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  • Eternas aventuras de meninos

    O que torna um livro clássico universal? Faço minhas as palavras de Ariano Suassuna quando diz que o livro universal é tão singular que pode retratar a vida do homem em qualquer lugar do mundo. Por mais paradoxal que isso seja, quando lemos Tom Sawyer de Mark Twain, não é tão difícil ver aquele garoto da nossa rua ou da nossa escola, se envolvendo em confusões, que para ele, não passam de grandes aventuras.
                Mark Twain é um famoso escritor norte-americano. Nascido sob o nome de Samuel Langhorne Clemens em 1835, numa cidade as margens do rio Mississipi, teve uma infância humilde. Com muito bom-humor e vontade de viver, começou a escrever sobre a vida cotidiana, as paisagens e as pessoas de sua cidade. Quando se deu conta, já era um escritor aclamado pelo público e pela crítica estadunidense.
                Na obra mais famosa do autor, vemos a trajetória de Tom Sawyer, um vívido garoto da pequena cidade de São Petersburgo. O cotidiano de um garoto levado é rico em sentimentos e emoções. Um menino em sua infância é um herói, todos os dias reencarna uma epopeia, seja como um pirata, Robin Hood ou um caçador de tesouros. Seus medos e seus amores são palpáveis, pois são intensos, verdadeiros.
                O menino vive com sua tia amável Polly, seu meio-irmão, o astuto Sidney e sua irmã Mary. O dia a dia de Sawyer é o sonho de qualquer criança: poder andar a esmo pela cidade e seus arredores sem ser importunado ou correr perigo, brincar e se sentir o que são, crianças. Ele usufrui disso da melhor forma. Com irreverência e traquinagens, consegue transformar um castigo num favorável momento de negócios.
                Tom é um garoto inteligente, mas também sensível, vide o seu tratamento com Huckleberry Finn (personagem tão maravilhoso que protagonizará o seu próprio livro logo depois). O garoto selvagem, pária da pequena cidade interiorana. Filho de um alcóolatra, de comportamento agressivo e de famosa má educação. É com o segregado de São Petersburgo que ele viverá uma das maiores aventuras de sua vida, se tornando melhores amigos a partir daí.
                Os heróis também amam, e quando o percebem, já é tarde! Se apaixonar pela filha do juiz da cidade tem lá seus empecilhos e suas emoções. Se a beleza de Becky Thatcher não lhe tivesse capturado o coração, talvez ele não tivesse tomado “aquela” honrosa atitude. É com pequenos atos de amor que o menino conquista a sua amada. Nunca a entrega de uma maçã foi tão romântica, sem ser piegas.
                Para movimentar a trama, logo no início da obra, Tom Sawyer e seu amigo Huck Finn vão ao cemitério realizar uma cura a verrugas, com direito a gato morto e versos mágicos. Mas o que deveria ser uma noite de diversão, acabou se tornando uma noite de terror. Muff Potter e Índio Joe acompanham o doutor da cidade, que deseja resgatar o corpo de Willians Cavalão da cova e estudá-lo.
                Mas, algo dá errado o doutor acaba morto na confusão. Tom e Huck se tornam testemunhas de um terrível crime. Durante todo livro vemos de modo dramático, e também divertido, como os garotos tentam lidar com a situação e quais as consequências do crime na vida de Muff Potter e do terrível Índio Joe. Como clássico da literatura universal, deve ser lido, relido, trelido, comprado, emprestado e dado de presente.
  • Experiência Divina (Meu filho Lavi)

    Chamo minha experiência de pai, a experiência de Deus. Pude perceber muitas coisas da vida e de mim mesmo, vendo o crescimento e desenvolvimento do meu filhinho Lavi. No início logo quando ele nasceu, parecia para mim que ele ainda não estava aqui, quando digo ‘aqui’ falo desce mundo, acho que estava em parte… Não existia muita expressão da parte dele, além de muito sofrimento, pois pude ver que nesses primeiros dias de vida tudo é dor. E como dói! O maior problema era a coisa com gases, a experiência de ingerir algo pela primeira vez, o leite materno causava uma revolução interna muito grande, às vezes ele chorava estridentemente por horas, e as noites eram mais dolorosas para todos. Alguns diziam que para melhorar dos problemas de gases a mãe não deve comer isso ou aquilo, eu particularmente não acreditava em nada disso, acho que era o processo da vida acontecendo, até o pequenino se acostumar em ingerir alimentos e aprender a eliminar os gases. Pronto! Daí passou esse processo, e pude vê-lo descobrindo as suas mãozinhas, era mágico para ele abrir e fechar as mãos, acho que nesse momento o seu espírito estava aprendendo a se comunicar com o seu corpo, assim, pude perceber que tudo que somos no início de nossas vidas são os nossos olhos e nossas bocas, acho que é o primeiro contato com a vida material. Ele olhava suas mãos constantemente e se maravilhava, virava de um lado a outro, mas não tinha coordenação e nem conseguia segurar um objeto sequer. Quando ele aprendeu a utilizar essas duas ferramentas poderosas tudo se transformou, daí pegava tudo e levava para boca. Queria sentir tudo, e a maneira de sentir verdadeiramente é provar com o paladar, como se tudo fosse um alimento, e verdadeiramente percebi que de certa forma tudo é alimento. Incrível Isso! Como podia aprender da vida, apenas observando o desenvolvimento da própria vida… As vezes ele sorria, mais seu sorriso era meio que inconsciente, pois sorria quando começava a ter sono e dormia a maior parte do tempo, acho que era muito cansativo aqui, preferia estar no mundo imaterial… Quando queria alguma coisa chorava, nisso aprendi que o desejo é uma forma de sofrimento… Mas realmente os problemas começaram quando ele aprendeu a engatinhar, daí pude ver o quanto o desejo pelo que é perigoso e arriscado é o natural do ser humano, pois o menino só se interessava em ir de encontro ao que colocasse sua vida em risco, como: Colocar o dedo nos buracos da eletricidade… Engatinhar em direção as escadas e precipícios (no caso os da cama) e mexer em coisas perigosas. Vi que quando crescemos não nos tornamos muito diferentes, o perigo nos atrai de uma forma que nem percebemos, em nossas escolhas e em nosso querer… Daí pude entender que o nosso Pai-Mãe Amado muitas vezes utiliza da ignorância de muitas coisas, para proteger os seus filhos amados das paixões que possam empregar as suas almas. E via como Lavi ficava irritado, esperneava e chorava, quando eu o tirava de uma situação perigosa, como: tirar uma faca ou uma moeda de sua mão, e coisas desses tipos que causam riscos de vida aos bebês. Daí também eu compreendi quando eu ficava triste e me irritava quando eu perdia algo que achava ser bom na minha vida, e vi que o meu Pai-Mãe Amado estava me protegendo de algum dano qualquer e agradeci a Ele de coração por isso, e, ao meu filho Lavi também por me revelar esse segredo… Quando Deus tira algo de seu alcance, Ele não está punindo-o, mas apenas abrindo suas mãos para receber algo melhor… Uma coisa muito interessante que eu aprendi com Lavi, foi o verdadeiro significado da palavra paciência, e vi que paciência é o mesmo que proteção… Pois todas as vezes que eu fazia comida para ele, colocava-o na cadeirinha de comer, e ele no início odiava e gritava, e chorava… Ele não entendia o porquê de ficar preso nessa cadeira com cintos de segurança e tudo. E num desses momentos que eu preparava a comida e ele chorava, me veio um insight desses que eu sempre tive com Lavi, ele não sabia que eu estava fazendo aquilo para o bem dele, ele só podia compreender o momento daquela prisão entediante, mas depois que eu chegava com a deliciosa comida, ele se alegrava. E vi claramente que todas as vezes que me sentia preso a uma situação desconfortável, e que eu gritava e esperneava… Era que o meu Pai-Mãe Amado estava preparando algo de especial para mim, e que me colocou nessa situação desconfortante para eu estar protegido de todo mal, pois enquanto ele preparava esse algo em especial, ele não podia cuidar de mim, por isso ele me colocava numa “prisão”, daí eis que compreendi a paciência de todas as coisas. Atualmente eu educo o meu filho com muitos NÃO! Lavieeeeeeê NÃOOOOOOO! (לביא לא). E agora estou refletindo nisso seriamente. Depois que ele começou a andar com quase 10 meses, tudo ficou mais arriscado… As ferramentas corporais que ele descobriu só o levam para sua morte… Daí eu pude perceber que nós seres-humanos criamos muitas ferramentas, e que atualmente muitas delas nos levam à morte, e vi o porquê que depois de milhares de anos, só agora (2012) depois de uns 60 anos muitas ferramentas foram nos dadas, e, as coisas que antigamente eram consideradas como proibidas, agora nos são lícitas. Deus parou de nos dizer NÃO! Assim como no momento certo vou para de dizer NÃO, ao meu filhinho… Saber usar as pernas e as mãos é bom, mas quando elas nos levam a perdição e a morte é mal… Com muito cuidado deixo o meu filho experimentar as coisas, só nos momentos drásticos, tiro de suas mãos ou tiro ele da direção errada em que seus pés o levam, e ele chora e esperneia… E pude compreender que a vontade de nosso Pai-Mãe Amado nunca irá nos levar aonde a sua Graça não irá nos proteger… Em algum momento eu pensei que Deus nos abandonou, mas acho que nesses tempos atuais em que profetas e enviados se ocultam, o nosso Pai-Mãe Amado está nos deixando experimentar por nós mesmos os efeitos de nossas escolhas, pois tudo já foi dito e revelado… Nós já crescemos! Agora como parte de nosso aprendizado só nos resta escolher o que fazer com todas essas ferramentas. Eis aí o nosso livre arbítrio. Deixo no final uma pequena reflexão (ciranda) que tive, e compus, antes de ser pai… Mas que julgo ser verdadeira e de grande valor. Benção do mais Alto dos altos a todos!
     
    Espírito inocente, ágil, valente
    São poucas as pessoas que os veem como gente
    Tudo é descoberta e não existe pressa
    Das mais simples coisas fazem uma festa
    Nas suas alegrias descobrem fantasias
    Brincadeiras e emoções preenchem os seus dias
    Na imaginação criam um novo mundo
    Ali não existe o “não”, nem tão pouco o absurdo
    Ser pequenino!
    Mas, pequeno só no tamanho
    O seu espírito é maior que o oceano
    Ser insignificante!
    Esquecido pela sociedade
    Só dão o devido valor quando aprendem a ter maldades
    São considerados fracos
    Porque pequeno é o seu tamanho
    Mas, fracos e pequeninos
    Se tornam com o passar dos anos
  • Financiamento coletivo da antologia Orixás - Histórias dos nossos ancestrais

    Projeto

    A antologia “Orixás: histórias dos nossos ancestrais” é uma coletânea de contos organizada por Janaina Storfe. O livro conta com histórias tendo como temática os doze Orixás representados no Dique do Tororó, em Salvador:

    Oxum, Xangô, Oxalá, Oxossi, Ogum, Nanã, Iansã, Iemanjá, Oxumaré, Ossain, Logun-Edé e Ewá.

    Os contos foram selecionados através de um concurso literário. O objetivo da obra é dar mais espaço para escritores no mercado literário nacional, divulgando novos autores e consolidando autores já publicados.

    Inicialmente, a coletânea seria disponibilizada apenas em formato eletrônico (e-book), criamos então este financiamento coletivo para possibilitar o lançamento do livro físico.

    Abaixo temos a lista com os textos por ordem de autor:

    Alec Silva – O sonho de Amira

    Alec Silva – Quem rola a pedra na pedreira é Xangô

    Alexandre Torres – O amuleto da vingança

    Aline Cristina Moreira – Invisível

    Ana Lúcia dos Santos – O chamado de Oxóssi

    Ana Sabina – A mão de todos os Orixás

    Athos Guizzardi da Mata – O ardente cobre dos nove ventos

    Bruny Guedes – Foi nas ondas do mar

    Caliel Alves – Onde o metal não é bem-vindo

    Caliel Alves – Quem é como Oxum?

    Cavaleiro de Cervantes – O medalhão

    Claudio Diniz – Da canção de Xangô para Iansã

    Darlan Veit – Oxalá

    Denise Deviller – Mães divinas

    Douglas Alves – A dança libertadora D´Oxum

    Fabiane Rodrigues da Silva – A menina dos olhos do mar

    Hanna Carpeso – O escultor de ideias

    Jacqueline Silva – Qual a diferença entre o início e o fim?

    João Paulo Celestino Lima – Portal entre dois mundos

    Jonas Di Andrade – A profecia de Yayá

    Juliane Vicente – A lenda de Oxum

    Margarete Souza – Ogum

    Mari Barani – Dois de fevereiro

    Meg Mendes – A senhora dos Eguns

    Natália Krentz dos Santos – O orixá que virou uma estrela

    Nay Rosário – Ife

    Rodrigo Mesquita – A caça e o caçador

    Saigon Quevedo – Apenas uma manhã

    Tiago Rafael dos Santos Alves – Abegunde e a busca pelo Ogó e Exú

    Yuri Colonezi – O cortejo no caminho das águas

    Meta 1: Caso a campanha atinja sua meta, o livro estará à venda posteriormente em todos os canais de distribuição da Cartola Editora!

    Meta 2: Caso a campanha atinja 150% de sua meta faremos um evento de lançamento em São Paulo!

    Fortmato do livro

    O livro ainda está sendo diagramado, mas terá aproximadamente 150 páginas em papel pólen 90g/m2, com capa em couché fosco 250g/m2 com orelhas de 6cm.

    Como apoiar

    O Catarse é uma plataforma de financiamento coletivo. Essa página é uma parceria entre a Cartola Editora e a plataforma. O processo é muito simples, você apoia o projeto e ajuda a ideia a sair do papel, na verdade, ajuda a ideia a ir para o papel =)

    Os 15 primeiros que apoiarem o projeto com o valor de R$ 35, receberão um exemplar do livro impresso SEM PAGAR FRETE para todo o território nacional.

    Se você tem uma empresa e quer apoiar o lançamento do livro, temos duas possibilidades bem bacanas para quem gosta de projetos culturais. Você ainda divulga sua marca entre os leitores do livro e os internautas que interagem com a Cartola Editora. Patrocine essa ideia!

    Obrigado por apoiar o projeto! E não se esqueça de compartilhar e divulgar entre os seus amigos.

    A Cartola Editora

    Somos uma editora focada em autores nacionais, oferecendo uma oportunidade para que o escritor iniciante, ou até mesmo experiente, possa publicar sua obra em papel e em formato digital. Todos os livros que publicamos têm sua versão impressa e sua versão em e-book. O nosso objetivo é disseminar cultura através de bons livros, sejam eles técnicos, romances, biografias, coletânea de poemas ou contos.

    Acesse o link:

    https://catarse.me/contosdosorixas

  • Guardando na memória para depois me alembrar

    Como estudante de graduação em História, tudo que remete a trajetória humana me encanta. Mais se tem algo dentro do processo histórico que alimenta a minha curiosidade, é a memória. O ser humano é o único bicho que Deus fez com capacidade para registrar tudo o que faz e pensa. E com Alagoinhas: o que a memória guarda, vi está habilidade natural se transformar em arte e monumento.
              Pedro Marcelino é um talentoso cronista, aguerrido político, homem de pensamento avançado, mas, mais importante que tudo isso, querido amigo. Sua escrita me leva a tempos não vividos, deliciosos e frescos como aquele orvalho de manhãzinha. Como em uma teia de aranha, vai tecendo o panorama de uma cidade como a palma de sua mão. E com cuidado e brio, vai transformando parágrafos em pontes para o passado alagoinhense.
              Nascido em Igreja Nova, atual distrito de Boa União, ele puxa pela memória e pesca cenários, sociabilidades, e o imaginário de toda uma época recheada de humor. Uma alma popular que se transforma em língua viva, fazendo coro na existência humilde e interiorana. Linguagem que vai se moldando no tempo, em hábitos, em costumes e imagens corriqueiras, que de tão corriqueiras, se tornam mitos para a nova geração.
              Como quem se diverti em lembrar, e não como quem busca noticiar os causos que testemunhou, Pedro Marcelino faz o que muitos historiadores não conseguem fazer: dar vida ao passado, lhe dar cores, cheiros, texturas, despertar os sentidos para as coisas que ficaram noutro tempo e espaço, e que só uma dose de café no varandado da casa e um suspiro olhando para o horizonte pode trazer de volta.
              Memória como gozo da vida. Desejar o passado, não como quem quer ficar parado nele, congelado como um frio de supermercado, mas como alguém que desejaria viver uma segunda vez tudo de novo, e até com mais prazer àquela queima das palhinhas, um recreio no Luiz Navarro de Brito, beber uma gelada no Alafolia, desfilar num Sete de Setembro chuvoso – desde que não fosse na rabeira do desfile.
              É com prazer que, através de Pedro Marcelino, apresento as memórias de Alagoinhas à própria Alagoinhas. O livro foi publicado pela FIGAM Editora, tem cerca de 140 págs. Orelha na contracapa com biografia do autor. Prefácio de Walter Queiroz Junior. Ilustrado por diversas fotografias riquíssimas em detalhes e história.
  • Guerreiros das Sombras

    A reunião já se estendia por horas afinco de debate e todos se mantinham concentrados em tudo o que estava sendo falado. Um pequeno detalhe poderia fazer toda a diferença. Até que um estrondo vindo da porta da frente deixou todos alarmados e alguns se colocaram imediatamente em posição de combate. A porta da frente havia sido arrombada e um rapaz careca de pouco mais de vinte anos, surgiu com o corpo de perfil. Três outros rapazes se juntaram a ele.
             - Quem são vocês e o que querem!? – Disse o líder do grupo, um rapaz de pouco mais de vinte anos e com os fios de cabelo espetados.
             - Queremos sangue. – Respondeu o jovem careca, de forma maliciosa.
             - É muita petulância de vocês virem até aqui... Mas foi bom, nos poupou o trabalho de procurá-los.
             O rapaz careca mostrou um pequeno sorriso, deixando em evidência suas presas afiadas.
             - Isso vai mostrar aos outros que nenhum amaldiçoado é páreo para os Amorfs.
             O jovem caçador voltou o olhar para os seus companheiros e em seguida falou.
             - Eu cuido deles sozinho.
             Sem qualquer arma em mãos o jovem caçador se lançou para atacá-los e imediatamente os três vampiros, que acompanhavam o rapaz careca, se lançaram para o confronto. Aos olhos de qualquer um aquela não era uma luta muito justa, mas não para o jovem caçador ou para os seus companheiros, que estavam acostumados a entrar em um confronto sempre em desvantagem.
             As três criaturas o atacavam ao mesmo tempo, obrigando-o a redobrar a atenção para não ser ferido com gravidade. O caçador deu um salto mortal para trás de um dos vampiros e rapidamente sacou uma estaca, que estava presa a cintura, e golpeou a criatura fatalmente. Os outros vampiros lançaram um olhar raivoso e desferiram um ataque duplo contra seu adversário, que conseguiu se defender habilmente. O vampiro mais alto o atacou com um soco, bloqueado pelo guerreiro, em seguida o caçador o segurou pelo braço e o jogou contra a mesa. Um dos caçadores se aproximou da criatura, pegou um pedaço de madeira do chão e desferiu um golpe fatal.
             O único vampiro ainda de pé soltou um curto urro enquanto partia para atacá-lo. Desferiu um soco contra o caçador, atingindo apenas um espaço vazio, em seguida o golpeou com outro soco, atingindo-o na face e fazendo-o dar alguns passos desequilibrados para o lado. O caçador passou as costas da mão no canto da boca, limpando um pequeno filete de sangue e voltou a encará-lo com o olhar raivoso. Ele se lançou para atacá-lo e desferiu uma sucessão de socos contra seu agressor, todos bloqueados pelo vampiro, que em resposta o golpeou na face. O caçador o atingiu com um chute na altura do pescoço jogando-o contra o solo, e rapidamente pegou sua estaca. Saltou sobre o corpo de seu oponente, cravando-a em seu coração.
             O rapaz careca que, junto com os demais, apenas observava o confronto, começou a bater palmas caminhando na direção do caçador. Todos os guerreiros lançaram um olhar curioso para o vampiro, que sorria com a situação.
             - Meus parabéns, você acabou de matar três jovens vampiros que não demonstraram ter tanta serventia. Espero que não esteja cansado, seria uma pena perder toda a diversão. – Olhando-o com sarcasmo.
             O rapaz soltou um assobio estridente e um grupo de vinte vampiros e vampiras adentraram o local, todos armados com espadas e pistolas automáticas. O caçador se juntou aos demais e olhou para o grupo a sua frente, apreensivo. Uma das vampiras, que segurava duas espadas, se aproximou do rapaz careca e as entregou a ele.
             - Que comece a festa. – Com o olhar malicioso.
    Curioso?
  • Harmonia ao quadrado

    A Editora Estúdio Armon não cansa de me surpreender. São diversos títulos de mangás seriados ou solo que, acabam nos divertindo e nos levando a outros mundos possíveis. Sejam fantásticos ou realistas, esses mundos são a manifestação de que possuímos criadores talentosos em nosso meio, ansiosos por uma oportunidade de mostrar o seu talento enquanto desenhistas e roteiristas.
              A coletânea HarmoniHQ apresenta um interessante conceito: um quebra-cabeça em mangá. Assim como um quebra-cabeça, diferentes peças conectadas formam a imagem de um todo, maior e mais bem elaborada. O argumento inicial surgiu da quadrinistas e designer Cristiane Armezina, e acabou gerando uma das melhores obras dos criadores do estúdio. Tanto é que foi indicado a uma das categorias do Troféu HQ Mix.
              A obra foi recorde em financiamento coletivo do estúdio no Catarse. A tiragem inicial foi de 1000 exemplares, maior até que muitas editoras tradicionais. A identidade visual ficou a cargo da Cristiane Armezina, com capa representando todos os protagonistas dos one-shots feitas pelo Giovanni Kawano. A capa e contracapa possuem detalhes em brilho e alto-relevo, um projeto gráfico muito bom da Gráfica Monalisa. São mais de 300 págs.
              O tomo possui orelhas, dois prefácios escritos por Kaji Pato (Quack, Editora Draco) e Max Andrade (Tools Chalenge, Editora Draco), além de diversos extras. A obra reúne 9 one-shots e 12 artistas. A partir daqui eu traço minha experiência de leitura, que de nenhuma forma se propõe a ser a palavra final. E recomendo a aquisição da obra para uma completa visualização de suas potencialidades. Como se trata de uma obra com menos de dez títulos, farei análise uma por uma, iniciando da que mais gostei, colimando até a que menos gostei.
              BRAkuman é escrita por Fábio Gesse e ilustrado por Raphael Munhoz. À primeira vista parece uma paródia de Bakuman, mas isso se torna ledo engano na primeira virada de página. Seguimos a jornada do Jotacê, um jovem adulto tentando descolar uma grana enquanto continua a produzir seu mangá Pure Armors na internet. Mostra de maneira crua, porém, divertida, a expectativa e desafios da produção de quadrinhos independentes dos brasileiros. O Fábio incluiu vários elementos que deixou a coisa bem verossimilhante, até o Joey do canal MangáTube!, apareceu aqui, mas sem cuspir nos mangás alheios. O Munhoz teve algumas sacadas metanarrativas, como incluir a criação de quadrinhos em recurso da diagramação, além de fazer quadros em 3D — quando os objetos do quadro interagem com outros quadros, é como se o personagem saltasse da página para fora dela.
              Epístola é one-shot escrito pelo Gabriel Nunes e ilustrador pelo jovem experiente Gabriel Silva. Esse último foi o artista que mais evoluiu no Estúdio Armon para mim. Se destacou após desenhar o seinen Máscaras da humanidade, obra com ótimo potencial mas que acabou se tornando um fiasco devido a inconstância do roteiro — era um thriller psicológico, virou uma ação sobrenatural, por fim, se tornou um thriller psicológico de novo. Depois dessa pequena gafe em forma de mangá, ele se recupera mostrando a maturidade do seu traço num roteiro sombrio e angustiante. Os Gabriel, ou melhor, Gabriel2 traz a história do jovem executivo Renato que está sofrendo assédio (ou stalker, se você prefere o estrangeirismo). Particularmente, eu quero ver mais dessa dupla. Estão bem entrosados, e são jovens.
              Lucky Guy é uma obra do Giovanni Kawano, e o cara é muito bom em criar obras que dramatizam o nosso cotidiano com perfeição. Lucas é um jovem de beleza adônica, mas sofre com a timidez, e não sabe se expressar muito bem. Resultado: muitas trapalhadas! Kawano tem um traço muito simpático. Os roteiros são leves e bem-humorados, o que nos leva a questionar se aquilo não já acontece conosco ou com nossos amigos.
              Inclinação para o mal­ foi desenvolvido pelo Erix Oliver. Nesse one-shot, a protagonista Leslie Lockendoor, conceituada romancista, se envolve num caso de assassinato na inauguração do Hotel Zorn. O mistério e sua resolução foi muito criativa, digna dos clássicos das histórias de detetive que rende homenagem. Porém, acho que o autor deveria ter criado uma situação para gerar mais dúvidas no leitor, e o momento ideal era a reunião na sala de recepção, fora isso, tudo está muito coeso. Outra coisa que me chamou atenção, a obra se passa no Brasil, mas porque trazer tantos elementos europeizados? Não é possível criar uma atmosfera para histórias de suspense policial se não remetermos ao estrangeiro? Os desenhos são geometrizados, remetendo aos shoujos, só que com traçado mais obscuro. A Leslie é bem gótica para mim, eu gosto desse visual.
              Jayson Santos nos traz seu one-shot Sociedade Zumbi. História anteriormente ganhadora de um concurso de quadrinhos, mostrou mais uma vez o talentoso traço do mesmo autor de Hooligan e Makai Mail (Conrad). A trama gira em torno do Gary, um zumbi que encontra uma humana ainda viva, a Seis. É uma história que traz uma mensagem fatalista, determinista e conformista. É uma tragédia em redenção nem catarse.
              CNC é uma obra do Waldenis Lopes, autor de Utopian. Outra história de detetive, mas com um teor mais mórbido, afinal, é um gag mangá sobre um crime. Entretanto, acho que esse one-shot tem alguns erros no roteiro. Por exemplo, porque que uma testemunha se trancou num cômodo no local do crime se ele poderia fugir? Porque não chamou a polícia? Inspetora de qualidade trabalha em que órgão regulador do governo? O crime e suas motivações tem sua lógica, mas a cadeia de eventos não o foi nada factível. O desenho em lembrou muito Luluzinha Teen, mais cartunesco, com contornos grossos com uso e abuso de retículas e texturas. O elemento yaoi passou em branco aqui, foi mais alívio cômico do que retratação de personagens LGBT+ na obra.
              Dreams é da mangaká Pammella Marins. A autora tem um dos melhores traços josei do nosso país. Apesar da beleza dos desenhos, a obra ficou aquém. O one-shot trata de um relacionamento lésbico entre uma jovem desenhistas e uma mãe solteira. Isso por si só já dava para explorar muitas coisas em um one-shot, mas a autora não soube aproveitar em nada a temática. Ela incluiu diversos recursos narrativos como flashback e saltos temporais (ou time skip, se preferir) que comprimiram a história, e a cada compressão, perdíamos um dos elementos de nosso interesse. Por exemplo: a protagonista, a Alexandria, é uma jovem desenhista, mas após passagem de tempo, qual a relevância disso para ela? Como um relacionamento com uma mulher mais velha e com uma filha poderia impactar numa relação? Como a projeção da imagem da mulher amada na afilhada da companheira de Alexandria iria provocar problemas na relação das duas? Porque incluiu um tema fantástico que não foi desenvolvido e nem teve relação com a trama? Para um spin-off de Anjo da guarda, a obra não funciona só, e nem complementa a trama original.
              Penúria prometia uma obra sarcástica e com um teor crítico, que suscitaria discussões, mas acabou fazendo o contrário. A Andressa Gohan nos trouxe uma quebra de paradigma visual: a protagonista é uma jovem amazona negra em pleno mundo medieval, e só, tudo acaba aí. Como a temática remetia ao “girl power”, segundo a autora, o objetivo era estabelecer uma crítica a sexualização das personagens femininas na ficção especulativa, porém, a história é anêmica demais para sustentar uma crítica tão grande. Há erro um problema na causalidade dos eventos, parecendo mais uma miscelânea de piadas metatextuais equivocas.
              Considero Maximillian Sheldon a pior história que já li de todo o estúdio. Sei que parece injusto com o traço simpático do Lucas Gesse e com o roteiro eficiente do Fábio Gesse. Eles traduziram a música da banda Ultraje a rigor para os quadrinhos. A ideia é genial, e eles contaram com a ajuda do Roger Moreira, vocalista da banda. Porém, como eu não curto mais a sonoridade da banda e acho a figura do Roger repugnante, eu detestei a história. Roger é um roqueiro reacionário, negacionista, bolsonarista, militarista, armamentista, antidemocrático, arrogante, egoísta, egotista, ególatra e que se acha o centro do universo etc. adjetivos que sozinhos já te fazem alguém muito insuportável, mas que juntos te fazem alguém ainda pior. Ele é tão inteligente que se filiou a um partido que não existe. Ariano Suassuna disse que um roqueiro é uma coisa decadente, mas decadente mesmo é um roqueiro a favor do sistema. Sem chance pra essa história irmãos Gesse, prefiro ler Crônicas de Etekion ou 4 elementos.
  • ÍCARO

    O voo
    desaba no céu
    deságua
    desarma
    desata
                c
                   aí
                       !
                       .
                       . 
    erra na terra
    e se encerra em si
                                   em
                                         cio




    .............................................................
    © "Copyright" do Autor, IN: Concursos literários do Piauí. Teresina, 2005, Fundação Cultural do Piauí. 226 p. Página 193.
  • Imensidão

    Você se aproximou de mim  
    Causou em mim todos os  
    Efeitos, eu apenas reagi a  
    Todos eles, feito "boba" 
    Você me levou ao teu  
    Mundo, nele enxerguei a 
    Escuridão por de trás de  
    Seus olhos. 
    O seu coração é gigante  
    Enquanto o seu sorriso  
    É a imensidão  
    É nessa imensidão  
    Que quero estar ao seu lado!
  • Imperceptibilidade de uma Grande Alma -  Crônicas do Parque

    Em uma dessas manhãs de Yom Sheni (segunda-feira), em que se encontrava solitário sentado em um dos bancos no Parque de Kfar Saba, com a cabeça cabisbaixa apoiada em seus punhos. Sentia-se ignorado pelo mundo, já não era tão apreciado como antes. Algo lhe escapou ou foi-lhe roubado. As pessoas já não mais lhe presentearam com olhares de admiração e espanto.

    _ O que aconteceu comigo? _ perguntou a si mesmo.

    Se viu metamorfoseado como Gregor Samsa. Não em um besouro monstruoso. Mais em algo muito pior que ele não sabia muito bem o que era, mas que o tornara invisível, como se fora engolido por um grande peixe. Não fazendo muita diferença, pois também o tornava peçonhento.

    Apenas era diferente e fazia a diferença. E por isso se tornou uma alienígena para os demais. Como um vagão que se desprende da locomotiva, decidira há tempos atrás pular dos trilhos e escalar a grande montanha. E assim era visto como esquisito, complexo e fora da lei.

    Entretanto, não entendia o porquê de não ser compreendido. E o porquê do mundo não o querer como amigo.

    As pessoas o temiam, pois ele se tornara o reflexo do correto. As pessoas o rejeitavam, pois ele se transformara no que elas mais temiam em um ser-humano, o espelho da sinceridade e honestidade.

    Nele a verdade se externou. Abrindo a tampa do esgoto das personalidades. E, por isso, diziam umas para as outras:

    _ Este não é divertido.

    Por ter uma personalidade diferente, não era cínico. Por vezes, era muito inocente perante as maldades alheias, o que lhe protegia das armadilhas das más intenções.

    Mesmo sendo ignorado, era notado em todos os lugares. O ignoravam por inveja, medo, receio, ou para não lhe darem a devida primazia e poder merecido.

    Ele nada disso entendia. Apenas sentia-se rejeitado pelo mundo. Porém, o Sagrado o acompanhava, protegendo o seu doce coração da maldade das diversas aspirações do ego humano.

    O Espírito nele fez morada, com o tempo a sabedoria o despia de suas dúvidas e inferioridades. Até que alcançou a Maestria que o tornara distante dos demais, e deles alcançou a veneração, suplantando a admiração mundana. Erguendo-se como uma branca flor de lótus, além de suas folhas deitadas nas águas da ilusão, da grande piscina ecológica do parque da região da Rosa de Sharon.
  • Inúmeros ‘eus’ demônios de mim

    Sentia-se cansado depois de um longo dia de trabalho árduo. Tirou seus sapatos, e como de praxe, pendurou-os pelos cadarços em um extintor de incêndio que se encontrava na entrada do acampamento. Fazia isso, todos os dias, para que os insetos nocivos como aranhas e escorpiões não fossem ter seus calçados como abrigo. Tirou suas roupas de trabalho, que mais pareciam como fardas de soldado, e pendurou-as em um barbante que estava esticado ao lado das paredes feitas de pequenas varas de bambu. E ainda vestido com finas roupas brancas de baixo, pegara sua pequena sacola de pano, que comprara em viagem ao Peru, onde cotinha seus produtos de higiene e limpeza corporal, e fora rapidamente para o banheiro tomar uma ducha quente.

    — Finalmente! — exclamara para si mesmo se enxugando e caminhado para vestir sua confortável roupa de dormir.

    Pegou alguns pedaços de madeira, colocou em uma pequena lareira de ferro que se assentava ao solo, colocou um bule com água para esquentar na plataforma da lareira, e fora se sentar numa pequena poltrona ao lado, se aquecendo do imenso frio do inverno desértico israelense. E, com uma xícara de chá de Erva Luíza envolvida pelas suas mãos, para, também, aquecê-las, levava a boca dando pequenos goles em curtos espaços de tempo, onde seus pensamentos rodopiavam com os estalares da madeira incendiada, fazendo uma pequena retrospectiva do seu difícil dia.

    Ao terminar de tomar o seu calmante chá, massageava seus pês com uma solução que fizera com alecrim, azeite de oliva, essência de lavanda, óleo de sementes de uva, óleo de amêndoa e mel.

    Lamentavelmente, pensando, percebera que por falta de sabedoria os seres humanos construíam em suas vivências inúmeros ‘eus’ demoníacos, roubando-lhes suas consciências e alegria de vida. Pensava isso, pelo fato de presenciar nas atitudes de seus companheiros de trabalho, os muitos agregados psíquicos aproveitarem-se de alguns conhecimentos adquiridos para se auto afirmar. Conhecimentos estes, sequestrados pelo mau ego, que tornam o ‘pequeno eu’ perigosamente astuto, capaz de formular os piores crimes emocionais e sentimentais, explorando o homem pelo homem, destroçando as inúmeras capacidades intuitivas, e as diversas expressões artísticas, filosóficas e religiosas do ser.

    Este ‘pequeno eu’ sabotador, que na verdade são múltiplos e se arma de intelectualidade, destrói os verdadeiros valores existenciais que sempre vem sustentando a espiritualidade humana, dando o pior de si mesmo em sua astucia mecanicamente intelectual, para conseguir seus “altos” níveis de prestígios sociais, políticos e econômicos. Imbuído de sua vaidade doentia e arrogante que crê firmemente que em si mesmo e por si mesmo está pensando, sem se dar conta que sendo um pobre mamífero e bípede intelectual, está apenas sendo controlado por seus múltiplos sentimentos e emoções que são subordinados aos seres semelhantes, assuntos e objetos externos, e, não a si próprio.

    Intuitivamente, também, percebera em si mesmo os muitos ‘eus’ agregados e trapaceiros, que apesar de constituir uma só parte, ilusoriamente crera ser o todo em um dado momento. Nessa intuição, vira que quando surgia repentinamente um sentimento de ódio por uma determinada pessoa, pensara erroneamente que a totalidade do seu ser estava odiando, enquanto apenas um determinado eu era o autor de tal sentimento odioso.

    Percebera-se diante de um mundo pluralizado dentro de si mesmo, em que no exterior confeccionava o indivíduo. Inúmeros pensadores que apesar de fazer parte de um só corpo e mente, se crê que é um todo, momento a momento.

    Vira que os seus processos de identificação, empatia, amor, ódio, rejeição e discriminação eram apenas pequenos ‘eus’ interesseiros e oportunistas, em que o fazia de vítima ou vilão de cada situação. E, diante disso, queria sempre se manter alerta, questionando toda e qualquer forma de emoção, pensamento e sentimento autônomo que infortunadamente o dirigisse. Principalmente para o que dizia respeito as intenções, palavras e ações alheias. Não esquecendo, é claro! Que esses inúmeros ‘eus’ mesquinhos e desarmônicos, apoderam-se constantemente de situações que não foram devidamente analisadas e meditadas, que tornava a personalidade vítima das circunstâncias e intenções maldosas alheias.

    Sentado no conforto da lareira, repetia para si mesmo mentalmente, exclamando:

    — Tenho que viver em estado de profundo alerta constante!

    Desejava não mais ser enganado pelos inúmeros ‘eus’ internos que só lhe causavam discórdia, ou pretendia afastá-lo da senda do conhecimento místico espiritual. E, mentalmente dizia para si mesmo:

    — Se eu deixar que esses ‘eus’ demoníacos internos atuem… pensando e sentindo por mim, nunca estarei no real controle. Nunca serei o senhor do meu destino e de mim mesmo. Apenas pensarei estar pensando, sentirei que estou sentindo… enquanto é ‘outros’ agregados que pensa com minha mente, e sente como meu coração. Sendo eu arrastado pelo vento, levado pela correnteza e inflamado pelo fogo.

    Se vira escravo… escravo das circunstâncias culturais que o acorrentaram desde o seu nascimento a um corpo animal cheio de desejos, vícios, medos, traumas, percepções e concepções errôneas do universo e da natureza em seu cotidiano urbano social. Que negativamente se fazia personificado nas associações e identificações mecânicas de si mesmo, e dos demais seres semelhantes no coletivo sentimentalismo mórbido e agregados psíquicos de um mundo em que a fantasia era a realidade do animal intelectual. Amando demasiadamente a si mesmo, se auto vangloriando, imbuído de autoconsideração que o conduzia inevitavelmente à autocomiseração. Pensado ser o “bom-homem”, no papel da vítima, em que ninguém ao seu redor sabia apreciá-lo. Tudo isso graças a má-educação psicofísica, somada a uma pitada de pobreza espiritual e ignorância cultural, que o tornava produto intelectual de formas estereotipadas de reagir sem pensar a toda e qualquer situação adversa, levando as diversas maneiras equivocadas de sentir e pensar nos inúmeros mecanismos autônomos negativos de se entregar a emoções inferiores, e luxuriosas do prazer e a da dor.

    Nisso, percebera a compaixão que tinha que ter com seus semelhantes e consigo mesmo. Não punir, e nem se punir. Não condenar os seus sentimentos negativos e inferiores, e nem condenar esses mesmos sentimentos no seu semelhante. Nem tão pouco procurar motivos para justificá-los, mas, observar e se auto observar em um ato de recordação de si mesmo, na procura de conhecimentos ajudadores dos inúmeros estados que nos levam a tal decadência, e dos equívocos da consciência suprema espiritual. Em que vivemos lamentado o perdido… chorando pelo leite derramado na recordação atormentante dos velhos tropeços e calamidades… odiando o que desprezamos em nós e no outro… manifestando um amor-próprio narcisista exagerado… e em pensar se vamos ser aprovados pelos julgamentos alheios.

    E, essa compaixão nada mais era do que sacrificar os nossos próprios sentimentos, emoções e pensamentos de quem somos. Sacrificar os nossos próprios sofrimentos, medos e complexos. E ser como o céu… que mesmo estando em toda parte, observando e englobando o todo de tudo, nunca pode ser tocado… nunca pode ser contaminado!

  • Iraci Gama: intérprete de Alagoinhas

    Uma nação que possui intérpretes, detém uma historiografia. Uma cidade que possui intérpretes, é privilegiada. Alagoinhas é essa cidade. Atualmente localizada no território de identidade Litoral Norte e Agreste Baiano, é rica em história(s), pujante em economia, com sociedade e cultura vívida. Nascida de uma freguesia inhambupense, de entreposto se tornou centro comercial da microrregião.

    O município se desenvolveu em diversas áreas, o que lhe possibilitou o olhar crítico de homens e mulheres que se detiveram em escrever a sua história. Mais que pesquisadores, a esses dou o nome de intérpretes de Alagoinhas. Ao pesquisador cabe o recorte, ao intérprete cabe o panorama. A historiadora Iraci Gama Santa Luzia, em seu livro Memória, narrativa e identidade: a cidade ferroviária de Alagoinhas Vol. 1, nos apresentou uma profunda reflexão sobre a historiografia alagoinhense.

    A obra foi publicada em 2022, e havia sido postergada por variados motivos, dentre eles a pandemia de COVID-19. Foi dividida em dois volumes devido à grande quantidade de imagens e documentos que a historiadora fez questão de publicar junto ao texto. O livro trata de variadas questões, desde a economia até a política alagoinhense. Se utilizou da perspectiva dedutiva, focando também a história do Brasil e da Bahia.

    A fundação da urbe é marcada por mitos a exemplo do Padre João Augusto Machado, suposto fundador da Vila de Santo Antônio das Lagoinhas, ou a construção da Igreja Inacabada. Os mitos fundadores de Alagoinhas são anacrônicos e à-históricos, mas não desprovidos de intencionalidade, como a própria autora descreveu ao longo da obra. Iraci Gama fez um trabalho excepcional em desconstruir essas incongruências históricas.

    A escolha de um ensaio historiográfico lhe concedeu uma vantagem. Sua escrita é leve, sem esquecer da análise-crítica; embasada em documentos; alterna em tempo síncrono e diacrônico; e é à-linear. Apesar de atribuir a Alagoinhas o sinônimo de “cidade ferroviária”, não descuida de outros elementos do espaço urbano como a indústria agroalimentícia e os seus diversos movimentos artísticos-culturais.

    Iraci Gama foi e ainda é uma mulher devotada a preservação do patrimônio histórico, cultural e documental de Alagoinhas. Ela, junto a outros tantos colaboradores, construiu um acervo que auxiliou na formação de uma historiografia alagoinhense. Seu mais recente projeto se concluirá numa duologia, é mais uma contribuição a esse acervo da história do município.

    Apesar de ser uma professora aposentada, continua mais ativa que nunca. Suas contribuições a cidade vão além do seu ensaio historiográfico. Formadas em Letras Vernáculas e Mestra em Educação, foi diretora e professora da Faculdade de Formação de Professores (FFPA) e depois da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus II. Foi vereadora, e presidiu associações culturais, atualmente é vice-prefeita da cidade.

    Minha única crítica ao ensaio se refere há algumas passagens que soaram como livro de memória. Apesar do acesso a grande quantidade de documentos, a autora foi econômica tanto na quantidade de fontes analisadas e aprofundamento destas. Certas imagens careceram de contextualização, mesmo que em notas de rodapé. Alguma revisão precisa ser feita no futuro em relação à ortografia, mas nada há que impeça a leitura.

    O livro foi publicado pela Quarteto Editora, possui 184 páginas. A obra conta com orelhas e Prefácio do Prof. Dr. Jorge Damasceno, além de uma Apresentação da Prof.ª Dr.ª Edil Silva Costa. A capa e contracapa do livro ficaram a cargo do artista plástico Littusilva. O livro é indicado para discentes, professores ou curiosos da história de Alagoinhas. Leitura recomendada para todos e todas.

     

    Para adquirir a sua edição, entre em contato com a autora em:

    https://www.facebook.com/iraci.gama.547

     

    Ou se encaminhe a Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo (SECET), Biblioteca Municipal Maria Feijó, em frente à Praça Rui Barbosa, Alagoinhas-Centro.
  • JUS

    É natural toda a maravilhosa surpresa:
    Meus olhos muito te admiram porque
    eu não sei se Você é feita de beleza
    ou se a beleza é que é feita de Você
     
  • Jus

    É natural toda a maravilhosa surpresa:

    Meus olhos muito te admiram porque

    Eu não sei se você é feita de beleza

    Ou se a beleza é que é feita de você...


    Imagem Ilustrativa para o Poema "Jus"




     
  • Jus

    É natural toda a maravilhosa surpresa:
    Meus olhos muito te admiram porque
    Eu não sei se você é feita de beleza
    Ou se a beleza é que é feita de você..


    peopl088
     
  • La Luna em Beleza e Graça

    Meu Amor!

    Há uma beleza audível e invisível que imerge no íntimo dos puros de coração

    E como a luz da lua cheia em que sua aureola prateada a envolve de encanto místico sagrado… a canção emerge do mais profundo do ser, espiralando no corpo uma aura de graça e áurea de benção

    A uma inocente beleza de pureza e graça iluminada em sua doce voz feminina…

    Voz de pureza musical que penetra arrepiando os fios dos corpos em graça

    Cada tom… cada acorde… cada timbre… cada sopro do teu ser é gracioso em sua voz em graça

    Calmamente vou seguindo os seus passos sonoros no Bendito Amor em beleza e graça

    Tua força audível dança descontroladamente em meu coração

    Tua voz graciosa me arrasta para a Morada da Beleza

    O Sagrado lá me espera…

    A Beleza em tua doce graça penetra meu coração

    Apenas um eco no vento de uma doce voz feminina me embala

    Trançando meus cabelos com pequenos galhos de flores e coloridas folhas, arrastados no sopro íntimo dos teus acordes sonoros em graça

    Como és graciosa Querida!

    Em tua voz fui levado ao divino do meu SER

    Proclamou-se em mim uma semente do Sagrado e Eterno Contínuo ecoando em sua voz em beleza e graça

    Os empecilhos e agregados de minha falsa personalidade evaporaram pelo sopro gracioso do teu iluminado coração, em cura, beleza e graça

    Cante escrevendo para mim Meu Amor, no silencioso do meu ser agora em graça… sopre o teu vento em ondas sonoras, acompanhado pelos acordes percussivos dos grilos, pelos efeitos do rasgar da garganta da coruja em um misterioso grito supersônico, e pela beleza secreta e mística da melodia dos lobos uivantes ao te venerar em luz prateada no céu noturno

    Sento-me solitário na beira do rio Meu Amor… me leve em teus passos sonoros… reflita em minha pele a luz dos teus acordes em brilho e graça… fecho meus olhos com a cabeça erguida voltada para tua face lunar… cruzo minhas mãos abertas em reverência uma sobre a outra, levando-as calmamente ao meu peito, no lado do meu palpitante coração… na sinfonia noturna das pequenas criaturas… em um divino concerto místico onde toda natureza te acompanhava em beleza e graça… tua voz luz em ondas escritas me penetrou… e sozinho, sentado me ergui no doce luminoso bailado… e fui levado pelas cores do invisível sonhar… e na minha singela silhueta, em que fui ofuscado em seu canto de luminosidade coloridamente graciosa, me despi por completo de minha singular, pluralista e dualística personalidade masculina

    Tua mística voz foi jogada ao vento como o sopro no dente-de-leão

    Uma dessas sementes luminosas repousou em meu coração

    E lá nasceu a tua graça… divina… escrita… cantada

    No palco lunar de inefável beleza e bondade mística iluminada

    Assim, Meu Amor… sua voz cantou em graça meu coração

    Beijando com sua luz o meu masculino negro corpo terra, numa voz feminina branca e graciosa lunar canção

  • Literatura eletrizante!

    Não conheço ninguém que já tenha tido a honra de ter um gênero literário inspirado em seu nome além de Nikola Tesla. O engenheiro elétrico e inventor nasceu na Sérvia, em Smiljian, no ano de 1856. Devido as suas grandes contribuições científicas e teorizações acerca da energia elétrica, acabou despertando os escritores de ficção para a escrita de histórias que englobassem a relação da sociedade com a energia elétrica.
                Meu primeiro contato com o gênero Teslapunk veio com uma antologia organizada pelo Maurício Coelho, prolífico escritor e tradutor, além de antologista. Assim como outros subgêneros da ficção científica a exemplo do steampunk, dieselpunk, solarpunk e o famoso cyberpunk, as narrativas se desenvolvessem explorando a interferência da tecnologia na vida humana, muitas vezes, de modo negativo.
                Em mais uma antologia do selo Cavalo Café, a obra Teslapunk: Tempestades Elétricas, Maurício Coelho acertou a mão escolhendo dez contos para participar de mais uma antologia, sendo o próprio organizador um fã da temática e publicando também um conto. A Editora Porto de Lenha trouxe uma ótima edição, tem orelhas, ilustração de Rafael Danesin, papel do miolo amarelado, ilustrações internas, página de abertura com fotos e biografia dos autores, prefácio e posfácio. O que faz do livro um show de editoração.
                O prefácio é escritor pelo Prof. Dr. Alexander Meireles da Silva. Professor da UFG, mestre e doutor em Literatura. Aqui ficamos sabendo um pouco mais sobre a origem do gênero literário e sua relação com a produção contemporânea. O Teslapunk se insere nas propostas punk de contestação, mas não deixa de ser um tipo de Retrofuturismo. Além disso, vemos a influência de Tesla na cultura pop.
                O primeiro conto da antologia é o mesmo do ilustrador, Tunguska, 30 de junho de 1908. Já li um outro conto do colega escritor numa antologia de cyberpunk. O texto investe muito na metaficção, ou seja, você obrigatoriamente deve ter muita leitura anterior para entender. Para mim, não foi difícil pegar as referências, mas o leitor médio não vai pescar. Não darei spoilers. O conto só peca nisso mesmo, merecia mais páginas.
                O conto seguinte é o trabalho de estreia do Gabriel Mascarenhas, é o melhor da antologia, na minha opinião. Teletransfoto traz um clima de ficção policial dentro de uma história Teslapunk. O conto é tão bom que você sente uma nostalgia, você se sente transportado para as antigas narrativas Pulp Fiction, quando talento e originalidade eram essenciais para se contar boas história. Parabenizo ao autor, foi genial.
                Pedro Graeff nos traz um Teslapunk e narrativa histórica, uma mistura que casou muito bem em Guerra Fria. Através de uma ação cotidiana, memórias de guerras travadas a muito tempo são destrinchadas. O uso da energia elétrica como força bélica Segunda Guerra Mundial mudou as relações beligerantes. Como estudante de História eu curti esse conto demais.
                Armistício de Sangue é escrito pelo Daguito Rodrigues. Além de escritor, o autor é repórter e roteirista. Algo que influenciou bastante seu conto. Foi o segundo que mais gostei. Vi aqui uma contestação política e um questionamento existencial ousado e que faz muita falta nas produções de hoje. Aqui, um policial está tentando dar conta do salvamento de reféns numa faculdade, mas nada será o que você pensa.
                João Augusto de Nardo é um escritor de terror sem igual. É editor da Revista Aterrorizante. Em seu conto Barracão 13, temos uma narrativa muito curta, mesmo em primeira pessoa, senti que faltou explorar mais. A história gira em torno de um rebelde que acaba descobrindo planos do governo que incluem poderosas máquinas assassinas. Caio Fraga traz um conto interessantes, com direito a viagem no tempo e tudo mais. O segredo do tempo vai te parecer confuso até o fim. Mas quando chegar lá, o autor vai te surpreender.
                Raios e escuridão é o conto do Adnelson Campos. Flerta bastante com o paranormal. Até o fim da história não sabemos quem influência a mente de Tesla em suas criações, o que nos faz pensar quais seriam as consequências direta desse contato. Jonnata Henrique é poeta e contista de mão cheia. Aqui ele misturou Teslapunk com faroeste. No conto a Centelha de Zeus, faroeste em Oeste Rochoso traz a mobilização de uma cidade inteira atrás de um estranho artefato que pode gerar energia elétrica ilimitada.
    B. Jenitez é um autor que eu já conheço da Revista Somnium. Seus contos sempre tem um quê de narrativa experimental. Eu gosto muito das suas propostas narrativas. É inspirador como a forma do conto altera a nossa percepção dos acontecimentos da narrativa. No conto Passaporte para Magônia, escritos apócrifos de Tesla revelam experiências únicas e que evidenciam contato com formas de vida não humanas.
                O conto que publiquei nessa antologia, minha estreia no gênero Teslapunk foi uma história ambientada num Brasil em plena ditadura, onde energia elétrica é usada como forma de controle e segregação da população. Em Dançando sobre as faíscas, Watts é um homem que está adentrando um terreno perigoso: o do traficante de energia. Mais seus objetivos vão muito mais além da necessidade energética.
                O conto do organizador Maurício Coelho traz várias questões à tona, dentre elas as criptomoedas e a questão da imigração ilegal. Cidade Luz se passa em Belém do Pará, o protagonista Plínio contata o angolano Lévy para executar um roubo a criptomoedas. O imigrante até tenta se desvencilhar da proposta, mas o outro é mais insistente. No fim, o roubo ocorre com graves consequências para um deles.
                O posfácio é escrito por um autor da velha guarda, o Prof. Dr. Edgar Indalecio Smaniotto. Antropólogo, filósofo, e ainda mestre e doutor em Ciências Sociais. Pesquisador de diversos aspectos da ficção científica como o transumanismo. Aqui conhecemos um pouco mais sobre as origens de Tesla e sobre a ciência acerca da eletricidade. Aspectos de sua psique e de sua vida são importantes para entender e até produzir ficção no Teslapunk.
                Com todas essas informações, esse livro se torna obrigatório em sua coleção. Além da leitura de onze conto incríveis, você conhece um pouco sobre a biografia de um grande cientista moderno, um novo subgênero da ficção científica, tudo isso num único livro com edição pra lá de ótima. O Maurício além do talento é muito eficiente e talentoso, gostei de trabalhar com ele nessa antologia.
    Para adquirir o livro acesse:
    http://portodelenha.com/livraria/conto/85-teslapunk.html
  • Lua de Meu Existir

    Minha Amada que fertiliza o meu existir.

    Em plena beleza me perco em teu reflexo deitado sobre as águas escuras de minha alma.

    Mesmo com toda calma e mansidão de tua noite em que te revelas nua, cheia e completa.

    Teu reflexo iluminador é tremulo, desconexo e vibrante, intercalado por linhas negras que desconfiguram em saudades meu pobre e solitário coração de poeta.

    Ao subir lentamente cheia, contemplo a tua chegada no meu inabitado lago interior.

    Ao passo que te levantas se abre vagarosamente uma estrada de luz ‘brancamente’ prateada em meu encontro.

    Ó! Doce fonte de luz que me intensifica… ainda que eu possa ser tocado por tua energia iluminada, estás tão ‘lusitaneamente’ longe de mim…

    De súbito me imagino a caminhar em tua prateada e tremula estrada, então, poder ao menos abraçá-la calorosamente, enquanto ainda não flutuastes em mágica para o mais alto dos céus estrelados… tua influência elementar do Sagrado Feminino em mim, desperta a Consciência Mística da intuição emotiva do meu ser, quebrando os meus viciantes padrões interiores em ciclos de transformações ascendentes e decadentes de toda uma existência apaixonada.

    Como eu te amo, Meu Amor!

    Ó! Fruto do meu desejo insaciável…

    Sobes agora livremente… e tua estrada de luz desaparece nas águas de minha emoção, e agora debaixo de tua luz prateada, volto a minha singularidade pequenina e frágil, onde realizo o meu ritual de amor à tua Lua Cheia embelezada em sua aureola majestosa repleta de teu amor.

    Nisso, me vejo sendo irradiado pela luz azul de sua aureola… meu corpo negro encandece inflamado pela sua onda radiativa, tornando-se fosforescente, atraindo toda espécie de pequeninos seres noturnos em divindade graciosa. Pela tua dádiva amorosa, tornei-me um ser luminescente, e… quem me dera ser carregado pelos pequenos vaga-lumes que agora me cercam, no único amoroso objetivo de poder pousar em teu grandioso ventre oculto nos teus misteriosos segredos noturnos.

    Tua pele branca me seduz, teus cabelos de nuvens negras a flutuar me enfeitiçam. Como és bela! Como sou teu!

    Embora possa, eu, ser um diurno ser flamejante, de que me vale toda essa potência… se em minha forte luz te ofusco, ao ponto de nem eu mesmo poder contemplar a tua clara beleza? Estou preso na majestade de mim mesmo, e nisso, sigo meu solitário baile diário.

    Ó! Meu Amor, meu doce Amor… Meu Encanto! Como te imagino e me imagino juntos… ao te contemplar no silêncio de uma tarde em que apareces repentinamente no reflexo espelhado no limpo céu azul… mas, esta linda visão que tenho no dia, bela e cheia de graça… apenas se faz ecoar, ecoando a ecoar… a ecoar.

    Em tua face clara, lusa e juvenil me vejo iluminar. Abrindo meus olhos… retirando de mim as impregnações infrutíferas e residuárias de meu sofrido passado e presente agoniante tedioso.

    No meu mágico ritual… derramo as águas de aquários em uma bacia de prata e deixo exposta à luz de tua Lua Cheia, para que parte de Ti possa se desprender e lá habitar. Ponho minhas mãos sobre as águas e o recipiente, e faço riscos imaginários mágicos escrevendo palavras místicas de amor… em oração Celta na alta voz… dizendo:

    — Ó! Sagrada Mística Sabedoria Lunar… que tua luz fêmea caia sobre essas águas, envolvida na Magia da Prata e, de suas perenes divindades noturnas do Argentum branco e brilhante. Invoco sua áurea iluminada que reflete o poder divino de tua purificação e amor. Ser gigantesco feminino que controla todas as forças ocultas das águas naturais, que constitui todos os seres orgânicos e abarca os seres inorgânicos… se faça aqui fluidamente presente no Sagrado Agora… vem, e me Ilumina!

    Ao terminar meu mágico culto de oração… vi sua luz em forma feminina descer em baile e encanto, se deleitando nas águas… transformando-as em plasma prateado. Ali mesmo sob a luz de tua magnífica e sagrada presença me despi de minhas rudimentares vestes, assim como, também, estavas despida dos teus véus de nuvens negras. Derramei o teu leite prateado em meu corpo nu… pude te sentir me tocando todo e por completo, onde me acariciava com beijos de uma paixão apaixonadamente purificante… a este tocante… me perdi em fluxos energéticos de amor que me fazia flutuar e ecoar… ecoando a ecoar.

    Quando regressei a mim… já tinhas desaparecido, restando apenas a lembrança do teu beijo, teu calor, tua sensação purificadora e teu carinhoso amor, e teu céu noturno no vazio estrelado.

    Minha Amada… silenciosamente fechei meus olhos em reverência, e, de mim, restou lhe dizer:

    — Te amo… Te amo… e Te amo!
  • Lua Escura

    Querida minha

    Hoje passeio em devaneios pela noite escura a sua procura
    Hoje não me contemplaste com tua bela face iluminada, e triste caminho por essa trilha incerta do existir sem ti

    Apenas um vazio em meu coração palpita reclamando a sua presença
    Na tua ausência percebi que o céu era vasto e imenso de estrelas a cintilar
    Porém, vazio do mistério e do segredo de te amar

    Minha Querida
    Onde foste que não me levaste
    Por que de mim te ocultaste
    Sabes que te amo, e sem ti, sou cego em meu solitário noturno caminhar

    Triste, sento-me novamente na beira do meu interno lago, fecho os meus olhos no escuro do infinito abismo de escuridão… de que me importa os olhos abertos se não posso te contemplar fora… volto-me para morada do coração, e lá te imagino a me iluminar com teu claro sorriso.

    Te vejo nos meus amorosos pensamentos deitada sobre o teu céu escuro na cama ilustrada de planetas errantes e estrelas, em pequenos passos lentos e silenciosos vou ao teu encontro, e vejo que dormes encoberta pela sombra da terra. Apenas silenciosamente te contemplo, admirando o teu sono profundo… estou aqui contigo Meu Amor

    Em minha meditação adentro em teus mágicos sonhos… como estás bela a dançar com tuas guirlandas de estrelas. De repente, nossos olhos se encontraram, e não entendi porque ficaste estagnada com minha sutil presença, e lágrimas vi cair em seu lindo rosto que se evaporaram em uma cortina de serenos noturnos… de súbito repentino, me vejo te abraçando… e novamente nada entendi, porque evaporaste súbita e repentinamente dos meus braços como uma gota d’água a tocar uma superfície aquecida… e solitário me vejo, também, chorando, culpado por interferir em sua intimidade.

    Ó! Meu Amor… que maldição é essa que nos prende ao estar separado e nos separa ao estar preso?

    Te vi triste Meu Amor, e em tristezas doloridas estamos
    Dançamos juntos de mãos dadas ao som dessa música melodiosamente triste
    Nossos corpos chorando se juntam embalados por essa solidão
    Que segredos o seu coração guarda?
    Que mistérios esconde a tua face oculta?
    Do que sabes que não sei!?
    Por que tamanho silêncio?
    Não percebes que estou aqui para ti!
    Por que me abandonaste hoje?

    Somos tocados pela dor da separação…, mas, haveria tanta beleza se estivéssemos agora juntos?
    O que separa o Criativo do Receptivo senão a beleza do caminhar separado, ao se unir no imaginário! Então, caminhemos eternamente juntos com nossas mãos dadas na doce solidão a imaginar

    Quero te ouvir, que tristeza melodiosa canta seu coração
    Neste céu silenciosamente noturno, em que ansiosa volta tua face iluminada para baixo… o que pensas?
    Quero te compreender… me fale de tua tristeza, pois sei que a oculta quando enxuga suas lágrimas rapidamente em gotículas de sereno

    Por que só te revelas para mim em parte, se para você sou o todo de tudo em toda face?

    Te vi sentada no trono da noite
    Suas mãos acariciavam o rio do Nilo celeste
    E sentada sobre os seus calcanhares na taça da flor de lótus, o rio luminoso em que tocas arrasta infinitas flores estrelares
    Estás festivamente adornada de luminescências e cintilantes aureolas Meu Amor

    Vi uma beleza sobrenatural no seu amável rosto…, e, uma tristeza oculta… um mistério!
    Em sua majestade vejo que rege a Estrela Mágica, e oito vezes com sua foice crescente a decepaste do noturno céu enviando-a para mim, como a linda Estrela da Manhã. Porém, oito vezes com sua foice minguante, novamente decepaste do céu agora diurno, tomando-a de volta para si, como a linda Estrela Vésper… Essa Estrela é a nossa Mensageira do Amor… de nosso solitário Amor

    Dorme tranquila Meu Amor
    Em sua luz encoberta de encantamento na paz de tua força interior

    Sinto seu amor… Meu Amor… pleno de força plena
    Sua atmosfera mágica me envolve no frescor de seu sereno carinhoso pelo qual solitário me condena

    Hoje! No breu da noite
    Estudarei em meditação as tuas leis celestes
    Na sombra terráquea em que dorme te vestes

    E, nesse céu em que hoje de mim te ocultas
    Esperarei no amanhã a sua doce poesia
    Pelo qual me revela a sua face oculta
    Na companheira doce tristeza do meu amargo solitário alegre dia

  • Mecanicidade Metódica de Si Mesmo

    Voltara-se para dentro de si como nunca, antes, já vivenciado… se viu completamente protegido da ventania de egos que soprava contra sua casa forte. Resolveu olhar para si mesmo com os olhos da Graça, e se viu com os olhos Divinos, quando, de repente, abriu em sua mente um panorama existencial de sua trajetória cósmica unilateral, e sem partidos. Se vira nu… nu de alma, embora o seu corpo estivesse vestido.
    De tal forma sublime, ignorava em difíceis sacrifícios os seus inúmeros sofrimentos psicofísicos, para elevar-se muito além de suas fraquezas. Vira a mecanicidade e o voluntariado dos seus mais íntimos sofrimentos, exposto em um quadro mental de sua consciência adormecida, encoberta por um grosso cobertor de culpa, na cama psicológica dos seus erros e defeitos. A sua triste, entediante, monótona e adormecida consciência, amontoava sentimentos e pensamentos de um cansaço íntimo frustrante. E sempre lamentava por constantemente não conseguir, apesar de muito esforço, o fruto dos seus desejos, em que se sentira ofendidamente enganado por pensar que a vida lhe devia tudo que não fora capaz de conseguir.
    O mundo lhe devia satisfação.
    As pessoas ao seu redor tinham por obrigação, e direito, admirá-lo, e, também, a primazia de honrá-lo.
    Sabia que era bom e honesto em tudo que fazia, e, em tudo que se propôs a realizar. Porém, não entendia tal barreira energética que o prendia a má sorte, e sofria com a rejeição e a inveja alheia voltada contra ele. Isso bem que lhe parecia uma maldição, um encanto malicioso. Pois a inveja alheia lhe cobria nas mais simples coisas, manifestando nas mais simples formas… a sua simples maneira de sorrir… seu educado comportamento… a sua forma singela de olhar… a sua voz doce e agradável… o jeito em que prendia seu cabelo… as suas boas ações para com o próximo. Sendo, que por mais simples e singelo fosse em sua natural conduta, maior lhe seria a inveja alheia. Por ser o oposto do política e corretamente manifestado, envolvido em uma pureza e inocência de proteção e amor divino, que o fazia distante da hipócrita ironia social.
    Verdadeiramente, um doce de homem… lindo, maravilhoso, gentil e encantador.
    Nos ambientes era femininamente amado e masculinamente rejeitado, ao mesmo tempo que era masculinamente invejado e femininamente odiado… por um segundo o glorificavam o colocando no mais alto pico dos interesses, contudo, em um complô inconscientemente coletivo, silencioso e secreto, o sabotavam, precipitando-o pico abaixo do mais alto desfiladeiro, ignorando-o nas conversações grupais, e lhe presenteando com as viradas de olhos e costas. Por isso, tinha pena e dó de si mesmo, ao se ver abandonado e discriminado em invejosas soberbas alheias. E por esse sentimento que o apunhalava nos grupos sociais, deteve todo progresso interior de seu MARAVILHOSO SER, se trancando em si mesmo, envolvido em sua própria bolha de medo, rejeição, complexos e culpa no calor refrescante de sua ilha desértica.
    Em sua mente em conflito, inúmeros ‘eus’ perversos e ressentidos, impregnados de ódios e maldições, tapavam com um lençol negro o sol da Autorrealização do seu SER. Culpava tudo… odiava o mundo… tudo era tão feio e cinzento… e as pessoas eram por demais perversas, maldosas, egoístas e interesseiras.
    Entretanto, ainda não sabia ele que sua existência inteira estava alienada na identificação com essas inferiores emoções. Ao ponto de não poder enxergar além de suas bolhas de sabão, assopradas por si mesmo. Essas inferiores emoções eram-lhe feridas abertas inflamadas de sentimentos de vinganças; ansiedades; ressentimentos pessoais e odiosos pelos males alheios lhe causado; pensamentos violentos; inveja; ciúme; medo; desconfiança de si e dos demais; pena de si mesmo. E… em sua autoanálise resolveu limpar o pus de sua ferida, que constituía em uma grave enfermidade difícil de curar. Por isso, ali sentado, resolveu sacrificar todos os seus sentimentos, emoções e pensamentos de bem e mal. Perscrutou a si mesmo, investigando a sua triste alma como algo alheio ao seu ser. Ausentou-se de si, sobrevoando todo o fato interno e externo, e se vira como um fósforo, morando em uma caixa de fósforo. E se percebeu tão frágil ao ser inflamado pela cabeça ardente dos outros palitos, ao serem riscados na lateral da caixa. E, se perguntava: “Por que tenho que me ressentir pelos sentimentos alheios e externos a mim?”… “Por que as palavras e atitudes dos outros me incomodam tanto?”… “Por que me sinto ofendido por suas más ações?”. E, também, questionará: “Por que preciso que me tratem bem ou me bajulem?”… “Por que necessito do alento externo e dos seus aplausos?”… “Por que me render ao bem e mal de todas essas coisas e do mundo?”. Intentara que sacrificando seus anseios e sofrimentos, e sacrificando mais ainda a si mesmo, poderia se livrar da prisão cíclica da caixa de fósforo, de esperar na fila entediante do abrir e fechar da caixa, o momento disfuncional de ser o próximo palito a ser riscado.
    Nisso! Uma ideia clareara em sua mente racional… o atraso… pensou na ponderação… não reação. E decidiu fazer um desafio a si mesmo, pondo um pé atrás, dizendo em alta voz:
    __ De agora em diante… silencio todos os meus sentimentos e emoções. Pois, a graça da felicidade e alegria de viver é um presente que só eu próprio posso me dar… e ninguém mais… e nada mais.
    Vira a Vaidade, a Inveja, a Tolice e todos os outros sentimentos agregadores de sofrimentos dentro de si… eram todos ‘ele’ mesmo. Sua versão maldosa… e como era feia, magra e ressequida… pele e ossos. Percebeu que essa versão Maldosa do SER e de ser, se constituía de inúmeros ‘eus’ demônios, apresentados como os diversos aplicativos funcionais de sua totalidade Maldosa motora… Viu o seu ‘eu’ Mentiroso com seus filhos Calúnia e Difamação seguindo o seu ‘eu’ Medo, pai do seu ‘eu’ Desgraça, que era um ‘eu’ bebê de leite, da mãe ‘eu’ Ignorância… vira que todos os seus ‘eus’ demoníacos amantes dos prazeres, drogas, porcas sexualidades, luxuria, classismo, falsidades, ganancia, egoísmo, vaidades, cacoetes e bajulações eram escravos de algo externo ao seu SER. Nisso!… Mais uma vez intentará na totalidade do seu SER, como o todo de tudo em sua infinita paz de um amor inefável… e vira os seus pequenos demoníacos ‘eus’ em agitação constante, dependentes do externo e alheio… vira a vítima… e era ‘ele’ mesmo… vira o mundo… e era ‘ele’ mesmo. E, disse:
    __ Como és feio, pequeno, medroso, fraco e pidão. Se faz de vítima constantemente só para obter atenção alheia. Pensa que o mundo gira ao seu redor, e afirma com toda convicção para se justificar que cada cabeça é um mundo, não conhecendo o seu próprio mundo, e julgando com imensa culpa o mundo alheio. Ó criatura ignorante e medrosa, eu te repudio em mim… como ainda não posso me livrar de ti, pelo fato desse corpo estar preso ao povir… te colocarei rédeas, e cavalgarás apenas pelo meu comando, e no caminho que eu indicar… Ó besta cruel de mim, te enfiarei na prisão e verá o mundo apenas pelas grades da sua jaula… Eu agora sou o Senhor de Mim, o Dono da Casa… Construí agora um farol forte no meu centro motor, para a autorrealização intima do SER DIVINO que Eu Sou, e estou em constante auto-observação luminosa, em todas as atividades que minha consciência atuar… Não sorrirei alegremente quando me bajularem, e não sofrerei tristemente quando me humilharem…, não amaldiçoarei com palavras más aos que me amaldiçoam…, não ferirei nem mesmo em pensamentos os que me ferem… Estou agora livre, porque nada e nem ninguém tem o poder de me fazer feliz ou triste… grande ou pequeno… feio ou bonito… perdedor ou vencedor. Não estou no controle do mundo… e por saber disso… não me deixo mais ser controlado pelo mundo. Pois, se ignorantemente digo que estou no controle de tudo ou de todos, aí sim, estarei controlado por tudo e todos. Portanto, não sou mais cúmplice da infraimaginação e sua autoimagem de sonhos e fantasias do externo alheio de coisas, ambientes e pessoas.
    Simples de mente e sentado. Sentira uma energia de imensa alegria que expandia de dentro para fora. Uma força calorosa o aquecia por dentro, e no centro do seu peito havia um vazio iluminador potente de energia. Em pleno sentimento do divino sagrado, uma paz aconchegante o cobria de uma luz melosa de ouro, lavando todo seu corpo da cabeça aos pés. O mais Alto dos altos o ungia com azeite dourado. Dos seus pês brotaram finas raízes de luz dourada, que cresciam, aglomerando e se bifurcando, lenta… e rapidamente, adentrando a terra e engrossando seus tentáculos como raízes de figueira a procura das doces águas subterrâneas.
    Sentiu em sua destra, na parte superior ao meio de seus olhos, um ponto de energia vital que expandia… sua visão se aguçará, e pontos de luz faiscante se via. Seu coração calmo pulsava. Percebeu-se não parte, porém, algo que por espécie não poderia ser negado. Algo do Amor Divino… algo do ser amado… algo a ser puramente vivenciado. Tudo era tão forte e tão intenso, sentia tudo e, todos sentia… sentimentos que em sua pele doía, em sua pele ardia. A energia vivificadora atravessa seu corpo se movimentando em espiral, adentrando e saindo, formando em seu centro motor o ponto ‘X’ do oito universal. Assim, compreendeu a sua própria mecanicidade, e como máquina orgânica biológica e alma metódica intelectual, se deletou. Despertando a Consciência Transcendental na íntima recordação divina de si. Na sagrada sabedoria popular que diz: “Quando um não quer, dois não brigam!”

  • Meu algoz - Parte 1

    Eu acordei, não sabia onde estava, só conseguia sentir tinha cabeça latejava, meus olhos arderem e a boca seca, muito seca.
    Estava como a noite anterior: vestido tubo preto, meia arrastao, uma sandália estilo cuturno, colares, brincos, nem a jaqueta de couro que usava, tirei. Isso era um bom sinal, nenhuma besteira tão grande acontecera.
    Eu fechava os olhos e tinha flashbacks: estava no pub da rua principal, meu "porão" favorito, tocava a musica "LSD - Thunderclouds" feat da Sia com Diplo + Labrinth tocava no fundo, estava com a Nick, bebendo uma long neck, enquanto ela falava sem parar sobre trabalho, a mãe e o ex, eu estava rindo muito da sua vida confusa, até que...
    Ouço um barulho, abro os olhos e é na vida real, não no flashback.
    Sento na cama, me esticando para chegar até a porta, minhas pernas estão adormecidas, assim como parte do meu corpo. Ainda não sei onde estou. É um quarto bagunçado, parece de um estudante, tem a cama que estou deitada, roupas pelo chão, uma grande janela fechada por uma cortina azul, bem fina; tem uma escrivaninha cheia de livros que não enxergo bem do que se tratam.
    Nesse momento penso: "Droga, minhas lentes!". Percebo que não estou com elas e não consigo lembrar se as coloquei na noite anterior... deveria, pois não enxergo nada bem sem elas, ou, meu oculos...
    Outro barulho! Me volto para a porta, só consigo pensar que precisava parar de beber e que...
    Mais um brarulho! 
    - QUEM ESTÁ AI!???! - gritei em um impulso cheio de raiva por estar fisicamente e mentalmente afetada.
    Parecia pratos batendo, que dão lugar ao som de passos, o assoalho era de madeira de taco. Um homem para na porta, olho bem para a cara dele que diz:
    - Oi! Bom dia Liz. Desculpe o barulho, estou fazendo café.
    WTF?! Quem era aquele cara? Um estilho Ed Sheeran, só que menos ruivo e mais bonito.
    - Quem é você? - Bradei, brava com a situação, comigo e com o barulho dele.
    - Desculpe! Você deve ter batido feio a cabeça, sou Derick, amigo da Nick - falou ele com um grande sorriso amarelo e estendendo a mão - Você caiu ontem e te trouxemos pra cá, você está no meu apartamento.
    Em um ímpeto, levantei da cama, me dirigindo até a ele:
    - O que? A Nick está aqui? Ai minha cabeça... - encostei no criado mudo, pela tontura e porque senti uma pontada no topo da cabeça. Levei a mão até o local da dor, e tinha um galo ali
    - Não, ela não está aqui. Tinha que resolver algo com o ex-namorado e a mãe, não entendi direito. Acho que nem ela entendeu. - Disse ele divagando, nessa ultima parte, enquanto me ajudava a sentar novamente na cama - Ela só deixou você aqui e pediu para cuidar de você.
    - Ok. Derick, certo!? O que houve? Porquê minha cabeça doí? - perguntei quase chorando, odiava esse meu estado, odiava esse sentimento, eu não era mais essa pessoa, essa Lizzie.
    - Acho que foi uma noite intensa. Quando cheguei, você já estava bem "feliz" - Falou fazendo aspas com as mãos - podemos fazer assim, eu trago um café para você e conversamos melhor, pode ser!? Acho que você não comeu nada.
    Apenas assenti com a cabeça e vi ele se distanciando do quarto.

    Com a mão ainda na cabeça, fechei os olhos e voltei para mais um flash. Nele eu discutia com a Nick e chorava muito. Ela gritava para eu parar e me sacudia, dizendo: "você não pode ir, não pode!"

    Derick apareceu com o café, cortando o flash. Mas, acho que não conseguiria lembrar de muito mais. Ele me entregou a xicara e sentou na cadeira de rodinhas da escrivaninha, se aproximou da cama e começou a falar o que sabia.
    - Quando cheguei, a Nick estava alterada...
    - Bebada? - cortei, meio que supondo com certeza. Ela sempre ficava assim depois de falar do trabalho, mãe e ex.
    - Não, brava, preocupada, com você. Ela disse que alguém que te fazia mal estava lá e você estava fora do controle - antes que eu interrompense, ele continuou - você estava muito alterada, sentada no bar, conversando com os garçons, quer dizer... chorando... - concluiu com pesar.

    Eu não sabia onde enfiar minha cara. Eu, Editora chefe de uma revista de esportes conceituada, que estava todo dia construindo minha reputação, não sabia me segurar em um ambiente publico...
    - Pelo amor de Deus Lizzie! - gritei, sem perceber, deixando Derick assustado - meu Deus! Desculpa!
    - Tudo bem! Você quer ficar sozinha?
    - Não, na verdade, gostaria de ir embora. Obrigada, Derick. Obrigada mesmo, mas, tenho que ir...
    - Bem, na verdade, a Nick pediu para não deixar você sair... - disse ele, com medo da minha reação.
    - Quem aquela louca acha que é!? - tomei um gole de café e coloquei na escrivaninha - onde é o banheiro, por favor!?
    - Olha, é ali a esquerda. Mas, tem uma coisa que acho que você precisa saber... - disse Derick levantando e fazendo uma pausa dramática - quando ela pediu para que você não saisse, sabia que você resistiria, então, pediu para te lembrar que Ele voltou para a cidade e estava no bar ontem.

    Eu parei imediatamente na caminhada para o banheiro e procurei um lugar para me encostar.
    Me faltou ar, minha boca secou, meu coração disparou e as lagrimas surgiram.
    É logico que eu desistabilizei, ele voltou, ele estava na cidade e algo havia acontecido ontem, e claro, ele estava envolvido.
  • Meu querido Manequim (cap.1) - "Romance-ficção"

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                Já era manhã de quinta-feira. O clima continuava suave e agradável e provavelmente assim seria já que estavam na primavera. Thomas, como sempre fazia, cuidadosamente ajeitara as duas xícaras uma ao lado da outra. A xícara de Emily sempre ficava a esquerda e era a mais clara, enquanto que a dele permanecia a direita e tinha a cor mais densa, mas não chegava a ser tão escura. A rádio tocava uma música qualquer, mas tinha seu volume baixo já que não tinha a intenção de acordar sua amada tão cedo. Ele preparou o café e fez o seu rotineiro desjejum solitário da semana. Minutos depois, foi até o quarto buscar sua pasta de couro. Em silêncio e com cuidado, recolheu o que fora pegar e antes de deixar o cômodo, despediu-se de seu amor com um toque suave sobre seu rosto delicado deixando-a acompanhada de um cartãozinho simpático posto ao lado da cabeceira da cama.

                   Thomas, de fato, era um rapaz atraente. Não que fosse muito alto ou até mesmo que estivesse em dia com seus bíceps, até por que era magro, mas buscava sempre manter-se alinhado. Os cabelos sempre bem aparados, barba bem feita, mostrava o quão cuidadoso era com sua aparência. Dono de uma floricultura, buscava sempre chegar cedo ainda que, diferente de Emily, seu local de trabalho ficasse próximo de onde moravam. O trajeto não levava mais do que uns quinze, vinte minutos caminhando. Em verdade, vivia dentro de uma rotina sem muita novidade, mas que o completava pelo simples fato de ter uma mulher maravilhosa ao seu lado. Maior felicidade, apenas, era saber que ainda aquele ano tornariam mais um sonho realidade.

    Os olhos foram entre abrindo-se lentamente como se fossem cortinas que pesavam toneladas. Assim que despertou, imediatamente Emily percebeu que estava sozinha. Ao espreguiçar-se encontrou o lado direito da cama vazio. Não que fosse alguma novidade, afinal de contas, Thomas sempre fora o primeiro a despertar e ir para o trabalho. Ainda sonolenta, sentou-se na cama decidindo o que faria primeiro. Deu de mão no celular e no mesmo instante em que o fez  arrependeu-se. Viu que havia duas chamadas perdidas de Renata, sua amiga e chefe de onde trabalhava. Sinceramente, a única coisa que queria aquele momento era de um bom banho para poder acordar de uma vez e se desfazer daquela moleza que parecia ter se instalado em seu corpo. Seguiu para o banheiro. Depois, já pronta para sua jornada, na cozinha, tomou seu café da manhã ao lado da cadeira onde seu amado havia estado mais cedo, sobre ela, pôs sua bolsa cheia de documentos e acessórios que somente mulheres saberiam para que servem. Minutos mais tarde ela já estava dando partida em seu automóvel e indo rumo ao seu trabalho.

                Emily era uma mulher jovem, tinha vinte e sete anos de idade. Não tinha uma estatura exatamente baixa, mas ela mesma considerava-se pequena e ainda que levasse com sigo alguns quilos a mais, isso não impedia que fosse desejada, pois, trazia com sigo não apenas um charme casual, mas a beleza, as curvas de uma mulher simplesmente desejável. Seus cabelos longos e extremamente negros, mesmo amarados, se destacavam ao tom de sua pele clara. Os óculos de grau também lhe caíam bem, lhe dando um ar mais sério, mas não menos interessante. Seu local de trabalho era em uma das lojas mais caras da cidade chamada La Divine. Tinha o emprego que desejava, estava financeiramente segura e em pouco tempo realizaria seu sonho de casar-se com Thomas, o homem de sua vida. O fato de isso ainda não ter sido concretizado era em virtude de sua demasiada atenção ao emprego. Dedicada com o cargo que tinha, inevitavelmente acabava deixando sua vida particular em segundo plano. Obviamente, Thomas, constantemente, mostrava-se desgostoso com essa situação. Por mais de uma vez o casal discutira sobre como estavam deixando de lado o seu relacionamento, sua intimidade, desassistida. Emily, achava exagero enxergar, colocar as coisas daquela forma e assim, eles acabavam não se entendo e deixando a situação mal resolvida.

    — Sim, Re! – Emily respondendo carinhosamente sua amiga. — Eu vi as chamadas. Tô no trânsito ainda, mas já tô chegando. – avisou a outra. — Certo! Está bem! – finalizou jogando o aparelho celular dentro de sua bolsa novamente.

                A loja era enorme. A entrada era feita por duas portas de vidro de uma cor azulada e transparente. As vitrines esbanjavam suas ofertas com ousadia. A direita, mais ao fundo, estava o balcão principal onde eram feitos os pagamentos. Emily foi em direção ele.

                — A Renata já chegou? – pergunto junto ao balcão.

                —... Sim! Não faz muito! – Camila, uma de suas colegas, respondeu enquanto dobrava algumas peças de roupa. — Já deve estar na sala dela. – apontou com o olhar a escadaria mais adiante que conduzia para o segundo andar.

                — Obrigada! – Emily seguiu em frente.

                Renata estava presa ao telefone, mas assim que a avistou fez um gesto onde, através de mímica, tentava dizer que, assim que se desvencilhasse daquela ligação, as duas poderiam ter sua conversa. Com um leve aceno, Emily mostrou ter entendido o recado e seguiu para a sua sala. Minutos depois, Renata apareceu sorridente, trazendo com sigo um copo descartável servido de chá.

                — Emy, tenho algo incrível para te contar! – começou falando. — Adivinha? – disse, mas ao ver que a outra fez uma cara de interrogação ela mesma fez questão de responder. — Ele me ligou! – revelou.

                Depois de respirar profundamente e soltar o ar imaginando que seu dia começaria daquela forma, Emily recebeu a notícia com um sorriso desinteressado.

    — Sério? – respondeu sem ânimo. E a verdade é que já andava assim já fazia um bom tempo. Ainda que Renata fosse uma pessoa maravilhosa e que já haviam compartilharam grandes momentos, memoráveis momentos diga-se de passagem, isso não mudava o fato de que era um saco ter de encarar os assuntos sem importância da amiga. — Quem diria. – instigou deduzindo que precisava fazer a outra dizer tudo o que tinha para falar de uma vez só, ou teria de ouvi-la contar pausadamente os acontecimentos de seus casos “relâmpagosamente” amorosos.

                — Eu disse! – Renata adiantou-se. — Mas a verdade é que eu não sei... Ele me parece daqueles pegajosos, sabe...?

                Emily apenas pôs-se a ouvir enquanto abria os arquivos que lhe renderiam um dia cheio de trabalho.

                — Pode ser que esse vale apena. – comentou fixa no monitor e não reparou na expressão de espanto da outra. — O que foi?! – então percebeu a reação da amiga.

                — Você ta falando sério?! – Renata terminando de tomar seu chá e colocando o copo dentro da lixeira ali perto.

                — Eu... Tô! – Emily confirmou risonha e perdida por não entender o porquê de Renata ter reagido daquela maneira. — Por quê? – acrescentou.

                — Ainda vai chegar o dia em que eu vou me prender a alguém. – declarou. — Nada contra você, viu. – ergueu as mãos referindo-se ao noivado da outra — Mas esse negócio de se apaixonar não é comigo. – deixou claro.

                Emily apenas sorria.

    — E isso é uma coisa que se pode decidir, Re? – jogou contra.

                — É sério! – Renata reforçou convicta. — Mas em fim, nem foi sobre isso que vim falar com você. – aproximou-se da mesa. — Quero que confirme um lote com aquele fornecedor que você trouxe outro dia. Se vender bem... Agente volta a conversar com ele.

                — Claro! Ainda hoje eu deixo tudo encaminhado. – Emily confirmou. — Amanhã mesmo eles já entregam.

    — Ótimo! – Renata indo em direção a saída. — E sim! Eu decido! – retrucou o que Emily dissera pouco. Antes de sumir atirou um beijo no ar.

                 Emily sacudia a cabeça risonha ao perceber que a amiga já não tinha mais jeito.

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  • Meu querido Manequim (cap.2) - "Romance-ficção"

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    Thomas, munido de café, estava na sala, sentado no sofá olhando um filme que passava na televisão. Emily entrou em casa de um jeito tão brusco e repentino que até o assustou. Ela trazia com sigo sua bolsa e mais duas sacolas e ainda presa ao telefone celular. Imediatamente, sem sombra de dúvidas, deduziu que ela estava falando com a Renata. Emily confirmava a chegada de um lote que estava prestes a ser entregue no dia seguinte. Ainda envolvida naquela conversa, sem se desvencilhar do aparelho telefônico, com um leve dedilhar de dedos no ar, cumprimentou seu amado no mesmo instante em que seguia para a cozinha onde pôs sobre a mesa toda a bagagem que trouxera com sigo. Como se buscasse a peripécia perfeita para poder fazer tudo ao mesmo tempo, catou um copo dentro do armário e serviu-se um pouco de suco que no final das contas se quer o terminara de beber. Com os passos já previamente coordenados ela seguiu então para o quarto. Thomas, ainda vago em meio aquela euforia que sua noiva se encontrava, percebeu que apenas lhe restava voltar-se novamente para sua programação, para a calmaria de seu filme.

    — Meu Deus! Hoje ta sendo um dia daqueles! – Emily surgiu minutos depois já de banho tomado. — Já jantou? – ainda disse o afagando carinhosamente com um abraço sobre o encosto do sofá.

    — Sim, já! – Thomas respondeu retribuindo o carinho dela com um beijo sobre a superfície de sua mão. — Deixei comida pronta pra você. Ta dentro do forno. – avisou.

    — Sério?! – ela em um tom meigo e sentido. — Brigado, amor! Mas to sem fome. Só quero poder descansar um pouco.

    Segurando-a pela mão, ele fez com que Emily contornasse a poltrona e acabasse junto a ele.

    — Então descansa. – disse permitindo que ela repousasse em seu peitoral. — Aproveita e fica aqui comigo. – completou acolhendo-a em seus braços.

    Manhosa, Emily aconchegou-se a ele.

    — E como foi o teu dia? – ela perguntou depois com os olhos fixo na televisão, mas a verdade é que não estava dando atenção para o que estava acontecendo.

    — Meu dia? – Thomas voltou a atenção para ela. — Bem... Foi bem tranquilo. Fizemos umas boas vendas hoje. – seguiu falando. — Se continuar desse jeito logo vou precisar aumentar a equipe! – comentou. — Mas e você? Parece exausta!

    Emily soltou um suspiro cansado antes de responder.

    — Nem me fala! To mesmo! – acomodou-se melhor. — Trabalhei o dia inteirinho com dor de cabeça. – comentou. — Passei o tempo todo só em volt... – foi interrompida.

    Thomas não havia reparado, mas ela havia trazido o celular com sigo, somente agora que o aparelho vibrara entre eles é que ele se deu conta disso. Com um olhar nada surpreso, a fitou do modo desgostoso que já conhecido. Podia se dizer que era uma espécie de olhadela que reprovava e ao mesmo tempo deixava claro que não era nenhuma novidade ela ainda estar presa a alguma tarefa do trabalho. Respondendo automaticamente com uma expressão de “preciso atender”, Emily deixou o sofá e indo em direção a cozinha pode ouvir Thomas lhe dizer desgostoso.

    — Se ela tivesse alguém, não taria te enchendo o saco toda hora! – soltou claramente.

    Emily o encarou franzindo a testa e pondo o aparelho contra seu busto esperando que Renata não tivesse ouvido aquela grosseria.

    Passavam das onze horas da noite quando eles resolveram se deitar. Emily, simplesmente era uma mulher vaidosa. Como se seguisse um ritual obrigatório, negava-se a dormir sem fazer uso de seus cremes e loções. Ainda em pé em frente a cama ela mirou Thomas, que já estava deitado, com um olhar mais sério.

    — O que foi aquilo? – questionou ainda deslizando as mãos sobre seus braços para espalhar o creme sobre a pele.

    — Aquilo, o que? – sem entender a que ela se referia.

    — Aquilo mais cedo. Sobre a Renata. – esclareceu. — O que foi aquilo? – insistiu.

    Thomas abriu os braços antes de responder.

    — Eu disse alguma novidade? – com as sobrancelhas altas.

    — Ta, mas são assuntos do trabalho e eu preciso deixar tudo em ordem...

    — Você SEMPRE – deu ênfase a palavras. — Está deixando tudo em ordem.

    — E...? – buscando seu lado da cama instigou para que ele continuasse.

    — E nada! – suspirou. — Não quero discutir. Olha que horas são! – aproximando-se dela de forma que conseguisse abraça-la. — Vamos deixar a Renata fora da nossa cama? – rui-se.

    — Mas ela não ta na nossa cama – Emily respondeu em um tom mais frio. — Nem na nossa casa, mas...

    — Ta bem! – Thomas interferiu-se. — Pelo amor de Deus! Eu não vou brigar por causa disso. Eu só falei aquilo, por que eu acho de mais... É tudo você, você e você.

    — É o meu trabalho! Você espera que eu faça o que? – conclui dando as costas para ele. — Se isso te incomoda... Paciência! – colocou ainda encobrindo-se parcialmente com as coberta.

    — Só quero que você fique menos carregada. – respondeu a ela calmamente. — Só isso! – completou. — Você chega cansada e ainda tem que aguentar ela fora do expediente, caramba!

    — Nós também somos amigas. Caso você não lembre. – Emily retrucou. — Se ela simplesmente quiser conversar eu não vejo problema algum. – deixou claro.

    Esperando que aquela discussãozinha terminasse, Thomas calou-se e carinhosamente grudou em Emily dando-lhe um beijo no pescoço, o que fez com que ela se contorcesse. Ainda acariciando-a e sentido aquele cheiro adocicado, alcançou a alça de pijama que contornava o ombro esquerdo e a puxou para baixo. Com uma das mãos, seguiu o contorno do corpo de sua amada, mas ela impediu suas intenções dizendo.

    — Me deixa dormir! – voltou a ajeitar a alça de sua blusa e encobriu-se completamente com a coberta. — Amanhã tenho um dia cheio! – justificou.

    Thomas, tomando fôlego, voltou a escorar-se na cabeceira que lhe dizia respeito e depois de alguns segundos imóvel mirando o teto, deixou o quarto.

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  • Meu querido Manequim(cap4) - "romance-ficção"

    Não se sinta perdido! LEIA os capítulos anteriores! Tenha ótima leitura!

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    Era manhã de sábado nublado quando Emily despertou ao ouvir um barulho vindo dos pés da cama, no roupeiro. Era Thomas. Nem mesmo ele esperara que aquela gaveta fosse correr tão de pressa e bater fazendo um barulho seco. A verdade é que, também, não teria reparado que Emily havia acordado se não tivesse ouvido o chamado preguiçoso a suas costas. “Tomyyy”. Parado com um par de sapatos em mãos, ele permaneceu aos pés da cama e a fitou sem dizer nada. Normalmente teria se aproximado para afaga-la em seus braços, mas dessa vez, sem sair de onde estava, deixou que ela continuasse o que estava dizendo.

    — O que você ta fazendo? – disse sonolenta.

    — Só pegando umas coisas. – ele respondeu erguendo e mostrando os sapatos. — Desculpa! Não queria te acordar agora.

    — Não, tudo bem! Mas aconteceu alguma coisa? Onde você estava? – perguntou em seguida. — Liguei pra você noite passada, deixei mensagem e nada de você me responder! Fiquei preocupada. – concluiu.

    — Eu to bem! – falou seco antes de catar mais algum outro item e seguir dizendo. — Já que... Você acordou, podemos conversar na sala? – parou por um segundo e depois deixando o quarto.

    — Tomy! – chamou novamente, mas pareceu que não fora ouvida. — Saco! – resmungou jogando-se novamente no travesseiro ao percebe que ele provavelmente estava emburrado.

                Ainda de pijama, Emily, o encontrou na sala, escorado sobre o encosto do sofá.

    — O que você tem, hein?! – aproximou-se dele. — Acordou com o pé esquerdo, foi?!

    Imóvel, com os olhos fixo nela ele disse calmamente.

    — To indo embora!

    Em um primeiro instante Emily achou graça e até riu achando que fosse algum tipo de brincadeira, mas depois de alguns segundos percebeu que Thomas manteve o semblante sério. Só então, ela avistou as malas postas perto da saída do apartamento.

    — Você ta falando sério?! – agora falou petrificada. — Embora pra onde? – sem entender direito o que estava acontecendo.

    — Por enquanto já acertei com ela e vou ficar na casa da minha irmã por um tempo até eu achar um outro lugar... – explicava.

    — Mas por que isso?! – intrometeu-se. — Você bebeu noite passada, foi isso?

    — Não, Emy! To bem sóbrio! E ta cada dia mais clara a situação...

    — Mas do que você ta falando?! – ela parou por um segundo. — Foi por causa daquela noite, é isso? – colocou com um tom mais sério achando que havia encontrado o motivo. — Vai embora só por que não fizemos sexo? Mas me faça o favor, né Thomas!

    O outro respirou fundo rindo-se.

    — Então, pra você esse é o motivo? Se resume a isso? – pausa. — Você não consegue nem mais enxergar o que ta acontecendo!

    — E o que tem pra eu enxergar?! – estendeu as mãos indignada.

    — A nossa vida, Emy! A gente já teve essa conversa mais de mil vezes e você nunca fez questão de encarar que não ta dando certo, caramba! – respondeu em um tom mais áspero. — Um de nós dois tem que reconhece isso! – colocou.

    — Mas reconhecer o que?! – questionou o outro. — Que você surtou de uma hora pra outra? Só se for isso!

    — É exatamente disso que eu acabei de falar! – agora falava com os braços abertos. — Você não enxerga mais a gente. O nosso relacionamento não existe mais! Ta desgastado! Você só vive pra aquela loja. – esclareceu.

    — Claro! Só podia ser por isso. – respondeu não demostrando estar surpresa por estarem novamente discutindo aquele assunto. — Você também vive naquela floricultura e eu não reclamo. – defendeu-se.

    — Mas coloquei você... O nosso noivado em segundo plano? – ele defendeu-se jogando contra.

    Emily buscou fôlego.

    — E o que você quer? – pausa. — Que eu largue tudo o que eu consegui até agora por nada?

    — Nada! – Thomas repetiu incrédulo. — Acontece que esse NADA é o nosso noivado, nossa vida! E você não dá mais a mínima pra ela. – despejou desgostoso.

    — Como não dou a mínima, Tomy? – sem acreditar no que ele acabara de lhe dizer. — Você enlouqueceu?! Só pode ser isso, meu Deus! – embravecida.

    Thomas largou um sorriso desgostoso.

    — Sim. Tanto que a prova da minha loucura ta lá no quarto. – apontou para o cômodo. — Ao lado da cabeceira, já faz dois dias. – completou.

    Emily não entendeu a que ele se referia. Sem dizer mais nada, Thomas deixou a sala e seguiu para a saída, em direção as malas.

    — Agente precisa disso. – comentou sobre a decisão que tomara. Parou por um instante até voltar a falar. — Não to levando tudo – avisou abrindo a passagem. — Mas... Assim que eu me resolver eu volto pra buscar o resto!

    — Então faz como você quiser! – Emily respondeu com o olhar baixo e agora escorada ao marco da grande porta que ligava a sala e a cozinha.

    Thomas, com um gesto sutil, concordou com a face e então fechou a porta e foi embora depois de se despedir.

    Emily, buscando recompor-se, esfregou as mãos sobre o rosto e buscou as horas no relógio pendurado na parede. Viu que acordara bem mais cedo do que o normal. Chorosa, foi até o quarto. E como Thomas havia dito, encontrou ao lado da cabeceira um pequeno cartão vermelho. Quando o abriu, leu uma mensagem amorosa com dizeres de bom dia. Sem conter as lágrimas, entregou-se a cama.

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  • Meus Eternos Amigos

    Entre conversas com amigos;
    Sinto que me apego mais aos livros;
    Entre páginas incontáveis,estão lá,aqueles que jamais me decepcionaram;
    Sinto que sou livre ao ler histórias que nunca vão acontecer;
    Imaginação livre para meu coração preso aos livros.
    Meus melhores amigos vivem para sempre em páginas douradas e reluzentes.
  • Mistérios do Brasil profundo

    Poucos quadrinistas representaram com tanta fidelidade o Brasil profundo quanto o carioca Flavio Colin (1930-2002). O homem era um mestre do preto e branco. Deixou tantas obras de sucesso que enumerá-las seria um trabalho árduo. Traduziu como ninguém as contradições da nossa sociedade e deu vida a personagens que poderíamos reconhecer na nossa rua e cidade.
    Mapinguari e outras histórias é uma coletânea de histórias curtas que foi publicada pela Opera Graphic, no selo Coleção Opera Brasil. São cinco histórias, três delas ambientadas na Amazônia Legal, e duas nos pampas do Sul. O autor teceu muitas críticas sociais e políticas, e incluiu criaturas do folclore nacional, dando um charme sem igual aos títulos.
    Na obra homônima, Mapinguari, vemos a sanha do capital. Satiriza uma figura carimbada da política nacional, Enéas Carneiro da extinta sigla PRONA. Estabelece também a falta de senso o entreguismo liberal dos brasileiros. Zartan já entrega pelo anagrama, é uma das melhores paródias com super-heróis americanos, com todos os seus músculos e roupas de collant. O Gogó de Sola demonstra a crueldade da caça predatória à fauna amazônica.
    Pedro Valente contou com texto de José Augusto, Colin apenas ilustrou. O conto é uma daquelas histórias que se conta numa mesa de bar, cenário ideal para que lendas escorram da mente para as ruas. Maldição no pampa narra uma história de lobisomem, típica história gaúcha. O roteiro foi de Samuel Knevitz Schütt, é a mais curta do volume e sombria de todas.
    O Editorial ficou a cargo de Gonçalo Junior, cada história conta com uma breve sinopse. Uma entrevista inédita feita em 1992, feita por Luiz Antônio Sampaio completa a edição. São 48 páginas, miolo offset, preto e branco. Capa colorida, cartonada com orelhas contendo a biografia do autor. O único defeito desse volume é ser curto, deixa a gente com vontade de ler mais e mais das obras do autor.
    Para adquirir o seu exemplar, acesse:
    Link 1 - http://www.comix.com.br/mapinguari-e-outras-historias.html
    Link 2 - https://www.amazon.com.br/Mapinguari-Outras-Hist%C3%B3rias-Opera-Graphica/dp/B094YSZ5PB/

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