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Uma Droga Chamada "Amor"

    Eu não consigo mais lidar com esta abstinência. Fico irrequieto, ansioso, ofegante. Durmo mal e se não abominasse o hábito de roer unhas, não mais as teria. Cogito embriagar-me, mas reúno os resquícios de sensatez que ainda tenho em mim e evito. O álcool é extremamente volátil, bem como a sensação de satisfação e euforia que ele proporciona: é temporária e cessa bem rápido, diga-se de passagem. É inevitável, já experimentei suas carícias e percebi que nada pode substituir os efeitos que elas têm sobre o meu corpo. Estou dependente, viciado em você.

     Se cheguei ao fundo deste poço ainda não sei, mas basta a sua presença para me afastar de qualquer receio. Quando você vem, traz consigo a luz, meu mundo volta a ter cor. Experimento novamente seus efeitos, aventurando-me em doses cada vez maiores. Fico com o riso fácil, ensaio gestos patéticos, arrepio-me da cabeça aos pés, transpiro; transcendo o volume que meu corpo ocupa no espaço, por pouco não tenho alucinações e em certos momentos sinto-me levitar. Nossos corpos, agora unidos sobre a cama, confundem-se por completo, trocam energias, dançam em ritmo cada vez mais acelerado.

     Preciso de doses frequentes de você. Sendo a minha morte um futuro certo, que ela ocorra após uma overdose de momentos como este, não por conta de abstinências. Morrerei feliz, sem dúvidas. E não creio que isso tudo se relacione à morte; está mais para "viver", no sentido pleno da palavra. A cada dia sinto-me mais e mais revigorado.

     Não se preocupem, caros leitores, não estou me drogando; estou amando, apenas.

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Atualizado em: Sáb 12 Out 2013

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