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Infância, cartoons, nostalgia e Ben 10

Vi uma coisa esquisita, e não parei de pensar sobre isso.

Meu primo mais novo tem só oito anos. Uns dias atrás eu o vi com um visual incomum, chinelo verde, um relógio de plástico, mochila nas costas da mesma cor. Todos pertenciam a um personagem, um tal de Ben 10.

Como assim? digo eu,o que estão fazendo com as nossas crianças?Sou um gigante fã de animação. Pareço criança quando a Dreamworks, Sony ou Pixar anunciam o próximo filme. Porque a animação sempre me inspirou. Só que na infância eu via outras coisas, Disney, Dreamworks, via Tim Tim, Rupert, Pica-pau, Frajola, Pateta, Tom e Jerry e os desenhos incríveis de Tex Avery. E hoje os cartoons são bem diferentes, tem um adolescente que vira um monstro e bate no vilão. E depois vende seus produtos...

Eu lembro tão bem dos desenhos antigos. Quando via Rupert (a animação), sentia vários impulsos criativos porque suas histórias eram bem viajadas. Tinha um chinês que, com um elevador, atravessava o planeta e chegava na China! Tinha um rei narcisista e seu castelo de cristais, um velhinho inventor meio doido.Antes de Toy Story, tinha um mundo de brinquedos que ganhavam vida quando eram despejados. Tinha um lugar paralelo onde os jogos do mundo eram peças vivas gigantes: xadrez, damas, ludo, baralho.

Mesmo escondido, havia referências a Lewis Carroll, Shakespeare, e outros autores clássicos. À épocas como a Idade Média, Era Vitoriana, Grandes Navegações do século XV, Japão Feudal, Mongóis e as guerras antigas da China. Claro que uma criança não vê essas coisas, mas isso fica guardado, no inconsciente, até a escola trazer à tona com as aulas.

Tim Tim! um detetive, estava sempre em perigo. Ele não tinha poderes. E também Doug Funnie, um garoto meio bobão que usava a imaginação pra superar seus medos, inventar, fugir e viver as loucuras que só acontecem consco na adolescência.

Era uma época em que a programação infantil queria estimular a criatividade. Melhorar o discurso, ampliar a visão de mundo, tornar o aprendizado mais divertido. Tinha conflito, é claro, como toda boa história. Mas pra isso não precisava de violência gratuita, explosões e monstros estranhos.

Hoje a ideia é estimular outra coisa: compre o relógio, a mochila, o chinelo, o boneco, a camisa, a bola do Ben 10. Ligue pra TV, pra ganhar dinheiro, brinquedo,preisteichon, e ouvir uma mensagem do biscoitinho da sorte (?).

Quer saber de uma coisa? Meu filho vai ver Tex Avery, Hanna-Barbera, Lantz, Warner, e vários da Nelvana. Disney e os antigos da Dreamworks. Vou deixá-lo bem longe dessa lavagem cerebral.

As pobres crianças...

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Atualizado em: Ter 17 Set 2013

Comentários  

#1 filippi 26-09-2013 13:18
Boa crítica! (Mas a Xuxa também vendeu muita mochila... rs,rs)

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