person_outline



search

Os Guardiões 2ª parte

novela
Os guardiões - Capitulo 1 - 2ª  PARTE

Cena 03- Dentro do Vaticano/Roma /Aposentos do padre Luide- Interna. Dia

Dez anos depois

Padre Luide estava de pé em seus aposentos apoiado em sua bengala, olhava atentamente para sua mesa, observando inúmeras copias dos manuscritos em cima da escrivaninha. Por todo aposento existiam livros abertos, e vários papeis rabiscados, que demonstravam que estava tentando traduzir os documentos há muito tempo. Bem no centro um papel em branco com uma caneta sobre o mesmo tinha no seu topo escrito: “Querido sobrinho”

Padre Luide retirava do bolso o seu inseparável relógio dourado, dado pelo Papa em seu sexagésimo quinto aniversario. Tinha uma expressão preocupada, no fundo o conteúdo dos manuscritos o afligia, e lhe mostrava um futuro não muito distante mergulhado nas trevas. O padre apoiado em sua bengala andava de um lado para o outro sem retirar os olhos dos manuscritos e do papel em branco.

Decidido do que fazer sentava-se puxando o papel em branco e começava a escrever uma carta.

PADRE LUIDE- (pensamento) Querido sobrinho Françoa. Devido minhas preocupações estou lhe enviando está carta quebrando todos os protocolos, ensinamentos e ética da igreja que me precede. Mas meus esforços de alertar sobre a veracidade deste documento aos meus colegas, e a importância de traduzi-los na sua integra foram em vão. Meu receio é que tais manuscritos sejam arquivados, e considerados heresia ou blasfêmia como muitos outros que estão empilhados na biblioteca secreta do Vaticano. Minha decisão com certeza me sairá muito caro, mas meu velho coração insistiu em afirmar que tal material é muito importante para ficar arquivado, junto a muitos outros esquecidos na gaveta do tempo. (TOM) Já não sou tão jovem meu querido sobrinho e a saúde começa a me falhar para continuar a lutar contra a eterna burocracia do Vaticano. Sei que você ainda não decidiu sua vocação, sendo assim coloco nas mãos de Deus que sempre guiou meus passos por toda vida, o destino das copias destes manuscritos, que lhe envio em anexo. Dez anos já se passaram desde descoberta do meu saudoso amigo Alan, que faleceu. Segundo os legistas, seu corpo não possuía uma gota de sangue, e os manuscritos originais que estavam com ele sumiram tão misteriosamente como foi sua morte. Alguma coisa está acontecendo meu sobrinho, eu sinto a morte a me rondar, por este fato me isolei dentro das dependências do vaticano nesses últimos anos, pois acredito ter encontrado uma mensagem de Deus para os homens. Parte da profecia, eu consegui traduzir você verá...

Cena 04- Dentro do Vaticano/Roma/ Escritório do arcebispo Manoel- Interna. Dia

Dias atuais.
No Vaticano o sol já vai alto, tornando uma manha agradável. Entretanto nos corredores do Vaticano, o padre Françoa Trevian, sobrinho querido do padre Luide, era um homem alto e magro, de cabelos grisalhos, possuía um óculos de armação fina, andava apressado e apreensivo com uma pasta a mão, e entrava no escritório do arcebispo Manoel Herdeira, um velho teimoso e autoritário. Mas Françoa não se deixava abater, e de forma quase agressiva o indagava.

FRANÇOA - O senhor não atendeu a nenhum dos meus avisos ou memorandos que lhe enviei arcebispo Manoel, na verdade nem foram levados em consideração. Meu tio tinha toda razão em sua época, e por isso me enviou essas copias. Levei anos traduzindo e corrigindo os textos para que não houvesse erros no seu conteúdo. Falei que a profecia do décimo quinto apóstolo de que o mal antigo reapareceria, era verdadeira...

ARCEBISPO MANOEL – (interrompendo) Falar do décimo quinto apóstolo é uma heresia. Tal apóstolo nunca existiu padre Françoa.

FRANÇOA - Tal como o evangelho de Jesus escrito por São Thomaz. Que é considerada uma heresia. Qual a igreja não reconhece, mas nós sabemos que não é. (replicava de maneira irônica) Estamos falando de uma guerra de grandes proporções que envolvera toda a humanidade. Onde o palco desta batalha será aqui e agora. Segundo meu tio devemos estar preparados, e se possível encontrarmos uma maneira de ajudar, ou mergulharemos na escuridão, comandados pelo senhor das trevas.

ARCEBISPO MANOEL – Seu tio Luide Trevian estava doente e delirava em seu leito de morte. Tudo que ele disse são blasfêmia e heresia. Eu lhe proíbo Padre Françoa sobre pena de ser expulso do Vaticano e da ordem dos padres!Proíbo principalmente de continuar perpetuando esta heresia dentro de nossas dependências. (dizia isso o arcebispo enfurecido socando a sua mesa, impondo sua autoridade).

FRANÇOA - Se não fará sua parte vossa eminência, eu farei a minha. Se isso custar minha expulsão, então que seja. Mas será vossa consciência com Deus que estará em jogo. Se esta profecia foi permitida aos homens, é porque Deus na sua infinita sabedoria desejava que nós soubéssemos de seu conteúdo e que encontrássemos uma maneira de pará-la. Com ou sem permissão do Vaticano, eu marcarei minha passagem para o centro dos eventos que já se iniciaram.

ARCEBISPO MANOEL – (O arcebispo sai de sua mesa e vai ate uma estante de livros bíblicos) Já que deseja tanto fazer está investigação.

E não há como pará-lo em sua loucura. Deixarei que a faça. Mas tenho condições que não abro mão padre Françoa Trevian. Primeiro quero que os relatórios sejam enviados para mim, e a mais ninguém. Segundo, não falara com mais ninguém sobre este assunto, até que você tenha reunido provas irrefutáveis desta tal ameaça que afirmo que jamais achara, pois tudo não passa de heresia. Será que ficou tudo claro padre Françoa?

FRANÇOA - Ficou tudo muito claro arcebispo Manoel. Todos os relatórios serão enviados somente ao senhor e a mais ninguém. Marcarei minha partida imediatamente. Com sua permissão irei para meus aposentos fazer os preparativos para minha viagem. Partirei o quanto antes, o tempo não é nosso aliado arcebispo.

ARCEBISPO MANOEL - Vá agora padre Françoa, emitirei o documento de autorização para capitação de recursos para sua viagem.

Certo da vitória estabelecida, o padre sai da sala sob o olhar descontente do arcebispo. Este pega o telefone que estava sobre sua mesa, e disca um numero.

ARCEBISPO MANOEL - Me faça uma ligação com o arcebispo Gabriel imediatamente. (aguarda um pouco) Gabriel como você havia me alertado, o padre Françoa esteve aqui falando suas sandices. (pausa) entendo enviarei ele então. (pausa) sim manterei o senhor informado de tudo. (pausa) Farei isso imediatamente. (desliga o telefone com o dedo, mas permanece com o telefone no ouvido) Me chame um despachante, preciso enviar um bilhete urgente. (colocando o telefone no gancho) Você não destruirá a igreja padre Françoa. Fique certo disso.

O arcebispo então se levanta e vai ate um armário e pega um livro que contem um antigo brasão.

Cena 05-Dentro do Vaticano/Roma/ Escadarias - Interna. Dia

Françoa descia as longas escadas do Vaticano tomando a direção do dormitório do seu velho amigo Albertini. Ele pensava consigo mesmo, que precisaria de ajuda, eu só poderia contar com alguém que confiasse plenamente. Não demorava muito e o Padre Albertini abria a porta após as três batidas fortes dadas pelo padre Françoa.

Albertini era magro, de pele bem clara, usava uns óculos antigos, o chamado fundo de garrafa, já beirava seus cinqüenta e cinco anos. Ao olhar o amigo Françoa percebia no seu olhar, que algo o perturbava seriamente, na verdade, ele já vinha notando certa mudança no seu comportamento, uma inquietação freqüente no amigo. Albertini com um movimento das mãos convidava Françoa para entrar em seu quarto. E decidia invadir a intimidade do amigo, algo que apesar de ser italiano, não gostava muito de fazer. E o indagava querendo saber o motivo de sua transformação na ultima semana.

ALBERTINI - Sabe que nunca tomei liberdade de questioná-lo, apesar de sempre ter me dado acesso a fazê-lo muitas vezes. Mas este é meu jeito e você bem sabe. Entretanto há um bom tempo percebo sua preocupação e sinto seu nervosismo crescente, principalmente nestes dois últimos dias. Pergunto meu amigo. O que esta acontecendo com você? Divida comigo seu pesar. Acho que precisa de muita ajuda meu caro. (concluía seu comentário o padre Albertini tocando no ombro do amigo)

FRANÇOA – Sim você esta certo em sua colocação. Preciso por demais de sua ajuda Albertini. Algo muito grave está para acontecer. Já deve ter ouvido muitos boatos pelos corredores ao meu respeito. Até percebo quando meus irmãos me olham com indignação. (sentava-se na cadeira o padre Françoa a frente de Albertini.) Mas... Você é meu amigo há muitos anos, e sei que posso confiar plenamente em você. Preciso que você meu velho amigo, seja meus olhos dentro do Vaticano.

ALBERTINI - Mas afinal Françoa do que estamos falando? Não me atenho a boatos, sabe como sou discreto. Mas porque em nome de Deus precisa que eu lhe faça isso? Não confia no discernimento dos chefes do Vaticano? (dizia ainda mais apreensivo o padre Albertini que se sentava na outra cadeira e a puxa para perto do amigo)

FRANÇOA – Sim meu amigo eu confio, no entanto não confio na burocracia do vaticano. Acompanhe-me padre Albertini. Vou lhe por a par de tudo e diante dos fatos percebera o motivo do meu nervosismo e só então me entendera. E então decidira se deseja ou não me ajudar. (levantando-se e olhando nos olhos do amigo)

Continua...

Pin It
Atualizado em: Seg 8 Mar 2010

Comentários  

+1 #1 Abreu 06-03-2010 08:24
Continuo dando sequência...

Deixe seu comentário
É preciso estar "logado".

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br

whatsapp  WhatsApp  (41) 99115-5222