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Precisamos falar sobre a Esquerda

Escolhi esse título para meu texto porque se falamos em Esquerda ou Direita todos querem ler. Todos querem debater. E eu quero que esse texto chegue a muitas pessoas. Pois bem, falemos um pouco da esquerda. Lembrando que esse texto refere-se ao extremismo, refere-se a como neste país tudo vira torcida igual eu torço pelo Corinthians, inclusive, do lugar de onde torço, da minha sala.
        O que mais vejo são feministas de facebook, o que mais vejo são militantes no twitter ou nos corredores de uma universidade pública num curso qualquer da área de ciências humanas. Porém até que ponto tais estudantes, estudam? Ate que ponto tais ‘ocupantes’ estão aptos, de fato, a debater tal questão? Até que ponto esses ‘militantes’ vão à Brasília protestar contra a PEC ou conhecer a cidade?
        É esse tipo de atitude que fortalece a Direita, é isso que a faz tomar tanto território no momento, é o despreparo, é falta de dedicação de fato. Vejo muito ‘comunistas’ que não leram Marx além do óbvio, vejo muitas ‘feministas’ que não leram duas paginas de Simone de Beauvoir, lembrando que feminismo está para além dela.
        Meu colega de curso e amigo Paulo Júnior compartilha dessa opinião: “Ao ler sobre o governo de João Goulart, podemos perceber o nível de intransigência e o enorme radicalismo à esquerda e à direita que se tinha no país naquele período. É impossível não compararmos esse radicalismo com o que vemos em nosso tempo presente. San Tiago Dantas, ministro de Goulart, em abril de 1963, já questionava o que ele chamava de "esquerda negativa" (Brizola, Prestes e Julião) que atacava constantemente o presidente e sua política de conciliação com as direitas. Enquanto as esquerdas daquela época se dividiam e se atacavam de forma bastante imprudente, a direita golpista se fortalecia ao longo de 1963 e reunia as bases necessárias para apoiar o golpe do ano seguinte. Hoje nós temos uma direita conservadora em crescimento e, pior que isto, temos uma onda neofascista em total ascensão no país, enquanto a "esquerda negativa" pensa em revolução comunista sem ter lido duas folhas de Marx, Trotsky ou Lenin e baseando seus argumentos em memes na internet. A esquerda precisa se fortalecer no Brasil, precisa se unir e aprender ser mais transigente. Não que isso represente uma nova ditadura, afinal, nós já estamos em um estado de exceção desde o golpe que derrubou Dilma Rousseff, mas que esse fortalecimento represente uma nova esquerda, que tenham seus ideias bem difundidos e representados por pessoas preparadas”
       Mas, venho neste texto discutir uma situação extremista que ocorreu no meu próprio facebook. Recentemente um amigo, pelo o qual tenho bastante apreço, embora não tenha muito contato, fez um post claramente crítico e irônico, e eu com minha carga de estudos e leitura fui capaz de discernir muito bem sua colocação, contudo pela maioria das pessoas ele não foi entendido de tal forma. O post era uma crítica à como alguns homens incomodam e são inconvenientes com algumas mulheres. Mas tais feministas de facebook, não entenderam as ironias e levaram o conteúdo do texto ao pé da letra e com comentários bastante radicais e com discursos bastante inapropriados para um ideologia que não prega o ódio. O que me fez pensar até que ponto uma ideologia te aliena? A ponto de te cegar perante o óbvio?
       Não me defino como comunista, sou historiadora em início de carreira, não li dois terços de comunistas, socialistas, ou coisa que o valha. Não li, porque ainda não tive tempo, nem deverei ter, afinal não sou e nem pretendo me definir como comunista, socialista e afins. Mas quem se define, estude então. É muito fácil falar que a direita não estuda, mas sinto informar que, assim como na esquerda, alguns direitistas também estudam, e são eles que arrastam a massa de manobra. E assim como na direita, alguns esquerdistas também não estudam, e são eles que são arrastados pelo discurso da esquerda (com o qual concordo, em muitos aspectos, mas para concordar eu mesma vou atrás da minha informação, e não irei à Brasília protestar contra uma PEC, que claramente ia passar, e da qual eu não li uma linha do documento. Não li. E falo com convicção que grande, mas grande parte daqueles ‘estudantes’ também não leram. Não leram, porque é chato mesmo, não vou mentir, também curso direito e não suporto aquela escrita.)
       Estes ‘esquerdistas’ são os mesmos que levam ‘numa boa’ a letra de “Meu pau te ama” que se houvesse sido dita por um pedreiro na rua você, feminista de facebook, ficaria ofendidíssima e com razão claro. O problema é quando você se ofende com um simples post de alguém que claramente foi irônico (e mesmo que não tivesse sido não é da conta de vocês) e não se ofende com uma música daquelas, é no mínimo incoerente não acham? “Ah! mas funk eh cultura” sim é. Mas desde quando cultura é uma forma de elogio? Cultura é um comportamento social massivo, compartilhado por muitas pessoas e pessoas que pertencem àquele espaço social, não é você que frequenta um bar de classe média alta da cidade e manda passar numa playlist do teu spotify premium no teu IPhone. “Ah! muitas outras músicas não foram criticadas assim, é só porque é funk, ‘tô namorando aquela mina, mas não sei se ela me namora’ é um trecho que prova isso”; primeiramente isso é forma de o autor dizer que está flertando com a moça, e ainda não sabe o que ela pensa. E não me venham com hipocrisia que eu sei que vocês, feministas de facebook, também são cheias dos ‘contatinhos’ que ficam enrolando só pra aumentar sua autoestima.  Voltando a “Meu pau te ama”, porque dança ouvindo essa música? Eu enquanto mulher, claramente me senti ofendida com a aquela letra e me recuso a ouvir/tocar, se é cultura brasileira, infelizmente, Brasil, só lamento por você.
       Infelizmente isso caiu na moda, quando, meus caros, cai na moda fica difícil manter a credibilidade. Infelizmente, esquerda e direita viraram rótulos, se perderam da ideia de ideologias que são. As pessoas aderem a elas de uma forma rígida, não há maleabilidade aqui, não há trégua. E esse não haver acaba distorcendo a ideologia como um todo e acaba denotando intolerância na vertente política que prega ser a mais tolerante de todas. Há meio que um reflexo automático, colocando esses extremistas em posição de ataque diante de qualquer sombra de ameaça.
      Não há trecho de música mais apropriado pra esse momento do que o da canção “Toda forma de poder” de engenheiros do hawaii: “Fidel e Pinochet tiram sarro de você que não faz nada” ou seja ambos os lados, essa música é sobre extremismos, “Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada, Toda forma de conduta se transforma numa luta armada” “É tão fácil ir adiante e se esquecer que a coisa toda tá errada. Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada”.
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Atualizado em: Sex 13 Jan 2017

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