brilhava. E não era apenas seu rosto. Seus seios também eram enormes, com um corpo carnudo do jeito que eu gostava. Quando se apresentou a mim, talvez eu tivesse olhado tempo demais para aquele belo par de seios, pois acho que ela notou.
    Sorri constrangido e corri logo para o quarto onde trabalharia.
    A princípio o casal havia montado o quarto do bebê em um aposento menor, mas pelo que parecia, o novo rebento havia rapidamente conquistado o cômodo maior ao lado do quarto do casal, onde até então era o escritório de Marcus. Agora, os livros e mobílias do advogado foram despejados e aguardavam em um canto até que seu novo e mais modesto lar fosse liberado pelo bebê e este viesse a assumir de vez aquelas paredes.
    De fato, meu contato com Juliana foi muito pouco. Eu ficava o tempo todo no novo quarto do bebê, avaliando e criando junto ao notebook Ela ficava maior parte do tempo no quarto atual do pequeno Sebastian. Eu tinha que chamá-la quando queria sua opinião e ela não perdia muito tempo. Dizia estar plenamente satisfeita com meu progresso e tinha total confiança em mim.
    Algo me dizia que ela tinha medo de ficar a sós comigo. E essa suspeita se tornou confirmação quando, numa tarde, estava eu na cozinha me deliciando com um bolo de cenoura recém saído do forno e chegou ao apartamento uma outra mulher.
    Pela semelhança, imaginei se tratar da irmã de Juliana, a qual até então apenas ouvi falar. Deu de cara comigo e me olhou de cima a baixo, escaneando-me totalmente e exibindo em seu rosto uma avaliação positiva e inquisidora ao mesmo tempo.
    Juliana chegou logo e cumprimentou a recém chegada
    - Irmã. Não te esperava tão cedo. Já viu que conheceu o Fábio, o arquiteto que fará o quarto do Sebastian.
    De posse daquela informação, me lançou outra avaliação rápida, desta vez totalmente positiva. Eu engoli rapidamente a fatia de bolo que tinha na boca e a cumprimentei
    - Vamos - Juliana a apressou antes que pudesse falar qualquer coisa - tenho um monte de coisa pra festinha de três meses do Sebastian.
    - Francamente, não sei porque você faz uma festa para cada mês. O garoto passa dormindo em todas elas. - replicou a recém chegada conforme era empurrada para o quarto e lançando olhares a minha pessoa repletos de suspeitas.
    - Não começa - a irmã a advertiu.
    Resolvi então voltar ao meu trabalho.
    Uma coisa que acho que nunca falei sobre mim: os anos de caça me fizeram aguçar bastante minha audição e eu era capaz de ouvir e decifrar sons a uma boa distância. Outra coisa sobre mim que talvez não saibam é que herdei a curiosidade de minha mãe.
    O fato é que assim que ouvi meu nome ser pronunciado aos sussurros no quarto ao lado, não pude evitar prestar atenção no que era dito.
    - Agora me diz. O que um homem daqueles está fazendo em sua casa com você praticamente sozinha? Seu marido é louco, por acaso?
    - Fale baixo, Luana, que ele está no cômodo do lado - Juliana a advertiu.
    - Ah, pelo amor de Deus. Estamos sussurrando. Só se ele tivesse ouvidos de cachorro para ouvir. Mas me conta. Seu marido não o considera... Digamos... Gostoso demais para estar sozinho em uma casa com uma mãe de família?
    O pigarro de Juliana mostrava que estava um pouco encabulada. Eu sorri e cruzei os braços, recostando na cadeira e ouvindo atentamente.
    - Primeiro, não estou sozinha. Jacinta está aqui o tempo todo. Ela só foi fazer umas compras pois estou sem guardanapos de golfinhos para combinar com o bolo. Depois... Nada.
    - Nada o que? Fala.
    - Marcus me garantiu que... Fábio não representa uma ameaça.
    - Mas do que você... não! - Luana se alarmou
    - Fala baixo, sua maluca
    - Desculpa - conteve o riso - Mas desculpa irmã. Eu sinceramente D-U-V-I-DO que aquele pedaço de macho ali do outro lado seja gay.
    - Pelo amor de Deus, Luana. Contenha-se
    - Contenha-se você, meu amor. Agora que me livrei daquele traste do meu ex quero mais é que se exploda tudo. Homem bonito daquele. Seria um pecado. No muito deve jogar nos dois times, mas duvido que não seja homem na cama também.
    - Jesus - Juliana parecia capaz de ter um infarto
    Naquela altura da conversa, o projeto do quartinho de Sebastian teve de ser totalmente deixado de lado, pois a conversa no outro cômodo esta a tentadora demais
    Então, Marcus tinha contado para a esposa que eu era gay e usou isso para justificar minha estada ali sem levantar suspeitas ou causar constrangimento a sua mulher. Ri daquela informação. Então Marcus tinha me colocado como uma criatura inocente em seu leito, como um ovo de cuco. O ovo começava a chocar.
    Mas o que Marcus não sabia era o que Luana já foi capaz de deduzir em uma simples olhada. Afinal, nunca fomos amigos a ponto de dividir com ele meus gostos culinários. E ao fazer isso colocou em seu ninho um animal guloso que, naquele momento estava com bastante apetite.
    - Mas me fala. Seus instintos não dizem que essa história está esquisita? Tá bom que ninguém anda com uma placa dizendo a orientação sexual, mas que mesmo assim alguma pinta ele teria de dar.
    - Não sei - Juliana parecia confusa e eu tive a certeza que o episódio de nosso encontro, onde eu fiquei babando olhando para seus peitos, deve ter lhe vindo à cabeça.
    - E eu bem que tô precisando de um trato daqueles.
    - Luana, por favor, eu preciso de ajuda aqui.
    - Tá bom, tá bom, desculpa. Mas já que estamos tocando no assunto, e aí, bateu gilete a toa ontem de novo?
    - Luana! - exasperou-se
    Aquele tinha sido alto e eu percebi que até a própria Juliana se arrependeu. Eu segurei o riso e esperei as duas se acalmarem e continuarem. Aquilo estava melhor que novela.
    - Acho que ele não ouviu. Ou já sabe que você é histérica e nem ligou - a irmã zombou. - Mas agora sério. Marcus continua ausente?
    - Ele está trabalhando muito...
    - Aham - Luana concordou com desdém.
    -. E eu estou de resguardo - completou
    - Sebastian vai fazer o quarto bolo. Mas tudo bem. E antes?
    - E antes eu estava grávida.
    - Claro, como se barriga de grávida tirasse libido de algum homem. Ok. Sabe que não gosto de me meter na sua vida
    - E essa sempre foi sua maior qualidade - Juliana ironizou.
    - Sim, mas eu como sua irmã tenho de dizer que o Marcus está igualzinho meu ex. Começa assim. Não comparasse, não tem mais ciúme, não tá nem aí se você se maquia pra ele ou não. E digo mais, não me espantaria se fosse o Marcus o engolidor de espadas e não o garanhão ali do outro lado.
    - Aí você está viajando. Nós temos um filho.
    - E desde quando viado é infértil, meu bem? Tem um monte de homem com filho por aí que chupa a fruta que a gente gosta até o caroço.
    Naquele momento eu, que já estava me divertindo, resolvi apimentar mais as coisas. Levantei, abri o primeiro botão da minha camisa e fui ao quarto do lado levando o notebook, empinado igual um pavão.
    - Boa tarde - bati na porta mesmo com ela aberta, para anunciar minha entrada. As duas pararam imediatamente de falar, Juliana corando e Luana faiscando.
    Esta segunda era mais velha que a irmã, mas igualmente bela. Ao contrário da Caçula, que havia abdicado da vaidade em pró do primogênito, ela, recém divorciada, estava realmente redescobrindo a vida: a vaidade e os desejos. Era uma fêmea no cio, daquelas capazes de pegar um homem de jeito e só largar quando ele pedisse arrego.
    - Desculpe interromper, mas eu queria te mostrar dois temas que pensei para o quarto, pra você escolher .
    - Ah sim, claro - sorriu sem graça - Desculpa não te dar atenção. É que estou enrolada com a festa do Sebastian.
    - Quer ajuda com alguma coisa? - ofereci, no melhor estilo cavalheiro do interior.
    - Seria ótimo, na verdade - Luana atropelou a irmã. - teria como pendurar aqueles enfeites ali na parede da sala? Onde vai ficar o bolo.
    Eu prontamente peguei os enfeites e a fita e fui para minha tarefa, sentindo a nuca ouriçar com a força dos olhares que eu sabia estarem avaliando meu corpo.
    Ainda ajudei a carregar algumas caixas e mudar de lugar alguns móveis, numa demonstração de força similar a rituais de acasalamento dos primatas.
    Luana não fazia o menor esforço para esconder o contentamento com minha presença, ganhando algumas cutucadas da irmã em alerta.
    - Lu, não está na hora de pegar o bolo?  - Juliana lembrou. - Está na hora de eu amamentar o Sebastian também.
    - Ah... Ah sim, claro. Tinha esquecido - e riu - talvez o Fábio possa...
    - Nem pensar - Juliana já cortou - já abusamos demais dele hoje. O bolo nem é pesado
    O tom de voz da dona da casa era daqueles que não deixava margem para discussões. Luana rosnou para a irmã, mas cumpriu o que lhe foi ordenado. Fiquei intrigado, pois poderia ser impressão minha, mas eu havia sentido uma pontada de ciúme em sua ordem.
    Aceitei também sem discutir e voltei aos meus afazeres. Perdi alguns segundos procurando meu notebook até que lembrei que o havia deixado no quarto ao lado. E chegando lá, me surpreendo com uma cena bela e natural.
    Juliana estava sentada numa poltrona de frente para a varanda, segurando o filho enquanto o amamentava. Ver aquela criança agarrada ao seio volumoso da mãe me encheu de inveja.
    Quando ela se virou, eu me dei conta que estava me intrometendo em algo muito íntimo.
    - Sinto muito eu... - e tampei os olhos - vim buscar o...
    - Tudo bem - ela sorriu, estava encabulada, mas não com raiva. - E por falar nisso... - pensou - você ia me mostrar algo... Não é?
    - Verdade - lembrei - mas posso trazer depois. Quando... Você acabar.
    - Bem... Se não tiver problema pra você, eu poderia ver agora.
    Acabei me dando por vencido e levei o computador para perto dela. O garoto, mancomunado com meus desejos mais profanos, mexia suas mãozinhas que acabaram por desnudar o outro seio da mãe.
    - Se quiser eu coloco um pano e...
    - Não.. - me apressei - Tudo bem - mostrei os dentes de uma forma que parecesse casual e tentando esconder o sorriso lupino que queria se formar no lugar.
    Mostrei para ela as duas decorações que escolhi, embora percebesse que nenhum dos dois estava muito interessado em minha explicação.
    Ela pediu licença e trocou o garoto de seio.
    - Morro de medo de ficar deformada - explicou, com um ar meio maldoso, mas recatado.
    - Séria um crime, de fato - salivei.
    Continuei ajoelhado a seu lado, mostrando a tela do computador, meu olhar praticamente hipnotizado com o milagre da vida a minha frente.
    - Posso fazer uma pergunta idiota? - pedi de repente.
    - Claro - sorriu.
    - Dói? - e apontei para o garoto mamando.
    Ela achou graça.
    - Um pouco - admitiu - Mas... Estranhamente prazeroso.
    - Entendo.
    Então eu levantei para esticar as pernas que doíam de ficar naquela posição e percebi que Juliana olhava fixamente para meu volume, que estava quase arrebentando o jeans.
    Percebi também que ela não se deu o trabalho de cobrir o seio que não estava sendo utilizado pelo filho, deixando-o completamente a mostra pra mim.
    - Cheguei, dona Juliana!
    A voz da empregada nos arrancou do transe. Ela rapidamente cobriu o seio e eu saí do quarto como um amante em fuga.
    Por sorte ela havia anunciado a chegada da cozinha e nada tinha visto.
    Acabei ficando para a festinha. Onde eram basicamente a mãe, filho, Luana e a empregada. Marcus chegou apenas na hora do parabéns. Pegou o filho no colo, embalando enquanto dormia. Na verdade o garoto dormiu a comemoração inteira, tal como previu Luana.
    Depois, Marcus ficou de me levar em casa.
    - Não demora, amor - a esposa pediu. Senti nela a mesma malicia da irmã mais cedo. O episódio do quarto a deixou acesa e ela planejava descontar no marido
    Todavia, seus planos seriam frustrados. Ao descermos para a garagem, Marcus sugeriu usarmos a escada de incêndio. Truque esse que eu já conhecia bem e aceitei. Lá, ele avançou em mim e arrancou minhas calças. Me chupou com vontade.
    Pobre Juliana. Estava cheia de fogo e o marido gastando o mel comigo naquela escada. E eu iria garantir que ele chegasse em casa sem libido nenhuma. Fodi ele na escadaria mesmo, com capricho, deixando-o plenamente satisfeito para que chegasse em casa pronto para dormir e nem cogitar uma rapidinha sequer com a mulher. Eu tinha planos para Juliana e não o deixaria estragar.
    - Nossa. Quanto fogo - comentou enquanto eu metia com pressão.
    - Fiquei o dia todo trancado ouvindo falar de festa de bebê. Estava precisando aliviar- emendei.
    - Então fode, gostosão. Fode seu urso, vai.
    Pediu e eu lhe entreguei. Meti com força vendo seu rosto delirar e seus olhos revirarem das órbitas.
    No dia seguinte, voltei ao apartamento. Desta vez sem Marcus.
    Juliana me atendeu surpresa. Não estava planejada minha visita.
    - Desculpe - falei - acabou que ontem ficamos entretidos com a festa do bebê e eu atrasei o trabalho. Pensei em vir hoje para compensar. Se não for um problema.
    Ela gaguejou, mas concordou. Eu era capaz de ler em seu rosto que ela não havia desfrutado dos benefícios de uma boa noite de sexo com o marido. Estava tudo seguindo o fluxo.
    - Patrão, Fábio - Jacinta me cumprimentou com um sorriso - que alegria o senhor de novo aqui. Quer docinho da festa de ontem?
    - Não, obrigado. Tomei café.
    - Ah, mas um café com bolinho o senhor aceita, não é?
    Acabei me rendendo.
    Juliana sorriu, rendida aos mimos da empregada para comigo.
    - Ih, patroa. Estamos sem o açúcar mascavo - a empregada anunciou.
    Juliana, prontamente pegou a bolsa e lhe estendeu o dinheiro.
    - Já que vai na rua, poderia trazer o incenso que eu comentei contigo ontem?
    - Mas aí eu teria de ir na loja do parque. Tinha pensando em ir apenas na mercearia da esquina. Posso demorar assim - alertou
    - Não tem problema - deu de ombros - Acho que o Fábio aguenta mais uns minutinhos sem o café.
    Eu sorri em concordância.
    - Vou num pé e volto no outro - prometeu
    - Sem pressa - falamos os dois ao mesmo tempo, então rimos e ficamos nos olhando um tempo.
    Aquele clima se formando, onde ambos sabíamos onde iria chegar, só esperando o primeiro passo. Este, obviamente, teria de ser dado por mim, uma vez que ela, como mulher casada, queria preservar um pouco de sua aura respeitável.
    - E o garotão? - perguntei e ela me mostrou a babá eletrônica.
    - Dormindo feito um anjo. Não posso me queixar, Sebastian não dá trabalho algum.
    - É um bom garoto - comentei e então emendei - Aproveitando então, queria te mostrar uma coisa.
    A levei até seu quarto onde peguei a poltrona. Sem falar nada, a carreguei até o futuro aposento de Sebastian e posicionei.
    - Admito que ontem a nossa conversa do quarto me deu uma inspiração. A princípio eu não queria por a área de amamentação aqui, por conta da janela e dos vizinho, mas pensei melhor e - sentei - estando aqui, você pegará o sol da manhã e ainda sim ficará em um ângulo em que poderá evitar o olhar de bisbilhoteiros. O que acha?
    Ela apenas concordava, senti que sua mente viajava e então, percebendo que eu esperava uma resposta, se apressou em dar.
    - Ah, sim. Acho ótimo.
    Eu desabotoei a blusa, simulando como se fosse ela segurando o bebê. Juliana suspirou. Ela usava um vestido branco simples. Estava sem sutiã e o bico do peito transcendeu o tecido.
    - Vem cá - pedi e ela obedeceu. - o que acha da vista?
    Ela olhou e concordou, rosto iluminado pelos raios da manhã .
    Sem ela se dar conta, eu a tinha posto em meu colo. Quando alisei suas costas com a ponta dos meus dedos, se arrepiou, me olhando com medo ao despertar do transe. Esperei para ver se fugiria, o que não fez. Se paralisada por receio ou desejo, não sabia e nem interessava. Não ia perder a chance.
    A alisei com a ponta dos dedos, sentindo a pele arrepiar por onde o toque passava. Ela acompanhava minha mão com o olhar atento, sem fazer qualquer sinal de intensão de me impedir. Deixou que meus dedos subissem pelos seus ombros e esbarrassem na alça do vestido, derrubando.
    Eu olhava fixamente em seus olhos, mantendo-a presa naquele clímax.
    Encorajado, minha outra mão alisou sua coxa, adentrando a saia e acariciando a região quente por cima da calcinha.
    Juliana suspirou. Mantinha o braço cobrindo o seio, mantendo o vestido ainda na posição. Meu dedo foi ao outro lado e derrubou a outra alça. Com delicadeza, tirei seu braço, deixando os dois meninos saírem. Acariciei com carinho, como se tocasse eu um cristal muito frágil. Os mamilos estavam rígidos. Suas pernas se fecharam em torno de minha outra mão quando esta se atreveu a adentrar os limites da lingerie. Ela gemeu.
    - Abre – pedi – por favor.
    Lutando contra sua força de vontade, cedeu. Puxei sua calcinha, deslizando pelas coxas e soltando, deixando-a pendurada nos pés.
    Voltei a mão e senti a região úmida, acariciando a carne esponjosa dos grandes lábios. Ela gemeu, erguendo o rosto.
    Foi quando aconteceu. Rápido e inesperado. Um forte jato quente me atingiu o rosto 
    - Ah meu Deus. Desculpe. Desculpe - ela se alarmou, rapidamente perdendo o transe em que estava presa. Mas desta vez era eu quem não conseguia pensar. Com o líquido escorrendo em meu rosto, só olhava para aqueles seios parecendo que o mundo ao redor perdia o foco. - Eu sinto muito mesmo. Ah, meu Deus. É que eu estou amamentando e produzindo muito leite... E hoje eu ainda não bombeei. Estou com garrafas de leite na geladeira. O Sebastian não consegue beber tudo e eu vou inclusive doar algumas para a maternidade. O médico disse que seria ótimo pois lá eles sempre estão precisando e... Ah meu deus, olha eu aqui falando dessas coisas 
    Juliana atropelava as palavras, mas eu não as ouvia. Só quando ela fez menção de se levantar que eu reagi e a impedi. Juliana parou de falar imediatamente, sem entender o que acontecia. Eu tampouco. Seguindo talvez um instinto primitivo, ao qual todos os mamíferos nascem programados, eu me aproximei daquele seio ainda pingando e o levei a minha boca. O envolvi por completo e suguei.
    O líquido quente e de sabor indefinido entrou, me nutriu e eu bebi.
    Juliana abriu a boca, mas não foi capaz de emitir som. Seus olhos alarmados olharam a cena sem saber se estava assistindo a um bizarro filme ou a vida real. Eu me servi de quatro longos goles e então soltei. Sem falar nada, passei para o outro seio e suguei outros quatro goles, metódico. Pois como a própria Juliana havia me alertado de véspera, eu não queria que aquele capricho da natureza fosse deformado por uma amamentação desequilibrada.
    Quando parei, nos encaramos 
    - Quando isso aconteceu com Marcus. Ele ficou enojado e….
    Nutrido e fortalecido, eu a ergui da poltrona em meus braços e a levei até seu quarto. Não queria ouvir sobre suas frustrações sexuais naquele momento.
    A deitei com carinho e lhe tirei o vestido. Acariciei todo seu corpo como que para ter certeza se era de carne e osso. Despi-me com respeito sobre seu olhar e com profunda devoção, acariciei seus pés e os beijei. 
    Fui deslizando com meus lábios pelas pernas, então pelas coxas. Beijei seu sexo e fui subindo. Me coloquei com cuidado entre suas pernas e penetrei com carinho. Juliana se contorceu em êxtase, agarrando minhas nádegas com os dedos em garra.
    Ginguei com suavidade, penetrando com uma calma pouco condizente com minha natureza. Eu não podia evitar, pois Juliana, naquele momento, havia se convertido em uma figura sagrada para mim e eu jamais ousaria realizar qualquer ato violento contra ela, mesmo que com as melhores intenções.
    Eu olhava seu rosto como um servo preocupado em atender os designios misteriosos de um Deus.
    Juliana gemia, respirando fundo e se contorcendo em gostosa agonia. Quando ela me olhou, encontrou meus olhos suplicantes por mais uma prova. Ela apenas fez um sinal positivo com a cabeça e eu, de muito bom grado, voltei a me alimentar de seus seios, roubando o leite de Sebastian. 
    Arrebatada, Juliana soltou um longo uivo, o qual teve logo que conter para não chamar a atenção dos vizinhos. Ficamos por um longo período desfrutando daquele prazer único e inusitado.
    Sorte nossa Jacinta não ter cumprido sua palavra, ou Sebastian ter sido o bom menino de sempre, pois tivemos todo aquele tempo só para nós.
    Eu gingando e lhe penetrando e ela me dando forças, me alimentando.
    O trabalho na casa de Marcus durou pouco, mas foi intenso. Nunca me senti tão exausto, com as longas jornadas que fazia. Marcus, obviamente, não desconfiava de nada, tão convicto de minha sexualidade que não me considerava uma ameaça a santidade de sua família. Juliana, impressionada com meu vigor, também não cogitava que eu sabia entreter seu marido tão bem quanto fazia com ela. A única que desde sempre sacou meu jogo era a tia de Sebastian, que eu também apaziguei uma vez, na mesma escada de incêndio em que fodi Marcus 
    - Eu sabia! Eu sabia! - ela vibrava enquanto seus seios balançavam, conforme eu a penetrava com a violência que tanto gostava.
    Creio que foi um período benéfico para todos. Até Jacinta saiu ganhando, uma vez que conseguia várias manhãs ou tardes de folga, onda a patroa a liberava para ficar mais tempo a sós comigo.

     

  • Diários de caça - Capítulo 24 – Fera enjaulada

    Hoje, mais maduro, percebo que meu namoro com Amir apresentou erros desde seu início. E muitos deles, por culpa minha. Que, por ser marinheiro de primeira viagem, acabei por cometer.
    O primeiro deles e talvez o crucial, foi ter iniciado aquele relacionamento por questões além da minha vontade.
    Eu, que sempre fui o protagonista de minhas escolhas, deixei escolherem por mim e isso não é saudável em nenhuma circunstância. Amir era de fato um homem bom, com seus defeitos, como todo mundo, e estava encantado por mim. O fascínio e a entrega com que ele se lançou me deixaram incapacitado. Hoje, pensando bem, eu não tinha ouvido ninguém dizer que estava apaixonado por mim antes.
    Sempre minhas relações foram carnais, e só. Então, eu simplesmente não sabia lidar com aquele sentimento unilateral. Acabei aceitando aquele namoro por ele e não por mim.
    E isso está fadado ao fracasso. Pois se nos períodos iniciais tudo eram flores, com o tempo, os espinhos aparecem. Amir, que nunca cobrou nada, começou a se mostrar ciumento após nossa atualização de status do relacionamento.
    Acredito que o grande mito dos relacionamentos é acreditar que nos tornaremos assexuados para outras pessoas. Que não vamos mais olhar e nos sentir atraídos por outras pessoas. E que estas também nunca mais olharão para nós com segundas intenções.
    Amir não suportava que me olhassem. Ficava logo de bico. E eu que tomasse cuidado para averiguar se não haveria outro homem na direção em que estivesse olhando, se não ele pensava que eu estava dando mole.
    As brigas bobas começaram a surgir e as vezes eu sentia que ele iria usar a condição financeira dele como forma de se impor pra mim. Poderia ser paranoia minha, mas tiveram momentos em que eu realmente acreditei que ele insinuava que eu estivesse com ele por interesse.
    Essa briga ocorreu quando ele disse que me amava pela primeira vez e esperou que eu retribuísse. Mas eu não consegui. A verdade era que eu nunca havia me apaixonado por ele e ele sabia disso, mas fingia esquecer as vezes.
    Eu de fato estava naquele relacionamento pelos motivos errados e isso nos tornou despreparados para os atritos comuns a qualquer relação. Até a questão da libido. Pois se antes transávamos igual coelhos, naqueles tempos nossas relações eram rápidas e quase sempre desencontradas. Dificilmente estávamos afim na mesma hora, seja por estresse, cansaço, ou simples vingança, revanchismo após ter sido recusado na vez anterior.
    Mas uma coisa eu estava disposto: tinha dado minha palavra que estava em uma relação monogâmica e ia cumprir minha promessa. Mesmo contra meus instintos primitivos que começavam a gritar toda vez que eu farejava uma oportunidade de caça.
    E é justamente nessas horas que o acaso parece armar das suas, colocando diante de mim oportunidades atrás de oportunidades.
    A primeira delas foi na praia em que fomos eu e Amir. Lá, encontramos um casal de norte americanos que puxaram assunto, querendo saber onde ficava um restaurante onde encontrariam amigos.
    Amir, vendo ali a oportunidade para praticar seu inglês, entrou em um longo assunto. Eu, como era enferrujado, fiquei na minha, de pé na areia e vendo o mar, planejando um mergulho.
    Em um dado momento, quando terminou o assunto, ele veio ao meu lado e percebi que estava de mau humor, então o questionei.
    - O outro lá, falou que te achou bonito e perguntou se você tinha namorado, pois queriam fazer um ménage. – rosnou.
    Aquilo me pegou de surpresa e eu tive de segurar a vontade de rir. Eu não prestei a atenção na conversa, mas a julgar pela gesticulação de meu namorado conforme falava, eu diria que Amir estava se divertindo em seu papo com os gringos até então, até, de repente, virar a cara.
    - Achando graças é? Ficou interessado? Vai lá. Aposto que alcança eles - começou a acusar e eu suspirei
    - Já vai começar, Amir?
    Ele ficou de cara amarrada a tarde toda e eu, sem paciência, saí e o deixei lá. Iria dormir no apartamento dele naquela noite, mas fui para o meu. Quando saí da areia, ainda passei pelo tal casal, que sorriu para mim antes de entrarem no carro deles. Tanto o homem quando a mulher eram lindos. Como eu gostava de ter os dois gêneros a minha disposição ao mesmo tempo.
    Lembro que ainda ficaram olhando um tempo, possivelmente cogitando se me chamariam para uma carona.
    Eu sequer lhes dei a chance e pedi meu Uber para sair, já que tínhamos vindo no carro de Amir e o meu estava em casa .
    Naquela noite ele foi até meu apartamento, pedindo desculpas, como sempre fazia. Lembro que foi a primeira vez que falei sobre terminarmos. Que talvez fosse melhor, que estávamos brigando demais e por qualquer coisa. Como sempre acontecia, ele chorava, pedia perdão e eu acabava fraquejando. Terminamos transando como há muito não fazíamos. Naquela noite, em especial, fomos para a mesma praia onde brigamos e numa parte isolada, estacionamos e eu o fodi no capô do meu carro.
    Nosso sexo ainda era bom, apesar de raro.
    Outro dia que mais parecia obra de Satanás, foi quando fui me depilar. Desde que Dom Pedro havia me apresentado a esse mundo da estética que eu não consegui mais viver sem. Eu já tinha até minha depiladora fixa, Denise. Uma mulher oriental baixinha e muito simpática.
    Além de talentosa, era muito tolerante com meus rompantes de ereção que ocorriam sempre após a sessão. Não era maldade minha, mas vocês devem ter percebido que eu possuo certo gosto por sentir dor naquelas horas, certo? Pois é. Isso acontece também nessas sessões. Quando acaba, o alivio é tão grande que eu não consigo evitar ficar de pau duro. Denise até brinca:
    - Lá vem a cobra - quando meu órgão começa a endurecer.
    Acontece que, naquele dia, eu estava marcado com Denise depois de um certo atraso nas minhas depilações mensais. E quando cheguei lá, recebi a notícia de que ela não poderia vir, pois, de última hora, houve um acidente com um parente e ela teve de ir ao hospital.
    - Mas com ela está tudo bem, não é?
    - Sim - a recepcionista me acalmou. - fui um dos irmãos dela e ele está bem. Foi só um susto. Ela pediu desculpas e indicou uma pessoa para te atender. Vai querer manter a sessão?
    Em situações normais eu jamais trocaria minha Denise, mas a verdade era que minha depilação já estava mais que atrasada e me incomodava horrores.
    Maldito Dom Pedro por me apresentar àquele mundo de futilidades.
    Acabei aceitando. Fui para a sala e me despi. Quando um rapaz baixinho, entrou. Devia ter um metro e sessenta só e tinha o corpo todo bem feito. Braços fortes despontados na camisa apertada. Uma cara de garoto com um cavanhaque e um brinco na orelha direita.
    Ele sorriu e se apresentou.
    - Bom dia, Fábio. Sou Cleiton e vou te atender. Fica a vontade que eu vou aquecer a cera rapidinho.
    Eu nada falei, pensando se seria grosseria desistir naquele instante. Eu e Amir não estávamos em um bom momento, como não estávamos há muito tempo. E a visão daquele belo rapaz acabou por despertar aquilo que até então estava adormecido e eu tentava a todo o custo apagar novamente. Fazia dias que eu me sentia como uma fera enjaulada. O desejo pegando fogo. E Amir estava tentado a me punir pelo fato de ter pego em meu celular a mensagem de um contato antigo, o qual eu nem lembrava mais. Eu tinha até apagado seu número, mas ele, pelo que parecia, não tinha feito o mesmo.
    "Saudade dessa piroca enorme".
    Foi tudo o que a figura misteriosa escreveu, algo que eu sequer respondi. Na verdade, nem tinha lido, pois Amir chegara a meu aparelho antes de mim. Isso foi há três semanas e até então ele ainda não tinha me "perdoado". E cada hora que eu tentava me achegar, ele respondia:
    - Tira essa piroca enorme de perto de mim.
    Aquilo me azedava o humor tão rápido quanto pregadores de igreja protestante. E eu perdia o fogo. Pelo menos naqueles instantes. Bastava a raiva passar e logo a fera voltava. Implorando para ser liberta. Naquele dia, em especial, ela estava arranhando as grades.
    A sessão ocorreu natural. Não me atrevi a trocar palavras, concentrado em controlar meu amigão ali embaixo
    Mas, quando a área da púbis terminou, não teve jeito. O alivio foi tanto que o negócio praticamente saltou para o alto. Meu rosto queimou de vergonha. Pois mesmo sendo algo natural, eu sabia que aquela velocidade se devia a outra coisa.
    - Nossa - se surpreendeu.
    - Desculpa - me apressei em dizer.
    - Não. Tudo bem. É normal. Só... Não esperava o... Enfim. Achei que fosse bater em mim com ele - e riu
    Ri amarelo e deixei ele terminar. Ao fim, passou o hidratante na região. As mãos dele percorreram toda a área depilada, pau, púbis, saco. E eu mirei meu olhar ao teto e pensei nas últimas catástrofes do mundo para evitar pensamentos ainda mais perigosos.
    Foi aí que o senti segurar meu órgão com mais afinco. Quando o olhei, ele o admirava com certo respeito.
    - Vou te dizer. Esse é dos grandes - e riu safado, me dando uma piscadela.
    - O... Obrigado - não sabia o que dizer.
    - Você... Se importa se... – e apontou do órgão até a própria boca.
    Minha resposta demorou mais do que devia e ele já ia baixar a cabeça quando eu o detive.
    - Foi mal. Tenho namorado - consegui impedir uma tragédia, mesmo com meu sangue fervendo de desejo.
    - Eu não conto se você não contar - sorriu.
    Ah Satanás, por que me tentas?
    - Mesmo assim - insisti - não quero.
    Cleiton deu aquele suspiro de desalento e olhou meu pau mais uma vez até se dar por vencido.
    - Tudo bem. Uma pena. Desculpe, não foi profissional da minha parte. Mas não é sempre que vejo um desses e - riu - vamos ficar de acordo que o seu é de chamar atenção.
    Eu já fui me vestindo.
    - Fábio. Se pudesse não comentar o episódio com o pessoal daqui eu...
    - Tá bom, tá bom - e saí logo, sem lhe dar chances de se explicar.
    Quando Denise voltasse, eu a agarraria e não soltaria mais.
    Aguardei minha vez na recepção para pagar a conta quando, nas ironias do destino, resolvi olhar para o rapaz risonho ao meu lado que falava pelos cotovelos com a recepcionista. Eu, doido para sair dali, estava prestes a pedir para ele largar o ouvido da mulher para eu poder pagar logo quando algo nele me chamou atenção.
    Tinha algo familiar, mas não o reconheci.
    Levei horas pra enfim a ficha cair.
    - Breno? - falei, ainda sem certeza.
    O homem se virou e na hora seu rosto iluminou
    - Fábio? Meu Deus. Olha pra você. Não mudou nada - e me abraçou.
    Eu não respondi o mesmo pois não podia. Pouco havia do antigo Breno dos tempos de adolescente. Ele estava bem maior, tinha engordado bastante. Mas também não era isso. Estava alegre e extrovertido, longe do garoto enrustido e assustado que conheci.
    - Em compensação, olha você. É outra pessoa.
    - Eu sei, e pegou na barriguinha com cara de exagerado desespero.
    - Estou dizendo que você está... Radiante - usei essa, na falta de uma palavra melhor. Mas era exatamente assim que estava.
    - Ah, obrigado. Eu estou muito feliz mesmo. Eu,  Anderson e nossos bebês. Já viu a foto deles?
    - Todos os dias no seu Instagram, cada dia com roupas combinando diferentes - respondi, suspirando
    Ele sorriu amarelo.
    - Mas diz aí - emendei - não sabia que morava aqui.
    - Não. Estou de férias, na verdade. Eu e o Andy. Você devia conhecer. Eu falo horrores de ti pra ele... Claro. Não sobre tudo sobre você, entende.
    - Eu entendo - ri.
    Saímos para a rua e encontramos o Anderson, um urso de dois metrôs e cara de mal humorado. Mas foi só abrir a boca que toda a primeira impressão evaporou como gelo seco.
    Ficamos conversando em um café próximo por horas, quando recedo a ligação de Amir.
    - Oi amor - atendi - sim, acabei tem algum tempo. Encontrei um antigo amigo e estamos no Sterna aqui do shopping. Está por onde?
    - Por que não me avisou quando saiu?
    O tom de voz dele já me fez ferver o sangue.
    - Não sabia que era obrigado - respondi, com ironia  - até onde sei, você estava trabalhando.
    - Sai agora e não vi mensagem sua. Poderia estar em qualquer lugar. Estava preocupado. E você aí se divertindo com seus amiguinhos. Típico de você.
    Meus amigos provavelmente não eram capazes de ouvir nada do que era falado por Amir, mas com certeza eram capazes de ler em minhas expressões e intuir o teor da conversa.
    - Amir, eu estou desligando agora. Outra hora, conversamos - tentei manter meu tom o mais calmo possível em respeito a Breno e seu marido.
    Desliguei e tentei sorrir, mas meus olhos deviam estar transbordando ódio. De repente, toda a leveza do meu dia havia explodindo na minha cara.
    Não consegui mais curtir o café depois daquilo. Não sei se pela idiotice de Amir ou se por ver aqueles dois tão felizes e carinhosos. Com certeza a felicidade alheia não me era saudável, dado o humor tóxico que eu emanava
    - Pessoal, desculpa. Tenho de ir. Podemos marcar mais alguma coisa enquanto estiverem pelo Espírito Santo.
    Eles não discutiram, sabendo que eu não estava de bom humor, apesar de tentar dissimular.
    Fui para meu apartamento para ter um pouco de paz. Porém, nem isso eu consegui. Pois Amir estava lá, me esperando.
    - O que faz aqui? - perguntei num tom que eu tentei ser casual, mesmo sabendo de meu fracasso previamente.
    - Tive de vir, né? Sabia que você fugiria. Então me certifiquei que você não ia trazer ninguém aqui.
    Amir estava brincando com fogo, cutucando a onça dentro da jaula sem perceber que a mesma estava destrancada e bastava o animal sair para haver uma tragédia. Tudo o que me segurava era o desejo de não acabar falando coisas das quais não teria volta.
    - Amir, vai pra casa - pedi - Você não está em condições de falar e eu, sinceramente, não tenho a menor vontade de estar contigo agora.
    - Com quem estava?
    Respirei fundo, massageando minhas têmporas.
    - Com o Breno. Amigo de infância. Já te mostrei ele uma vez.  Está de férias com o marido. Agora, por favor - e indiquei a saída.
    Amir então deu um riso de deboche.
    - Fico mais aliviado.
    - Por quê? - acabei me traindo e puxando assunto, pois seu desdém despertou o que há de mais venenoso em mim.
    - Oras. Se você me trocasse por alguém como ele, seria loucura da sua parte.
    - Eu trocaria você por qualquer um que cruzasse meu caminho nesse exato momento
    Soltei e minhas palavras foram tão ácidas que o atingiram como um bofetão na cara.
    Então, como sempre acontecia quando ele perdia o controle, começou a falar sem parar.
    Imaginei até mesmo que seu corpo tivesse aprendido a não depender mais de oxigênio, como um crocodilo capaz de prender a respiração por longos períodos.
    Entre suas acusações, estavam o fato que sempre desconfiou que eu o traia. Que eu era assim mesmo, que não podia confiar. Que eu jamais estaria pronto para um relacionamento sério. Dentre todas as barbaridades que ouvi, entretanto, nada repliquei, esperando ele terminar seu prolongado discurso.
    Mas aí ele soltou o que até então evitava falar. O tabu que abriria de uma vez a jaula da fera.
    - Você é como todos. Só está comigo por interesse.
    - Me diga, Amir. O que você acha que tem a me oferecer, afinal?
    Minha voz saiu tão calma que até eu me surpreendi. Como diz o velho ditado: cão que ladra, não morde. E eu, naquele momento, estava pronto para morder.
    Naquele exato momento, Amir se calou e o senti encolher como uma lebre.
    - Vamos. O que você me oferece afinal? Algo que me obrigue a estar contigo? Que interesse eu tenho?
    Ele não respondeu.
    Ergui minha mão e mandei:
    - Me dá sua chave - rosnei - Agora!
    Meu tom havia mudado e ele logo meteu a mão no bolso e me entregou o molho. Tirei a chave do meu apartamento que ali estava e devolvi o restante. Depois, peguei meu chaveiro e tirei a do apartamento dele, entregando. Ele fazia que não com a cabeça, desconsolado, mas sua voz não saia.
    Indiquei mais uma vez a saída e me retirei para meu quarto.
    - Fábio, vamos conversar... Eu sei que... - tentou falar, mas eu o interrompi.
    - Caso não tenha ficado claro: nós terminamos. Não temos assunto, nem quero conversar.
    Cheguei no meu quarto e liguei o vídeo game. Nada melhor para baixar minha temperatura do que explodir alguns miolos virtuais.
    Todavia, não tive sequer um minuto de paz. Logo apareceu Amir, com cara de cachorro que caiu da mudança, na porta.
    - Fábio. Amor. Me desculpa. Eu... Eu sei que falei bobagem. Eu juro. Só... Se eu pudesse voltar eu..- e começou toda a lenga lenga de sempre. Pedia perdão, se fazia de vítima e tentava me seduzir, pra voltar as boas fases.
    Mas naquele dia suas tentativas só me irritavam e eu me segurava para não explodir.
    - Eu faço qualquer coisa. Juro, por favor, não fica bravo comigo. Eu sou um idiota, eu sei. Só queria fazer algo pra te compensar, qualquer coisa.
    Desde pequeno eu sempre achei os vilões de séries e programas personagens interessantes e ao mesmo tempo subestimados. Não acredito na maldade inerente. Por isso não consigo conceber um personagem, seja ele qual for, como simplesmente mal. Tem de haver um estopim. Há um momento, algo, circunstâncias, em que esse personagem igualmente potencial ao bem ou ao mal toma o caminho sem volta. Naquele momento, para aquele relacionamento, este era o meu momento crucial.
    Olhar para Amir daquele jeito, desolado. Claramente desesperado para voltar as minhas graças, despertou talvez o que houvesse de mais perverso em mim. Normalmente eu cedia mais fácil, normalmente minha raiva era superficial. Mas naquele dia era diferente e ele sabia disso.
    Por isso estava tão frágil, tão desesperado por qualquer sinal de afeto. Mas ele estava enganado se achava que me faria mudar de ideia novamente. Eu fiquei meses enjaulado e prometi a mim mesmo naquele momento que jamais deixaria me trancarem de novo. Eu estava faminto e ia me saciar. Ele seria minha primeira vítima.
    - Está muito vestido para quem tenta uma reconciliação. - comentei, sem lhe dignificar o olhar.
    Um sorriso de alívio inundou seu rosto. Rapidamente ele se despiu, ficando de joelhos na cama, tentando se aproximar. Um engatinhar de cada vez. Olhei de cima a baixo. Avaliei.
    Não podia negar, era um homem muito bonito. Seria uma pena simplesmente parar de usar aquele corpo. Acho que eu poderia brincar com a comida mais um pouco.
    Ao fim e ao cabo, todos somos vilões em alguma história, não é mesmo?
    A raposa é a vilã na história da lebre, aquela que mata dos seus. Mas ao mesmo tempo é a heroína na história de seus filhotes, pois é quem lhe traz a sustento
    Após o avaliar de cima a baixo, desdenhei e voltei para o jogo, apenas para o ver se arrastar até mim e, com calma e medo de eu o enxotar, abrisse meu zíper e começasse a me chupar. Continuei o jogo, tendo aquele agrado a mais conforme me distraía. De fato, estourar miolos virtuais era bem melhor assim. Em pensar que em minha adolescência eu desdenhava dos vídeo games.
    Quando terminei a partida, saí do modo online e deixei o controle de lado. Dei um tapinha em sua bunda e mandei:
    - De quatro. Vira a bunda.
    Ele, obediente, engatinhou, circulando e se virou. Abri aquelas belas nádegas e lambi. O buraquinho piscou alegre e esperançoso. O beijei mais um pouco e então me posicionei. Sem ensaios, arriei minha calça e meti fundo. Encravei até onde consegui e logo então comecei a golpear seu traseiro com meu corpo
    Eu ainda estava com raiva e não fiz o menor esforço para esconder isso. Amir gemeu, apesar de imaginar que minha brutalidade poderia o estar agradando, continuei com a mesma pressão. Aquilo dizia respeito a mim e minhas necessidades. Não as dele
    - Isso. Mete, gostoso. Assim. - começou a me enaltecer até que eu empurrei seu rosto contra o colchão.
    - Shiii. Quietinho, ok?
    Voltei a meter, tendo ele em silêncio.
    - Melhor - e meti com força. Tendo apenas os sons dos estalos de nossas colisões.
    Quem disse que a raiva não é um excelente afrodisíaco, nunca experimentou descontar sua raiva na cama. Gozei duas vezes sem tirar de dentro. Acabei apenas quando não tinha mais forças.
    Quando tirei, contemplei o trabalho bem feito. O anel de Amir dilatava. Estava vermelho em volta. Olhando seu pau, o encontrei duro e babando, com uma gota de sêmen ainda pendurada. Parecia que no fim, Amir gostava de ser maltratado.
    - Gostou? - perguntou, ainda temeroso. - Posso fazer mais alguma coisa por você?
    - Preciso dormir - anunciei - Sozinho - completei.
    Meu tom não dava margem para discussões. Mesmo decepcionado, ele se levantou e se vestiu. O levei até a saída para garantir que desta vez ele iria. Antes de sair, me deu um beijo.
    - Te amo - sussurrou.
    - Boa noite - foi tudo o que respondi.
    Ele saiu. Ainda olhando para traz até entrar no elevador. Talvez na vã esperança de ser chamado de volta
    Fiquei pensando se deveria esclarecer que aquilo não significava nada. Afinal, ele saia do meu apartamento sem nenhuma promessa de termos voltado, nem com anúncio de meu perdão. Bobo ele se acreditasse que havia conquistado uma coisa ou outra.
    Mas desisti. Afinal, não seria culpa minha se ele se iludisse.

     

  • Diários de caça - Capítulo 25 – Cão que morde

    Amir continuou fiel a mim depois daquele fatídico dia. Não que eu tivesse cobrado dele qualquer coisa. Mas ele queria e tentou manter sua presença constante em minha vida, se tornando a pessoa mais agradável possível. Qualquer coisa que pudesse me desagradar, ele logo tentava corrigir. Bastava uma respiração mais alterada ou uma revirada de olhar, ele logo tratava de corrigir a ação de forma a melhorar meu humor.
    No fundo ele sabia que eu nunca o havia perdoado, mas a ilusão de pelo menos voltarmos a namorar o enchia de esperança. Fui permitindo sua presença apenas o quanto me era interessante ou inevitável, uma vez que trabalhamos juntos. Quando queria me aliviar ou me divertir, também era uma opção. Mas nunca mais o deixei se apoderar de minha vida como antes.
    Nunca mais dormimos juntos, mesmo após uma boa trepada altas horas da madrugada. E sempre que eu o dispensava, ele saia resignado, mas sem contestar.
    Uma vez estávamos saindo do hotel, onde fomos chamados para uma ampliação na área recreativa. Um serviço que durou duas semanas. Ao sair, ele me pediu carona até o apartamento. Sabia que tinha deixado o carro em casa de propósito, só para pedir aquilo.
    Nos últimos dias ele tentava de tudo para ser útil ou, quando não conseguia, fazer-se de dependente. Desde sua insinuação de que eu estaria com ele por interesse que eu não aceitei mais uma bala vinda dele. E como não conseguia me fazer precisar dele, ele inverteu os papéis e se fazia de incapaz.
    Olhei bem pra ele e mandei entrar no carro. Dirigindo, passei por um terreno em obra e tive uma ideia. Tinha trabalhado nela havia pouco tempo e sabia que a obra estava parada por conta de uma descoberta de ossada no terreno. A equipe estava aguardando o laudo do instituto de arqueologia e antropologia para poder dar prosseguimento ao condomínio que ali ficaria.
    Sem falar nada, entrei no terreno.
    Uma vez lá dentro, virei para ele e falei:
    - Tira a roupa.
    - O que? Aqui? Mas e se alguém aparecer?
    - Não tem ninguém. Eu mesmo dispensei os trabalhadores até sábado. Vamos.
    E saí do carro, dando a volta e abrindo a porta do carona, já desafivelando o cinto.
    - Mas... - ele ia retrucar mais uma vez e eu logo suspirei aborrecido - Tudo bem - rendeu-se
    Amir saiu e arriou a calça.
    - Anda, tira tudo. Pelado. - insisti, de forma sucinta.
    Obedeceu. Não estava a vontade, mas seu medo de me contrariar era engraçado as vezes.
    Ao fim, ficou nu em pelo e eu o pus contra uma das pilastras de sustentação para o comer a vontade. Metendo com força e fazendo muito barulho, do jeito que gostava. Amir ficou quietinho, olhando em volta com medo de alguém aparecer. Segurou os gemidos, até mesmo quando eu o fiz gozar, massageando seu pau.
    - Delicia. - urrei, após dar aquela gozada dentro dele.
    - Gostou? - perguntou esperançoso. Carente de qualquer aprovação.
    As vezes eu tinha pena e lhe dava algum carinho. Beijei suas costas e sussurrei.
    - Muito. Mandou muito bem.
    Amir sorriu e eu sabia que o tinha feito ganhar o dia. O levei pra casa e recusei o convite para entrar. Estávamos estacionados ainda em frente ao seu apê quando recebo a mensagem de um contato, querendo confirmar se eu iria foder ele aquela noite.
    Percebi quando Amir esticou o pescoço para tentar ver. Eu apenas me voltei pra ele e indiquei a saída.
    - Já chegamos. Não vai me dizer que perdeu as chaves também.
    Ele encolheu e saiu.
    Saí com o carro rumo a Pietro. Um belo bailarino cuja elasticidade me permitia dar asas a imaginação cada vez que o comia.
    Falta de amor próprio foi algo que nunca me atraiu. Porém, devo admitir que aquele era um momento ímpar na minha vida. Algo havia se quebrado e eu ainda não sabia bem o que era. O fato era que ver Amir se humilhar me enchia de um prazer diferente. Me deixava louco de tesão obrigar ele a se submeter a minha vontade de depois o largar que nem um produto usado.
    E era apenas isso que me manteve ao seu lado durante tanto tempo depois. Nada saudável, eu admito. Mas não posso ser hipócrita e dizer que não foi satisfatório.
    O ditado água mole e pedra dura deve ser aplicado nesse contexto.
    Em uma noite, aceitei o seu centésimo pedido para jantarmos juntos. A desculpa para aquele era uma ocasião especial. Era o aniversário de um ano desde o fim do nosso projeto com Veneza. Só então percebi quanto o tempo havia passado rápido.
    O jantar ocorreu bem. Ele escolheu o restaurante do nosso primeiro encontro e eu fingia não estar entendendo aonde ele pretendia que aquilo chegaria.
    Amir estava mais carinhoso que o normal e também mais cauteloso. Estava se preparando para a pergunta que iria fazer e iria lhe dar a certeza ou acabar de vez com suas esperanças.
    - Fábio. Eu sei que as coisas não são mais a mesmas há um tempo. Mas... Mas eu ainda te amo. Do meu jeito idiota, mas amo e... Não quero que você me responda que também me ama, só... Gostaria de saber se...
    Ele não conseguia terminar e eu então adiantei sua resposta.
    - Amir. Eu e você sabemos bem que justamente pelas coisas serem como eram antes que não deu certo.
    Ele se calou, quando veio o garçom pegar nossos pedidos. O garoto estava olhando para nossa mesa a um tempo e pareceu se interessar por mim.
    Quando ele saiu, notei que Amir percebeu a mesma coisa. Esperei para ver se ele conseguiria se conter. Obviamente que não.
    - Acho que... O garçom gostou de você.
    Eu apenas sorri e ele percebeu que tinha se traído.
    - Está vendo? - falei com calma - era esse inferno que eu vivia todos os dias.
    - Desculpa, eu... - tentou se apressar, mas eu pus o dedo em sua boca.
    - Deixa eu falar - interrompi - se vamos nos dar uma chance. E eu estou dizendo uma chance - enfatizei, ao ver o brilho em seus olhos - Vai ser totalmente diferente. Sem aquele grude, sem aquelas cobranças, sem ciúmes. Eu mudei a senha do meu celular e jamais vou te passar de novo. Você não vai mais ficar se metendo em tudo da minha vida. Se você continuar a me importunar com suas inseguranças, eu pulo fora sem pensar duas vezes. O garçom me olhou, sim. Eu percebi. Sou um homem bonito, acostume-se. Caras e mulheres me olham o tempo todo - completei, sem um pingo de modéstia
    Ele concordou com tudo, calado. Com medo de falar alguma besteira e por tudo a perder.
    - Eu... Eu posso te chamar de meu namorado de novo?
    - Chame do que quiser - dei de ombros. Eu não disse que tínhamos voltado, mas não adiantava lutar contra a crença quase fanática de Amir em pescar esperança em qualquer vírgula que eu dissesse.
    Aquilo para ele bastou.
    Eu então o puxei e apoiei sua cabeça em meu ombro. Naquela posição, ele não viu quando pisquei para o garçom, que tentou disfarçar um sorriso.
    Quando terminamos de comer eu pedi a conta e entreguei a chave do meu carro para Amir.
    - Por que não vai pegando o carro enquanto eu pago? - sugeri.
    Ele saiu e então, enquanto passava o cartão, dei uma boa olhada no garçom e falei.
    - Larga que horas?
    Ele se assustou com minha direta
    - Eu... Daqui a uma hora e meia.
    - Legal. Passo aqui então pra te buscar. Que tal? - E lhe devolvi a máquina do cartão.
    Ele sorriu.
    - Mas e seu namorado?
    - Deixo ele em casa e volto - dei de ombros e ele aceitou os termos.
    Dirigi até o apartamento de Amir e, mais uma vez, recusei o convite para subir.
    - Estou com dor de cabeça - inventei - Vamos fazer o seguinte, então - e acariciei seu rosto, deixando-o sem reação. - amanhã de manhã cedo vamos pra praia, ficamos o dia todo. Podemos almoçar naquele quiosque que você gosta, que era de um primo seu. Que tal?
    Ele sorriu e segurou minha mão, pressionando contra seu rosto.
    - Parece ótimo.
    - Ótimo. Agora vamos descansar. Algo na comida hoje não me fez bem.
    Ele não queria me deixar ir, mas não ia insistir. Eu me permiti ficar mais um pouco com ele. Beijando-o na garagem de seu prédio como um adolescente. O que pra ele deve ter sido algo divertido, para mim era apenas uma forma de ganhar tempo. Já que ainda faltava pro garçom largar.
    Acabou que foi um momento bem jovial o que tivemos. Muitos beijos, carícias, uma mão boba ali, outra lá. Por pouco não transamos ali mesmo.
    Quando saí, cheguei no restaurante no momento em que ele estava na porta com os outros colegas de serviço. Estava 15 min atrasado e gostei de ver que ele ficou enrolando ali, me esperando.
    Ele entrou no carro e, colhendo a informação de onde morava, fui dirigindo.
    - Fiquei surpreso com seu convite - ele assumiu - Um cara gostoso como você.
    Olhei para ele e sorri.
    - Você também é muito gostoso. Por isso te chamei
    - Com aquele uniforme horroroso do restaurante? - riu - duvido alguém ficar atraente assim.
    - Mas isso resolvemos rapidamente, não acha?
    Meu olhar de predador o deixou paralisado. Eu estacionei o carro em uma rua totalmente deserta e botei o pau pra fora, o que ele pulou em cima como um cachorro em cima do pote de ração.
    Nesse instante meu celular tocou. Era Amir.
    - Continua - mandei e atendi.
    - Oi, Amor. Queria saber se chegou bem em casa.
    Quis rir. Afinal, era o Amir de sempre. Disfarçado de cuidado, ele apenas queria saber se eu tinha realmente ido pra casa. Resolvi entrar no jogo.
    - A estrada estava tranquila. Tudo correu bem.
    - Que bom...
    Deixei ele em silêncio, sentindo-o lutar contra o desejo de me interrogar. O garçom me olhou e eu lhe fiz um sinal positivo para que continuasse.
    - O que foi? Já está com saudades? - resolvi brincar com Amir, segurando o gemido, pois a mamada do garçom estava espetacular.
    Ele riu
    - Claro. Confesso que nossa brincadeira no carro me deixou aceso.
    - Hum... Bom. Diz aí, está peladinho?
    - De pijama - riu, acanhado
    Me voltei para o garçom e falei.
    - Tira a roupa, então.
    O garçom sorriu e foi logo se despindo. Amir, do outro lado da linha, riu.
    - Mas você não está aqui pra ver.
    - Tira - sussurrei para os dois - Quero você peladinho.
    Pelos sons do outros lado da linha, percebi que Amir tirava a roupa. O garçom já estava nu na minha frente, no bando do carona.
    - Abre as pernas pra mim. Imagina que estou te comendo. E se deda pra mim, vai. Enfia o dedo nesse cuzinho, pensando que sou eu.
    O garçom soltava faísca pelos olhos e obedeceu sem questionar. De pernas abertas no banco de carona, massageando o próprio orifício com o dedo.
    Amir gemia do outro lado.
    - Queria você dentro de mim. - Os dois falaram ao mesmo tempo. Pareciam ensaiados.
    - Em breve estarei. Pode acreditar. Se deda vai, quero te ouvir gemer baixinho pra mim
    Ambos começaram a me entreter. O garçom tinha o pau duro como pedra e me olhava fixamente enquanto se masturbava. Dois dedos já estavam entrando e saindo com facilidade de seu corpo.
    - Você é delicioso - falei para o garçom e para Amir de quebra.
    - Estou muito excitado. Vou gozar assim. - Amir anunciou e eu deixei. Quando ouvi seu gozo do outro lado.
    - Está se sentindo melhor? - perguntei.
    - Um pouco - sua voz era cansada, mas feliz.
    - Então dorme, amor. Amanhã tenho planos para nós dois.
    O fato de o chamar de amor foi tudo o que ele precisou para enfim se despedir e me deixar a vontade.
    Olhei para o garçom e indiquei o banco de trás. Tirei as roupas e fui com ele fazer aquele carro balançar.
    Nos últimos dias, assisti a um documentário em que falava que ursos polares, por conta dos aquecimentos das calotas polares e desaparecimento das focas (sua principal fonte de alimento) estavam mudando seus hábitos alimentares, passando a caçar outras espécies que não faziam parte de sua dieta.
    Acredito que, naquele momento, eu estava como o urso. Eu, sem perceber, havia renunciado a minha natureza e tomava atitudes as quais antes não cogitaria. Nunca fui de iludir pessoas. Não me importava em ser um amante, mas daí a ser eu o infiel era algo a qual jamais pensei me sujeitar. Aquela relação havia me ferido de tal forma que, naquele momento, eu era como um animal abatido. Traumatizado e capaz de morder qualquer um que chegasse perto, mesmo que com a intenção de me ajudar. Sem perceber, estava me ferindo e ferindo pessoas a minha volta. E o pior, não sentia o menor remorso. Como um cão que já nem ladra, só morde.
    Aquele era o buraco em que me jogava sem sentir. Na verdade, mergulhando por livre arbítrio. E o qual seguiria por um tempo, até enfim despertar.

     

  • Diários de caça - Capítulo 26 – Praga

    Trair Amir foi como uma praga, que começa e cresce sem o menor controle. Depois de instalada, procria e multiplica, tornando-se difícil de se livrar. E quando você vê, tomou e destruiu tudo.
    Eu já não sabia mais porque transava com outras pessoas. Acho que era o desafio. Me colocava em situações das mais desafiadoras, só para ver se meu namorado notaria. E quando ele desconfiava, logo me fazia de aborrecido e o fazia retroceder. Amir, desde nosso primeiro término, jamais se atreveu a me confrontar novamente. Acho que no fundo eu queria que ele reagisse. Que descobrisse, que me atacasse. Cansei de jogar no modo fácil, como um animal em cativeiro se cansa de caçar as presas que são propositalmente postas pelos criadores.
    Eu basicamente cacei toda e qualquer presa próxima a meu namorado, apenas para ver se era capaz. Comi sua vizinha na escadaria de seu prédio. Outro dia, numa manhã, ele pediu se eu poderia receber o técnico da TV a cabo que iria na sua casa. Como estava com a manhã livre, fiquei e acabei comendo o rapaz em sua própria cama. Até seu treinador particular me mamou em um banheiro, quando acidentalmente o encontrei num passeio ao shopping.
    E o pior, é que eu não me arrependia de nada. Sair impune massageava meu ego, me fazia crer como mais esperto, mais sagaz. Como a raposa que rouba de uma a uma as galinhas, sem que as demais sequer percebam. Nem os cães de guarda.
    Ninguém escapava de mim. As vezes nem eram pessoas que me atraiam. Mas o fato de serem próximas a Amir ou de haver alguma chance de ele descobrir, estimulava minha fome. 
    Não é uma desculpa, mas conviver com uma pessoa sem paixão nos faz abrir os olhos para defeitos que sempre estiveram lá, mas que nos recusávamos a enxergar. Amir, que sempre me pareceu um homem altruísta, que gostava de ajudar e se sentir útil para o próximo, começou a me parecer outra coisa.
    Percebi que Amir não era apenas feliz em ajudar ou em se sentir útil. Parte de sua satisfação se devia a enxergar o outro como alguém dependente, que precisa de sua proteção para viver. Sua superproteção era o que o motivava. Que o colocava como um mártir de uma nobre causa.
    Várias vezes o vi oferecer uma ajuda que a princípio não era sequer solicitada, apenas para, horas depois, vir desabafar comigo dizendo que tal pessoa não era capaz de se cuidar sozinha. Ou que sorte ela tinha de ele estar lá par ajudar.
    Essa obsessão era ainda pior com Omar, seu irmão mais novo. Sim, Amir tinha um irmão. O qual sequer fora citado aqui antes pelo simples fato de nunca antes ter me chamado atenção.
    Omar havia chegado ao Brasil recentemente e começava a ganhar seu espaço para garantir sua independência. Amir, sendo mais velho e melhor adaptado ao país, obviamente serviu de alicerces para o irmão se instalar. Tempo esse que talvez estivesse demorando demais a se concretizar.
    De início, eu comprava o discurso de Amir, alegando que o irmão não tinha aptidões e que por isso não conseguia caminhar com as próprias pernas. Conhecendo-o, dava para ver que ele não tinha a presença do irmão mais velho, nem seu carisma ou confiança. Mas com o tempo eu percebi que grande parte disso se devia ao próprio Amir, que o eclipsava sempre que podia, provavelmente sem perceber.
    - Acho que você deveria deixar ele tentar - dei o conselho quando Omar tinha sugerido fazer um curso intensivo de culinária.
    - Essa área não da dinheiro. - Ele rebateu - Vai acabar perdendo tempo.
    - Nenhuma área dá dinheiro até que dê. Conheço muitos advogados atendendo em lojas pra sobreviver. Se ele quebrar a cara, é a vida. Mas se for a vocação dele, pode dar certo
    - Ele não precisa quebrar a cara se tem a mim. Eu não me importo de bancar ele até que ele se estabeleça.
    - Mas você acabou de reclamar que ele não toma jeito - lembrei. Ao que Amir mudou de assunto e eu dei de ombros.
    Não era só na vida profissional. Na amorosa, até nos gostos de vestimentas do irmão Amir se metia, mostrando todo aquele lado possessivo que eu conhecia bem, mas que imaginava ser destinado apenas aos namorados. Talvez o fato de eu ter cortado esse privilégio dele em mim o tenha feito voltar a atenção de forma mais intensa ao pobre Omar.
    Eu via Omar tentar impor sua vontade sem nenhum sucesso. Não era um rapaz feio, mas de tanto ser reprimido começava a acreditar que sim. Ele tinha os traços do irmão, mas sem o corpo musculoso e a bunda carnuda. Tinha um corpo magro, mas bem definido. Um ar esguio e um rosto masculino. E os mesmos olhos penetrantes do irmão.
    Desconfiei que ele partilhava também dos gostos afetivos de Amir, certeza essa que tive quando, uma vez, tomando banho na casa de meu namorado, o vejo entrar no banheiro direto. Sem bater.
    Me viu nu e logo pediu desculpas. Mas ainda deu uma boa olhada de cima a baixo antes de sair. Algo que se arrependeu ao notar que tinha sido pego no flagra por mim.
    Nada comentei e quando ele saiu, ouvi a voz do irmão ralhando com ele.
    - Como você entra sem bater assim?
    - Desculpa. Não ouvi o chuveiro. Nem sabia que o Fábio estava aqui.
    - Você é muito desligado. Precisa... E blá, blá e blá.
    Foi então que chegou o dia 17 de julho, data em que Omar prestaria um importante concurso, na área de tribunais. O qual estava estudando há um ano. Amir não poderia levá-lo, pois viajaria. E não acreditava que o irmão fosse capaz de chegar ao local sozinho.
    Sempre achei engraçado como, de todas as pessoas no universo, Omar fosse o único que não despertava ciúmes no Irmão quando estava próximo a mim. O que poderia ser interpretado como confiança nos laços sanguíneos, era logo visto como mero desprezo à capacidade do irmão de atrair alguém como eu.
    Erro que Amir pagaria em breve.
    Acabei aceitando levar Omar ao local da prova, só para calar a boca do meu namorado. Dirigi por cerca de três horas, já que a prova seria em outra cidade. Aproveitei aquele tempo para estreitar os laços com meu cunhado.
    - Que tal escolher uma música pra ouvirmos? - sugeri, cansado do silêncio.
    - Eu não sei mexer nesse rádio.
    Estávamos no carro de Amir e eu o olhei incrédulo.
    - Sério isso?
    - Amir não me deixa mexer, pois tem medo que eu o escangalhe.
    - Ah, pelo amor de Deus. Liga logo esse negócio . Se quebrar eu digo que fui eu.
    Ele riu e ligou. Trocando a rádio até achar uma estação com músicas acústicas bem agradáveis.
    - Viu só? - alertei - não é nenhum bicho de sete cabeças. Vou te dizer, seu irmão parece que te vê como um cristal. Não pode se mexer sem quebrar.
    Omar riu, parecendo mais a vontade.
    - Mas sério. Para de se acomodar. Amir acha que todo mundo precisa dele até pra ir ao banheiro. Não deixa ele te infantilizar.
    Minhas palavras fizeram sentido a ele, uma vez que ficou pensativo
    - Por mim, você viria sozinho. Afinal, já tem mais de vinte anos, é plenamente capaz de tomar um ônibus sozinho sem se perder. Mas como já estou aqui, vou aproveitar que a cidade tem praia e o tempo está ótimo. Vou pegar um sol enquanto você arrasa.
    - Espero passar - desabafou.
    - Você estudou igual um corno e é inteligente. Vai passar. Aproveita a estabilidade pra estudar a gastronomia que tanto quer. Sem depender do dinheiro do teu irmão.
    - Ele te falou - sorriu.
    - Aham. E digo, você devia se impor mais. Mas como você já estudou tanto para essa prova e de fato é um emprego dos sonhos pra muita gente, acho melhor você fazer e passar. Ainda é novo, tem bastante tempo pra estudar as coisas que quiser.
    - Valeu, Fábio.
    Eu sorri pra ele e o vi ficar sem graça.
    - O que foi? - perguntei.
    - Nada.
    - Tá sem graça comigo?
    Sorriu encabulado.
    - Um pouco.
    - Então já tá na hora de acabar com isso. Vamos fazer o seguinte: quando acabar a prova, a gente almoça e aproveitamos mais um pouco a cidade antes de voltarmos. Vamos nos conhecer. Afinal, você é meu cunhado. Temos de ficar mais íntimos.
    Ele concordou, ainda estava nervoso, mas um abraço caloroso e um cheiro no pescoço quando nos despedimos no local de prova o deixaram bastante atento.
    - Estou bem naquela barraca ali na praia - indiquei.
    Por sorte, o local ficava muito bem localizado. Me assentei em uma mesinha na areia e o garçom me serviu algumas cervejas. Tomei um banho de mar e relaxei como a um tempo não fazia. Olhei para as pessoas que quis, sem Amir e seu bico estraga festas.
    - Mais uma cervejinha? - o garçom me ofereceu e eu aceitei. Foi quando resolvi comentar algo que havia me chamado atenção.
    - Amigo, me conta. Aquela trilha ali, que de vez em quando vejo um ou outro seguir
    O garçom riu de forma cúmplice.
    - Lá é a trilha que leva pra praia naturalista. Onde geral fica peladão.
    - Caramba - me surpreendi - pensei que praias assim ficassem mais isoladas.
    - Não se engane. A trilha é longa. Mais ou menos uns 40 minutos de caminhada. É bem isolada.
    - Ah sim. Já foi? - perguntei ao garçom.
    - Tá louco? Minha mulher me mata. E se você for perceber bem - e chegou perto para sussurrar - se olhar algumas pessoas que entram naquela trilha, você não iria querer ver pelado nunca.
    Rimos bastante, mas uma ideia se implantou.
    Omar chegou duas horas depois do início da prova. Estava animado, apesar de cansado. Tinha feito uma boa prova, afinal.
    - Vamos lá, come alguma coisa e relaxa. Você merece.
    Almoçamos e então eu sugeri fazermos uma caminhada para desgastar. Deixamos as coisas no carro e seguimos. Eu de sunga e ele de bermuda.
    Entramos na trilha que era bem deserta. Inocente, Omar me seguia e eu aproveitei para contar algumas das minhas histórias de quando caçava com meu pai.
    Aos poucos, meu cunhado ficava mais a vontade, e ele se tornou alguém mais aberto, contando-me casos dele e Amir na infância.
    Até que chegamos a uma parte da trilha onde havia uma placa: "A partir daqui, roupas são proibidas. Liberte-se das suas"
    Paramos e eu fiz minha melhor cara de inocente.
    - O que faremos? - ele perguntou
    - Podemos voltar ou... Bem, eu nunca fui a uma praia de nudismo. Tem curiosidade não?
    Omar deu de ombros, ainda receoso de admitir.
    Eu então sorri e tirei a sunga.
    - Vamos então. Eu tô querendo ver.
    Ele riu e se despiu. Cobrindo o pau com a bermuda.
    - Pau duro? - perguntei.
    - O que? - levou um susto com a pergunta.
    - Perguntei se você está de pau duro. Relaxa. Normal ao ficar pelado assim e perto de ver um bando de gente nua
    - Um pouco - admitiu
    - Eu também - falei, mostrando o meu, que já estava em pé.
    Deixei ele admirar surpreso meu órgão por um tempo. Tirou então a sunga e o dele estava bastante inchado.
    - Vai pegar mau a gente chegar lá assim - lembrou.
    - Vai mesmo - ri - só tem um jeito
    E comecei a me masturbar.
    - Que isso. Ta louco?
    - Tem outra ideia? Uma gozada e ele baixa. Espero - completei.
    Continuei a me masturbar quando o percebi me olhando, petrificado.
    - Vai porra - chamei sua atenção - vai ficar aí de pau duro?
    Naquele momento ele estava completamente excitado. Então começou a se masturbar também.
    - Vem cá - chamei.
    Ele vacilou. Mas veio.
    - O que?
    - Me ajuda.
    - Como?
    Peguei então sua mão e pus no meu órgão.
    - Ta doido? - acusou, mas não soltou.
    - Bora, antes que alguém chegue.
    Omar me masturbou, olhando toda hora aos lados caso alguém apareça.
    - Vai, continua... Assim... Caralho, vou gozar agora.
    Apontei para a mata e deixei os jatos saírem.
    Respirei fundo e sorri.
    - Valeu, cunhado. Vem cá.
    Ele ofereceu o pau, mas eu tinha uma ideia melhor. O virei de costas e comecei a dedar seu cuzinho .
    - Vai. Bate uma.
    Ele riu incrédulo e começou a se masturbar. Senti seu anel contrair em torno do meu dedo.
    Com a outra mão, fiquei beliscando seu peito. Meu dedo já tinha entrado quase todo enquanto ele gemia e se tremia todo.
    - Goza logo, moleque. Se não vou ter de comer teu cu pra acelerar.
    A safadeza ao pé do ouvido foi o que faltou para ele ejacular.
    Urrou forte, enquanto o pau chorava.
    - Ufa - soltou, rindo.
    - Acho que não adiantou muito - observei vendo nossos paus ainda bem inchados.
    - Melhor voltarmos, não? Vamos acabar pagando mico - ele sugeriu.
    Acabei concordando, vendo que ele estava constrangido após ter gozado. A culpa sempre vem após o gozo.
    Voltamos e ficamos só mais um pouco na praia antes de irmos embora.
    Não falamos muito. Mas eu o percebia a toda hora lançar olhares furtivos até mim. Como se não notasse nada, vez ou outra dava uma pegada no meu pau. De forma a chamar a sua atenção.
    A coisa caminhava muito bem e à frente eu só vislumbrava um resultado para aquela história: eu iria experimentar o cuzinho de Omar. Essa certeza, entretanto, foi posta em xeque por uma mensagem que recebemos de Amir ao mesmo tempo.
    Sua viagem sofreu um breve encurtamento e ele já estava em casa nos esperando. Escondi a cara de decepção ao falar com Omar.
    - Pois é. Seu irmão já chegou
    - Aham. Eu recebi também - percebi nele a mesma expressão que eu tentava ocultar. Embora, em seu caso, houvesse um pouco de alivio também. Como se tivesse se safado de algo que provavelmente se arrependeria depois.
    Chegamos ao apartamento de Amir e descobrimos a real razão de seu retorno prematuro. Ele estava queimando em febre. Provavelmente havia pego alguma virose na viagem. Tinha se consultado por lá e não era nada sério, embora não estivesse em condições de trabalhar e acabou antecipando o retorno, ficando de voltar no mês seguinte para finalizar o projeto.
    Deixei os irmãos conversando na sala enquanto preparava a janta. Amir disse que pediria comida, mas como bom rapaz do interior eu sabia que nada melhor para levantar os ânimos de qualquer um que um caldo de galinha bem reforçado.
    Amir aceitou o mimo, me olhando com aqueles olhos de cachorro que eu sabia significar que considerava meu gesto como prova que meu amor por ele havia enfim reavivado. Não iria discutir com ele as questões que diferem cuidar de um ser humano e amar a ele. Ele estava feliz e um pouco mais meloso que o normal. E eu aceitei que meu fardo seria cuidar daquilo, pelo menos aquela noite.
    Amir vibrou quando eu informei que dormiria ali para o caso dele precisar.
    O que eu não contava era que meu namorado ofereceria ao irmão passar a noite no quarto de hóspedes. Alegando estar tarde para ir sozinho
    O mesmo espírito superprotetor de sempre e o qual eu alertei Omar e o encorajei a se impor. Todavia, naquela noite, achei interessante ele mais uma vez ter se rendido a vontade do irmão.
    Já eram 23h e eu o acompanhei ao quarto, após termos dividido um bom banho quente.
    - Toma - peguei seu remédio e lhe ofereci com um copo d'água.
    - Melhor o outro. Esse me dá sono.
    - Meu amor, são onze da noite. Acho que sentir sono só ajudaria, não?
    Ri e ele se derreteu todo por eu o chamar de "meu amor"
    Tomou sem reclamar e deitou. O abracei por trás e ele logo dormiu. Eu, por outro lado, não consegui pregar o olho. A todo momento minha mente lembrava que, a apenas alguns metros dali, havia uma presa pronta para o abate e que este teria se finalizado hoje se não fosse o retorno precoce de meu namorado.
    Mas isso ainda poderia acontecer.
    - Amir - testei, chamando-o. Ele sequer se mexeu. - Amor - e o cutuquei. Nada - O vizinho está me mandando mensagem para eu ir lá agora. Aquele que falou que eu era muito bonito.
    Se depois daquela não houve qualquer tipo de reação, eu sabia que o remédio o havia dopado permanentemente. Levantei e fui até o quarto de hóspedes.
    Entrei sem bater e Omar deu um pulo da cama. Também não tinha qualquer sinal de ter dormido.
    - Vamos terminar o que começamos mais cedo? - sugeri, já me despindo.
    - Mas meu irmão está logo ali.
    - Se liga - peguei em seu ombro - Amir está mais dopado do que um drogado em uma rave, então é o seguinte: eu quero te comer e eu sei que você ta doido pra dar. Infelizmente não temos tempo para joguinhos então essa será sua primeira e única chance. - olhei bem em seus olhos, para que sentisse toda a seriedade – Tira logo essa roupa.
    Minha sinceridade o atingiu como um bofetão.
    Ele olhava meu corpo e meu pau em riste e então começou a tirar a roupa as pressas. Nos beijamos e eu o pus apoiado contra a parede e de costas pra mim. Ajoelhei e lambi aquele orifício com vontade, vendo ele se contorcer e conter o gemido.
    Chupei o buraco até me satisfazer. Quando voltei a me levantar e encravei fundo, o pau entrou facilmente.
    Omar tremeu todo e eu o agarrei firme, envolvendo com os braços e calando a sua boca
    - Mesmo dopado, melhor não abusarmos, não é mesmo? - sussurrei ao seu ouvido. Então, comecei a cravar forte contra sua bunda, fazendo ele dar pequenos saltos a cada estocada. Mantive sua boca bem segura, de forma a não conseguir soltar nenhum som.
    Meti com força, sentindo ele gemer choroso.
    - Gostoso - sussurrei - tão gostoso quanto teu irmão. Ouviu? Para de se sentir um patinho feio. Eu tô aqui, não tô? Poderia estar fudendo o Amir, mas escolhi estar aqui, metendo em você. Abre as pernas.
    Ele abriu e eu enfiei mais, fazendo-o ficar na ponta dos pés.
    - Entendeu agora? Gostoso.
    Lambi sua nuca, sentindo o gosto de seu suor. Meti mais e mais. Passei rapidamente a mão pelo seu pau e percebi que Omar já tinha se gozado todo
    Enfiei com tudo, até enfim ejacular. Deixei lá dentro até ter soltado tudo o que queria. Então o conduzi até a cama e o deitei com cuidado, pois seu corpo parecia desfalecido.
    - Tenho de voltar - avisei - vamos marcar com mais calma outro dia.
    Beijei seus lábios e saí. Deixando-o completamente desorientado.
    Cheguei no quarto e voltei a me deitar, enlaçando os braços em volta de seu corpo. O senti instintivamente segurar meus braços e se aninhar. Sussurrou algo que não entendi.
    - O que? - perguntei, imaginando se teria ou não despertado e ouvido alguma coisa.
    - Te amo. Obrigado por estar comigo.
    O ouvi dizer coisas do tipo inúmeras vezes, mas foi a primeira vez que aquilo me causou uma pontada desagradável no peito .
    Me acheguei e tentei dormir com ele. Mas o sono, mais uma vez, demorou a chegar. Porém, naquela hora, por outro motivo.
     

     

  • Diários de caça - Capítulo 3 - Lobo em pele de cordeiro

    Durante anos, lutei contra o desejo de minha mãe de frequentar a igreja local. Meu pai, agnóstico, nunca se meteu nisso. O fato dele não crer nas mesmas coisas que minha mãe não o impediam de garantir que eu tomasse minhas próprias escolhas. Ele até se divertia com minhas tentativas de escapar da promessa de salvação, uma vez que não era mais assediado pela esposa.
    Contudo, em uma noite de quinta, aceitei acompanhá-la para deixar feliz  Parecia que a banda gospel juvenil ia se apresentar e minha mãe acreditava que um pouco de rock cristão bem comportado seria o empurrão que eu precisava para tirar da cabeça que as atividades da igreja eram todas dignas de meu bocejo.
    Mas o que ela não esperava, e nem eu, é que de fato iria me interessar por àquele lugar. Não, obviamente, pelos motivos certos. A primeira hora foi bastante monótona, a banda, bastante sem sal, não me empolgou. Embora eu tentasse fingir apenas para não deixar minha mãe triste. Pelo menos o vocalista era bonitinho. Depois da apresentação, veio o sermão de nosso pastor, Felipe, cuja oratória, eu tinha de admitir, era boa. Me peguei quase sendo inspirado por suas palavras em um momento. E de cara, me dei conta que ele era um homem perigoso.
    Após a missa, minha mãe me arrastou de um lado a outro me apresentando para suas amigas e seus filhos de minha idade. E foi então que meu faro aguçado detectou anomalias.
    Aparentemente, o sangue novo no templo chamava atenção. E eu chamei muita, tanto das meninas quanto dos meninos. Só então me dei conta de quantos ali se escondiam.
    Várias mães vieram perguntar a minha se eu estava solteiro, pois eu parecia um excelente partido para suas filhas. Os garotos vieram falar comigo e me olhavam de cima a baixo. Eram melhores em disfarçar que Breno, mas eu já tinha bastante experiência para farejar caça em todos os lugares.
    Ali, o banquete era farto, homens ou mulheres, bastava apenas a destreza que eu tinha de sobra.
    - Então, amor. O que acha? - minha mãe me perguntou.
    - Acho que posso vir com a senhora outras vezes. Não prometo nada, mas não parece ser tão ruim
    Tal promessa a fez ganhar o dia.
    Lembro de no café da manhã da manhã seguinte, minha mãe animada contando sobre o show da banda e como eu havia gostado.
    - Fábio até pensou em frequentar mais. Aposto que logo se batiza.
    Meu pai, descrente, olhava com carinho a animação de minha mãe, sem ânimo para lhe levar ao chão. Seu olhar só mudou quando eu realmente declarei que tinha intenções de voltar lá. Na hora meu pai me olhou desconfiado, mas continuou mudo.
    - Não disse? - animada, ela se levantou e foi tirando a mesa.
    - O que você está aprontando? - perguntou sem pestanejar, quando ela se afastou. Meu pai, como bom policial, sabia separar o joio do trigo.
    - Nada - dei de ombros - quero dar uma chance para o lugar e para as pessoas
    Meu comentário sonso arrancou uma risada seca dele
    - Sua mãe não tem ideia do lobo que jogou naquele rebanho.
    Minha irmã, que apesar de estar na mesa o tempo todo, parecia desconectada da realidade lendo sua revista pré adolescente, riu e não sabemos se do comentário do meu pai ou de algo que ocorria apenas em sua mente.
    *
    Durante umas semanas eu apenas observei o lugar. Fui algumas vezes com Breno, que já frequentava desde que sua mãe percebeu os primeiros sinais, e fui comparando com ele minhas impressões.
    - Incrível como tem enrustido nesse lugar - comentei.
    - Sério? Não notei - Breno se surpreendeu.
    - Ainda lhe falta o dom da caça, amiguinho - e bati em sua cabeça como quem acaricia um cachorrinho.
    Depois de pensar muito, refleti que aquele era de fato o lugar perfeito para qualquer gay naquela cidade se esconder. Isso porque, naquele lugar era muito mais fácil se camuflar, tudo ali teria uma desculpa plausível:  todos os seus comportamentos consideráveis suspeitos, eram mascarados pela vida de austeridade das pessoas dali. Um jeito mais delicado poderia ser confundido com uma educação exemplar. Pouco ímpeto em cortejar o sexo oposto seria visto como respeito. E namorar sem fazer sexo era se guardar. Ali você sequer precisaria brigar par arranjar uma namorada, pois o próprio pastor Felipe trabalhava em juntar os casais que ele considerava feitos um para o outro
    Assim, para uma menina daquelas, que jamais havia conhecido um homem na vida, era fácil acreditar que aquele garoto com quem andava de mãos dadas era um varão.
    Embora, justos sejamos, as meninas ali não fossem tão bobas. Mas se faziam dê. Também notava os olhares delas, e a forma como dissimulavam rapidamente quando alguém o percebia. Eram boas. Mas eu era melhor. Fiquei imaginando um mundo de aventuras e possibilidades entre aquelas quatro paredes e o estrago que o lobo em pele de cordeiro aqui poderia fazer. Seria divertido.
    Eu só tinha que tomar cuidado com Felipe. Não sabia o que era, mas algo nele me inspirava cautela. Ele era o cão de guarda ali, e me expulsaria se tivesse a chance. Embora tivesse convicção que, de santo aquele ali não tinha nada.
    Lembro de uma vez que ele tentou me empurrar uma menina para namorar. Eu disse que tinha acabado de chegar e ainda não estava pensando nisso.
    - Nunca é cedo para se comprometer, Fábio. - falou, em seu tom didático. - Seria ótimo, para alguém como você.
    - E o que seria alguém como eu, pastor? - senti a maldade em seu comentário, mesmo velada.
    - Alguém que não é do rebanho. - respondeu rapidamente - Bem Fábio... Nós sabemos que você tem uma fama, não é? Muitas meninas, e até algumas mulheres de idade já se perderam em você. - e me deu um olhar de cumplicidade - não se sinta mal por isso. Você é um garoto bonito e na sua idade eu também não tinha juízo e queria aproveitar. Mas acho que vai descobrir que, uma relação bem nutrida, é melhor que qualquer aventura.
    - Obrigado pelo conselho, pastor. Prometo que vou pensar no assunto.
    Ele se afastou, mas desde então fiquei cauteloso em sua presença. Isso porque eu tinha minhas suspeitas de que Felipe conseguia enxergar mais do que demonstrava poder. E que talvez visse muito além da minha pele de cordeiro e enxergava até o que eu tentava esconder.
    Todavia, meus contatos direto com Felipe não foram muitos, tendo vista que era um homem bem atarefado e eu não muito interessado nos trabalhos da ordem.
    Pois a verdade era que eu não precisava me envolver muito para chamar atenção ali. Parecia que a minha "fama", como o pastor havia atentado, me tornou uma espécie de atração aquele lugar. Talvez até um troféu. Todos ansiosos na minha conversão em um rapaz direito.
    E minha mãe não ajudava muito em me deixar oculto, me apresentando a todos que podia, em especial a suas filhas solteiras.
    - Seria tão bom você namorar uma menina direita, filho. Se aquietar. Quando conheci seu pai, ele era igualzinho a você. E eu sei bem o que uma boa mulher pode fazer a um homem.
    - Mais humildade, Dona Maria - brinquei com ela, que ficou corada.
    - Mas ora, não é pecado se gabar de algo que é verdade - e me deu um carinhoso beliscão no braço, sorrindo.
    E foi nesse momento que um certo casal se aproximou de mim. Reconheci o garoto da banda, era o vocalista. A menina já tinha visto também, liderando um grupo de outras garotas da congregação. Vinham de mãos dadas. Eu os percebi de longe, mas fingi distração.
    - Oi. Fábio, né? - a menina falou primeiro. Era loura, tinha um rosto redondo e uma pele bonita. Olhos castanhos. Tinha um belo sorriso e transbordava simpatia. Seu corpo era bonito. Longe das meninas magérrimas da escola. Ela tinha carne e gordura, que lhe proporcionavam belas curvas.
    O garoto, já bem magro, cabelos pretos e lisos, tinha olhos claros, em tom cinza, pele morena, sem pelos. Vestia uma roupa social impecável e era mais introvertido. Mas sua natural timidez lhe conferiam um ar bastante atraente.
    - Sim. Tudo bem? - perguntei, com um sorriso.
    - Tudo ótimo. - ela continuou. O namorado ainda quieto, me olhava com um sorriso tímido - estávamos ali e percebemos que você nunca se enturma com o pessoal. Por que não vem conosco? Te apresentamos. Me chamo Bianca e esse é meu namorado, Oscar.
    - Muito prazer - e apertei suas mãos - Ah, sim. Obrigado. Na verdade estava ajudando minha mãe a...
    - Não precisa. - ela me cortou - vai lá com seus novos amigos.
    Sem ter com o que discutir, os segui. Fui apresentado aos jovens de minha idade, atraindo olhares de aprovação de meninas e meninos, todos bem comportados e dissimulados.
    Eu, que também sabia jogar, continuei com meu jeito quieto e observador, afinal, era um lobo em pele de cordeiro e podia, sem querer, revelar minha verdadeira identidade. Então era melhor eu ir com calma.
    Bianca e Oscar caíram rapidamente em minhas graças. Ele, inclusive, se tornou bem mais falante ao longo daquela noite e me convidou para o churrasco de seu aniversário, que ocorreria naquele fim de semana. Aceitei de bom grado, fingindo não perceber os olhares interessados que sua namorada me lançava quando ele não via.
    Na verdade, esse jogo era partilhado pelos dois, pois Oscar parecia sempre bem mais saidinho quando a namorada estava longe. Decidi estudar bem aqueles dois, sentindo a emoção da caça se aflorar na perspectiva de abater aquele casal.
    No domingo em questão, fez bastante sol e fui até a casa de Oscar. Um belo casarão com piscina. Não haviam muitas pessoas. Apenas amigos mais íntimos e familiares. Bianca vestia um maiô verde esmeralda, que realçava suas curvas sem ser vulgar, e ele vestia bermuda. Pude então ver que haviam alguns músculos e gomos naquele corpo magro.
    Oscar e eu conversávamos muito. Onde ele aproveitou para me convencer insistentemente a ficar a vontade e tirar a roupa. Percebi de imediato que eu era o único ali de sunga. O pessoal, bem mais comportado, usava ou bermuda ou short de banho
    - Me sinto pelado - comentei tranquilamente.
    - Relaxa - e olhou para minhas pernas - Pessoal curte esconder as pernas - e riu quando enfim percebeu que era hora de parar de olhar. Ainda mais quando sua namorada chegou .
    - Amor, temos um problema, o churrasqueiro teve um imprevisto e não poderá vir - revelou ao namorado.
    - Que droga. Eu confirmei com ele ontem.
    - Se quiserem, eu posso ficar - ofereci.
    - Não, cara. Seria vacilo - Oscar descartou- Você é meu convidado.
    - Não vejo problema. Posso ficar até encontrarem outra pessoa. Eu gosto e vocês vão ver que minha carne é bem gostosa - brinquei com as palavras e percebi o olhar de Bianca faiscar. Ela tinha a mente mais maliciosa que seu namorado.
    Acabei ficando. Meu pai havia me ensinado a manusear uma churrasqueira. E minha mãe era  a principal responsável pelas comidas nas festas da igreja e eu havia aprendido muitos temperos e molhos observando.
    - Caramba. Você é bom - Bianca veio falar. - Não para de sair carne.
    - Prova isso aqui - e dei um pedaço de bife com pasta de alho que tinha acabado de sair. Ela pegou com a boca, dando uma leve chupada em meu dedo.
    - Minha nossa - regozijou.
    Percebi pelo canto do olho que Oscar nos observava meio enciumado. Mas disfarçou quando me viu olhar em sua direção. Bianca, bem a vontade, deixou as amigas e o namorado, alegando ser injusto me deixar sem companhia enquanto trabalhava como escravo. Aproveitei para bater um bom papo com ela. Bianca era uma garota bem viva, cujos sonhos, assim como os meus, envolviam sair daquela cidade, onde pretendia estudar para ser corretora imobiliária.
    - Acho ajudar as pessoas a encontrar um lar algo gratificante. - comentou - e por aqui não dá, pois todas as famílias meio que nascem e morrem no mesmo lugar
    Por volta das 17h, Oscar veio até mim.
    - Fábio, acho que já está bom. Todos estão satisfeitos. Deixa a churrasqueira de lado e vem nadar. Se alguém quiser comer algo depois, que se vire. Você deixou tudo pronto já.
    - Tudo bem. Só não tem condições de eu pular na água assim. - e apontei para meu corpo cheio de gordura de carne e fuligem.
    - Tem razão. Seria bom tomar um banho. - Bianca me olhou de cima a baixo, fingindo repulsa ao meu estado.
    -  Eu te levo lá em cima - Oscar logo se ofereceu. Ação que um espectador distraído poderia confundir com zelo pela parceira
    - Eu posso levar, amor - Bianca sugeriu.
    - Nem pensar. Você já deixou suas amigas de lado tempo demais. Deixa comigo.
    E sem esperar mais debates, me guiou até o interior da casa, deixando a namorada com a expressão de quem foi privada de algo que queria.
    Entramos na casa e percebi que passamos direto pelo banheiro social. O segui em silêncio, até chegar em seu quarto.
    - Aqui. Pode usar meu banheiro. Vou buscar uma toalha pra você.
    Tirei a sunga e esperei. Quando se virou para me ver, levou um susto, mas logo sorriu.
    - Aqui - e me entregou
    - Obrigado. Bela festa - comentei.
    - Valeu mesmo. Obrigado por vir. Não só por causa da churrasqueira. Sua companhia é muito agradável.
    Ele, assim como a namorada, se tornavam bem mais faltante longe da presença um do outro. Talvez, meu fetiche inicial de brincar com o casal tivesse de ser adiado, pois aquele ciúme e o tesão não confessado entre eles poderia atrapalhar o desenvolvimento. Mais inteligente seria separar as ovelhas e abater uma a uma.
    Ficamos em silêncio, onde eu quis testar quanto tempo ele ficaria olhando meu corpo.
    Demorou, mas ele se ligou que estava dando bandeira. E sorriu sem graça e disse que me deixaria a vontade.
    Tomei banho e voltei pra festa. Fiquei na piscina até a hora do parabéns e logo após ele, os convidados foram se despedindo. Eu ia sair também, mas Oscar me convenceu a ficar, alegando que eu pouco havia aproveitado a festa e que o mais justo seria que eu relaxasse na piscina. Ao final, ficamos apenas eu ele e Bianca, embora eu percebesse que toda hora a mãe do aniversariante viesse no quintal, sob a desculpa de arrumar alguma coisa
    Conversamos e rimos um pouco. Os dois me encheram de perguntas sobre meus gostos e tal. Então, contei das caças e das trilhas que fazia na floresta. Oscar logo se animou.
    - Cara, sou doido pra fazer uma trilha. Mas meus amigos são todos sedentários.
    - Fábio podia nos levar um dia desses - Bianca ofereceu.
    - No próximo fim de semana, o dia promete sol - lembrei.
    Bianca ficou animada, mas Oscar a frustrou.
    - Você está esquecendo que tem o ensaio do teatro no sábado, né?
    Na hora, seu rosto murchou.
    - E também - acrescentou - você mal quer andar até o colégio. Seu pai tem que te levar de carro pra qualquer lugar. Aonde você vai querer ficar andando pela mata?
    - Sempre tem uma primeira vez - e deu língua para Oscar. - E você tem ensaio da banda na sexta, lembra? Tanto que falou que não poderia passar o texto comigo na véspera.
    -  Bem, podemos ir então eu e você no sábado de manhã, enquanto Bianca está no ensaio do teatro - sugeri e logo acrescentei - Eu já vou mesmo, então se você quiser conhecer. - E me voltei pra namorada - E enquanto ele ensaia com a banda na sexta, eu posso te ajudar com o texto
    - Acho justo - Bianca ponderou.
    - E você vai gostar de passar texto de teatro? - Oscar duvidou e não percebeu o olhar mortal que recebeu da namorada.
    - Não vejo problema - dei de ombros - sexta eu normalmente saía, mas como estou tentando andar na linha, seria bom ter algo pra me distrair.
    Bianca, com triunfo, se antecipou
    - Então está combinado. Fábio te leva pra aquela mata horrorosa no sábado e em troca, me ajuda a passar o texto na sexta.
    Oscar não foi capaz de contra-argumentar e eu segurei o sorriso malicioso.
    - Perfeito então. Já que estamos bem - eu então, sem aviso, afundei Bianca na água.
    Ao se levantar, com as cabelos cobrindo o rosto, ela me olhava atônita enquanto eu e Oscar riamos pra valer
    - Seu idiota. Deveria me defender - e arremessou água no namorado.
    Eu aproveitei sua distração e o peguei pelos pés e o fiz virar de ponta cabeça. Bianca gargalhava quando o namorado voltava pra pegar fôlego.
    - Amor, ele está tentando nos dividir. Temos de unir forças - levantou
    Eu então, fingindo fugir, fui nadando para me afastar, mas os deixei se aproximar e brigar para tentarem me afundar.
    Pela primeira vez os vi agir em cumplicidade e me animei com a expectativa de um dia brincar com os dois ao mesmo tempo.
    Naquele momento na piscina, ainda aproveitei para, "sem querer", acariciar um seio de Bianca, e dar uma apertada de leve na bunda de Oscar. Senti que alguém acariciou meu volume, mas no meio da batalha não identifiquei quem. Ninguém comentou nada, tampouco pareceram trocar olhares entre si, o que me deixou deduzir que a informação da minha mão boba estaria em segredo e que não seria naquela noite que eu teria meu banquete.
    Além daquilo, tinha o inconveniente das visitas quase de 10 em 10 minutos da mãe de Oscar, oferecendo bebidas e comidas só para poder ir lá xeretar. Ao fim, desisti por aquela noite e me retirei estrategicamente para me preservar para o próximo fim de semana
    Na sexta a tarde, eu estava na porta da casa de Bianca. Ao tocar a campainha, me surpreendi ao ver Oscar.
    - Oi, cara. Pensei que estivesse no ensaio da banda.
    - Estou de saída - informou, me olhando de cima a baixo. Só não sabia se estava me avaliando como uma ameaça ou um modelo.
    Eu me vestia com uma camisa polo e uma bermuda jeans. Meu pai, ao me ver me arrumando naquela tarde, questionou onde eu iria. Quando soube, teve de segurar o riso e me alertou, antes de me deixar terminar:
    - Por favor, Fábio. Juízo.
    - Mas o que você pensa de mim afinal, pai? - me defendi, fazendo de ofendido.
    - Eu simplesmente te conheço, só isso.
    Apesar de não gostar de me vestir tão formalmente - sim, para alguém como eu, uma polo é o equivalente a um terno. - tinha de admitir que fiquei bem naquela fantasia de bom moço.
    - Bianca veio se despedir do namorado e lhe deu um selinho. Depois, sem chances dele se alongar mais, me levou para dentro, onde sua mãe assistia novelas.
    - Vou ficar no meu quarto para evitar ruídos. Vou fechar a porta - alertou e a mãe apenas concordou sem sequer olhar, alheia a tudo a sua volta
    Entrei em um quarto muito arrumado e ela fechou a porta atrás da gente. Pude jurar que ouvi sendo trancada.
    - Tem certeza que sua mãe não vai se importar? - perguntei
    - É apenas para abafar a televisão. Ela sabe disso.
    Dei de ombros e esperei. Bianca vestia um vestido branco simples, com um decote comportado, mas pelo tamanho dos seios, ainda sim deixavam a imaginação desenhar o restante.
    - Então, o que tem para nós? - perguntei, animado.
    - Nada demais, apenas "Romeu e Julieta". A nossa igreja vai apresentar na escola primária.
    - Pensei que passariam algum texto bíblico.
    - Era a ideia original - admitiu - mas fazemos isso todos os anos e dessa vez, convencemos o pastor a variar.
    Ela me passou o texto que mostrou a cena final dos amantes desafortunados. Romeu, acreditando que Julieta estivesse morta, declama seu amor e lamenta sua sorte para, logo depois, cair morto.
    Recitei, tendo ela deitada no chão ao meu colo. Quando terminei de falar, ela me interrompe:
    - Agora é a parte que você me beija, não? - quis saber
    Eu olhei o roteiro e de fato havia essa informação. Mas estava riscada.
    - Está riscada - observei.
    - Ah sim - e pareceu recordar - Felipe pediu para tirar. Não quer beijo numa peça para crianças. Um exagero, se quer minha opinião.
    - Concordo - defendi - uma pena violar um clássico assim - e sorri para ela, em cumplicidade - Então, por Shakespeare - e lhe dei um beijo estalado no rosto.
    Rimos juntos.
    - Embora, sempre achei a ideia de beijar um cadáver meio mórbida - comentei ao final.
    - Não é mórbida, é romântica. E eu não estou morta, só dormindo.
    - Pior ainda. É uma violação, não acha? Digo, qual seria a diferença se eu te beijasse ou... Sei lá, fizesse outras coisas contigo enquanto dorme?
    Seus olhos faiscaram e ela pôs as mãos no colo em forma de proteção.
    - O que se passa por sua mente suja, Fábio. Mendes?
    - Nada demais. - apoiei minha mão em sua barriga, para descansar - só... Bem... Tem um monte de coisas que um cara pode fazer e que seriam erradas com alguém desacordado.
    - Coisas que você já fez?
    Eu sorri amarelo e desviei o olhar.
    - Sim... Mas em minha defesa, todas estavam acordadas.
    Ela riu.
    - Bem, minha vez agora. Você está morto - e se sentou e trocamos de posição.
    Então, eu entrei no personagem Romeu que toma do veneno para se unir ao seu amor
    Bianca, acima de mim agora, começa a fazer suas declarações de arrependimento. Vendo seu plano de se fingir de morta para convencer as nossas famílias da veracidade de nosso amor sair pela culatra. Assim, quando termina, sinto seus lábios tocarem os meus. Não fiz reação, ainda dentro do meu personagem. Sua mão, sob meu peito, acariciava de leve, quase inocente, e seu seio, próximo de mim, tocava meu braço, onde eu pude sentir a saliência do mamilo rígido.
    Bianca inflamava em suas declarações, de corpo e alma ao personagem. Sua mão, as vezes alisava meu corpo, sem deixar claro se aquilo seria atuação ou não. Era boa em dissimular. Sob o pretexto de um ensaio inocente, aquela menina estava dando asas a seus desejos. Se era dissimulação que ela queria, era o que ela teria.
    - Desculpe - Falei, de repente e ela não entendeu.
    - O que foi?
    Eu fingi vergonha e fiquei em silêncio, antes de respirar fundo e falar:
    - É que... Faz tempo que não estou com uma mulher tão perto e... Acho que não serei uma boa companhia essa noite.
    Então, olhei para minha bermuda e ela seguiu meu olhar. Se assustando quando viu o volume forçar o tecido.
    - Desculpe - repeti.
    - Ah... Não... Só... Eu não esperava.
    - É difícil pra mim, eu tento, sabe, melhorar, mas... Nada - desisti de tentar explicar, fingindo vergonha
    - Não Fábio., tudo bem. A gente sabe que deve ser difícil. Digo... Pra nós, é mais fácil pois nunca fizemos mas, pra você, que já experimentou, é como uma droga. Difícil a abstinência.
    - Desculpa perguntar, mas... Você e Oscar estão mesmo... Digo... Se guardando um para o outro?
    - Claro. - e sorriu.
    - Nossa!
    - O que foi? Vai zoar a gente? - e riu com malicia, se fazendo de rogada.
    - Não, só... Estou com inveja. Queria eu poder oferecer algo assim para minha futura esposa, mas... Não da mais, né?
    - Mas aposto que você tem muitas outras coisas a oferecer.
    Ela desviou o rosto, passando rapidamente pelo meu corpo e meu volume, segurando o olhar ao longe.
    - Posso fazer uma pergunta? Pessoal? - quis saber.
    - Claro, Fábio.
    - Vocês nunca... Sentem essa vontade de... Essa coisa que, consome a gente?
    Ela riu. Ainda estava deitada ao meu lado, apoiada pelo cotovelo, eu deitado no chão olhando seus cabelos escorrendo em cascata até o chão.
    - Claro que sim... Somos humanos. Só... Decidimos nos preservar.
    - Entendo. Mas...- então pus a mão na boca e comecei a rir. Me interrompendo.
    - O que?
    - Nada
    - Fala.
    - Era besteira da minha cabeça.
    - Pode falar, eu não vou rir - prometeu.
    Eu então respirei fundo:
    - É que... Bem... Vocês poderiam fazer algumas coisas e ainda assim, você continuar biologicamente virgem para o casamento.
    Seu rosto corou
    - Eu disse que era besteira - lembrei, em defesa.
    Ela riu, tentando articular as palavras:
    - Nossa! Realmente... Você é uma ovelha negra - e riu - só o famoso Fábio pra mandar uma coisa dessas na cara de uma menina de igreja.
    Eu ri.
    - Só estou dizendo - me defendi - que eu mesmo já preservei a virgindade de muitas meninas e... Bem... Mesmo assim elas saíram felizes.
    Nos encaramos e rimos de novo.
    Rimos e rimos até as gargalhadas começarem a perder a força. Estávamos bem perto um do outro. Senti ela se aproximar instintivamente e esperei. Aquele era um jogo de pescaria e eu estava bastante atento ao seu rosto para saber quando era a hora de puxar a linha.
    Ainda não.
    Foi quando percebi um pouco de receio em seus olhos. Ela ainda estava vacilante e eu tinha de jogar rápido  Com esperteza, me antecipei a ela. Antes que ela pudesse me rejeitar, eu agi primeiro.
    Virei o rosto e saí de perto, fingindo vergonha novamente e me levantando. Bianca me seguiu e ficou ao seu lado.
    - Desculpa, desculpa. Eu... Droga, eu não aprendo. - desabafei. O grupo de teatro da minha cidade estava perdendo meu talento nato.
    - Não, eu quem peço desculpas. Sem querer, acabei dando a entender alguma coisa - ela segurou meu ombro. - Eu tinha que saber que isso tudo é muito mais difícil pra você.
    - Não, para. Você é uma garota boa. O que está acontecendo, na verdade, qualquer coisa que pudesse ter acontecido, nada seria culpa sua. Sou eu quem sou o problema.
    - Não fala assim - Me repreendeu com zelo.
    - Por favor, não fala nada pra ninguém. - pedi - O pessoal já tem uma opinião sobre mim e, se falar, aí que vão pensar que eu não presto mesmo.
    - Não se preocupe. Aqui tudo vai ficar entre nós - garantiu.
    - Obrigado.
    Depois disso, ficamos em silêncio. Eu preferia manter o rosto voltado contra ela, para que não visse caso meu lábio tremesse ou eu soltasse um riso involuntário. Estava indo bem.
    Ela riu.
    - O que foi? - me surpreendi.
    - Nada - ela levou a mão a boca, ainda achando graça.
    - Fala
    - É besteira.
    - Pode contar - insisti - Ora, eu me abri pra você.
    - Tudo bem. É só...  - pensou - uma curiosidade que me ocorreu.
    - Qual seria? Acho que já somos amigos o bastante para confidenciar essas coisas.
    - Bem... Uma amiga uma vez... Me disse que vocês homens, quando estão muito tempo... Você sabe, como você está... Ficam... Doloridos aí em baixo - e apontou - Isso é verdade ou só uma desculpa para fazer a gente sentir pena de vocês?
    Achei graça, mas respondi:
    - Dói de verdade. Se você visse como estou, veria como está inchado.
    - Na verdade eu não saberia, já que nunca vi um - ponderou.
    - Sério?
    - Aham. Digo. Já vi em livros e... Bem, assisti um filme uma vez - e sorriu travessa, fazendo sinal para eu guardar segredo.
    - Caramba. Você é realmente uma raridade. - e pensei. - Mas... Assim... Você já teve curiosidade? Pode ficar sem responder se quiser - me apressei, mas ela levou na esportiva.
    - As vezes - e riu.
    Mais silêncio, vi em seus olhos que ela esperava uma oferta a qual jamais se atreveria a pedir. Era minha hora de fazer uma jogada arriscada:
    - Você... Quer que eu mostre?
    Bianca respirou fundo e olhou em volta. O som da televisão ainda era audível, sinal de que sua mãe ainda estava perdida na ficção.
    - Com todo respeito, lógico. Só pra satisfazer uma curiosidade científica - avaliei.
    - Bem, pensando assim.
    - Será uma coisa nossa. Não têm porque ninguém saber.
    Mais silêncio e, vendo que ela jamais pediria, mas também não fugiria, eu abri o zíper e arriei a bermuda. Depois a cueca, pegando meu órgão e mostrando. Já duro e meio úmido.
    Bianca arregalou os olhos, desviou e então voltou a olhar, parecendo não acreditar. Respirou fundo, parecendo nervosa, como se estivesse diante de algo igualmente belo e perigoso.
    - Aqui - e indiquei o saco, levantando meu órgão - normalmente não é inchado assim. Estou com muita coisa acumulada - e sorri sem graça.
    Bianca agora não tirava os olhos dele, fascinada.
    - Pode tocar - ofereci - Está com coleira. - e ri.
    Ela então, com cuidado, como se estivesse pegando em uma cobra, tocou meu órgão, com a ponta dos dedos os dedos e depois, com mais coragem, o envolveu por completo.
    - Nossa - apertou, sentindo o calor e a rigidez da carne
    Eu esperei em silêncio, deixando-a livre para fazer sua análise. Embora eu estivesse doido de vontade para arrancar aquele vestido e fuder ela no chão mesmo. O lobo segurava ao máximo o rosnado que crescia em seu interior. A presa, tão próxima, aumentava sua fome. Mas ela ainda podia escapar. Ele tinha que segurar sua posição mais um pouco.
    - Uma dúvida... - falou sem me olhar - São todos... Tão grandes assim?
    - Bem - me fiz de humilde - Digamos que o Senhor me abençoou de muitas formas.
    Rimos da minha blasfêmia, aliviando a tensão do momento.
    Mas o que mais me deixava satisfeito era ver que ela não o largava, acariciando como se fosse algum tesouro.
    Me permiti gemer baixinho, atraindo sua atenção.
    - Desculpa. É que... Não liga pra mim.
    Mas ela não estava mais tão na defensiva e o apertou com força, puxando a pele e revelando a cabeça. Eu segurei o gemido, sentindo meu pau pulsar entre seus dedos.
    - Qual a sensação? - ela me encarava.
    Controlei a respiração e respondi:
    - Não dá pra explicar. Deixa eu mostrar.
    Com cuidado, pus a mão em seu ombro e empurrei uma alça do vestido. Ela me olhou assustada, mas eu nada falei. Descobri um de seus seios e o massageei. Ela, paralisada, me olhava nos olhos ainda massageando meu pau.
    Tirei a outra alça e acariciei os dois com carinho. Alisando, com o polegar, os mamilos.
    - Nossa. São lindos - elogiei, enquanto ela fechava os olhos e mordia o lábio para não gemer.
    Naquela altura, ela apertava meu órgão como se fosse o arrancar e tal força só me enchia mais de prazer.
    Desci um pouco e lambi um, beijei, segurando com os lábios o mamilo. Repeti no outro. Tudo com calma e carinho. Senti que suas pernas fraquejavam, então eu a ajudei a se deitar no chão, ficando por cima dela. Abaixei seu vestido até a barriga e continuei a devorar seus seios. Então, passei a mão por suas pernas adentrei a saia, quando segurei sua calcinha, ela agarrou meus braços, assustada.
    - Não se preocupa - sibilei - prometo que não vou lhe tomar a virgindade. Ela será preservada pro seu casamento.
    Uma mão soltou, mas a outra ficou.
    - Confia em mim. Somos amigos, não?
    Ela então largou e eu deslizei o tecido por suas pernas e as abri. Me posicionei entre elas. Beijei seu joelho, lambendo a coxa. Fui descendo e, quando cheguei bem próximo da região quente entre suas pernas, troquei de lado, fazendo ela ter um pequeno espasmo.
    Repeti aquela brincadeira perversa mais um pouco. Então, deitei por cima dela. A cabeça de meu pau tocou em sua entrada. Estava quente e úmida. Uma leve pressão e eu a penetraria, de tão lubrificada.
    - Fica calma - pedi baixinho. - Vou manter minha promessa.
    Deixei apenas a glande roçar as paredes, num esforço hercúleo para não meter. Voltei a beijar seus seios, seu pescoço, rosto. Bianca, tão vulnerável, não parecia saber se sentia medo ou tesão. Seus gestos eram confusos. Seu corpo tremia. Quase nua, ela se agarrava ao pedaço amarrotado de tecido, que antes era um vestido comportado, em meio a seu corpo. Só o largava hora ou outra, entre um espasmo e outro. Suas mãos, hora me alisavam, hora me batiam, num espasmo de susto. Seus olhos lacrimejavam e seus gemidos pareciam choros em algumas vezes e ela se assustava cada vez que eu descia o rosto e lhe lambia uma parte do corpo, como num bote.
    Aquela garota, sempre tão confiante, estava a minha mercê. Dava para entender porque parecia ter medo. Eu podia fazer o que quisesse com ela e ela deixaria. Não, ela imploraria. Sentir-se vulnerável assim devia ser algo muito novo para ela.
    No começo, admito, duvidei de sua declarada virgindade. Mas a vendo assim, tão perdida em meio aos próprios sentimentos, não tive mais dúvidas. Me bateu uma vontade louca de tomar aquilo dela, de ser o primeiro entre suas pernas. Sabia que ela não me negaria, mas lutei contra esse desejo
    Primeiro, porque havia prometido, segundo, porque estava divertido demais aquele jogo
    O lobo havia feito sua primeira presa naquele rebanho. A ovelha abatida, esperava apenas o momento de ser devorada. Eu não conseguiria fazer ela esperar por muito mais tempo e com as presas cheias d'água, desci mais uma vez o rosto, desta vez entre suas pernas, e lhe dei o último beijo. Um que fez seu corpo sofrer um violento arrebatamento e Bianca teve de levar as mãos correndo até a boca para não gritar.
  • Diários de caça - Capítulo 4 – Hábitat natural

    Se existe punição divina, talvez ela tenha me atingido imediatamente naquela noite, após minha aventura com Bianca. Isso porque, no meio de toda a brincadeira, eu simplesmente não me lembrei de gozar., Tão entretido que estava em jogar com suas sensações. E como resultado, o efeito "saco inchado" que eu havia defendido a existência para ela, me acometeu de verdade. Acho que nunca tinha sentido tamanha dor enquanto caminhava até em casa, que só aliviou após eu ter me masturbado duas vezes no chuveiro.
    Esvaziar funcionou, no sentido das dores, mas em nada apagou o fogo que a caça àquele casal proporcionou. E no dia seguinte, eu estava tão faminto como de véspera. Desta vez em saborear a carne do varão Oscar.
    Bem cedo, como combinado, bati na porta de Oscar e dou de cara com Bianca.
    - Oi. - parecia que os dois andavam mais juntos do que eu supunha.
    - Oi Fábio, entra. O Oscar está terminando de se arrumar.
    Algo no sorriso de Bianca me deixou intrigado. Se eu esperasse que ela fosse ficar sem graça em minha presença, após o encontro da noite anterior, já fui logo descartando. Ela estava bem a vontade. Na verdade, parecia achar graça de alguma coisa que eu só entendi quando vi Oscar.
    - Que porra é essa? - soltei quase por impulso, ao olhar como o garoto estava
    Oscar parecia um escoteiro, camisa polo branca, boné da igreja, bermuda jeans na cor creme e tênis de caminhada. E para completar, carregava uma mochila nas costas que dava a real impressão que o missionário estava partindo daquela cidade para sempre.
    Atrás de mim, Bianca caiu na gargalhada.
    - Onde você pensa que vai assim?
    - Pra mata... - ele ficou vermelho na hora - Exagerei?
    - Mas você não vai assim mesmo. Nem morto que ando com alguém assim do meu lado. Olha essa camisa, muito pesada e quente. O mesmo digo da bermuda. Boné você não vai precisar, pois a mata é fechada e não vai ter tanta claridade. Vamos, tira essa merda toda. Anda.
    Bianca parecia que iria desmaiar de tanto rir.
    - Eu te disse, amor, que era demais
    - Eu disse amor... - imitou a voz da namorada em deboche. Dava para ver que ele estava sem ter onde enfiar a cara.
    Então o ajudei a escolher a roupa.
    - Aqui, esse short e essa camisa estão ótimos. O tênis está bom, só tira todo o resto. E essa mochila. Fala sério. Tu vai cair exausto na primeira hora se carregar isso tudo. Leva no máximo uma garrafa d'água, mas nem isso precisa. Tem muito rio por onde vamos passar.
    - Tá bom. Vou me trocar - falou, derrotado.
    - Com licença, que tenho de ir. Só precisava ver sua cara antes de partir, Fábio. - Bianca veio até mim e me deu um beijo no rosto, roçando os seios no braço enquanto o namorado guardava a mochila de costas.
    Foi um movimento rápido e sutil, que sequer foi vislumbrado por Oscar. Ela saiu com um sorrisinho e deu um beijo de despedida no namorado.
    Comecei a pensar se na noite de ontem eu fui o caçador ou a presa, afinal. Aquela garota tinha muita malícia e era de longe mais esperta do que deixava transparecer. Gostei daquilo.
    Oscar, por outra lado, era o estremo oposto. Era um rapaz sem muita voz ativa, exceto quando estava cantando. Ali ele se soltava. No restante, parecia  que lhe faltava coragem para tudo. Seja numa simples discussão. Se ele não tomasse cuidado, Bianca o comeria vivo e cuspiria os ossos.
    Aguardei o garoto que percebi não se mexer. Parecia esperar alguma coisa e ficou imóvel me olhando.
    - O que foi? - eu o questionei - Sério que está com vergonha de ficar pelado na minha frente?
    Era óbvio que sim, mas ele disse não e começou a se despir. Ficou só de cueca quando eu o avisei
    - Quer uma dica? Vai sem. Mais chance de assar se for com uma cueca dessas.
    - Ah... Ta bom...
    E tirou.
    Uma bundinha redondinha. Cheguei a salivar.
    - Como o tempo está bom, podemos dar um mergulho no rio - sugeri
    - Não seria melhor eu levar uma sunga então?
    - Pra que? - e ri.
    - Você vai nadar como?
    - Ora. Peladão.
    Ele estava falando o tempo todo de costas pra mim o que eu julguei como a tentativa de esconder uma ereção. Quando se voltou, mesmo passado o efeito, deu pra notar o volume inchado e balançando dentro do short preto.
    - E ai, vamos? - parecia desesperado para sair dali.
    - Claro - e sorri.
    Oscar foi calado o caminho todo. Quando entramos, fui lhe dando orientações que só eram respondidas com monossílabos.
    - Está tudo bem, cara? - questionei - Se quiser voltar, só falar.
    - Não. Não. Eu só... Tô prestando atenção no caminho.
    - Não precisa ter medo de se perder, que eu conheço isso aqui com a palma da minha mão. Confia em mim?
    - Confio, claro - se apressou em dizer - mas o chão também é acidentado.
    - Verdade - ponderei e ofereci a mão - vem cá. Eu te ajudo.
    Ele, receoso, pegou minha mão. A dele estava suada e não parecia ser do esforço físico.
    Fui guiando Oscar por um terreno mais acidentado do que precisaria. E me aproveitei para brincar com ele. Ora ou outra puxando para perto de mim, mandando ele segurar na minha cintura quando precisava das mãos para abrir caminho na mata. Num momento, ele ia caindo e eu o puxei. No embalo, colidiu comigo caindo por cima de mim.
    - Desculpa. Desculpa - e se levantou logo.
    - Relaxa - eu ri. Tirei logo a camisa que estava suja de terra. - Vamos continuar?
    E ele seguiu. Oscar quase não falava agora. Parecia ter perdido a voz e eu tinha de admitir que tal condição alimentava ainda mais minha fome. Pois ali era meu hábitat. Ali eu me sentia eu mesmo, me sentia livre. Ali, minha presa estava totalmente a minha mercê.
    Afinal, era eu quem conhecia àquela mata com a palma de minha mão, era eu quem cresci por aquelas trilhas, por aqueles rios. Acho que nunca na vida me senti tão conectado há algum lugar como era ali. Em minha vida adulta, minha profissão exigiu que eu viajasse bastante, levando uma vida quase nômade. E de todos os lugares em que morei e visitei, nenhum me fez esquecer a falta daquela vegetação.
    Oscar me seguia fielmente, seja por confiança, ou porque já havia chegado a um ponto em que eu era sua única opção. Paramos na beira do rio, onde bebemos água. Aproveitei para molhar minha nuca, depois a cabeça.
    - Nossa. Está mais quente do que previ. E você querendo vir com toda aquela roupa - comentei
    Ele sorriu, acanhado .
    - Afim de um banho? - sugeri.
    Ele ficou tenso e recusou
    Eu ri e tirei a roupa.
    - Não sabe o que está perdendo - e entrei na água.
    Nadei um pouco para me refrescar e fiquei atiçando ele a entrar. Mas o garoto era covarde mesmo. Travou ali de um jeito que não se mexia. Então, saí da água. O pau já dilatado do tesão, ainda não estava ereto, mas já proporcionava uma boa visão.
    - Só me secar e vamos continuar. - prometi - Ou quer descansar mais?
    - Não... To bem... Quando quiser.
    Ele tentava olhar para qualquer lugar, menos pra mim. Tive vontade de rir, mas segurei.
    - Posso fazer uma pergunta pessoal?
    - Hã... Claro.
    - Como você consegue?
    - Consegue o que?
    - Namorar sem transar - fui direto.
    Se com Bianca eu fui muito mais cuidadoso. Com aquele garoto eu sabia que a estratégia teria de ser diferente. Ele era mais covarde e se esperasse por ele para tomar qualquer iniciativa, já estaria com sessenta anos quando algo saísse dali.
    - Não é tão difícil - tentou ponderar.
    - Ah, fala sério. Tu é homem. Bianca beleza, é mulher e as necessidades são diferentes. Mas você e eu... Você se masturba?
    Oscar ficou rubro e eu estava me divertindo bastante.
    - Qual é. Somos amigos. Assume. - insisti.
    - E você?
    - Eu? Lógico. Mesmo antes de me abster. Não dá pra ficar sem. Olha só. Só falar do assunto e vê como fico.
    Indiquei meu pau que já estava ereto.
    Oscar se assustou e abraçou as pernas. Um gesto que, julguei eu, foi para esconder o próprio volume.
    - Já bati - foi tudo o que assumiu.
    - E consegue aguentar de boa só com isso? - eu estava disposto a levar ele até o extremo com aquele meu interrogatório.
    - Claro - sua confiança soou tão verdadeira quanto minha vontade de virar um bom moço.
    - Saquei - e comecei a massagear meu pau, de forma distraída, como se ignorasse sua presença. - Mas me diz aí. Porque dessa importância toda de se casar virgem?
    - Pra manter a pureza, oras.
    - Só por questão de pecado?
    - Sim.
    Eu ergui as sobrancelhas.
    - Mas punheta também não é pecado? Então que diferença faz?
    - Não é só isso. É uma questão de me guardar pra Bianca. Assim como ela está se guardando pra mim
    Pensei a respeito.
    - Entendi. Seria ter a primeira experiência com ela... Logo masturbação, como é algo individual, não conta, já que ela não participaria mesmo.
    Ele riu, sem graça. Estava acuado, tadinho. E eu adorando.
    - Então, qualquer coisa que em tese ela não pudesse contribuir, está valendo?
    - Hã?
    - Só digo que...
    - Você pode, por favor, vestir logo as roupas? - gritou, de repente, me interrompendo
    Fiquei surpreso em saber que algum sangue ainda corria por aquelas veias. Mas ia atiçar mais
    - Qual o seu problema?
    - Nada, nada. Desculpe - pediu logo e eu sabia que aquela explosão tinha sido tão forte quanto uma bombinha.
    Me aproximei dele, ainda pelado.
    - Olha que, se eu me emputecer, te largo aqui Hein? - ameacei e então sorri. Estendo a mão - vem, vamos continuar.
    Ele pegou, com cuidado para não tocar meu órgão e se levantou.
    - Foi mal - falou, olhando pro chão.
    Eu peguei seu queixo e fiz ele me encarar.
    - Aprende a olhar nos olhos dos outros quando for falar.
    - Foi mal.
    - To achando você meio estressado - avaliei.- acontecendo alguma coisa?
    Oscar riu, seco
    - Não só...  as provas, a banda e tal.
    - Hum... Eh, você faz um monte de coisa. - e ri - olha, eu diria o que eu faço pra relaxar, mas você já ficou puto na última vez em que entrei nesse assunto.
    Ele gargalhou e eu o acompanhei.
    - Acho que tenho de me afastar de você - brincou - e suas ideias malucas.
    - Até parece que ia conseguir - desafiei, altivo - Você por acaso sabe como sair daqui?
    - Claro que sei. Memorizei o caminho - se impôs.
    - Eh mesmo? - fingi admiração - vamos então fazer um acordo: Tu tenta fugir, se eu te pegar... Bem... Deixemos a meta em aberto. Mas se você conseguir escapar, eu juro, por todos os deuses, santos e apóstolos que quiser que vou controlar minha boca. Encare isso como se trabalho de catequismo.
    Ele riu e só então viu que eu falava sério.
    - Vai - desafiei - vou te dar 20 segundos de vantagem.
    E comecei a contar. Oscar, parecendo se envolver na brincadeira, disparou e eu senti o sangue correr em minhas veias em uma velocidade alucinante. O acompanhei com o olhar e acertei que ele seguiria o caminho pelo qual viemos.
    De fato, ele parecia ter decorado bem o trajeto. Mas aquele era meu Hábitat, e se ele conhecia um caminho, eu conhecia vários. A adrenalina da caça me atingiu de uma forma intensa e eu disparei em seu encalço assim que acabei de contar.
    Não foi difícil encontrar, uma vez que ele seguia a trilha que fizemos. Rapidamente peguei um atalho e parei bem na sua frente, fazendo ele cair no chão quando freou de uma vez.
    - Fácil demais - informei, cruzando os braços - vamos, de novo. Vai. Te dou outra chance.
    E ele correu. Agora, com o único caminho que conhecia bloqueado, ele teve de se aventurar, o que invariavelmente o faria se perder. Então, fui andando atrás dele, seguindo seus rastros usando todas as artimanhas de um caçador. Não tinha pressa, não precisava ser mais rápido. Uma hora ele cansaria de andar e teria de parar. Isso daria tempo de ele estar nervoso e desesperado para quando eu chegasse
    Caminhei com calma pela mata, seguindo seu rastro que era nítido, como um lobo farejando a presa.
    O encontrei encostado em uma árvore, recuperando o fôlego. Ele sequer se assustou ao meu ver, tão aliviado que estava com minha presença.
    - Graças a Deus. - soltou.
    - Se perdeu, né, idiota? - brinquei e ele sorriu amarelo.
    - Acho que sim.
    - Aprendeu a lição, pelo menos?
    Ele fez apenas um gesto afirmativo com a cabeça, sem conseguir falar de tão esbaforido.
    - Recupera o fôlego - indiquei.
    Então, me aproximei dele e apoiei o braço na árvore, ficando cara a cara
    Oscar engoliu seco, e esperou.
    - Então eu ganhei a aposta, certo?
    - Parece - e riu, ainda nervoso.
    - Vamos ver, o que eu vou mandar você fazer? - e fiquei pensando, aumentando o clima de tensão pra ele.
    - Qual é cara. Pensei que estaria de brincadeira.
    - E estamos brincando, oras - declarei - e como prova do seu bom espírito esportivo, você vai pagar a prenda que deve.
    Ele riu, mas ainda estava ansioso.
    - Maneira no que vai pedir.
    - Oscar, se eu pedir qualquer coisa você vai fazer. Você não sabe voltar sozinho e onde estamos , ninguém vem.
    Brinquei, mas a ameaça estava implícita. Me deliciei com seu medo.
    Fiquei analisando mais um pouco, quando percebi o volume em seu short. Dei um tapa nele, para conferir se era aquilo mesmo
    - Está ficando excitado? - e ri
    Ele tampou, envergonhado
    - Põe pra fora - mandei, achando graça.
    - Não, cara. Para.
    - Mandei botar pra fora - engrossei a voz um pouco. Ainda em tom de brincadeira, mas já começando a deixar claro quem mandava ali.
    Ele arriou um pouco o short e o pau duro saltou pra fora.
    - Diz aí? O que está de deixando excitado?
    Ele parecia que ia explodir de tão vermelho.
    Gaguejou, gaguejou, mas nenhuma palavra completa saiu dali.
    - Foi me ver pelado no rio? - falei ao seu ouvido - Ou foi estar aqui agora, sem ter pra onde fugir - continuei, vendo o suor escorrer de seu rosto - sabia que se eu quisesse, te fodia aqui, né?
    Oscar engoliu seco. Pau não baixou nem um segundo.
    - Na seca que eu to ultimamente, até o seu cuzinho me parece tentador - e saboreei as palavras - diz aí, está afim de ajudar a me aliviar? Ou prefere descobrir se eu aguento me segurar sem arriar teu short e te foder aqui mesmo?
    Nunca fui do tipo de forçar ninguém ao sexo e com certeza não teria feito metade do que estava fazendo com Oscar se não tivesse a certeza do quão enrustido ele era. De como queria aquilo, mas era completamente incapaz de admitir. Nesse ponto, ele conseguia ser mais covarde que Breno, que era mais novo e cresceu em um lar bastante opressor, nesse sentido. Breno, ao menos, admitia do que gostava para mim. Ele estava ali, doido pra dar, e nem assim conseguia dizer.
    Nesse sentido, era ainda mais divertido brincar com seu medo. Levar ele até o limite. Ver se aquele lampejo que vi no rio voltaria. Se ele iria se impor. Embora começasse a acreditar que aquele tenha sido um evento raro como a passagem do Cometa Harley pela Terra.
    Então, arriei um pouco meu short e pus pra fora, massageando de leve.
    - Deixa eu ver o teu - mandei e ele hesitou, tampando o órgão duro.
    Assim, peguei eu mesmo e o fiz ficar pra fora.
    - Tá curtindo, né seu safado? - sorri - relaxa - e peguei pelo queixo novamente quando ele fez menção de desviar o olhar - aqui ninguém está vendo. Um coisa maravilhosa dessa mata é que ela sabe guardar segredo. Então... Que tal relaxarmos juntos.
    E comecei a me masturbar, olhando fixamente pra ele. Oscar olhava a todo a hora de meus olhos ao meu pau, esse era o único desvio que eu permitia ele fazer. Com hesitação, pegou o próprio membro e começou. Ficamos ali juntos, gemendo baixinho. Num momento inusitado, ele alisou meu peito com a mão livre, mas tirou logo se arrependendo imediatamente.
    Eu ri e peguei a sua mão e pus de volta
    - Fica tranquilo. Pode alisar. Somos irmãos de congregação, certo? Se um não estiver aqui pelo outro, que sentido isso tudo faz?
    O sorriso de Oscar estava mais confiante. Ele ainda olhava de vez em quando em volta, como se com medo de, de repente, alguém sair de trás de uma árvore. Quando enfim essa paranoia o abandonou, ele sorriu mais e apertou o bico do meu peito.
    - Gostando de ver. - parabenizei e ele riu mais.
    Então, pus a mão em sua bunda. Ele na hora gelou, mas pelo menos não me impediu. Apertei a nádega enquanto ele aguardava meu movimento. Com os dedos, forcei entrada entre elas, tocando o orifício.
    Oscar saltou, segurou o gemido, mas se manteve firme.
    - Abre as pernas - mandei e ele obedeceu.
    Agora, a entrada era mais fácil e comecei a massagear de forma circular.
    - Pode gemer - convidei.
    Oscar alisava meu peito, lambendo toda hora os lábios, sua mente viajando enquanto seus olhos vagavam por todo meu corpo. Nem eu conseguia deduzir os inúmeros desejos que deviam estar pululando em sua cabeça.
    Foi então que ele abriu a boca, pareceu falar algo, mas sua voz não encontrou a saída.
    - O que?
    - Me empresta seu short - repetiu, quase tão baixo como antes, mas pelo menos pude entender.
    Terminei de tirar e o entreguei. Ele na hora levou ao rosto e começou a cheirar. Parecia um viciado, absorvendo aquele pedaço de pano com os olhos em êxtase.
    Continuei brincando com seu cuzinho, me divertindo com seu estranho prazer.
    - Posso... - e me olhou. Dessa vez não precisei ouvir para entender.
    - A vontade.
    Oscar caiu de joelho e enfiou a cara entre minhas pernas. Senti a passagem do ar quando ele fungou, com o nariz colado em minha virilha. Então fez o mesmo no saco, em toda a extensão do pau. Foi subindo, farejando meu corpo como um cão atrás de drogas.
    Quando ficou cara a cara comigo, ele nem mais demonstrava receio ou vergonha, tão perdido em que estava.
    - Gosta de cheiro de macho - sorri. Não era uma pergunta.
    Lambi o rosto dele, saboreando o gosto daquela presa
    - Dá pra mim - falei.
    - O que?
    - O cuzinho.
    Oscar engoliu seco.
    - Você está se guardando pro casamento, não é mesmo? Então.  Sua futura esposa não vai usar essa parte sua, concorda? Então por que guardar. Da pra mim.
    Mesmo sem resposta, foi se deixando docilmente ser virado e colocado com o peito apoiado na árvore.
    Desci e lambi suas nádegas lisas. Dei uma leve mordiscada, inebriado pelo tesão. Então, enfim abri sua bunda e lambi o rego. Seu gemido soou tão alto que alguns pássaros levantaram voo em uma árvore próxima.
    Lambi tudo, enfiado a língua e forçando entrada naquele cu nunca antes violado.
    Quando levantei, despejei uma quantidade generosa de saliva e lubrifiquei todo meu pênis.
    Encaixei e ele tremeu.
    - Relaxa.
    - To tentando - informou, se agarrando na árvore.
    A cabeça entrou sem grandes dificuldades, mas o restante de toda envergadura foi um processo mais sofrido
    - Ai. Isso não acaba, não? - queixou-se e eu achei graça.
    - Desculpa. Sou bem dotado - e fui enfiando com calma
    Quando enfim chegou até o talo, deixei ali parado, vendo o suor brotar de cada poro.
    Oscar estava na ponta dos pés, tentando manter a bunda o mais empinada possível. Meu pau enterrado até o fundo.
    - É muito grande - reclamou. Mas em nenhum momento pediu para eu tirar. Notei que sua ereção havia fraquejado.
    - Respira fundo - orientei, ainda encravado. - Só vou mexer quando você estiver pronto.
    Eu sentia meu pau pulsando ali dentro, doido de vontade de penetrar com força aquele buraco. As vezes eu tinha a real noção que meu órgão dotava de vontade própria e uma personalidade um tanto quanto indiferente ao sofrimento dos outros.
    - Isso. Assim. Relaxado. Agora vou meter
    - Fábio. Mas...
    - Shiiii - sibilei em seu ouvido - toma - e lhe dei meu short, que ele voltou a enfiar na cara como um anestésico.
    Então, comecei a meter. Oscar gemeu, chiou um pouquinho, mas aguentou firme. Até mesmo quando judiei, levado pela empolgação. Meu pau parecia ainda maior, em contraste com aquela bunda pequena e redonda, que balançava a cada colisão.
    - Hey - o peguei pelos cabelos - pode gemer. Aqui ninguém vai ouvir
    E continuei metendo, mas ele se segurava. Então, acredito que meu órgão tenha assumido o controle por uns instantes, onde eu peguei impulso e cravei com um golpe único e certeiro.
    O grito ecoou. Eu esperei, parcialmente arrependido.
    - Geme, porra - mandei, autoritário. Puxei pelos cabelos e fiz novamente. Mais um grito.
    Sua mão, de forma dócil, alisou a lateral de meu corpo. Fiz uma leitura corporal rápida e percebi não haver sinais de qualquer tentativa de me expulsar. Mesmo sabendo que não poderia me vencer e que ele estava a minha mercê, seria esperável de uma presa a tentativa de lutar ou correr. Mas não. Nenhuma crítica foi mais ouvida, qualquer tentativa de me empurrar ou me expulsar de dentro dele.
    Ele sofria, sim, mas estava dócil.
    Foi então que notei que a ereção tinha voltado. O puxei novamente pelos cabelos e empalei.  Ele ergueu o rosto, abriu a boca, um choro contido. Mas nada fez.
    - Ai... Ai... Ah! Ai... Doendo... Ah!
    Então, possuído pela ocasião, meti de novo, de novo, e de novo. Sem dó, sem qualquer piedade.
    Os estalos altos ecoavam pela mata, único som presente naquele momento. Os pés de Oscar hora ou outra perdiam o contato com o solo, ele lutava para se agarrar na árvore sem assim largar meu short, que levava ao rosto sempre que podia.
    Agarrei bem sua cintura e fui com tudo. Com a força que aquela caça merecia, já não havia resistência, ou fricção. Estava literalmente arrombado pela minha investida.
    Gemi muito, o acompanhando. Um dueto entre vítima e algoz. Notei quando as linhas brancas caiam de seu órgão, grossas, pesadas, como que expulsas do interior de seu corpo. Não tinham sequer pressão. Não era uma ejaculação e sim o sêmen escorria pra fora, quase solidificadas pelo tempo que permaneceram presas. Eu tinha de admitir, ele realmente devia se segurar muito para não se aliviar. Só um tempo de acúmulo poderia produzir um sêmen com aquele aspecto.
    Quando gozei, o seguirei firme, deixando meu pau pulsar todo o líquido para seu interior.
    Tirei com cuidado, deixando-o ali recuperando o fôlego. Um pouco de gozo escorria pela sua coxa.  Dei um tapa em sua bunda.
    - Obrigado - soltei o ar, ainda cansado - ajudou bastante.
    - Acho que agora... É minha vez, né?
    - O que você pensa que está sugerindo? - ergui uma sobrancelha.
    Porém, bastou ele se virar e me olhar, para eu desfazer o mal entendido.
    - Ah sim... - e me escorei com as costas num tronco - a vontade.
    Foi a vez do meu cãozinho entrar em ação, cheirando cada parte, cada pele, cada pelo. Me deixei ali, a disposição, sentindo seu nariz e sua língua descobrirem meu cheiro e meu gosto. Oscar gozou uma segunda vez, enquanto se masturbava.
    Eu, apenas recostei a cabeça e relaxei, curtindo, além das sensações que meu amigo me proporcionava, a calma e a energia daquela mata. Como numa meditação, me senti conectado como só aquele lugar, meu hábitat, me fazia sentir .

     

  • Diários de caça - Capítulo 6 – Família, gênero e espécie

    Em seu trabalho, “Totem e tabu”, Freud nos dá uma análise bastante interessante de como a sociedade, ao longo dos anos, foi organizando suas estruturas de forma a decidir e controlar as relações sexuais humanas. Muito ainda se polemiza sobre o incesto, problema esse que não observamos em praticamente nenhuma outra espécie. Seja entre irmãos ou primos. Mesmo sabendo que há dados científicos que provam que, para fins reprodutivos, tal ação tende a ajudar a perpetuar problemas genéticos no material familiar, é no mínimo engraçado a permanência de certos entendimentos de com quem podemos nos deitar. Pois, em pleno o séc. XXI, onde transar e reproduzir já foram devidamente desvinculados e, em geral, a sociedade entende que sexo não tem essa como única finalidade, ainda observamos as permanências de certos tabus, mostrando que nossa liberdade sexual ainda está passando por um processo de evolução.
    Agora, feita essa pequena explanação, continuemos com a temporada que passei na casa dos meus primos. Pois esta ainda me guardava a maior surpresa de todas. Que ocorreu na manhã do dia seguinte a festa.
    Acordei com o pescoço doendo, pois havia dormido em má posição e aquele travesseiro que me deram era também mais duro do que eu estava acostumado. Levantei e notei que meus primos já estavam de pé. Estranho, a julgar que eles dormiam mais que eu. Mas eu já estava entendendo que não conhecia mais Lucas e Thales como antigamente.
    Saí do quarto e a casa estava silenciosa. Meus tios, pela hora, já tinham saído para trabalhar. Então eu fui até o quarto deles atrás de um outro travesseiro, pois sabia que eram guardados no baú abaixo da cama.
    Entrei direto e me espantei com o que vi:
    meus tios, de fato, não estavam, mas não esperava ver meus primos ali. Ambos estavam deitados na cama. Thales, completamente nu, se colocava deitado de barriga pra cima, de pernas abertas, recebendo carinhos do irmão na região do rego. Lucas ainda usava o short de dormir, mas tinha o órgão duro pra fora. O mais novo o beijava e massageava seu pau. Ambos gemiam baixinho, ocultos e perdidos no êxtase até o som da porta os despertar em um salto.
    - Ai, caralho. Desculpa - levei um susto e saí do quarto às pressas, fechando a porta.
    Ainda fiquei estático do lado de fora, sem saber o que fazer. Até ouvir a voz de Lucas:
    - Você falou que tinha trancado a porta.
    - Não, perguntei se você tinha trancado - rebateu o mais novo.
    Decidi sair dali e ir pra cozinha. Meu sono já tinha se perdido e até meu torcicolo sarado
    Fiquei na cozinha e peguei um pouco de iogurte com frutas. Comi em silêncio quando uma vontade irrefreável de rir começou a me acometer.
    Os dois ainda não tinham saído do quarto.  A casa, em profundo silêncio, parecia morta. A cena de poucos minutos ainda era passada em minha cabeça e me deixou excitado. Mas talvez, o que mais me deixava aceso era o fato de que, pela primeira vez desde que eu chegara ali, eram meus primos quem estavam na situação de saia justa.
    Quando enfim chegaram, com aquelas caras de cachorro que comeram o chinelo, pude ter certeza que, por mais liberais que fossem, ainda assim haviam limites e o que eles estavam fazendo no quarto era um desses tabus. Que gostavam, mas que não queriam que ninguém soubesse.
    Naquele momento, me sentindo enfim por cima da onda, fiquei tentado a brincar com a situação. Então, nada falei, tomando meu café da manhã em silêncio e esperando eles se explicarem.
    - Ah, primo - Lucas começou, tentando parecer descolado, sorrindo, enquanto o irmão os servia com suco e umas torradas  - eu... Não sei o que você viu... Só.
    - Relaxa - pareci casual - Tá tudo bem
    Ele sorriu sem graça
    - Sim, mas... Não sei se você viu algo... Se entendeu e...
    - Vocês estavam fazendo meinha. - completei naturalmente - por mim, beleza.
    Eles se entreolharam, desconfortáveis.
    - Desculpa. Não sei se é assim que vocês chamam aqui na cidade – completei.
    - Não é bem isso - Thales tentou argumentar. - Só... Curtimos umas brincadeiras. É mais uma broderagem.
    - Uma o que?
    - Só uma parada que fazemos entre amigos. Não tem nada haver com ser gay nem nada.
    - Hum. Vocês se beijam? - questionei.
    - Aham - Lucas respondeu, sem graça.
    - E curtem brincar pelados um com o outro. Mexendo no pau um do outro - não era uma pergunta e eu me diverti, sentindo eles encolherem - Pra mim parece meinha.
    A verdade era que eu já tinha ouvido àquela expressão. Na verdade era só mais uma das muitas que as pessoas usavam para categorizar suas brincadeiras entre garotos, tentando fugir do rótulo de sexual.
    Mas, como eles me viam como o primo capiau, achei que seria divertido bancar o papel e deixar eles mais sem graça.
    - Você não vai entender, primo - Thales tentou intervir.
    - Não tem muito o que entender. Na minha cidade têm uns garotos que curtem, são mais afeminados e tal. De vez em quando alguém leva um deles pro meio do mato e ganha uma mamada, ou alivia o saco comendo ele. Nada demais.
    E para pôr a cereja no bolo, completei:
    - Dos dois aí, quem dá?
    Por pouco não recebo na cara o jato de suco que escapou da boca de Lucas, tamanho o susto que minha pergunta causou.
    - Não. Não tem isso não. - tossiu
    - Não, primo. Tu entendeu errado - Thales tentou ajudar. Enquanto pegava um pano para secar a bagunça.
    - Qual o problema? - me fiz de absorto
    - É que ninguém dá não. Digo. Não somos gays, entende?
    Fiz minha melhor cara de estranheza e fiquei em silêncio.
    - Assim, curtimos uma coisa e outra. Mas penetração... - essa última palavra foi dita com uma espécie de repulsa. Thales olhava pro irmão atrás de ajuda.
    - Então ele dedar seu cu, belezinha? Mas meter... É proibido? - questionei.
    Silêncio. Não esperei eles responderem:
    - Tá bom - dei de ombros e voltei para meu iogurte, deixando apenas o silêncio ser interrompido por um riso ocasional, o qual eu não explicava o motivo, apenas para ver eles se mexerem desconfortáveis em suas cadeiras.
    Achei que aquela minha brincadeira ia perder logo a graça, mas me enganei. Quando minha tia chegou em casa, foi ainda melhor. Fui ajudar na cozinha e, enquanto conversávamos, pude notar que eles estavam sentados na sala, próximos, aparentemente jogando um jogo de cartas.
    Mas tive certeza de que minha conversa com a mãe deles era muito bem acompanhada. Então fiz um teste:
    - Nossa, Fábio, que rapaz prendado é você. Queria que meus filhos tivessem esse interesse.
    Recebi esse elogio e aproveitei a deixa.
    - Thales e Lucas fazem muitas coisas, tia - relativizei, falando o nome deles e percebendo os dois erguerem rapidamente a cabeça.
    Pareciam dois suricatos no deserto, atentos a chegada do predador.
    Jantamos e os dois não tiravam aquela cara de cachorro que caiu da mudança. Percebi então que era hora de parar com a tortura ou minha estadia ali seria um saco. Talvez fosse hora de mudar a estratégia
    Naquela noite não sairíamos. Após a janta, Thales foi se arrumar. Tinha um aniversário para ir e Lucas não estava com a menor vontade. Resolvi então ficar em casa com meu primo mais velho. Assumi o lugar do caçula no jogo de cartas. Meu tio ia ficar de plantão na delegacia e não iria pra casa.
    Deu 22h e minha tia logo foi se recolher, ficando apenas eu e ele na sala. Jogamos em silêncio, boa parte, até eu resolver quebrar aquilo:
    - Posso fazer uma pergunta?
    Ele me olhou desconfiado, mas concordou.
    - Só uma dúvida - completei - Assim... Você e seu irmão - segurei a vontade de rir ao o ver ficar tenso - O que rola, afinal? Digo. Vocês se beijam na boca. Brincam pelados um com o outro... Você até admitiu que beija outros caras em uma festa, então...
    Apesar de gostar da reação desconfortável que minhas perguntas faziam, também era verdade que eu estava intrigado com tudo aquilo. Acho que nunca tive problemas em admitir pra mim mesmo minha bissexualidade. Apenas a escondia por reconhecer as dificuldades de me assumir no lugar onde resido.
    Admito também que tais hábitos acabaram criando em mim uma trava, tal como quando não consegui beijar o garoto na festa, mesmo querendo e sabendo que seria socialmente aceito no lugar onde estava. Mas mesmo assim, eu não conseguia entender porque meus primos, que viviam em um ambiente muito mais liberal, criavam tais regras para tentar tangenciar assumirem que gostavam de fazer sexo com outros homens.
    - Você está me zoando - ele parou de jogar.
    - Não. Não. Juro - corrigi, sabendo que era hora de parar de brincar - O que eu digo é... Pra mim é estranho pois, vocês acham super normal um monte de coisas, mas outras não. Parecem regras de etiqueta.
    Ele deu um meio sorriso.
    - Sei lá, na verdade - admitiu - Só. Não me vejo comendo um cara. Nem dando então...
    - Mas já experimentou?
    - Não. E você?
    - Já.
    Minha sinceridade o atingiu em cheio
    - Sério?
    - Aham. Já comi... Alguns rabos - e ri, sacana.
    - Caramba - e ficou um minuto em silêncio
    Eu deixei sua mente maquinar.
    - Mas fala aí agora. O que você já fez? Pode falar pra mim - e me inclinei pra frente, para falarmos mais baixo, em cumplicidade.
    Ele riu, mas se inclinou também.
    - Assim... Umas brincadeiras só. Já ficamos eu e uns colegas do Cross, no vestiário. Batendo um para o outro, sabe?
    - E aquele estagiário? Participou?
    - Não. Não - riu - Se ele tivesse lá, ia ser estranho.
    - Por que? Ah tah. Ele é gay e vocês não - brinquei, cruzando os braços.
    - Você não entenderia. Na sua terra deve ser mais fácil - rebateu, sem graça.
    - Ah sim, esqueci que sou roceiro pra você - ataquei com maldade e ele logo se arrependeu.
    - Não. Não é isso. Desculpa... Não quis dizer isso.
    - Relaxa - e dei de ombros - Mas você está enganado. Na minha terra, não há espaço para viado. Esses caras que dão no mato são execrados. Pior, muitas vezes por aqueles que os comem. Esses não se veem como veados, mas como caras que comem veados. Pra eles, acho, é o mesmo que comer um cabrito. Como se o passivo fosse de uma espécie diferente e ficam de boa com isso enquanto apontam o dedo pros outros - então comecei a rir, caindo enfim a ficha - Eh. Acho que não é tão diferente assim aqui ou lá.
    Ficamos em silêncio e eu pensando em um milhão de coisas.
    - Mas só fico pensando. Vocês lá, no crossfit, com aquele garoto que tá na cara que curte. Se fosse na minha terra, botavam ele na roda e mandavam brasa. Mas isso não quer dizer que qualquer um assumiria que sentiram tesão nele. Seria algo feito na farra, sacou?
    Lucas ouvia minha epifania, mas não parecia tão reflexivo. O interesse dele devia estar convergindo para um outro ponto do assunto. O qual eu julguei saber ao ver ele mexendo no pau. 
    Então, resolvi tentar seguir por esse caminhão - Imagina, você e tua galera enrabando ele no vestiário? Pra mim, isso que é parceria entre homens. Afinal, em amizade é assim, não? Alguém sempre cede alguma coisa. Aposto que o estagiário não se importaria de ceder pra vocês se divertirem.
    Minhas palavras entravam como veneno. Podia ver a ideia penetrando e encontrando terreno fértil em sua cabeça.
    Tentando fugir do efeito, ele se levantou correndo e pegou os copos e talheres que usávamos.
    - Eh, tá tarde. Melhor lavar essa louça logo. Deixa comigo - fez sinal para me impedir, ao me ver levantar - minha mãe já ralhou comigo por você fazer a comida e eu não. Deixa a louça comigo.
    - Posso te ajudar - ofereci.
    - Não! - e fez sinal novamente com a mão. Sua ânsia em me conter fez eu me sentir como um leão, prestes a dar o bote. Meu primo estava assustado. E isso me animou ainda mais.
    Na verdade, não sabia o que me animava mais. Pois não era o desejo da caça comum, que eu sempre senti. Este tinha um tempero especial. Desejar alguém tão próximo a mim dessa forma, sangue do meu sangue, e ainda tendo minha tia dormindo no cômodo ao lado. Todo esse ambiente familiar me fez sentir como se caçasse um membro de minha própria espécie. Uma caça canibal.
    Em alguns casos, o canibalismo é uma opção em tempos de escassez de comida, em outros casos é um estilo de vida ou uma iguaria digna de experimentação. E aquela era uma iguaria, com certeza. Lembrar que aquele garoto gordinho tinha crescido e se tornado aquele homem delicioso. Que apesar de ser maior e mais forte que eu, se acuava como um filhote diante de mim. Na savana, os leões, quando assumiam o posto de macho Alfa, devoravam os filhotes do antigo líder como garantia que sua linhagem seria a que se perpetuaria. Algo parecido ocorria ali. Pois eu, como macho alfa, iria garantir que aquele leãozinho ainda seria dócil a minha vontade. Tal era como nos tempos de infância, em que eu garantia minha supremacia pela força.
    Olhei mais uma vez seu corpo, aprovando. Vi o volume em seu short e o que uma simples conversa causou. Ele foi pra cozinha e eu esperei uns segundos e o segui.
    - Pode sentar, Fábio. Eu cuido aqui. - falou rispidamente. Com uma leve pontada de medo. Um tipo de prazer tão pitoresco.
    Me segurei para não rir .
    - Só vim te fazer companhia - cruzei os braços, relaxado, e o olhei descaradamente de cima a baixo enquanto lavava a louça.
    - O que foi? - interrompeu o que fazia.
    - Relaxa, primo.  Estou só conferindo umas coisas.
    - Que merda é essa?
    - Continua lavando. Tá desperdiçando a maior água aí, com essa torneira aberta sem lavar
    Ele fechou, mas não voltou a lavar.
    - Por que você tá me olhando assim?
    - Só estou avaliando - repeti e me aproximei, sentindo ele se encolher. - Lava logo essa louça, pra gente ir pro quarto.
    Ele tentou passar a esponja nos talheres, mas não conseguia se concentrar. Em especial quando alisei sus costas com o nó do dedo indicador. Ele arrepiou na hora.
    - Uma pena você não curtir dar, sabia - comentei, olhando a bunda dele - conheço muitas meninas que não tem metade da bunda que você tem
    Ele riu, nervoso
    - Tá. Mas dá pra parar? - pediu. Quase implorando.
    Obedeci. Não falei mais nada, mas alisei sua bunda. Ele deu um salto, como se eu o tivesse tocado com ferro em brasa. Eu o empurrei, o mantendo rente a pia.
    - Qual é primo? Você e teu irmão se tocam mais.
    - Mas eu sei que meu irmão não vai passar dos limites
    - Está dizendo que não confia em mim? - me fiz de ofendido
    - Isso mesmo - respondeu na minha cara
    - Caramba, e eu achei que tivéssemos uma ligação - baixei a cabeça, com um leve desanimo. Só para depois voltar com tudo - deixa eu tirar essa impressão que você tem de mim. Que tal?
    E colei atrás dele. Lucas tentou virar mas eu o segurei novamente.
    - Olha a merda que tá fazendo aí. - alertei - sujando a pia toda. Lava esse negócio direito, garoto.
    - Sai daí - rosnou
    - Relaxa. Relaxa se não eu não saio. Deixa eu só te provar, beleza? Só vou te mostrar.
    - Caralho - praguejou, mas o senti desistir de brigar.
    Então, alisei de leve por cima do short, uma bunda durinha. Aí, o segurei pelas laterais e desnudei, só as nádegas. Ele ia se queixar, mas eu o detive
    - Relaxa. Eu falei. Continua lavando
    Mas ele não mexeu mais na louça. Ficou quieto, concentrado, de olho em cada movimento meu.
    Com a bunda a mostra, eu rocei de leve, sem botar meu pau pra fora, pois sabia que isso o faria fugir. Percebendo que estava relaxando, continuei meu joguinho. Alisei seu peito, abraçando por trás, depois seus braços, alisei de leve meu rosto por suas costas, respirando e sentindo seu cheiro. O cheiro do medo, mas também do tesão. Os animais liberam feromônios distintos dependendo da situação. Por alguma razão, meu faro sempre foi apurado para esses dois. Gostava do odor que deixava na pele desses dois elementos em sincronia. O prazer de sentir a presa acuada, sem ter para onde correr, mas também sem o menor desejo de fugir. Sentiria o Louva Deus tais sentimentos quando se via prestes a ser devorado por sua parceira durante o coito?
    O ajudei a tirar a blusa e arriei mais seu short, soltando e deixando cair no chão. Dei uma boa olhada em seu corpo nu e pude fazer uma avaliação mais precisa: meu primo estava muito gostoso. As costas cortadas pelo desenho dos músculos, a cintura fina e as ancas grossas. Não era uma bunda muito empinada, mas grande. Duas nádegas redondas e fartas.
    Voltei a abraçar, lambendo suas custas até a nuca. Precisei ficar na ponta dos pés. Meu pau, ainda dentro no short, tocou a linha de suas nádegas. Sua mão foi rapidamente para trás, mas o que eu pensei que seria uma expulsão, virou uma boa pegada, seguida de massagem.
    - Você sempre teve um pirocão - comentou, respirando baixinho.
    Ainda na ponta dos pés, eu virei seu rosto e o beijei. Lucas apertou meu volume mais forte ainda. Enfiando a mão dentro do meu short. Eu alisei sua barriga e agarrei seu pau. O dele não era grande, mas era grosso. Estrangulei com força ,fazendo a cabeça saltar. Lucas gemeu mais.
    - Vamos pro quarto - ele sugeriu
    Então, deixamos as coisas como estavam e fomos.
    Passamos pelo quarto de minha tia e a televisão ligada anunciou que ainda estava acordada. Lucas fez sinal para fazermos silêncio e entramos. Eu lembrei de trancar a porta após entrar. Ali dentro, tirei o short e meu primo ficou admirando meu corpo. Pegou meu pau com uma mão, e bateu na palma da aberta da outra, como se fosse um cassetete
    - Caralho. - foi tudo o que comentou.
    Investiu então, e me beijou. Retribui, sentindo o roçar de sua barba em minha boca. O trouxe para perto, espremendo nossos corpos um no outro e fazendo nossos membros colidirem em um duelo.
    Beijei seu pescoço e fui descendo até o peito. Mordisquei um mamilo e ele tremeu
    - Ai - chiou.
    - Exagerei? - perguntei e ele sorriu
    - Faz de novo
    Rimos e eu obedeci. Brinquei com o peitoral dele, dando umas mordidinhas vez ou outra. Enfraquecido pelo tesão, o fui guiando até a cama, onde o deitei. Lucas me puxou e voltou a me beijar. Rolamos e nos agarramos, roçando todo o corpo um no outro.
    Foi a vez dele de ficar por cima. Segurou meus braços junto a cama, deixando-me de barriga pra cima. Dali, seguiu lambendo minha pele. Rosto, pescoço. Me soltou e continuou descendo. Chegando até a virilha. Lambeu e chupou tudo meu saco. Eu então lhe ofereci o pau.
    - Não, não chupo - recusou, sorrindo.
    Eu não ia entrar em uma discussão sobre as diferenças conceituais em chupar o saco e um pau, então apenas o deixei continuar do seu jeito.
    Desceu pelas minhas pernas e chegou aos meus pés. Nesse momento, senti cócegas e tentei tirar o pé. Ele o segurou, olhando-me com maldade
    - Então você sente cócegas?- e começou a lamber.
    Eu gargalhei, tendo de me segurar para não fazer muito barulho e também não o chutar com força devido aos espasmos. Meu primo se divertia e eu gostei. As cócegas eram suportáveis e então eu o deixei brincar mais um pouco. Só depois de ele ter se divertido o bastante, eu o agarrei pelas axilas e joguei no colchão. Fiquei por cima e o virei de bruços.
    - Que isso - surpreendeu-se com a facilidade com que o virei. Ele podia ser mais musculoso, mas eu ainda era mais forte.
    - Minha vez de testar uma coisa - sibilei.
    - Não vai meter, né?
    - Confia em mim - o prendi, quando fez menção de tentar levantar. - vai gostar. E não, não vou meter - completei, quando vi que tentava de novo voltar a ficar de barriga pra cima..
    Aproveitei que parou de brigar uns instantes e dei o bote certeiro em meu alvo. Abri suas nádegas e enfiei o rosto. A língua atingiu o alvo certeiramente.
    -Ahhh - o grito de susto foi alto e ele logo levou a mão a boca
    Paramos os dois, em completo silêncio, para ver se nosso esporro havia atraído a tia. Nada, nenhum ruído. Ainda devia estar dormindo.
    - Faz silêncio - sussurrei.
    - Desculpa.
    Eu desci novamente, e voltei a lamber. Desta vez, Lucas pegou os travesseiros a seu lado e levou ao rosto. Enquanto gemia e respirava de forma pesada.
    O senti abrir as pernas, e empinar a bunda, bem mais relaxado. Deitei na cama e aproveitei melhor aquela bunda. Beijei, lambi, mordi. Cheguei até a apoiar minha cabeça, afundando a cara como em um travesseiro.
    Abri novamente as nádegas e lambi o orifício, que piscou. Um buraco fechadinho, virgem. Estava doido para inserir meu primo na lista dos rabos que deflorei, mas sabia que se isso acontecesse, não seria naquela noite. Ele ainda precisava relaxar mais.
    Esbaldei-me naquela bunda gostosa o quanto pude, e depois fui subindo e beijei suas costas, até chegar a nuca, novamente.
    Meu pau roçou em suas nádegas, que enriqueceram, fechando passagem.
    - Fica calmo, primo. Se eu quisesse te foder, já teria feito. - falei ao teu ouvido. - deixa só eu brincar.
    E comecei a roçar, de leve, alisando o pau na região entre as nádegas.
    Ele estava todo arrepiado, gemendo contido pelos travesseiros. Até que, num momento, levou a mão pra trás e me empurrou. Voltou a deitar ao meu lado e pegou meu pau, depois, conduziu a minha mão até o dele.
    Olhando-me nos olhos, começou a me masturbar. Eu fiz o mesmo por ele.
    Nossas respirações começavam a entrar em sincronismo. Nossos olhos não desgrudavam um do outro e a pressão que investíamos no órgão do outro ia ficando maior, mais intensa.
    - Vou gozar - sussurrou, num espasmo.
    Eu também já estava a ponto de bala. Ejaculamos na pele um do outro e, sentindo o alívio proporcionado, caímos exaustos, com o tórax sujo de sêmen.
    - Eh. Admito que é legal - falei por fim - Mas ainda não supera comer um rabo
    Ele riu.
    - Quem sabe um dia não descolamos um - ponderou.
    - Um não. O seu - ataquei e ele me olhou surpreso, então sorriu.
    - Você e suas piadas
    E levantou para se lavar. Mesmo tentando levar na farra, deu para sentir em seu olhar que ele havia sacado a ameaça. Olhei aquela bunda gostosa ao sair, conforme ele caminhava até banheiro.
    Após o orgasmo e um banho, caímos exaustos. Mas não necessariamente com sono. Como de praxe, Lucas dormiu logo, mas fez questão de deitar de frente pra mim, creio que com medo de deixar a retaguarda a mostra pra minha ameaça.
    Continuei acordado, sentindo o tesão me queimar por dentro. A brincadeira com Lucas, ao invés de me acalmar, só me deixou mais aceso.
    Nem sei quanto tempo fiquei ali em claro, virando de um lado a outro e olhando meu primo dormir. Cada vez mais aquela presa dormindo me era mais e mais suculenta. Meu pau, recusando-se a amolecer, implorava por penetrar.
    Eu já ia me levantando e partindo pra cima dele quando foi salvo pelo gongo. Ouço a porta da sala abrir. Thales havia chegado. Foi direto ao banheiro e se lavou. Eu esperei.
    Quando entrou no quarto, estava só de cuecas e deitou sem fazer barulho ao meu lado. Eu fingia dormir, observando por uma fresta entre os olhos. Ele deitou, virou de costas e não demorou muito, emitiu os sons da respiração sonolenta.
    Olhei para trás e Lucas continuava apagado.
    Eu não conseguia mais me segurar. Contudo, resolvi mudar o alvo.
    Levado por impulso, me aproximei de Thales e o abracei, colando bem meu volume em sua bunda.
    O senti despertar aos poucos, então o abracei e falei ao seu ouvido
    - Primo. Ta acordado?
    Ele despertou e sussurrou:
    - Fábio? O que você está fazendo.
    - Relaxa. Fica quieto.
    E passei a mão eu sua cueca, tirando.
    - Mas, primo...
    - Shiiii - sibilei - mandei ficar quieto.
    Tirei sua cueca sem seu consentimento (embora não tenha encontrado maiores obstáculos) e comecei a massagear seu cuzinho. Meu pau imprensado contra ele.
    Thales abriu as pernas e deixou, acostumando-se muito rápido para alguém que acabara de ser acordado. Segurou meu pau sem pensar duas vezes e gemeu baixinho no meu ouvido
    - Achei que nunca fosse tentar - falou, com ar divertido.
    - Safado - sorri.
    Então levei os dedos a boca e enchi de saliva. Voltei ao buraquinho e comecei a dedar.
    Foi nesse instante que percebi e desconfiei da facilidade com que meus dedos entraram.
    - Você deu esse cu, né safado? - sussurrei e ele logo se retraiu.
    - Eu, não... Eu ..
    - Deu sim. Não mente - e enfiei mais - olha como entra fácil. Você já dá esse cu tem um tempo.
    Thales gaguejou, olhando a toda hora para o lado do irmão.
    - Fica calmo. Não vou contar pro teu irmão. Embora ache uma sacanagem você distribuir o pão e negar a família.
    Então, me coloquei por cima dele e me encaixei entre suas pernas.
    - Fábio...
    Tentou falar, mas eu fechei sua boca e  mandei se calar.
    - Mas chegou a hora de você dar pra família também. - completei
    E sem avisar, enfiei o pau, sentindo ele escorregar pra dentro. Thales se envergou todo, mas aguentou firme até eu meter tudo.
    - Nossa. Como eu estava precisando disso - suspirei. Depois, tomei fôlego e meti com vontade.
    O cuzinho dele era macio, completamente diferente da rigidez de Lucas. O pau entrava fácil, deslizava. Ele dava muito aquele rabo, mas escondia o segredo. Encaixei-me melhor e colei seu tronco ao meu, cravando fundo. Meu primo mordeu o lábio e ergueu a cabeça, soltando um suspiro
    - Ele... Ele vai acordar assim - sussurrou, segurando os gemidos mais altos.
    - Melhor assim, não acha? - sorri e beijei sua boca  - Pensa bem - e lambi seu rosto - Um dia, mais cedo ou tarde, você vai acabar dando pra ele - e beijei de novo, estalando seus lábios aos meus - e quando esse dia chegar - outro beijo, mordiscando seu lábio - ele vai descobrir que você vêm mentindo - cravei fundo, fazendo ele se contorcer de novo.
    Estava gostoso ver ele se segurar. Continuei  a narrativa
    - Ele que sempre acreditou que você era como ele. Que não curtia sexo real - beijei de novo - mas se ele acordar agora - e olhei maliciosamente para o sonolento Lucas - você pode dizer que foi sua primeira vez - meti mais, lambendo seu rosto, sentindo o gosto do suor - Vai poder por a culpa em mim. Falar que foi o primo roceiro quem tirou seu cabaço a força. - beijei mais - que você não queria, mas. - outro beijo - que quando sentiu a piroca gigante te rasgar por dentro - cravei de novo e desta vez ele deixou escapar um espasmo.
    Olhamos para o lado e Lucas apenas se mexeu, sem acordar. Cheguei bem perto de seu ouvido e, após um beijinho no rosto, falei:
    - Vai dizer que não quer mais outra vida. Que provou e adorou. Que agora quer ser comido todo dia. Por ele, pela galera do seu crossfit, por qualquer amiguinho que teu irmão quiser trazer. Imagina - e comecei a meter rápido - você servindo de depósito pro teu irmão e pros amiguinhos dele. Mas - e dei um tapinha na cara dele. Thales tomou um susto, mas gostou - espero que não esqueça do cara que te libertou hein. Afinal - e voltei a meter com tudo - Fui eu quem te deu essas dicas e vou querer ter minha parte nessa bunda sempre que vier te visitar.
    Me ergui, ajeitando melhor e então voltei a penetrar, com força e velocidade, Thales, de pernas abertas, pegou um travesseiro, tal como seu irmão fez mais cedo, e gritou abafado por ele. Seu pau já babando e melando a barriga
    Percebi um movimento suspeito ao meu lado. Lucas enfim acordara. Fingi não ver, concentrando em dilacerar minha presa. O vulto de Lucas se ergueu nas sombras e se aproximou. Eu suava e bafejava pesadamente.
    Foi então que olhei para Lucas, que estava bem próximo, excitado. Thales, com o rosto tampado, não olhava o irmão, nem o havia notado ainda. Ver meu outro primo nos observando foi o que eu precisava para chegar ao clímax. Ejaculei dentro de Thales, deixando o pau cravado e garantindo que cada gota entrasse em seu corpo.
    Depois, sorri para Lucas e dei um tapa no volume do seu short.
    - Vai ficar só olhando? - E saí.
    Thales tirou o travesseiro e paralisou ao ver o irmão. Lucas, igualmente calado pelo clímax, apenas tirou o short, foi se colocando acima dele e abrindo suas pernas.
    O mais novo não oferecia qualquer resistência. O olhar dos dois estavam completamente fixos um no outro e eu tive a certeza de que minha presença era completamente ignorada aquela altura. Lucas se colocou onde antes eu estava, encaixou e cravou de uma vez. Thales tremeu, soltou um gemidinho, e se colocou a disposição recebendo as estocadas com o olhar fixo nos olhos do outro.
    Eu, cansado e satisfeito, me recostei, sentado no chão mesmo. E apreciei a cena. Ouvindo os gemidos abafados daqueles dois. Sentindo o cheiro do sexo que empesteava o quarto com sua doce neblina. Ver os dois ali, desfrutando daquele momento de intimidade, fazendo baixinho para não serem percebidos pela mãe me fez pensar.
    Afinal, eu, mais do que ninguém deveria saber o que era usar de estratégias para esconder quem eu realmente sou. Com medo da reação do entorno. Mesmo vivendo em um ambiente liberal, aquilo que os dois partilhavam ainda era um tabu e devia se manter oculto. Pelo menos por ora. Talvez, dar um nome diferente para aquilo fosse só mas uma das muitas estratégias para se viver com aqueles desejos que nem sempre podemos declarar.
    Passados alguns minutos, cansado de olhar e refletir, me levantei. Antes de eles terminarem, eu sai e me adiantei no banho. Quando acabei, foram eles, um de cada vez, e depois adormecemos, abraçados em três. Eu no meio, com a cabeça de Thales apoiada em um ombro e a perna de lucas me enlaçando pelo outro lado.
    E esse foi o tom que se seguiu durante aquela minha estadia. Em que eu partilhei com eles aquela experiência  Qualquer momento que roubávamos para nós, sem a presença de mais ninguém, nos entregávamos àquele joguinho. Em que nos colocávamos nus e a disposição um do outro. Lucas, infelizmente, não me liberou a bunda. Acredito que mais por uma questão de manter a postura na frente do irmão do que por falta de interesse, mas ainda assim, me proporcionou muito prazer, em especial quando me permitia lamber seu orifício, deixando-o aberto a minha Bel degustação.
    E naquela semana, também fiz uma coisa inédita em toda a minha vida. Em uma outra festa que fomos, beijei pela primeira vez outro homem, a olhos públicos e a sensação foi libertadora. Pois era a primeira vez que eu me via exposto daquela maneira, sem medos, sem máscaras. Beijando um cara que havia me interessado sem me importar com o que os demais pensariam ou falariam.
    Aquela visita foi sem dúvidas uma quebra fundamental de paradigmas em minha vida, a qual eu considero um grande marco em minha juventude.
  • Diários de caça - Capítulo 8 - Filhote

    Felipe era um caçador mais astuto e paciente do que eu poderia supor. Pois ele não fez absolutamente nada imediatamente depois do flagra. Os cultos seguiam sua normalidade e eu esperava o momento em que ele iria me abordar para me propor o que quer que fosse, mas esse momento nunca chegava.
    Cheguei até mesmo a imaginar que ele havia desistido, que talvez julgasse o desafio grande demais ou que tivesse encontrado um alvo mais apropriado. Pensamento esse que me deu tanto alivio quanto decepção.
    Todas essas crenças, contudo, foram quebradas em uma tarde de quarta, em que por acidente, esbarramos, eu e minha mãe, com ele no mercado. Eu o vi primeiro, estava acompanhando minha mãe, que escolhia o peixe para o jantar. Esbarrei com ele no corredor das conservas, onde fui buscar o molho.
    - Fábio, que prazer ver aqui - e me deu uma boa olhada de cima a baixo.
    Ou Felipe estava menos cuidadoso, eu, uma vez que tinha visto sua real natureza, estivesse identificando os sinais com mais clareza.
    Mas o fato é que ele definitivamente me dissecou com o olhar, parecendo imaginar o que tinha por debaixo dos tecidos que me cobriam. O olhar foi rápido, cirúrgico, um raio x completo em poucos segundos. Aproveitei o tempo para fazer o mesmo.
    Felipe era um homem de meia idade, de cabelos e olhos num castanho claro. Tinha um rosto fino e simétrico, e aparentava ter menos idade que de fato tinha. O corpo era atlético, tinha os ombros largos dos anos de natação, e um peitoral volumoso, mas no geral era magro. Devia ser apenas uns 2 cm mais baixo que eu.
    - Olá, pastor - o saudei, após eu também fazer minha avaliação.
    - Foi providencial nos esbarrarmos hoje, pois tive uma boa ideia do que podemos fazer para remediar aquela situação.
    Ele não continuou, pois minha mãe apareceu logo
    - Pastor, Felipe. Que surpresa agradável.
    Cumprimentaram-se e ele continuou:
    - Foi bom ter chegado, Maria. Estava justamente conversando com seu filho e ele me contou que nunca foi batizado.
    A maneira como ele entrou naquele assunto fictício me impressionou. Eu sempre me considerei um bom mentiroso, mas Felipe era quase teatral. A naturalidade com que saia de um assunto para outro, uma cena para outra. Decidi observar
    - Eu mesmo falei com o senhor uma vez, pastor. Meu marido não é muito dessas coisas e decidimos que Fábio faria depois que tivesse idade para escolher. - minha mãe não conseguia esconder a discordância com tal ideia.
    - Pois então ele já deve ter te contado que me solicitou tem alguns dias.
    O sorriso no rosto de minha mãe me deixou desarmado. Sabia o quanto aquilo poderia significar pra ela
    - Verdade, filho? Mas por que não me contou?
    - Eu.. ainda estava indeciso, na verdade - ponderei
    - Fábio, apesar do que parece, é tímido para estes assuntos. Por isso mesmo me pediu que o ritual fosse feito de forma privada. Somente eu e ele - continuou, falando com a serenidade que poucos são capazes de dissimular.
    - Mas... Nem eu poderia ir? - e me olhou como se eu a tivesse privado de um prazer real.
    - Sabe como são os adolescentes, Maria - ele não me deixou falar - É uma idade em que querem fazer tudo independente dos pais. Querem se mostrar capazes de cuidar de si. Por isso ele veio me pedir. Desculpe, Fábio, imaginei que tivesse contado a ela
    - Não. Tudo bem. Eu não iria guardar segredo. Estava apenas tomando a decisão - entrei na mentira, vendo até onde aquilo iria.
    - Bem, fico feliz que queira se batizar, meu filho. É algo lindo. E se quiser manter segredo, tudo bem. Embora diga que isso não é nenhuma vergonha. Nunca é tarde para se abraçar a fé.
    - De fato - Felipe deu corda - por isso Maria, gostaria de lhe pedir. Pensei em pegar o Fábio emprestado esse sábado, para fazermos. Mas como domingo tem a festa das crianças, precisaria, mais que nunca, de você para tomar conta dos preparativos. Uma vez que estarei ocupado.
    - Claro, pastor. Conte comigo.
    - Não sei o que faria sem ti - e lhe beijou o rosto.
    O elogio e o próprio carisma do pastor foram o bastante para ludibriar minha mãe, que cega em sua fé e nos homens que a regem, não via o chacal que estava diante dela. Felipe se despediu e ficamos só eu e minha mãe, que parecia não se conter em si, tamanho orgulho.
    Aquilo começou a me fazer sentir culpa
    - Mãe, gostaria de pedir que a senhora não comente o caso com meu papai, por favor
    - Mas por que? Fábio, seu pai, mesmo agnóstico, nunca se impôs contra você e sua irmã terem uma fé.
    - Sim, eu sei. Apenas... Não sei ainda. O que eu quero
    Ela me olhou com carinho e assentiu
    - Tudo bem. Você conta quando estiver pronto.
    Comecei a ficar ansioso com a chegada do fim de semana, como nunca estive antes. O que fez apenas o tempo brincar de se arrastar mais vagarosamente.
    Na manhã daquele sábado, meu pai veio me perguntar o que acontecia. Pois notava que eu estava aéreo.
    - Nada demais. Apenas pensando nas provas finais - menti.
    Se ele acreditou, não saberia dizer.
    Na manhã de sábado, apareci cedo na igreja. Felipe já estava pronto e sem ensaios, me deu uma carona até a fronteira da cidade. Não falamos nada, mas Felipe parecia muito relaxado.
    Ao chegarmos na área da mata, saímos e seguimos por uma trilha fechada.
    - Tem um riacho ótimo, logo a frente. Conhece?
    - Não - menti, pois preferia que ele pensasse que eu estava indefeso - não costumo vir por esses lados
    Aquela de fato não era uma total mentira, pois aquela área não apresentava muita caça e o riacho do qual Felipe se gabara era bastante calmo, quase parado. Parecia mais um pequeno lago, sem grandes atrativos.
    O caminho foi relativamente longo, e eu fiz questão de ir devagar, ainda simulando desconhecer aqueles lados.
    Chegamos enfim a parte que ele queria. Felipe, animado, pegou a mochila e me estendeu uma peça de roupa que assemelhava uma camisola.
    - Vista. Vamos aproveitar o tempo bom.
    Felipe pareceu se entreter com as coisas que trazia, mas bastou eu começar a me despir para sentir o seu olhar recair sobre meu corpo. Fingi não notar e continuei, ficando nu antes de me vestir com a camisola.
    Ele fez o mesmo, vestindo uma batina branca. Felipe tinha um corpo bem feito para a idade. Percebi que seu órgão estava inchado, apresentando um fluxo anormal de irrigação.
    Entrei na água gelada e senti a mão do pastor em minhas costas, guiando-me. Chegamos a uma parte onde a água dava na altura de meu peito e paramos. Ele pegou um punhado com o cálice que trazia e despejou sobre minha testa, orando baixinho
    Esperei dócil, deixando-o conduzir seu rito.
    Sua mão passou pelo meu peito e a outra apoiou meu pescoço por trás. Foi me descendo até eu ir adentrando a água. Tampei o nariz e fiquei submerso por alguns segundos. Ele continuava orando, passando a mão pela minha cabeça e fazendo caricias descendo pelo pescoço.
    Eu não conseguia entender exatamente suas palavras, não sabia que tipo de oração era. Em alguns instantes eu conseguia identificar palavras como "pureza", mas sem significado algum. Sua mão, aos poucos, descia o corpo, passava pelo meu peito, costas.
    Mais de uma vez ele me fazia submergir, e nesse instante, sentia sua mão deslizar rapidamente de meu peito, descendo e alisando minha barriga e meu órgão.
    Eu o olhava fixamente, mas ele não retribuía em nenhum momento. Minha mão colidiu com o volume em sua batina, que já estava inconfundivelmente duro.
    -Felipe pegou mais água e despejou sob minha cabeça, espalhando a mesma e descendo a mão. Uma na frente e outra por trás. Desta vez, alisando forte toda minha carne. Quando ela desceu, acariciando-me as nádegas, foi a hora de eu agarrar seu pulso em um movimento rápido e preciso.
    No mesmo instante, seus olhos se alarmaram, surpresos pela reação.
    Com calma, peguei a mão que estava em minha bunda e a pus em meu pau.
    - Não pense que sou um dos bobos do seu rebanho, pastor. Se quer tirar uma casquinha, vai ter de me agradar.
    Minha conversão estava completa. Era a hora do lobo tirar a pele de cordeiro e mostrar os dentes. Ele tentou sorrir em desdém.
    - Mas do que você está falando?
    - Vou te mostrar.
    Então, num movimento firme, entortei seu braço, subjugando-o.
    - Vem comigo - e o fui conduzindo para fora da água.
    - Fábio, pare. Você vai me machucar assim. - protestou.
    - Não se o senhor cooperar.
    Sem conseguir oferecer muita resistência, saímos da água e eu o lancei de joelhos ao chão. Tirei aquela camisola ridícula e o empurrei com o pé, fazendo-o cair então rolar até ficar de barriga pra cima.
    Montei por cima dele, sentando em seu peito e prendendo seus braços com as pernas.
    - Vamos. Chupa - mandei
    - Melhor pararmos .
    Mas calou a boca quando o golpeei com meu órgão duro em seus lábios.
    Mais uma vez ele se assustou, me encarando sem parecer acreditar em minha transformação. Era esse o olhar que eu queria ver
    - Anda - e bati de novo, dessa vez no rosto. Meu órgão pesado parecia um cassetete.
    Ainda parecendo confuso, abriu a boca e chupou a cabeça, de forma dócil e temerosa.
    - Bom. Agora engole tudo
    E me posicionei, erguendo o quadril e me colocando em posição de prancha, acima de sua cabeça. De forma ao órgão ter total penetração. Fui introduzindo, enquanto Felipe segurava minha cintura e tentava, em vão, me empurrar.
    Com calma, fui iniciando o movimento, vendo meu pau deslizar por dentro de sua boca. Uma lágrima escorreu quando toquei o fundo da garganta. E ao tirar, ele tossiu copiosamente.
    Divertindo-me, levantei e andei em torno dele, como um leão circundando sua presa antes de atacar.
    - Acho que já brincou o bastante - limpou a boca, tentando manter a dignidade.
    - Eu acho que não - e rapidamente, avancei e puxei sua batina. Deixando-o nu num segundo. O órgão duro sacudia. - e vejo que está aproveitando.
    - Exijo respeito - tentou vociferar
    Mas eu o peguei pela nuca e aproximei bem o meu rosto do dele
    - Todo o predador respeita sua presa, padre. Da apenas àquilo que ela pode suportar.
    Se ele entendeu algo do que eu disse, não saberia dizer. Mas continuei mesmo assim. O pus de quatro no chão terroso e me preparei para encaixar
    - Por favor... Não - falou naquela voz tremida de quem sabia que não tinha escapatória.
    Apesar da negativa, se manteve de quatro a minha frente, com aquele buraquinho bem adiante, pronto para me receber
    Ignorei seu pedido e encaixei. Ele tremeu, mas não fugiu. Enfiei e, mais fácil do que supus, comecei a devorar.
    Felipe se manteve o tempo todo de cabeça baixa, segurando qualquer tipo de reação. Recebeu as estocadas sem demonstrar nada. Como quem recebe uma penitência que sabe merecedor.
    Seu pau, por outro lado, não amolecia, balançando conforme colidia contra ele. Gozei a primeira vez, mas isso não diminuiu em nada meu ímpeto. E continuei. Fodi não só com tesão, mas também com um pouco de raiva.
    O som das batidas se misturavam com o chacoalhar do gozo remexido em seu interior. Uma densa espuma branca começava a se formar em meu órgão, saindo de seu orifício. E eu não parei
    Pois aquilo não era uma caçada comum, não era uma relação predatória. Não. Éramos dois predadores, competindo o mesmo território de caça. Assim como uma hiena não entrava no território dos leões sem sofrer as consequências, eu não podia deixar a sua afronta de dias atrás passar impunemente.
    Então o fodi, para além de gozar, para lhe dar uma lição. O silêncio de Felipe era toda a reação que eu queria. Pois eu o tinha exatamente como e onde desejava. De quatro, submisso, e ainda mais: o tinha excitado. Pois seu pau duro, balançando a cada golpe proferido denunciava todo aquele êxtase que ele tentava ocultar. Aquele êxtase inconfessável que devia estar sentindo de finalmente ser domado por um superpredador.
    Não falei nada enquanto o deflorava, me entregando por completo a tarefa. Sequer senti o êxtase de ejacular pela segunda vez, tão entregue que estava naquele momento. Apenas percebi meu órgão amolecer em seu interior, enquanto desferia golpes sem piedade. Quando, enfim exausto, terminei, sentei no chão arenoso deixando seu corpo cair.
    Fiquei em silêncio, recuperando o fôlego enquanto o via, derrotado, tatear o chão atrás das roupas. Esperei, vendo seu pau ainda inchado, pingando.
    Se vestiu e fez menção de sair.
    - Pode esperando aí - me levantei, olhando sério - Ainda vai me levar em casa. Ou se esqueceu que estou a seus cuidados? - ri em ironia.
    Felipe esperou em silêncio, de cabeça baixa, enquanto eu me vestia. Fingi não perceber que seus olhos, vez ou outra, escaneavam meu corpo novamente. Era claro que havia gostado da experiência, mas não iria admitir uma vez que saíram totalmente do seu planejamento.
    Andamos a trilha que levava a seu carro, sentei no carona e, quando ele estava pronto para ligar o motor, o segurei pela nuca e o fiz me encarar.
    Gostei de sentir seu susto. Estávamos cara a cara agora. Era capaz até de sentir o cheiro do seu hálito.
    - Obrigado pelo batismo, pastor. Me sinto agora, mais do que nunca, alguém do seu rebanho.
    E o beijei. Não como um gesto de carinho, mas de poder.
    - Te vejo atrás da igreja após a missa de terça. É um dia mais monótono e creio que não chamaremos atenção.
    - Mas...
    - Shiiii - o calei com o dedo em riste - Vamos embora.
    E me recostei, vendo ele se calar e dirigir. Estufei o peito, me sentindo vitorioso.
    Quando desci do carro, a casa estava quase vazia. Com exceção de minha irmã, que lia no sofá.
    - Mas que cara é essa, Fábio? Vi você saindo do carro do pastor Felipe.
    Eu tentei disfarçar o sorriso de triunfo.
    - Nada, não. Apenas estou bem. - expliquei.
    - O pastor é um homem muito bom, não é mesmo? Mamãe quem diz.
    Nesse momento, um alerta se acendeu dentro de mim e eu falei quase sem pensar.
    - Não, não é.
    - O que houve? - ela se surpreendeu com minha atitude. Percebi que meu semblante mudou imediatamente.
    Amélia tinha apenas 12 anos na época. Muito jovem para determinados assuntos
    - Nada, só... Amélia, você confia em mim?
    - Claro, irmão.
    - Então me prometa uma coisa: jamais fique sozinha com o Pastor Felipe. Sempre que tal ocasião surgir, saia de perto, invente uma desculpa. Procure mamãe, eu ou alguém de confiança na igreja. Me promete
    Ela não entendeu, mas tão pouco questionou.
    - Tudo bem.
    Eu me precipitei e a abracei. Senti ela se assustar e então sorri e disse que a amava. De repente, uma urgência começou a me atacar o coração. O senti palpitar e por mais que tentasse entender o que era, simplesmente não conseguia justificar o medo que estava sentindo.
    No dia seguinte, na festa da igreja, a aflição havia enfim me deixado. Ajudei minha mãe carregando as coisas necessárias durante aquela manhã e de tarde, aproveitei a festa, beliscando alguns quitutes.
    Quando Bianca veio falar comigo, parecia um tanto quanto preocupada.
    - Fábio, posso falar com você?
    Concordei com um aceno e ela se aproximou.
    - Soube que você e o pastor foram ao riacho, apenas vocês. Aconteceu alguma coisa?
    - Não se preocupe - terminei de engolir o sanduíche - A situação está sob controle.
    Creio que minha segurança a tranquilizou. Pelo menos a princípio. Porém, o que eu ouvi ao lado me chamou a atenção, ao mesmo tempo em que me fez acelerar novamente os batimentos.
    -...meu filho, por exemplo, tem andado muito mais quieto, muito mais comportado, após o batismo. Nada como abraçar a fé para expulsar todos os males.
    Era Márcia, uma vizinha. Seu filho, Otávio, eu conhecia. Era um dos colegas de escola de minha irmã.
    - Minha filha já foi batizada quando completou meses, mas começo a pensar que deveria fazer novamente. Como uma dose de reforço. Ela anda muito respondona ultimamente.
    Sua interlocutora era Teresa, mãe de Joice, que devia ter uns 10 anos
    - Eu recomendo. O pastor Felipe usa o método antigo, sabe. No rio, onde a purificação e mais forte...
    - E a senhora estava lá? - interrompi, antes mesmo de me dar conta.
    Ambas as mulheres se assustaram, pois não imaginavam estarem sendo ouvidas.
    - Oi Fábio...
    - Responda! - insisti. Sem perceber, estava falando alto
    - Fábio, o que foi? - Bianca me chamou.
    Olhei para ela e vi que estava assustada com minha atitude. Notei o mesmo medo nos olhos das duas senhoras
    Respirei fundo e saí dali.
    Andei como um desvairado, caçando entre a multidão de pessoas até enfim achar quem eu queria. E a imagem terminou de derrubar-me o ânimo.
    Na parte descampada, haviam muitas crianças brincando com uma bola. E dentre eles, parecendo a única que não estava em total sintonia com a cena, Otávio.
    Ele brincava com as demais. Mas de uma certa forma, não parecia ter o mesmo brilho no olhar. Não corria como as outras, não se entregava ao jogo. Pegava a bola e arremessava como se apenas seguisse comandos, como se não estivesse totalmente ali. Distraído como estava, se assustava fácil quando alguém lhe gritava o nome. O rosto sem emoções me deixou ainda mais comovido, que se o tivesse vendo chorar.
    Uma parte de mim lutada desesperadamente para não acreditar nas formulações que minha cabeça produzia
    Quando a bola rolou para longe e Otávio foi buscar, eu o segui.
    - Oi, Otávio - falei com cautela, sentindo intensa dificuldade em formular palavras. Até andar até ele me parecia sofrido, minhas pernas pesavam. Eu nunca na minha vida senti um medo tão imobilizador.
    - Oi. - e me olhou com pouca curiosidade. Como se não ligasse para minha presença, tal como não parecia ligar para nada ao redor.
    - Eh... Otávio. Eu posso te perguntar uma coisa?
    Ele não entendeu e eu segui diante o seu silêncio.
    - Quando você e o pastor, Felipe...
    Mas não precisei continuar. O simples nome do pastor o fez segurar a bola com maior firmeza. Num espasmo.
    - Eu tenho de voltar a jogar - e foi se desvencilhando.
    - Otávio. Você pode me contar
    O garoto chegou a parar, mas então seguiu, sem olhar para trás.
    O que aconteceu depois, nem eu mesmo sou capaz de explicar. Simplesmente, senti a presença do pastor ao meu lado, falando daquele jeito calmo e diplomata.
    - O que está fazendo, Fábio?
    Minha mão simplesmente se fechou em punho e o atingiu em cheio no rosto. A queda foi imediata, mas antes que pudesse continuar, escuto as vozes alarmadas me pedindo para parar.
    Seriam vozes facilmente ignoradas, se dentre elas eu não reconhecesse a de minha mãe
    - Fábio, meu filho, o que houve?
    Os olhares de recriminação vieram diretamente até mim. Eu não soube o que dizer. E essa foi a deixa para Felipe.
    Demonstrando uma calma quase sobre-humana diante da situação, ele se ergueu, limpou o sangue da boca, e bateu na roupa para tirar a terra
    - Não se preocupem. - acalmou a multidão - eu devia ter esperado essa reação. Infelizmente, eu acabei de expulsar o Fábio, por conduta irregular.
    Começaram os murmúrios. Minha mãe, sem acreditar, insistiu que se explicasse.
    Eu mesmo não sabia o que dizer, pois não consegui acompanhar imediatamente seu raciocínio. Ainda me encontrava perplexo com a calma de Felipe. Mas precisava me manter calmo, ou passaria ainda mais a imagem errada naquele contexto.
    - Infelizmente não posso dar detalhes, uma vez que suas ações envolveram outros dos nossos membros, que não têm culpa. Foram ludibriados por Fábio e expor nessas circunstâncias não traria nenhum bem a ninguém. Todos já estão sendo devidamente acompanhados.
    Nesse instante, meu olhar encontra do de Bianca e eu entendi que havia sido pego. Ele já me tinha na mão muito antes, quando sabia que eu protegeria minha amiga. Eu pensei, inutilmente, que havia conseguido dar a volta por cima. Como um filhote, adentrei inocentemente a jaula dos adultos, acreditando que era capaz de brincar com eles
    Meus ouvidos conseguiam detectar alguns sussurros da multidão. Partes de uma conversa, de um julgamentoEu sabia que não devíamos deixar ele entrarDado o pai descrente, quem pode esperar diferenteEu o vi agora pouco, parecia transtornado. Acho que se droga. Não seria surpresa...
    Vários trechos, acompanhados dos olhares que me sentenciavam antes de eu sequer conseguir abrir a boca. Olhei para Otávio e ele estava escondido atrás da cintura da mãe. Sabia que dele não conseguiria ajuda e tão pouco seria justo o força a se expor.
    Estava sozinho. Minha mãe que apesar de ser a única posicionada ao meu lado, que não tinha o olhar de condenação direcionado a mim, não podia fazer nada. Percebia em suas expressões corporais que, apesar de querer proteger sua cria, ainda não estava disposta a descrer do homem que até então julgava santo.
    Aquilo me sufocou, eu me sentia como um animal que acabava de ser preso na cilada. Nesse contexto, apenas pedi licença e saí, tentando manter pelo menos um pouco da dignidade e da aparência de sanidade. Tudo o que minha mãe não precisava naquele momento era de um show de minha parte.
    Caminhei o que para mim pareceram horas no curto trajeto até minha casa
    Fui para o quintal e encontrei nosso velho balanço, que meu pai tinha montado para minha irmã ano passado e ela nunca usava.
    Sentei e fiquei ali, enfim desfrutando de algum silêncio.
    Minha mãe chegou e me perguntou o que havia acontecido. Eu respirei fundo e me abri para ela. Precisava daquilo, precisava desabafar. Eu estava sentindo muitas coisas pra suportar sozinho. Medo, arrependimento, vergonha ,culpa.
    Eram demais. Quando minha mãe escutou sobre o pastor ter passado a mão e mim e sobre o que acredito ter acontecido com Otávio, ela, alarmada, responde:
    - Meu filho, não pode ser. Você não deve ter entendido direito.
    Tive de me segurar muito para não estourar, pois sabia que ela não era culpada de nada daquilo. Sua única culpa era ter depositado sua fé na pessoa errada. Eu fechei os olhos e respirei fundo.
    - Mãe, por favor, me deixa sozinho.
    - Mas filho...
    - Mãe, por favor - elevei o tom, minha voz tremendo e eu odiaria desabar na frente dela naquele instante, tamanha a raiva que sentia.
    Mas ela obedeceu. Quando entrou em casa e eu tive certeza que estava só, chorei. Chorei como há anos não lembrava.
    Mesmo após ter acabado, ainda permaneci ali, refém de meus próprios pensamentos. Dilacerado pela minha própria culpa. Tão cego que estava com meu jogo, de ser o superpredador, não me dei conta de que na verdade eu ainda era um filhote, que mais pródigo que fosse, ainda tinha limitações. Achei ter vencido Felipe em seu jogo, mas aquela era apenas uma batalha sem importância de uma guerra épica, onde as maiores vitimas eu ignorava.
    Nunca me senti tão impotente em toda minha vida. Incapaz de saber como agir. Era óbvio que Felipe tinha aquela comunidade em suas mãos. Que diante dele, eu não passava credibilidade alguma. Como esperar diferente daqueles crentes, se minha própria mãe teve dificuldades em acreditar em mim?
    Foi já de noite, que meu pai veio pra casa. Ainda vestia o uniforme quando, antes de entrar, me viu no balanço. Sem nada dizer, caminhou até mim e sentou do lado e ficou quieto
    Não falamos nada, por incontáveis minutos, apenas apreciando a companhia silenciosa um do outro. Quando finalmente falei, o fiz sem ele pedir ou sequer demonstrar interesse. Narrei tudo de novo, todos os acontecimentos. Já era um testemunho diferente do que falei para minha mãe, pois minha própria mente já havia processado outras variantes para o mesmo acontecimento. Admito que meu novo discurso foi muito mais racional e coeso, pois o tempo havia me dado a capacidade de enredar melhor aquela história, dando a ele um relato digno de fé, e não a avalanche de acusações que joguei sobre minha mãe.
    Meu pai ouviu tudo, sério, fitando o carro estacionado. Quando acabei, ele apenas me encarou e pôs a mão no meu ombro. Lembro até hoje daquele olhar, pois só o tinha visto uma vez antes, em um episódio em que um tio avó meu havia desrespeitado minha mãe, em uma festa de família.
    Naquele dia, meu pai nada falou. Apenas se aproximou sem expressar reação e acertou um soco em meu tio que o deixou desacordado o resto da noite. Foi tudo feito com uma frieza que deixou a todos impressionados. E vendo aquele olhar de meu pai de novo, pude ver a força de um verdadeiro leão. Daqueles que não precisam rugir para saber se impor. Então me dei ainda mais conta do quão filhote eu de fato era.
    - Peço que venha pra casa, filho. Está serenando. Sei que é difícil, mas gostaria de pedir que esquecesse esta história.
    Não entendi o que aquilo significava, mas tão pouco tive coragem nem forças pra contradizer ou sequer questionar.
    Obedeci, e pelas semanas que se passaram, mantive minha promessa. Até mesmo quando ele nos deu a notícia na mesa do café da manhã e abraçou minha mãe que chorava copiosamente.
    Na noite anterior, haviam encontrado um corpo no rio. Era do pastor. Tudo indicava que, quando Felipe tinha ido tomar banho no rio, houve um acidente. O pastor escorregou em uma das pedras traiçoeiras da margem e havia batido com a cabeça. Ele faria o batizado da filha de Tereza naquela manhã, e provavelmente fora averiguar de véspera as condições da água e do lugar. Todos na comunidade conheciam esse seu hábito. Todos...
    - Ele tinha marcado naquela manhã o batismo da Isadora, filha da Tereza. - minha mãe contou, entre lágrimas -Mas pelo que ela contou, o pastor não foi buscar. Acreditamos que ele tinha ido primeiro no rio preparar o lugar para o ritual, mas jamais imaginamos que isso podia acontecer.
    Enquanto minha mãe chorava, eu apenas olhei em direção ao meu pai, que a segurava em seus braços. Sua expressão impassível, sem vida. Não me atrevi a esboçar qualquer coisa.
    Eu e meu pai tínhamos um defeito incurável: éramos incapazes de nos abrir, mesmo um para o outro. O evento no balanço foi um dos momentos raros que desfrutamos apenas duas vezes na vida. A primeira, diante de minha incapacidade de lidar com um criminoso como Felipe sozinho. A segunda, no leito de morte de meu pai. Anos mais tarde.
    *
    Sem sabermos, mas intuindo, aquela seria a última noite de meu pai na terra. Eu tinha ficado para passar aquela noite com ele em seu quarto. Meu pai vinha lutando contra um câncer no esôfago havia um ano, resultado dos maços de cigarro que fumou desde que se atreveu a por o primeiro na boca, aos 15 anos.
    Naquela semana, ele havia apresentado um quadro de dores agudas. O qual já esperávamos. O medico havia me confidenciado que quando ocorresse, ele teria de ser internado, e muito provavelmente não sairia mais vivo dessa internação. Meu pai ficou uma semana internado em estado crítico, apresentando uma milagrosa melhora naquela tarde.
    Minha mãe e minha irmã atribuíram aquele estado ao resultado de suas orações, mas eu, como conhecedor da natureza, sabia o que realmente significava: era o corpo usando as últimas energias que tinha, uma vez que iria deixar aquele mundo para sempre. As criaturas usam esse último estimulo para que possam deixar resolvidas algumas últimas coisas que tenham a fazer na terra. Seja levar os filhotes a um local seguro em meio a catástrofe, seja para conseguir algum lugar com comida ou água, ou apenas para arranjar um leito mais reservado e confortável para morrer. Naquela noite, meu pai usou suas últimas energias para ter aquela conversa comigo. Há muitos anos atrasada.
    - Fábio - ele falava com dificuldades. Não devia fazer isso, mas se tinha uma coisa que meu pai era, era tinhoso.
    Eu, naquela altura, estava em meu último ano de faculdade, já morava longe de casa, em um apartamento que dividia com outros três amigos.
    Meu pai me ajudava as vezes, mas eu até conseguia me virar bem com os trabalhos temporários que arranjava.
    - Fábio. Eu... eu queria te falar... Na verdade, confessar.. pois imagino que sempre teve em mim um modelo... Mas... Eu fiz coisas, Fábio. Coisas que...
    Eu segurei a sua mão e apertei.
    - Eu sei o que o senhor fez... E digo: o senhor sempre foi e sempre será um modelo para mim. Pois por mais que o senhor possa acreditar que suas ações foram ruins, eu sei que sua motivação foi a melhor. E qualquer que tenha sido o resultado. Ele trouxe mais bem do que mal.
    Vi a lágrima escorrer de seu olho, que ele segurou com toda a sua fibra. Não respondeu nada, pois sabia que se o fizesse, desabaria.
    Do contrário, resolveu contornar o assunto:
    - Tem outra coisa... Algo, que eu não me orgulho de ter tido tanta vergonha de conversar contigo antes...
    Esperei. Pois essa eu não imaginava o que seria.
    - Eu... Eu sei que você tem um estilo de vida... Diferente. Acho que você comeu mais da metade de nossa cidade - e riu, com certo orgulho - e que você não tinha... Digamos... - tossiu - certas limitações. Seu apetite é voraz e sua opção de cardápio bem extenso - e riu.
    Apesar de surpreso, pois podia jurar que ele nem minha mãe jamais tocariam em tal assunto comigo, não tive como não achar graça de sua pouca maneira de tratar de tal tema. Lá estava ele, usando metáforas naturalistas, pois era um terreno onde se sentia mais seguro.
    - Só queria perguntar uma coisa... - tossiu - com os garotos... você dava ou comia?
    Foi como se de repente alguém tivesse puxado a tomada do fundo musical emotivo que tocava a nossa volta
    - O que? - soltei, segurando a gargalhada. Vendo que ele me olhava sério, resolvi responder - Comia. Só como, na verdade.
    - Graças a Deus!
    Desta vez, fui incapaz de resistir. Gargalhei tão alto que até a enfermeira que passava no corredor levou um susto .
    - Ah, pelos céus. Sou velho, nasci e cresci naquela cidade esquecida por Deus. Me deixe no meu leito de morte ser um pouco preconceituoso.
    E tossiu muito. Parei de rir e peguei água.
    Quando terminou de beber, voltou a falar, empregando toda a sua força naquilo. Mesmo sendo recomendável que ele repousasse, sabia que ele precisaria daquilo. E pra ser honesto, eu também.
    - Não interessa com quem tu deita - e pegou no meu rosto, algo que meu pai nunca fez - tenho orgulho do homem que se tornou. Se eu partir dessa terra hoje, parto feliz, pois sei que sempre haverá um homem forte que cuidará de sua mãe e irmã sempre que precisarem. O único homem a quem eu deixaria algo tão valioso em minha vida.
    Foi minha vez de segurar o choro. Meus olhos arderam de imediato. Mas em respeito a ele, segurei firme.
    Por sorte, meu pai estava empenhado em não deixar o momento ficar emotivo demais.
    - Mas diz aí, o filho do Amaral, sabe, o açougueiro metido a procriador.
    - O Breno - e ri – o que tem ele?
    Embora seu olhar maroto já me antecipasse seus pensamos. Naquele momento, meu pai, um policial aposentado, chefe de família e pai de dois filhos havia se convertido em um garoto da quinta série.
    - Você traçava ele, não é?
    Não respondi, mas não precisou.
    Dessa vez foi meu pai quem gargalhou. Tal esforço o fez chorar, dessa vez de dor, mas não parou mesmo após a enfermeira lhe dar uma bronca. Ele só cessou mesmo quando ela ameaçou me expulsar, dizendo que eu estava atrapalhando o seu repouso.
    Obedecemos, como duas crianças que acabaram de tomar esporro da mãe. Quando ela saiu, ele voltou a falar
    - Aí meu Deus, como eu queria ver a cara do Amaral, após se eu mesmo lhe contasse isso. Aí, morreria mais que feliz. - e então assumiu um semblante preocupado - mas ele mataria o filho se descobrisse. Do jeito que aquele homem era.
    - Breno está bem. Já mora em Recife agora, onde conseguiu fazer faculdade. Soube que se apaixonou por um marinheiro. Devem até casar. Está longe das garras daquele velho agora
    - Que bom. - suspirou - Que bom mesmo.
    E dali em diante, a conversa assumiu aquele tom animado, como ocorria sempre que caminhávamos juntos na mata, caçando, pescando ou apenas nos exercitando. Mesmo na faculdade, morando longe, eu fazia questão de ir quase todo mês para minha cidade, apenas para ter aqueles momentos com ele.
    Após sua morte, continuei visitando e cuidando, de minha mãe e irmã, como prometi, embora elas não precisassem. A pensão de meu pai era gorda e lhes proporcionava a vida confortável e, além disso, minha mãe praticamente assumiu todo o trabalho na igreja, que após três substitutos ao pastor Felipe não terem dado conta, tiveram de engolir o machismo e deixar uma mulher assumir a liderança do templo e da vida religiosa do lugar
    Mas apesar de ainda ir constantemente a minha cidade, nunca mais entrei naquelas matas. Pois sentia que aquele lugar, por maiores prazeres que tenha me proporcionado, não era mais meu, devendo apenas viver nas minhas boas memórias e nas lições que tirei de lá.
    Eu não era mais um filhote àquela altura e sabia que a caça não era apenas uma prática, mas um modo de estar no mundo, que perpetua em todos os ambientes da vida.
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  • Diego

    Pode acreditar!
    Foi uma grata surpresa a última noite, quando você tomou a liberdade de puxar papo e expor algo tão íntimo e revelador sobre sua pessoa, assim, na lata!
    Fiquei tão embasbacado e feliz, que passei a madrugada toda pensando em você e nos seus dramas.
    Eu sabia que podia ajudá-lo, já que vivi tantas e tantas vezes a mesma fase que você se encontra atualmente.
    Durante minhas rondas solitárias, cumprindo a obrigação profissional, eu rememorava coisas que já havia sentido a seu respeito e devo confessar que no fundo me senti vivo e agraciado pela possibilidade de conquistá-lo, onde eu poderia repassar a você muitas situações boas que vivenciei ao longo da minha atual existência.
    De um tempo pra cá, sempre que eu ia abastecer, pressentia que algo não estava no prumo. Enquanto você despejava gasolina e simpatia, para logo em seguida digitar os valores na “maquininha” e esvaziar um pouco mais o meu raquítico cartão de crédito, eu avaliava, em silêncio, as expressões do seu corpo, bem como o tom insosso da sua voz aflita.
    Aos poucos, fui captando gritante desequilíbrio no seu ser. Por pura afinidade, eu podia me envolver com a sua dor. Eu conseguia apalpar a barreira que você havia cultivado por tanto tempo, com medo de ser ridicularizado por aqueles que não tinham a mínima sensibilidade para compreender e respeitar o seu próprio limite.
    Eu percebia o ardor da sua exclamação entalado na garganta. Eu conseguia ouvir sua vontade louca de ter a quem recorrer na busca de um pouco de atenção e afeto; alguém que soubesse lhe ouvir, sem jamais julgar aquilo que corroia seu íntimo.
    Confesso que houve noites em que eu queria ousar um segundo passo, talvez chamá-lo num canto após seu expediente e passar o tempo que fosse necessário apenas a ouvir os seus anseios.
    Mas a barreira era enorme, quase intransponível. Eu temia me sentir um intruso. Afinal de contas, éramos apenas conhecidos e não havia nada que pudesse sugerir uma aproximação, uma oportunidade de boa amizade. Então resolvi ficar na minha, permitindo que o tempo cumprisse o seu devido papel. Daí o meu abilolado espanto quando você, do nada, chegou até mim-eu-mesmo e me confidenciou parte do seu problema. Seu jeito tímido, inseguro, ansioso mexeu tremendamente comigo.
    Eu sentia a amplitude da sua urgência ao acompanhar a procissão de um milhão de caraminholas dançando sobre sua cabeça e a ânsia a golpear seu peito na expectativa de obter uma resposta tranquilizadora da minha boquiaberta pessoa.
    Enquanto você tagarelava, todo dolorido, reprisava na minha cabeça o filme da minha própria vida, onde tantas vezes senti a mesma angústia, a mesma confusão mental, a idêntica ansiedade.
    Hoje estou estabilizado, pois aprendi a dominar muitas sensações infundadas.
    Não foi fácil (por isso sei muito bem como você se sente confuso), mas aos poucos consegui encontrar todas as respostas, ampliei minha maturidade e aceitei um jeito certo de viver uma vida prática, lógica e equilibrada.
    A origem das suas dores se deu exatamente no período em que você sofreu as tais operações. Culminando com o resultado desastroso da sua única experiência com drogas, no seu subconsciente se formou uma poderosa força destruidora, que tem afetado o seu lado psicológico e, por tabela, atingido também as partes mais sensíveis do seu corpo.
    Sem saber, você foi abalado tão negativamente durante a época em que você se recuperava da última cirurgia, que isso acabou “explodindo” tempos depois, onde o ápice do trauma se mantém até hoje, atrapalhado seu dia a dia; provocando essa maldita confusão nos seus sentidos inocentes.
    É como se você estivesse “viciado” na Dor.
    Qualquer alteração física no seu corpo, uma mínima indisposição que seja, faz com que você aumente – sem querer – a sensação de desconforto, e tudo passa a ganhar uma dimensão ridícula dentro da sua cabeça, o que amplia os níveis de ansiedade, culminando em isolamento e consequente depressão.
     
    Quando algo nos perturba e não encontramos uma saída ou resposta eficaz para solucionar um problema, é natural que passemos por um período de confusão mental que eleva nossos níveis de paranoia e, naturalmente, sem encontrar uma direção, caímos em estados depressivos, rodopiando num círculo vicioso sem fim, acreditando que nosso futuro será sempre sombrio, sem esperanças de um recomeço.
    Nós queremos fugir da dor, mas, ao mesmo tempo, ela se torna tão impregnada em nossa mente que ao menos sinal de melhora física ou paz interior, é como se ser feliz fosse um tremendo incômodo e logo retornamos ao vício do desespero, criando projeções mentais – a famosa paranoia! – que voltam a perturbar nosso espírito atribulado.
    É o que anda ocorrendo contigo: mesmo não tendo absolutamente NADA no lado físico, a todo instante você recorda os dramas pelos quais passou, projetando o passado no seu atual presente, não se permitindo levar uma vida normal, pois sua mente precisa “sofrer” e o seu corpo necessita da adrenalina que a dor proporciona, onde não sobra espaço para que você respire novos ares e viva com mais liberdade a sua vida.
    Para mudar os estados de apreensão, você precisa aprender a cultivar o Foco, isto é, redirecionar os pensamentos para coisas positivas e construtivas, impedindo que o vício na dor se manifeste.
    Com o tempo, quando você resolver idealizar situações lógicas e REAIS, você perceberá o quão ridículo tem sido sua existência até ontem e finalmente compreenderá que a Dor nada mais tem a acrescentar no seu destino.
    Uma vez enfraquecido todos os níveis de desconforto, como que por mágica a Depressão vai embora e então você passa a ver o mundo sob um novo prisma, compreendendo a razão de tudo ao seu redor, angariando uma força e uma vontade louca de viver em plenitude como você jamais imaginou.
    Sempre que você se sentir fraco e “sem chão”, apenas recorde tudo aquilo de bom que você já conquistou. Com o tempo você vai descobrir que bastam poucos minutos para que você sinta e compreenda o incrível poder regenerador que sempre fez morada em você!
    Puxa vida, Diego, você é um homem batalhador que já superou tanta coisa!
    Você é lindo, é jovem, é esforçado, é inteligentíssimo, é sensível, é corajoso, é forte e é decidido. Apenas se sente incompreendido e não encontra forças para manter sua autoestima.
    Aprenda uma coisa superimportante: só você pode salvar você mesmo, pois a salvação do homem está em si e não “lá fora” ou “no alto”.
    Tenho certeza que todos os seus passos foram dados com muita dificuldade, mas você tem que olhar para trás e se sentir orgulhoso pelas conquistas que já alcançou.
    Você deixou o lar paterno lá no Paraná e hoje tem um canto só seu; pouco importa se você mora num quartinho ou num palácio, mas é o seu espaço.
    Você tem sua motoca lindona, uma companheira arisca a lhe proporcionar a liberdade de ir e vir. Que tal, nas horas vagas, você se dar de presente passeios descompromissados aqui mesmo na nossa tão bela região?
    Por que não passar boas horas conhecendo novos destinos, talvez parando numa vilazinha tranquila e tomar um substancioso lanche, talvez rodando por estradas fora do “burburinho” e curtir a natureza, talvez ousar um pouco mais num feriado qualquer e traçar um plano de viagem até um lugarzinho especial que você sempre quis conhecer?
    Viajar é a melhor universidade da vida!
    E se você ainda não estiver preparado para sair e prefere degustar mais a sua privacidade, um bom conselho é começar a ler.
    Um livro é uma ótima companhia. Além de você curtir uma história inusitada, o ato de ler constantemente vai lhe proporcionar só benefícios: amplia sua cultura e os deleites da imaginação, melhora o seu vocabulário, te leva a conhecer outros mundos e, o mais importante, auxilia você a não permitir que a Dor volte para lhe incomodar.
    Ler é experimentar maravilhosas possibilidades infinitas para um certeiro crescimento interior!
    E se você quiser uma excelente companhia para desbravar a biblioteca da nossa cidade, seria um prazer imenso passar um tempo contigo escolhendo títulos “da hora” para você iniciar o gosto pela leitura.
     
    Ainda sobre conquistas, aprenda a se valorizar como se deve. Está na hora de você curtir mais você mesmo.
    Separe um dia para perambular por aí, talvez para comprar algo que vá lhe fazer bem, realizar um sonho antigo, ir até algum lugar cultural que você nunca foi, como um teatro, por exemplo.
    Ou tire um dia para dar uma de A Espana Dora (risos), limpando armários e caixas, separando tudo aquilo que não tem mais serventia para você, doando os seus excessos para alguém anônimo que necessita apenas do básico para ser feliz.
    Acredite: é tão bom viver com o que é realmente necessário, sem superficialidades. Além disso, o ato de doar sempre coroa nossa existência com fagulhas da real Felicidade.
    É tão gostoso saber que algo que não tem mais serventia pra nós será útil para um estranho! É tão gratificante saber que um objeto material que era nosso vai fazer alguém pular de alegrias!
    E se não tiver nada físico para doar, empreste o seu tempo!
    É nos trabalhos voluntários que podemos sentir que há realidades bem mais complexas do que a nossa. Saber que nossa “dor” muitas vezes nem se compara às vicissitudes que permeiam a vida de outro Semelhante, isso faz com que aprendamos a dar muito mais valor a nós mesmos.
    Para se libertar de uma vez do seu atual drama, o que você precisa é realmente acreditar que tudo não passa de projeções da sua mente que, de certa forma, “infeccionam” as partes mais sensíveis do seu ser.
    Alterando o foco com atitudes simples como as que foram descritas ao longo desse relato apaixonado, você vai descobrir que a Dor não tem sentido de existir.
    Para mudar qualquer coisa na nossa vida, primeiro devemos compreender as razões das nossas atitudes, modificar nossa conduta e disciplinar nossos atos, policiando a todo instante os nossos erros, tentando corrigi-los assim que eles se manifestem no decorrer do nosso dia a dia.
    Diego, não tenha medo de dar o segundo passo. Você é tremendamente forte e tenho certeza de que você quer se libertar desse estado de agonias.
    Tudo o que você precisa é de alguém que permaneça ao seu lado, disposto a lhe dar atenção, sendo paciente diante das suas recaídas; sempre atento a lhe amparar e indicar um bom caminho a seguir.
     
    É realmente muito difícil reagir quando nos encontramos acuados em nós mesmos, com medo de revelar ao mundo algo que nos incomoda. Confusos, desconfiamos de todos e tememos expor nossos limites, angústias, anseios e sonhos.
    A maioria das pessoas não quer conviver com outras pessoas que elas consideram “problemáticas”. Afinal de contas, em suas conveniências, não é interessante a obrigação de se assumir o fardo alheio.
    É complicado passar séculos a engolir em silêncio o nosso grito de socorro, onde imploramos em nossas preces o desejo oculto de encontrar uma alma compreensiva que esteja disposta a aparar nossos espinhos, a fim de revelar a incrível beleza que se oculta em nosso interior.
    Muitas vezes sentimos uma vontade louca de falar, falar e falar, tendo plena certeza de que o outro lado está compreendendo nossos transtornos, sem julgar a razão dos nossos defeitos.
    Há dias em que acordamos esperançosos, apenas com o intuito de cruzar com alguém que nos complemente; alguém que nos ouça, nos dê gotas de nova direção, nos aqueça num longo abraço fraternal, nos acaricie a estima e o amor-próprio, elevando nossas qualidades, enaltecendo nosso potencial.
    Acredito que sentimos falta de alguém que segure nossas mãos com delicadeza, e com muita paciência e doçura nos ajude a compreender nossos lamentos, transformando-os em alegrias duradouras.
    * * *
    Diego, nas últimas horas eu tenho refletido com muito carinho sobre a raiz dos seus problemas. Desde então não há um minuto sequer que deixo de incluir você em meus pensamentos, ansioso para lhe confortar e ajudá-lo a recuperar a vontade de viver sem mais nenhum tipo de dor, seja ela de que origem for.
    Não tenho capacidade de descrever em palavras o quanto eu já lhe estimo. Nem sei se você conseguiria compreender esse meu sincero apreço por você.
    Eu me identifico com tudo o que você está passando e no meu íntimo só acumulo o desejo sincero de – um jeito todo especial – cuidar de você.
    Que alegria será o dia em que eu lhe ver sem as olheiras cinzentas que hoje denunciam suas madrugadas em brancos confusos.
    Que mágico será o momento em que eu conseguir recuperar aquele seu sorriso lindo, observando você leve, confiante e muito bem preparado a iniciar uma nova trilha sonora.
    Que fantástico será o minuto em que eu tiver a oportunidade de cobrir seu corpo com a força do meu abraço pelúnico, onde o calor dos meus músculos dirá a sua mente: “Estou aqui para lhe proteger com o carinho de um irmão”.
    Espero que um dia ainda possamos sentar à mesa de um bar lá no Parque Ecológico, bebericando nossos sucos ou degustando nossos sorvetes, recordando todas as nossas futuras conversas, rindo das trapalhadas dos tempos em que você era mancomunado com a Dor, recordando o longo caminho que percorremos juntos à procura da sua merecida liberdade, coroando nossa amizade durante a contemplação de um lindo por do sol, indicando que um novo dia está por nascer. Um novo dia para ser feliz!
    Eu descobri que gosto muito de você!
    Quando você precisar da minha energia, estarei ao seu lado para segurar todas as barras, servir como um Bom Ouvido e permitir que você possa se apoiar em meus ombros nas horas em que notar a presença das incertezas.
    Serei paciente para ouvir o que você precisa desabafar. Secarei suas lágrimas, se necessário; e guardarei uma palavra de conforto para abrilhantar o seu caminho.
    Agora você deve fechar os olhos.
    Sinta aquele meu abraço repleto de carinhos e muito respeito.
    Aprecie a amplitude do meu Amor!
  • É assim que a Magia se manifesta!

    Primeiro você é tomado por uma inexplicável sensação de paz. Depois, quando seu íntimo aquieta, você ouve o cheiro daquela pessoa num tom lavanda. Logo em seguida, você reconhece no seio da multidão o brilho único daquele olhar irlandês. Enfim, dois sorrisos florescem. É o brinde perolado da Certeza. Há uma aproximação magnética, natural, quase encantada. Abobados, você toma a iniciativa, oferecendo um eletrificante aperto entre mãos trêmulas. Em doce sintonia, ambos caminham lado a lado, até encontrar um canto seguro pré-demarcado pelo Destino. Apesar da timidez, rola um delicioso papo repleto de límpidas afinidades, mesclados numa ingênua liberdade de sorrisos e olhares em irretocável sintonia. É assim que nasce uma verdadeira AMIZADE que pode culminar em qualquer matiz do AMOR.
  • É errado te amar?

    07:45 A.M

    Ethan se sobressaltou quando o despertador tocou, ele não estava mais dormindo, mas só de pensar no que lhe esperava dava preguiça de levantar. O quarto estava escuro apesar de já ser de manhã, talvez o fato do tempo lá fora estar horrivelmente nublado tivesse alguma parcela de culpa.

    O garoto suspirou exasperado já se lembrando do que lhe aguardava. Naquela manhã nublada e fria seria seu primeiro dia em um novo colégio; mais um para a sua longa lista de colégios ridiculamente caros, com pessoas idiotas e esnobes que pensavam que eram melhores que as outras por terem tido a sorte de nascer em uma família rica, e aquilo, na opinião de Ethan, não era motivo para se gabar, afinal qual era a grande coisa de poder dizer que vinha de uma família com status? Do que adiantava ter tanto dinheiro, mas não ver a cara de seu pai por um mês inteiro por causa do trabalho dele? Ou mesmo poder comprar tudo o que queria e não poder dar a quem queria? Quando se era rico assim, não se podia sequer confiar nas pessoas, o que resultava em uma triste e solitária vida e aquilo era algo que Ethan não queria para si.

    Ele se forçou a sair da cama, que era grande demais para apenas uma pessoa, e jogou os lençóis de lado se sentindo exausto, arrastou-se até o banheiro e se encarou no espelho, mas imediatamente se arrependeu de tê-lo feito. Na verdade se arrependia de ter feito o que fizera na noite passada.

    Apenas para fazer raiva a seu pai, que nunca estava em casa, mas quando chegava queria mandar em sua vida, saiu passando a noite quase toda fora, havia chegado há apenas três horas e dormindo mais ou menos uma hora e meia. Seus cabelos estavam uma bagunça, sua roupa extremamente amassada, com marcas de batom e cheiro de perfume caro que as garotas tinham deixado nele. Pôs as mãos nos olhos e massageou as pálpebras doídas com a ponta dos dedos, suspirando ainda mais exasperado que antes, parecia que recentemente tudo o que ele fazia era suspirar, não importava o quão bom tinha sido sua diversão, logo após ele continuava se sentindo vazio.

    Depois de ter certeza de que não tinha mais jeito, Ethan se despiu e ligou o chuveiro; não usou a banheira, pois se o fizesse não sairia dali tão cedo e acabaria perdendo o dia de aula. A água quentinha lhe escorria dos cabelos aos ombros e em seguida para todo o corpo, aquilo lhe acordou um pouco e depois de apenas alguns poucos minutos em baixo da água, teve que sair; fechou os olhos e ergueu a cabeça passando uma toalha por seus quadris. Estava mais magro que antes, agora sentia seus ossos pélvicos mais salientes e talvez fosse todo o estresse que vinha passando.

    O garoto realmente queria evitar se encontrar com o pai quando estivesse saindo, o que era pouco provável, já que ele estava trabalhando em casa aquele mês e essa era noventa por cento da razão de seus problemas.

    Ethan pegou a primeira roupa que achou e vestiu, não estava com disposição e nem via motivos para se preocupar com a aparência, e também não se interessava muito por moda, mas a roupa até que lhe caiu bem, na medida do possível. Sua calça jeans preta não chamava atenção, mas contrastava com a blusa branca de algodão estilo moletom, porém o casaco preto que havia posto por cima a encobria parcialmente e além de lhe proteger daquele frio ridículo que fazia, ainda lhe ajudava com a sua "camuflagem", finalizando com uma bota marrom e a mochila também preta, que norma da escola. Ele arrumou os cabelos, ou pelo menos tentou deixá-los meio normais, já que eles achavam que tinham sua própria vida e continuavam saindo e voando pra onde queriam, então desceu as largas escadas que davam para a sala de visitas e de jantar com cautela para, infelizmente, ver que seus pais já estavam tomando café da manhã ali.

    Ethan ainda não tinha se acostumado àquele local, só fazia uma semana que haviam se mudado e era tudo muito novo; não que a casa não fosse tão extravagante como a antiga, mas o ambiente era diferente. Ele respirou fundo tentando juntar coragem e força de vontade para tentar pelo menos ter um diálogo decente com seu pai, um que não acabasse nele saindo furioso enquanto o outro lhe chamava de inútil, entrou no cômodo indiferente, como se não houvesse aprontado nada na noite passada e também como se seu pai não existisse ali.

    — Bom dia mãe. — se aproximou lhe dando um beijo na bochecha — Acho que estou meio em cima da hora, então estou indo; até sexta.

    Um fato bom sobre o novo colégio era que havia dormitórios e os alunos podiam optar por passar o período de aulas lá e voltar para casa apenas no final da semana. Ethan estava mais do que grato por isso e muito ansioso para sair logo daquela casa.

    — Ethan... — ele congelou no lugar e girou sobre seus calcanhares roboticamente para olhar para seu pai, que estava com a mesma expressão entediada de sempre — espere um minuto, eu irei lhe deixar.

    — Hã... não precisa, não, mas valeu mesmo. — ele aproveitou para fazer uma careta, já que o homem estava ocupado demais olhando para o celular.

    — Eu não estou perguntando, estou avisando. Agora se sente e coma.

    — Por quê?! — Ethan piscou algumas vezes encarando o pai sem realmente entender o porquê daquilo — Porque perder seu tempo me levando?! E não venha me dizer que é por você estar "preocupado" comigo, pois eu sei que não é.

    — Nada em especial. — seu pai falou, finalmente desgrudando os olhos da tela do aparelho e lhe encarando — Apenas preciso falar com a Diretora Solar, explicar o motivo de você estar se matriculando tão tarde, no meio do ano letivo.

    — Eu posso falar com ela sozinho, não precisa gastar seu "precioso tempo" comigo. — Ethan falou aquilo fazendo com que, sem querer, saísse com mais veneno do que o esperado; seu pai levantou da cadeira e estreitou os olhos fazendo sua boca secar.

    — Eu já decidi que vou com você e ponto final, goste você ou não. Não é como se eu quisesse ir também, então quanto mais rápido formos, mais rápido isso acaba para nós dois, hum?! Não insista em dificultar a minha vida.

    — Edmund, Isso é jeito de falar com seu filho? — sua mãe encarava seu pai com um olhar severo, mas ele apenas a ignorou.

    — Bom... — Ethan sabia que não devia começar uma briga com seu pai porque sempre sairia perdendo, mas seu orgulho não lhe deixava engolir as palavras do outro — Dificultar sua vida é a única coisa que tem de legal para fazer na minha vida monótona e rotineira. Dificultar a sua vida é a melhor coisa que eu tenho pra fazer, e cá entre nós, se a sua vida fosse perfeita em casa também, enquanto todo o resto funciona perfeitamente, não seria muito justo com as pessoas que vivem de forma infeliz, certo?! Só estou tentando manter o equilíbrio.

    — Chega, os dois, comam comportadamente e em silêncio ou saiam.

    Ethan abriu a boca para falar, mas ao olhar para a expressão facial de sua mãe, sabia que a tinha magoado, então resolveu parar por ali; mesmo sabendo que a situação não era nada justa, resolveu não falar mais nada, afinal não ia adiantar muita coisa, talvez só servisse pra deixar o velho ainda mais irritado. Eles seguiram para o tráfego sem terminar o café, o clima estava realmente tenso no carro, sua mãe tinha permanecido em casa e estava apenas os dois juntos, o que nunca acabava bem.

    — E então, sobre ontem à noite...

    — Não quero falar sobre isso.

    — Mas eu sim. — a voz do homem voz soava calma — Não peço que você pare de sair e curtir, Ethan, afinal ainda é jovem, mas pelo menos evite fazer este tipo de "show". Já se esqueceu da última vez?!

    — "Esse tipo de show"? Se estiver preocupado que eu vá ser pego em alguma calçada por aí, drogado e desmaiado, não se preocupe...

    — Não é nada disso que você está pensando, e que história é essa de "drogado"?! Está usando drogas agora?! Você tem merda na cabeça ou é apenas muito idiota?! Pense na sua mãe, ela estava muito preocupada. — por um momento ele soou como se realmente se importasse, mas com certeza era apenas impressão — Nunca lhe impedi de fazer o que queria, você sempre sai para onde quer, leva quem quer pra casa e eu nunca cortei a sua mesada, na verdade lhe dou mais do que você merece. Se não gosta de mim, não posso fazer nada sobre isso, nem sei quais são os seus motivos, mas não haja como um idiota apenas para me afetar, pois a única pessoa que você fere é a sua mãe e ela não merece esse tipo de comportamento de você.

    — Você fala como se se importasse com nós.

    — Ela é minha esposa, é claro que eu me importo.

    — E essa atuação faz parte do seu personagem de "homem perfeito" ou está apenas tentando me irritar?

    — O quê...? Ouça, seu garoto ingrato...

    Ethan revirou os olhos e pôs seus fones de ouvido no volume máximo, não queria ouvir mais as mentiras daquele homem, não o conhecia mais e estava cansado de ser tratado como um idiota por todos. Ele só estava fazendo aquilo para puní-lo, Ethan sabia muito bem disso, sabia também exatamente o que ele queria dizer com "conversar com a diretora Solar". Ia explicar a mulher o quanto ele podia ferrar com a vida dela e com a escola caso alguma coisa acontecesse e vazasse, fazendo a mídia se envolver. Ia ser uma conversa mais ou menos assim:"Olha aqui, se esse garoto aprontar alguma coisa e aparecer qualquer que seja o comentário na mídia, eu acabo com vocês".

    Da última vez, quando a mídia se envolveu, ele tinha que admitir que as coisas ficaram feias para sua família por um tempo, mas afinal como ele ia saber que o simples fato de acender um cigarro na escola ia se transformar em uma notícia como aquela?

    "O adolescente, mais conhecido como Ethan Fitzgerald — filho do milionário Edmund Fitzgerald e da renomada escritora de best-sellers, Dakota Fitzgerald — foi pego em flagrante usando drogas ilícitas na escola, o garoto descrito pelos colegas como problemático já foi pego praticando coisas semelhantes em suas escolas anteriores, escolas as quais o mesmo foi expulso. Brigas, vandalismo, posse de drogas e instrumentos que poderiam ser usados como armas são apenas algumas das acusações em seu longo histórico de feitos vândalos. Apesar de tais fatos nunca terem sido confirmados, o simples fato de terem surgido não servem como prova de tais atos?! Porém as perguntas que não querem calar são: Será que o garoto é um viciado? Porque seus pais nunca mencionaram que seu único filho sofria de transtornos psicológicos...?"

    E assim ele ficou conhecido como "um lunático violento e viciado em drogas que envergonhava o nome da família". Por isso seu pai perdera muitos contratos com grandes empresas sócias e muito de seu crédito e fama na cidade onde moravam, e por esse mesmo motivo tinham se mudado para uma nova cidade, onde seu pai conseguira bons contatos e assim, sócios para fechar negócios.

    Ethan estava tão perdido em pensamentos que nem se deu conta que seu pai estava dirigindo em uma estrada de terra com grama morta dos lados, a estrada parecia infinita; ele não lembrava ao certo quando tinham adentrado nela e não conseguia ver seu fim. A paisagem era quase mórbida com a grama amarelada dos lados e o céu cinza acima deles. Depois de mais alguns longos minutos com o carro sacudindo pela estrada maltrapilha, ele finalmente avistou uma enorme construção ao longe. Quando o homem lhe dissera que era "grande" ele não imaginou aquilo tudo; o colégio parecia mais como o campus de uma faculdade.

    Ao chegarem, seu pai entrou em um grande estacionamento de piso lustroso e lâmpadas amareladas no teto até onde se conseguia ver, o que particularmente ele achou um tanto sem nexo, afinal era só um estacionamento. Quando finalmente estacionaram, ele saiu do carro o mais rápido possível, já era humilhante o suficiente ter ido até ali com seu pai de imagem perfeita, não era preciso que soubessem que ele era seu filho, não queria má fama assim que chegasse, então começou a caminhar rapidamente sem ter certeza de para onde estava indo; apenas seguiu a claridade natural que vinha do grande portão por onde haviam entrado.

    — Ethan, onde você está indo? — perguntou o homem erguendo uma sobrancelha perfeitamente delineada, caminhando na direção contrária.

    — Para a minha aula, não é óbvio?

    — Seria falta de educação eu ir falar com a Sra. Solar e não levá-lo comigo para que se conheçam. — disse ele com um sorrisinho que Ethan havia aprendido a odiar e temer — Você irá até lá comigo.

    — Porque eu preciso fazer isso?! — ele suspirou exasperado pela terceira vez em apenas uma manhã, estava começando a se alterar — Você está fazendo isso como uma forma de punição?!

    — Punição? E porque eu faria isso? Porque você acha que merece ser punido, Ethan?

    — Por causa da... notícia?! E... pela noite passada, talvez?!

    — Nós já conversamos sobre aquela notícia e tenho certeza que você se lembra muito bem. — ah e como Ethan se lembrava, o que ele não conseguia fazer, era esquecer — E quanto à noite passada, quando tentei falar com você no carro, você me ignorou, e não falaremos sobre isso aqui, não é o lugar adequado, mas conversaremos uma outra hora. Não pense que eu me esquecerei disso. — os olhos de seu pai faiscaram ameaçadoramente.

    — Então me deixa ir para a minha sala, vai. Ninguém precisa saber que você é meu pai; nós dois saímos ganhando, você mesmo disse que não queria fazer isso.

    — Já chega, Ethan, você vai lá comigo e pronto.

    — Porque você sempre faz isso?! É só para me ver assim, chateado?! Você gosta tanto de abrir ainda mais o espaço gigantesco que existe entre nós?!

    — Você não consegue pensar que eu faço alguma coisa por você, porque eu sou seu pai e me preocupo com a sua vida?! — o homem pareceu sério — Mesmo assim quem aparentemente gosta de aumentar mais ainda o espaço entre nós é você, fazendo de tudo para me envergonhar. Hunf, custa tanto assim fazer algo que eu peço uma vez na sua vida?

    — Sempre a mesma coisa... Só se preocupa com esse seu nome de merda. Desculpe, mas não acho que você saiba o que é amar, respeitar ou se preocupar com mais alguém que não seja você mesmo. — por um momento a sombra de uma expressão que parecia mágoa passou pelo rosto de seu pai, mas logo ele se recompôs parecendo mais chateado que antes.

    — Ótimo, agora que você entendeu a sua situação, podemos ir?!

    — O quê? — Ethan não estava acreditando naquilo.

    — Você vem sozinho ou quer que eu vá até aí e lhe carregue até a sala da diretora, Ethan?

    — Você não se atreveria.

    — Mas não foi você mesmo que disse que eu não sei o que significa "respeitar ou se preocupar com alguém a não ser eu mesmo"?! Essa situação só favorece a mim, não é mesmo?! Não é sábio da sua parte duvidar de mim.

    Seu pai, que já havia caminhado alguns metros — Ethan havia parado no lugar, perplexo — parou e lhe olhou com aquele sorriso que sequer chegava a mexer em seus gelados olhos, aquele sorriso que Ethan conhecia tão bem, porque era exatamente o mesmo que um dia ele amou e admirou, infelizmente. Se ele tinha achado humilhante ir até o colégio com seu pai, imagina então ter que entrar sendo carregado por ele. Odiava aquele fato, mas infelizmente eles se pareciam bastante um com o outro, claro que não do jeito que ele gostaria que fosse, afinal se pudesse escolher alguma coisa do homem, talvez escolhesse a altura e os músculos.

    Seu pai era o tipo de todo mundo, o tipo "bonito e rico de morrer".

    Era bastante alto, com 1,92 de altura, pele pálida, olhos azuis-turquesa e tinha os cabelos, que era a principal atração. Cabelos ruivos com tons variados do vinho ao laranja, cortados curtos e muito bem arrumados para não ficar nem um único fio fora do lugar. Os fios escuros se misturavam com os mais claros e quando ele andava pareciam às chamas de uma vela dançando de acordo com o vento; era hipnotizante olhar para Edmund Fitzgerald, com seus olhos gelados e seus cabelos quentes. Seu sorriso era frio e indiferente assim como o olhar e mostrava dentes brancos e alinhados, contrastando com o cavanhaque perfeitamente feito e nem uma única imperfeição na pele. Para completar a sua imagem de "deus", um terno caro e bem alinhado acompanhava sua postura perfeita, ele parecia ter nascido para aquilo; era intimidador olhá-lo... As pessoas queriam ser ele ou queriam ser dele.

    Na sua frente Ethan parecia um experimento que não havia dado certo. Ao invés da altura ou dos músculos, ele herdara apenas os pontos fracos do pai; pelo menos nele eram pontos fracos. Era uma versão meio destrambelhada do outro, uma espécie de rascunho.

    Enquanto seu pai era alto e com a postura perfeita, Ethan era baixo para a média da sua idade, apenas 1,68 de altura, e não se importava muito com a postura ou com as roupas. Tinha o cabelo ruivo também, mas o pintava e por isso era bem mais escuro que os do pai e bem maior também. Enquanto o do homem era cortado curto, com apenas um pequeno topete, o seu era comprido, chegando quase até os ombros; os tons dos fios dos de seu pai eram mais para vermelho e laranja enquanto os seus ficavam mais para o vinho e o castanho por conta da tinta, só dava para notar que era vermelho se estivesse no sol ou em um lugar bem iluminado que desse para ver o reflexo, mas com a mudança e tudo o que havia acontecido, a bendita tinta estava saindo e ele não tinha tornado a pintá-lo, o que era estranho, já que a raiz era vermelho-alaranjado e as pontas castanho-acobreado.

    Seus dentes também eram muito brancos e alinhados, o que lhe deixava bem chateado; a pele também era tão pálida quanto à de seu pai, quase como um zumbi, porém não era tão imaculada assim, afinal ele tinha vários machucados antigos e cicatrizes de brigas passadas, as quais ele sempre se metia. Por outro lado, Ethan também se parecia um pouco com sua mãe, como por exemplo, a estatura baixa e magra, a aparência frágil e élfica quase feminina, de características pequenas; rosto pontudo, nariz arrebitado, que passava certo ar de superioridade, e olhos cinza tempestade.

    Ele sempre sofrera com o fato de ter a aparência frágil demais, lembrava que em seu último colégio fora perseguido até o último dia de aula por um de seus colegas de classe; o maldito não lhe deixara em paz um único dia por causa de sua aparência e tornou sua vida escolar um inferno. Sempre batia nas mesmas teclas, perguntando se ele tinha mesmo "alguma coisa" entre as pernas ao invés de um "espaço vazio" como as meninas.

    No seu penúltimo ano do fundamental havia também quatro garotos que sempre o cercava fazendo piadas idiotas, no último dia, antes das férias do meio do ano, porém eles o arrastaram para um local afastado da escola enquanto ele caminhava em direção a seu carro; o líder do grupo disse que não acreditava que ele era um garoto, insinuou que ele era uma garota transvestida e isso o deixou espumando de raiva, ele bem que tentou lutar, mas os outros estavam em maior número e as coisas começaram a dar erradas tomando um curso diferente, lhe fazendo sentir medo de uma briga pela primeira vez na vida.

    O garoto que parecia comandar o grupinho de vândalos começou a lhe tocar em lugares estranhos e constrangedores enquanto os outros riam como idiotas, como se ele fosse, de fato, uma garota. Ethan teve que lutar muito e depois de ser molestado por todos quatro e ter sido espancado quase até desmaiar, por ter resistido, finalmente conseguiu fugir, não sabia como, mas conseguira voltar para as proximidades do colégio e seu tutor lhe achara tropeçando pelas ruas, o levara de volta para o carro e seguiu para a sua casa.

    Ethan estava em choque e completamente detonado; seu nariz estava quebrado, as costelas machucadas, cortes no rosto, sem seus tênis ou blusa da farda. Quando entrou em casa e sua mãe lhe viu, veio correndo ao seu encontro perguntando o que havia lhe acontecido, seu pai chegou logo depois, com um ar carrancudo e perguntando o que era todo aquele barulho e ao lhe encarar, sua expressão se transformou de raiva para nojo.

    — Olha só o que aconteceu com seu filho Edmund, isso não pode continuar. — mas a única coisa que ele fez foi olhar para Ethan com olhos gelados como um iceberg, bufar em desprezo e dizer simplesmente:

    — Se você não é homem o suficiente para ficar e brigar ou para se defender, pegue pelo menos o que restou da sua dignidade, se é que tem alguma, e vá a um hospital sozinho, sem precisar vir chorando para a sua mãe. — ele virou para sua esposa e continuou — Satisfeita Dakota? Olha só o que você fez, criou um covarde, um garoto que não serve para nada. O que ele fará quando você não estiver mais aqui? — dizendo isso ele se virou e voltou ao seu escritório.

    Sua mãe chamou o médico da família, que arrumou seu nariz e enfaixou suas costelas, Ethan não chorou na frente de seu pai ou dela, muito menos de seus agressores, mas no silêncio do seu quarto, enquanto tirava as ataduras para tomar um banho, sentiu a garganta apertar. Enquanto tomava banho e a água tocava seu rosto, ele sentiu as lágrimas descerem calmamente mornas, se misturando a água, sentou-se no chão, sozinho, no silêncio e só então chorou; não que se orgulhasse de demonstrar tamanha fraqueza, mas não conseguira segurar.

    Ficou observando seu sangue misturar-se a água e escorrer pelo ralo pelo que pareceram horas, quando finalmente saiu do banho e vestiu seu pijama, deitou na cama e abraçou o travesseiro, momentos mais tarde sua mãe bateu na porta e entrou sentando-se ao seu lado, botou um travesseiro no colo e ele deitou-se em suas pernas, ela disse que lhe contaria uma de suas histórias, exatamente como quando ele era criança.

    Ela lhe acariciava os cabelos enquanto suas lágrimas caíam mornas molhando o travesseiro, começou com a voz suave de sempre e Ethan fechou os olhos ouvindo aquela voz calma e meiga que era como bálsamo para sua alma; a história dizia o seguinte:

    "Há muito tempo atrás, existiu uma pequena aldeia a qual era lar de um garotinho, esse garoto era o mais menosprezado de todos por não ter altura ou porte físico, todos riam e zombavam dele pelas costas, até mesmo seus pais o desprezava por causa de sua aparência pequena e magra, o pobre garoto todas as noites chorava em silêncio, mas o que seus colegas não sabiam era que ele vinha de uma linhagem muito, muito antiga e rara. Uma família que tinha poderes sobrenaturais. Essa família era um clã, que por acaso era o clã que protegia a aldeia, mas quando o garotinho falou para seus amigos eles zombaram ainda mais dele. Porém, um dia inimigos invadiram a cidade e o garotinho magro o qual todos riam, se transformou em um enorme dragão negro, com olhos amarelos que paralisavam quem ousasse olhar, com asas tão grandes e fortes que jogava os inimigos do outro lado do mar, com um poder de fogo tão forte que com um único jato queimou todos os navios, os reduzindo a cinzas. Depois disso todos queriam ser amigos do garoto e ele viveu o resto de seus dias feliz, mas antes ele aprendeu que: Mesmo coisas pequenas podem se tornar grandiosas".


    Ethan no outro dia foi até o centro da cidade e fez uma tatuagem para lhe lembrar daquele dia. Ele gravou aquele dragão da história de sua mãe na sua pele, porque ele sabia que era como aquele garoto, aparentemente frágil e covarde para as pessoas, mas por dentro, tão forte quanto um dragão.

    ***

    Quando Ethan finalmente voltou ao presente, percebeu que já estavam caminhando em um corredor apinhado de alunos curiosos que sorriam ou faziam cara feia e cochichavam entre si, até que finalmente chegaram à porta aonde se podia ler "DIRETORIA" e entraram.

    A mulher que veio ao encontro deles era alta, por volta de seus trinta e poucos anos, com olhos e cabelos negros. Seu cabelo estava preso em um perfeito rabo-de-cavalo bem apertado no topo de sua cabeça, tinha cílios grandes e cheios e um estranho brilho nos olhos, que os fazia parecer estarem sempre arregalados; usava um terninho cinza, sapatos pretos de salto e um batom excessivamente vermelho. Ela lembrava a Ethan uma vilã ou uma bruxa má dos contos de fadas, só um pouco mais moderna, mas com as mesmas características marcantes que eram:

    1ª) as unhas e os lábios, 2ª) os olhos e 3ª) as sobrancelhas, que eram muito arqueadas. Ela estendeu uma mão pálida, com dedos longos e unhas vermelhas e pontudas, assim como os lábios.

    — Olá Sr. Fitzgerald, é um prazer receber você e seu... filho aqui. — ela lhe olhou de cima a baixo com desprezo nítido o suficiente para lhe fazer ficar desconcertado.

    — Sim, igualmente. Então, eu gostaria de lhe explicar a situação.

    Seu pai conversou com a diretora por bastante tempo e Ethan ficou observando-o flertar com ela; quando ela disse que estava faltando alguns documentos para a conclusão da matrícula ou quando tentou insinuar que Ethan não era qualificado para estudar na escola ou mesmo que já estavam na metade do ano letivo — já haviam passado até mesmo das férias de verão e Agosto já estava começando — ele sorriu e falou em como os olhos dela eram admiráveis e ela finalmente cedeu, e no final ainda lhe pediu seu número... Vê se pode?

    Depois de esperar por pelo menos meia hora, Ethan começou a se distrair novamente, ele lembrou que enquanto caminhava pelo corredor algo no meio daquela multidão de rostos tinha chamado sua atenção, não foi bem uma coisa que ele soubesse definir, pois estava muito perdido nos próprios pensamentos para ter prestado atenção, foi apenas uma impressão, como se a parte de seu subconsciente que estava funcionando tivesse prestado atenção por ele, era só uma vaga lembrança que começava a ficar nítida agora... A lembrança de um par de olhos incrivelmente dourados lhe seguindo tão intensamente, que chegou a tirar-lhe o fôlego.


    ~ C O N T I N U A ~

  • Entre Jotas

    "Homens sábios dizem
    Que só os tolos se apaixonam
    Mas eu não consigo evitar
    Me apaixonar por você"

    Mesma mesa, mesmo café, mesmo pôr do Sol
    Mesmo cheiro de canela, mesmos clientes, mesmas conversas ao fundo
    Mesmas 18:37 marcadas no relógio dourado, mesmo tilintar da porta anunciando tua chegada,
    Mesmo sorriso escondido meu te dando boas-vindas, mesma saudade em meu peito de tua presença
    Mesma parede de tijolos que descia por tuas costas, mesmo banquinho, mesmo violão em teus braços
    Mesmos onze passos da minha cadeira até a ponta de teus pés, mesmas distâncias entre mim e tu,
    Mesmo longe, mesmo perto

    "Eu deveria ficar?
    Seria um pecado
    Se eu não consigo evitar
    Me apaixonar por você?"

    Mesmo caderno de anotações abaixo de meus pulsos, mesma caneta desenhando teu rosto em cada uma das folhas, mesma quinta-feira que teu sorriso atravessava as estrelas em teus olhos
    Mesma tarde onde pensei em trazer-te margaridas, mesmo pensamento que deixar um bilhete com teu nome no balcão não seria algo ousado de mais

    "Como um rio que corre
    Certamente para o mar
    Querida, é assim
    Algumas coisas estão destinadas a acontecer"

    Mesma tua voz preenchendo as lacunas da minha alma, arrastando e levando tua brisa-primavera até meu coração, mesma minha voz te cantando baixinho, mesma luz acariciando teu rosto, mesmos meus dedos-fantasmas fazendo o mesmo
    Mesma eu,
    Mesma tu,
    Mesma nós,
    Mesmo laço, estou aprendendo a tecer

    "Pegue minha mão
    Tome minha vida inteira também
    Porque eu não consigo evitar
    Me apaixonar por você"

    Mesma poesia que te dedico, mesmo batimento acelerado em meu peito após teus olhos oscilarem com os meus, mesmos vulcões transbordando, mesmas ondas crescentes, mesmos furações e tornados, mesmos terremotos, mesmos fenômenos naturais e sobrenaturais que tua existência exalava ante a minha
    Mesmo dispersar,
    Mesmo manifestar,
    Mesmo expandir,
    Mesmos fios que ligam nossos dedos e desenham juntos em cada prédio capaz de nos cercar

    Mesma seção de aplausos no teu finalizar, mesmo "obrigada" que tu mensura, mesma gratidão que invade minhas entranhas, imperceptíveis a cada um dos meus sentidos

    "Porque eu não consigo evitar
    Me apaixonar por você"

    O "mesmo" transcorreu quando puxaste a cadeira à minha frente, quando contemplei o arco-íris por tuas veias, quando meu pulsar invadiu tua respiração e as cortinas se fecharam em nossas costas

    Nós,
    Uma à uma,
    Una.

    Nunca te descreverei à partir de mesmas palavras, mesmas emoções
    Tu é inédita e impermeável, mágica e sublime.
    Tome a coleção de sentenças que à ti destino, cole em tua parede preferida, leia-me ao amanhecer e crepúsculo,
    Quando a noite aninhar teus ombros,
    Quando fazermos um dueto.

    Amanhã te levarei para ver as margaridas, chegaremos novamente às 18:30,
    Em sete minutos te pagarei um café,
    Beijarei tua testa
    E deixarei mais uma vez,
    Tu me tornar orquestra.
  • Escola Grasso 101 - Sem Mentiras, parte 1

    Sinopse 
    A história gira em torno de uma turma de adolescentes que estuda em uma escola chamada Escola Comunitária Grasso. Novas experiências, descobertas, traumas, brigas e traições, além de muitas aventuras, marcará a vida desses adolescentes de uma forma que jamais esquecerão.

    Ellie está em seu quarto olhando o site da Academy of Art University, estudar lá, é o grande sonho dela.  
    Ela lê algo que a desanima:
    “Mostre-nos o momento mais feliz de sua vida.”
    — Tá de brincadeira comigo? Que atividade mais sem sentido! — Ellie exclamou, indignada, deixando a frustração transparecer em sua voz.
    Marta, mãe de Ellie, entra no quarto.
    — Kequel, você não está pronta ainda? — perguntou, com aquele tom de preocupação que só uma mãe tem.
    — Eu me arrumo rápido, mamãe; já tomei banho. — Ellie respondeu, tentando transmitir confiança.
    — A Débora ligou; ela e o Adryan já estão vindo te pegar. — disse sua mãe.
    — A Esther já foi? — perguntou Ellie.
    — Sim, ela disse que ia passar em um lugar antes. — respondeu sua mãe.
    Marta sai do quarto; Ellie olha pro notebook.
    — O que eu vou mandar pra eles?

    Personagens regulares (ordenados alfabeticamente por sobrenome)
    Michelle Boaventura
    Maju Braga
    Bella Carvalho
    Lara Carvalho
    Zara Fernandes
    Lila Fontán
    Ellie Goes
    Adryan Gomes
    Joana Hart
    Franci Moretti
    Howard Moretti
    Peter Moretti
    Liv Oliveira
    Tom Prado
    Vitor Ramos

    Em um condomínio de luxo na cidade, Peter Moretti, conhecido como Pete “Piti” termina de se arrumar para ir a escola e sai do quarto. Ele entra na sala de estar e vê seu pai, Luciano Moretti, colocando as malas para o lado. Luciano é um homem de negócios bem vestido, mas parece cansado e distante. Ele mal olha para Pete.

    — Oi, pai! Como foi a viagem? — perguntou Pete, tentando quebrar o gelo.
    Luciano dá um rápido olhar para Pete, mas logo desvia a atenção para o celular.
    — Foi cansativa... Muitas reuniões — respondeu Luciano, com a voz monótona.
    — Ah... Que bom que você voltou — disse Pete, tentando esconder a decepção.
    Luciano apenas acena com a cabeça e continua mexendo no celular. Pete se vira para sair da sala e Luciano o chama.
    — Pete, não esquece da entrevista hoje à tarde.
    — Tudo bem, pai — respondeu Pete.
    — Ela é muito importante pra mim, então não se atrase.
    Pete sai com um semblante de frustração.
    Enquanto isso, Débora, mãe de Adryan, está levando ele e Ellie para a escola.
    — E como está a inscrição para a Academy of Art? Ainda está tendo problemas com a atividade da inscrição? — perguntou Adryan, com um olhar curioso.  
    — Não consigo decidir o que enviar — respondeu Ellie, passando a mão pelo cabelo em um gesto de frustração.
    — Que tal o meu retrato como presidente do Grêmio Estudantil? — sugeriu Adryan, piscando um olho de forma travessa.
    — Hum... Que boa ideia, Adry — disse Ellie, com ironia, revirando os olhos.
    — Gostou? — perguntou Adryan, exibindo um sorriso maroto que não conseguia esconder.
    — Sim, mas eu tenho que mandar um desenho sobre o momento mais feliz da minha vida. Entende? — disse Ellie, enquanto desenhava uma garota em seu tablet, uma arte que Adryan reconhecia imediatamente.
    — Essa é a Bella? É essa arte que você vai mandar pra inscrição? Você acha que ela vai te aprovar? — perguntou Adryan, levantando uma sobrancelha cética.
    — Olha, o amor não correspondido é uma ótima fonte de inspiração para a arte — respondeu Ellie com firmeza, determinada a se expressar através do desenho.
    — Você não superou a Bella ainda, Ellie? Você gosta dela sei lá desde o sexto ano; já estamos no ensino médio — disse Adryan.
    — Esse ano vai ser diferente e...
    — Não, não, não. Não vai passar o ensino médio suspirando por uma garota que nem sabe que você existe. Como presidente do Grêmio, usarei meu poder para impor isso — falou Adryan, interrompendo Ellie, com uma expressão determinada no rosto.
    — A Livi vai ganhar. E sabe que presidentes de Grêmio não têm poderes reais, né? — perguntou Ellie, com um sorriso irônico no rosto enquanto tentava aliviar a tensão da conversa.
    — Nossa, obrigado por apoiar seu melhor amigo — disse Adryan inconformado, a voz cheia de dramatização ao perceber a falta de entusiasmo da amiga.
    Enquanto isso, Jonathan, o motorista dos Moretti, leva Pete e seus irmãos Howard e Francine para a escola.
    Pete fala com seus irmãos:
    — Ele ficou um mês fora e, quando voltou, nem me abraçou e mal falou comigo. Eu sei, entendo que ele precisa viajar e trabalhar, mas quando ele está aqui é a mesma coisa de quando não está — disse Pete, chateado e frustrado com o pai.
    — Ele só está cansado da viagem, Pete — disse Franci
    com um tom conciliador.
    — Você pode conversar com ele e explicar como se sente — sugere Howard, tentando mediar a situação.
    Pete da de ombros e sorri ironicamente.
    — Como se isso fosse adiantar alguma coisa — disse Pete, indignado.
    Na Escola Grasso, Tom e sua amiga Zara caminham em direção à entrada quando os dois veem a inscrição para novos membros do time de vôlei feminino.
    — Olha, Tom, eu vou me inscrever! — exclamou Zara, animada.
    — Se inscreve, será legal — completou Tom, animado com a ideia.
    Zara pega a ficha de inscrição.
    — Você vai arrasar com aquele uniforme — disse Tom com entusiasmo.
    Zara sorri.
    Ellie e Adryan chegam à escola. Eles vão até o porta-malas do carro de Débora e pegam dois cartazes da campanha feitos por Ellie.
    — Caramba, olha só isso — disse Adryan, admirado.
    — Gostou? — perguntou Ellie, um pouco ansiosa.
    — Ficou lindo — respondeu Adryan com sinceridade.
    Ele vê o cartaz de Liv, a outra candidata.
    — Caramba, o da Liv também ficou lindo. Você fez um ótimo trabalho — comenta Adryan.
    — Valeu, obrigada — respondeu Ellie com um sorriso.
    — Mas acho que você gastou um pouco mais de tempo no da Liv — disse Adryan.
    — Não, já te disse. Eu sou imparcial — respondeu Ellie, segurando um dos cartazes.
    Ellie olha para suas mãos e vê que estão sujas de tinta.
    — Droga, a tinta ainda não secou — falou Ellie, olhando para suas mãos.
    — Obrigado por avisar só agora — respondeu Adryan, revirando os olhos enquanto fecha o porta-malas e olha para sua mãe dentro do carro.
    — Tchau, mãe! Até mais tarde — disse Adryan, sorrindo.
    — Tchau, filho! Tchau, Ellie — respondeu Débora.
    — Tchau, Débora! Obrigada pela carona — disse Ellie, acenando com a mão enquanto ela e Adryan caminham em direção à entrada da escola.
    — E, como seu futuro presidente estudantil, digo que você tem que superar a Bella. É muito previsível gostar da garota mais popular da escola...
    Adryan para de falar quando percebe Ellie com um sorriso bobo olhando para frente.
    Ele olha pra frente e vê Bella andando acompanhada de suas amigas; elas estão entrando na escola.
    — Ótimo. Logo agora — disse Adryan, inconformado.
    Ellie solta um suspiro apaixonado.
    — Meu Deus, Ellie, o que acabei de dizer? — perguntou Adryan, claramente frustrado.
    — Não sei — respondeu Ellie com um sorriso bobo que parece não querer sair do seu rosto.
    — Desisto — disse Adryan, se afastando.
    Ellie continua olhando para Bella e quase é atropelada por Lara, que estava passando em seu skate.
    — Desculpa — gritou Lara ao passar apressada.
    Adryan volta para buscar Ellie.
    — Vamos, vamos! Antes que você se machuque ou machuque alguém — disse Adryan, puxando-a pelos ombros.
    Eles entram na escola enquanto os alunos olham um desenho grafitado na parede da escola.
    — Quem será que fez? — perguntou Adryan.
    — Eu adoro desenhar, mas não tenho coragem de fazer uma coisa dessas — respondeu Ellie.
    De repente, Zara se aproxima, com um olhar provocador que Ellie já conhece bem.
    — Vandalizando a escola de novo, Sonsa? — perguntou Zara, com deboche e um sorriso malicioso nos lábios.
    — O que? Não fui eu que fiz isso — Ellie respondeu rapidamente, tentando se distanciar daquela acusação.
    — Você já fez isso antes. Lembra? — Zara provoca, lembrando Ellie de um incidente do passado.
    — Sim, mas dessa vez não fui eu — Ellie respondeu, já irritada com a insistência dela.
    — É feio mentir, sabia? — Zara falou com um tom de deboche que fez Ellie revirar os olhos.
    Zara se afasta.
    — Que menina idiota essa Zara — disse Ellie em voz baixa para Adryan.
    Ellie e Adryan entram na escola e sobem as escadas em direção aos armários.
    — Deveria sair com quem fez aquele desenho. A menos que seja um menino ou você mesma, porque aí seria estranho — disse Adryan para Ellie.
    — Hum. Não sabe como é difícil ser sua amiga lésbica, Adryan — Ellie disse, tocando de leve o ombro de Adryan.
    — Pare de dar desculpas — disse Adryan.
    — Você namora desde o ano passado. E, neste ano, eu vou tomar a iniciativa — disse Ellie, determinada.
    — Está bem. Diga uma vez que você fez isso? — perguntou Adryan, olhando para Ellie.
    — Teve aquela garota na padaria que me deu um pão a mais — respondeu Ellie.
    — Era o trabalho dela — disse Adryan.
    — Ela estava flertando — Ellie respondeu.
    Nesse momento, Michelle, a diretora da escola, faz um anúncio pelo sistema de som da escola:
    — “Atenção alunos, vocês já podem votar para presidente do grêmio estudantil; as urnas estão espalhadas por vários pontos da escola.”
    Adryan olha para Ellie.
    — Vamos votar na hora do almoço? — perguntou Adryan.
    — Vamos — respondeu Ellie.
    Logo eles se aproximam de Liv namorada de Adryan.
    — Oi, Liv — disse Ellie.
    — Oi — respondeu Liv, cheia de energia.
    Naquele momento, Adryan se inclina para dar um beijo em Liv. O jeito que eles se olham e se tocam é tão apaixonado.
    — Já votou, coelhinho? — pergunta Liv, dando outro beijo em Adryan.
    — Vou na hora do almoço — ele responde, ainda sorrindo para ela.
    — Adoro uma competição — diz Liv, com um brilho nos olhos.
    Os dois começam a se beijar novamente; Ellie observa, meio divertida e meio incomodada.
    — Gente, pode fazer isso na escola? — perguntou Ellie, tentando chamar a atenção deles.
    Os dois a ignoram e continuam se beijando.
    Ellie revira os olhos e decide mudar de assunto:
    — Gente, vocês querem ir em casa depois da aula? — perguntou Ellie.
    Os dois param de se beijar e a encaram.
    — Não vai dar; hoje à tarde tem os testes para o time de atletismo — disse Liv.
    — Suar sem ser obrigatório? — questiona Ellie, fazendo uma careta.
    — Olha só, Ellie; tem pessoas que gostam de atividades físicas. E mudando de assunto, faz um favor pra mim? — Liv entrega uns folhetos de sua campanha — Pode fazer cópias?
    — Claro — Ellie respondeu animada.
    — Pra mim também — disse Adryan, entregando seu próprio folheto.
    Ellie se vira para ir à sala de cópias, enquanto Liv e Adryan conversando animadamente. Mas os olhos de Ellie se desviam e acabam parando em Bella, que está mais à frente no corredor. O coração dela acelera só de olhar para Bella.
    — Ellie — Liv a chamou.
    Ellie tenta evitar o olhar ansioso em Bella.
    — Não. Não. Olha pra mim. Existem outras garotas queer na escola. Por favor — disse Adryan, tentando chamar a atenção da amiga.
    — Tipo quem? — Ellie perguntou, curiosa.
    Liv rapidamente sugere:
    — Que tal a Diana? Ela é legal — respondeu Liv.
    Ellie balança a cabeça negativamente:
    — Ah, não! Ela não faz meu tipo.
    — Certo, certo. E a Giovana Rodrigues? — perguntou Liv.
    — Não, ela tem um lance com uma garota; não quero me meter.
    — Entendi. E Moon? — Adryan sugere, tentando ajudar.
    — De jeito nenhum! Elu nunca ia querer nada comigo. Sem contar que elu vai e volta com a Bella semanalmente.
    — Certo — disse Liv.
    — Verdade — confirmou Adryan.
    — E que tal a Lara? — perguntou Lívia.
    — Não faz sentido; ela é irmã da Bella. Além disso, ela não é lésbica e não sei se ela é realmente bi — falou Ellie.
    Adryan corta rapidamente:
    — Ela é bi sim! E muito misteriosa — disse Adryan.
    Liv completa:
    — A Lara se assumiu antes da Bella, mas como a Bella namora mais, então todas esquecem que a Lara é bi.
    Eles andam mais um pouco e se aproximam de Bella; o coração de Ellie acelera.
    — Oi, Bella — disse Liv, animada.
    — Oi, Senhora Presidente — respondeu Bella, sorrindo
    — Que? — disse Andrey com um tom de indignação.
    — Deixa eu perguntar: você tem os papéis da inscrição para o teste da equipe de atletismo? — perguntou Bella.
    — Claro. Vou pegar pra você.
    Enquanto Liv pega o papel de inscrição em sua bolsa, Bella olha para Ellie e sorri.
    — Oi — disse Bella.
    Ellie apenas sorri com cara de boba, sem acreditar que Bella está falando com ela.
    — Aqui está — disse Liv, entregando os papéis.
    — Obrigada — Bella agradece educadamente.
    — Ah, Bella, conhece a Ellie, né? — perguntou Liv.
    — Sim — respondeu Bella, sorridente.
    — Seu armário é lindo — disse Ellie, sem prestar atenção no que dizia.
    Um silêncio toma conta do lugar e todos olham para Ellie sem entender nada.
    — Obrigada! Você vai se inscrever para a equipe de atletismo?
    — Claro, te vejo lá — disse Ellie, animada.
    — Certo. Vou indo, mas te vejo mais tarde. Tchau!
    — Tchau — disse Ellie com um sorriso bobo.
    — Tchau, Bella! Vote em mim! — disse Adryan.
    — Ela não vai votar em você, amor — disse Liv.
    Ellie fica olhando Bella se afastar; seu coração bate forte.
    — Para de olhar; isso já está estranho — disse Adryan para Ellie.
    Ellie suspira apaixonadamente.
    — Sério? Você na equipe de atletismo? — perguntou Adryan para Ellie.
    — É! — respondeu Ellie, sorrindo feito boba. — Sim... É isso! É como vamos nos apaixonar — respondeu Ellie, determinada.
    — Vocês duas ficariam fofas como um casal — disse Liv.
    A conversa é interrompida por um anúncio no sistema de som.
    — Atenção, Ellie Goes, compareça à sala da diretora. Ellie Goes, compareça à a sala da diretora imediatamente.
    Os amigos olham confusos.
    — O que será que a Michelle quer? — perguntou Adryan.
    — Não tenho a mínima ideia — respondeu Ellie, tentando esconder sua ansiedade.

    Continua...

    Personagens de Apoio (ordenados alfabeticamente por sobrenome)
    Esther Goes – irmã de Ellie
    Marta Goes – mãe de Ellie e Esther
    Roberto Goes – pai de Ellie e Esther
    Débora Gomes - mãe de Adryan
    Jane H. Moretti – mãe de Peter, Franci e Howard
    Luciano Moretti – pai de Peter, Franci e Howard
    Leandro Oliveira – Professor de matemática
    Miguel Rodrigues – Treinador do atletismo

  • Escola Grasso 102 - Sem mentiras, parte 2

    Na sala de Michelle.
    — Sabe por que está aqui? — perguntou Michelle, olhando para Ellie com seriedade.
    — Na verdade, não sei, Michelle. — respondeu Ellie.
    — Ellie, eu sei que foi você quem fez aquele desenho lá fora, que é muito lindo, por sinal, mas não foi legal; a escola acabou de ser pintada. — disse Michelle, com um tom de reprovação.
    — O que? Isso não é verdade. — disse Ellie, com uma expressão de raiva crescendo em seu rosto.
    — Você sabe que é verdade. Você já fez isso antes, lembra? — Michelle afirma, determinada.
    — Olha, eu sei... No ano passado fui eu, mas dessa vez não. Olha, eu juro por tudo que não fui eu. — Ellie implora, tentando se defender.
    — Sinto muito, Ellie, mas a decisão já foi tomada pelo conselho. A escola tem regras duras contra vandalismo. Você será suspensa. E quando voltar, vai frequentar o GAA. Vamos ligar para seus pais virem te buscar. — diz Michelle, olhando para Ellie com firmeza.
    — Vocês não podem me suspender por algo que eu, literalmente, não fiz. — disse Ellie desesperada.
    — Sinto muito, Ellie, mas a decisão já está tomada. — Michelle reafirma.
    — Olha, eu não posso ser suspensa; vou fazer o teste para a equipe de atletismo hoje à tarde! — exclama Ellie, tentando apelar para a compreensão de Michelle.
    Michelle suspira irritada.
    — Olha, eu entro para a equipe e, enquanto isso, descubro quem realmente fez o desenho. — propôs Ellie, com esperança.
    — Ellie, eu vi seu histórico; você não é uma aluna modelo. suas notas são baixas; além do mais, você faltou muito ano passado. Olha, eu sei que a equipe feminina está precisando de alunas e por isso vou te dar uma chance: você não está mais suspensa se descobrir quem fez aquele desenho até o final do semestre; falarei com o conselho e você tem que ficar na equipe, certo? E vou ficar de olho em você o tempo todo; além disso você precisa melhorar suas notas, então se esforça mais, ok?
    — Certo, obrigada! — respondeu Ellie aliviada.
    — Ok, agora pode sair. — disse Michelle.
    Ellie se levanta e sai da sala. Enquanto volta para a sala de aula, Ellie se pergunta como vai se sair na equipe de atletismo e como vai conseguir descobrir quem realmente fez aquele desenho.

    Personagens regulares (ordenados alfabeticamente por sobrenome)
    Michelle Boaventura
    Maju Braga
    Bella Carvalho
    Lara Carvalho
    Zara Fernandes
    Lila Fontán
    Ellie Goes
    Adryan Gomes
    Joana Hart
    Franci Moretti
    Howard Moretti
    Peter Moretti
    Liv Oliveira
    Tom Prado
    Vitor Ramos

    Mais tarde, Tom e Zara entram na sala de aula, para a aula de português de braços entrelaçados.
    — Estou animada para esse novo semestre — disse Zara, com um sorriso no rosto.
    — Sério? — Tom responde, parecendo um pouco mais contido.
    — Estou muito feliz, Tom. Sinto que esse ano será diferente. Além disso, vou fazer o teste para o time de vôlei.
    — Você já jogou vôlei antes? — perguntou Tom, curioso.
    — Claro, já joguei em um time sub-14 da cidade. Só saí porque minha mãe quis investir na minha carreira de atriz — respondeu Zara com entusiasmo.
    — Ok, então.
    Maju e Vitor entram na sala de aula e se sentam ao lado de Zara e Tom. Vitor ouve a conversa.
    — Ter jogado vôlei antes provavelmente me fez jogar melhor que a maioria das garotas daqui — disse Zara, com um ar confiante.
    — Vai entrar para o time de vôlei? — perguntou Vitor.
    — Sim — Zara olha para Maju — Oi, Maju.
    Maju sorri de volta.
    — Você vai ficar linda naquele uniforme — disse Vitor.
    Maju olha para ele, brava.
    — O que? Só estou incentivando ela!
    Zara sorri. Quando a aula está prestes a começar, Tom recebe uma mensagem e seu semblante muda.
    — Tenho que dar uma saída — ele diz, se levantando rapidamente.
    Maju olha sem entender.
    — Fugindo da aula, Tom? — perguntou Zara, brincando.
    Zara olha para Maju e diz.
    — Isso só pode significar que ele tem um caso secreto.
    Tom se vira e responde:
    — Eu não beijo e conto.
    Ellie e Adryan conversam na sala de aula.
    — Então, basicamente, se eu não achar quem fez o desenho, estou acabada — disse Ellie, sentindo um frio na barriga.
    — Sabe o que eu acho? Você nem precisa achar essa pessoa. A Michelle vai acabar esquecendo — responde Adryan, tentando animar Ellie.
    — Mesmo assim, é melhor não arriscar — retrucou Ellie, ainda preocupada.
    O professor de Matemática, Leandro Oliveira, olha para Ellie.
    — Ellie, você estava na sala da Michele, né?
    — Sim — respondeu Ellie.
    — Quer voltar pra lá? — perguntou o professor.
    — Não — respondeu Ellie, envergonhada.
    — Então fica quieta. Você também, Adryan.
    — Desculpa, professor — disse Ellie.
    No laboratório de informática, Pete e Tom estão se beijando. Tom se afasta, perguntando:
    — A gente pode conversar?
    — Sim, o que é? — respondeu Pete, curioso.
    — Olha, eu não me importo em ter um relacionamento secreto, mas quero ter certeza de que você não ficará com outras pessoas — disse Tom, olhando nos olhos de Pete.
    Pete olha para Tom com um olhar sincero.
    — Tom, você é o único com quem eu quero estar.
    Tom sorri timidamente.
    — E como estão as coisas com seu pai? — perguntou Tom, mudando de assunto.
    — A mesma coisa de sempre. Ele finge que eu nem existo — respondeu Pete, sentindo uma pontada de tristeza. — Falando nisso, tenho uma entrevista daqui a pouco com a família pra falar como é ser um Moretti ou algo assim.
    Tom sorri para Pete, sentindo que os dois estão construindo algo especial juntos.
    Enquanto isso, no ginásio, acontece o teste para o time de vôlei.
    Lila está fazendo seu teste e termina animada.
    A próxima é Zara, que mostra suas habilidades; Lila fica olhando desanimada.
    — Ela é muito boa — disse Lila a Joana, com um tom de admiração.
    — Sim — respondeu Joana, concordando.
    — Não tem como competir com ela. Acho que não vou conseguir fazer parte da equipe — disse Lila, desanimada.
    Pete
    Na mansão dos Morettis, Luciano, Jane, Francine e Hawrold estão esperando Pete para a entrevista.
    Luciano olha para o relógio.
    — Não acredito! Eu avisei para ele não se atrasar — disse Luciano, irritado.
    — Ele já deve estar chegando — falou Jane, tentando amenizar as coisas.
    Logo Peter chega.
    — Eu sei que estou atrasado, gente. Me desculpe, mas vamos começar a entrevista.
    Luciano olha para a repórter.
    — Me dê licença só um minuto — Luciano olha para Pete — Pete, vem aqui comigo.
    Os dois vão até o cômodo ao lado.
    — O que deu em você, Pete? Eu avisei para você não se atrasar. Onde você estava? — perguntou Luciano.
    — Não importa, agora eu estou aqui — respondeu Pete com um tom sarcástico.
    — Olha, Pete, eu não me importo se você estava matando aula, bebendo ou com alguma garota; eu só quero que você chegue na hora marcada para a entrevista...
    — Eu estava com meu namorado! — gritou Pete, interrompendo seu pai.
    Luciano fica em silêncio; eles olham para a sala e todos estão olhando para eles.
    Na pista de atletismo, os alunos começam a chegar para o teste da equipe de atletismo, inclusive Ellie, que está com Liv e Adryan. O treinador Miguel então chama os alunos para iniciar o teste.
    — Ok, atenção! Todos aqui, venham. Vamos começar com os testes. Primeiro, vou checar se os atletas veteranos mantiveram o treinamento durante as férias. Certo? Agora, aos recém-chegados, as co-capitãs Bella e Lara ajudarão no teste, avaliando vocês. Ok? Vamos lá.
    Bella corre em direção a Ellie. Ellie começa a ficar nervosa e sente seu coração acelerar ao ver Bella correndo em sua direção.
    — Gente, ela tá vindo, ela tá vindo — disse Ellie, eufórica.
    — Oi! Você veio! — disse Bella, sorrindo para Ellie com entusiasmo.
    — Sim — respondeu Ellie timidamente, tentando esconder seu nervosismo.
    Lara olha para Bella e diz:
    — Vamos começar.
    Bella se aproxima de Ellie sorrindo, coloca as mãos sobre os ombros dela e diz:
    — Relaxa. Você vai se sair bem.
    Na mansão dos Morettis, Luciano continua conversando com Pete.
    — Isso é ridículo — disse Luciano.
    — Beijar alguém é ridículo? — questionou Pete.
    — Você não é gay, Pete; você nunca disse que era — falou Luciano.
    — Olha, eu gosto do Tom; isso é o que importa — disse Pete, determinado.
    — Não, sabe o que eu acho? Isso é apenas um jogo que você está fazendo para arruinar minha imagem — disse Luciano.
    — Quer saber? Pai, eu não me importo com o que você acha — disse Pete, se virando e indo para a sala, onde seus irmãos e sua mãe olham para ele.
    Enquanto isso, Ellie está fazendo seu teste. Ela tenta salto em distância e não consegue; depois tenta arremesso de dardo e acerta o dardo em um aluno. Por fim, tenta salto com vara, mas fica com medo e desiste no meio da corrida.
    Desanimada, Ellie deita no chão para descansar e logo Bella e Lara se aproximam dela.
    — Eu tenho uma ideia. Você costuma correr? — perguntou Bella.
    — Hum, só dos cachorros da rua — respondeu Ellie, tentando brincar com a situação.
    — Ótimo! Vamos testar você no revezamento 4x100 — disse Bella animada.
    — Bem, vamos lá então — respondeu Ellie, sentindo uma pequena chama de esperança.
    Bella e Lara se viram uma para a outra.
    — Você tem certeza disso? — perguntou Lara, um pouco hesitante.
    — Tem uma ideia melhor? — respondeu Bella, determinada.
    Lara revira os olhos. O teste começa inspirada para estar mais próxima de Bella durante todo o ano. Ellie dá o seu melhor. Após o teste, o treinador se aproxima.
    — E aí, como foi? — pergunta ele.
    — É... Com um pouco de treinamento, acho que ela consegue — respondeu Bella, tentando ser otimista.
    — Sim, acho que sim — disse o treinador, concordando.
    — Talvez eu precise de alguém muito bom pra me ensinar depois da aula — sugeriu Ellie.
    O treinador olha pra ela.
    — Não é uma ideia ruim. Lara, você vai treinar a Ellie, certo?
    — O quê? Esse não é o seu trabalho? — disse Lara, indignada.
    — Não. Meu trabalho é motivar vocês. Além disso, não sou pago para ficar depois da aula — respondeu ele, antes de sair.
    — Bem-vinda à equipe — disse Bella animada enquanto os amigos a cumprimentavam.
    Lara olha para Ellie, que sorri para Lara.
    — Seu short tá ao contrário — disse Lara com um semblante sério.
    — Quê? — Ellie olha para seu short e percebe que o colocou de trás para frente; ela se senta na arquibancada quase sem fôlego, enquanto a vergonha toma conta dela.
    Na mansão dos Morettis, depois da entrevista, Pete vai falar com a repórter do lado de fora.
    — Olá, eu tenho uma coisa a mais pra falar. Tudo bem se eu falar agora? — perguntou Pete.
    — Claro que sim, deixa só eu pegar o celular pra gravar.
    A repórter pega o celular.
    — Pronto! O que você tem a dizer, Peter? — perguntou a repórter.
    Pete começa a falar.
    À noite, Ellie está em sua casa com bolsas de gelo por todo o corpo. Sua mãe está fazendo o jantar.
    — Então você conseguiu? Entrou pra equipe de natação? — perguntou Marta, mãe de Ellie.
    — De atletismo, mamãe. — corrigiu Ellie, sorrindo com orgulho.
    Esther, a irmã mais velha de Ellie, entra na cozinha.
    — Mamãe, a janta está pronta? Estou com fome. — perguntou ela, impaciente.
    — Está quase, querida. — respondeu sua mãe.
    Ellie ajeita umas bolsas de gelo pelas pernas.
    — Hoje foi ótimo! Acertei um dardo de arremesso em um aluno. — disse Ellie, não conseguindo conter o sorriso.
    — Ele se machucou? — perguntou Esther, com uma expressão preocupada.
    — Não sou tão forte assim. — Ellie respondeu, brincando.
    Nesse momento, Roberto, o pai de Ellie, entra na cozinha.
    — A janta está pronta? — ele perguntou.
    — Está quase — responde Marta. — A Kequel entrou para a equipe de atletismo da escola.
    — Ah é? Parabéns! — disse Roberto, genuinamente feliz pela filha.
    — E ela acertou um dardo de arremesso em um aluno — acrescentou Esther, com um tom provocativo.
    — Nossa! E ele se machucou? — pergunta Roberto, agora interessado.
    — Não, papai, não se machucou. — Ellie respondeu rapidamente, aliviada por não ter causado nenhum problema.
    — Vão lavar as mãos! A janta está pronta — falou Marta, sorrindo.
    — Até que enfim! — exclamou Esther, quase pulando de alegria.
    — Finalmente! — falou Ellie, já sentindo o cheiro delicioso da comida.

    Personagens de Apoio (ordenados alfabeticamente por sobrenome)
    Esther Goes – irmã de Ellie
    Marta Goes – mãe de Ellie e Esther
    Roberto Goes – pai de Ellie e Esther
    Jane H. Moretti – mãe de Peter, Franci e Howard
    Luciano Moretti – pai de Peter, Franci e Howard
    Leandro Oliveira – Professor de matemática
    Miguel Rodrigues – Treinador do atletismo
  • Escola Grasso 103 - Muitas Maneiras

    Peter está em sua casa, conversando com sua mãe, enquanto Howard está deitado no sofá jogando no celular.
    — Bem, ano passado tirei 10 em inglês e matemática; este ano quero manter essa média — disse Pete, com um sorriso feliz.
    — Você é inteligente, querido. Trabalhe duro e este ano você vai conseguir de novo — respondeu sua mãe, orgulhosa do filho.
    Franci entra na sala segurando seu tablet.
    — Onde você estava com a cabeça para falar isso do papai? — perguntou Francine, interrompendo Pete e entregando o tablet para ele.
    Pete pega o tablet e vê a manchete de sua entrevista:
    “Peter Moretti assume namoro gay e conta sua difícil convivência com o pai homofóbico.”
    Franci pega o tablet e entrega-o para sua mãe, que vê a manchete do artigo.
    — Você falou com um repórter? — perguntou Jane, com um tom de preocupação.
    — Ele fez o papai parecer um vilão que odeia seu filho gay — disse Francine, indignada.
    — Bem, tudo o que eu falei é verdade — disse Pete para sua irmã.
    Luciano entra na sala.
    — Pete, posso falar com você? — perguntou Luciano.
    Jane se levanta.
    — Ok, crianças, eu vou levar vocês para a escola — disse Jane aos filhos.
    — Crianças? Sério, mãe? — perguntou Howard, inconformado.
    Os três saem.
    Pete se levanta e diz para seu pai:
    — Eu também tenho que ir para a escola.
    — Hoje não — disse Luciano ao filho.
    Luciano traz uma bolsa com tacos de golfe.
    — Eu quero que você experimente alguns tacos de golfe para ver se eles são da altura certa para você — diz Luciano.
    Pete fica chocado e começa a sorrir alegremente.
    — Você quer jogar golfe? — perguntou Pete ao seu pai.
    — Sim, eu quero. Estou de folga hoje e sei que você não gosta de faltar à escola, mas suas notas estão ótimas, então perder um dia de aula não vai fazer mal; além do mais, eu vou deixar você dirigir o carro — respondeu Luciano.
    — Sério? — perguntou Pete, sem acreditar.
    — Sério. Você precisa praticar pra quando for pra Toronto tirar a licença em julho — respondeu Luciano.
    — Então não vamos falar sobre o artigo? — Pete perguntou, curioso.
    Luciano olha nos olhos de Pete:
    — Pete, não gostei de como fiquei sabendo que você está em um relacionamento com o Tom, mas eu quero que saiba que o que quer que você seja eu o aceito.
    Pete fica em silêncio e olha para seu taco.
    — Bem, acho que vou ter que perder o dia de aula.
    Luciano sorri e entrega a chave do carro a Pete, que as pega e sorri.

    Personagens regulares (ordenados alfabeticamente por sobrenome)
    Michelle Boaventura
    Maju Braga
    Zara Fernandes
    Ellie Goes
    Adryan Gomes
    Franci Moretti
    Howard Moretti
    Pete Moretti
    Helena Moura
    Liv Oliveira
    Tom Prado
    Vitor Ramos

    Na escola, Zara está no corredor quando é abordada pela diretora Michelle.
    — Zara, você tem um minuto? — perguntou Michelle.
    — Oi, sim, Michelle. — respondeu Zara, dando total atenção à diretora.
    — Bem, primeiro parabéns por ter sido escolhida a capitã do time de vôlei! — disse Michelle.
    — Obrigada! — respondeu Zara com um sorriso simpático.
    — Mas eu tenho que te dizer que o time de vôlei ficará sem orçamento este semestre, pois vocês perderam o prazo de inscrição das equipes esportivas e as divisões do orçamento do ano para esporte já estavam fechadas. Porém, vocês podem fazer algo para arrecadar dinheiro, tudo bem? Podem fazer qualquer coisa, desde que não seja ilegal ou criminoso, é óbvio.
    — Tudo bem, vou avisar as meninas e a gente vai pensar em algo. — respondeu Zara.
    Michelle sai e Zara entra na sala de aula onde Vitor está sentado.
    — Oi, Vitor! — disse Zara sorrindo.
    Vitor sorri e responde:
    — Olá!
    Vitor recebe uma notificação no celular.
    — É a Maju? — perguntou Zara.
    Vitor se levanta e se afasta.
    Curiosa, Zara vai atrás de Vitor e pega o telefone dele.
    — É uma mensagem de amor da Maju? — perguntou Zara com um sorriso travesso.
    Ela percebe que é uma foto de uma menina nua e que muitas garotas têm enviado fotos nuas delas mesmas para Vitor. Zara fica chateada e sai da sala.
    Enquanto isso, Liv, Ellie e Adryan estão conversando no corredor, quando Jean, um aluno da equipe de atletismo, se aproxima.
    — E aí, galera? — ele os cumprimenta.
    Enquanto isso, Zara passa por eles.
    — Lá vem a Cruella Devil — disse Lívia.
    Ellie, Jean e Adryan não conseguem segurar uma risada.
    — Nossa, vocês amam mesmo a Zara! — falou Jean ironicamente.
    — Estudamos com ela desde o oitavo ano. Ela é insuportável, uma metida. Se acha só porque atuou em uma novela! — disse Ellie.
    — Que novela? — perguntou Jean, curioso.
    — Temporal de Amor. Ela era a Laura, devia ter uns 10 ou 11 anos — respondeu Lívia.
    — Hum, por isso que eu lembrava dela de algum lugar! Eu assistia essa novela; eu e minha mãe não perdíamos um capítulo — disse Jean.
    — Não sabia que você era noveleiro, Jean! — comenta Adryan, e todos riem juntos.
    — Gente, eu vou conversar com a Michele. Nos vemos mais tarde! — disse Liv.
    Liv dá um beijo em Adryan e sai.
    Ellie, Gui e Jean vão para a sala de aula.
    Enquanto isso, Pete e seu pai estão no campo de golfe.
    — Lembra do meu velho taco do Thor? Quando eu arremessei ele achando que voltaria pra mim e quebrei a janela da cozinha? — perguntou Pete, sorrindo.
    Luciano sorri e responde:
    — Lembro.
    — Eu estava brincando que eu era o Thor; eu tinha sete anos na época.
    — Sua mãe ficou uma fera — diz Luciano.
    Os dois dão risadas. Pete fica sério e pergunta ao pai:
    — Pai, o que é tudo isso? Eu te humilhei no jornal ao rotulá-lo como homofóbico, mas em vez de gritar comigo, você me traz pra jogar golfe e me deixa dirigir o carro. Por quê?
    Luciano toca nos ombros de Pete e diz:
    — Pete, você é meu filho mais velho e às vezes eu sinto que não sei nada sobre você.
    — É porque estamos sempre brigando — disse Pete.
    — Precisamos trabalhar nisso — disse Luciano, ainda tocando os ombros do filho.
    Os dois se abraçam e Pete sorri, mas então a imprensa aparece, tirando uma foto. Pete percebe que tudo foi um golpe para Luciano ficar bem com a imprensa. Uma repórter se aproxima:
    — Luciano, você pode falar sobre o artigo e como você está lidando com tudo isso?
    Luciano se ajeita.
    — Bem, eu tenho orgulho do meu filho como um adolescente queer. Eu apoio a comunidade LGBTQIA+. Certo, Pete?
    Pete tira o braço de Luciano de suas costas, saindo furioso do local.
    Ellie está na aula de arte, onde a professora Raquel, uma mulher exigente, apresenta um novo projeto para a turma:
    — Bom dia, turma! Hoje vamos iniciar um novo projeto muito especial. Cada um de vocês irá criar uma obra que represente a sua identidade — disse a professora, com uma expressão séria.
    Os alunos murmuram entre si, alguns trocando olhares animados. A professora continua explicando:
    — Quero que pensem profundamente sobre o que isso significa para vocês. A identidade é complexa e multifacetada.
    A professora mostra os subtemas e Ellie escolhe: “A Dualidade da Identidade”! Ellie pega seu caderno e começa a rabiscar algumas ideias.
    Enquanto isso Liv e Adryan estão sentados na cantina da escola, esperando a próxima aula deles.
    Michelle faz um anúncio importante pelo alto-falante:
    — Atenção, alunos! Já temos o resultado da eleição do grêmio. A vencedora é... Lívia Oliveira! Parabéns!
    Adryan abraça Liv.
    — Parabéns, meu amor! Você será uma ótima presidente — disse Adryan, com um sorriso enorme no rosto.
    — Obrigada, coelhinho! Você será um ótimo vice — respondeu Liv, animada.
    — Você quer que eu seja seu vice? — perguntou Adryan.
    — Com toda certeza — respondeu Liv.
    Eles se beijam e alguns alunos se aproximam gritando para parabenizar Liv.
    Durante o desenvolvimento do projeto, Ellie se distrai facilmente, desenhando várias ideias diferentes em vez de focar em uma só.
    — A professora Raquel percebe isso e faz comentários sobre a necessidade de foco e comprometimento.
    Ellie, que é muito sensível, se sente desmotivada e insegura sobre suas habilidades. Ela não quer desagradar ninguém, especialmente a sua professora.
    Um pouco mais tarde, Luciano volta para casa e vê Pete sentado no sofá, jogando videogame.
    — O que há de errado com você? Você está querendo me ferrar? — perguntou Luciano, indignado.
    Pete se levanta.
    — Eu? — Perguntou Pete com ironia — Você agiu como se realmente quisesse passar um tempo comigo, mas era tudo para mostrar para a imprensa e passar a imagem de um pai legal. Tudo o que você faz é manipular sua família — respondeu Pete, também muito enfurecido.
    Pete começa a sair.
    — Onde você pensa que está indo? — perguntou Luciano.
    — Para a escola, onde pelo menos uma pessoa se importa comigo — respondeu Pete.
    — Não vire as costas para mim! — gritou Luciano, fora de si.
    Luciano agarra o braço de Pete e o empurra contra a parede, machucando as costas de Pete, mas ambos permanecem em silêncio; Pete está assustado com o que seu pai fez.
    — Pete, me desculpe, foi um acidente — disse seu pai, com remorso.
    — Posso ir para a escola agora? — perguntou Pete ao pai.
    — Sim — respondeu Luciano.
    Na escola, Vitor conversa com Helena sobre a situação com Zara.
    — Eu não entendo, nem somos namorados nem nada. Por que a Zara ficaria chateada comigo por ter recebido fotos de outras garotas?
    — Vitor, não é fácil para a Zara. Ano passado, ela teve fotos dela nua espalhadas sem o consentimento dela. Então, provavelmente, ela não quer se envolver com um garoto que recebe fotos de garotas nuas.
    — O que eu devo fazer? — perguntou Vitor.
    — Pedir desculpas sinceras para a Zara e apagar o app — respondeu Helena.
    Vitor então pega o celular e apaga o app.
    Mais tarde, Pete entra na sala de aula e encontra Zara.
    — Você viu o Tom? — perguntou Pete a Zara.
    — Nossa, que interessante! De repente você gosta de garotos — questionou Zara.
    — Eu só gosto de um. Você sabe onde ele está? — Pete perguntou.
    — O Tom não quer ver você depois que você revelou o relacionamento de vocês no jornal — respondeu Zara, olhando seriamente para Pete.
    — Por quê? — perguntou Pete.
    Tom aparece e diz a Pete:
    — Você só está me usando para irritar seu pai. Você prometeu que iríamos decidir juntos quando assumir o namoro.
    — Eu fiz isso por nós — disse Pete.
    — Você fez isso por você. Olha, não quero falar com você agora. Eu achava que você realmente gostava de mim, mas você apenas me manipulou — falou Tom.
    Pete fica chateado ao ouvir isso e diz a Tom:
    — Eu não manipulo as pessoas; eu só preciso falar com você.
    O sinal toca e Tom vai para seu assento. Zara fica na frente da mesa de Tom para que Pete não consiga alcançá-lo, e Pete sai correndo da sala de aula. No corredor, Maju o vê e percebe que ele não está bem e vai atrás dele.
    — Pete, o que foi? — perguntou Maju, preocupada.
    — O que você quer, Maju?
    — Só quero saber o que está acontecendo com você.
    Pete logo começa a chorar e Maju o abraça.
    — Eu estou aqui; pode se abrir comigo — disse Maju.
    — Eu tive outra briga com meu pai — disse Pete, chorando.
    — Pete, se algo está acontecendo com seu pai em casa, você precisa falar com alguém; se não for comigo, com outra pessoa, mas se você não contar a alguém o que está acontecendo dentro da sua cabeça, as coisas só pioram. Eu sei disso porque já passei por isso — disse Maju com um olhar de preocupação.
    Pete olha para Maju:
    — Obrigado, Maju — disse Pete, agradecido.
    Depois de um longo e estressante dia de aula. Ellie entra em seu quarto, jogando a mochila no chão. Ela parece confusa e frustrada. Ellie se senta na mesa de desenho, olhando para seus materiais.
    — Por que é tão difícil? Ser autêntica... — pergunta Ellie para si mesma.
    Ela começa a rabiscar no papel, mas seus traços são hesitantes. A frustração é visível em seu rosto.
    — A professora Raquel tem razão... Eu preciso encontrar uma maneira de expressar quem eu sou... Mas e se eu não souber como?
    Enquanto desenha, suas inseguranças começam a se manifestar no papel. Ela faz um esboço de uma figura dividida, uma metade colorida e outra em tons escuros.
    Esther, sua irmã mais velha, entra no quarto. Ela percebe o estado de Ellie e se aproxima.
    — Ei, Ellie! Você está bem? Parece que teve um dia difícil — pergunta Esther com preocupação.
    — Ah, Esther... Foi uma aula de artes complicada. Eu escolhi um tema difícil e agora não sei como fazer isso. Estou tão confusa… — desabafa Ellie.
    Esther senta-se ao lado dela e observa o desenho.
    — Eu entendo. Todos nós passamos por isso em algum momento. Eu também já me senti perdida ao tentar encontrar meu lugar no mundo — diz Esther.
    — Sério? Mas você sempre parece tão confiante! — diz Ellie para a irmã.
    — A confiança vem com o tempo. Eu também tive meus desafios. Lembro de quando tentei me encaixar nos grupos da escola... era estressante — diz Esther relembrando um momento constrangedor na escola.
    Ellie olha para sua irmã com um sorriso.
    — Lembro bem da sua fase emo — fala Ellie sorrindo.
    — Eu percebi que não precisava ser perfeita ou agradar a todos. O importante era ser fiel a mim mesma e encontrar pessoas que me aceitassem como sou.
    Ellie escuta atentamente as palavras de Esther.
    — Você tem razão! Eu não preciso ser perfeita para ser artista! — diz Ellie com um olhar determinado.
    Ela volta à mesa de desenho com uma nova energia.
    — Obrigada por me ouvir! Vou tentar abordar meu projeto de uma maneira mais tranquila — diz Ellie sorrindo para Esther.
    Esther sai do quarto enquanto Ellie começa a rabiscar novamente, desta vez com mais confiança e liberdade nos traços.
    — Vou desenhar minha busca por identidade! E não vou me preocupar em agradar os outros — diz Ellie com um brilho nos olhos.
    Zara está na quadra da escola se preparando para o treino do time. Vitor vai falar com ela.
    — Zara, posso falar com você? — perguntou Vitor, meio sem jeito.
    — O que você quer, Vitor? — perguntou Zara com um tom ríspido.
    — Eu só queria te pedir desculpas por mais cedo e...
    Zara o interrompe.
    — Não tem nada para você se desculpar — disse Zara, se afastando.
    — Zara, eu gosto de você — disse Vitor.
    Zara para, se vira e olha nos olhos de Vitor.
    — Vitor, você é um garoto bonito, legal; mas eu não quero saber de garotos agora.
    Ela se vira e sai, deixando-o sozinho e triste.
    Enquanto isso, Pete entra em um cômodo de sua casa, onde Franci e Howard estão.
    — Onde está a mãe? Preciso falar com ela — perguntou Pete.
    — Não sei, mas o pai está no escritório dele — respondeu Howard.
    — O que aconteceu dessa vez? — perguntou Franci.
    — Eu tenho que falar com a mãe — respondeu Pete.
    — Você e o papai brigaram de novo? — perguntou Franci preocupada.
    — Sim.
    — Vocês têm que se entender — disse Howard.
    — Vocês não enxergam como o pai nos manipula — disse Peter aos irmãos.
    — O papai se importa com a gente. Ele só quer o melhor pra nós — disse Franci.
    Peter revira os olhos.
    — Vocês só podem estar vivendo em algum universo paralelo.
    — Você é como o papai — disse Franci.
    — Eu não sou como ele — respondeu Pete, com a voz firme.
    Pete vai para fora de casa e encontra com sua mãe.
    — Pete, o que aconteceu no campo de golfe? — perguntou sua mãe.
    — Eu e o pai brigamos como sempre fizemos — respondeu Pete.
    — Você fez uma cena na frente da imprensa e deveria se desculpar com seu pai — disse Jane.
    Luciano aparece.
    — Eu não preciso de um pedido de desculpas — disse Luciano.
    — Vocês têm que lidar com essa situação — disse Jane.
    Luciano apenas caminha até Pete.
    — Olha, Pete, o estresse da empresa me afetou; podemos começar do zero? — perguntou Luciano a Pete.
    — Eu não sei — respondeu Pete.
    — Eu entendo. Deveríamos começar com uma pergunta mais simples: “Preto ou vermelho?”
    Pete parece confuso; Luciano começa a andar até a garagem e Pete o segue, onde dois carros caros estão estacionados.
    Luciano olha para Pete.
    — Sua mãe não deixará você ficar com os dois, então você terá que escolher um — disse Luciano.
    Pete fica animado.
    — Quer dar uma volta? — perguntou Luciano.
    — Vamos! — respondeu Pete, sorridente.
    Eles entram no carro preto.
    Na manhã seguinte, Ellie e Esther chegam à escola para mais um dia de aula. Enquanto Esther entra no prédio da escola, Ellie fica no pátio e vai falar com Adryan.
    — E aí, Adryan?
    — Oi, Ellie! Conseguiu terminar aquele trabalho de Arte?
    — Consegui! Vou apresentar na aula mais tarde.
    — Legal.
    Pete chega à escola em seu novo carro, ele estaciona, sai do veículo e se aproxima de Zara, Maju e Tom.
    — Seu pai te deu um carro? — perguntou Maju.
    — Estamos nos entendendo agora.
    Ele olha para Tom.
    — Tom, quer sair pra jantar hoje à noite?
    — Sim, eu quero — respondeu Tom.
    Os dois se beijam.
    — Meu pai gostaria que meu namorado jantasse em casa. Eu ainda tenho um?
    — Depende: eu vou ter uma carona no carro? — perguntou Tom.
    — Com certeza — respondeu Pete.
    Pete então sorri e beija Tom.
    — Eu estou perdoado? — perguntou Pete.
    — Sim, está. E eu estou feliz que você resolveu as coisas com seu pai.
    Pete passa o braço em volta de Tom e os dois começam a caminhar em direção à escola juntos.
    — Pete, espere um minuto — disse Maju.
    Pete retorna até Maju.
    — O que você está fazendo? — perguntou Maju.
    — Melhorando as coisas — respondeu Pete.

    Personagens de Apoio (ordenados alfabeticamente por sobrenome)
    Jane H. Moretti – mãe de Peter, Franci e Howard
    Luciano Moretti – pai de Peter, Franci e Howard
    Jean Venâncio – Aluno, amigo de Adryan
    Raquel Rodrigues – Professora de Arte
  • Escola Grasso 104 - Se Você Pudesse Ver

    Francine e seu namorado, Diogo, estão no quarto dela. A pressão para arrecadar fundos para o time estava começando a deixar Franci ansiosa.
    — Preciso pensar em algo para arrecadar fundos para o time; não tenho muitas ideias — disse Franci.
    — Eu tenho uma — disse Di, se aproximando dela.
    — Venda de bolos.
    — Di, isso é perfeito — disse Franci, com um brilho nos olhos.
    A empolgação levou os dois a se beijarem na cama de Franci, mas ela o afastou suavemente.
    — Espera, Di. Olha, eu gosto de você, mas não sei se estou pronta para isso ainda. E também meus pais estão lá embaixo; não quero ser pega em uma situação comprometedora.
    Di entende e tira a camiseta com aquele jeito brincalhão dele.
    — Bem, mas tem algo que eu posso fazer.
    Ele começa a fazer cócegas nela, fazendo-a rir.
    Howard, Pete e sua mãe entram no quarto.
    — Eu vou esperar lá embaixo — disse Di, envergonhado, saindo do quarto rapidamente.
    — Não quero mais meninos em seu quarto — disse Jane firmemente, com os braços cruzados.
    — Não estávamos fazendo nada! E o Pete pode trazer meninas para o quarto dele — protestou Franci.
    — Isso é diferente, querida; você só tem 14 anos — respondeu Jane.
    — Não, isso é diferente porque o Pete é homem — disse Franci, tentando se manter firme.
    Jane olhou para a filha com um olhar sério.
    — Já tomei minha decisão.
    — Mas mãe... — Francine tentou insistir, mas foi interrompida pela mãe.
    — Francine, essa conversa terminou — disse Jane antes de sair do quarto.
    Franci ficou ali, sentindo um misto de frustração e confusão. Por que tudo tinha que ser tão complicado?

    Personagens regulares (ordenados alfabeticamente por sobrenome)
    Maju Braga
    Bella Carvalho
    Lara Carvalho
    Zara Fernandes
    Lila Fontán
    Ellie Goes
    Adryan Gomes
    Joana Hart
    Di Katsutani
    Franci Moretti
    Howard Moretti
    Pete Moretti
    Liv Oliveira 
    Helena Moura
    Vitor Ramos
    Gui Silva

    Na manhã seguinte, no “Grupo de Apoio e Aprendizado (GAA)” (um grupo de alunos considerados “problemáticos” pelo conselho), Gui e Vitor estão jogando um jogo na sala de aula quando Maju chega para a aula.
    — Vocês viram o Pete? Ele deveria estar nessa aula com a gente — perguntou Maju, com um semblante preocupado.
    — O que você quer com ele? — perguntou Vitor.
    — Pelo que eu saiba, ele é gay — disse Gui.
    — Primeiro, ele namora; segundo, ele não quer ser rotulado; terceiro, ele está passando por algumas coisas difíceis agora e só quero ajudá-lo.
    — Você gosta dele? — perguntou Helena.
    — Eu estou preocupada com ele; ele tem matado aula e outras coisas, e estou preocupada que algo possa estar errado com ele — respondeu Maju.
    O sinal toca e os alunos sentam em seu lugar.
    No ginásio, antes da reunião do time de vôlei, Francine está conversando com Lila e Joana.
    — Vocês podem levar garotos para seus quartos? — perguntou Francine.
    — Eu não posso levar garotos nem para minha casa, quanto mais para o meu quarto — respondeu Lila.
    — Nenhum garoto é digno do meu quarto — respondeu Joana em seguida.
    — Incrível como minha mãe ainda tem a ideia de que meninos podem fazer o que querem e as meninas são vistas apenas como “garotas perfeitas” ou “vagabundas”. Como é possível que, em pleno 2025, ainda tenha gente que pensa assim? — disse Francine.
    — Eu sei que esse pensamento é ultrapassado, Franci, mas sua mãe te ama e só quer o seu bem — disse Joana.
    Zara interrompe as meninas e pede a atenção do time.
    — Gente, a nossa colega de equipe Francine deu uma excelente ideia para arrecadarmos dinheiro: vamos vender bolos.
    As meninas gostam da ideia e concordam.
    — Ainda vou ver certinho como e onde vamos fazer isso, mas logo eu aviso vocês, certo? — disse Zara.
    Enquanto isso, Liv, Adryan e Ellie estão no refeitório da escola, sentadas à mesa com copos de café que pegaram na máquina de bebidas.
    — Credo, Ellie! Não sei como você consegue tomar café sem açúcar! — perguntou Adryan.
    — É tudo uma questão de costume, Adryan — respondeu Ellie.
    — Nenhum adoçante, Ellie? — perguntou Liv.
    — Não, eu gosto de sentir o sabor do café — disse Ellie, tentando explicar aos amigos.
    — Beleza, então — disse Adryan.
    Maju está andando pelo corredor da escola; a escola está vazia. Ela vê Pete no mezanino e, de repente, ele pula lá de cima. Maju acorda de seu sonho gritando em pânico na sala de aula, assustando os outros alunos.
    Vitor, Helena e Gui ficam assustados e preocupados com Maju.
    O sinal toca. A professora Priscila tenta falar com Maju.
    — Maju, posso falar com você? — perguntou Priscila.
    — Estou bem, Priscila — respondeu Maju, querendo sair logo da sala.
    — Eu fiquei preocupada. Você sonhou com algo? — perguntou Priscila, preocupada.
    Maju sorri.
    — Ah, eu só sonhei que tirei zero na prova de álgebra.
    Maju olha para Vitor, Gui e Helena, que a olham com preocupação em seguida volta a olhar para a professora.
    — Olha, Priscila, eu estou bem. Não se preocupe — disse Maju com um sorriso forçado.
    Logo depois, Helena está sentada no corredor quando Franci e Zara se aproximam dela.
    — Helena? — perguntou Zara.
    Helena olha para ela, mas não diz nada.
    — Seus piercings são legais — disse Zara, tentando puxar assunto.
    — O que você quer? Estou ocupada — respondeu Helena.
    Zara olha para Francine.
    — Francine, fale para ela.
    — Então, o caixa do time de vôlei está zerado; as meninas querem vender bolo para arrecadar dinheiro — disse Francine.
    — Legal! E o que vocês querem que eu faça? — perguntou Helena.
    — Nós vamos vender pelo Instagram e pelo WhatsApp, mas queremos um site para ampliar as vendas — respondeu Francine.
    — Queríamos ver se você poderia criar o site — disse Zara.
    — Beleza, eu vou criar o site, mas vou querer 20% do lucro.
    Zara suspira.
    — Fechado!
    — Quando o site estiver pronto, eu te mando o link.
    Franci e Zara saem.
    — Vamos lá avisar as meninas — disse Zara.
    Mais tarde, Maju chega em casa; sua mãe está esperando por ela na sala.
    — Oi, mãe.
    — Oi, querida. Você pode sentar um minuto? — perguntou sua mãe com uma voz preocupada.
    — O que foi, mãe? Você está me assustando.
    — Sua professora me ligou; ela disse que você teve um pesadelo na aula.
    Maju senta e suspira.
    — Você pode falar comigo sobre qualquer coisa; o que quer que esteja acontecendo, eu estou aqui — disse sua mãe com um olhar preocupado.
    — Eu estou preocupada com o Pete e como ele pode se machucar — diz Maju à sua mãe.
    — Você já falou com ele? — perguntou sua mãe.
    — Sim, mas ele não quer se abrir — respondeu Maju.
    — Talvez ele esteja com medo de falar — disse sua mãe.
    — Talvez seja coisa da minha cabeça. — disse Maju olhando para sua mãe com os olhos cheios de lágrimas. — Mas e se não for e ele se machucar? O que eu devo fazer? Eu estou com medo, mãe
    Maju, começa a chorar.
    — Oh, querida, eu sei. Só me deixe cuidar de você — disse sua mãe, abraçando-a.
    Enquanto isso, há uma partida de vôlei na escola; os alunos estão lá para torcer.
    O jogo é difícil e as meninas da Grasso estão nervosas e cometendo erros bobos.
    — Vamos, meninas, foco! — gritou Franci.
    Zara apenas olha sério para Franci. O treinador pede tempo e, depois de suas explicações, Zara chama Franci.
    — Francine, eu só quero te lembrar que a capitã do time sou eu. — disse Zara com um expressão séria.
    — Eu sei, Zara, eu só...
    — Então se preocupe apenas em jogar e deixe que eu motivo o time, ok? — falou Zara, que se afasta, deixando Franci confusa.
    Maju está em sua casa tocando seu violão até que Pete entra furioso.
    — O que você pensa que está fazendo? — perguntou Pete.
    Maju para de tocar.
    — Pete, do que você está falando? — perguntou Maju, confusa.
    — Do que eu estou falando?
    — Você fez sua mãe ligar pra minha mãe e dizer que você estava preocupada que eu pudesse me machucar.
    — Meu Deus, Pete, me desculpe, eu não sabia que ela faria isso. — disse Maju desesperada.
    — Pelo menos admita o que você fez.
    — Eu juro, não sabia que ela ia ligar pra sua mãe; eu só disse que estava preocupada com você.
    — Eu estou bem; quantas vezes eu vou ter que te dizer isso? — perguntou Pete.
    — Até que você realmente admita que precisa de ajuda — respondeu Maju.
    — Quer saber? Não se mete na minha vida! — disse Pete, virando-se e indo embora.
    Tendo ouvido a conversa, Vitor entra na sala enquanto Maju começa a chorar.
    — Esse cara é um idiota — disse Vitor.
    — Eu só estrago tudo — Maju falou em prantos.
    — Não é verdade; se não fosse por você, eu ainda estaria morando na rua — disse Vitor confortando Maju.
    Os dois se abraçam.
    — Obrigada por estar aqui comigo — disse Maju, chorando.
    Continua o jogo na escola; o time da Grasso perde, e as garotas vão para o vestiário, tristes.
    Zara se aproxima de Franci.
    — Franci, eu quero saber se você está comprometida com a equipe? — perguntou Zara com um semblante sério.
    — O que? Claro que estou, Zara — respondeu Franci, não entendendo muito bem a pergunta.
    — Pois nessa partida me pareceu que você não estava concentrada.
    — O time todo perdeu, e você vem colocar a culpa em mim? — questionou Franci.
    — Eu só estou dizendo que você precisa estar mais focada com o time — insistiu Zara.
    Franci suspira, nervosa.
    Enquanto isso, Adryan está na casa de Ellie, e os dois estão conversando.
    — Saudades de quando minha vida era normal. Agora, tenho que resolver um mistério, fazer a Bella gostar de mim e criar algo perfeito para a Academy of Art. — disse Ellie.
    — Bem, artistas não têm medo de sair de suas zonas de conforto, então... E falando em sair da zona de conforto, isso me lembrou de uma coisa. Você vai à festa da vitória da Liv na sexta, né?
    — Que festa? — perguntou Ellie.
    — Você tá zoando, né? Ellie, falei um bilhão de vezes. Será bom pra você descontrair um pouco.
    — Eu não vou. — disse Ellie, determinada.
    — Ah, vamos, Ellie, por favor! Olha, a festa é o lugar perfeito pra você investigar quem fez o desenho na parede da escola. — disse Adryan, tentando convencer a amiga.
    — Você tem razão. Eu vou descobrir quem fez o desenho e vou fazer essa pessoa se arrepender do dia em que me deixou levar a culpa. — disse Ellie.
    Adryan olha pra Ellie assustado.
    — Ok, preciso que você relaxe. Está me assustando.
    Ellie sorri.
    Mais tarde, Francine está em sua casa. Ela se arruma para um evento na empresa de seu pai quando sua mãe entra no quarto.
    — Querida, você não vai com esse vestido. Preciso que troque. — pediu sua mãe.
    — Não, eu não vou trocar. Eu gosto desse vestido e vou com ele. — protestou Franci
    — Não, você não vai. — falou Jane mostrando sua autoridade de mãe.
    — Acho que a decisão é minha. — Franci disse, determinada.
    — A decisão será sua quando você fizer 18 anos. Agora você vai fazer o que eu estou mandando.
    Francine fica chateada.
    — Eu faço isso para o seu bem, filha. Os sócios do seu pai estarão lá. Imagina só o que eles vão pensar.
    Na sexta-feira, Ellie e Adryan chegam na casa de Lívia.
    — Eu falei pra minha mãe que viria na casa da Liv, só não falei nada da festa. Então, só preciso chegar em casa às 23h que estará tudo certo. — disse Ellie.
    Adryan aperta a campainha e Liv abre a porta.
    — Oi, coelhinho! — disse Lívia.
    — Oi, minha linda. — disse Adryan.
    Liv beija Adryan. Em seguida, Liv olha para Ellie.
    — Ellie, nem acredito que você veio a uma festa.
    — Vamos ver se ela sobrevive. — disse Adryan.
    Os três entram na casa enquanto a festa acontece.
    — Bem-vinda a uma festa do ensino médio. — disse Adryan.
    — Só tinha visto em filmes. — respondeu Ellie.
    — Primeira regra: fique bêbada! — falou Adryan sorrindo.
    — Ainda não acredito que é sua primeira festa, Ellie — disse Lívia.
    — Sempre tem uma primeira vez. — diz Ellie.
    Liv e Adryan começam a se beijar.
    — Vamos pro meu quarto, coelhinho. — disse Liv.
    — Tchau, Ellie. — Adryan falou.
    — Espera, pessoal! Vão me deixar sozinha enquanto eu investigo?
    De repente, alguém se aproxima de Ellie e diz:
    — Com licença.
    Ellie se vira.
    — Lara! Aí está você! — disse Ellie, sorridente.
    — Oi. — respondeu Lara com um semblante sério.
    — Precisamos falar sobre o atletismo. — falou Ellie.
    — Estamos em uma festa, Raquel. — disse Lara, sem muito interesse de estar perto de Ellie.
    — Sim, na verdade, preciso de sua ajuda com outra coisa. — disse Ellie.
    — O que? — perguntou Lara.
    — Vamos lá fora, vou te explicar. — falou Ellie.
    Enquanto isso, Di, Francine e Pete chegam na festa.
    — Eu não gosto muito de festas, só vim porque é pra comemorar a vitória da Liv. — Francine falou.
    — Você votou nela? — perguntou Pete.
    — Sim. — respondeu Franci.
    — Pensei que a Zara tinha mandado o time de vôlei não votar nela. — disse Di.
    — A Zara não manda em mim. — respondeu Franci.
    Eles andam em direção à porta e passam por Ellie e Lara, que estão conversando.
    — Então a Michelle quer que você encontre quem fez o desenho? — perguntou Lara.
    — Sim. — respondeu Ellie.
    — Olha, eu vou te ajudar, mas antes eu quero te perguntar uma coisa.
    — O que?
    Lara suspira.
    — Então, atletismo? Por quê? Achei que gostava de arte.
    — Eu gosto. Mas esse também foi um acordo com a Michelle pra eu escapar da suspensão.
    — Isso é tão idiota, a arte é inofensiva. — disse Lara.
    — Sim, eu sei, e também é muito boa. — complementou Ellie.
    — Você tem alguma pista? — perguntou Lara.
    — Na verdade, não. Talvez esteja aqui na festa, mas só isso. Vou investigar por aí até alguém confessar. — respondeu Ellie para Lara.
    — Então vai interrogar adolescentes bêbados. Isso parece muito fácil.
    — Fala isso, mas pode ser qualquer um. Pode ser você.
    — Pareço ser alguém que desenha? — Lara perguntou.
    — Olha, você é intimidadora, misteriosa. Então acho que não. — respondeu Ellie.
    — Obrigada. — disse Lara com um sorriso tímido.
    — Acho que você será a policial má e eu a policial boa. — disse Ellie sorrindo e animada.
    — O quê? — Lara perguntou um pouco confusa.
    Ellie pega na mão de Lara.
    — Vem comigo.
    As duas começam a investigar, perguntando aos alunos.
    Elas vão falar com Jean.
    — Desenho? Não, mas quando eu era mais novo, eu meio que tentei aprender a desenhar personagens de anime, sabe, Goku, Naruto, mas não levo jeito pra isso.
    Pete, Francine e Di estão na festa, em pé em um canto, observando a movimentação. Ellie e Lara vêm falar com eles.
    — Oi, vocês aqui? — perguntou Ellie.
    Os três apenas olham para elas.
    — Algum de vocês, por acaso, desenha? — perguntou Ellie.
    — Não, não sei desenhar, mas conheço pessoas que sabem. Se vocês quiserem o contato, é só dizer o que precisam — respondeu Pete.
    — Não, não precisa. Obrigada — disse Ellie.
    Ellie e Lara se afastam.
    Pete, Francine e Di ficam olhando confusos.
    — Ela é legal — disse Di.
    — Sim, um pouco distraída, mas é legal — falou Pete.
    Em seguida, Ellie e Lara encontram Maju e Vitor.
    — Olá, pessoal — disse Ellie animada.
    — Olá, meninas. Festa legal — respondeu Maju.
    — Ah, claro. Deixa eu perguntar: algum de vocês desenha?
    — Eu não — respondeu Maju.
    Eles olham para Vitor.
    — Não olhem pra mim, mas aquela ali desenha — ele aponta para Bruna, uma aluna da escola que está desenhando em um painel. As duas continuam andando pela casa; elas abrem uma porta e o quarto está cheio de fumaça, onde encontram um grupo de garotos.
    Dig olha assustado pra elas.
    — Alguém aqui desenha? — perguntou Ellie.
    — Droga, Ellie! Pensei que era minha irmã! — exclamou Dig, irmão de Liv.
    Ellie olha pra eles.
    — Posso fumar?
    — Eu também quero — disse Lara.
    Mais tarde, as duas sentam em um sofá.
    — A casa da Liv é enorme — disse Ellie.
    — Sim, parece que não tem fim — concordou Lara.
    — Verdade — disse Ellie.
    — Onde será que a Liv e o Adryan estão? — perguntou Lara.
    — Onde você acha? — Ellie respondeu com outra pergunta.
    — Eles parecem uns coelhos — disse Lara.
    — Por que você acha que a Liv chama o Adryan de coelhinho? — Ellie perguntou.
    Lara sorri e começa a dizer:
    — Olha a Liv e o Adryan, eles são...
    — Estranhos, fofos, bizarros? — completou Ellie.
    — Isso! — concordou Lara.
    As duas sorriem.
    — Não acredito que a Bruna é a nossa melhor pista. — disse Ellie, mudando de assunto.
    — Faz sentido. Já vi ela desenhando algumas vezes na aula. — disse Lara.
    — Sério?
    Lara balança a cabeça, afirmando.
    Logo, Bella se aproxima.
    — Ellie! Lara!
    Ellie olha para Bella e seu coração dispara.
    — Meninas, vamos beber algo — disse Bella, pela Ellie ter entrado na equipe!
    — Ah, podem ir. Eu vou fazer xixi. — disse Lara.
    Bella estende a mão para Ellie.
    — Vem comigo.
    — Tá bom. — disse Ellie, sorrindo de nervosa.
    Lara olha para as duas enquanto elas se afastam. Duas garotas sentam ao lado de Lara e começam a se beijar; Lara se levanta e sai.
    Ellie e Bella fazem um brinde.
    — À sua entrada na equipe. — disse Bella.
    — Ao atletismo! — falou Ellie.
    Elas bebem uma dose.
    — Nossa, boca está com o mesmo sabor. — disse Ellie.
    — O que? — perguntou Bella, sem entender.
    — Tem uma coisa presa na minha garganta. — gritou Ellie.
    — Outra dose vai ajudar.
    — É, sempre ajuda.
    Depois de algumas doses...
    Ellie e Bella estão dançando e sorrindo enquanto Lara as observa de longe.
    — Nossa, estou muito bêbada — disse Ellie.
    — Estou muito feliz que você entrou para a equipe. Eu nunca te vi fora da sala de aula. — disse Bella.
    — É verdade — disse Ellie.
    As duas ficam se olhando.
    Logo, uma garota grita:
    — Bella, vem dançar com a gente!
    Bella se afasta sem dizer nada, deixando Ellie sozinha. Ellie fica com um semblante triste, sem entender. Adryan percebe, dá um beijo em Liv e vai falar com Ellie.
    — Está na fase bêbada triste da noite? — disse Adryan, tentando animar Ellie.
    — Adryan! Adry. Meu amigo. — disse Ellie totalmente bêbada e chapada.
    Ellie o abraça.
    Adryan olha para Ellie e pergunta:
    — Quer ir pra casa? Vai ser melhor, né? Você tem treino com a Lara amanhã.
    — Nossa, verdade, Senhor Vice-Presidente. — respondeu Ellie.
    Adryan sorri.
    — Obrigado por me chamar assim.
    — Por nada. — respondeu Ellie.
    — Tá, agora vamos. Vou chamar um carro. — disse Adryan.
    Enquanto caminham em direção à saída, os dois passam por Lara.
    — Tchau, policial má! — Ellie gritou para Lara.
    — Tchau, até amanhã! Tome um isotônico. — disse Lara, sorrindo.
    Ellie faz um "joia" com a mão e diz:
    — Bebida esportiva!
    Eles passam por Jean, que está animado.
    — Já vai, Ellie? — perguntou Jean
    — Sim! — respondeu Ellie.
    Do lado de fora, Adryan segura Ellie, que está cambaleando.
    Pete observa.
    — Ela está bem?
    — Vai ficar; é a primeira bebedeira dela. — disse Adry.
    Pete, Francine e Di sorriem.
    — Estou esperando meu motorista. Querem uma carona? — perguntou Pete.
    — Não, valeu, já pedi um carro. — respondeu Adry.
    Adryan se afasta.
    — Meu motorista? — perguntou Adryan pra si mesmo.
    — Nossa, você é tão forte! — falou Ellie com a voz arrastada.
    — Sim, eu sou forte, não sou? Vamos lá, nosso carro chegou. — falou Adryan, segurando Ellie, que mal consegue ficar em pé.
    Eles entram no carro e vão embora.

    Personagens de Apoio (ordenados alfabeticamente por sobrenome)
    Jane H. Moretti
    Priscila Mendes – Psicóloga da escola e professora no GAA
    Dig Oliveira – irmão de Liv
    Jean Venâncio

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