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AMOR BANDIDO

Amor Bandido
Capítulo 1

Novela de Rona Salgado

Núcleo

Personagens deste capítulo

PAULO
PORFIRIO
RENATO
LETICIA
VANDA
REINALDO
ANDREIA
HELISAMA
JOÃO FELIPE
DR SANCHES
RICARDO
AUGUSTO
JODE
ALINE
ZECA
ALFREDO
ARTHUR
CIDINHA
ANDREZINHO
CARINA
VIDINHA
MAGÔ
LAURA
TÔNIA(ATENDENTE)
ANA ROSA(REPÓRTER)
DETETIVE HUGO
DELEGADO MARTINS

Participação Especial:

MAJOR ALVARO,AGENTES PENITENCIÁRIOS, PRESIDIÁRIOS, TONHO, FIGUARNTES DE DETETIVE, DOUTOR

CENA 1. CENA AÉREA DA CASA DE DETENÇÃO.
Letreiro: brasília, 2.015. DEPOIS, CAMERA focaliza a casa de detenção e uma camera SUBJETIVA ADENTRA A CASA DE DETENÇÃO, MOSTRA MAJOR ALVARO RECEBENDO UM FAX ENQUANTO NA ANTE-SALA OS ADVOGADOS AGUARDAM ANSIOSAMENTE, MAS A CAMERA CONTINUA ATÉ ALCANÇAR PAULO, RENATO E PORFÍRIO QUE NUMA SALA ESPERAM A ORDEM PARA GANHAR A LIBERDADE DEPOIS DE TEREM CUMPRIDO SUAS PENAS.        
Renato    — (ansioso) Meu Deus, como está demorando!
Porfirio    — (andando de um lado para o outro) calma, amigo, a  esta hora o alvará de soltura já está chegando! (bastante alegre, sorridente) Deus, vamos ver o pôr do sol!
Paulo    — Não vejo a hora de encontrar meu filho, tá dando até um frio na barriga!  
Renato    —  Sorte sua que tem alguém para encontrar depois que sair daqui. Já eu vou ter que recomeçar minha vida sozinho mesmo.  
Paulo    — Eu sei que ao sair daqui você vai procurar tua família.   
Renato    — (sorri, fica sério) Vou não. Eles me abandonaram aqui, sinal de que não me querem mais por perto.
Porfirio    — Eu sei que foi difícil pra você ficar todo esse tempo aqui, sem receber nenhuma visita,  mas  isso não quer dizer que eles te abandonaram. (sentando ao lado do amigo) Com certeza, eles precisam de você.
Renato    — Não precisam, eu sei disso.
Agente     — O Major chama por vocês. O alvará chegou.
Paulo    — (sorri tocado) Estamos livres. (vibrando) Cheiro de liberdade no ar!
Maj Alvaro  _ Vocês já podem voltar viver em sociedade. Cumpriram suas penas. Estão quites com a justiça e com os homens. Assinem aqui e podem partir para uma nova vida.
Corta para:

CENA 2. LAGO PARANOÁ. QUASE NOITE.
Paulo, Renato e Porfirio caminham às margens do lago. Sentem a brisa do vento. Comportam-se como pássaros em pleno voo em liberdade. Correm, ora se juntam, ora se abraçam e, individualmente, cada um vai ao chão, deitam e rolam. De pé, entram nas águas do Lago e a jogam para cima, em imagens lentas até congelar a imagem dos três, sorrindo como crianças dentro dágua.  Na sequência, so três deitados na rela,de barriga para cima.  
Paulo    — Nada como ser livre. É uma sensação indescritível!
Porfírio    — Agora eu sei como um pássaro se sente fora da gaiola.
Renato    — Eu também. Quando eu era criança eu tinha pássaros em gaiolas, não fazia ideia do que é ser preso. Nunca mais prendo pássaros e nem nada nesta vida. A liberdade é tudo...
Paulo    — Tens razão...
Porfírio    — O que fazer com toda essa liberdade?
Renato    — Recomeçar a vida.
Paulo    — Não antes de forrar primeiro o estômago.
Renato    — (com cara de faminto ) Um X-bacon com bastante queijo e bacon e uma coquinha gelada....
Porfirio    — (extasiado) Como nos sonhos...ah, que delícias!
Paulo    — (em pé) Quem chegar por último no quiosque é a mulher do padre (sai correndo como se fosse uma criança)
Renato    — È verdade. (sai correndo)
Porfirio    — Vamos ver quem vai ser a mulher do padre.
Os três amigos correm em direção a um quiosque à margem do lago Paranoá.  
Corta para:

CENA 3. Casa dos BELLOTO.EXterior.ÁREA DE festa.NOITE.
Planos gerais da festa de noivado da Andreia com o milionário Reinaldo. Convidados chegando cada um mais elegante que o outro, flashes dos fotógrafos. Vozerio, muita movimentação, muitos convidados, clima chique, noite elegante. Andreia linda conversa com duas amigas, Leticia e Vanda, Reinaldo nervoso, angustiado, de longe a observa, de seu canto. Vão aparecendo aos poucos, nesta e nas cenas subseqüentes da festa, entre outros, Helisama , Alfredo,  João Felipe(segurança), Jode(segurança), Augusto, Zeca, Aline adorando e Ricardo detestando estar lá, Teka e Argenor(serviçais), Dr. Sanches, Ana Rosa(repórter e sua equipe televisiva). Andreia já falando a Vanda e Letícia, segura, entusiasmada, entre risos:
Andreia      — Esta festa de noivado é meu sonho de consumo...
Vanda    — (sussurrando) Sonho de consumo é o seu noivo.
Letícia ouve, fica constrangida, mas ignora, disfarça.
Andreia    — (sem entender) Como?
Leticia    — (apaziguando) Esquece, ela só fala bobeiras.
Andreia    — Venham, vou apresentar a vocês o Alfredo. Ele é um partidaço.
andreia sorri, começa a se aproximar de alfredo. Reinaldo, que acompanhava de longe, se aproxima, a intercepta, puxando para num canto em que ninguém os ouve. Reação de Andreia.
Reinaldo    — Precisamos acabar com isso. Não podemos continuar com este jogo de caprichos.
Andreia tensa, encara-o hesitante. Reinaldo sorri amareladamente. Tensão.
Corta para:
1º INTERVALO COMERCIAL

CENA 4. Casa dos BELLOTO.EXterior.ÁREA DE festa.NOITE.
Continuação da cena anterior. Andreia e Reinaldo num canto isolado da festa já cheia. Andreia supera hesitação, sorri:
Andreia    — Jogo de Caprichos, como assim?  
Reinaldo    — Jogo de Caprichos, sim, tem quem entenda assim, essa é a história deste noivado arranjado para satisfazer os caprichos de uma menina mimada. (sério, duro  mas charmoso) Não vai dar para continuar essa farsa.   
Andreia    — Eu te amo, Rei... Meu amor por você não é uma farsa.
Reinaldo    — Tem toda a razão. É mais que uma farsa...
Sorri, se afasta. Quando sai, Andreia revela no rosto a tensão, certo receio. Um instante e Helisama  chega:
Helisama    — Que que o Reinaldo te disse que te deixou tão tensa?
Andreia    — (tensa) Ele quer terminar com esta festa, não quer noivar comigo !
Helisama    — Ele não pode fazer isso, não a esta altura do campeonato.
Andreia    — Que que eu vou dizer pra toda essa gente?. (baixa voz) Meu Deus é o fim de minha vida. Já tô grilada mesmo com o comportamento do Rei, mas agir deste forma, numa situação desta é o fim da picada.
Helisama    — Calma ele deve tar blefando, não pode tomar essa decisão drástica, pelo menos nesta noite. Deixa que vou falar com ele.
Andreia    — Faça isso por mim, Helisama.
Helisama    —  Volte a festa, continue como se nada tivesse acontecido!
Corta para:

CENA 5. Casa dos BELLOTO.INterior.ANTE-SALA.NOITE.
Reinaldo ajustando a gravata de seu black tie elegante, bonito. Chega Helisama, sem surpresa.
Helisama    — Que pensa que tar fazendo?
Reinaldo    — O que deveria ter feito há muito tempo.
Helisama     — Nosso acordo, como fica?
Reinaldo    — Não fica...(fugindo) acabou!
Helisama    — (segura-o pelos braços) Não, pelo menos nesta noite.    
Reinaldo      — (irritado) Solta-me!
Helisama    — Pense bem.
Ele sai. Helisama fica ali, pensativa.
Corta para:

CENA 6. Bairro. Casa de Arthur e Andrezinho/Sala de Arthur. Interior. Noite.
Campainha toca. Enrolado em uma toalha branca, Arthur abre a porta.
Do lado de fora Cidinha e Andrezinho.
Andrezinho - (feliz) Oi, pai?  
Arthur não responde, apenas boceja.
Andrezinho entra casa adentro.   
Cidinha(irada, vai entrando) – O tempo passando e cê aí, sem ter milhos para dar aos pombos.
Arthur     – Pega leve. Olha o garoto ai... ( )  eu sei a minha responsabilidade de pai.
Cidinha    – Sabe mesmo? Espero!(sentada no sofá) Por que cê ta perto de assumir seu filho de uma vez.
Arthur     – (expectativa)  Assumir? Como assim?
Cidinha    – Não to mais agüentando a pressão lá em casa... a coisa ta ficando cada dia mais preta pro meu lado.
Arthur     – Õ gente sem coração!
Cidinha    – (amenizada) Fui ontem no fórum.
Arthur     – (desesperado) Ai, meu Deus, to ferrado.
Cidinha    – Nada disso que cê ta pensando.(respira, cria coragem) – eu passei a guarda de Andrezinho pra cê.   
Close de Arthur sem reação. Depois Arthur reage, desmontado.
Arthur     – Não faça isso comigo, não.
Cidinha    – Chegou a tua vez de cuidar de teu filho.
Arthur     – (apela)  Não tenho condições.
Cidinha    – (enfática) Vai ter que ter.(levantado-se) – Te vira.(saindo) Amanhã às 9 te vejo no fórum.
Arthur     – (à porta)  Cida, o menino...
Cidinha    – (rápida)  Hoje, ele fica com cê.
Arthur, desorientado, como se não tivesse acreditando na situação, observa Cidinha indo embora. Quando ela vira a esquina e desaparece...
Arthur     – (desanimado)Só me faltava essa! acabaram meus dias de solteiro.
Andrezinho volta à sala, traz uma bola nas mãos.
Andtrezinho - Vamos jogar? (apelando) O senhor nunca jogou bola comigo.    
Arthur mostra-se desmontado diante do apelo do filho.  
Arthur – Venha. Vamos jogar.
Corta para:

CENA 7.  Casa dos BELLOTO.exteriror.área de festa.NOITE
Dr Sanches se aproxima do microfone. Helisama também. Gerais. Música cessa.  
Sanches    — (orgulhoso) Festa Maravilhosa com gente bonita, mas agora chegamos ao ápice desta cerimÔnia. Chamamos para o centro os noivos que são os verdadeios motivos desta festa.
Andreia tensa caminha para o centro. Reinaldo não aparece.
Sanches    — Reinaldo, favor comparecer ao centro do salão... a noiva já te espera lá.
Helisama    — (voz baixa) Isso é constrangedor!
Sanches    — O que está acontecendo?
Helisama    — O Reinaldo parece que desistiu do noivado.
Sanches    —  Meu Deus, isso é grave! Coitada da minha menininha.
Reinaldo surge, porém caminha para o microfone.
Reinaldo    — Senhoras e senhores, convidados e convidadas quero aproveitar esta oportunidade para comunicar-lhes que não haverá noivado nenhum entre eu e a Andreia.
Sussurros de surpresas, cochichos e muita tensão por parte de Andreia e Helisama.
Reinaldo    — Eu sei que muitos não entendem o que está acontecendo, mas eu não posso cntinuar com essa encenação.   
Andreia    — Você não pode fazer isso comigo, Rei... eu te amo!
Reinaldo    — Andreia, acabou, chega!
Reinaldo sai. Entra no carro e vai embora. Todos ficam atônitos, supresos.
Corta para:  

2º INTERVALO COMERCIAL

CENA 8. Bairro. Campinho de futebol. Exterior. NOite.
Arthur e Andrezinho jogam bola. Passes, dribles e lances são realizados de um sobre o outro. Movimentação rápida no campinho. Arthur faz um gol, vibra. Tudo novamente. Arthur faz mais um gol, Andrezinho mostra-se chateado mas reage e rouba a bola do pai. Arthur recupera e faz mais um gol. Vibra com os punhos cerrados. Andrezinho reage, pega a bola com a mão e entra com bola e tudo no gol do adversário.
Andrezinho  – (vibra) Goool! Sai que é sua Andrezinho!
Arthur      – (ofegante) Assim não vale. Isso não é gol.
Andrezinho  – (trapaceiro) Como não? Nunca ouviu falar de futebol americano?
Arthur      - (cansado) Não enrola não, moleque! Tamos jogando futebol, pelada...  
nada de americano. Tamos no Brasil, se esqueceu ?
Andrezinho  – Ta pai, o senhor venceu! Mas quando crescer, o senhor não me vence
mais.    
Arthur      – Desiste?
Andrezinho  – Não.
Arthur      – Quer o que pra dessistir?
Andrezinho  – Um sorvete.  
Corta rápido para:

CENA 9.Bairro. Sorveteria em Kiosque. Exterior.Noite.
Arthur e Andrezinho saboreiam sorvetes. Trocam olhares de satisfação. Entre uma lambida e outra no sorvete, Andrezinho abre risos, Arthur se encanta com o filho.
Corta para:

CENA 10.Centro da cidade/Pça Central./Exterior. Noite.
No banco da praça Carina e Margô sentadas a pedi esmolas. Para cada pessoa que passa elas esticam as mãos, porém são ignoradas em seus atos.
Carina     - (reclama) Ô povinho miserável este que passa por esta praça.
Magô       – As coisa tão dificis não é só pra eu e tu não, é pra todo mundo, mermo!       
Carina     – Que nada! Isso é ser unha de fome.
Enquanto fala, Magô observa um mendigo do outro lado da praça, identifica Tonho, um caso seu, fica inquieta. Ele acena, pedindo que ela caminhe em sua direção.
Magô       – O povo ta chamando urubu de meu nego, minha nega. Óia que é todo, rico e pobre!
Carina     – (percebe, reage)  Quem é aquele?
Magô       - (levanta)   Um caso. Vou ver o que ele quer.
Carina     – (faceira)  È  té simpático, o danado!
Magô       - Mas não é pro teu bico, atirada!(afasta)
Carina esfria, faz “cara de quem nem está ai”.

Corta para:

CENA 11.  Casa de Arthur e Andrezinho/Sala de Arthur. Interior. Noite

Arthur     – (entra)  Tô cansado, exausto!(para Andrezinho) – quase cê me mata, guri!
Andrezinho - Não é cê que é bonzão! Por que ta se queixando?
Arthur     - Não tô me queixando, tô a pena dizendo que cê me deu trabalhão!
Andrezinho -  Vá se acostumando. Daqui pra frente vai ser sempre assim.
Campainha toca, Andrezinho, corre e atende.
Vidinha    – (à porta)  Seu pai está?
Andrezinho – Pai é com ce.
Artur identifica Vidinha, olha para o filho e acena com a cabeça para que ele se retire da sala.
Vidinha    – (cinismo, entra)  De cria, é?
Arthur     – (enfático) De filho.
Vidinha ignora, ri suave.
Vidinha    – Não vai me convidar pra sentar?
Arthur     – (reage, frio)  Não.
Vidinha    – (insinuosa) Me trocou pelo filhote, foi?    
Arthur     - Nada disso.(T) Mas ce não vai mais poder vim aqui.
Vidinha    - Ta, entendi.(saindo) Xau!    
Arthur     – (arrependido) Ai, meu Deus, que fiz?

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3º INTERVALO COMERCIAL

CENA 12.Centro da cidade/Pça Central.Exterior.Noite.
Carina assiste discussão entre Magô e Tonho, gestos exagerados, muita tensão. Tonho ameaça parti, Magô segura pelo braço. Mais discussão, nervosismo.   Magô mostra-se acuada, recusa acusações, Tonho parte, Magô o segue até desaparecer das proximidades da´praça.  
Carina      – (OFF) Que ta acontecendo? Nunca vi Magô tão nervosa. E esse cara,  quem é?

Corta para:

CENA 13.Viaduto/Pça Central.Exterior.Noite.
Sob um viaduto, não muito longe da Pça Central, Porfirio, Renato e Paulo se prepram para dormir, conversa já iniciada.
Paulo    — Hoje, ainda durmo na rua, amanhã, quero uma cama quentinha e um nova vida.
Porfirio     — É verdade. Precisamos recomeçar nossas vidas com dignidade.
Renato    — Já pensaram como vão se virá?
Paulo     — Vou procurar um emprego amamhã mesmo e depois de empregado vou ver se encontro meu filho e depois disso vou batalhar muito para que ele tenha uma vida decente.  
Porfirio    — Vou ver se encontro um empresário, alguém que queira investir em um atleta de luta livre, mas enquanto isso, vou procurar um amigo de tempo de Senai e pedir uma vaga de mecãnico para ele. E você, Renato?
Renato      — Eu tenho um pouco de dinheiro na poupança e o agente Souza decidiu me ajudar. Vou ver se continuo produzindo meus artesanatos e, se tudo correr bem, pretendo montar uma fábrica para produzi-los em larga escala.   
De onde eles estão começam a ouvir uma discussão e de longe observam duas silhuetas - um homem e uma mulher. Em determinado momento, o homem começa espancar, violentamente, a mulher.
Paulo       — Meu Deus, ele vai acabar com a vida dela.  
Profirio    — É melhor nenhum de nós se meter nisso. Já tivemos problemas com a justiça.
Paulo       — Não vou deixar um covarde espancar até a morte uma mulher.
Renato      — Paulo, volta aqui.     

Corta para:

CENA 14.Exterior.Proximidades do viaduto.Noite.
Um carro velho, tipo monza, que vinha rodando, vai para o encostamento. Um casal desce do carro, estão muito chateados.

Teka        — Essa lata velha, só indo por lixo mesmo!
Argenor     — Não fale assim do nosso carro.(abrindo o capus )Quando a gente puder troca ele
por um melhor.
Argenor mexe no motor do carro, tira a bomba de combustível e sopra nela. Coloca de volta e pede pra Teka dar partida. O carro volta funcionar normalmente.    

Teka        — O que era desta vez?
Argenor     — Bomba de combustível entupida, muita sujeira. Agora chega pra lá, eu dirijo.
O carro parte em direção em que o espancamento está acontecendo.
Corta para:         

CENA 15.Exterior.Proximidades do viaduto.Noite.
Paulo chega no momento exato em que Magô,em resistência ao agressor, saca da meia uma faca e golpeia Tonho, com várias facadas. Renato fica sem ação, atônito com tamanha violência. Magô foge desesperadamente do local deixando Renato sozinho no ooval do crime.
Tonho       — (ofegante, quase falecido) Por favor, me ajude.
Paulo perplexo assiste Tonho dar o último suspiro, alguns segundos depois Teka e Argenor param o carro extamente no local aonde o corpo de Tonho está estirado e Paulo em pé, perplexo, assitindo a tudo.
Takes alternados mostram a face de Paulo perplexo, Teka e Argenor dentro do carro assustados e o corpo estirado no chão.
Teka        — (nervosíssima) Dar partida, vamos embora daqui. È fria, houve um assassinato.             
O carro canta pneu e sai em alta velocidade.
Corta para:        

CENA 16.Viaduto/Pça Central.Exterior.Noite.
Paulo chega para junto dos amigos, ainda está perplexo.
Porfirio    — E ai... parece que deu um jeito na confusão.
Renato      — Não vejo mais ninguém, mas tem algo no chão.
Paulo       — É um corpo.
Porfirio    — (pasmo) Hã!?
Paulo       — A mulher matou o cara. O pior é que duas pessoas me viram no local.
Porfirio   ­ — Com certeza essas pessoas vão chamar a polícia. Precisamos sair daqui urgente.   
Apressados Paulo, Renato e Porfírio começam apagar os vestígios que os denunciam que estiveram ali.  
Corta para:

CENA 17.Exterior.Proximidades do viaduto.Noite.
Teka e Agenor  nervosos dentro do carro em alta velocidade tentam fugir do local do crime.
Teka       - Precisamos acionar a polícia.
Agenor     - Droga, não lembro aonde existe um telefone público aqui por perto.
Teka       - Mais a frente tem um.
De repente surge na frente do carro, Magô, desesperada atravessando a rua, traz a faca na mão.
Teka       - (grito de susto) cuidado!!!
Freada brusca, canto de pneu. Tarde demais, Magô foi arremessada para o alto e lançada por cima do capuz do carro.
Teka       - (assustada) - Meu Deus, matamos uma mulher.
Agenor desce apressado do carro, está bastante nervoso, procura sinais vitais em Magô.
Agenor     - (diagnostica) Está viva, me ajuda, precisamos levá-la para o hospital.
Corta para:

CENA 18.Exterior.Proximidades do viaduto.Alta madrugada.
Vários carros de polícia chegaram ao local do crime. Muito clima, sirenes, freadas bruscas ao chegar, muitos policiais saltando apressados dos carros, clima de grande operação policial. Já há curiosos. Vozerio, conversas sussurradas. Entre os pliciais estão bombeiros e repórteres que cobrem o caso. Delegado Martins, que salta de um dos carros e é logo cercado pelos demais policiais, que aguardam suas ordens. É acompanhado todo o tempo pelo detetive Hugo, seu auxiliar, e dois outros detetives figurantes. PV do delegado Martins registrando tudo. Muito ritmo e muito nervosismo em toda a cena. A cena termina quando os bombeiros recolhem o corpo de Tonho.
Corta para:

4º INTERVALO COMERCIAL
CENA 19.Exterior.Dia.Amanhecendo.
Belos takes da cidade amanhecendo. As águas do Lago Paranoá refletem os primeiros raios solares. Crianças e adolescentes indo para as escolas. O trágefo começa a intensificar. Ônibus passam, enquanto um pára e uma senhora idosa desce com dificuladdes. Na rua contrária, pedestres aproveitam o sinal fechado para atravessar, enquanto outros sobem em um ônibus estacionado no ponto.  Música moderna.
Corta para:

CENA 20. Casa dos BELLOTO.interiror.copa.dia.
Helisama  já à mesa tomando café, Sanches chega fechando os últimos botões de uma camisa linda.
Sanches    — E a nossa princesa?
Helisama    — (pára, olha) Ainda dorme.  
Sanches    — Que papelão esse do Reinaldo.
Helisama    — Ele nos deve uma explicação.
Sanches    — Nem quero papo com esse salafralio.
Helisama    — Ficou mal para a nossa menina.
Sanches    — Sem comentários.
Helisama    — Temo que ela entre em depressão!
Sanches     — Eu também. Se isso acontecer temos o doutor Ziraldo para acampanhá-la.
Helisama    — É um bom médico, foi ele quem cuidou dela quando da morte de Marcia e Ricardo.
Ele obteve resultados fantásticos com ela, até escreveu um livro, lembra?   
Sanches      — Claro que lembro, só que desta vez a situação é outra. Trata-se de amor.
Helisama     — Por tanto, mais fácil de ser superado. Nada como um novo amor para se esquecer
um amor antigo.  
Sanches       — Espero que seja simples assim e que ela encontre logo este novo amor.
Corta para:

CENA 21. CASA DOS BELOTTOS.Interior/QUARTO DE ANDREIA.DIA.
Andreia ainda dorme esparramada sobre a cama. Camera mostra suas órbitas oculares em movimentos, andreia agora sonha, sonha com um homem que nunca viu, um homem sem face (este homem é Paulo). Ele parece com o rosto ofuscado, sem nitidez, mas no sonho a abraça e tasca-lhe beijos, apaixonados, enquanto ela se entrega em total amor. Ela se sente segura, confortada, enquanto ele lhe enxuga as lágrimas dos olhos. Mais beijos e abraços, estão radiantes de felicidade. Em meio ao sonho, entra a camareira da mansão, silnciosmente, começa arrumar os objetos e juntar os pedaços dos que foram quebrados durante o acesso de raiva de Andreia na noite anterior. Mesmo com todo cuidado, andreia desperta. está bem humorada, sorridente, feliz.        
Andreia    — Bom dia, Rita.
Rita    — Bom dia, patroinha.
Andreia    — O café já está na mesa?  
Rita    — Já. Dr. Sanches e Dona Helisama já estão à mesa. Não esperaram por você, preferiram que você dormisse mais.
Andreia    — (já depremida) Depois de uma noite daquelas, seria bom dormir para sempre.
Rita     — Não diga asneiras, você é muito jovem e tem muitas coisas boas pra viver.  
Andreia    — (reage) Tem razão. (levanta da cama) Tive um sonho lindo. Um homem, um amor... coisa de louco. Beijos, abraços, ternura, segurança, conforto...queria continuar dormindo e sonhando com ele.  
Rita     — desculpa por que te acordei. Se eu soubesse, não teria vindo aqui, agora.
Andreia    — Tá desculpada... Além do mais, preciso que essa bagunça seja organizada, cuida disso pra mim.
Rita    — Parece que passou um furação por aqui.
Andreia    — Furacão Andreia, já ouviu falar?
Rita    — Nesse não, mas todos que eu conheço tem nome de mulher.
Andreia    — Talvez por que nós mulheres sejamos mais temperamentais.
Rita        — É, talvez.
Andreia     — Vou descer, quero tomar um café gostoso, escovar os dentes e sentit o sabor de
novo na boca.
Rita        — Vá, filha, vá. Que seu dia seja ótimo.    
Corta para:

CENA 22. casa dos ferreira alencar.Interior.dia.
Reinaldo já á mesa toma café acompanhados de seus pais, Augusto e Aline, conversa já inicada.
Aline    — Você, realmente me surpreendeu, Rei...Quem imaginava que você ia tomar a decisão que tomou na hora H.
Augusto    — Se comportou como um homem sem coração. Existia outra forma de acabar com esse noivado.
Reinaldo    — (chateado) Não existia não e todo mundo sabe disso.
Aline       — Eu fiquei pasma, com a cara no chão. Pra mim foi uma surpresa... e que surpresa!  
Augusto    — Você pelo menos deveria ter nos preparado para aquele momento. Todo mundo nos olhava com olhar de interrogação e nós vendidos, sem saber o que estava acontecendo ou por que estava acontecendo.
Reinaldo   — Certo, eu errei não confiando em vocês, mas aquela era a minha decisão.
Aline      — Ainda bem que o vexame já passou.
Augsuto    — Passou nada. Por acaso, você já viu a coluna social do jornal de hoje?
Aline      — (pasmada) Não acredito... Tinha jornalistas naquela festa?
Augsuto    — Assim, ó.  
Aline      — Com que cara eu vou ao salão hoje?
Augusto    — Com a mesma de sempre, aline.
Corta para:

CENA 25. HOSPITAL.Interior. DIA.
Teka e Argenor sonolentos aguardam no corredor notícias sobre o estado de saúde de Magô.
Argenor    — Não acredito, passamos a noite em claro.
Teka    — Que noite. Parece mais um pesadelo.
Argenor    — Tudo de ruim aconteceu ontem. Fim de noivado, assassinato e atropelamento. Se a gente for contar ninguém acredita.  
Medico cirurgião aparece no corredor reage, Teka se aproxima dele, Argenor segue mais atrás.
Teka         — E ai, doutor?
Doutor       — O perigo já passou, ela está agora em repouso. Vocês podem ir para casa dormir
um pouco e depois vocês voltam para ver a paciente.  
Argenor      — Graças a Deus, pelo menos não aconteceu o pior.
Teka         — Quanto tempo ela vai ficar internada, doutor?
Doutor       — aproximadamente uma semana. Depois deve receber alta.
Corta para:

CENA 26.Centro da cidade/Pça Central./Exterior. Dia
Carina sentada no banco da praça, observa as pessoas, sozinha já não pede mais. Fixa olhar em um carro que parece ta tendo dificuldade em se movimentar, vem avançando com dificuldades. No volante Cristina, secretária da Empresa SoleMar, de propriedade de Alfredo de Alcântara Penteado. O carro pára bem em frente ao banco de Carina. Cristina impaciente tenta por três vezes dar partida, inútil. Aborrecida e desanimada, desce do carro e encosta no veículo. Parece angustiada, aflita. Carina sai do banco, aproxima.
Carina – Madame tar precisando de ajuda?
Cristina reage, cara de pavor, medo, insegurança.
Closes alternados entre Carina (perplexa) e Cristina(apavorada).
Corta rápido para:

CENA 27. CASA DE ARGENOR E TEKA. IntERIOR. DIA.
Mal a porta se fecha, Laura dá o    
Laura    — Criaturas de Deus, onde vocês estiveram todo esse tempo?
Teka não responde. Calmamente tranca a porta e guarda a chave no bolso.
Laura    — (assustada) O que houve?
Argenor    — Tivemos uma noite dos infernos. Preciso de um café forte e quente.
Laura    — tem na garrafa, mas me conta logo o que aocnteceu, não me deixem mais nervosa do que já estou.
Teka    — Mãe, presenciamos um assassinato e na fuga do local do crime atropelamos uma mulher.
Laura    — Ai, meu Deus! (assustada) Fala baixo, fala baixo.
Teka    — Nós ligamos pra polícia e denunciamos um homem que vimos no local do crime.
laura       — Ele viu vocês?
Argenor     — Pior que viu.
laura       — (aflita) Precisamos fechar as portas da casa.
Teka        — Já estão fechadas, as chaves estão comigo.  
Corta para:

CENA 28. Centro da cidade/Pça Central./Exterior. Dia
Continuação da cena 26:
Carina     – (reage) Quer uma ajuda?
Se pudesse Cristina gritava, mas segura a voz.
Carina     – Olha, madame, sou pobre, mendiga, mas sou honesta, pode crê? Fique
tranqüila não vou fazer mal a madame. Se eu não puder ajudar, prejudicar
a madame que não vou.
Cristina respira aliviada, sente-se mais segura embora permaneça em silêncio. Carina, espera uma resposta, desiste, recua, afasta-se. Cristina cria coragem:
Cristina   – Espere!
Carina pára. Permanece de costas.
Cristina   - Preciso de sua ajuda.
Carina vira, volta-se para Cristina, abre sorriso franco, conquistador.
Cristina   – Você pode me ajudar?
Carina     – Claro que posso! Posso, mermo!
Cristina   – Que você acha que aconteceu?
Carina     – Num sei, mas deve ser uma coisinha à-toa. Vou ver pra madame.
Em movimento rápido, Carina rola para debaixo do carro. Cristina surpreende-se com a agilidade de Carina. Balança a cabeça impressionada, abre risos.
Tempo. Carina sai debaixo do carro.
Carina     – Pronto! Acho que o probrema foi solucionado.(de pé) – Madame, pode
entrar e dar partida no carro.
Cristina, entra, dar partida, o carro funciona.
Carina dar tchauzinho, sorriso aberto de satisfação.
Cristina coloca carro em movimento, pensativa. Avança um pouco, Carina fica para trás. Freia, passa marcha-ré, volta até próximo a Carina que permanece no mesmo lugar.
Cristina   – (decidida) Quer ir comigo?
Carina hesita, estranha o convite, fica sem entender.
Cristina   – Estou precisando de uma empregada. Pago muito bem.
Carina hesita, sente-se insegura.
Cristina   – Venha! Vou te dar uma nova vida.
Carina aproxima, abre a porta e entra no carro. O carro parte na avenida.
Corta para:

CENA 29. 5º DP.Interior.dia.
Próximo a recepção encontra-se Ana Rosa(repórter e sua equipe televisiva)enquanto na sala está o
Delegado Martins analisando as fotos do morto, entra detetive Hugo.
Hugo    — Nem um suspeito até agora?
Martins    — Pra falar a verdade, não. Mas, por telefone, eu convoquei os denunciantes para que com suas informações façamos um retrato falado do tal homem que foi visto no local do crime.  
Hugo    — Acho que deve ter mais gente envolvida nesse caso... debaixo do viaduto encontrei vestígios de mais duas pessoas, provavelmnte dois homens e quase que a gente pega eles lá, pois o fogo ainda fumaçava, sinal de presença recente naquele lugar.
Martins    — Faz sentido suas ponderações. E sobre o morto, descobriu slguma coisa?
Hugo        — Era um mendigo, um desses que vive na rua. Segundo algumas pessoas, ele vivia na praça central da cidade amasiado com uma mulher, provavelmente uma mendiga também.  
Martins    — Provavelmente, foi morto por outro mendigo. Deve ser um crime passional.
Hugo    — É bem provável que seja.
Martins    — Neste caso, ouço as duas testemunhas e encerro o caso. Não tem muito o que fazer, essas pessoas que moram na rua vivem se matando, além do mais é um caso que não vale a pena. Não tem ninguém de renome envolvido.  
Hugo    — Seria bom que fosse um grande caso, com pessoas da alta sociedade envolvidas até o pescoço. Imagina sÓ: você encerrando a tua carreira e eu começando a minha com chave de ouro.
Martins    — Seria bom demais. Mas agora, vamos ao trabalho.
Corta para:

CENA 30.AP. de Cristina e Carina./ Sala. Interior. Dia
Carina    – (fascinada) Como é lindo este lugar? Eu vou morar aqui?
Cristins  – Vai, até você ter condições de ter sua própria casa.
Carina sorri, acha impossível ter uma casa.
Cristina  – Que? Não acredita que vai ter sua própria casa?
Carina    - (humilde) Não que não acredite, mas é algo tão fora da real para mim
que...
Cristina  - Não seja cruel com você!(animada)você é uma moça linda, vai arranjar um
casamento logo, logo... é só dar um jeito em seu visual, na sua aparência.
A sapa vira princesa...
Carina    – (deslumbrada) Como nos contos de fada?
Cristina  – (entusiasmada) Igualzinho!  
Carina deslumbra mais ainda.
Corta para:

CENA 31. bar e pensão do zeca.Interior.dia.
Paulo, Renato e Porfirio descem as escadas e chegam no salão para sentar-se à mesa para o café da manhã, alguns figurantes estão lá.
Paulo    — Dormir que nem uma pedra.
Renato    — O colchão estava maravilhoso, parecia uma nuvem de tão macio e quente que era.
Porfirio    — fazia muito tempo que eu não dormia num colchão como esse.
Paulo    — Fazia muito tempo que eu não sentia um cheiro de café como essse. Parece saboroso.
Renato    — Nada como um pretinho passado na hora.
A atendente começa a serví-los à mesa. Porfirio ver a TV no alto e pde para a atendente ligar o aparelho. nas imagens, um cantor recente canta uma musica.  
Tônia    — (sem nenhuma intenção) Amo essa música...
Porfirio    — (gentil) É linda, mesmo! Parece contigo.
Tônia    — Comigo?
Paulo e Renato se olham cumplicidamente. Disfarçam.
Porfirio    — Sim, com você.
Tônia       - Só por que eu gosto da música?
Porfírio    - È, só por que você gosta da música.
Sai as imagens do cantor, entra a repórter Ana Rosa falando ao vivo da 5º DP. durante toda a reportagem Paulo, Renato e Porfirio mostram reações, no final, Tônia percebe e desconfia deles.
Ana Rosa    — Polícia procura homem que provavelmente assassinou um morador de rua proximo ao viaduto central. O delegado Martins e o detetive Hugo dizem já ter pistas do homem que assassinou um mendigo proximo ao viaduto da praça central. Duas testemunhas foram convocadas para prestar depoimentos acerca de um homem que viram no local do crime. A partir das informações prestadas pelas duas testemunhas, o delegado Martins pretende fazer o retrato falado do suposto assassino. O detetive Hugo nos informou que acredita que há mais duas pessoas envolvidas no caso, mas o crime seria passional, provavelmente envolvendo disputa por uma mulher. Voltamos a qualquer momento com mais informaçóes.     
Tônia    — Posso fazer uma pergunta?
Porfirio    — Pode.
Tônia    — Vocês não têm nada a ver com esse crime, têm?
Reação de Paulo, Renato e Porfírio . Closes alternados dos três e Tônia.
Corta.

FIM
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Atualizado em: Sex 22 Jan 2010

Comentários  

+1 #1 Abreu 02-02-2010 07:22
Realmente, um amor bandido...

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