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Como vai a loucura?

A peça questiona os limites da loucura cotidiana, salientando sempre a solidão, principal causa dessa loucura. A hipocrisia humana é encontrada em todos os momentos: entre risos e tristezas, todas as personagens estão perdidas dentro do seu próprio mundo.


Todos os personagens estão presos em um sanatório e vestem camisas de força. Alguns estão presos atrás de uma grade que cobre toda a frente do palco, outros estão espalhados pela platéia. A iluminação é composta de velas e lanternas.


CENA 1


HOMEM - (preso no palco, segura uma foice) Bela, tão bela é a morte. Um resto de vida, a saída para o fim. Um coro de anjos e gritos do inferno. Tão longe e tão perto, rápida e lenta, mas apenas fria. Gélida como os sonhos dos miseráveis, presos, da falta de amor, velha amiga da solidão. Busca teu espaço, enterra. Mero funeral, mas é à hora, amanhã tudo será esquecido e passado para traz.

LOUCA 1 - (presa na platéia) Foge, foge enquanto consegue correr...

LOUCA 2 - (presa na platéia) Deus não existe nessa hora...

LOUCA 3 - (presa na platéia) É o dilúvio, foge... Foge, vamos todos morrer afogados...

HOMEM - (presa no palco) De tudo que é dor, seremos o resto, o resto do mundo, e mais nada existirá, nem mesmo "um homem, uma mulher e uma flor".

LOUCA 3 - (presa na platéia) Os livros estão sendo queimados em praça pública...

LOUCA 1 - (presa na platéia) Todos estão livres, corram...Vocês estão livres...

HOMEM - (presa no palco) Livres para a morte.

LOUCA 2 - (presa na platéia) Deus seja louvado...

HOMEM - (presa no palco) Enfim sós.

CORO - (todos os personagens) SOLIDÃO, SOLIDÃO, SOLIDÃO...

LOUCA 3 - (presa na platéia) O início da loucura, por que toda sorte já foi lançada, tudo será avaliado e distribuído...

LOUCA 2 - (presa na platéia) Em doses de medo e desespero...

LOUCA 1 - (presa na platéia) Escondam todas as crianças...

LOUCA 3 - (presa na platéia) Mulheres na frente...

LOUCA 2 - (presa na platéia) Amém...

CENA 2

Os personagens estão presos na platéia e iluminam o próprio rosto com lanternas.


ELE - Parece que tudo acabou.

ELA - Só sobrou o vazio.

ELE - O fim chegou rápido.

ELA - Como o "fim do primeiro tempo". Onde foi que você errou?

ELE - Acordei atrasado e não vi o sol nascer.

ELA - Está escuro, tão escuro...

ELE - Acenda a luz.

ELE - Pronto, assim é melhor, agora eu posso ver como você envelheceu.

ELA - Fiz só oitenta e três, mas me sinto muito mais velha.

ELE - Eles foram ao teatro.

ELA - Foram ver TV... Ouve, ouve os pássaros gritando, ouve os mudos cantando, ouve o coro da torcida...
 

CORO - (todos os personagens) Gol!!!


CENA 3

Estão presos no palco e criam, com cadeiras, dois ambientes parecidos com sala de televisão e tribunal.


MARIDO - Desliga a TV... Eu não agüento mais... Futebol, futebol...

ESPOSA - O que será que aconteceu?

MARIDO - O que será que aconteceu?

ESPOSA - O que será?

MARIDO - O que aconteceu?

ESPOSA - Sei lá.

MARIDO - Eu não sei.

ESPOSA - Não fui eu.

MARIDO - Foi você.

ESPOSA - Não foi, juro que não foi...

ADVOGADO - Senhoras e senhores, estamos aqui para acusar está mulher de crime hediondo e exijo senhor juiz que não seja aceito pagamento de fiança.

JUIZ - Ordem, ordem no tribunal... Do que está mulher é acusada?

ADVOGADO - De assistir futebol de segunda á sábado, no horário comercial e jogar aos domingos.

JUIZ - Ordem, ordem... Silêncio... 5,4, 3, 2, 1... Declaro-a culpada, com direito a um ultimo desejo.

ESPOSA - Fumaça, fumaça, fumaça vermelha, muita fumaça...

CENA 4

Presos na platéia se iluminam com lanternas.


ELA - Essa não é nossa casa.

ELE - Essa é...

ELA - Isso é um buraco.

ELE - Isso é...

ELA - Que horas são?

ELE - Tarde.

ELA - Que horas são?

ELE - Cedo.

ELA - Você não sabe?

ELE - Eu não sei...

ELA - Por que acabou?

ELE - O que?

ELA - Tudo.

ELA - Era hora...

CENA 5

Presos no palco.


ELA 2 - (dá uma flor para ele dois) Porque você sempre faz isso?

ELE 2 - (joga a flor no chão e pisa sobre ela repetidas vezes) Você não entende!

ELA 2 - Também você nunca me ensinou...

ELE 2 - Existem coisas que temos que descobrir sozinhos... E essa é uma delas!

ELA 2 - Mas você não devia pisar sobre as flores, dizem que elas sentem quando são maltratadas...

ELE 2 - Sabe por que você é tão problemática? Porque você sempre age com a emoção, se você às vezes esquecesse, esses seus sentimentos hipócritas e usasse mais a razão tenho certeza que você seria muito mais feliz.  

ELA 2 - Olha lá uma estrela cadente faça um pedido! "Eu queria que você aprendesse a ser mais humano!" (dá uma nova flor para ele, mas, novamente ele pisa sobre ela) Às vezes os sonhos não se realizam porque somos duros demais para percebê-los. 


CENA 6

Anda pela platéia, carregando um candelabro com velas acesas.


MÃE - FILHINHA VEM CÁ, VEM COM A MAMÃE... FILHINHA, MAMÃE ESTÁ AQUI...


CENA 7

Presos no palco sentados sobre pequenos bancos.



ELE 3 - (dando um pequeno presente) Eu trouxe esse presente para você...

ELA 3 - Que lindo, adorei. (dando um pequeno presente) Eu também trouxe um para você .

ELE 3 - (abre e vê que é uma caixa vazia) Que linda essa caixinha.

ELA 3 - Tem a sua cara.

ELE 3 - Eu estava com saudade.

ELA 3 - Eu também.

ELE 3 - E aí o que fez ontem?

ELA 3 - Nada.

ELE 3 - Nada?!

ELA 3 - Dormi. E você?

ELE 3 - Fiz um monte de coisas, mais o mais importante é que pensei em você.

ELA 3 - Ah ... Que legal!

ELE 3 - Legal?! E aí o que a gente vai fazer hoje?

ELA 3 - Nada.

ELE 3 - Como nada?

ELA 3 - Amanhã tenho que trabalhar, dormir cedo, não vai dar.

ELE 3 - Você também só trabalha e dorme, você não pensa em fazer outras coisas?

ELA 3 - Ah é? E quem vai me sustentar, pagar minhas contas? Você por acaso?

ELE 3 - Então, quando a gente se vê?

ELA 3 - Na sexta.

ELE 3 - Na sexta não dá, que tal amanhã?

ELA 3 - Já disse que não vai dar.

ELE 3 - Por quê? Você não disse que estava com saudades...

ELA 3 - Mas, amanhã não dá.

ELE 3 - Estou achando isso muito estranho, alguma coisa tem aí.

ELA 3 - Sexta.

ELE 3 - Você sabe que não posso, já está perto da apresentação. Amanhã?

ELA 3 - Sexta.

ELE 3 - Sexta eu não posso.

ELA 3 - Então fica com seu ensaio, eu vou embora. (sai)

ELE 3 - Ela volta. (passa um curto espaço de tempo)

ELA 3 - (volta correndo) Desculpa...

ELE 3 - Tudo bem.

ELA 3 - (dando outro presente) Trouxe um presente para você.

ELE 3 - Eu adorei. Vamos sair amanhã.

ELA 3 - Sexta.

ELE 3 - Você está querendo brigar, já disse que sexta tem ensaio... Por que não amanhã?

ELA 3 - Você também só pensa nesse ensaio.

ELE 3 - E você em dormir.

ELA 3 - Sabe de uma coisa? Eu vou embora. (sai)

ELE 3 - Ela volta. (demora um pouco mais que da outra vez)

ELA 3 - (voltando) Desculpa...

ELE 3 - Tudo bem, eu comprei outro presente para você (dando um outro presente).

ELA 3 - Obrigado.

ELE 3 - E aí.

ELA 3 - E aí o que?

ELE 3 - Que tal amanhã?

ELA 3 - Sexta.

ELE 3 - Sexta, é? E onde você vai me levar?

ELA 3 - Num parquinho perto de casa.

ELE 3 - Ah, que legal... Parquinho, né? Interessante, mas já falei que sexta não dá.

ELA 3 - Sabe de uma coisa, eu cansei.

ELE 3 - Eu é que cansei, você nunca tem tempo para mim.

ELA 3 - E você, se você gostasse de mim faltaria a esse ensaio.

ELE 3 - Já disse que não dá.

ELA 3 - Então fique você com esse ensaio que eu vou embora. (sai)

ELE 3 - Ela volta. Ela sempre volta... (passa o tempo) Ela está demorando, mas ela volta... Já vou até preparando o presente, que daqui a pouco ela está aí... Acho que estou bem assim, né? Ela nunca demorou tanto, será que ela não vem...?


CENA 8

Presos na platéia.

ELE 4 - Cala a boca.

ELA 4 - Não calo.

ELE 4 - Cala.

ELA 4 - Não calo.

ELE 4 - Eu conto tudo para sua mãe.

ELA 4 - Contar o que?

ELE 4 - Tudo o que a gente fez.

ELA 4 - Não conta.

ELE 4 - Conto.

ELA 4 - Não conta.

ELE 4 - Conto.

ELA 4 - Não conta.

ELA 4 - Conto.

ELA 4 - Então conta.

ELE 4 - Não conto.

ELA 4 - Eu sabia, você é um covarde, é isso o que você é: "UM COVARDE".

ELE 4 - Você está louca.

ELA 4 - Louca é? Então estou... Hei, vocês estão vendo? Eu estou louca, louca, louca... (entram loucos vestidos de médicos e começam a levá-la) Vem, vem que estou louca... Me larguem, me larguem, eu não quero ir... Eu não sou louca... Ele é que é louco... Ele quer que eu vá para o hospício... Me larga, me larga... Me deixa...


CENA 9

Presos no palco.


MULHER DO BÊBADO - (carrega um bebê nos braços) Eu não te agüento mais bebendo. Homi tua filha tem fome, e você gasta tudo em bebida. Eu não agüento mais, eu e minha filha vamos embora... Entendeu? Nós vamos embora.

BÊBADO - Mas eu te amo.

MULHER DO BÊBADO - Mas amor não enche barriga, homi de Deus... Eu estou com fome, fome de vida. (ele tenta abraçá-la) Sai, homi de Deus... (pausa) Eu só fico se ocê parar de beber.

BÊBADO - Eu paro.

MULHER DO BÊBADO - Tu para mesmo?

BÊBADO - Paro.

MULHER DO BÊBADO - Jura? 

BÊBADO - Juro.

MULHER DO BÊBADO - Por sua mãe pregada na cruz?

BÊBADO - Juro.

MULHER DO BÊBADO - Então tá. (pega a garrafa das mãos do bêbado e bebe) Me dê cá um gole e vamos beber para comemorar.


CENA 10

Sentados em cadeiras na platéia. São iluminados pelas lanternas dos outros personagens.


VELHO - Todo sonho acabou.

VELHA - Você tem certeza que era hora?

VELHO - Sinceramente não sei.

VELHA - Nunca mais vou ver o sol?

VELHO - Acho que não.

VELHA - Você lembra de quantas vezes a gente ficou vendo o sol nascer? O sol se por?

VELHO - Éramos tão jovens.

VELHA - Você era tão romântico.

VELHO - Você tão linda como hoje...

CENA 11

Anda pela platéia, carregando um candelabro com velas acesas.


MÃE - FILHINHA VEM, A MÃE TE AMA FILHINHA...


CENA 12

Presos no palco. Estão deitados como se estivessem em uma cama.


NAMORADO - Shiu! Você consegue ouvir?

NAMORADA - Parece ser o canto da cotovia.

PAI - (entra) O que significa isso?

NAMORADA - Não pai, não pai... Não é nada do que o senhor está pensando pai... Eu e o Marcos, somos apenas amigos.

PAI - Lógico... Lógico...

NAMORADA - Que bom que o senhor entendeu pai...

NAMORADO - O senhor até me deixou assustado...

PAI - Vão casar, vocês vão casar, seus vagabundos, envergonhar meu nome, nunca...


CENA 13

Sentados em cadeiras na platéia. São iluminados pelas lanternas dos outros personagens.


VELHO - Acabou o sonho, acabou...

CORO - (todos os personagens) ACABOU O ARROZ, ACABOU O FEIJÃO, ACABOU... ACABOU, ACABOU TUDO.

CENA 14


JUIZ - (preso no palco) Um minuto de silêncio, logo irão pregá-la na cruz...

FOFOQUEIRA1 - (presa na platéia) Do que ela é culpada?

FOFOQUEIRA2 - (presa na platéia) Sei lá.

FOFOQUEIRA1 - (presa na platéia) Só sei que deve ser horrível...

FOFOQUEIRA 2 - (presa na platéia) Para ela ser condenada, coitada...

ESPOSA - (presa no palco, girando) Fumaça, fumaça, fumaça vermelha, fumaça.

JUIZ - (preso no palco) Então qual é seu último desejo?

ESPOSA - (presa no palco) Voar, voar... Poder ver o mundo de cima, sentir o vento tocar meu rosto, voar como urubus em noite de festa, voar, voar e bater asas...


CENA 15

Presos na platéia.


PADRE - Então se tem alguém que queira declarar alguma coisa para impedir esta comunhão de bens que fale agora ou ca...

AMANTE (homem) - (levanta no meio do público) Eu tenho...

CORO - (todos os personagens) OH...

PADRE - Pois não, pode falar...

AMANTE (homem) - Essa mulher é mãe do meu filho...

CORO - (todos os personagens) OH...

AMANTE (homem) - É isso mesmo, estou de oito meses e essa cachorra me deixou prenho, eu mais meu irmão ele também está grávido de seis meses.

CORO - (todos os personagens) OH...

NOIVA - É mentira... É tudo mentira...

CORO - (todos os personagens) OH...

NOIVA - Eu posso provar...

CORO - (todos os personagens) AH...

PADRE - O que você explica disso, D. Maria? Vamos lá, então prove?


CENA 16

Presos no palco.


PACIENTE - (deitada em cadeiras que formam um divã) Tudo começou na minha infância, sabe Doutora?

PSICÓLOGA - Entendo D. Maria...

PACIENTE - Meu pai me batia, minha mãe me batia, meu irmão me batia, minha vizinha me batia, meu cachorro me mordia...

PSICÓLOGA - Seu problema é um só D. Maria, SÍNDROME CANINA.

PACIENTE - Au, au! Você acha Doutora? Au! Tem cura?

CORO - (todos os personagens) TCHã, TCHã, TCHã!!!

PSICÓLOGO - Adivinha!

CENA 17

Anda pela platéia, carregando um candelabro com velas acesas.


MÃE - FILHINHA, VOCÊ NÃO PODIA, FILHINHA. A MÃE PRECISA DE VOCÊ.


CENA 18

Presos na platéia se iluminam com lanternas.


ELA - Todo dia agora quando eu abrir os olhos, e vou ver esse buraco?

ELE - Talvez...

ELA - E nossa casa, ela era tão bonita, como a gente sempre sonhou.

ELE - Eu faço outra para você.

ELA - Eu não quero.

ELE - Eu também não.

ELA - Então é assim.

ELE - Será sempre assim?

ELA - Sim... Onde está nosso jardim?

ELE - O tempo comeu.

ELA - Onde está o tempo?

ELE - Está no relógio.

ELA - Onde está o relógio?

ELE e ELA - Sumiu, sumiu...

CENA 19

Presos no palco.

PSICÓLOGA - Foi culpa dela?

PACIENT E - Dela quem, Doutora?

PSICÓLOGA - Sente-se aqui D. Maria e pense comigo, "João amava Teresa que amava Joaquim que amava, etc..."

PACIENTE - Entendo, entendo...

PSICÓLOGA - Sorria D. Maria, essa é a solução.

PACIENTE - Como assim?

PSICÓLOGA - Você amava um, depois outro e agora vai se casar com um terceiro...

PACIENTE - Sim?

PSICÓLOGA - Então?! No fundo do coração a senhora descobrirá um amor platônico por um único homem...

CORO - (todos os personagens) QUEM? QUEM? QUEM?...

PSICÓLOGA - Seu, seu... Cachorro.

CENA 20

Presos na platéia.


NOIVA - O senhor me entende agora padre?

PADRE - Diante das circunstâncias, minha filha, declaro que essa comunhão de bens é, é...

CENA 21

Anda pela platéia, carregando um candelabro com velas acesas.


MÃE - FILHINHA, EU TINHA TANTOS PLANOS PARA VOCÊ, FILHINHA VEM CÁ...


CENA 22

Presos na platéia.

NOIVA - O que, padre?

PADRE - Essa comunhão é, é... Sabe D. Maria, eu esqueci, mas tenha certeza: "Deus vai nos guiar".

NOIVA - Para onde, padre?

CENA 23

Sentados em cadeiras na platéia. São iluminados pelas lanternas dos outros personagens.

VELHO - Pelo paraíso, lá onde é claro, fresco, onde o ar tem perfume, onde a água tem sabor, onde os sonhos são reais... Talvez um dia poderemos estar lá.

VELHA - Demora.

VELHO - Sim.

VELHA - Você sabe onde fica?

VELHO - Logo ali na frente...

VELHA - Não consigo ver.

VELHO - Nem eu.

VELHA - Nós estamos cegos?

VELHO - Não sei.

VELHA - Eu vejo teu rosto. Você vê o meu?

VELHO - Vejo.

VELHA - É tudo tão estranho.

VELHO - Simples.

VELHA - O que?

VELHO - A sombra que faz!

VELHA - Qual?

VELHO - Dorme.

VELHA - Durmo.

VELHO - Esquece.

VELHA - Esqueço. (Adormecem, um encostado no outro)


CENA 24

Presos na platéia.


ELA 4 - Ouve lá, parece que tem mais alguém aqui.

ELE 4 - Talvez.

ELA 4 - Vamos procurar?

ELE 4 - É melhor não.

ELA 4 - Por quê?

ELE 4 - Poderá ser um susto.

ELA 4 - Pisque boca.

ELE 4 - Feche ouvidos.

ELA 4 - Cala coração.

ELE 4 - Respira, respira...

ELA 4 - Em silêncio.

ELE 4 - Percebe, é o som do seu coração que canta, seu pulmão que chora, seu cérebro que fala...

ELA 4 - (ouve um barulho) É o telefone.

ELE 4 - É o despertador.

ELA 4 - Atende.

ELE 4 - Desliga.

ELA 4 - Liga.

ELE 4 - Desliga.

ELA 4 - Acaba.

ELE 4 - Acabo.

ELA 4 - Bom dia loucura!

ELE 4 - Boa tarde loucura!

ELA 4 - Boa noite loucura!

ELE 4 - Que loucura?!

ELA 4 - Quem é louco?

ELE 4 - Nós todos somos loucos...

CENA 25

Presos na platéia.


LOUCA 1 - Por que loucura é estar vivo! É Ter que engolir tudo aquilo que nos foi imposto.

LOUCA 4 - É sentir fome, medo, é viver está "liberdade", preso a regras e decisões, em que nunca fomos questionados...

LOUCA 3 - Ser louco é apreciar coisas pequenas...

LOUCA 1 - É amar e se entregar a esse amor...

LOUCA 4 - Sim somos todos loucos, pois loucos são aqueles que fazem aquilo que lhe dão prazer.

LOUCA 3 - Enquanto outros não conseguem encontrar a si mesmos.

LOUCA 4 - E pensar que existem loucos que se preocupam com nossas vidas sem saber que existe vida na loucura.

CENA 26

Presos na platéia.

ELA 4 - Existe sonho.

ELE 4 - Ouçam o canto.

ELA 4 - Essa é a hora.

CORO - (todos os personagens) Por que a loucura, a loucura vai bem, muito bem, obrigado!

CENA 27


MÃE - FILHINHA MAMÃE TE AMA, EU PRECISO DE VOCÊ, FIZ TANTOS PLANOS, FILHINHA... (sobe no palco) Olhei por todos os lados. Andei, procurei. Dias, meses, anos de caminhada a procura de não sei o que. Quando tentei olhar eu não vi. Quando busquei amor, eu somente o perdi, me disseram algo sobre felicidade, mas tudo no que acreditei sumiu, desapareceu, como desenhos no chão. E quanto mais procurava mais distante me sentia estar. Hoje, quando olho no espelho sei que tudo eu pude viver, quando fui triste ou feliz, quando me perdi e procurei encontrar, quando me disseram, loucura menina, deixe estar, temos que viver, temos que continuar, mas tenham certeza, tudo o que eu ou vocês possam procurar, tudo de bom e de mal estará sempre dentro de nós mesmos.
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Atualizado em: Sáb 31 Jan 2009

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