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O BECO




PERSONAGENS:
LEO
TADEU
PAULINHO
MARIANA
PATRÍCIA
JÉSSICA
ROBERTO
DUAS PROSTITUTAS
OITO ESPECTROS
HOMENS E MULHERES

ÉPOCA: Atual


CENÁRIO: Um beco. Nas paredes imundas nomes de gangues juvenis, mensagens, grafites, etc. À direita, ao fundo, um latão de lixo enferrujado. Sacos de lixo, jornais, três papelões, que servirão de "cama" para os meninos e trapos velhos.



CENA 1


(BLACK-OUT. LUZ SOBE EM RESISTÊNCIA COM O PALCO NA PENUMBRA E O QUE SE VÊ É UM BECO SUJO. FOME E MISÉRIA. OUVIMOS NO ÁUDIO TRÊS TIROS SEGUIDOS DE SIRENES DE POLÍCIA. A NOITE É SOMBRIA. UMA FORTE NEBLINA ENCOBRE O LUGAR. DEITADO NO CENTRO, ESTÁ PAULINHO, UM GAROTO DE DOZE ANOS, COBERTO POR UM TRAPO VELHO, TODO SUJO E RASGADO. PARECE QUE O FRIO ATRAVESSA SEUS OSSOS. O GAROTO ESTÁ MUITO AGITADO. À DIREITA DO PROSCÊNIO, ESTÁ TADEU, UM RAPAZ DE DEZESSETE ANOS, COM O OLHAR FIXO NO PUNHAL QUE TRAZ NAS MÃOS. PAULINHO SE DEBATE MUITO E BALBUCIA PALAVRAS DESCONEXAS. ESTÁ TENDO UM PESADELO. TADEU, AO PERCEBER QUE O MENINO ESTÁ EM PÂNICO, CORRE EM SUA DIREÇÃO).


TADEU - (SACUDINDO O AMIGO) Acorda, Paulinho. Acorda, cara!... O que aconteceu?

PAULINHO - (LEVANTA-SE ABRUPTAMENTE, TODO SUADO) Eu tive mais um daqueles pesadelos. Será que eu nunca vou conseguir esquecer deles, caralho?

TADEU - E o que aconteceu nesse pesadelo?

PAULINHO - (PERTURBADO) A mesma coisa. O meu pai me enchendo de porrada, me queimando com cigarro, com ferro, batendo minha cabeça na parede...

TADEU - (ABRAÇA CARINHOSAMENTE O AMIGO) Calma, cara, eu tô aqui e vou te proteger. Não vou deixar que nenhum mal te aconteça...

PAULINHO - (TENSO) Tadeu... você me promete uma coisa?


(TADEU FICA POR UM LONGO TEMPO OBSERVANDO O ROSTO ANGUSTIADO DO GAROTO. ACENA A CABEÇA, AFIRMATIVAMENTE) PAULINHO - Você me promete que nunca vai me deixar sozinho?.... (TEMPO) Promete?

TADEU - Prometo, Paulinho.

PAULINHO - (INSEGURO) Promete, mesmo?

TADEU - Prometo, mesmo. (PAUSA) Agora eu queria te dar um conselho, truta...

PAULINHO - Que conselho?

TADEU - "Isso acima de tudo: ser fiel a ti mesmo. Quem é fiel a si mesmo, não é falso... Com ninguém..." (MUDA DE ASSUNTO) Sabe, Paulinho, eu já me fodi muito na porra dessa vida. Acho que cresci... Na porrada, mas cresci. E acho que esse é o melhor conselho que um pai pode dar a um filho...

PAULINHO - (COM OS OLHOS CHEIOS DE LÁGRIMAS) Gosto muito de você, Tadeu. Acho que morreria se um dia eu te perdesse...

TADEU - (RINDO) Tu nunca vai me perder, mano.

PAULINHO - Cago de medo

TADEU - (PAUSA) Sabe o que eu mais queria, Paulinho? Era poder sair do fundo deste poço de merda.

PAULINHO - Escreva o que eu digo, Tadeu. Um dia a gente vai sair deste cu. Tu, eu e o Leo.

TADEU - (RI, SEM ACHAR GRAÇA) O Leo? Tu acha que o Leo sai dessa? Sai porra nenhuma.


(TADEU NÃO QUER MAIS PENSAR NISSO E PEGA O PUNHAL, QUE DEIXOU CAIR NO CHÃO. GUARDA-O NO BOLSO DO MACACÃO. PAULINHO OBSERVA ATENTAMENTE, TODOS OS MOVIMENTOS DO AMIGO).


PAULINHO - (COM UM FIO DE VOZ) Tadeu.

TADEU - O que é?

PAULINHO - Se cuida, maluco...

TADEU - Fica na paz, rapá...


(SAI. PAULINHO FICA SOZINHO EM CENA, OBSERVANDO A SAÍDA DO AMIGO. PÕE A MÃO NO PEITO E AGARRA FIRMEMENTE NA IMAGEM DE UM SANTINHO QUE ESTÁ PENDURADO NO SEU PESCOÇO POR UMA CORRENTE. BEIJA A IMAGEM. O VENTO SOPRA MAIS FORTE E MAIS FRIO. PAULINHO VOLTA PARA O SEU CANTO, PEGA O TRAPO, SE COBRE E ADORMECE).


CENA 2


(ENTRA UMA GAROTA VESTIDA COM UM SOBRETUDO. ELA CAMINHA AFLITA PELO LUGAR. AO PASSAR PELO BECO, VÊ PAULINHO DORMINDO. CAMINHA ATÉ ELE E FICA OBSERVANDO-O POR UM BOM TEMPO. O GAROTO ESTÁ ENTREGUE NUM SONO PROFUNDO. ELA QUER TOCÁ-LO, MAS PARECE QUE O MEDO É MAIOR. DEPOIS DE UM TEMPO VENCE O MEDO E ACARICIA O ROSTO GELADO DO MENINO. AO PERCEBER QUE O GAROTO TREME DE FRIO, ELA TIRA SEU SOBRETUDO E COBRE O GAROTO. LEVANTA-SE E SAI, LENTAMENTE).


CENA 3


(MADRUGADA. RUA DO AROUCHE. UM CORREDOR DE LUZ VERMELHA E AZUL SOBE EM RESISTÊNCIA, REVELANDO GAROTOS DE PROGRAMAS, ENCOSTADOS EM POSTES, FAZENDO CHARME PARA QUEM PASSA POR ALI DE CARRO, ACARICIANDO O SEXO EM EREÇÃO. LEO É UM DOS GAROTOS, QUE SE EXIBEM. O RAPAZ, IMPACIENTE, ACENDE UM CIGARRO E FUMA. APARECE UM HOMEM E FICA OBSERVANDO OS GAROTOS. O HOMEM SE APROXIMA DE LEO. ELE ACARICIA O PEITO CABELUDO DO RAPAZ E DESCE A MÃO EM DIREÇÃO AO SEU SEXO. LEO E O HOMEM SAEM).


CENA 4


(DEBAIXO DO MINHOCÃO, NA AMARAL GURGEL. TADEU ENTRA FUMANDO MACONHA E ENCOSTA-SE NUM DOS PILARES DE SUSTENTAÇÃO DO ELEVADO. OUVE-SE UMA SIRENE DE POLÍCIA, QUE COMEÇA BAIXINHO E VAI AUMENTANDO GRADATIVAMENTE ATÉ SUMIR. APARECE UM RAPAZ, ANDANDO DEPRESSA. QUANDO CHEGA PERTO DE TADEU, TENTA CORRER, MAS TADEU O IMPEDE, APONTANDO O PUNHAL NAS SUAS COSTAS E ANUNCIANDO O ASSALTO. ESTE TENTA FUGIR, MAS TADEU LHE DÁ UMA GRAVATA E PEDE A CARTEIRA. O RAPAZ ENTREGA A CARTEIRA PARA ELE QUE O DERRUBA NO CHÃO. TADEU ABRE A CARTEIRA, RETIRA O DINHEIRO E DEVOLVE A CARTEIRA VAZIA PARA O RAPAZ, QUE FOGE, APAVORADO. TADEU GUARDA O PUNHAL E O DINHEIRO NO MACACÃO E SAI CORRENDO).


CENA 5


(MADRUGADA NO BECO. PAULINHO CONTINUA DORMINDO. ENTRAM JÉSSICA E PATRÍCIA, DUAS JOVENS. JÉSSICA DEMONSTRA UM ENORME ASCO PELO LUGAR).


PATRÍCIA - O carro tinha que quebrar logo agora?... Em plena boca do lixo?

JÉSSICA - (NOTA PAULINHO DORMINDO) Olha esse marginal!!! Eu tô com medo, Patrícia.

PATRÍCIA - Medo? Dele? Esse pobre coitado não é capaz de fazer mal a uma mosca.

JÉSSICA - Não sei, não. Só sei que são traiçoeiros, como cobras. Quando menos se espera, a gente recebe o bote.

PATRÍCIA - (PULA DE ALEGRIA COM SUA IDÉIA) Tive uma idéia!!!!!!

JÉSSICA - Qual idéia?

PATRÍCIA - Vamos entrevistar esse infeliz. O que você acha? Nós não somos jornalistas? Pois então... É a chance que temos para sermos valorizadas na porcaria daquele jornal... (INDO AO DELÍRIO) Imagine a manchete sensacionalista, na primeira página do jornal em letras garrafais, Jéssica: "Meninos de Rua: Quem Cuida Deles?" Não seria genial?

JÉSSICA - Não gosto muito da idéia, não. Você tem certeza disso?

PATRÍCIA - Absoluta... Ultimamente uma pesquisa realizada numa cidade, concluiu que existem cerca de seiscentos mil casais sem filhos e seiscentos mil eram o número de crianças abandonadas. Uma adoção resolveria o problema... Gente vai ser a reportagem do ano!!!!

JÉSSICA - Não viaja, vai!!!

PATRICIA - Não vou perder essa chance por nada...


(PATRÍCIA CAMINHA ATÉ PAULINHO E É SURPREENDIDA POR LEO, QUE ACABOU DE ENTRAR).


LEO - (CÍNICO) Opa! Duas de uma vez? Ainda tem um pouco de porra pra vocês...

PATRÍCIA - Não viemos pra isso, não. Somos jornalistas... A gente veio aqui pra fazer uma entrevista...

LEO - (IRÔNICO) Entrevista? Sei... E qual é o interesse de vocês nessa entrevista?

PATRÍCIA - É mostrar o problema pelo qual vocês estão passando, e...

LEO - (CORTANDO) Pra cima de mim?... Não vem com essa, não. Vocês querem assunto pra preencher espaço de jornal, pensa que não sei? Não sabem o que publicar e ficam procurando qualquer merda pra escrever... E o que a gente vai ganhar com isso? A gente só vai se foder. (MAIS CÍNICO) e além do mais, vocês vão conseguir mudar alguma coisa? Vão conseguir tirar a gente desta bosta, vão?

PATRÍCIA - A gente pode tentar...

LEO - Tentar... O caralho que vão conseguir mudar alguma coisa.... Querem saber, vão se foder vocês duas...

JÉSSICA - Não precisa se exaltar. Nós viemos aqui, cheias de boas-intenções....

LEO - (SUA IRA VAI AUMENTANDO GRADATIVAMENTE) De boas-intenções, o inferno tá cheio... Sabem onde eu tava agora? Não, né? Tava num pulgueiro comendo um viado e tendo que satisfazer aquele filho da puta. Eu tinha que deixar ele me chupar, porque aquela bicha escrota tava pagando. Se soubesse como é difícil ficar com o pau duro numa situação como essa!!!! E depois do boquete, fui obrigado a meter o pau naquele cu fedido. E quando tirei o pau do cu dele, vi a camisinha toda lambuzada de merda... Quase vomitei. E a bicha lá com aquele cu arrombado zuando com a minha cara. "Você queria que saísse o que, meu bem? Filé mignon?" Porra, não agüentei. Peguei a primeira coisa que vi na frente e meti na cabeça do desgraçado, sem dó!!! Estão satisfeitas???


(AS GAROTAS SAEM COMPLETAMENTE ATERRORIZADAS. LEO PARECE CHORAR. PAULINHO ACORDA COM OS GRITOS E DIRIGE-SE A ELE).


PAULINHO - (CARINHOSO) O que foi que aconteceu, cara?

LEO - Vai dormir, Paulinho. Tu é muito garoto pra sacar os problemas da gente... Você só vai entender o que eu senti hoje, quando você for obrigado a comer o cu de um viado filho da puta, que caga em você... E não adiantava lavar aquela bosta do meu pau. Aquela bosta me sujou por dentro...

PAULINHO - Conta mais, como aconteceu?

LEO - O que aconteceu, Paulinho, é que eu sou um porra que não presta pra nada...

PAULINHO - Isso vai passar. A gente vai sair dessa bosta logo, logo. Quer bater uma aposta?

LEO - Ah, Paulinho. Queria ser assim: igual a tu. Uma criança ingênua, que não sabe da podridão do mundo lá fora... Eu tô sem nenhuma esperança. Já passei do fundo do poço, meu chapa...

PAULINHO - Eu também não tinha. Desde que meu pai me expulsou de casa, todas as esperanças que tinha, morreram, mas nasceram de novo quando conheci o Tadeu... Ele me achou jogado na rua Aurora e me trouxe pra cá. Me deu carinho, me protegeu do frio, cantava pra mim dormir... (ERGUE A CAMISETA E ABAIXA AS CALÇAS E MOSTRA AS CICATRIZES DO SEU CORPO) Olha pro meu corpo, cara. Veja quanta queimadura que eu tenho: cigarro, ferro, porrada... E tudo por culpa daquele merda do meu pai... Se você tá se sentindo cagado por dentro, como você acha que eu me sinto?

LEO - Pelo menos tu tem alguém que se preocupe contigo. Eu não tenho nem isso... Não sei se quero ou não continuar vivendo... Já pensei em suicídio: overdose, atropelamento, pular do Viaduto do Chá, dar um tiro nos miolos... Mas nada disso adianta... Nem assim eu vou conseguir me limpar dessa imundície... (PAUSA) Mas vamos descansar, malandrinho... Só assim pra que a gente deixe de pensar nesta droga de vida...


(DEITAM-SE E ADORMECEM)



CENA 6


(ENTRAM DUAS PROSTITUTAS DE MEIA-IDADE. ESTÃO CARACTERIZADAS COMO TAL E USAM ROUPAS CLÁSSICAS E MAQUIAGEM CARREGADA, QUE ESTÁ SAINDO E FICANDO ENTRE AS RUGAS. SENTAM-SE NO PONTO DE ÔNIBUS.).


1ª PROSTITUTA - (OBSERVAM OS GAROTOS DORMINDO) Pobres criaturas. Se eu pudesse fazer alguma coisa por eles...

2ª PROSTITUTA - (DEBOCHA) E vamos fazer o quê, se tamo pior que eles, assim, num beco sem saída. Vivemos no inferno!!!

1ª PROSTITUTA - (PENSATIVA) Inferno! Acho que o inferno é o meu barraco. Toda vez que abro a porta da minha casa, encontro o merda do meu marido, deitado na cama pelado, com aquele pau mole. Mal chego e já me pergunta se eu trouxe a grana pra pinga dele! Escroto. Ele nem se importa comigo... Ele não tá nem aí pra mim. Se me encontrar morta com um cabo de vassoura enfiado no cu ele nem vai se importar... Vai atrás de uma puta mais nova, que lhe sustente e que lhe dê grana pras biritas dele.

2ª PROSTITUTA - E tem gente que ainda diz que nós é "mulher de vida fácil". Se soubessem o que é uma noite de viração... Eu duvido que quem fala isso agüentasse ficar a noite inteira, pra cima e pra baixo, procurando bofe. Agüentar cada homem fedido, imundo, babando e parecendo um porco em cima da gente... Além dos riscos de pegar uma doença que irá apodrecer nossa buceta...

1.ª PROSTITUTA - Vamos embora. Na situação fodida da gente, é tarde pra ficar filosofando....


(SAEM)


CENA 7


(OS RAIOS DE SOL PENETRAM NA PODRIDÃO DO BECO. A POLUIÇÃO DO AR FICA VISÍVEL. TADEU ENTRA, SONOLENTO E CAMINHA ATÉ O FUNDO DO PALCO. TIRA O DINHEIRO QUE ROUBOU E COLOCA NUMA CAIXINHA. TRAZ EM OUTRA MÃO UM EMBRULHO QUE CONTÉM PÃO, LEITE E MORTADELA. DEIXA O EMBRULHO PERTO DE PAULINHO. CAMINHA PARA UM CANTO E ADORMECE. POUCO TEMPO DEPOIS, PAULINHO ACORDA. VÊ O SOBRETUDO, ACHA ESTRANHO, MAS A FOME É TANTA, QUE COLOCA O SOBRETUDO NUM CANTO E COMEÇA A PREPARAR O SEU CAFÉ DA MANHÃ. PEGA UM PÃO, ABRE-O COM A MÃO, COLOCA A MORTADELA E DESPEJA O LEITE EM UMA CANECA DE ALUMÍNIO, TODA AMASSADA. COME RAPIDAMENTE. EM SEGUIDA, TIRA DE DENTRO DE SUA CAIXINHA DE ENGRAXATE UM REVOLVER. BRINCA COM ELE, ENSAIANDO COMO IRÁ FAZER PARA ASSUSTAR ALGUÉM. PÕE O REVOLVER NA CINTURA E SENTA-SE AO LADO DE TADEU. TADEU, AO VER O MENINO, PERGUNTA COM A VOZ EMBRIAGADA).


TADEU - Já tomou café, Paulinho?

PAULINHO - Já.

TADEU - Tá na hora de você sair pra trabalhar... (PAUSA) Ouviu o que eu disse?... Vai engraxar sapato, porra...

PAULINHO - Não...

TADEU - Tá ficando rebelde, caralho? Vai engraxar, sim. Você já tá com doze anos e tem que trabalhar... Se não quer estudar, vai trabalhar... Eu não vou te sustentar a vida inteira.

PAULINHO - Já disse que não...

TADEU - (LEVANTANDO, FURIOSO) Eu vou te encher de porrada, safado!!!!

(A VOZ DE TADEU ECOA PARA PAULINHO COMO A DO SEU PAI. PAULINHO FICA APAVORADO E AMEAÇA CHORAR).


TADEU - Desculpa, Paulinho... Eu não vou fazer isso... (ABRAÇA O MOLEQUE) Que porra de pai é esse? Oh, mané, obedece o paizão, vai... Vai engraxar sapatos...

PAULINHO - Não...

TADEU - Mas hoje tu tá de cagar, hein? Por que, não?

PAULINHO - Porque hoje eu vou ser seu assistente. Vou te ajudar...

TADEU - Nem pensar... Você vai engraxar....

PAULINHO - De jeito nenhum. Chega de ficar engraxando sapato de bacana, chega de ficar aqui coçando o saco, enquanto você se fode pra me alimentar... (TIRA O REVÓLVER DA CINTURA) Olha o que o Jacaré descolou pra mim: um cano. Isso é muito mais poderoso que um punhal... Se alguém embaçar, eu arregaço a cabeça com um tiro disso aqui...

TADEU - Me dá essa arma, Paulinho... É perigoso!!!

PAULINHO - Não... (PAULINHO SE TRANSFORMA) Ajoelha, Tadeu... Vamos, me obedece. Não tô com muita paciência, não. Vamos, o que está esperando? (TADEU, COM MEDO SE AJOELHA) Isso. Bonitinho... Agora é a minha vez de dar as ordens, sacou? Quem manda aqui agora sou eu. (TADEU TENTA SE APROXIMAR DE PAULINHO) Se você der mais um passo eu atiro... (TADEU FICA IMPOTENTE) Assim é que eu gosto... Como você quer morrer, Tadeu? Com um tiro na cara ou no saco? Escolhe... (TADEU TREME. PAULINHO ENGATILHA A ARMA E APONTA PARA A CABEÇA DE TADEU) Esse é o meu agradecimento por todas as coisas que você me fez e pelo que me transformou....


(PAUSA TENSA. TADEU OLHA PARA PAULINHO COM UM OLHAR SUPLICANTE. PAULINHO ESTÁ COM OS OLHOS ESBUGALHADOS E UMA EXPRESSÃO ATERRORIZANTE. DE REPENTE, PAULINHO COMEÇA A RIR, TIRANDO A ARMA DA CABEÇA DE TADEU. FOI TUDO UMA BRINCADEIRA)


PAULINHO - Tu ficou cagado, Tadeu!!!!

TADEU - (SE RECOMPÕE) Seu merdinha, quase borrei as calças... Por essa eu deveria te encher de porrada...

PAULINHO - (GUARDANDO A ARMA NA CINTURA) E aí, passei na prova?

TADEU - Convenceu... Mas você engatilhou a arma e guardou. Pode cuspir fogo em você.

PAULINHO - (RINDO) Essa arma é de plástico, cabação... Não tem nem bala... Mas pelo que percebi, deixa a pessoa cagada... (BRINCANDO) O Tadeu é cagão, o Tadeu é medroso, o Tadeu é covarde... (MUDA O TOM) E aí, vai me levar junto?

TADEU - (PENSA BASTANTE) Falou, bostinha... Você provou que é melhor que eu... Agora vamos dar um rolé antes de pegar no pesado...


(SAEM ABRAÇADOS. LEO FICA SOZINHO EM CENA. ESTÁ NUM SONO PROFUNDO. ROBERTO, UM HOMEM DE MAIS OU MENOS QUARENTA E CINCO ANOS ENTRA, CAUTELOSAMENTE E CAMINHA ATÉ O GAROTO. LEO ACORDA E AO VER ALI, O SEU PAI, SE AFASTA, ASSUSTADO).


LEO - E o que você está fazendo aqui coroa?

ROBERTO - Eu preciso muito conversar com você.

LEO - Será que ainda temos algo pra conversar, velho?

ROBERTO - Nós temos muito que conversar.

LEO - (SEM ENCARAR O PAI) Não é o que eu pensava...

ROBERTO - Por que você não me encara? Por que fica assim comigo? Olha pra mim, filho...

LEO - Não sei como você ainda tem coragem de me procurar... Filho, filho... Eu deixei de ser seu filho há um bom tempo atrás, desde o dia em que você se casou com aquela vagabunda. Não fazia nem três meses que minha mãe havia morrido. Ela nem tinha esfriado no caixão... Você não teve um pingo de consideração pela minha mãe. Era esse o seu amor por ela? Era nada. Amor de merda...

ROBERTO - Tenta entender minhas razões, Leo...

LEO - Entender? Entender o quê? O que eu já sei? Que você trocou a minha mãe pela sua amante? Que só esperou minha mãe fechar os olhos pra trazer pra dentro de casa a sua "cadelinha"? Entender mais o quê? Que você me odeia?

ROBERTO - Não.

LEO - Me odeia, sim. Você e aquela perebenta da tua mulher. Desde o dia em que minha mãe morreu, eu só tomo no cu... Você e aquela piranha conseguiram o que queriam: me derrubar, me destruir. E eu tô vivendo aqui, neste beco nojento, nesta boca de lixo, nessa putaria, tudo por culpa de vocês.... Estão contentes? Eu nunca vou te perdoar, velho. Nem você, nem aquela lá.

ROBERTO - Tudo passou, Leo... Eu sei que você tá revoltado comigo por diversas razões, mas eu te amo, meu filho. Você saiu de casa porque quis. Eu não te obriguei a isso. E eu fiquei esse tempo todo tentando te encontrar, porque o seu lugar é lá em casa.. Você tem casa, tem uma família...

LEO - Família? Que família?

ROBERTO - Eu sou sua família...

LEO - Não me faça rir, velho...

ROBERTO - Olha, eu posso te dar tudo o que você quiser...

LEO - Quem eu mais queria, não está mais aqui: a minha mãe...

ROBERTO - Você passou por momentos muito difíceis, eu sei. Eu também passei. Pensa que foi fácil pra mim? Hein? Pensa que é fácil pra mim te ver neste lugar? Pensa que é fácil para um pai, saber que seu único filho virou um garoto de programa?

LEO - (FINALMENTE VIRA-SE PARA O PAI) Foda-se. E se eu tô aqui, o responsável por isso é você. Foi você quem me fez virar um garoto de programa. Se eu tô na rua, trepando com qualquer um, você foi o único e exclusivo culpado por isso... Eu tô na merda. Na merda mais funda. Graças a você... Morra com essa culpa, velho. Quero ter o prazer de cuspir no seu caixão. (RI, SÁDICO) Terei enorme prazer de consolar sua esposa, que acabou de ficar viúva, e vou meter minha rola nela, em cima do seu túmulo... Ela vai gemer como uma cadela no cio e vai rebolar gostoso... E melhor ainda: não vou cobrar nada... Quero que você morra com a consciência mais negra do que essa merda onde eu tô. Ir pra sua casa? Nunca... Prefiro ficar aqui neste buraco, trepar com qualquer pessoa, por mais podre que seja, do que receber qualquer coisa que venha de você... (PAUSA) Agora eu vou te pedir uma coisa: some daqui, some. Desaparece... Pra você eu tô morto.... Como a minha mãe...

ROBERTO - (INCRÉDULO) Tem certeza?

LEO - (IRREDUTÍVEL) Absoluta!!!

ROBERTO - É uma pena...


(FICA FRENTE A FRENTE COM LEO E SE OLHAM POR UM BOM TEMPO. LEO DÁ UMA CUSPIDA NO ROSTO DE ROBERTO, QUE, MECANICAMENTE, PEGA UM LENÇO E SE LIMPA. SAI LENTAMENTE. LEO FICA SOZINHO NOVAMENTE. A REVOLTA TODA CONTA DE TODO O SEU SER. CHUTA TUDO O QUE ENCONTRA PELA FRENTE. DEPOIS, PEGA UM PAPELOTE COM COCAÍNA, FAZ UMAS CARREIRINHAS E CHEIRA. QUASE TEM UMA OVERDOSE. PEGA O SOBRETUDO QUE ESTÁ JOGADO NO CHÃO E SE COBRE, BASTANTE ALUCINADO. LUZ DESCE EM RESISTÊNCIA. ANOITECE. O CLIMA FÚNEBRE E SOMBRIO DA NOITE SE INSTALA NOVAMENTE. A GAROTA DA CENA 2 ENTRA NOVAMENTE E CAMINHA ATÉ LEO, PENSANDO SER PAULINHO. AO SE DEPARAR COM O RAPAZ, CERTIFICA-SE QUE NÃO É A MESMA PESSOA. TENTA FUGIR. SÓ TENTA, PORQUE LEO A AGARRA).


LEO - (COM DESEJOS NOS OLHOS) Tá pensando que vai aonde, hein, garotinha linda?

MARIANA - (TENTA SE SOLTAR) Me deixa em paz...

LEO - Mas primeiro a gente vai levar um papinho. (PÕE A MÃO DE MARIANA EM SEU PÊNIS) Pega aqui no danado, pega!

MARIANA - Me solta!

LEO - Sabia que você é uma gracinha? Tão linda, tão gostosa! E com esses peitinhos durinhos e que dá pra encher a mão... Você é muito bonita, sabia?

MARIANA - Pena não poder dizer o mesmo.

LEO - O que veio fazer aqui, hein, princesa? Veio experimentar a "mangueira" do papai? Já vou te mostrar... Vou te levar para o céu e você não vai pagar nada. (IRÔNICO) Você veio pra isso, não veio?

MARIANA - (ESTÚPIDA) Isso não é da sua conta!

LEO - (SEMPRE PASSANDO A MÃO NA GAROTA) Mas que garotinha rebelde! Mas eu vou te domar.

MARIANA - (TENTANDO SER FORTE) Você não me mete medo!

LEO - O que acha de mim?Bonito, tesudo?

MARIANA - (DESESPERADA) Me deixa ir embora, pelo amor de Deus!

LEO - Deixo... Mas antes eu vou te foder...

MARIANA - (GRITANDO) Não!!!

LEO - Vou sim, e você vai gostar. (PUXA MARIANA PARA SI) Sinta como ele pulsa dentro da calça... Vou te fazer gozar como nunca fiz em nenhuma outra mulher.

MARIANA - Me deixa ir embora!!!

LEO - Só depois que você for minha! (DERRUBA MARIANA NO CHÃO E DESCONTA NELA TODA A SUA REVOLTA CONTIDA DURANTE ANOS E ANOS EM SEU CORAÇÃO) Você é infeliz, garotinha, não é? Todos nós somos infelizes. Todos nós somos o lixo. Todos, todos.. Ninguém mais merece viver. Todos deveriam estar mortos. Todos, todos...

MARIANA - Me solta, você tá me machucando!

LEO - (RASGA A ROUPA DA MENINA, DEIXANDO-A COM OS SEIOS À MOSTRA. ELA O ARRANHA E ARRANCA O BRINCO DO RAPAZ. LEO ESBOFETEIA A GAROTA, TIRA SUA CALCINHA. BAIXA O ZÍPER DA SUA CALÇA E ENCOSTA O SEU SEXO NO SEXO DA GAROTA. NO AUGE DO TESÃO E DA REVOLTA) Agora você vai saber o que é um macho de verdade!!!


(PENETRA VIOLENTAMENTE NA GAROTA. ELA CHORA, ENQUANTO ELE, CADA VEZ MAIS ALUCINADO, SE MOVIMENTA FRENÉTICAMENTE EM CIMA DA GAROTA, ESTUPRANDO-A. A CENA É TENSA E DRAMÁTICA. OUVE-SE NO ÁUDIO OS GRITOS DE HORROR E DOR DA MENINA ATÉ O BLACK-OUT).


CENA 8


(LUZ AZUL DE CORREDOR SOBE EM RESISTÊNCIA, REVELANDO UM CEMITÉRIO. UMA FORTE NEBLINA TOMA CONTA DO AMBIENTE. UMA MÚSICA FÚNEBRE É OUVIDA EM INSTRUMENTOS DE PERCUSSÃO. OITO ESPECTROS ENTRAM EM CENA EM FILA INDIANA. NÃO SE VÊ O ROSTO DOS ESPECTROS, POIS UM CAPUZ O COBRE. O PRIMEIRO ESPECTRO A ENTRAR, CARREGA NOS BRAÇOS UM ARFANJO. OS OUTROS TRAZEM UMA VELA ACESA NAS MÃOS. SEUS PASSOS SÃO MILIMÉTRICAMENTE MARCADOS. ATRAVESSAM O PROSCÊNIO. FOCO EM MARIANA, QUE SE CONTORCE DE DOR E CHORA MUITO. OS ESPECTROS ATRAVESSAM A CENA. O ÚLTIMO ESPECTRO A ENTRAR É UMA MENINA, TRAJANDO UM VESTIDO DE NOIVA NEGRO E UM VÉU, TAMBÉM NEGRO, QUE COBRE-LHE O ROSTO. TODOS PASSAM SEM OLHAR PARA MARIANA, EXCETO A MENINA VESTIDA DE NOIVA. TODOS SAEM DE CENA).


CENA 9


(LUZ SOBE EM RESISTÊNCIA. MARIANA CONTINUA CHORANDO. PAULINHO E TADEU PULAM O MURO E INVADEM O BECO. MARIANA SE ASSUSTA E COMO UM BICHINHO ACUADO, TENTA FUGIR).


MARIANA - (IMPLORA) Me deixem ir!

PAULINHO - (SEGURA A GAROTA) Calma, garota.

TADEU - Tá toda arranhada, machucada... (OLHA PARA O CHÃO) O que é isso? Sangue? (OLHA PARA A MENINA E VÊ SANGUE NA SUA ROUPA) Alguém abusou de você, não foi? (ELA ACENA A CABEÇA AFIRMATIVAMENTE) Quem???

PAULINHO - (ENCONTRA O BRINCO DE LEO NO MEIO DO SANGUE) O Leo...

TADEU - Filho da puta...

MARIANA - (MAL PODENDO FALAR) Tô com medo

TADEU - Calma.

PAULINHO - E o que você veio fazer aqui a essas horas?

MARIANA - Vim te ver...

PAULINHO - Me ver? Mas eu nunca te vi na vida...

MARIANA - Claro que não... Você dormia. Um sono agitado. Dizia palavras sem sentido e tremia de frio... Aí eu te cobri com o meu sobretudo... (PAULINHO OBSERVA O SOBRETUDO DA GAROTA JOGADO NO CHÃO) Voltei aqui novamente e vi alguém coberto com ele. Cheguei perto, achando que fosse você, e quando vi que não era, tentei fugir... Mas ele me pegou e aconteceu tudo isso...

PAULINHO - (REVOLTADO) Quando esse puto chegar a gente vai levar um papinho.

TADEU - De homem pra homem, e eu quero ver se esse bosta vai negar o que te fez.


(NESTE INSTANTE, ENTRA LEO. ELE OLHA PARA MARIANA COM UM SORRISO DIABÓLICO. A GAROTA USA TADEU E PAULINHO COMO ESCUDOS).


LEO - Não bastou o meu cacete? Agora vai querer experimentar o dos dois? Gulosinha você, hein?

PAULINHO - Cala a boca, seu filho da puta...

LEO - (IRÔNICO) Ora, ora, o franguinho já tá cantando de galo?

TADEU - Isso é problema dele, só dele e tu não tem nada com isso...

LEO - (BATENDO PALMAS) Bravo! Bravíssimo!!!! Como é bonito o seu sentimento por ele, Tadeu... É um pai perfeito!

TADEU - Cala a boca, porra. O que tu fez com a menina?

LEO - O que todo macho faz com uma fêmea.... e essa, que apertadinha!!! Até melou meu pau de sangue. Aí eu percebi que tinha tirado o cabacinho dela, cara.

TADEU - Você é muito cínico, não acha?

LEO - O que eu acho ou deixo de achar, não é da sua conta.

TADEU - (SEGURA LEO PELO COLARINHO E GRITA MAIS QUE ELE) É da minha conta, sim. Porque quem pediu para ficar aqui com a gente, foi você que tinha saído de casa. Sua vida fora daqui não me interessa nem um pouco. Pode dar ou comer quem você bem entender. Mas aqui quem manda, sou eu. E se tu não quiser ficar aqui, malandro, te manda, falou? Agora, aqui, terá que obedecer às minhas ordens.

LEO - Nunca. Eu já saí de casa pra não ter que obedecer ordens de ninguém, agora vou obedecer às suas? Nem fodendo... Eu comi ela sim, seu bosta. E como de novo, se me der na telha. Eu queria que essa putinha enrustida sentisse tudo o que eu sinto quando me pagam pra dar uma...

TADEU - Pegue suas coisas e área, seu bosta!

LEO - Tudo bem. (CAMINHA COMO SE FOSSE PEGAR SUAS COISAS, E NUM MOMENTO DE DISTRAÇÃO DE PAULINHO E TADEU, PEGA O PUNHAL DO CHÃO E AGARRA MARIANA) Mas a menina vai comigo.

TADEU - Tu não vai levar a mina!

LEO - (DÁ UMA GRAVATA EM MARIANA E APONTA O PUNHAL PARA TADEU) Tenta me impedir, Tadeu... Tenta!!!

TADEU - Me dá essa porra, você vai fazer uma cagada!

LEO - Vem, Tadeu. Vem me pegar, vem...


(TADEU CAMINHA CAUTELOSAMENTE ATÉ LEO E TENTA PEGAR O PUNHAL. AO MESMO TEMPO, LEO AVANÇA E ENFIA O PUNHAL NA BARRIGA DE TADEU, QUE CAI, MORTALMENTE FERIDO. PAULINHO CORRE SOCORRER O AMIGO, QUE AGONIZA. LEO, COMPLETAMENTE CHOCADO, SOLTA MARIANA, QUE FOGE APAVORADA. LEO OLHA O PUNHAL ENSANGUENTADO EM SUAS MÃOS. UM SANGUE NEGRO ESCORRE ENTRE SEUS DEDOS. IMPOTENTE, JOGA O PUNHAL NO CHÃO).


LEO - Não era isso que eu queria. Não era isso que eu queria...

PAULINHO - Cai fora, seu bosta, antes que te mate...

LEO - Me perdoa, Tadeu... Me perdoa...

PAULINHO - (COM UMA FORÇA DESCOMUNAL, TIRA LEO PARA FORA DE CENA) Sai da minha frente. Some daqui, seu bosta! (PARA TADEU) Não morra, pelo amor de Deus, Tadeu. Eu não tenho mais ninguém. Não me deixa aqui sozinho, cara. Lembra da promessa que você me fez? Eu quero que você cumpra, meu amigo, meu pai, meu irmão... Não me deixa, Tadeu...

TADEU - (ABRE OS OLHOS E OS FIXA NUM PONTO DISTANTE) Não chore por mim, Paulinho. Eu sempre soube que isso um dia iria acontecer, mais cedo ou mais tarde. O meu destino já foi traçado. Agora eu quero que você trace o seu destino. De onde estiver, vou estar sempre torcendo por você... Seja feliz, amigo. É tudo o que eu desejo... (PAUSA) E quando todas as evidências concluírem pela minha morte, você pode ter certeza de que eu tô vivo... em algum lugar...


(CERRA OS OLHOS E MORRE. PAULINHO CHORA DESESPERADO SOBRE O CADÁVER AINDA QUENTE DE SEU AMIGO. AGORA ESTÁ SÓ. DEPOIS DE ALGUM TEMPO DEBRUÇADO SOBRE O CORPO DO AMIGO, PAULINHO PEGA O REVOLVER E COMEÇA A BERRAR COM TODAS AS SUAS FORÇAS E ENSANDECIDO, COMEÇA A ATIRAR NA DIREÇÃO DO PÚBLICO ATÉ O BLACK-OUT FINAL. OUVE-SE NO ÁUDIO, COMO NO INÍCIO DO ESPETÁCULO, TRÊS TIROS SEGUIDOS DE SIRENES DE POLÍCIA).

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Atualizado em: Qua 12 Mar 2008

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